Kerry reconheceu a derrota sem esperar pela contagem dos chamados "votos provisórios" dos eleitores do Ohio. Ignoramos as razões por que o fez, embora possamos imaginar que não tinha condições políticas para aguentar a reivindicação durante uma série de dias. Isto não invalida que a frase de Edwards, "we will fight for every vote", seja inteiramente justa. Os votos são para serem contados até ao fim. E é de uma espantosa inversão dos princípios democráticos vir dizer, como faz o Luciano no Acidental que "este argumento deve ser considerado suspeito de não acreditar em eleições". Contar todos os votos é até uma boa definição de democracia em termos formais. É por cada voto que se batem os políticos em campanha, e todos os cidadãos que votaram têm direito a que o seu voto seja contado. No fim, o vencedor que não deve não teme. Quem ganhou de facto não tem medo de que as urnas sejam contadas à lupa as vezes que for preciso. A democracia não é um duelo em que a vitória é marcada pelo momento em que o adversário reconhece a derrota. Ela é pura e límpida e aritmética e formal: contam-se os votos até ao fim. Mais ainda quando aritmeticamente o sentido do voto é reversível. Isto para a vitória de Bush de ontem já não tem muita importância: ela é incontestada e parece incontestável, ao contrário do que aconteceu em 2000, exactamente por se ter suspendido por decisão judicial a total averiguação dos resultados. Mas para o que entendemos sobre o que é a democracia tem mesmo a importância toda. Sobretudo se passamos a vida a dar lições da dita ao mundo "bárbaro" e "incivilizado". Não há dúvida: democratas há muitos.
Publicado por andrebelo em | TrackBackAndre,
No Ohio, este ano, houve uma diferença de 150 000 votos a favor de Bush num universo de 5 milhoes e meio de votantes! Não estamos a falar numa diferença de 500 votos num universo de 7 milhões de votantes como na Florida há 4 anos. Não sei que curso é que tens mas para fazer estas continhas não é preciso ser graduado em Engenharia pelo MIT, meu!
Acreditas mesmo que o Kerry ia conseguir dar a volta? Ainda por cima num estado que há 4 anos foi tranquilamente Bushista!
A decisão de Kerry neste contexto foi elegante e leal. Em vez de arrastar a decisão durante uma ou duas semanas e depois acabar por ceder (porque a diferença é demsiado grande como tens de convir), optou por fazê-lo já. E acabou por poupar o seu pais à tensão de há 4 anos (nessa altura com fundamento como mostram os numeros) com uma atitude educada de bom perdedor.
Afixado por: Rui Silva em novembro 3, 2004 09:07 PMRui SIlva.
Isto de ler os posts antes de vir lançar a sua bílis sobre os barnabés parece de facto ser muito complicado. Regresse ao ponto em que o André Belo escreve:
"Isto para a vitória de Bush de ontem já não tem muita importância: ela é incontestada e parece incontestável"
Não sei se percebe mas o que você comentou era outro post qualquer que você leu. Não era certamente este que eu estou a comentar.
Afixado por: kid a em novembro 3, 2004 09:19 PM"Não há dúvida: democratas há muitos"...
... na direita é que não abundam.
Os "democratas" da direita, por exemplo, não conseguem perceber que se tenha enormes suspeitas sobre a democraticidade de um acto eleitoral onde são utilizadas máquinas de voto electrónico que não deixam rasto em papel, impedindo assim na prática a verificação independente dos resultados e, consequentemente, a contestação das eleições, especialmente depois de o fornecedor dessas máquinas ter prometido entregar o estado ao partido republicano, como veio a acontecer, resultado esse que, aliás, contraria os resultados das sondagens à boca das urnas, que davam uma vitória confortável a Kerry.
Os "democratas" da direita não vêem em tudo isto nada de invulgar, estranho ou suspeito. Encher-se-iam de suspeitas caso Kerry tivesse ganho, claro, mas como foi Bush a ganhar, acham tudo normalíssimo, tal como acharam normalíssimo tudo o que aconteceu com as eleições de 2000, excepto a insistência dos democratas em ter os votos todos contados, o que nunca veio a acontecer.
Já os democratas de esquerda gostariam muito, antes de mais nada, de que todos os sistemas eleitorais elegessem quem é mais votado, o que neste caso, muito provavelmente (e porque apesar de tudo não é muito provável que a eventual fraude atinja 3 milhões de votos), significaria a eleição de Bush. Em segundo lugar, gostariam muito de ter a certeza de que as eleições são limpas. Em terceiro lugar, na ausência desta certeza, gostariam muito de ter possibilidade de verificar a limpeza das eleições e, obviamente, de as pôr em causa caso se prove fraude.
Porque é isso que significa ser democrata: aceitar sem reservas a vontade do povo e ser intransigente com todas as tentativas de deturpar essa vontade. É por isso que todos os vontos se contam, que todos os votos devem ser verificáveis e que eleições fraudulentas devem ser questionáveis.
Comentário ao acima colocado “Livro de Estilo”
8º - O Barnabé é um diletante. Dedica-se aos assuntos de um modo pouco sério e sem qualquer obrigação. Mas tem ligação à CNN... (continua amanhã)
kid a,
O Celso começou a sua posta com o seguinte:
"Kerry reconheceu a derrota sem esperar pela contagem dos chamados "votos provisórios" dos eleitores do Ohio. Ignoramos as razões por que o fez, embora possamos imaginar que não tinha condições políticas para aguentar a reivindicação durante uma série de dias."
Eu apenas tentei responder às duvidas do homem... Estas parecem-me boas razões para não ser feita a contagem até ao "last vote". Aliás, em parte nenhuma do Mundo isso acontece.
Em Portugal, as urnas fecham às 19:00, às 19:01 as televisões lançam as projecções e às 19:05 já há politicos a preparar declarações. Calculo que em França as coisas não sejam muitos diferentes. Nunca ouvi nenhum Barnabeu falar contra a injustiça disto.
As declarações do Edwards não passavam de pressões sobre a opinião publica para lançar duvidas sobre a transparencia do processo eleitoral. Porque os democratas também tentam manipular os media. Como toda a gente.
Afixado por: Rui Silva em novembro 3, 2004 10:14 PMRui Silva:
Em 2000, os votos por correspondência no Ohio foram para Al Gore por uma margem de 85%. Na altura em que Edwards falou, especulava-se sobre quantos votos existiriam desses, e dizia-se que poderia haver 250 mil deles. Se a distribuição fosse igual à de 2000, Kerry poderia ganhar o Ohio.
Quando se chegou à conclusão de que só havia 130 mil votos por correspondência, Kerry concedeu a derrota.
Não há nenhuma inaceitável pressão sobre a opinião pública. A campanha de Kerry comportou-se impecavelmente: primeiro com os eleitores, como tem que ser; depois com o seu adversário.
Finalmente, o post do André Belo era uma resposta a outro que está linkado. Ou você quer participar nessa discussão, em que o André Belo tem a razão de princípio, ou então quer apenas lençar poeira para os olhos das pessoas.
Afixado por: kid a em novembro 3, 2004 10:21 PMDemocratas, há muitos da direita em Portugal, bué!Falam de democracia como falam no Benfica ou no Sporting!...O mais grave é que,cá,intitulam-se grandes democratas e paladinos da justiça e da moral,mas nos EUA são pró-Bushes e neo-conservadores,então e os Democratas americanos o que são?Serão comunas?Enganem-se aqueles que pensariam que se Kerry ganhasse algo fosse a mudar na América.A América é por si mesma uma Confederação hoje neo-conservadora,exarcebada pela paranóia do medo e do radical sagrado da religião.A América profunda.GOD BLESS THE WORLD...
Meus amigos,
A verdade é tão somente esta! Todos se esqueceram que só os americanos é que votam, os restantes povos apenas podem opinar. E agora que vai a esquerda portuguesa fazer perante este avanço do Império do mal, o Império do medo? Será que iremos ver Louçã a bordo de um semi-rigido em direcção aos States para fazer as suas palestras paternalistas aos americanos? Será que essa hipótese está a ser estudada?
A esquerda tem que fazer alguma coisa! Já não basta criticar, é preciso agir, têm que fazer manifestações anti-Bush todos os dias, os tambores do além têm que tocar toda a noite sem cessar.
Meus senhores...Bush ganhou e no meu blog eu explico que tudo isso me parece normal. Serei um sado-masoquista insensato que aceita que Bush é o melhor? Nada disso. Mas Kerry nunca foi alternativa. Até vos digo mais. Em vez de Kerry, até podia ser um democrata decrépito com problemas de alcoolismo e com passado duvidoso que se candidatava frente a Bush, não interessa! O importante era tirar Bush do poder, mas desta vez isso não aconteceu e ainda bem.
Porque está muita coisa em jogo, e convenhamos que Kerry não ia tirar as tropas do Iraque, só os ingénuos esperavam isso...
Boas noites!
Ricardo, O Aprendiz
www.oaprendizdavida.blogspot.com
Afixado por: Ricardo em novembro 3, 2004 11:41 PMVer a esquerda portuguesa (inlcuindo a mais radical) a lamentar a derrota de Kerry é um espectáculo confrangedor. E chamar "de esquerda" a Kerry dá vontade de rir... Ou é de mim ou ainda vamos ver estes "anacletos" a desejarem a vitoria dos conservadores ingleses, só para serem contra o Blair
Quanto ao post que dá origem a este comentário, bastava ter lido a declaração de kerry para não dizer disparates. Kerry reconhece na sua declaração que não havia qualquer hipótese de inverter os resultados no Ohio...
Claro que para quem de manhã defendeu a tontice de Edwards, a atitude de Kerry não se percebe.
Acontece que Kerry tomou a atitude decente, que o não despristigia e acima de tudo não despristigia a democracia americana.
Ganhou um, não ganha o outro, que mais tem?
Mamma, dami cento lire, que in America io vo...
Todos somos matricanos - não por A Henriques ou a Severa, mas mais terra-a-terra, quando lá fomos, colonos, foragidos, aventureiros, escravos, perseguidos da fome e da guerra e ainda mais das religiões, de Espanha, do meio da Europa, Irlanda, Itália e Polónia e Leste, além da China e o mundo que já havia.
Mafiosos, deportados, ladrões, piratas, todos lá fomos parar. E perdidos lá ficámos, confiantes dessa terra de fartura, eldorado entre dois mares. Como presos, fascinados de horizonte, patriotismo, obstinação e fé, como em mais parte nenhuma há.
Pode o resto do mundo - onde é que isso fica? - berrar, troçar de desdém, que nós cá passamos bem, com as bombas, melhor que sobre as nossas torres, a rebentar nas cabeças dos filhos das outras mães.
Chamem-nos parvos, infantis, o que queiram, cowboys, labregos, evangélicos, judeus e mais tudo como só na América, conquanto haja petróleo em algum lugar.
A trouxe-mouxe, assim, vai que baste o retrato do que pareceu um desaire e, afinal, não é. Quem fez a guerra que a acabe. A guerra e o terrorismo. Que eu julgo que os "democratas" da América não estavam lá muito virados para arrostar com o susto que o Bush ainda vai levar.
Visão como outra qualquer.
Afixado por: Colt em novembro 3, 2004 11:56 PMkid a,
Eu não quero mandar areia para os olhos de ninguem. O problema principal aqui é o entendimento que aqui se tem das declarações do john Edwards.
Tu e o Celso acham que ele é uma virgem pudica que se bate pela transparencia e a bondade do processo eleitoral. eu a atitude dele como mais uma forma de pressão sobre o eleitorado.
Em relação aos votos no Ohio eu digo e mantenho que o prolongamento da contagem não fazia sentido...
PS. Na CNN (http://www.cnn.com/2004/ALLPOLITICS/11/02/states.vote/index.html) diz-se que os democratas disseram que havia 250 000 votos porcorrepondencia. Na realidade não passavam de 175 000. A noticia da CNN não falava em nanhuma tendencia marcadamente pro-democratica nesses votos. Mais, os funcionários eleitoriais do Estado do Ohio (estado republicano em 2000, não esqueçamos isto!) disseram que, de acordo com os padrões eleitorais do estado, uma reviravolta de 150 000 cé impossivel apenas com os votos por correspondencia. É estranho que ainda venham comparar isto com a situação da Florida há 4 anos.
Afixado por: Rui Silva em novembro 4, 2004 12:00 AMColt:
Pura e simplesmente brilhante. Sem nada a acrescentar.
Afixado por: Jacaré em novembro 4, 2004 12:36 AMAndré,
Kerry, em minha opinião, hipotecou, o futuro político de Edwards, e foi covarde, não cumpriu o o seu contrato que tinha com o seu eleitorado, sobretudo o negro. Lembras-te do que aconteceu em 2000? E o que aconteceu na Florida? E depois a moções apresentadas por afro-americanos e nunca ratificadas no Senado, inclusivé por Kerry.
Foi essas esperança e sinal que Kerry deu e Edwards veio afiançar.
Isso não foi ser democrata.
Ele não passa, enfim, de um republicano encapotado de democrata. Por isso mesmo é bom que fique lá Bush e que o "mundo" que sabe com o que pode contar "resista" mais 4 anos.
1 abraço
Afixado por: Golfinho em novembro 4, 2004 01:35 AMPerder! coisa que esta gente não sabe nem nunca aceita. Incrivelmente para estes as suas derrotas nunca são aceites com a vitória justa dos ouros, existe sempre algo mais no seu imaginário, algo que eu diria doentio, ... é a fome do poder que não têm à muito e por muito mais tempo não vão ter.
Afixado por: AFerrao em novembro 4, 2004 08:25 AMEra díficil a vitória de Kerry em Ohio mas não era impossível.
Logo devia ter esperado até ao final.
Assim acabou por dar o dito por não dito, talvez tenha sido esse tipo de atitude que lhe fez perder as eleições.
Caro Rui Silva...
estou com(o) kid a: estupefacto a lê-lo! Você insiste num erro óbvio e treslê o que está escrito. Para perceber como, basta reler os seus comentários, onde insiste em "rebater" Celso Martins, quando o post foi escrito por... ANDRÉ BELO!
Afixado por: Marujo em novembro 4, 2004 12:13 PMEsta questão do reconhecimento antecipado da derrota por parte do Kerry é puramente académica. As declarações de derrota não têm validade eleitoral. A verdade é que a contagem continua quer haja declaração de derrota ou de vitória. Se por absurdo o valor final da contagem dos votos viesse a demonstrar que era Kerry afinal o eleito, Kerry seria mesmo o novo presidente da junta. Quando o homem decidiu dar-se por vencido, foi porque, em função dos votos já contados, não existiam já hipóteses matemáticas de ganhar. É que na matemática 1 + 1 é sempre igual a dois...a não ser talvez quando é Bush a fazer as contas.
Afixado por: Paulo Sargaço em novembro 4, 2004 02:11 PMMarujo,
É verdade, eu confundo-os porque dizem todos a mesma coisa. Eu não os consigo distinguir. Tu consegues? Diz-me como!!! :)))
Afixado por: Rui Silva em novembro 4, 2004 10:07 PMJá percebi, Rui Silva. Para além de tresler o que escreve André Belo, metes todos no mesmo saco. Nunca leste certamente o Barnabé. Deves ser como outros, que vêem as "gordas" nos jornais e desatam logo a protestar ou a rejubilar, sem cuidar do antetítulo ou do desenvolvimento da notícia. Pois, se te deres ao trabalho de LER logo verás como distinguir os textos do André dos do Celso. E destes dois dos outros "barnabés": o Rui, o Daniel e o Pedro.
Uma dúvida: e tu, distingues-te de alguém?