Aqui há uns anos eu tinha descoberto um programa de esquerda sobre a segurança bem fixe. Prometi explicar e nunca mais consegui. Não é agora. No entanto, digo qualquer coisinha: o que eu gostava era de ser hacker. Não um hacker daqueles que a gente ouve falar na televisão, e que são uns mauzões. Esses na realidade são os crackers, uns exibicionistas que só querem destruir. Os hackers verdadeiros são o lado bom da força do hacking — aqueles que querem converter os problemas de insegurança em segurança colectiva nas redes informáticas. São os hackers de chapéu branco. Têm um grande sentido ético, promovem a partilha de informação e software, a autogestão das redes. São anti-monopólios e a favor da transparência e do controlo das redes por consumidores-programadores conscientes.
É claro que eu disto de hacking não percebo nada nem nunca perceberei. Mas o The Hackademy Journal, jornal impresso feito por jedis do Hacking, deu-me a noção de que pode haver coisas interessantíssimas hoje de que um gajo não pesque nada: nem os títulos do jornal, nem as referências, nem as piadas, nada. Não percebe mas percebe que é muito interessante, e que é talvez um discurso novo, politicamente muito livre, que por aí anda, onde haveria propostas, textos programáticos (como se dizia) a ir buscar. Talvez noutra encarnação.
Publicado por andrebelo em | TrackBack