dezembro 09, 2004

Boas notícias

O PSD e o CDS, ao que tudo indica, irão coligados às eleições. Excelente! Assim, nem o PSD convence os seus eleitores que detestam o CDS, nem o CDS faz jogo duplo, fingido que não está com Santana. Não juntam votos, juntam descontentamentos. Boas notícias, portanto.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

A mim, pelo contrário, parece-me ser uma péssima notícia.

(1) É péssima porque degrada o sistema político português, fazendo aumentar as pressões bi-polarizadoras sobre esse sistema.

(2) É péssima porque a direita tem diversas facetas (autoritária ou liberal, nacionalista ou europeísta, conservadora ou progressista, etc), e deveria por isso precisar de diversos partidos para exprimir essas facetas contraditórias.

(3) É péssima porque CDS e PSD terão, fruto do sistema de Hondt, pelo menos tantos deputados quando coligados como quando separados. (Poderão ter menos votos por se coligarem, mas por outro lado o sistema de Hondt favorece a coligação.)

Enfim, acho esta coligação péssima, tanto a curto como a longo prazo.

Afixado por: Luís Lavoura em dezembro 9, 2004 12:21 PM

Luís, o PSD e o CDS foram coligados às Europeias. Viste o resultado?

Afixado por: Daniel Oliveira em dezembro 9, 2004 12:25 PM

Assim é mais fácil combatê-los... só é preciso assestar a mira uma só vez.

Afixado por: mfc em dezembro 9, 2004 12:39 PM

Eu acho que é mais coerente senão fossem coligados estavam a enganar os portugueses, porque depois se tal fosse necessário coligavam para terem maioria, e os eleitores com cara de tacho pois a maioria não votou numa coligação.
Assim se estão juntos mostram já

Afixado por: anabela em dezembro 9, 2004 12:57 PM

Ressalvado o devido respeito, a posição do PP face à coligação com o PSD é a do agiota:
exige 14 (!) deputados, num cenário de perda generalizada para o PSD.
Por outro lado, o PSD quer também agegar "independentes".
Ficamos assim com o PSD que (num cenário de normalidade), perderia deputados mesmo sozinho, a "oferecer" dos que restam uma mão cheia de independentes e 14 ao PP (não seriam mesmo 14, uma vez que o PP também conseguiria alguns deputados sozinho).
Por fim, a coligação dá ao PSD um álibi inteligente: já todos sabiam que PSD+PP significa menos votos, assim, nada como queimar estas eleições e culpar o PP...

Afixado por: Nuno SS em dezembro 9, 2004 12:57 PM

Faltou explicar o porquê do "agiota", mas é simples:
"dei-te maioria para governar, dei-te menos problemas do que todos esperavam, dei-te estabilidade. Agora... bem, agora (para me pagares) vou fazer-te uma proposta irrecusável..."

Afixado por: Nuno SS em dezembro 9, 2004 01:01 PM

O comentário do Luís Lavoura é o muito sensato. A resposta do Daniel resume-se ao ponto 3 que é, por sinal, o mais conjuntural...

Afixado por: Ngungunhane da Silva em dezembro 9, 2004 01:30 PM

O Daniel tem que tratar da vidinha, há que vender livros agora. Por isso já defende o que é melhor para o PS porque o PS tem muito eleitores, quero dizer, compradores. Eu sou um deles, onde é que se vende o livro do barnabé ? O engº Sócrates também está interessado.

Afixado por: Real em dezembro 9, 2004 01:32 PM

Ngungunhane da Silva, também responde à primeira e, quanto à segunda, Santana não representa nem a direita liberal, europeísta e progressista. Essa não estará, com ou sem coligação, representada nas eleições.

Afixado por: Daniel Oliveira em dezembro 9, 2004 01:38 PM

Pois...
Aceito a argumentação para a segunda.
Pode até ser vantajoso que "eles" coliguem, mas é por outro motivo. Uma coisa é a nossa fé(zada) outra é a realidade: com o protagonismo que o jorg portas e restante cambada tem tido nos 2 governos anteriores, é bem possível que o cds (ou pp ou lá como é que se chama aquilo) venha a subir.
Se forem coligados, para além de entreter os analistas acerca da "leitura dos dados" durante 4 anos, sempre camufla essa eventualidade.

Afixado por: Ngungunhane da Silva em dezembro 9, 2004 02:00 PM

O principal problema da coligação é mesmo estrutural e a longo-prazo. Pura e simplesmente, será muito difícil no futuro o PSD e o CDS voltarem a concorrer separados. Ora, desta forma, a democracia fica degradada, porque os eleitores de direita deixam de poder exprimir livremente as suas opções: só têm um partido em que votar. Confundem-se os direitistas nacionalistas com os direitistas europeístas, os direitistas religiosos com os direitistas liberais, etc. Concomitantemente, aumentam as pressões para que toda a esquerda vote PS. O que leva o mesmo problema para o setor da esquerda. A bi-polarização conduz assim a um decréscimo de democracia: os eleitores só podem escolher entre direita e esquerda, em vez de poderem exprimir as suas reais preferências.

Afixado por: Luís Lavoura em dezembro 9, 2004 02:13 PM

Qual é a admiração.
Desde sempre esta coligação esteve aprazada pelo Santana e Paulo Portas, como no congresso do PSD as criticas foram muitas ao PP o Santana fingiu que recuou mas a decisão sempre esteve tomada o resto é show-off para televisões.

O Santana e o Paulo sempre pretenderam criar um partido liberal que fizesse a união da direita portuguesa e esse projecto está em marcha.

Que os militantes do PSD gostem de ser enganados isso é um problema deles.

Acho bastante positivo que vão coligados, o PS que virou ao centro digamos assim para facilitar as coisas vai de certeza buscar eleitorado ao PSD, e a esquerda se souber apresentar alternativas claras aos eleitores, e manter a denuncia de toda a incompetencia e falta de sentido de estado desta direita poderá estou certo obter uma vitória histórica,

O resto é conversa de quem julga que o povo português não está farto de trampolineiros, e ainda se deixa enganar por esta gentalha.

Vai ser giro ver o Paulo Portas e o Santana Lopes nas feiras.....

Só estou preocupado com as calúnias que eles vão inventar, mas se for necessário toda a trampa da Moderna e os telhados de vidro do Santana e do Paulo Portas podem tambem servir ao combate, quem com ferros mata com ferros morre...

Afixado por: a:pacheco em dezembro 9, 2004 02:13 PM

O PSD e o CDS juntos podem fazer campanha um projecto de Governo comum, aquele que estavam a levar a cabo até Sampaio ter provocado «um entorse» ao regime, blá, blá.

Se fossem a votos separados, o CDS atacaria o PSD para conquistar espaço, o PSD responderia à letra, e o eleitor concluiria que naquela área política, com Santana e Portas, não havia projecto político viável.

Haverá ainda que dizer o que é justo: o CDS e em particular Paulo Portas acrescentam valor ao PSD trapalhão de Santana Lopes.

Posso estar enganado, mas o Daniel Oliveira percebe tudo isto, só não quer é reconhecê-lo. Porque depois teria de admitir que, se a Direita fica mais forte com a aliança CDS+PSD, a pressão à Esquerda para a bipolarização também cresce. Ou seja o eleitor raciocinaria assim: «Se a Direita não está vencida vou votar no Sócrates para o Governo mudar».

Um raciocínio que fere os interesses do Bloco de Esquerda.

Afixado por: bloguito em dezembro 9, 2004 03:28 PM

Pois é, Luís Lavoura, e a médio prazo transforma-se tudo em liberais e republicanos, que é como quem diz: direita e extrema-direita.

Afixado por: Ngungunhane da Silva em dezembro 9, 2004 03:33 PM

Conhecemos Santana Lopes em campanha. Conhecemos Paulo Portas em campanha. No entanto, não os conhecemos juntos em campanha e apelarem ao voto numa coligação. É uma incógnita que só se desvendará no arranque da campanha.

Por outro lado, também não conhecemos Sócrates em campanha. Há uma ideia generalizada que foi talhado para as campanhas eleitorais, qual Santana ou Portas. Pessoalmente tenho dúvidas disso e Sócrates parece-me muito inseguro de si e da força que tem ou deveria ter a projectá-lo.

O reforço do voto útil (neste caso no PS) não me parece tão linear quanto isso. Das conversas diárias tidas ou escutadas, fico com a sensação do cada vez mais preocupante acréscimo no descrédito de instituições, partidos e políticos. No tocante a quem mantém a confiança no funcionamento do sistema, sinto uma rejeição do voto útil e uma vontade acentuda de mudança.

Se no meio de tudo isto, o PS vencer as eleições sem maioria absoluta, e apesar da solução governativa PSD/CDS, hesitará o PS em recorrer ao mesmo CDS de Portas tal como no passado?

Porque foi o CDS de Portas que sustentou o governo PS de Guterres, que tinha em Sócrates uma figura de relevo.

Afixado por: vasco em dezembro 9, 2004 03:49 PM

Eu estou como o outro : "Desde que vi um porco a andar de bicicleta ...nada me espanta !". Neste caso concreto :
- quem não acreditava que PSD e CDS fossem coligados...desenganem-se !
- quem pensa, à esquerda, que são favas contadas ...que se cuide !
- quem considera a coligação uma boa notícia ( penso que na perspectiva da esquerda ) ...que se cuide !
Já tenho cabelos brancos ! E lembro-me, antes da 2ª vitória da AD, que muitos na esquerda não acreditavam na vitória da dita !!!
Há muito trabalho para fazer para credibilizar uma alternativa à esquerda...que terá sempre que ser feita com o PS. Ora quando ouço os discursos de Jerónimo de Sousa e do Louçã, fico inquieto.
Cumpriemntos

Afixado por: António P. em dezembro 9, 2004 04:13 PM

"CDS e em particular Paulo Portas acrescentam valor ao PSD trapalhão de Santana Lopes."

Essa é que me mata. Vá perguntar aos reformados e aos ex-combatentes que votaram no CDS o que pensam hoje do CDS. É gente que nem obrigada votará em qualquer lista onde esteja Portas. E votariam no PSD, provavelmente.

Afixado por: Daniel Oliveira em dezembro 9, 2004 04:33 PM

Ontem, Paulo Portas anunciou o salvamento da Bombardier - que passará a fabricar carros de combate em vez de comboios. É só uma amostra do que ele será capaz em campanha eleitoral. Não será preciso esperar muito.

Há reformados descontentes com Portas? O PCP agradece. Há ex-combatentes que esperavam mais do que Portas deu? Também haverá os que reconhecerão quem lhes deu pela primeira vez alguma coisa.

As contas, seja como for, serão sempre de «sumir» no que toca ao Bloco de Esquerda. Ou o Daniel prepara-se para aconselhar o seu partido a incorporar no programa eleitoral a defesa dos ex-combatentes das guerras de África?

Afixado por: bloguito em dezembro 9, 2004 04:40 PM

Desde que o Daniel não aconselhe "o seu partido a incorporar no programa eleitoral" promessas que não pretende cumprir, já fico satisfeito, bloguito.

Afixado por: Jony Bambu em dezembro 9, 2004 05:34 PM

Daniel, como deves saber, há uma grande diferença entre as europeias e as legislativas: nas primeiras a conversão de votos em mandatos é feita num círculo nacional; nas legislativas é feita em círculos de base distrital, alguns deles de reduzida proporcionalidade.

Afixado por: Filipe Nunes em dezembro 9, 2004 06:41 PM

«Há muito trabalho para fazer para credibilizar uma alternativa à esquerda...que terá sempre que ser feita com o PS. Ora quando ouço os discursos de Jerónimo de Sousa e do Louçã, fico inquieto.»

Há de facto muito trabalho para fazer. E muito desse trabalho é da responsabilidade do PS, pela forma como se descaracterizou, como optou pela via da alternância com o PSD. Tanto o PCP como o BE têm afirmado de forma consistente e coerente que entendem ser necessário um entendimento "à esquerda". Mas para que tal aconteça, é necessário que o PS de Sócrates tenha um rumo, tenha propostas e se afirme como alternativa. Ao PS que se colou em imagem, discurso e prática política ao PSD cabe perceber que quem está "à esquerda" como o PCP e o BE tem pessoas e projectos que são alternativa. A convergência na acção não poderá nunca ser feita procurando alinhar ou arrumar qualquer uma das três forças no espaço de uma delas.

A inquietação não é algo de mau. Até porque fala em alternativa, prefiro pensar que a tal inquietação que o assalta quando ouve Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã resulta do que falei em cima. O PCP e o BE têm apontado a convergência sim, mas no sentido de criar uma alternativa, um novo rumo. Tem sido este o discurso expresso por ambos. E no caso de Jerónimo de Sousa, é esta a vontade expressa pelos militantes do PCP.

Afixado por: vasco em dezembro 9, 2004 06:44 PM

Caro Vasco,
Estou de acordo consigo : " A inquietação não é algo de mau ".
Também continuo de acordo consigo no que respeita à necessidade do PS ter um rumo e uma alternativa.
Quanto à minha inquietação ao ouvir Jerónimo de Sousa e Louçã, apenas duas precisões :
- Quando pede um rumo para o PS...será que o PCP tem um rumo ? Dir-me-á que sim e que foi votado pela maioria dos militantes.... e daí ? O que me inquieta é verificar que ainda há quem pense que o PCP é um partido de esquerda ! Está estagnado! Ao ouvir Jerónimo de Sousa, se chegasse de Marte, pensava que quem está no poder é o PS, tais os ataques ao mesmo.
- Quanto ao BE : já o disse e repito, ou é um partido de mero contra-poder e com bandeiras de lutas parcelares ( e está no seu direito e até aprecio ) ou pensa em termos de poder e de como ( inevitavelmente com o PS )pode influenciar o mesmo se um dia lá chegar ( o que duvido! ). E duvido porque o BE não tem um projecto global...ou antes o que tem ( em agenda escondida ) está morto.
Cumprimentos

Afixado por: António P. em dezembro 9, 2004 06:56 PM

Lembra bem o Filipe Nunes. Os 150 mil votos do Bloco de Esquerda nas europeias, em círculo eleitoral nacional, valem muito menos em círculos eleitorais distritais.

Ou o BE duplica a votação de Junho (alguém acredita nisso?), ou com uma abstenção baixa, como é de prever nestas legislativas, o Francisco Louçã ficará sem a companhia no Parlamento dos seus camaradas Luís Fazenda e Ana Drago.

Se isso acontecer, o BE que agora um «partido do riquexó» (repare-se na conotação maoista) passará a ser o «partido da bicicleta» (versão ecológica) ou do monociclo, tipo circo (o partido do Chapitô?).


Afixado por: José Manuel Esteves em dezembro 9, 2004 07:12 PM

José Manuel Esteves a direita vai sofrer uma derrota historica e o Bloco vai subir o numero de deputados porque tenho a certeza que é isso que os eleitores querem ,o resto são palavras que como diz o povo leva-as o vento...

Sobre o Paulinho e a Bombardier apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo afinal NÃO ESTÀ AINDA NADA DECIDIDO., POR ENQUANTO É SÓ PROMESSAS...

Afixado por: a.pacheco em dezembro 9, 2004 07:29 PM

Parece-me cedo para que se possa desde já utilizar o argumentativo da repetição de discurso por parte de Jerónimo de Sousa.

Afinal de contas, Jerónimo de Sousa leva apenas duas semanas como SG do PCP. E com base nas ainda escassas intervenções ou declarações de Jerónimo de Sousa desde a sua eleição como SG permita-me que aqui deixe dois excertos das mesmas.

Percebo a sua ideia quando fala em ataques ao PS. Parece-me que os referidos ataques serão mais uma forma de procurar perceber a real vontade e estratégia do PS, bem como que este assuma qual o caminho que pretende trilhar.

É clara a mensagem de entendimento e convergência que o PCP na voz de Jerónimo de Sousa dirige ao PS.

Deixo então um excerto da intervenção de Jerónimo de Sousa no encerrramento do 17º Congresso do PCP.

«É necessário e é urgente uma outra política e um outro Governo.

E este é o primeiro apelo deste Congresso dirigido a todos os trabalhadores, a todos os que se sentem atingidos e penalizados por esta política, a todas forças democráticas, a todos os cidadãos inquietos e insatisfeitos com o futuro do seu país e da democracia, para que convirjam no objectivo de pôr fim a esta política desastrosa e a este Governo.

Neste Congresso assumimos o compromisso de nos empenharmos, de não regatear nenhum esforço para o êxito desta convergência e desta luta.

E se este é o caminho mais sólido e seguro para alicerçar a construção duma verdadeira alternativa política, importa saber como é que ela se concretiza.

Discutimos e debatemos essa questão crucial, definimos e aprovámos orientações. Considerámos a sua necessidade e da sua possibilidade.

Tratando-se duma alternativa de esquerda a encontrar no plano institucional, há uma primeira questão incontornável.

Há forças democráticas, designadamente o PS, que afirmam que o PCP tem de mudar na sua postura e disponibilidade, nas questões estruturantes em relação à política económica, à definição que fazemos sobre a evolução da União Europeia, nas questões da segurança e de defesa. Ou seja, precisamente em questões onde o PS mais se confunde e acerta o passo com a direita.

O problema é que o PS põe as coisas ao contrário: Uma força política como o PCP, que assume de forma coerente e consequente valores, causas e um projecto de esquerda devia abdicar deles! um partido como o PS que se afirmando de esquerda praticou e pratica uma política de direita manter-se-ia tal como está.

Não dá resposta à contradição fundamental que é a de saber se é possível uma alternativa verdadeiramente de esquerda, mantendo, exercendo e executando uma política de direita.

Afirmámos aqui no Congresso que não renunciamos à convergência, ao diálogo com forças e sectores democráticos em tudo o que servir os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Mas não peçam ao PCP que deixe de ser o que é, que deixe de defender e de lutar por outra política, uma política de esquerda que rompa com o circulo cansativo e desgastado da alternância, uma política de verdade que nem sempre dá votos mas que vincula este partido ao compromisso que tem com os interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores e do povo como razão de ser da sua natureza, da sua vida, da sua existência e da sua luta.»

Afixado por: vasco em dezembro 9, 2004 08:16 PM

Um outro excerto, agora da declaração de Jerónimo de Sousa na sequência na reunião da Comissão Política do PCP em 7 de Dezembro.

«A dissolução da Assembleia da Republica e a convocação de eleições antecipadas abre uma nova oportunidade para que os seus resultados correspondam não apenas à mudança de governo mas à conquista de uma efectiva e verdadeira política alternativa, não apenas à derrota do governo da direita mas para derrotar a política de direita.»

«Perante as reiteradas declarações de ambição hegemónica manifestadas pela nova direcção do PS e os preocupantes sinais de vinculação às mesmas e agora derrotadas opções neoliberais, a Comissão Política do PCP apela aos trabalhadores e ao povo português para que com o seu apoio eleitoral ao PCP e à CDU contribuam para que ao resultado obtido pela sua luta se associe agora o abrir de um caminho de esperança na vida do país e dos portugueses.»

Afixado por: vasco em dezembro 9, 2004 08:18 PM

Já no que toca ao BE a questão que coloca, também eu tenho colocado.

Mas começando pelas ditas "bandeiras" do BE, estas são essencialmente as mesmas do PCP. Logo, aqui o sentido de covergência à esquerda parece facilitado. Terá naturalmente o PS que encarar as referidas "bandeiras", não apenas como tal, mas no fundo como linhas programáticas para uma acção governativa.

Se o BE pretende ser ou não mero contra-poder, essa é uma questão que tende a afastar-se do meu campo conjectural Embora tendo uma opinião sobre a questão, parece-me que a bem da referida e parece que até desejada convergência para uma alterniva a resposta fique para quem pensa e responde pelo BE.

Apesar de tudo, e sendo até num tom demasiado acusatório e pouco "convergente" (não encontro melhor), deixo um excerto da entrevista de Francisco Louçã ao Diário de Notícias em 28 de Novembro.

«Nas legislativas, se o PS precisar do BE para formar governo, estariam dispostos a passar a essa fase?

Esse tema vai ser discutido na próxima convenção do Bloco, em Março. Nas legislativas vão discutir-se projectos de governação do País e o BE deve apresentar o seu próprio projecto. Nas questões estratégicas centrais - serviços públicos (na educação e na saúde), política europeia, combate ao desemprego, compromisso de revogação das leis antipopulares, o BE deve apresentar as suas propostas, diferentes das do PS. Só deveremos assumir responsabilidades de Governo se as nossas propostas tiverem o apoio suficiente da população.

Não teme os efeitos da bipolarização?

Foi com fortíssima bipolarização que aumentámos o número de deputados, que tivemos 5 por cento nas europeias e elegemos Miguel Portas, Hoje, o BE é um partido que vence a bipolarização porque há um sector importantíssimo da população portuguesa que desconfia do PS e tem boas razões para isso. Podemos criar entendimentos parlamentares. Não participaremos naturalmente num Governo que corresponda a uma base estratégica contraditória com aquela com que nos comprometemos.»

Afixado por: vasco em dezembro 9, 2004 08:32 PM

Somam descontentamentos, concordo, e ao mesmo tempo abrem caminho à extrema-direita. Não me parece grande notícia, mas cada um pensa o que pensa.

Afixado por: FG em dezembro 9, 2004 10:50 PM

Se o BE duplcasse a votação de Junho (em votos, já nem digo em percentagem) ultrapassava a CDU e elegia 10 deputados. Estás a fazer mal as contas. O BE teve em Junho, em número de votos, o seu melhor resultado de sempre.

Afixado por: Daniel Oliveira em dezembro 10, 2004 01:07 PM
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