
Ao despedir-se do cargo de administrador do Iraque, Paul Bremer fez questão de listar as principais realizações do seu mandato, todas elas do foro económico:
1º Redução dos impostos
2º Redução das tarifas aduaneiras
3º Liberalização das leis relativas ao investimento estrangeiro
Pronto, Santana Lopes não precisa de procurar mais: está encontrado o sucessor de Manuela Ferreira Leite no Ministério das Finanças. Bremer está livre, tem apenas 62 anos, pode fazer maravilhas pelos nosos laços transatlânticos, e será certamente bem visto pelos mercados internacionais.
Guilherme Silva, líder para lamentar do PSD, deu uma entrevista à revista "Sábado", na semana passada. Azar dos azares, a entrevista saiu no dia em que foi conhecida a escolha de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia.
Revista "Sábado": Seria impensável a saída de Durão para presidir à Comissão Europeia?
Guilherme Silva: Obviamente que sim. Essa hipótese é extremamente gratificante, mas a verdade é que Durão Barroso tem um compromisso com os portugueses e está fora de questão não o cumprir até ao fim.
«Se eu tivesse que decidir não decidia, deixava o povo português decidir.»
João Salgueiro, à saída de uma audiência com o presidente.
«Não podemos estar contra um português». António Costa
Durão Barroso pede à oposição que se congratule pela sua nomeação para Presidente da Comissão Europeia.
São duas da tarde e tudo vai bem. E é difícil que esta não seja a melhor piada do dia: Ricardo Araújo Pereira no Gato Fedorento — Se Durão Barroso aproveitar o facto de ocupar a presidência da Comissão Europeia para fazer pela Europa o mesmo que fez pelo país, há uma forte hipótese de, dentro de pouco tempo, a Europa estar na cauda de Portugal.
Foto de Álvaro Isidoro
Sampaio quer uma garantia de Santana para não marcar eleições: que haverá uma continuidade em relação às políticas anteriores . Aí está uma coisa mesmo à Sampaio. Para não decidir nada, o Presidente da República acaba por ultrapassar as suas competências. Não lhe cabe a ele definir as políticas do governo, apenas decidir como sair desta crise.
E como é possível receber este tipo de garantias? Manuela Ferreira Leite tem de continuar no governo. Ou seja, para ficarmos com Santana, só se estiver Ferreira Leite. Sampaio só aceita a desgraça se com ela vier a tragédia. Não passa pela cabeça de ninguém fazer depender a existência de um governo da permanência de um ministro.
Outra possibilidade extraordinária está a ser equacionada em Belém: pode haver eleições antecipadas em 2005. Ou seja, prolonga-se a crise.
Sampaio, quando quer fingir que decide, tropeça nos seus próprios pés. Esperemos que pense bem e seja, talvez, menos imaginativo. Mesmo que Sampaio sofra muito com isso, há, hoje, apenas duas soluções politicamente viáveis: ou aceita Santana Lopes e dá-lhe autonomia para governar, como é normal; ou marca eleições antecipadas. Desta vez vai mesmo ter de decidir.
Entretanto, a sondagem do Público confirma: a maioria dos portugueses quer eleições antecipadas. Os portugueses parecem ter mais bom-senso que o seu Presidente. Ou melhor: parecem não viver em angústias existenciais permanentes.

A manifestação de hoje em Lisboa foi bem sucedida. Estiveram tantas pessoas como no Domingo, e a boa notícia é que as coisas começam a alargar nacionalmente: Porto, Coimbra e Braga deram os primeiros passos na exigência de que os portugueses tenham voto na matéria.
Espero que não nos tornemos preguiçosos por causa da institucionalização crescente desta crise, do envolvimento dos partidos de oposição e da sucessão de declarações de senadores a favor das eleições. Absolutamente nada está ganho ainda. Mesmo a revelação das sondagens que garantem que praticamente 60% dos portugueses é a favor de eleições antecipadas é coisa óptima mas não chega. Se não o dissermos em voz alta, as sondagens serão interpretadas como se preferíssemos eleições mas não nos chateássemos muito com o assunto. Conhecemos os precedentes: é difícil de afrontar quem está no poder e o mito de que as eleições prejudicam a "estabilidade" ainda faz o seu caminho. O papel de todos os que não engolem um governo sem legitimidade democrática é essencial.
Neste tempo de acções convocadas por SMS, é importante também que os blogues pró-eleições continuem a fazer passar informação. Nós aqui no Barnabé continuaremos a publicitar as acções que nos chegarem por e-mail ou outros meios. A manifestação de Braga, infelizmente, chegou-nos em cima da hora. Mas a próxima de Coimbra, que ouvi na rádio, ali está. Já sabem que as imagens são de uso livre e vão também prestando atenção ao blogue agregador da crise política.
Porque, como diz o excelente Conversas de Café, quem cala consente.
Dias Loureiro gosta de cultivar um ar cavalheiresco na TV, mas na verdade trata-se um boxeur retórico. Sabe que em debate há momentos em que não se consegue ganhar e que, nesses casos, o que há a fazer é baixar a cabeça e fuçar fuçar fuçar.
Hoje na RTP1 fez de conta que não percebia a diferença entre legalidade e legitimidade e fuçou fuçou fuçou para levar essa confusão até ao fim do programa.
O "argumento" anda por aí e é o seguinte: é legal aceitar a nomeação de Santana Lopes logo é legítimo que Santana Lopes seja PM. Qual eleições antecipadas, qual derrota eleitoral faz hoje quinze dias, qual congresso no PSD, qual quê: é legal, é legítimo. É legal, é legítimo. Ainda não perceberam?
Este "argumento" é reconvertível noutro: não é verdade que a constituição permite nomear Santana Lopes? Então, se a constituição permite, a constituição obriga. A Constituição Permite, logo É o Único Caminho.
Pouco interessa que a Constituição também permita convocar eleições antecipadas. Se ela permite nomear Santana Lopes, então é isso que certamente devemos fazer. Existem milhares de caracteres em blogues de direita que não querem dizer mais do que a frase atrás.
Para nos evitar a penosa exposição a este mantra, e para ajudar os neurónios de direita a conseguirem sair do loop jurídico em que encontram desde há dias, imaginemos um exemplo simples.
A constituição permite, entre outras coisas, nomear um governo de iniciativa presidencial. Sim. A constituição permite a Jorge Sampaio sair um dia de casa e nomear Primeiro-Ministro o barbeiro daqui da minha rua. O Sr. Rodrigues – é assim que se chama – tentará então formar Governo, apresentar o seu programa e procurar conseguir apoios no parlamento. E, sabem que mais? Tenho a certeza absoluta que o PPD-PSD e CDS-PP, Dias Loureiro e António Pires de Lima, O Acidental e o Contra-a-Corrente o apoiarão. Porque é legal, logo é legítimo. Porque a Constituição Permite, Logo É Certamente Isso Que Devemos Fazer.
Mas, ai horror! De repente descobrimos que temos de respeitar um resultado eleitoral – só um e um apenas, o das legislativas de 2002. Grande buraco; Governo do Barbeiro ao fundo? Não meus amigos, podeis dormir descansados: o Sr. Rodrigues calha a ser militante do PSD. As Duas Únicas Condições estão satisfeitas: é do PSD, e a constituição permite. O mundo entrou nos eixos.
Pois é. Há alturas lixadas da vida em que só temos um argumento, umzinho só. E ainda por cima nem é bem um argumento. É um argumento de plástico. Chama-se um silogismo.
Ouvir António Pires de Lima e Dias Loureiro hoje à noite na RTP1 foi um regalo. A posição de António Pires de Lima pode resumir-se assim: o que o PSD quiser está bem, desde que mantenha a coligação no governo. Desse ponto de vista, Pedro Santana Lopes é O Messias, mas se for outro qualquer também pode ser O Messias. Aliás, Durão Barroso também era O Messias, embora pela primeira vez Pires de Lima tenha dito que "tinha pena" de ele se ir embora.
"Pena"? Hmmm, interessante. Estamos a poucos dias do discurso oficioso da "honra nacional", mas Durão Barroso que se prepare: se o CDS-PP sair do governo por causa disto, se um só tacho se perder, se as expectativas criadas por tanto aspirante se gorarem um pouco que seja, o nosso futuro ex- será mais odiado pela direitona do que Trotsky por Stalin ou os arrependidos pela máfia. O rancor da orfandade não perdoará, e O Messias passará a ser O Anjo Negro. Mas enfim, os urros não se ouvirão em Bruxelas.
Dias Loureiro, mais capcioso, merece um post à parte.
Fui injusto: afinal eram seis. Foto da Cafeteira.
As primeiras reacções à escolha de Durão Barroso não foram, como vimos, de grande entusiasmo em toda a Europa. Do ponto de vista do futuro da construção europeia, as comparações com o inexistente Jacques Santer foram o que de mais elogioso se pode ler. A explicação é sempre a mesma: a escolha de Durão Barroso foi o mínimo denominador comum, por ser politicamente irrelevante.
Barroso ganhou porque não conta, é isso que se lê em toda a imprensa europeia. E eu, como europeu e europeísta, lamento que a força do próximo presidente seja a sua fraqueza. E pouco me interessa se é português. Nisso, cito o próprio Barroso: «os interesses de Portugal não são estranhos aos interesses da Europa». Ou seja, o que é mau para a Europa é mau para Portugal. Mesmo que “fraqueza” se escreva em português.
Imagino que as reacções na Alemanha não terão sido diferentes, mas, infelizmente, não pesco nada de alemão.
Para animar a malta do Santana, informa-se que havia 4-pessoas-4 na manifestação de apoio Santana a Primeiro-Ministro. A boa notícia não é esta. É que não eram as mesmas quatro que estiveram na manifestação em defesa do túnel do Marquês. Já são, portanto, oito. Melhor: nenhuma das santanetes foi. Por isso, já devem ser para cima de 10. Amanhã serão milhões.
Entretanto, para refrear os ânimos santanistas, uma sondagem da TVI diz-nos que quase 60% dos portugueses querem eleições antecipadas. É a esquerda festiva que só gosta de confusão.
Vamos dizer não e exigir eleições. Hoje, às 19 horas, em Belém (Lisboa), Avenida dos Aliados (Porto) e Governo Civil (Coimbra). Antecipadas já!
Parem as rotativas, Paulo Gorjão recebeu sinais de Belém. Não leiam os jornais, não ouçam os políticos. Paulo Gorjão tem amigos bem colocados. Paulo Gorjão exige a antecipação de congressos, apoia candidatos à liderança do PS, dá-nos umas dicas, pisca-nos o olho e sabe umas histórias. Paulo Gorjão tem pose de Estado, e por isso é raríssimo dizer realmente alguma coisa. Mas está bem colocado e recebe sinais de Belém que mais ninguém vê.
Quem é Paulo Gorjão? Não sabem? Cambada de ignorantes. É médium. E como se não bastasse, apoia José Lamego. Um homem assim, ouve-se sempre com muita atenção. Os sinais, os sinais, já os sinto.
Um governo de gestão só pode durar 15 dias. Ou seja, é nos próximos 15 dias que a solução tem de ser encontrada. Governo interino, só costuma haver em caso de marcação de eleições. Sampaio não vai poder demorar o tempo que eu previa. Ou se decide por Santana ou pelas eleições, nas próximas duas semanas. Quente, muito quente.
«Amanhã vistam vermelho ou verde e vamos fazer frente ao laranja». Luís Filipe Scolari
Numa atitude provocatória, apoiantes de Santana Lopes, depois de saberem da manifestação por eleições antecipadas agendada para hoje, às 19 horas, em Belém, marcaram uma manifestação para o mesmo lugar e hora. Duvido muito que apareçam. Quem não se lembra da outra manifestação de apoio ao túnel do Marquês. Mas é este o estilo que nos espera se Santana for primeiro-ministro.
Santana já desmentiu a manifestação dos seus apoiantes naquele lugar e hora. Fez bem. Tentou também desmarcar a manifestação pelas eleições antecipadas. Aí, é que já não manda.
...e sobre o estado em que deixa o país, disse nada. Apenas que não quer eleições antecipadas.
1ª - O Presidente da República aceita já a imposição de Santana Lopes. Trata-se de um governo de ruptura e que nem faz o pleno da maioria. Santana será quem mais instabilidade política causará, durante mais tempo. A oposição e parte do PSD nunca aceitarão a legitimidade de Santana como primeiro-ministro. Esta solução terá de ser sufragada por um congresso do PSD, com o risco evidente de ser chumbada, criando uma crise política sem solução.
2ª - O Presidente da República escolhe Manuela Ferreira Leite (a mais impopular ministra deste governo) ou outro primeiro-ministro de continuidade. Será um governo fraco a dirigir uma política impopular. Dificilmente durará até ao fim da legislatura, até porque são de prever relações difíceis com o CDS/PP. Sendo esta solução mais legitima do que a anterior, ela será difícil de levar até ao fim. Esta solução também terá de ser sufragada por um congresso do PSD, com o mesmo risco. Esta é a mais improvável das situações. Neste momento, na verdade, tudo se joga entre Santana e eleições antecipadas.
3ª - O Presidente da República espera por um novo Congresso do PSD, até que ele escolha um novo líder. Além da inaceitável situação de pôr o país inteiro a aguardar um congresso partidário, esta é a solução que deixa o poder entregue a lutas intestinas de um partido e que mais custos terá para a economia portuguesa. É a pior de todas as soluções.
4ª - O Presidente da República marca eleições antecipadas. Mantém um governo de gestão durante quatro meses. Daqui a quatro meses há eleições e temos um novo governo, com legitimidade democrática. É a solução mais rápida e politicamente mais clarificadora. É aquela que garante maior estabilidade política.
5ª - A mais provável: o Presidente da República ganha tempo. É a sua especialidade: chutar para canto. Põe Manuela Ferreira Leite à frente de um governo transitório, enquanto ouve toda a gente e sofre de angústias existenciais. Objectivo: não passar a ideia de que não tem autonomia face às exigências de Durão. Se optar por este solução, Sampaio paralisa o país. O governo pouco poderá fazer. As lutas internas no PSD tomarão conta da maioria. Neste caso, teremos razões para acreditar que está posta de lado a possibilidade de eleições antecipadas. Esta solução não põe de lado a escolha de Santana Lopes.
Escrevo este post antes de ouvir Durão Barroso.
"Durão quer garantir que não há eleições antecipadas antes de ir para Bruxelas"

Um dia depois da "transferência de poderes" em Bagdad, vale a pena ler esta excelente análise de Fred Halliday (professor na LSE) dos vencedores e vencidos da crise iraquiana. Têm aqui o linque para o site Open Democracy, financiado pela Fundação Ford, que disponibiliza óptimos ensaios sobre grandes questões internacionais.

O Supremo Tribunal dos EUA declarou ontem os tribunais americanos competentes para julgar os detidos em Guantánamo. “Um estado de guerra não pode ser um cheque em branco para a presidência”, considerou a juíza Sandra Day O’Connor. A decisão tardou (o centro de detenção funciona há mais de dois anos e meio e já em 2002 um relatório da CIA levantava sérias dúvidas quanto à relevância das informações aí obtidas), mas prova que os EUA ainda não se transformaram num “Estado-pária”.
Escreve Paulo Pinto Mascarenhas, d’O Acidental/CDS:
Tem alguma coisa a ver com isto:
Agradeço a todos os que me têm felicitado pela nomeação para a Missão permanente na UNESCO. É um lugar de responsabilidade que aceitei com muito gosto e que me vou esforçar por cumprir o melhor que sei e posso.
Pacheco Pereira, Abrupto, 15 de Junho»
É assim que se faz política por aqueles lados. Na hora de contar espingardas, cobram-se as dividas. Pacheco Pereira tinha obrigação de saber que com aquele parceiro de coligação nada é acidental.

Karin Viard e Agnès Jaoui em "Le rôle de sa vie", de François Favrat, 2003
Desde que a vi em "On connaît la chanson", de Alain Resnais, fazendo uma inesquecível "thésarde" que investigava os "chevaliers paysans du Lac Paladru en l'an mil" passei a gostar imenso de Agnès Jaoui. Depois, também gostei imenso do filme que realizou, "Le goût des autres", e agora está para sair o segundo dela, "Comme une image", escrito com o seu companheiro e também grande actor, Jean-Pierre Bacri. Resnais, Jaoui, Bacri (e Azema e Arditi): isto são mesmo pessoas que dão alegria a uma pessoa. Neste filme, Jaoui é uma actriz famosa e Karin Viard, em contraponto, uma discreta jornalista e escritora frustrada. O filme é sobre a amizade que se estabelece entre elas, os conflitos, as suas relações com os homens, a forma como cada um lida com as suas contradições, enfim, as coisas essenciais da vida. A exuberância, o egocentrismo e a impaciência da primeira vão deixando aparecer a timidez, a dificuldade de afirmação e finalmente o erotismo da segunda. As duas actrizes dão corpo ao filme e fazem-no funcionar desde o primeiro instante, compensando um argumento talvez um pouco previsível.
[Não são atribuídos ao Sr. Barroso qualquer talento ou visão especiais acerca de como liderar o desmoralizado executivo da União ou gerir as frequentemente perturbadas relações entre estados-membro.]
The Guardian, via Cartas de Londres.
"Eu gosto de um trabalho difícil. Eu não fujo a um trabalho difícil."
Durão Barroso, futuro ex-
O Contra-Corrente exige um congresso extraordinário do PSD para eleger o novo primeiro-ministro. Eu compro, com uma condição: nesse dia, todos os cidadãos portugueses com mais de 18 anos serão delegados ao Congresso. Não pode ser? Fica uma coisa demasiado popular para o gosto de MacGuffin? Compreendo... O poder não poder cair nas urnas... perdão... na rua.
A exemplo do Aqui Posto de Comando e do Ter Voz nas Europeias, o Paulo Querido criou um blogue agregador sobre a Crise Política em Curso. Ali se pode encontrar reunido o debate que na blogosfera se for fazendo sobre o presente momento político. As instruções para agregar os nossos posts ao meta-blog estão aqui.
Motivo: mudança de Administração. Brevemente, reabertura: festa só com convite. Bar aberto.
As viúvas do Barrosismo andam lavadas em lágrimas com a perspectiva da governação austera mas "patriótica" seguida nos últimos anos vir a ser interrompida pela actual crise política.
Antes que esta mitologia vá fazendo o seu caminho, convém que tenhamos bem presente algumas das consequências mais funestas dos cortes cegos que o Ministério das Finanças andou a fazer nos últimos anos. Por exemplo, a virtual extinção do Instituto da Conservação da Natureza, muito bem documentada neste artigo do Público.
"Não vou desistir no Governo, tal como não desisti na oposição, enquanto não fizer de Portugal um País mais avançado"
11 de Março de 2002 - Durão Barroso em Coimbra
"Aquilo que está em causa em 17 de Março é saber se o governo deve ser de quatro meses ou de quatro anos"
15 de Março de 2002 - Durão Barroso em Lisboa
"Mais importante do que qualquer partido é Portugal. (...) Portugal pode contar comigo"
15 de Março de 2002 - Durão Barroso em Lisboa
"Pelo meu lado, farei tudo o que estiver ao meu alcance para dar a Portugal uma situação de estabilidade e de segurança"
17 de Março de 2002 - Durão Barroso no discurso de vitória

Vale a pena dar uma olhada no CV completo do homem que nos próximos meses (ou anos) irá presidir à maior embaixada americana no estrangeiro e, na prática, governar o Iraque.

Sorrateiramente, pelas primeiras horas da manhã, o proconsul americano no Iraque abandonou Bagdad.
Já devem estar abertas as candidaturas a assessor de imprensa de Durão Barroso em Bruxelas, e tenho impressão de que Carlos Magno começa a destacar-se. No exacto momento em que Durão, em Istambul, responde em inglês aos jornalistas estrangeiros, Carlos Magno filosofa na RTP1 sobre como é importante que Durão esteja a "falar em português ao mundo" e o que isso significa "em termos de afirmação do espaço lusófono". Já antes baixara a voz para nos dizer conspirativamente que já há mais de três semanas que tem informações de que Durão era candidato: foi António Martins da Cruz que lho disse "na noite de São João", ou seja, há cinco dias. Uau! Magnífico, Carlos.
Mas as coisas não ficam por aqui. Afinal, já há mais de dez anos que Cavaco Silva e Jacques Delors tinham trocado confidências sobre um jovem brilhante que Cavaco lá tinha no governo. Agucei os ouvidos para ver se Carlos Magno ainda ia a tempo de interpretar uma trova do Bandarra em que ficava claro que Durão era o escolhido para liderar o Quinto Império, mas entretanto chegou a anedota do ano: o nosso futuro ex-PM foi muito corajoso em aceitar ir para presidente da Comissão Europeia, porque foi escolhido para se opôr ao perfil cinzento dos seus antecessores.
A manifestação de ontem foi um sucesso. Amanhã às 19h00 seremos mais ainda. Porque, parafraseando Jorge Sampaio, se não nos manifestarmos será caso para perguntar se alguém se lembrou que existem cidadãos neste país.
Obrigado pela foto ao Grão de Areia.
Manuela Ferreira Leite: É indispensável legitimar-se um novo PM através de um congresso do PSD.
Eduardo Prado Coelho, hoje no Público.
«Manuela Ferreira Leite alerta contra «Golpe de Estado» no PSD.», in Público
Garante o novo governo a estabilidade democrática e a representação do voto popular de 2002?
Existe um perigo real de ser visto, pela maioria dos portugueses, como um governo politicamente ilegítimo e não como um representante da vontade da maioria?
As respostas a estas perguntas não estão na Constituição. Mas se o Presidente da República não serve, no quadro constitucional, para fazer leituras políticas, porque raio o elegemos por voto directo? Seria mais fácil contratar um constitucionalista.
Chamaram-me a atenção para o facto de haver gente de direita que é a favor de eleições antecipadas. Assim é, e espero que sejam cada vez mais. Devo então admitir que fui injusto ao referir-me à direita como um todo no meu post "O Saber não ocupa lugar".
Ainda assim, continuamos sempre a aprender com os "governistas". Por exemplo, que se a esquerda pede eleições antecipadas é porque "o doce e inebriante cheiro do poder lhe chega aos bolbos e receptores olfactivos". Devemos então concluir certamente (como diz o Terras do Nunca) que aqueles que recusam eleições antecipadas o fazem porque não querem saber do poder para nada.

Está bem, Pedrito. Podes ir brincar aos governos mas só depois de fazeres o Parque Mayer do Gehry, o Casino, o Tunel do Marquês e as outras coisas que prometeste. Primeiro o dever, depois o lazer.
A mensagem que já corre nos telemóveis e que começou hoje em Belém:
“Terça-feira, dia 29, às 19 horas, em Belém: Seremos ainda mais contra o golpe de Santana Lopes, a exigir eleições antecipadas, já!”
Ajuda a espalhar a notícia. Porque o fim de tarde de ontem foi dos momentos de civismo colectivo mais extraordinários a que assistimos nos últimos anos. Sem que fosse precisa a tutela de ninguém. A democracia portuguesa está a ficar crescida.
«Mr Barroso is one of the least known of EU leaders, but his relative obscurity has allowed him to emerge as a compromise candidate». Financial Times
«Un líder frágil en su país, pero valorado en la UE». El Mundo
Hoje, estive na mesma manifestação que José Manuel Fernandes.
Entre os comentadores/políticos e os políticos/comentadores discute-se se a eleição de Santana deve ser feita em Congresso os no Conselho Nacional do PSD. Discute-se se o primeiro-ministro deveria ser Santana Lopes ou Manuela Ferreira Leite. Se for Santana, talvez seja melhor haver eleições. Se não, a opinião dos portugueses é dispensável.
Será a escolha do primeiro-ministro um problema interno do PSD?
No interior do Partido Socialista, alguns candidatos declarados e por declarar à sucessão de Ferro Rodrigues (que, neste comportamento, não me parecem representar o sentimento da esmagadora maioria dos eleitores socialistas) dão sinais de estar mais interessados na luta interna pela liderança do PS, fazendo contas e não hesitando em mandar recados de cumplicidade com o golpe santanista, só para ganhar tempo.
Serão as eleições um problema interno de qualquer partido?
Entretanto, Durão Barroso fez um ultimato a Jorge Sampaio: vai para Bruxelas se não houver eleições antecipadas. Se Sampaio decidir que há, ele ameaça ficar, culpando o Presidente da República por essa "perda" para Portugal. O Presidente da República prepara-se para aceitar esta chantagem, como se a democracia portuguesa fosse hoje uma claque e o seu futuro ex-primeiro ministro uma selecção de futebol.
Será o Presidente da República um promotor de candidaturas a cargos internacionais ou um garante do funcionamento da nossa democracia?

Pedro, o usurpador
Hoje todos podemos fazer uma demonstração serena de que estamos vivos civicamente. Alguém põe a hipótese de faltar?
Ao ler os bloggers e comentadores de direita estamos sempre a aprender.
– Aprendemos que as eleições são um acontecimento anómalo em democracia, altamente perturbador do normal funcionamento do estado. As eleições, afinal, e ao contrário do que aprendemos, não são a coluna vertebral do sistema.
– O português não foi educado senão para ter uma eleição de quatro em quatro anos. Mais do que isso, perde-se, coitado. Fica "instável".
– Aprendemos também que se é "instável" ter eleições depois de dois anos e meio de governo, já não é de todo "instável" mudar de repente de governo sem recurso a eleições.
– Aprendemos que se tivermos eleições depois de dois ano e meio de governo, regressamos aos tempos em que os governos caíam de três em três meses, ou seja, aos anos de 1974-1985. Curiosamente, justifica-se a desnecessidade de se ter eleições com uma série de precedentes de substituições de Primeiro-Ministro ocorridos nada mais nada menos do que nos anos de 1974-1985 em que os governos caíam de três em três meses.
É fantástico. Aprende-se tanta coisa que não há-de faltar muito para que alguém, recém convertido ao fetichismo constitucional, nos venha ensinar, do cimo do seu altíssimo sentido de responsabilidade, que é inconstitucional o Presidente da República convocar eleições antecipadas.
Quanto dura um congresso do PSD? Quanto custam umas eleições legislativas? Vamos para o bueiro e, por uma vez, não é uma questão de dinheiro.
O nosso. Que acreditou num homem que lhe exigiu os maiores sacrifícios sem o avisar com antecedência e se foi embora para defender os interesses nacionais onde devia defender os interesses europeus. Pobre país.
O nosso. Que se vai entregar a um político que foi chumbado pelo seu próprio partido de cada vez que concorreu em eleições internas e que nos surge agora em depressiva associação com o líder de uma direita residual mas musculada que não vale eleitoralmente mais do que a soma dos seus familiares (Miguel não leves a mal). Pobre país.
O nosso. Que tem um presidente de esquerda que tem complexos em fazer o que um presidente de direita com bom senso faria. Pobre país, este, que se não lhe valer um súbito estremecimento nas ruas, se vai deixar ficar muito vaidoso de ter um presidente da Comissão Europeia cuja única qualidade é não ter qualidades que dividam e, com isso, aceitar que um penetra mande no país durante dois anos. Pobre país.

Todo o trabalho artístico de Gil Heitor Cortesão é sobre a ilusão. Podem imaginar a imensa geografia que essa palavra propicía. Vão vê-lo ao CAM. E levem as crianças. Elas sabem tudo.
P.S. - Esta pintura não está na exposição, é só para perceberem do que se trata.
Vários posts muito bem argumentados na Praia em favor de eleições antecipadas. Destaco esta frase: "nem tudo o que é constitucionalmente admissível é em todas as circunstâncias politicamente admissível. A Constituição fornece o enquadramento, não fornece a decisão".
Não sei se Sampaio vai aceitar as pretensões de Durão Barroso e do PSD, espero sinceramente que não. Mantendo-se o cenário do sim, do ponto de vista dos efeitos, se houver um novo primeiro-ministro, com um novo governo, sem eleições, a situação torna-se parecida com o presidencialismo francês. Neste regime é que o Presidente da República tem legitimidade política para criar um novo governo (mudando de primeiro-ministro) sem convocar eleições. Mas isso acontece num equilíbrio de poderes diferente, em que o presidente preside ao Conselho de Ministros. Ao querer contribuir a todo o custo para o cumprimento da legislatura iniciada em 2002, Sampaio estará paradoxalmente a contribuir para um presidencialismo às avessas, em que o presidente se torna cúmplice das estratégias do executivo. Ao querer não intervir, estará a intervir imenso.

Here's a handy way to gauge the esteem in which the European Commission presidency is held: The man who is almost universally wanted for the job - and not without good reason - cannot be tempted to leave his current post as prime minister of…Luxembourg.»
Claro que Jean-Claude Juncker prometeu não abandonar o seu cargo, mas isso não deve ter importância nenhuma.
As coisas começam a andar. A Praia divulga a convocatória para uma manifestação em frente ao Palácio de Belém, este domingo, às 19h00. Muitos ou muito poucos, lá estaremos para dizer que há coisas que não se decidem sem ouvir o que os cidadãos têm para dizer.

Entretanto, tomem lá mais uma imagem para lembrar aos governantes que o "patriotismo" tem que ir bem para além de torcer nos jogos da selecção. Existe também em grande; usem se quiserem. O formato é bom para pôr no início das colunas de links.
Mais: um comentador divulga um SMS que ainda para aí a correr: Todos a Belém no domingo às 19 horas contra santana lopes primeiro-ministro! Abaixo um governo da treta! Envia este sms a toda a gente já!.
Pessoalmente, sugiro o lema: 
VADE RETRO, Santanás!

podem usar a imagem, façam circular a mensagem.
Todos julgavam que, no PSD, nunca seria outro para além de Durão Barroso.
Alberto João Jardim diz que a substituição do primeiro-ministro pode dar ao governo a mudança de que este necessita.
O PSD prepara-se para escolher um primeiro-ministro sem ir a eleições, como se o governo fosse uma questão interna do seu partido. Santana chega-se à frente. Alguns tentam Manuela Ferreira Leite. Santana está a ganhar. Nos bastidores e não nas urnas vai-se decidir quem é o primeiro-ministro de Portugal. Se isto não é um golpe palaciano, o que é então um golpe palaciano?
O Barnabé terá atingido durante o dia de hoje o meio milhão de visitas (visitas, não hits nem pageviews) nos nove meses da sua existência. Tanto quanto sei, é uma marca inédita para a blogosfera portuguesa. Quando em Setembro nos decidimos finalmente a arrancar com o Barnabé nunca nos passou sequer pela cabeça que se pudesse chegar a tal número. Hoje, ele deixa-nos vaidosos. Decidi alterar o cabeçalho do Barnabé para comemorar o facto, explicar que o entendemos como uma recompensa por aquilo que aqui fazemos e, já agora, irritar àquelas pessoas que se irritam sempre com estas coisas. Resta-nos agradecer a todos os leitores, a todos os comentadores, à restante blogosfera porque conversamos todos juntos, e muito especialmente ao Paulo Querido, o nosso senhorio aqui na weblog.com.pt. Muito obrigado a todos.
Tirando alguns minutos na SIC e os comentários de Ricardo Costa, o país televisivo ignora olimpicamente o vendaval político que se anuncia. Isto está bonito.
Se se confirmar o que a SIC assegura neste preciso momento, hoje foi um mau dia para a democracia na Europa e em Portugal.
Se os europeus votassem para o Presidente da Comissão Europeia, nunca um homem que apoiou a Guerra do Iraque da forma servil como Durão o fez seria eleito.
Quando os portugueses votaram nas legislativas de 2002 a eleição foi personalizada. Os candidatos eram Durão e Ferro. Nunca os portugueses admitiram que Santana Lopes tivesse perfil para Primeiro-ministro (ainda mais num governo de "contenção orçamental" com Ferreira Leite como ministra das Finanças!). O trabalho do governo PP-PSD acabou de ser destroçado de forma humilhante pelos eleitores.
Dois líderes escolhidos nas costas do povo. É disso que se trata.
Salva-se Lisboa, que se despacha de um péssimo Presidente da Câmara. Não se pode ser só lisboeta?
O Barnabé já havia avançado a meio da tarde a saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia, agora a Sic Notícias noticiou a escolha de Pedro Santana Lopes para novo primeiro-ministro. Não está em causa a legitimidade legal da opção, mas é evidente que um governo chefiado por Santana Lopes depois dos resultados eleitorais das europeias não possui qualquer legitimidade política. Que Sampaio não tenha percebido isto e tenha aceite fazer o papel de burocrata de serviço é um mistério que carece de explicações urgentes.
Durão Barroso está agora a reunir com Jorge Sampaio, garantem vários órgãos de comunicação social. Objectivo: como fugir sem ter eleições antecipadas, que sabe que o seu partido iria perder. Como garantir os dois pássaros na mão. Ou muito me engano, ou Sampaio vai lhe dar mais esta prenda, sendo cúmplice de um golpe político.
Resta esperar se também o PS alinha. Talvez se lembrem que Guterres, perante a mesma situação, não aceitou e ficou em Portugal. Mas não digo nada. Seria extraordinário que Portugal viesse a ter um primeiro-ministro que entra pela porta do cavalo, depois de uma derrota eleitoral estrondosa da maioria que o irá apoiar. Mas já nada me espanta.
Se Durão Barroso deixar de ser primeiro-ministro, numa demonstração de cobardia inacreditável, só lhe podemos dizer uma coisa: pediu sacrifícios a todos e, ao mínimo sinal de subida política, fugiu. É o seu retrato. Se o PS alinhar com isto, há duas leituras: que ou Ferro endoidou ou que já não é ele que manda no PS, mas sim aqueles que, precisando de tempo para o fazer cair, a última coisa que querem é eleições antecipadas.
Para os que acreditam que é bom para Portugal ter Durão na Europa, três perguntas: o que é mau em Portugal pode ser bom na Europa? Para um europeísta, as posições políticas de uma pessoa em relação à Europa e ao Mundo são menos importantes que a sua nacionalidade? O que ganhou a Itália com Prodi?
Nem imagino que, caso Durão Barroso fosse para Presidente da Comissão Europeia (espero, a bem da Europa, que tal não aconteça), alguém lhe passasse pela cabeça escolher outro primeiro-ministro, logo depois de uma derrota eleitoral da maioria, sem eleições antecipadas. Mas suponho que alguém há de dizer isso a Durão antes das decisões dele e da Europa estarem tomadas.
Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia: Portugal perdia um péssimo primeiro-ministro, a Europa ganhava um homem sem peso político e ao sabor de todas as pressões. Estou dilacerado pela dúvida: serei suficientemente europeísta para querer que ele fique?
A dúvida da direita perante a possibilidade de Durão Barroso ir para Bruxelas e abandonar o governo: é melhor perder por incompetência ou por falta de comparência?
Também os Champs Élysées se encheram de portugueses a buzinar (klaxonner, em francês) e a agitar bandeiras. O Barnabé esteve lá eufórico, gritou até ficar rouco e acabou por trazer uma bandeira verde-rubra para casa, num acto tão falhado como o penalti do Beckham (Catarina, não te preocupes, prás meias-finais eu não me esqueço). Nunca tinha visto juntas tantas carrinhas de empresas de construção civil, aplicação de soalhos e madeiras, mecânicos de automóveis. Lá diz a canção: à minuit/ il y a tout ce que vous voulez/ aux Champs Élysées.

O populismo fácil, para vender jornais, até se esquece das regras do futebol.
Com a ajuda de um comentador.
Paulo Portas quer contrariar a "diabolização" do CDS
Parabéns ao Terras do Nunca, um dos melhores blogues individuais - os mais dificeis de fazer - da blogosfera portuguesa. Um ano a postar.
O tubarão branco é muito individualista e instável, mudando de comportamento permanentemente. Pelo ritmo das pulsações, ele avalia se a vítima potencial está assustada ou tensa, situação em que pode ser dominada mais facilmente. As várias espécies de tubarões possuem um olfacto muito apurado, conseguindo cheirar o sangue a uma grande distância. Cerca de 2/3 do seu cérebro está em conexão com este sentido. Não conseguindo ver pequenos detalhes, vêem o suficiente para atacar as suas presas. O seu esqueleto é formado por uma substância elástica resistente, chamada cartilagem. Possuem um fígado volumoso. Os tubarões podem nadar a grandes velocidades quando excitados e a maioria das espécies precisa nadar constantemente desde o nascimento, caso contrário, afundam. A reprodução dos tubarões é realizada por fecundação interna.
Informações retiradas de vários sites especializados
Por tudo o que ouviu e calou, merece ser o homem da noite. E todos jogaram, até ao último minuto. Foi lindo de ver. Mas dispensava sofrer tanto. Ainda estou de rastos.
«Esses crimes possam ser escondidos, ou não serem punidos, isso sim é que degenera as democracias. Mas, de igual modo, as degenera quem contribui para a perda de qualquer "ethos" colectivo face à guerra, quem as desarma face a inimigos sem piedade que não têm a mais pequena hesitação em matar milhares de civis ou executar cruelmente reféns.»
«Os profissionais da má-fé que lêem este artigo já estão a aguçar a pena, preparando-se para dizer que aquilo que mais me preocupa não são as torturas mas a sua divulgação, logo perdendo toda a "autoridade" para jamais vir a falar de direitos humanos, decretarão.».
O que escreve Pacheco Pereira é destituído de qualquer moralidade. Diz-nos que há traição na denúncia de um crime e que ela, tanto como o crime, fragiliza a democracia.
Mas, sabendo como é moralmente indefensável o que escreve, tenta desarmar quem o critique, prevendo já a acusação óbvia: que perdeu «toda a "autoridade" para jamais vir a falar de direitos humanos». E perdeu! É que mesmo quando a evidência é previsível não deixa por isso de ser evidente.

MAS VALE A PENA, PORRA!!!!!!

No Portugal-Inglaterra, os bilhetes foram vendidos a 50% para ambas as nacionalidades. Parece que os ingleses já nos compraram a casa, oxalá não nos levem a taça. Nisto, como no resto, quem o tem é que o destroca.
Conheço três pessoas que vão ao cinema à hora do jogo. Já tratei de os vender a um coleccionador. Estas raridades valem uma fortuna.
O Observatório do Endividamento das Famílias vai fechar as portas. Por falta de verbas acumulava dividas.
A equipa do Ministério da Educação não pára de nos surpreender. Agora, no exame nacional de História, estenderam o PREC até 1977, obrigando Costa Gomes a fazer horas extraordinárias. Incompetência? deixem lá, as bandeiras de Portugal Made in China trazem pagodes em vez de castelos no escudo. Porque havemos sempre de ser tão exigentes com os nossos?
«O secretário de Estado da Presidência anunciou hoje que o Governo vai decretar a requisição civil dos trabalhadores do metropolitano de Lisboa para os dias 25 e 30 deste mês e para 4 de Julho.
O presidente do Metropolitano de Lisboa afirmou hoje que a única alternativa para uma greve "sem razão de ser" era avançar para uma requisição civil e lamentou que o protesto dos sindicatos possa afectar a imagem da empresa.
"Reunimo-nos com os sindicatos para sensibilizá-los para o facto destas acções não poderem ser coincidentes com os jogos do Euro", explicou Domingos Jerónimo (secretário de Estado da Presidência), frisando que as greves marcadas são "susceptíveis de causar gravíssimas perturbações", não apenas na circulação de pessoas, mas também no que respeita à circulação de bens.» LUSA
É este o novo conceito de direito à greve: o empregador decide se é justa e o governo decide se é oportuna.
—Como é que é mais logo? Compramos umas pizzas?
—pá, estamos a dizer ao pessoal para vir jantado, mas se vieres para estes lados alinhamos nas pizzas na boa. Prevejo uma claque forte!
—Ok, vamos jantados. Há ingleses?
—Não, montes de tugas e dois italianos (por enquanto).
Ok, ok, prometo meter uma bandeira portuguesa na próxima. Mas aquela que tem os pagodes chineses. Pode ser?
José Carlos terá sido sequestrado por agentes policiais que o algemaram e o levaram para lugar incerto, onde terá sido brutalmente espancado para confessar quem teria roubado uma carteira.
Depois de ter sido entregue à família em muito mau estado, José Carlos esperou muitas horas no hospital para ser atendido.
José Carlos, 16 anos, acabou por morrer.
Relatório da autópsia: não se estabelece ligação entre o espancamento e a morte do rapaz.
Isto é tudo o que sei. Mas acho estranha a coincidência de um rapaz de 16 anos morrer depois de um espancamento e de nenhuma relação haver entre os dois factos. Mas devo ser eu, que sou desconfiado.
O Governo decidiu que os passes sociais seriam mais caros para os mais ricos. Por isso, senhor Mello, senhor Roquette, senhor Espírito Santo, senhor Belmiro, acabou-se a mama de andar por aí de autocarro de passe social no bolso, a viver à conta do Orçamento de Estado. A partir de agora, as empresas de transportes vão passar a ter, só para vocês, um passe Gold. Comprem.





E agora a sério: o passe social é mais um incentivo à utilização do transporte público. O Estado não apoia o uso de transportes públicos apenas porque há gente que não tem carro. Essa é uma boa razão. Mas há outra igualmente justa: quem usa o transporte público está a beneficiar todos, ao não trazer o seu carro para a cidade. O que falta, hoje, é taxar mais o uso do transporte privado e usar essas receitas para o financiamento do transporte público. O resto da discriminação positiva deve fazer-se na tributação fiscal. Isto sim, é defender o papel regulador e não caritativo do Estado.
Vasco Rato, um dos animadores do blogue Acidental/PP, tem vindo a fazer o elogio de José Lamego, auto-proclamado candidato à liderança do PS.
Eu acho muito positivo (e corajoso) este gesto de José Lamego, assumido no rescaldo da estrondosa vitória do PS nas europeias. Julgo tratar-se de uma candidatura animada pelo propósito de fomentar o debate de ideias no seio do PS, reduzindo com isso o espaço daqueles que apostam na intriga de bastidores para minar a actual liderança.
Todavia, se Lamego já anunciou o seu propósito, o conteúdo das suas propostas permanece ainda por esclarecer. Sabemos das suas divergências em relação às posições assumidas por Ferro em matéria de política externa, por exemplo, mas pouco mais. Daí eu estranhar esta “evidência” enunciada por VR: “as políticas económicas de Lamego rejeitam o estatismo e o despesismo crónico que reinaram durante o guterrismo, e que Ferro continua a advogar”.
Lamego e Ferro integraram ambos os governos de António Guterres. Lamego abandonou a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação em 1997, alegadamente devido a um conflito com o ministro Jaime Gama. Mas, que eu saiba, Lamego foi sempre solidário com o “estatismo” e o “despesismo crónico” que marcaram o consulado guterrista. Quer pois o Vasco Rato explicar-nos onde reside a clivagem fundamental entre as ideias económicas de Ferro Rodrigues e José Lamego?
Obrigado ao The Tao of Mac pela ajuda a chegar a esta história.
Os juízes que foram ofendidos por Avelino Ferreira Torres puseram-lhe um processo por difamação. Fizeram bem. Mas em declarações ao “Público”, o desembargador Baptista Coelho, afirmou que “apesar de atentatórias do prestígio do Estado de direito democrático, lamentamos que estas declarações não tenham merecido qualquer tomada de posição pública por parte de outros responsáveis políticos". Decidam-se: os políticos devem ou não devem comentar os processos em julgamento? Ou só devem comentar se for para apoiar os juízes?
Vai haver um referendo à Constituição Europeia. Ele só pode ser sobre o seu conteúdo, já que na última revisão constitucional não se alterou a regra que impede o referendo a tratados internacionais. No entanto, o governo, que finalmente e felizmente se converteu ao referendo, não revela nada em relação ao sentido das perguntas que serão feitas. Mas já diz que é pelo "sim". Saber a resposta antes da pergunta, o sinal máximo da convicção.
A Grande Loja Nacional Portuguesa, da maçonaria, abriu um templo em Milagres.
Hoje vi os três barquinhos de Abramovich. No tempo da URSS era diferente. Só depois de passar pelo Konsomol, de 20 anos de partido e de um desejado lugar no Comité Central, conquistado a pulso, é que um gajo tinha direito a estes luxos. Hoje, qualquer puto de 37 anos tem direito a mordomias.
Prémios da Causa Nossa
Melhor blogue de esquerda: Barnabé
Melhor blogue de direita: Mar Salgado
Melhor Blogger: Pedro Mexia
Prémio Carreira: empate entre Paulo Querido, António Granado e Pacheco Pereira.
Primeiro foi António Guterres. Depois, António Vitorino. Agora é Durão Barroso. Não se acanhe, caro leitor: solte o candidato a Presidente da Comissão Europeia que há dentro de si.
Ontem vi o último filme de Almodóvar, "La Mala Educación". Como sempre, bons diálogos, bons actores, excelente fotografia... Mas fiquei com a sensação de já ter visto este filme. Os mesmos ambientes, as mesmas personagens, as mesmas obsessões. Não faz mal. A história não era exactamente a mesma.
Graças ao País Relativo encontrei esta pérola no site da RTP: «Portugal sonhou... Portugal venceu... O país unido dá os parabéns à nossa selecção! Nos quartos de final... Portugal vai voltar a encher de orgulho todos os portugueses.»


A festa do Causa Nossa é hoje, no Lux, em Lisboa, às 22 horas. Vamos lá estar, até porque estamos nomeados para duas categorias, nos prémios que vão ser entregues. E porque gostamos de conviver. E porque gostamos do Causa Nossa. E, no meu caso, não podia faltar a uma festa no Lux. Se tenho a fama, venha o proveito.

Admiro bastante as qualidades políticas de António Vitorino, mas nunca acreditei nas suas chances de chegar à presidência da Comissão Europeia. A candidatura de Durão Barroso, de que muito se tem falado nestes últimos dias, também não parece fadada para o êxito.
Agora, dos nomes realmente fortes o que mais me agradava era este: Chris Patten, actual comissário para as relações externas da UE, e reitor eleito da Universidade de Oxford.
Patten é, possivelmente, o melhor líder que o Partido Conservador inglês nunca teve. É um conservador moderado, um europeísta convicto, um liberal que quando desempenhou o cargo de governador de Hong-Kong (1993-97) não teve receio de enfrentar Pequim nas negociações sobre o estatuto da antiga colónia britânica (“uma prostituta em fim de carreira que se põe a pregar a virtude”, “fala como um Buda, mas pensa como uma serpente”, foram alguns dos mimos que os comunistas chineses lhe dirigiram – ver aqui).
O veto franco-germânico à sua candidatura foi um tremendo disparate, um reflexo dos instintos gaullistas mais primários de Chirac. Aparentemente, Patten foi vetado porque é inglês e na mente tacanha de Chirac a Grã-Bretanha continua a ser o “cavalo de Tróia” dos americanos na UE. É triste que estes jogos de poder (na sua acepção mais mesquinha) possam impedir a escolha de um comissário europeu de primeira linha. Tanto assim é que uma análise superficial do perfil de Patten nos revela um político que está longe de corresponder ao estereótipo do inglês eurocéptico e pró-americano. Durante os últimos dois anos, por exemplo, Patten publicou vários artigos na imprensa internacional (FT, IHT) em que criticava sem rodeios o rumo imprimido por Bush à política externa americana (“absurdo e simplista”, foram os termos que usou para se referir ao discurso do “Eixo do Mal” em 2002). Não me lembro de ter lido artigos tão acutilantes assinados pelos socialistas António Vitorino e Javier Solana, por exemplo.
Outros traços atípicos de Patten: é católico, um francófilo fervoroso e um adepto da abertura da Europa às correntes migratórias. Tudo isto o coloca a milhas do espírito chauvinista, “pequeno-inglês”, que a Sra. Thatcher de alguma forma encarnava.
Eu não conheço as ideias de Patten em relação ao futuro tratado constitucional europeu, mas suspeito que será um adepto crítico do compromisso alcançado no último fim-de-semana, e alguém que poderia trabalhar honestamente para reconciliar federalistas e “soberanistas”.
Shame on you, Monsieur Chirac!
O IKEA ofereceu um vale de compras de 100 euros para quem estivesse disposto a deitar-se numa cama e passar lá a noite. É a primeira vez que vejo alguém receber 100 euros para se deitar numa cama, sem ter de fazer mais nada.
Depois de perder as eleições, Berlusconi acusa oposição de fraude eleitoral
O ministro Morais Sarmento apelou antes do jogo com a Espanha a uma demonstração da «Raça Lusitana». Por mim dispenso esta metáfora equestre e, ao contrário de Estrabão que falava dos lusitanos como um povo bárbaro que punha banha no cabelo, eu acho que a vitória de Portugal contra a Espanha não foi uma questão de unto.
Uma dúvida tem-me dilacerado nas últimas horas:
1) Já eliminámos a Espanha,
2) Se ganharmos o próximo jogo, eliminamos a Inglaterra e continuamos nós na competição;
3) Não vi estatísticas, mas parece-me que a Espanha e a Inglaterra, talvez com a França, serão os países que mais adeptos trouxeram a Portugal e que, com eles, mais dinheiro fizeram entrar na nossa economia;
4) Os portugueses estão fadados a viver aqui e aqui gastarem o seu pouco dinheiro. Por isso, tirando o aumento exponencial do consumo tremoços, não só não têm qualquer influência no crescimento económico, como, enquanto Portugal estiver a jogar, estará mais do que garantida a redução dos índices de produtividade para níveis alarmantes.
Deverei continuar a torcer por Portugal, sabendo que este meu comportamento é, do ponto de vista económico, completamente irracional?
Espero ajuda urgente de João Miranda, do Blasfémia, que tem uma resposta impecavelmente liberal para quase tudo.
Até que enfim que galgamos uns lugares numa qualquer estatística internacional. Segundo estudos da Mercer HR Consulting [ver Público/Economia de hoje] Lisboa passou do 94º para o 71º lugar das cidades mais caras do mundo.
Estou com tanta auto-estima que não sei se aguento.
Proponho que, caso Portugal ganhe o Euro, se convide Christo Javacheff para embrulhar o país inteiro numa enorme bandeira nacional. Isso sim, é que era patriotismo.
Querem saber porque é que o resultado das europeias foi excelente para a coligação PSD/CDS? Leiam o "Expresso" deste fim-de-semana. Um texto de João Pereira Coutinho.


A coligação que todos esperavam foi vetada pelos sectários do PSD.
PS: Chamaram-me à atenção e eu devo aqui umas desculpas ao PCP do Porto, que quebrou o muro do sectarismo e numa demonstração de entrega à cidade e ao povo, tem sido um aliado do PSD e de Rui Rio. Desculpem-me os comunistas do Porto. Vocês são a vanguarda.

Mister: cinco estrelas a substituição ao intervalo. Portugal fez um jogo muito bom, bateu-se sempre e teve a sorte que merecia. Os jogadores foram inexcedíveis (Figo, desculpa, desculpa, desculpa). A Espanha merecia ter passado também.
E biba o Nuno Goâmes, carago! Adoro este jogador. Além de tudo o de bom que se pode dizer dele enquanto atacante (posicionamento, capacidade de remate, jogo de cabeça, último passe), ele transcende-se nos momentos decisivos. Capitalizemos politicamente esta vitória: Nuno Gomes é de esquerda porque transforma a realidade.Nem as comparações patrioteiras com Aljubarrota, de que Marcelo Rebelo de Sousa é timoneiro, estragam a festa. Foi um bom jogo. De Espanha, também. Não o estraguem, porque um jogo é, felizmente, muito diferente de uma guerra. Dá-se o desconto do entusiasmo.
Portugal em festa
1. Prognóstico trágico - Portugal marca na primeira parte (Maniche ou Pauleta) e aguenta estoicamente até quase ao fim do jogo, deixando-se empatar (golo de Raúl) quando já não há qualquer hipótese de recuperação.
2. prognóstico redentor - Portugal e Espanha permanecem empatados até quase ao fim do jogo e Maniche marca o golo da salvação quase no fim.
P.S. de acordo com o prognóstico redentor, Portugal joga à Porto (defesa sólida, meio campo compacto e contra-ataque perigoso).
Ando há dois dias a ouvir Chico Buarque, movido pela blogosfera. É a coisa melhor desta rede: amigos, conhecidos, desconhecidos, põem-se a trocar impressões, ideias, emoções, as letras e as músicas de alguém que amam em comum, e daí resulta uma partilha intensa, qualquer coisa de absoluto. O relativo desconhecimento, a relativa distância, a relativa ausência de contexto, a associação livre, potenciam a memória emocionante que cada um tem, sem a impôr aos outros. Para mim, Chico Buarque evoca xaroposas recordações da adolescência no Liceu Pedro Nunes. Ficará para sempre ligado à descoberta, à volta da guitarra do João Madureira, do continente da música popular brasileira que ele conhecia tão bem desde criança, assim como a emotivas interpretações do Daniel, a solo, de "Geni e o Zepelim". Desde esses anos, a música brasileira basta-me, é um universo inteiro do qual posso sustentar-me, sem me poder considerar sequer um conhecedor. Considero Caetano o maior. Mas opô-lo a Chico Buarque é impôr-se uma dor desnecessária. Há uns anos vi uma exposição em que artistas plásticos brasileiros eram convidados a criar uma "imagem do som" de Chico Buarque: uma foto, um quadro, uma escultura, a partir das suas canções. A ideia era excelente, algumas das obras eram óptimas: mas as canções de Chico eram inacreditáveis. Eram várias dezenas de canções perfeitas, podíamos ouvi-las em headphones junto às obras expostas, e saíamos para a rua em êxtase. O Chico é um poeta maravilhoso, tem uma voz que chora e dá-nos uma felicidade que vai durar a vida inteira.
Nos 60 anos do Chico (assinalados aqui, aqui ou aqui), o melhor samba para dançar de todos os tempos:
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram
sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar
(Francis Hime/Chico Buarque, 1984)
Este fim-de-semana, meninos nazis e carecas de toda a Europa encontram-se nos arredores de Lisboa.
Qualquer professor que tenha a password do Ministério da Educação pode abrir o “Verbete do Formulário de Candidatura” de um colega seu, acedendo aos seus dados pessoais e podendo, no limite, alterar mesmo o processo de candidatura através da internet. Uma falha grave do sistema informático e que deixa sem protecção todos os dados de milhares de docentes.

O nosso grande líder Durão Barroso, em conjunto com outros grandes líderes europeus europeístas eurocépticos, está hoje a tratar da nossa vidinha, escolhendo um grande líder para a Comissão e tentando chegar a acordo sobre a constituição europeia. Uma das decisões já tomadas é vetar a epígrafe que Giscard D'Estaing tinha escolhido para encimar esta última. O resto do projecto constitucional lá teria os seus defeitos, mas na minha opinião a frase de Tucídides, que é uma citação de Péricles, até estava muito bem. Se não, vejam: "A nossa Constituição chama-se democracia porque o poder está nas mãos, não de uma minoria, mas do maior número de cidadãos". Mas, por alguma razão que desconheço, os nossos grandes líderes desconfiam de pôr esta ideia à cabeça duma constituição europeia. Por isso, andam neste momento atarefados à procura de outra citação de Tucídides para o tio Giscard não ficar chateado. Numa demonstração de sentido de estado de que sinceramente já não carecia, o Barnabé propõe ao directório constituinte que substitua Tucídides por Séneca. Depois daquela desfeita, o historiador grego perdeu as condições psicológicas para continuar e tem andado a arrastar-se pelo relvado. Séneca está fresco e tem o estoicismo adequado aos trabalhos do directório. A nossa proposta de epígrafe é a seguinte:
"O MEDO É O GUARDIÃO DOS ESTADOS".
Uma vez, no refeitório da escola onde eu e o André estudámos, em França, almocei em frente a um colega de sotaque brasileiro, mais velho, que me disse ser economista. Ficou feliz por conhecer um jovem português porque, segundo disse, gostava do nosso país e tinha por aqui raízes familiares.
A meio da conversa perguntou-me se em Portugal os jovens sabiam de um diplomata português que em Bordéus tinha salvado milhares de pessoas durante a II Guerra Mundial. Nem o deixei terminar: claro que sim. Aristides Sousa Mendes. Não só sabia quem era, como o considerava um verdadeiro herói, um grande exemplo para toda a gente.
O meu companheiro de mesa sorriu com o meu entusiasmo, e explicou-me que era descendente de Aristides Sousa Mendes, ou melhor, do seu irmão também diplomata e que, – facto menos conhecido –, tinha também ajudado gente a fugir a partir de Viena. Fiquei contente por lhe poder dizer que também conhecia essa história; tinha lido sobre ela e sabia até que uma das famílias salvas por ele era a da actriz húngara Szasza Gabór.
Naquele ponto da conversa já era difícil saber qual de nós estava mais excitado e até orgulhoso – embora por nada, por uma coisa tola: ele por compartilhar o seu sangue e eu o nome de um país com aqueles heróis. Eu por estar a falar com um descendente de Aristides Sousa Mendes, ele por ver que um jovem que tinha acabado de conhecer admirava assim os seus antepassados. Talvez seja ingenuidade, mas conto a coisa exactamente como se passou.
Então em Portugal o Estado fala às pessoas de Aristides Sousa Mendes? As pessoas conhecem a história? Assegurei-lhe que sim, cada vez mais. Hoje tenho receio de ter sido demasiado optimista, e sinto de certa forma que tenho obrigação de, à minha escala, contribuir para que aquilo que garanti ao meu colega brasileiro se concretize.
Hoje à noite ficarei em casa para rever no segundo canal o documentário de Diana Andringa sobre Sousa Mendes. Porque é sempre com os melhores exemplos que devemos aprender.
O Blasfémia acha que todos os partidos deviam ter votado a favor do elogio fúnebre e de apoio à herança política de Reagan. Nunca pensei ver o Blasfémia, numa súbita fúria unanimista, a defender a hipocrisia política. Essa sim, uma falta de respeito pela memória de um adversário.
Ontem, alguém fez o 25.000º comentário no Barnabé. Um número bem redondinho. Não conseguimos identificar o comentador premiado, mas solicitamos que venha buscar a torradeira. Entretanto, obrigado a todos os comentadores. E à maioria silenciosa também. Temos gostado da companhia.
SIC: astrólogo prevê derrota de Portugal.
Num voto conjunto com o PSD, o PS fez hoje depender apenas da existência de condições de insegurança no território, a saída das tropas da GNR do Iraque. Além de ser extraordinário que a GNR saia na condição da insegurança se instalar (o que demonstra bem a inutilidade da sua presença), esta posição do PS é exactamente a oposta à que ainda ontem tinha. Quando o PS começa a ziguezaguear para agradar a gregos e a troianos, começa o disparate. Se desse para explicar em que fica, tudo era mais simples. A sua posição é a de Zapatero, é a de Blair ou depende das candidaturas que a oposição socialista a Ferro vá apresentando?
Notícas dão-nos conta do interesse da PT/Lusomundo em vender as suas empresas de comunicação social ou à Cofina ou à Impresa, sendo a primeira a mais provável. Vejam os cenários: a Cofina ficaria com o “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e “Correio da Manhã”. De fora, nos diários nacionais (o JN pode ser considerado nacional) ficaria apenas o “Público”; no caso da Impresa, esta ficaria com praticamente toda a distribuição, todos os jornais referidos (menos o “Correio da Manhã”), mais a “Visão” e o “Expresso”.
Nada podemos esperar da Alta Autoridade para a Comunicação Social, um organismo convenientemente inútil. Menos ainda do governo. Em Portugal, mais tarde ou mais cedo, estamos condenados a ler todos o mesmo jornal, apenas adaptado a públicos diferentes. Um dia, só nos sobram mesmo os blogues.
Bush insiste: Saddam e a Al'Qaeda estavam ligados.
Justificação de um deputado da maioria para recusar a ida do director da PJ ou da ministra da Justiça ao Parlamento para explicarem a súbita demissão dos directores que investigaram o "apito dourado": «nós somos muito alheios à criação de ruído à volta da PJ».
Primeiro Maria José Morgado, agora estes. Só gente a "criar ruído". Safa!
Confesso que estou dividido: Devemos apoiar a ida de Durão para Presidente da comissão, ajudando assim à destruição da Europa, mas dando uma folga aos portugueses; ou devemos fazer um sacrifício europeísta, segurando-o cá e limitando assim a área atingida por esta catástrofe?
Por mim, está decidido: que se dane a Europa, levem-no!
PS: Uma dúvida séria: António Costa também acharia uma traição ao país e um sinal de sectarismo não apoiar o nome de Durão Barroso para presidente da Comissão?
Segundo o mais recente relatório sobre o 11 de Setembro, Bin Laden terá pedido ajuda e campos de treino ao regime iraquiano antes da operação, sem nunca ter obtido qualquer resposta.

Ligássemos nós um bocadinho menos à bola e não tínhamos que ir refazer guerras fratricidas para o Alentejo no próximo domingo.
Relatório sobre o 11 de Setembro afasta qualquer envolvimento de Saddam Hussein nos atentados.
Vitorino era um dos candidatos. Eu não faço nenhuma questão que ele seja o presidente. Mas julgava que Durão fazia. Parece que não. Havia bola e há que definir prioridades.
Tive azar. Andei com ele no mesmo partido e nunca nos cruzamos. Só à porta de saída e fiz então uma amizade. Estivemos juntos num projecto político que nunca chegou a ser um projecto político (a Plataforma de Esquerda). Depois, ele foi para um lado, eu fui para outro. A história de vida de Raimundo Narciso (no PCP e na ARA) é daquelas que me faz sentir orgulho do partido onde estive. Tenho a sensação idiota de que talvez possa ter sido contaminado por pessoas como ele. Eu sei que não chega, mas vivo bem com esta ilusão. Há muito tempo que não o vejo. De vez em vez dá-me sinais de vida, através do Barnabé. A blogosfera também serve para reencontros. Agora, o Raimundo, com mais algumas pessoas, abriu um blogue seu. Chama-se Puxa Palavra. Entrou directo para a coluna da esquerda.

Lorenzo Spirito, "Roda da Fortuna", in Libro de la Ventura,
Milão, 1508.
Já somos os maiores outra vez? Não. Tal como não tínhamos sido uma lástima contra os gregos. Eu já vi jogos em que a selecção é uma lástima e não acerta um passe contra equipas da treta, e não foi isso que aconteceu no sábado contra a Grécia, que é uma equipa compacta e séria.
Então o que é que aconteceu? Aconteceu que aos seis minutos estávamos a perder contra a Grécia, e aos seis minutos estávamos a ganhar contra a Rússia. Claro que há gente que se ri desta distinção. Provavelmente, gente que não percebe a diferença entre começar um jogo a perder, e começar um jogo a ganhar. Entre ter de recuperar do choque ou dominar um adversário que precisa desesperadamente de recuperar. Para essas pessoas, a receita é simples: se a equipa perde, arrasa-se com ela; se ela ganha, inchamos todos. Os adversários é como se não existissem, não jogam, não estavam lá nem têm influência nenhuma. A sucessão de eventos não conta.
É a visão dos deuses.
Agora vem aí o jogo decisivo. Ninguém sabe o que acontecerá aos seis minutos nem como isso influenciará o resto do jogo. Por mim, disse aqui a seguir à derrota que acreditava que a selecção passaria a eliminatória, e estou desejoso de reencontrar todos os que disseram que já estávamos eliminados. Mas para esse é sempre fácil, porque basta dizer "olha, estava enganado, ainda bem".
São estas as vantagens retóricas do pessimismo: quando os pessimistas erram, estamos sempre todos demasiado contentes para dar importância a isso.
Os quatro fidalgos de Love's Labour's Lost, de William Shakespeare
Aqui há uns tempos o CAA, do Blasfémias, afirmava peremptoriamente que o simples facto de ter convocado Miguel passava a Scolari um atestado de mau treinador. Nem quero imaginar o que teria acontecido se Miguel tivesse cometido, aos 6 minutos do jogo inaugural, o erro que Paulo Ferreira cometeu. Creio, contudo, que é de mínima honestidade admitir-se que Miguel teria sido crucificado pelo país em peso.
Chegou o segundo jogo e o dito erro fez com que a titularidade de Miguel não chegasse a ser considerada um escândalo de proporções babilónicas. E o facto é que contra a Rússia, Miguel fez um excelente jogo. Fez bem a sua primeira obrigação que é defender, mas soube sair com a bola jogável. Entendeu-se bem com Figo e com os outros companheiros, chegou a cruzar e centrar lá à frente e, quando foi preciso, meteu o turbo para recuperar terreno e apanhar o extremo russo em jogadas limpinhas, sem falta. Tal como Nuno Valente do outro lado, fez um jogo sem mácula. Só que eu sinto vontade de o lembrar aqui, porque ninguém parece dar por isso. Tal como outros jogadores, Miguel é um mal-amado da selecção.
Em matéria de mal-amados deve começar-se sempre por Rui Costa. Rui Costa teve no primeiro jogo a ingrata tarefa de tentar organizar uma equipa em pânico perante o golo dos gregos. Não havia um passe que saísse bem da defesa, ninguém estava em boa posição de receber a bola porque os gregos se distribuíam por todos os espaços livres. Rui Costa lutou como pôde e foi bem rendido por Deco depois do esforço. No jogo com a Rússia, temo que voltem a não reparar que Rui Costa entrou numa altura em que o meio-campo começava a ficar um caos e a perder-se. Depois dele entrar, o centro nunca mais nos saiu da mão.
Mas Rui Costa tem fama de preguiçoso e negligente, de estar acabado e ser uma prima dona e dessas famas ninguém se livra por muito que trabalhe. Vejamos a jogada do segundo golo: o preguiçoso do Rui Costa começa a correr antes do círculo do meio-campo e só abranda uns 50 metros depois. O acabado do Rui Costa faz um passe brilhante entre dois adversários, colocando temporariamente fora da jogada meia defesa russa e metendo a bola no espaço óptimo para Cristiano Ronaldo fazer um cruzamento fantástico. E depois aquela prima-dona ainda tem a lata de correr até à pequena área para pôr o pé na bola e metê-la, com maus modos e sem hipótese de resmungos, na baliza que era o seu lugar. O segundo golo que miseravelmente nos escapava há mais de uma hora foi obrigado a acontecer. Rui Costa iniciou e acabou a jogada, começou antes do círculo de meio-campo e terminou na pequena área, e ainda fez um passe ao seu melhor nível. Mas é um preguiçoso, um vaidoso e uma prima-dona. Não se esqueçam de repetir isso muitas vezes.
Mais extraordinário ainda, até Figo se está a tornar um mal-amado. Figo correu, driblou, chegou a levar três russos atrás dele e só foi parado em falta. Já o tinha feito contra os gregos. Mas há quem diga que está velho e que um treinador, para mostrar que é corajoso, teria que o deixar no banco. Temo que desde que Figo foi nomeado melhor jogador do ano em 2001-2 as pessoas peçam dele que faça tudo o que lhes brota na fantasia: meter equipas inteiras no bolso, virar todos os resultados como no famoso jogo contra a Inglaterra, marcar cantos directos e livres do meio da rua. Calma pessoal: isso é só naqueles DVD's com as melhores jogadas da carreira resumidas em 20 minutos. No jogo oficial de 90 minutos, até Pelé perdeu bolas, até Eusébio falhou fintas, até Maradona teve dias desinspirados.
Finalmente, resta Simão. Simão quase nos salvou contra a Grécia numa meia-volta na grande área grega, ainda na primeira parte. Menos velocidade do guarda-redes grego, e teria sido o herói da pátria. Não foi, mas também nem por isso tem enchido o olho com o seu jogo. Pede-se que seja substituído por Cristiano Ronaldo para que possamos ver o puto madeirense a enxovalhar os defesas dos outros, e se isso acontecer será uma boa alteração. Mas isso é só porque Cristiano Ronaldo está genial e não porque andemos a perder os jogos por culpa de Simão, como se sugeriu depois da derrota com a Grécia. Se Cristiano Ronaldo entrar de início e Simão Sabrosa o substituir na segunda parte perante defesas que já jogaram 45 minutos, também o vamos ver a fazer-lhes as cabeças em água.
E já agora, diga-se que de quem eu sinto ali falta é de outro extremo-esquerdo. Corre muito, entrega-se generosamente, é raçudo e objectivo: Luís Boa-Morte. Eu, já que estou numa de treinador de bancada, teria deixado o Hélder Postiga de fora para o seleccionar a ele.
Finalmente, gostei de muitos outros jogadores: o excelente Jorge Andrade, Deco e a sua forma tão especial de se fazer à jogada e já começar o ataque quando ainda está a receber a bola, e Costinha que sempre apreciei. Mas esta posta é dedicada aos mal amados e vai dirigida a todos os que acham que não precisamos deles e que a selecção teria de ser o Porto mais o Pauleta. Quem pensa assim é mais preguiçoso a pensar futebol do que proclama que Rui Costa o é: argumentam com os títulos que já estão na gaveta e assim acham que têm sempre razão; e não com aqueles títulos que ainda têm de se construir, com os jogadores que em cada momento estiverem melhor, a fazer aquilo que é o seu melhor.
É só para os irritar. Jogo psicológico. Se resulta com o Mourinho...

Marge, trazes-me aquelas listas de professores portuguesas?
Listas de professores estão outra vez erradas.

À atenção dos papás que compraram hoje o livro do Público deixo aqui o linque para este ensaio de Orwell: «Politics vs Literature: An Examination of Gulliver’s Travels»
O Comprometido Espectador fez um ano. Parabéns. O Luciano Amaral resolveu, aproveitando a data, encerrar o blogue. No nosso caso, teremos oportunidade de continuar a dicutir com ele, pessoalmente. Vantagens da amizade. Mas foi bom desancar-te em público, Luciano. E foi bom ser desancado em público. Volta sempre, que por aqui tens direito a lugar no camarote.
PS: Mostrando reconhecimento e algum desespero perante a crescente rarefacção de blogues de direita, passou a constar, na coluna da esquerda, O Acidental. Têm sido muito queridos connosco e merecem uma atençãozinha.
José Lamego saiu do Iraque e regressou à vida política portuguesa. Eu, por solidariedade com o povo iraquiano, acho muito bem.
A RTP disse, mas eu não quero saber de quem era familiar um dos tipos que foi preso numa operação contra tráfico de haxixe. Muito haxixe. Só quero saber se o tipo é de confiança.
O Sabor é um fluente da margem direita do rio Douro, em Trás-os-Montes, e nele sobrevive uma flora e uma vegetação únicas e uma importante comunidade de aves. O Sabor é considerado o último rio selvagem de Portugal, já que, ao longo de 120km, não há uma única barragem.
Escândalo!!! Tanto rio desperdiçado. Mas o governo já tratou desta falha imperdoável: no Baixo Sabor vai ser construída uma, novinha em folha. Submergirá cerca de 50% da extensão nacional do rio. Mais um motivo de orgulho nacional.
Uma Plataforma constituída por seis associações ambientalistas (Quercus, LPN, Fapas, GEOTA, Olho Vivo e SPEA) tentou, como de costume, travar mais este “desígnio nacional”. Mas os sempre vigilantes autarcas portugueses, comandados pelo ministro da Economia, fizeram ouvir a sua voz. Por acaso a fauna e a flora de um dos poucos rios imaculados deste País votam? Que se dane o parecer negativo do Instituto de Conservação da Natureza, que, entretanto, até já recebeu ordem de encerramento no Congresso do PSD. O progresso é imparável.
A verdade é esta: Os autarcas e o ministro da Economia estão-se nas tintas para o ambiente porque os eleitores se estão nas tintas para o ambiente. Para a esmagadora maioria da população portuguesa é completamente indiferente o estado em que vamos deixar aquilo que recebemos. Quando isto for diferente, os autarcas e os ministros da economia perderão algum tempo com estes pormenores que preocupam gente romântica e que nada têm a ver com o “País Real”. Até lá, ainda há muito para destruir.
Pode assinar esta petição ou enviar e-mails para o governo (disponíveis na mesma página) para tentar travar a destruição do rio Sabor. Não sei se vale a pena, mas sempre se tenta…
«Paulo Pedroso prepara-se para regressar ao Parlamento. Parece-me ser um erro. Paulo Pedroso deveria esperar que se esgotassem todos os mecanismos de recurso até que, por fim, o seu caso estivesse concluído. Ao regressar precipitadamente para a Assembleia da República, Paulo Pedroso arrisca-se a causar novos problemas a Ferro Rodrigues e ao PS.» Diz Paulo Gorjão, numa súbita e pouco habitual preocupação com o bem-estar do secretário-geral do PS.
Talvez seja bom recordar dois pequenos pormenores a Paulo Gorjão: 1. Pedroso foi eleito. 2. Pedroso, desde que o tribunal não o pronunciou, já não é apenas um presumível inocente. É inocente. Mesmo que isso pareça, a alguns, politicamente inconveniente.
Um dos membros d’O Acidental, sobre o julgamento do seu colega de partido, Avelino Ferreira Torres: «Porque é que os tribunais condenaram o autarca Ferreira Torres - que, no meu ponto de vista, não tem obviamente qualquer desculpa - poucos dias antes das eleições? E porque é que o recurso dos defensores das vítimas da Casa Pia à decisão relativa ao socialista Paulo Pedroso foi conhecida apenas um dia depois das eleições?»
Outro membro d’O Acidental sobre o julgamento de Setúbal de mulheres que abortaram: «Como se fosse o governo a fazer despachos de acusação, a conduzir julgamentos, e a ler as sentenças. Mas o Miguel, a Jamila, a Ilda e o Carlos, que tanto gostam de pleitear a causa da separação de poderes, preferem esquecer o que é óbvio.
1. O Acidental tem uma fé selectiva na separação de poderes
2. O Acidental acha que a lei do aborto que os tribunais se limitam a aplicar não resulta de uma opção política. Talvez seja um cataclismo natural.
3. É com prazer que me meto com o blogue mais fiel ao Barnabé. Estava à espera do seu 1000º post dedicado aqui à esquerdalhada (gosto de números redondos), mas nos últimos dias têm-se desleixado. Devo sentir ciúmes? Anda por aí namorico novo?
Pacheco Pereira falava mal da coligação. Por ser contra a coligção, Pacheco Pereira não quis ser candidato ao Parlamento Europeu pela coligação. De repente, sem se perceber como, Pacheco Pereira resolveu apoiar a coligação contra a qual estava, nas eleições europeias. Logo depois, Pacheco Pereira foi convidado pelo governo da coligação para a UNESCO. Já nomeado, Pacheco Pereira volta a falar mal da coligação. Pacheco Pereira tem imenso sentido de oportunidade.
Esta proposta não faz qualquer sentido. O Segredo de Justiça serve para proteger a investigação. Por isso, só a investigação pode ser lesada. Esperava-se que uma nova lei restringisse de forma mais clara e limitada o âmbito e a duração do segredo de justiça, e, a partir daí, se aplicassem sanssões para todos os que não cumprem. A proposta em cima da mesa soa mais a vingança do que a solução. Os jornalistas devem respeitar o segredo de justiça. Mas para que isso seja viável, nem tudo pode estar em segredo de justiça.
Seguindo a recente e inexplicável estratégia de disparar, preferencialmente, sobre o PS e sobre o Bloco, Carlos Carvalhas garantiu, hoje, que, «mais cedo que tarde, muitos eleitores verão que o Bloco, em vez de trazer mais esquerda à esquerda, pretende é enfraquecer o PCP»
José Lamego é candidato à liderança do PS
Em São Pedro da Cova, freguesia do concelho de Gondomar, as coisas também correram pessimamente à força da Forca Portugal. Com menos de vinte por cento, a coligação ficou em terceiro lugar, atrás até do PCP.
E agora, perguntam vocês: o que é que tem São Pedro da Cova? Resposta:
Em São Pedro da Cova situa-se nada mais nada menos do que...
... a Urbanização Durão Barroso. Como foi possível tal ingratidão?
Suponho que não é caso único, mas há uma freguesia onde a coligação de direita não conseguiu chegar aos 3%, ficando mesmo atrás do Bloco de Esquerda. O nome não podia ser mais adequado: Sarilhos Pequenos. Compreende-se: é gente que está habituada a manter os sarilhos sempre muito pequeninos.
PSD pede a cabeça de Ferreira Leite e Carlos Tavares
Mister,
Para amanhã, a equipa da segunda parte está quase bem. Mas não troque só o Rui Costa pelo Deco. Tire também o Figo. O Figo é muito bom, mas é pernicioso à equipa em momentos como o actual. Já na Coreia nos prejudicou. Estava lesionado e jogou só por causa do nome. O Figo só pensa na reputação dele, não pensa na equipa. Zanga-se com os outros e quer resolver tudo sozinho. E anda a prejudicar o ambiente com as suas declarações. Dê carta branca ao Deco, que é o génio do momento e um português que todos adoramos. Com Figo de fora, o Deco sente-se mais livre de movimentos, pode marcar os livres e a gente ganha o jogo. Ponha também o Nuno Gomes de início (se não o fizer, não fico ofendido, apesar da minha identificação com ele. O essencial é o puxão de orelhas ao Figo). Do assunto Ricardo Carvalho acho que nem vale a pena falar. O resto decida você.
Como é esforçado, o Luciano Amaral bem tenta dar a volta aos resultados, mas as contas saem-lhe todas erradas.
«Em França: PS - 30%, UMP - 17%, UDF - 12%. Eles não mentem. Eles perdem.»
Falta o voto do resto dos partidos. Dá quase 100% contra a guerra, com maioria para os que mais radicalmente se opõem a ela: a esquerda. Azar.
«Em Espanha: PSOE - 43%. PP - 40%. Eles tiram tropas. Eles ganham à rasquinha»
Mas parece que ganham e, mais uma vez, esquece-se dos votos do resto da esquerda. Só mais 11,9%. Um à rasquinha bastante folgado.
“Em Itália: Ulivo - 33%. FI - 21%. AN - 12%. Eles mentem. Eles aguentam-se”.
Era bom o empate, não era? Mas Luciano esqueceu-se dos votos da Refundação Comunista, Partido Comunista e Verdes, que, juntos, somam 11%. À direita pode acrescentar 5,2%, pela Liga Norte. E de resto, pequenos partidos e listas de um lado e do outro. Afinal não se aguentam.
«No Reino Unido: Labour - 22%/Tories - 22%. Eles mentem. Eles empatam.»
Como não quer a coisa, deu um pequeno retoque nos resultados: 26,7% para os Tories e 22,6% para o Labour e, já agora, esqueceu-se do UKIP e dos Verdes, que foram contra a guerra (“Parties like the Greens and UKIP may find they benefit from a mid-term protest vote against the government - especially in the wake of the Iraq war” BBC), que tiveram, com os Liberais democratas, 37,3%. Pormenores.
Manuel Seabra demitiu-se. Mas Narciso Miranda ainda não. Ferro Rodrigues tem o seu primeiro teste depois de uma vitória eleitoral e do reforço da sua liderança. Será Ferro capaz de tanto?

Resultado da direita coligada: 33,4%

Sócrates, Jorge Coelho e o anão político João Soares podem voltar para a toca. Apesar de terem passado mais tempo a conspirar contra a liderança do PS do que a fazer oposição, não é desta que (re)tomam o PS. Ferro consegue o melhor resultado de sempre para os socialistas. A coincidência entre as sondagens anteriores à morte de Sousa Franco e os resultados não permite nenhuma leitura enviesada dos resultados. A vitória deve-se, antes de mais, a Sousa Franco, que surpreendeu nesta campanha. Devo confessar: surpreendeu-me a mim. Depois, a António Costa, que mostrou ser dos poucos dirigentes socialistas a reagir com calma a crises (veja-se o caso dos vergonhosos acontecimentos de Matosinhos). Ferro, vê premiada a sua resistência depois de um ano terrível a que poucas lideranças resistiriam. Ou muito me engano, ou será um segundo Durão Barroso: todos sabiam que ele nunca seria primeiro-ministro. E ele foi.
Europeias 1999: 1.491.963 (43,05%)
Legislativas 2002: 2.068.584 (37,79%)
Europeias 2004: 1.510.927 (44,52%)
Mais 18.964 votos e mais 1,47% dos que nas Europeias de 1999
Menos 576.621 votos e mais 5,26% do que nas Legislativas de 2002
Disse aqui há uns dias que o objectivo da coligação era não ter o seu pior resultado de sempre (34%). Tiveram. E Durão Barroso é o único responsável. E nem a desastrada estratégia (único erro socialista nesta campanha) de apontar as baterias ao CDS apaga este facto. A partir daqui, Durão Barroso terá de gerir um governo que todos sabem que não tem base social de apoio. E não há remodelação que o salve. O governo está a prazo. Quanto à lista Força Portugal, ela foi a prova provada da mediocridade deste governo: a colagem ao futebol, a escolha de um senhor simpático que não tem coisa nenhuma para dizer, a tentativa de baixar, através de segundas figuras, o nível do debate, a tentativa de desvalorização dos resultados eleitorais… nada resultou. Durão Barroso é uma nuvem passageira.
O CDS sai destas eleições com os mesmos dois deputados que tinha. Mas ninguém acredita. O CDS não vale hoje coisa nenhuma. Terá sido mesmo responsável pela perda de alguns votos por parte da coligação. Provam-se duas coisas: que o populismo se paga, mais tarde ou mais cedo, e que um partido com menos de 10 por cento não pode fazer coligações de governo. Não tem força para aguentar o desgaste e transforma-se no alvo mais fácil. Resta ao CDS uma possibilidade de saída: a fusão. Mas não me parece que o PSD queira continuar a carregar o menino por muito mais tempo.
Europeias (PSD+CDS) 1999: 1.360.593 (39,26%)
Legislativas (PSD+CDS) 2002: 2.678.115 (48,93%)
Europeias 2004: 1.128.660 (33,26%)
Menos 231.933 votos e menos 6% dos que nas Europeias de 1999
Menos 1.549.455 votos e menos 15,67% do que nas Legislativas de 2002
Objectivamente, o PCP teve menos do que pediu: a eleição do terceiro candidato, mais votos do que nas últimas eleições europeias (quase menos cinquenta mil), mais percentagem (menos um por cento). Este foi, em número de votos, depois da candidatura de António Abreu à Presidência da República, o pior resultado da história do PCP. Mas nada disto chegou para que se possa falar de uma derrota. Nem a descida foi muito significativa, nem as expectativas eram muito altas. Não vence nem perde.
Europeias 1999: 357.575 (10,32%)
Legislativas 2002: 379.870 (6,94%)
Europeias 2004: 308.831 (9,1%)
Menos 48.744 votos e menos 1,22% dos que nas Europeias de 1999
Menos 71.039 votos e mais 2,16% do que nas Legislativas de 2002
O Bloco de Esquerda obteve o seu melhor resultado de sempre, seja em percentagem seja em votos, incluindo eleições com metade da abstenção. Das duas uma, ou o Bloco de Esquerda tem um eleitorado hiper-fiel, o que é pouco provável num partido com muitos votos na juventude, ou o seu eleitorado está a mudar. Para além do crescimento aritmético, há uma alteração do tipo de eleitor do BE. É verdade que ele continua mais urbano que rural (os resultados nas capitais de distrito são invariavelmente duas ou três vezes superiores aos das zonas menos urbanizadas), mais jovem (os resultados nas mesas jovens são quase sempre o dobro) e lisboeta (7,6% no distrito, quase 9% na cidade, 7,2% no distrito de Setúbal). Mas o Bloco cresceu mais nas zonas rurais do que nas urbanas, mais fora de Lisboa e Setúbal do que aqui, mais nas mesas dos eleitores mais velhos do que na juventude. Mais importante que tudo, para o Bloco, é o facto de já não estar acantonado nas elites urbanas e ter conseguido alargar a sua base de apoio. Sem perder as elites.
Europeias 1999: 62.022 (1,79%)
Legislativas 2002: 149.946 (2,74%)
Europeias 2004: 167.026 (4,92%)
Mais 105.004 votos e mais 3,13% dos que nas Europeias de 1999
Mais 17.080 votos e mais 2,18% do que nas Legislativas de 2002
Os resultados do MRPP sempre beneficiaram do facto de usar a foice e o martelo. A prova disso são os resultados no Alentejo, onde o MRPP praticamente não existe como organização, bem superiores aos de Lisboa ou Setúbal, onde este pequeno partido estalinista tem mais presença. Mesmo o Alentejo é a prova da confusão: resultados muito superiores em concelhos rurais como Cuba, Odemira ou Alandroal do que em Beja ou Évora. Será o MRPP um partido de camponeses? Nestas eleições, o MRPP não fez campanha. No entanto, subiu. Basta olhar para o boletim de voto para perceber porquê: o MRPP ficou logo abaixo da CDU, beneficiando ainda mais do equívoco, sobretudo para eleitores mais idosos. Fazer outras leituras esbarra com esta pergunta: quem era o cabeça de lista do MRPP às Europeias? Não vale ir consultar o site do PCTP.
Europeias 1999: 30.358 (0,88%)
Legislativas 2002: 36.193 (0,66%)
Europeias 2004: 36.102 (1,06%)
Mais 5.744 votos e mais 0,18%% dos que nas Europeias de 1999
Menos 91 votos e mais 0,4% do que nas Legislativas de 2002
O PND não se pode queixar da cobertura mediática. Com todas as sondagens a dar-lhes um resultado medíocre, lá foram aparecendo na televisão e nos jornais. O problema foi mesmo do PND. O seu espaço político é estreito, mas isso não explica tudo. O do BE também era. Eu, que no início não dava como favas contadas um mau resultado do PND, fiquei seguro disso quando vi o cartaz “www.digaomanel.com”. Definitivamente, o Manel não sabia para quem falava. O seu eleitorado potencial é popular e pouco dado às novas tecnologias. Depois, foi a confusão de discurso. Quem fez a campanha do Manel é liberal e urbano, o Manel é nacionalista e rural. Quem fez a campanha do Manel está entre o CDS e o PSD, o Manel está à direita do CDS. Do ponto de vista táctico, quem tem razão é o Manel. Ou cresce como partido de extrema-direita, ou não cresce. De resto, o PND soa demasiado a vingança para entusiasmar as hostes nacionalistas.
Europeias 2004: 33.952 (1%)
«A retoma do país vai começar com a retoma do Partido Socialista.»
João Soares
«Espera-se que Ferro Rodrigues conduza o partido a um novo ciclo vitorioso.»
Manuel Maria Carrilho

Esta é a minha segunda selecção para o Euro. Acarinho-a por razões familiares (tenho primos dinamarqueses) e não só. Gosto da forma como o futebol é vivido na Dinamarca: com paixão, mas sem fanatismos. Lá não há jornais desportivos diários, e a televisão pública nunca gastou fortunas na aquisição dos direitos de transmissão de jogos. O campeonato nacional é disputado por equipas semi-profissionais. Em contrapartida, há relvados por todo o lado – qualquer urbanização ou bairro económico tem sempre um parque com balizas móveis. Os dinamarqueses que gostam a sério de futebol torcem pela Juventus ou pelo Inter de Milão, como a personagem do filme “Italiano para Principiantes”.
Aqui no Barnabé há pessoas porventura mais qualificadas do que eu para analisar o estilo de jogo viking. Mas não devo andar longe da verdade se o descrever como um futebol marcado sobretudo pela entrega e entusiasmo dos jogadores, pelo meio-campo compacto e sólido e pelos cruzamentos à procura da cabeça do avançado alto e louro.
E, no entanto, de há vinte anos para cá a Dinamarca tem marcado sempre pesença em todos os grandes torneios internacionais. Em 1984 fizeram um brilharete em França (com um jogador notável, o Elkjer Larssen, que fumava um maço e meio de tabaco por dia e saía sempre das discotecas, rumo ao quarto de Hotel, abraçado a duas miúdas) e no México 86 foram eliminados nos oitavos de final por uma Espanha que deverá ter realizado uma das exibições mais categóricas da sua história (5-1, com um jogão do Emílio Butragueño). E em 1992, na Suécia, no campeonato europeu mais feio que alguma vez vi, os dinamarqueses levaram a taça para Copenhaga. Se bem me recordo, a Dinamarca foi repescada por causa da Guerra da Bósnia. A equipa jugoslava foi excluída pela UEFA e os dinamarqueses tiveram 15 dias para se preparar. E se calhar foi esse o seu grande trunfo. Sem “pressão patriótica”, sem telemóveis de empresários a tocar, correndo como outsiders, e a partilharem o quarto com as mulheres e namoradas, os dinamarqueses limparam o campeonato. Com um futebol tosco, é certo, mas com muita alegria e descontração. Neste domínio e noutros, devíamos olhar mais para os vikings.
Entre as várias notas positivas que as eleições europeias nos trouxeram, destaco o resultado das eleições espanholas: 43,3% dos votos para o PSOE, 41,3% para o PP, 5,1% para uma coligação de nacionalistas galegos, bascos e catalães, 4,16% para uma coligação da Esquerda Unida e outros pequenos partidos. Apesar da elevada abstenção, a leitura só pode ser uma: numa atmosfera mais desanuviada, os eleitores reiteraram a confiança no PSOE. A decisão de Zapatero de retirar as tropas espanholas do Iraque foi revalidada neste escrutínio.
O alinhamento de vários governos com Bush foi objecto de uma censura inequívoca por parte dos respectivos eleitorados: isso sucedeu no Reino Unido, na Itália, em Portugal, na Dinamarca e na Polónia. Ontem alguns dirigentes do PSD e do PP diziam que não fazia sentido associar a “banhada” que o governo apanhou ao alinhamento com Bush já que na França e na Alemanha, os principais opositores à guerra na União Europeia, os governos do dia foram também fortemente penalizados. Pois, pois: só que a) os democratas-cristãos alemães dificilmente alinhariam com Bush da mesma forma como Berlusconi, Durão e Aznar o fizeram; b) o PSF sempre se opôs sem ambiguidades à intervenção no Iraque.
Aliás, se a direita portuguesa quiser reflectir sobre as razões da derrota de Chirac e Schröerder encontrará escassos motivos para se consolar. As reformas de sentido liberal que o Partido da Maioria Presidencial e os Sociais-Democratas tentaram implementar foram severamente julgadas pelos respectivos eleitorados.
O dilema de Barroso e Portas é complicado. Por um lado, eles devem saber que a política seguida pela actual ministra das Finanças pode ser o bilhete para um monumental fiasco eleitoral em 2006 e, como partidos de poder, vencer eleições é a sua principal razão de ser. Por outro lado, ao fazerem do tema da “pesada herança” socialista e do combate ao défice os seus dois principais estandartes, os estrategas da coligação deixaram que a credibilidade política do governo ficasse refém da manutenção de Manuela Ferreira Leite na pasta das Finanças. Ora, como toda a gente sabe, as Joanas d’Arc e os místicos deste mundo sempre foram figuras incómodas.
José Manuel Fernandes, que parecia ter uma obsessão com o Bloco de Esquerda, de tantas vezes que lhe dedicava editoriais, hoje não lhe dirige nem uma palavra . O Bloco de Esquerda foi unanimemente considerado um dos grandes vencedores desta noite eleitoral, ganhou 100 mil votos em relação às Europeias anteriores, mais do que triplicou a sua votação, teve mais dez mil votos do que nas legislativas, sendo o único partido a ter um aumento real em relação a estas eleições (que tiveram uma abstenção muito superior) e teve, pela primeira vez, bons resultados em todo o País. Mas José Manuel Fernandes, desta vez, esqueceu-se. Passou-lhe a obsessão.
PS: hoje ainda pretendo fazer uma análise da campanha e dos resultados de cada partido.

Bom dia!
Paulo Portas: «Agradeço a todos os eleitores da coligação "Força Portugal", incluindo os que não votaram.»
Bem, se Paulo Portas começa a contar com os eleitores que não votaram pode ser que o CDS não desapareça na próxima ocasião em que tenha coragem de se apresentar a eleições.
Durão Barroso: "Entendi o sinal que os portugueses me enviaram como um estímulo".
Agora que as eleições acabaram, posso voltar a falar de futebol sem me sentir culpado por estar a tornar o Barnabé num blogue demasiado político. É que o futebol, no Euro 2004, começou esta noite no França-Inglaterra. No melhor jogo até agora, a França conseguiu fazer o que Portugal devia ter feito. Não desistiu e saiu-lhe a taluda no fim. Está ganhadora e tem o Zidane que, mesmo sem jogar bem, tem cabeça para marcar golos de livre directo no último minuto. São, para já, os meus favoritos à vitória final. Fiquei com pena dos ingleses e do Eriksson, meu ídolo de infância da velha Luz. Perder assim dói imenso. Mas a Inglaterra de Eriksson joga um bocado em catenaccio. E quem só defende, mesmo se bem, às vezes (raramente) ganha, outras vezes empata. Mas quando perde, sai a água toda da barragem.
Deixo-vos o relato internético do alucinante fim do jogo, feito em directo por um espirituoso cronista do Guardian
GOAL! England 1 - 1 France Textbook Zidane free-kick from 20 yards out, bent past the wall and into David James' bottom right-hand corner. James didn't move, and you can't say they don't deserve it. AND NOW THEY'VE GOT A PENALTY!
GOAL!! England 1 - 2 France
Zidane penalty, placed in the exact same place. I'm not making this up. Horrific back-pass from Gerrard, picked up by Henry who nipped past David James and yelped as the big mug clattered him and earned a ridiculous yellow card. Should have been red.
Full-time: England 1 - 2 France
What the hell happened there? (...) Oh dear, oh dear. That was absolutely incredible. Cruel, and in many ways, highly amusing. Good night. Especially if you're French.

Jornalista para Pedro Santana Lopes: "Assume a derrota?"
Pedro Santana Lopes: "Até logo, se Deus quiser. Eu já cá venho, ok?"
António Lobo Xavier, enquanto lhe perguntavam sobre o significado dos resultados: "olhe, o referendo é um bom tema".
Pedro Mota Soares [Forca Portugal] aproveita a presença das televisões para agradecer aos eleitores que votaram na sua coligação.
Já é a segunda vez que ouço um candidato da Forca Portugal (primeiro, Assunção Esteves; depois, Vasco Graça Moura) dizer que os resultados foram bons porque 21 ou 22 dos 24 eurodeputados serão europeístas, embora "europeístas" numa definição até agora desconhecida de "europeístas", e que se caracteriza por não significar de todo "europeístas". É que segundo esta definição o PP é "europeísta" e o BE não o é, deixando-os com o PCP a levar uma grande coça dos "europeístas".
Tenho impressão que ainda vão acabar a noite a dizer que a eleição foi positiva porque se elegeram 24 portugueses, eles incluídos.

Silvio Berlusconi mostrou ontem uma vez mais a sua fibra democrática. No momento do voto para as europeias (o voto em Itália começou ontem e prolonga-se até hoje), achou por bem aproveitar a presença dos jornalistas e dos cidadãos presentes e improvisou ali mesmo, à entrada é à saída das urnas, uma conferência de imprensa. Falou da abstenção, apelou à participação eleitoral? Claro que não: "Sei perfeitamente em quem votar: num partido liberal e anti-comunista". "Não votem em partidos pequenos ou pequeníssimos que levarão poucos deputados para Bruxelas". "Vamos superar os 25%". "A esquerda está impossibilitada de governar". Anti-comunista não sei, mas lá liberal até é. Liberal em relação à violação da lei eleitoral por ele mesmo.

Albrecht Dürer - Némesis (1501-03)
A Grécia, ontem, foi a nossa Némesis.
Não devíamos ter subestimado os Gregos. Aquela gente inventou a Filosofia, a Tragédia, a Democracia, os Jogos Olímpicos, combateu com bravura em duas guerras mundiais. Eram um adversário e peras e nós não os levámos a sério.
E agora um pouco de demagogia barata: não se deixem abater. Há vida para lá do Euro 2004. Hoje aproveitem as eleições e sejam vocês mesmos a Némesis deste governo.

A culpa não foi do Paulo Ferreira, nem do Ricardo, nem do Ronaldo, nem do Scolari. Foi da bola. Não acham que ela ressaltou de forma inverosímil no primeiro golo, mesmo antes da mão do Ricardo lhe pôr o pé em cima? E quando aquele grego marcou o penalti? Parecia teleguiada para o ângulo. Os gajos da Adidas endrominaram-nos bem com a tanga do "Roteiro" do Vasco da Gama, é o que é. A mim ninguém me tira da ideia que eles meteram qualquer coisa dentro da bola. Aliás, há claras mensagens subliminares que apontam nesse sentido. Era só preciso ter lido as instruções antes do jogo: "The ball features the revolutionary Power Balance Technology, which is an inner carcass that adds a layer to hold shape and help maintain the ball’s round form, while the thermal-bonded panels create unprecedented durability with minimal water uptake. Adidas’ Roteiro is a ball with innovative technology and design that forges a new path [aqui então é mesmo explícito, han?, nem têm vergonha nenhuma...] and takes your game where it has never gone before.".
Se bem conheço o meu país, prevejo a passagem repentina de um optimismo delirante, em que quem não põe bandeirinha na janela é um traidor à pátria, para uma depressão colectiva. Espero que não atinja a equipa e que ela se prepare para ganhar à Rússia e a Espanha.
E, já agora, não era má ideia habituarmo-nos à ideia de que, apesar de ser muito empolgante, o futuro do país não se joga no Euro 2004. Não quero ser desmancha-prazeres, mas o orgulho do lugar onde vivemos não depende de uma hora e meia sentados no sofá a beber cervejas a ver os outros a jogar. Desculpem o intervalo. Agora, esperemos que Portugal ganhe este JOGO.
A pressão psicológica do portismo fanático dos últimos meses que antecederam o Euro já começa a fazer estragos. Paulo Ferreira, aliás, "o melhor defesa-direito do mundo", entregou o ouro ao bandido e aos seis minutos já estávamos a perder. Espero que Portugal consiga virar o jogo. E depois disso espero que se aprenda a lição de que a psicologia da banha-da-cobra de José Mourinho, aliás "o melhor treinador do mundo", tem um prazo de validade limitado.
Roberto Leal acabou de aparecer na televisão, o que provocou uma crise aqui em casa. O pior momento na vida de um casal luso-brasileiro é sempre decidir se Roberto Leal é brasileiro ou português. Ninguém o quer.
"As pessoas não votaram pela eleição em si; isto foi um julgamento em relação ao Iraque", admitiu o vice-primeiro-ministro britânico, John Prescott, em relação à estrondosa derrota trabalhista nas eleições locais do Reino Unido. Os trabalhistas passaram para terceiro lugar, com os Conservadores e, mais importante, os Liberais Democratas à frente. Os Liberais Democratas estiveram no movimento contra a guerra e parecem ter sido premiados por isso.
Como cidadão, acho que Portugal tinha muito mais coisas com que se preocupar do que fazer o Euro. Não me parece que a realização do torneio aqui traga todas essas vantagens de que se fala. Muito do dinheiro que entra vai para a UEFA, não para o país. O evento dura muito pouco e uma boa parte destes turistas não voltarão.
Como amante da bola, no entanto, tenho que fazer um esforço titânico para alinhar as frases que ali estão acima. Neste momento, já só consigo salivar. Vem aí quase um mês de futebol entre as melhores selecções do mundo (falta só a Argentina e o Brasil). Antevejo passes do meio da rua, dribles, golos fantásticos, reviravoltas no marcador. São dois jogos por dia. Neste momento, a minha mente repete um loop com uma voz de Homer Simpson: doooois jooogoooos poor diiia, hhhmmm... Rui, são dois jogos por dia... No sofá, deitado no chão, em pé... Dezenas de milhares de minutos... É só fazer as contas... Outro dia.
Sampaio quer que fervor patriótico continue após o Euro2004.
Hoje joga quem? É para o Campeonato ou para a Taça?
O Luciano Amaral cita um post recente em que falei dos usos políticos do passado. E pronuncia-se sobre a questão da avaliação da actuação de Churchill e Chamberlain em relação à Alemanha de Hitler. Não tenho conhecimentos suficientes para discutir esta avaliação, nem quero. No meu post não se tratava de reabilitar o anti-mito Chamberlain para diminuir o mito Churchill. Agradeço as informações que o Luciano me dá para aprofundar a discussão. A única coisa que quis dizer é que quem ensina ou investiga história como profissão (é o meu caso e o dele) tem a obrigação de lembrar de vez em quando que em história tentamos comparar o passado com o passado, não com o presente (apesar da comparação com o presente ser inevitável e, em última análise, comandar sempre o estudo do passado). Não se trata de fazer uma história objectiva. Mas de dizer que fazer história é usar métodos críticos que tentam reconstituir o passado na sua complexidade, um passado que não é a preto e branco como as lutas políticas do presente o querem pintar. Isto se quisermos continuar a distinguir a investigação histórica da luta política.
O uso político do passado que o meu post combatia era o que a guerra do Iraque motiva. Se compararmos Bush e Blair a Churchill, estamos a convocar um herói dos aliados em que todos nos reconhecemos hoje para legitimar o presente. Do mesmo passo, apagamos da nossa memória este facto elementar: foi a Alemanha quem começou a guerra, invadindo outros países europeus. Churchill e os aliados responderam a invasões. A coragem "louca" de Churchill não pode ser dissociada deste facto. E, como lembrava há tempos o Bruno Cardoso Reis, se compararmos esta guerra com a do Vietname (o Iraque como "vespeiro" sem saída militar), o quadro também muda totalmente figura. Ou seja, num passado "à la carte" encontramos todos os exemplos possíveis de comparação. E distorcemos todos em função do presente. É essa distorção que tem movido, não apenas, mas sobretudo, os defensores da guerra no seu afã belicista, Luciano Amaral incluído. Como no final do seu post, quando evoca o exemplo moral de Churchill, para generalizar e servir, evidentemente, a defesa da manutenção da estratégia norte-americana: "E essa ideia [transcendente que podemos retirar da actuação de Churchill] é a ideia de que há momentos em que a rendição é impossível, porque vergonhosa, mesmo se a derrota aparece como mais provável do que a vitória. Momentos em que podemos morrer e sabemo-lo, mas antes isso do que vivermos manchados por uma vergonha intolerável."
Desconfio que daqui a uma semana já ninguém consegue ouvir a música da Nelinha para o Euro 2004 com aquele refrão tão cabotino. Bem melhor a música da Galp cantada pelo Pac. O que vale é que a miuda é simpática e tem uma pronúncia gira como o Vasco Rato.
Ainda há taxistas sem bandeirinha patrioteira em Lisboa.
Na nossa imprensa diária, a revelação dos memorandos do Departamento de Justiça norte-americano (Agosto de 2002) e do Pentágono (Março de 2003) justificando o uso de tortura em determinadas circunstâncias recebeu um tratamento noticioso muito discreto (na edição de ontem do Público apenas duas colunas na secção Mundo). Nos principais jornais americanos de referência (NYT e WP), pelo contrário, o caso tem sido amplamente glosado e a edição de anteontem do Financial Times trazia na capa uma fotografia de John Ashcroft, encimada pelo seguinte título: “Equipa de Bush sob acusação por causa da tortura”.
Quando o escândalo de Abu Ghraib estalou, os defensores da guerra apressaram-se a condenar os abusos (poucos usaram a expressão “tortura”) e a observar que se tratavam de casos isolados e não generalizáveis (“identificados e identificáveis”, na memorável expressão de um deles); mas ao mesmo tempo, aproveitando a boleia de Pacheco Pereira, tentaram semear a confusão com a história das sevícias do PREC – que é como quem diz, estejam lá caladinhos porque em 1975 também não se indignaram com o "Terror abrilista".
Mas poucos ou nenhuns admitiram a possibilidade da administração Bush ter adoptado a tortura como meio legítimo para extorquir informações no contexto da “guerra ao terrorismo”. Ora é precisamente isso que os dois memorandos vêm confirmar para lá de qualquer dúvida, deitando por terra a tese da “bondade” do poder americano.
O primeiro, elaborado pelo Departamento de Justiça a pedido da CIA, defende, por exemplo, que “infligir uma dor moderada e passageira” não pode ser equiparado a um acto de tortura, assim contrariando os manuais do Exército americano que até aqui definiam os procedimentos para os interrogatórios de intelligence em consonância com as convenções internacionais.
Para os casos envolvendo “tortura mental”, o relatório afirma que um interrogador estará a agir de boa fé se se inteirar da “literatura profissional”, “consultar peritos” e “examinar testemunhos obtidos em experiências passadas”. Estamos mesmo a ver os sargentos da Polícia Militar a suar em Abu Ghraib com o “American Journal of Psychology” debaixo do braço e a procurar o número de fax do general Pinochet, não estamos?
O memorando de Pentágono segue uma linha de raciocínio idêntica e usa uma linguagem muito semelhante, mas acrescenta uma nota importante ao afirmar que as convenções internacionais banindo o uso da tortura (nomeadamente a de 1994, à qual os EUA aderiram com reservas) poderão ser consideradas inconstitucionais se aplicadas a interrogatórios conduzidos às ordens do presidente Bush no âmbito da “guerra ao terrorrismo”.
E é isto que explode por completo o mito da América-sempre-bondosa-porque-democrática. Quando muita gente se indignava com as medidas unilaterais de Bush, como a tentativa de boicote ao Tribunal Penal Internacional, os adeptos de Bush diziam-nos coisas do género: insinuar que eventuais abusos cometidos por militares americanos possam escapar ao crivo da justiça é ridículo porque nos EUA não há coisa mais sagrada do que o “império da lei”.
Sabemos agora que essa é uma ilusão difícil de sustentar. O 11 de Setembro despertou alguns dos piores instintos do nacionalismo americano (o zelo messiânico, o chauvinismo, a agressividade militar) e não é seguro que a acção dos tribunais e da imprensa livre chegue para corrigir os desmandos cometidos às ordens desta administração. Afinal de contas, Guantánamo está em funcionamento há mais de dois anos e só recentemente é que o Supremo Tribunal federal (repleto de juízes vitalícios nomeados por presidentes republicanos) se decidiu pronunciar sobre a situação dos “combatentes ilegais”. A imprensa de referência americana tem realizado uma cobertura notável destes casos, mas convém não sobreestimar o seu impacto e influência. O USA Today, os tablóides locais e a Fox News estão longe de partilhar as ansiedades da Susan Sontag ou do Michael Ignatieff acerca da “guerra ao terrorismo”.
Cá na paróquia, palpita-me que depois da batalha pela reabilitação do conceito de “guerra preventiva”, os nossos bushistas - ou, para citar o meu amigo Rui Tavares, o pessoal da “Direita Vida Soviética” - se estarão a preparar para, uma vez mais, justificar o injustificável. Só espero que não se lembrem de lançar o Movimento pela Dignificação da Tortura.
Na lógica de ping-pong em que todos nós acabamos por funcionar aqui na blogosfera, o Luciano classificou a aprovação da resolução do CS da ONU sobre o Iraque como uma “vitória política” de Bush (no que foi acompanhado pelo Le Monde). Não duvido que a Casa Branca tentará capitalizar ao máximo esta resolução, apresentado-a como uma legitimação da ocupação militar do Iraque. Mas, vitória política? Não foram figuras ligadas a esta administração que há um ano atrás decretaram a irrelevância das Nações Unidas (“Demos graças pela morte da ONU”, escreveu então Richard Perle)?
Acrescentarei apenas que me parece inteiramente certa a advertência feita há duas semanas por Joseph Cirincione e Anatole Lieven no IHT: sem uma renúncia categórica dos EUA à posse de uma base militar permanente no Iraque após 2005, as perspectivas de estabilização política no país e em toda a região envolvente serão pouco mais do que nulas.

Foi um dos grandes inventores da Soul Music, mas nenhum género musical importante lhe terá verdadeiramente escapado. Morreu ontem Ray Charles uma imagem de ternura e auto-ironia (fazia com frequência piadas engraçadíssimas com a sua própria condição de invisual) que deixa uma marca indelével na música popular planetária. O século XX está mesmo quase a acabar.
Do nosso santo Patrono, um apóstolo de antes da blogosfera de que se diz ter sido apedrejado até à morte em Chipre:
Sim, mas agora a sério: o que é que sabemos sobre o Evangelho segundo Barnabé?
Vindo do funeral de Sousa Franco e a caminho do funeral de Lino de Carvalho, acabei de assistir a uma morte de um homem anónimo (anónimo para mim, amado, seguramente, por muita gente). Foi na rua, à saída do cemitério dos Prazeres. O homem não aguentou o calor e a emoção.
Olhando para o homem, senti a fronteira. Antes e depois. O olhar para a mulher desconhecida que depois será… A notícia do filho que vai nascer que depois será… A conversa com quem ainda nem sabemos o nome que depois será… O coração que bate mais depressa e que pára e deixará de ser... Os dias seguintes para quem tem de carregar a memória. Depois, dizem, passa lentamente e o vazio arranja um lugar onde se instalar. Dizem que é assim. Que depois de cada fronteira virá sempre outra. Até à última.
Mas hoje apetecia-me ver uma coisa que me serenasse o espírito. Olhei para o Tejo, a ver se passava o desconforto. Mas nem o Tejo, que se vê da minha janela, apaga um dia tão pesado.
Hoje é dia de São Barnabé.
A nossa casa, a weblog.com.pt, fez ontem um ano. Concorreu com as multinacionais impessoais e distantes e ganhou. Obrigado, Paulo, está-se aqui muito bem.
«Não queremos nem devemos dramatizar, nem tão pouco fazer do Professor [Sousa Franco] um mártir, mas a verdade é que o Professor também deveria fazer parte das pessoas que não cuidava da sua saúde. Provavelmente, não media a tensão há muito tempo. A sua morte já estava prevista. (...) Ao mesmo tempo, estamos certos, esta foi a melhor e a mais eficiente forma do Professor dizer basta desta politiquice e dos politiqueiros que a alimentam».
Comunicado do PPM, enviado à Agência Lusa e assinado pelo mandatário nacional da lista, Carlos Ferreira, o dirigente monárquico Miguel Pignatelli Queiroz e os dois primeiros candidatos, Gonçalo da Câmara Pereira e Paulo Corte-Real.
Numa carta, em três pontos, enviada à Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, Almeida Rodrigues justifica a sua recusa para a realização dos arraiais populares na Rua da Mouraria e no Largo do Intendente.
O responsável da polícia diz que as áreas são zonas de risco e que os arraiais poderiam potenciar situações perigosas, mas numa tentativa de ser mais explícito, o comandante da Polícia Municipal afirma que os «habituais frequentadores da zona são na sua maioria de tez negro, toxicodependentes e pessoas que se prostituem. Estes indivíduos trazem consigo e põem em prática os usos e costumes de origem».
Almeida Rodrigues entende que a situação descrita aumentou a promiscuidade naquela zona da cidade e adianta que «estes indivíduos, constituindo-se em grupo, tiram daí a força, que conjugada com a sua formação e princípios étnicos que os levam a tomar atitudes de inconformidade a qualquer ordem dos agentes de serviço».
A carta diz ainda que estas situações já levaram a casos de conflitos e de detenções.
A TSF pediu ao próprio Almeida Rodrigues para explicar os argumentos de recusa aos arraiais populares, que referiu que já «houve vários problemas, com os nossos agentes a serem agredidos, por elementos desse género, das pessoas que circulam nesses locais».
Sobre a necessidade de a carta à Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural referir que a zona é frequentada por indivíduos de «tez negra», o responsável policial diz que «não há relevância. Foi só dizer que tipo de pessoas poderão circular e trazer algum problema na área».
«Se continuarmos só com música africana, vai chamar mais africanos para esse local, logo vai trazer mais problemas, em princípio. Poderá trazer mais problemas», continuou.
Ao ser questionado sobre se esta não seria uma abordagem racista ou xenófoba ao problema, Almeida Rodrigues sublinhou que refuta «qualquer ideia conexa a essa situação. Não me revejo numa situação dessas». TSF

Aos que o orgulho pátrio apagou da nossa história.
Hoje o Barnabé nasceu. Foi concebido há exactamente nove meses. E para festejar, o nosso primo Arrigo canta no Porto. As comemorações continuam amanhã, dia de São Barnabé.
A minha escola, uma instituição universitária francesa de investigação em ciências sociais, é um lugar extraordinário. Tem historiadores, sociólogos, antropólogos, filósofos, economistas, geógrafos, psicólogos e outra gente útil. Para nós é a escola, a École. O nome torna-se irónico: um lugar de alta especialização académica é descrito com o mesmo nome dum lugar do ensino primário. Há certamente muitas escolas que são tão boas ou melhores que a minha. Mas esta escola é especial, toda a gente que a conhece bem o reconhece. Nos últimos anos, tive a oportunidade de ouvir falar ali pesquisadores de uma qualidade excepcional, de diferentes tradições intelectuais, vindos dos vários continentes do mundo. É uma escola livre, onde se aprende sem que ninguém nos pergunte por que estamos ali, onde há tempo para pensar, onde a inscrição não é excessivamente cara, onde se fazem amigos de muitos países. Depois, tem os seus defeitos (se não, como é que podíamos gostar dela?). Falta de espaço, falta de computadores, falta de pessoal, café mau, alguns professores sem escrúpulos também. É uma escola cujo principal património é a cabeça das pessoas que lá andam. É um património imenso.
Nos últimos tempos, por afazeres profissionais, vou pouco aos seminários da minha escola. E, como a memória é fraca, esqueço-me do quanto ali aprendi nos últimos anos: um saber metodológico que, bem ou mal, tento aplicar nos meus trabalhos, um precioso saber gratuito que, bem ou mal, tento aplicar à vidinha. Lembrei-me disto de novo anteontem, depois de ir à escola ouvir falar um antropólogo, Fredrik Barth, norueguês, senhor com 50 anos de reflexão e trabalho de campo sobre as comunidades e as culturas humanas em vários pontos do mundo. E, no espaço de duas horas, uma cabeça que se põe a pensar à nossa frente e a dialogar connosco com inteligência, sabedoria e humor sobre a sua visão dessas culturas, dos grupos humanos que observou no Curdistão, no Irão, na fronteira entre o Paquistão e Afeganistão, em Oman. E que, nestes tempos de guerras de palavras, e de guerras reais nalgumas dessas mesmas regiões que estudou, critica sistematicamente a ideia de que existam pertenças e identidades étnicas e culturais fechadas e previamente definidas (um árabe não é apenas um árabe). Alguém que estuda e valoriza os contactos, os cruzamentos, as identidades em construção permanente. E que volta para a Noruega sorridente, enquanto, em cabeças apocalípticas, o mundo fica a rebentar graças à esquizofrenia constatada entre a sala de seminário da escola e o exterior, entre o tempo da reflexão académica e o tempo mediático. Mas desta esquizofrenia a minha escola não tem culpa: é apenas um sintoma; é só por ir lá pouco agora que a sinto.
Se um dia, por causa do aristocratismo intelectual ou da cegueira dos governos, a minha escola perdesse a sua vocação de escola que recebe estudantes e os integra em ambientes cosmopolitas de investigação, esse dia constituiria uma perda irreparável. Mas a sabedoria humana vai conseguir adiar sempre esse dia, e a minha escola continuará a ser a escola.
Antifascista e democrata, lutador comunista e homem de esquerda tolerante, foi um dos melhores deputados que este país conheceu. Vítima de doença grave e passando as últimas semanas a bater-se pela vida, Lino de Carvalho morreu hoje. Até amanhã, camarada.
Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-se em quatro zonas
instalados em poltronas
(…)
Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro de um canhão
e o trono é do charlatão.
Para o Barnabé a campanha também acabou.
Pelo Blasfémia, fiquei a saber que «toda a gente apoia a presença das forças americanas no Iraque com plena autonomia, excepto os unilateralistas do costume (Ana Gomes, Ferro Rodrigues, Daniel Oliveira e Zapatero)». Perguntará o caro leitor o que faço eu no meio de tão ilustres personagens. Não faço ideia, mas, como sou um tipo vaidoso, gostei do tratamento VIP e já me sentei no camarote.
Só que, num súbito e inesperado ataque de altruísmo, assustou-me esta ideia: a de que o meu caro leitor, não sendo a Ana Gomes nem o Ferro Rodrigues, não sendo eu próprio ou o próprio do Zapatero, e sendo contra a ocupação do Iraque (ainda mais com plena autonomia), esteja condenado a uma desconfortável inexistência. É que não sei se leu bem esta declaração bombástica: ««toda a gente apoia a presença das forças americanas no Iraque», menos três portugueses e um espanhol, já nomeados e sem substituição possível.
Incomoda-o? Vá-se queixar ao criador. Ou, claro, meta uma cunha a João Miranda para que ele o acrescente à lista. Mas escusa de se pôr aí com pedinchices. Lamento o seu súbito estado de imaterialidade, mas o meu lugar não cedo a ninguém. É aqui mesmo, ao lado do meu velho amigo Zapatinha.
As bandeiras portuguesas, vendidas no Continente, e que toda a gente anda a pendurar em todo o lado, têm, no lugar dos castelinhos, pagodes chineses. A mão-de-obra pode ser barata, mas o que é “made in china” deixa a sua marca. É a vingança do chinês.
«Esta campanha está 'futebolizada' num país que está, também ele, 'futebolizado'», Vasco Graça Moura.
Foto de ontem, numa oportuna visita, a meio da campanha em favor da lista de Graça Moura e a cinco dias das eleições. Na visita, Durão aproveitou para anunciar "bons" números da "recuperação" da economia.
«Como alguém que conhece o país, disse ao ouvido do seleccionador algumas das minhas opiniões, sobre questões da psicologia, da atitude». Durão Barroso depois de conversa com Scolari.
«Estamos em condições de garantir que a coligação vai ter uma grande vitória», Ribeiro e Castro.
«João de Deus Pinheiro é o Figo da política...» Mota Soares.
Já que toda a gente mete a mão na massa também vou mandar a minha posta de pescada sobre o "padeiro do bloco". Bater-lhes em quem? O que faz sentido é a leitura mais simples: o BE propagandeia a sua capacidade de fazer mossa no governo, que é um elemento que o eleitorado reconhece nele mais facilmente. Qualquer partido relembra na campanha os seus pontos supostamente fortes; o BE fá-lo dizendo: "fomos nós que os fizémos sofrer, premeiem-nos por isso". Não me parece que se trate de uma campanha anti-políticos porque esse seria um entorse na própria imagem pública do BE, que, convenhamos, não é um partido propriamente contra "a política". Uma conversa anti-políticos da parte do BE seria até ilegível nesta altura do campeonato e só lhes traria desvantagens. Então porque não votar branco, como diz o Saramago?
Esta conversa acerca do "bater-lhes" e do rolo da massa não teria aliás importância nenhuma se não tivesse sido necessária para equilibrar à esquerda a tese da "campanha de insultos". O Celso lembrou esse fenómeno aqui há dias. É dessa mesma forma que eu leio o artigo de Luciano Alvarez que iniciou a polémica, esse sim um texto anti-políticos: são todos iguais, vejam a baixaria. Que o Ivan, que se queixava ainda há poucas semanas de a esquerda ter perdido a capacidade de ser iconoclasta, se impressione com o padeiro e que o Pedro e o André aqui façam eco disso mesmo é que já me parece um bocadinho semiologia gasosa. Vocês, desculpem lá, mas seriam capazes de objectar ao "nó pasarán" em pleno 1936. Eu olho à minha volta e só vejo desempregados, endividados e um país sem esperança. O que é vocês querem que se faça ao governo? Vamos dar-lhes beijinhos?
Não só o rolo da massa do bloco não me faz qualquer impressão como acho que o PS deveria mesmo ter um rolo compressor. Este governo é tão francamente mau e tão visivelmente mau que deveria ter sido fácil ao maior partido da oposição estraçalhá-lo. Não foi, por culpas próprias e circunstâncias alheias. Estou grato ao BE por ter feito a maior parte desse trabalho. Estou consciente da necessidade do PS ganhar as eleições. Qualquer destes votos é, para mim, excelente.
Estamos a menos de uma semana da obrigação essa sim patriótica de dar uma enorme porradona neste governo. Porrada política; porrada eleitoral; porrada retórica; mas porrada na mesma. Devêmo-la aos nossos desempregados, aos que passam fome, aos que querem fazer investigação científica, aos que querem um país decente, a nós mesmos. Se agora o grande problema é o padeiro do bloco, então dá mesmo vontade de não votar em ninguém. Depois, se a maioria se ficar a rir, venham para aqui chorar como de costume.
Como sabes, escrevo de longe e daqui não vejo bem a campanha. Mas sinceramente não percebo por que raio é que a ausência de conteúdo e o nacionalismo bafiento dos outros há-de absolver o Bloco de críticas políticas com conteúdo.
Porque sou europeista, quero um presidente da Comissão Europeia que tenha ideias semelhantes às minhas, seja qual for a sua nacionalidade, e fico espantado com quem ache isto muito chocante. Mais: acho que os deputados portugueses na Europa devem alinhar com os deputados com quem têm afinidades políticas e recusar a ideia de que “o que é nacional é bom”. Enfim, não gosto de uniões nacionais. Para resumir, arrepio-me com estes sentimentos patrioteiros, bem traduzidos na triste expressão de Luís Figo: "a tua raça". Também não sou grande apreciador do dia da raça. E espanta-me não ver grande incómodo em relação a esta defesa da unanimidade nacional por parte de quem acha que as palavras são importantes mas parece não dar importância nenhuma aos conteúdos, mesmo quando cheiram ao mais bafiento dos nacionalismos apolíticos. Eu não quero que o meu voto sirva para eleger um presidente de uma comissão europeia, independentemente das suas ideias, só porque é português. E desconfio de quem me chama traidor por isso. Mas isto deve ser porque sou populista e quero agradar às massas.
Sousa Franco diz que Deus Pinheiro representa o PSD «histórico», «europeísta» e «pluralista».

Amanhã de manhã Vénus passa diante do sol. Vai passar devagarinho e só se digna a ser vista de novo daqui a 122 anos, altura em que somos capazes de já estar todos noutra. Para ver o fenómeno astronómico, o melhor a fazer é ir a um observatório e usar óculos especiais equipados com filtros para não dar cabo da retina. Esta é a explicação científica. Mas a explicação mítica, no fundo, é igual: a beleza de Vénus fere os olhos. Não se olha à vista desarmada para a filha de Zeus (segundo Homero) ou de Urano (segundo Hesíodo).
Dois magníficos textos do Ivan n'a Praia: um sobre Reagan e outro sobre o padeiro do Bloco de Esquerda, que subscrevo por inteiro.
E, por falar de Reagan, alguém me poderá indicar um linque para a short-story de J. G. Ballard, "I want to fuck Ronald Reagan" (1969)?

Há uns meses atrás, fiz um linque para uma recensão publicada por Kenneth Maxwell na revista Foreign Affairs sobre o livro The Pinochet File: a Declassified Dossier on Atrocity and Accountability, de Peter Kornbluh. Essa recensão motivou um carta zangada de William Rogers, secretário de Estado de Nixon à data do assassinato do general Schneider, e, aparentemente, uma série de telefonemas de Henry Kissinger para o editor da FA para garantir que Rogers ficaria com a última palavra na troca de cartas com Maxwell (toda a polémica aqui e aqui).
Kenneth Maxwell, grande historiador do Brasil colonial e da nossa Revolução dos Cravos, estava de saída do Council on Foreign Relations, a instituição que edita a Foreign Affairs, onde era senior fellow. Era também o responsável pelas recensões aos livros mais recentes sobre a América Latina na FA. A partir do Verão irá dirigir o centro de estudos latino-americanos David Rockfeller, na Universidade de Harvard, cargo para o qual estava nomeado antes da polémica assumir contornos mais desagradáveis. Não estamos perante um caso de censura (como aquele que terá tido lugar a semana passada no “farol da imprensa ocidental”), mas não deixa de ser curiosa a incomodidade que “o outro 11 de Setembro” continua a causar junto do establishment da política externa americana.
«O povo português tem perdido qualidade». José Manuel de Mello, empresário, ao DN.
Já há novos cartazes da Forca Portugal PPD/PSD-CDS/PP. A menina do cachecol foi obliterada e agora temos o cabeça de lista, João de Deus Pinheiro, ladeado pelos seus companheiros. À sua esquerda, Assunção Esteves, uma jurista que, em plena polémica da Casa Pia e depois de muitas promessas de "não se mudar as regras a meio do jogo", quis restringir a liberdade de imprensa. A motivação foi o escândalo das sucessivas quebras do segredo de justiça, com revelação de escutas telefónicas e de álbuns de reconhecimento fotográfico. O escândalo era compreensível, as limitações à liberdade de imprensa não, e o que não escapou a ninguém na altura foi que Assunção Esteves só se sobressaltou quando as revelações deixaram de atingir exclusivamente a oposição.
Do lado direito temos Vasco Graça Moura, um velho defensor da pena de morte. Pergunto-me sempre como é que os radicais anti-aborto do CDS/PP que estão também na lista admitem posições daquelas. Mas enfim, como dizia Caetano Veloso, isto há gente que vê "tanto espírito no feto e nenhum no marginal".

Peter Paul Rubens, retrato de Isabella Brant, sua primeira mulher. Cerca de 1620
Estive há dias a visitar Lille, cidade onde trabalhei este ano e que está a ser capital europeia da cultura. Em termos de grandes exposições, o prato forte é uma retrospectiva de Rubens. O mesmo acontece com Génova, que partilha com Lille a condição de capital cultural este ano e tem uma outra grande exposição sobre o pintor flamengo, "L'etá di Rubens". O percurso de Rubens, que passou vários anos enquanto jovem a pintar em Itália, trabalhando para as principais famílias das cidades italianas, é uma das coisas que une as duas cidades (melhor, as duas regiões, porque Rubens viveu sobretudo em Antuérpia, não em Lille). Une-as também o imenso império espanhol dos Áustrias, o espaço europeu de actuação do pintor, retratando os grandes de Espanha e os banqueiros genoveses de Filipe II, pintando para as igrejas flamengas e para os conventos de Madrid. Espaços históricos que, em exposições como esta, ainda hoje conseguimos ler por detrás das nações, esses breves capítulos da história europeia.
Lille 2004 não é só Rubens. Tem muita arte contemporânea, bonitas exposições de fotografia gratuitas em espaços como o Hospice Comtesse (hospital religioso construído no século XV), onde também se podem admirar os azulejos e comparar com os portugueses. Tem árvores invertidas na Grand Place, suspensas e com os troncos para o céu. Tem, em toda a área urbana, o projecto que parece especialmente interessante das "Maisons Folie", edifícios recuperados (por exemplo, uma antiga fábrica em Wazemmes) para espaço de intervenção artística e social em bairros socialmente deprimidos. E tem a própria cidade que exibe o seu rico (elegante colorido de burguês antigo) centro histórico de arquitectura flamenga, a comparar com a Bélgica e com a Holanda mais do que com a França. Há também uma grande fortificação militar que ficou por ver, a cidadela de Vauban, célebre engenheiro militar de Luís XIV. Sem esquecer, nunca esquecer, a bela cervejola (essa não ficou por beber).
P.S. Esqueci-me! Toca a despachar a comprar os bilhetes de avião, pessoal! O Rubens de Lille acaba daqui a uma semana! Já em Génova, a exposição está até dia 11 de Julho.


Durão Barroso: «precisamos de deputados que trabalhem com o governo e pelo interesse nacional e que não vão para o Parlamento Europeu fazer oposição».

Olhando para Chuck Norris até parece ter sido bom actor.
Olhando para George W. Bush até parece ter sido bom Presidente.
Morreu Ronald Reagan. Sinceramente e sem qualquer ironia, lamento. Até porque já não fazia mal a ninguém.
Durão Barroso foi vaiado pelo povo que estava na inauguração do metro do Porto no Estádio do Dragão – poucas semanas depois de uma colagem canina à vitória do Porto na Liga dos Campeões.
Depois do pioneirismo das vaias na inauguração do Estádio da Luz, aqui há uns meses, parece-me que quem está a ficar mal nesta história toda são os sportinguistas, os únicos adeptos dos três grandes que ainda não tiveram oportunidade de se demarcar deste governo. Eu, se fosse sportinguista como o Daniel Oliveira e o Pedro Oliveira, não deixava que esta vergonha durasse muito mais tempo.
"O sinal da diferença é a eleição directa de José Manuel Fernandes para o Parlamento Europeu", diz Ribeiro e Castro, da coligação Forca Portugal. Não, não se assustem. Apesar do ambiente lá no jornal, ainda não é desta que o nosso Fernandes leva a sua militância até às últimas consequências e muda de vida. Talvez se a Manuela lhe pedisse muito…
O citado Fernandes é outro, está em 12º lugar na lista da coligação e é Presidente da Câmara de Vila Verde. Para o eleger são precisos mais de 40% dos votos e uma larga maioria. Para prometer a sua eleição, basta uma visita a uma feira com muito sol na cabeça.
Para acabar com a má imagem da arbitragem em Portugal, proponho que os investigadores da PJ passem a ser nomeados pela Liga.
Tenho andado pelo país em afazeres políticos. Posso estar enganado, mas do que tenho visto e ouvido, parece-me que o PSD e o CDS já só podem almejar um objectivo: não ter o pior resultado de sempre desde o 25 de Abril. Recordo os piores: 33,69%, em 2001, com Ferreira do Amaral, e 34%, em 1975, somados os votos do PPD e do CDS.
A campanha da coligação PSD/CDS tem-se baseado apenas numa estratégia: lançar a confusão. Os insultos, associados a um candidato completamente vazio de conteúdo político, correspondem a um objectivo: aumentar ainda mais o desinteresse por estas eleições para assim as poder desvalorizar, generalizando a impopularidade do governo a toda a política. Perante o vazio do debate e uma abstenção elevadíssima, fica mais fácil minorar os estragos de uma derrota mais do que certa.
Conhecendo a dinâmica da comunicação social, a coisa fica muito simples: o que é mais picante vende mais e o que vende mais transforma-se rapidamente numa novela. Enquanto esta novela durar, a maioria é dispensada do debate político. A estratégia de vitimação de Sousa Franco ajuda mais um bocadinho, assim como ajudou a conversa esdrúxula sobre a ponte no dia 11 de Junho.
A comunicação social encarrega-se de fazer o resto da novela, ao mesmo tempo que a critica com ferocidade: os candidatos podem falar de milhares de coisas, que, antes de qualquer palavra, é-lhes pedido um comentário sobre o último episódio de cada novela. Depois, ao seguir a onda, é o próprio candidato que é criticado com violência pela comunicação social que exige então aos candidatos que falem de questões europeias. As mesmas questões que olimpicamente ignora com um longo e visível bocejo.
Por enquanto a estratégia da coligação e a dinâmica imparável da comunicação social tem resultado numa das piores campanhas de sempre: debates sobre coisa nenhuma, críticas políticas fortes metidas no mesmo saco que insultos físicos, limitando assim a clareza do debate, e desinteresse generalizado em relação a uma eleição que já está perdida pela direita.
800 militares vão fazer de figurantes no Euro 2004.

Nunca esqueceremos.

Clique na imagem para ler a história completa.
João de Deus Pinheiro: O Partido Popular sofreu uma evolução inteligente para uma visão moderna da Europa.
Seguindo a excelente ideia que foi o "Posto de Comando" do 25 de Abril, O Paulo Querido, o Nuno Ramos de Almeida, o Zé Nuno Pereira e outros amigos da bloga decidiram criar um blogue que vai ser uma fonte de informação e opinião indispensável sobre as eleições europeias. O Barnabé também se associa a esta iniciativa: as instruções para o fazer são fáceis e estão aqui.
Ter Voz nas Europeias recolherá a opinião publicada em todos os blogues, de qualquer quadrante político, que forem pingando os seus textos. Além disso centralizará notícias da imprensa e sondagens sobre as europeias.

Entretanto, a trepidante escuna do blof decidiu candidatar Harpo Marx ao Parlamento Europeu. De notar o correctíssimo desempenho do candidato na presente batalha de insultos.

Uma das coisas boas de se ser um caloiro de história durante a primeira Guerra do Golfo era chegar à aula de Cultura e Civilizações Pré-Clássicas pela manhã e ouvir falar acerca das mesmas cidades que víamos durante a noite nos telejornais. Francisco Caramelo, um dos mais atenciosos, inteligentes, e dedicados docentes daquela faculdade, ia falando sobre Ur, Babilónia e Niníve e sempre lembrando que se estudássemos melhor o que por ali se tinha passado três mil anos antes – sim, antes do islamismo – talvez conseguíssemos entender melhor os que se estava passando então. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas uma coisa é certa: a descoberta da epopeia de Gilgamesh que eu fiz naquela cadeira pode servir para enriquecer a visão não só daquilo que se passa ali hoje mas o que se passará sempre com os humanos em qualquer lugar.
O Pedro Oliveira já tinha falado do blogue 1001 orientes que Francisco Caramelo criou. Na altura eu deveria ter colocado o link ali na nossa lista, coisa que me escapou no meio de muitas obrigações. Hoje fui ver o blogue e vejo que conta também com a colaboração do Zoltán Biedermann, um especialista de outros orientes (o Sri Lanka) que eu conheci por internet numa lista de historiadores ainda antes de conhecer ao vivo e que escreve num português torrencial e divertidíssimo. Fica então o link e a recomendação. O professor que me desculpe este acesso de graxa fora de prazo que me deu hoje.
Microsoft ganha patente sobre o duplo-clique.

Em certo sentido, a minha adolescência começou com este álbum: Born in the USA, editado em 4 de Junho de 1984 (letras completas aqui). Entre os 13 e os 18 anos, a música de Springsteen proporcionou-me um escape para as minhas ansiedades e ajudou-me a lidar com a insegurança típica dessa idade. A Bruce Springsteen devo também uma boa parte do meu imaginário americano: as suas canções têm uma linguagem de tal forma cinematográfica que facilmente as imaginamos filmadas por um Coppola ou um Peter Bogdanovich.
Em 1984, Springsteen era já uma figura maior na música popular americana (em boa medida, graças ao seu inigualável carisma em palco), mas foi Born in the USA que o transformou num genuíno ícone americano. Para isso muito terá contribuído o notável trabalho de art design do álbum, da autoria da fotógrafa Annie Leibovitz. Born in the USA vem culminar a fase mais criativa de Springsteen: para trás tinham ficado 6 álbuns, quatro deles as suas obras-primas absolutas: Born to Run (1975), Darkness on the Edge of Town (1978), The River (1980) e Nebraska (1982). Os fãs mais exigentes consideram que a deriva de Springsteen para um estilo próximo do “rock FM” remonta precisamente a Born in the USA, mas, quanto a mim, essa é uma apreciação injusta. Admito que a introdução dos sintetizadores, por exemplo, não terá sido muito feliz, ou que algumas canções praticamente se resumem a um refrão monótono (“Cover Me”, “I’m going down”). Mas temas como “No Surrender” “I’m on Fire”, “Glory Days”, “Dowbound Train”, “Working on the Highway” ou “My Hometown” são Bruce vintage.
Born in the USA surgiu na ressaca da “Revolução Reagan”, um período marcado pela glorificação do capitalismo e do patriotismo exaltado. A administração Reagan presidiu a um aumento sem precedentes das desigualdes sociais na América, o que todavia não impediu que muitos trabalhadores de “colarinho azul” (os Joe Sixpack) votassem em massa no Partido Republicano. Muita gente viu em Springsteen uma espécie de arauto dessa gente, o cantor que dava voz ao sentimento de revolta dos veteranos do Vietname, alegadamente traídos pelo establishment “liberal” – ou seja, Springsteen (apelidado de “The Boss”) seria uma espécie de Rambo do rock’n’roll. Na campanha eleitoral de 1984, Reagan tentou colar-se descaradamente a “Born in the USA”, designando-o como um hino ao “redespertar” da América.
Ora, nada poderia ser mais falso. É verdade que Springsteen nunca assumiu as suas preferências partidárias, mas as letras de Born in the USA estão longe de celebrar os valores da América de Reagan. O sentimento de abandono e desespero que se abateu sobre muitas comunidades atingidas pela crise económica do início dos anos 80 estão presentes em várias canções, aliás, na sequência do que sucedia já no álbum anterior (Nebraska). Acima de tudo, elas exprimem uma profunda simpatia por todos os que falharam o sonho americano e sabem que não terão uma segunda oportunidade. Não é um álbum tão “negro” como Nebraska, mas temas como “Downbound Train” descrevem bem os horizontes estreitos da underclass ou a monotonia da “smalltown America”.
Eu tornei-me um devoto fanático de Bruce antes de me dar ao trabalho de ler as suas letras. Foi sobretudo a energia da sua música que me contagiou. Provavelmente, é isso que explica também que muitos patetas possam pular felizes ao som de “Born in the USA”, numa espécie de transe jingoista.
Não importa. Para mim, Bruce representará sempre a face mais generosa, humana e liberal da América. Comoveu-me imenso saber que canções como “Thunder Road” e “Born in the USA” foram tocadas nos funerais das vítimas do 11 de Setembro, ou que muitos dos bombeiros de New Jersey guardavam religiosamente os bilhetes dos concertos de Springsteen (o seu último álbum, The Rising, 2002, é talvez a primeira reflexão feita por um artista popular americano acerca do trauma do 11 de Setembro).
Ah, e há uns dias gostei imenso de saber que “No Surrender” é a canção favorita de John Kerry.
João de Deus Pinheiro:
«...o nível de debate está a "melhorar" e até já se estão "a debater ideias"».
«"Não resisto a dizer isto: já repararam que o telemóvel é a única coisa que os homens discutem entre si qual é o mais pequeno?"».
Pronto, ainda bem que já se estão a debater ideias.
Segundo a BBC World, George Tenet – o director da CIA que se demitiu ontem por razões pessoais – era uma das poucas pessoas no mundo que tinha de falar com George Bush todos os dias.
Seguindo uma sugestão do Fernando Martins, secundado por vários leitores, o título deste post foi alterado (passa a marujo, em vez de marinheiro).
Director da CIA apresenta demissão.
O Bloco de Esquerda exige saber qual a posição de Sousa Franco sobre o aborto. Será sobre a preocupante situação do aborto na União Europeia?
«General Wiranto deve responder perante justiça interna». Ali Alatas, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros indonésio e actual conselheiro de Megawati Sukarnoputri.Público (sem link).
Deus Pinheiro: "Não acredito na Virgem. Perdão!!! Acredito! Não acredito é que ela nos resolva os problemas".
A Capital: «Arqueólogo Francisco Alves livre de lenocínio por "ignorância".»
A Capital: «Prova Inequívoca. Carnaval brasileiro salva Herman José.»

Versão grande aqui.
João de Deus Pinheiro confessa gostar de «ouvir o conselho» de Cavaco Silva.
"Sorria, o mundo está vendo", pede Portugal a cidadãos.

Título d'A Capital: Euros falsos podem invadir Portugal.
Halle Berry confessa problemas de flatulência.
«Defendidas quotas para travar entrada de mulheres nos cursos de medicina.», in Público.
Lembro-me do alarme nas universidades americanas quando os asiáticos começaram a ocupar quase todas as licenciaturas relacionadas com matemática - o conhecimento nas mãos dos amarelos provocou um pânico mal disfarçado. Esta ainda é mais grotesca: medicina sem homens? so what? a testosterona tem poderes medicinais? As maravilhas da engenharia social também dão nisto. Criar um mundo melhor e mais justo não é torná-lo mais simétrico.
É unânime a constatação de que os portugueses vêem demasiada televisão. Este fim-de-semana, para variar, podíamos ir ver um pouco de Television. Em Serralves, no sábado.
"Nos quase quinze anos que levo de alta competição nunca vi nada assim: chegámos ao grau zero do futebol!". O internacional português Luís Figo não está com meias palavras. Em declarações exclusivas ao Barnabé na véspera da despedida da selecção portuguesa de futebol do estágio de Óbidos, Figo não poupou críticas e deixou vários recados. O desabafo da estrela do Real Madrid, afiança, nasce de uma tomada de consciência pessoal, mas que é partilhada por muitos outros jogadores: "Há muito tempo que havia uma degradação do nível discursivo que rodeia os jogos, com uma saturação das metáforas políticas empregues para descrever as partidas. De jornalistas televisivos a dirigentes, passando pela massa dos adeptos, todos as utilizam. Vocês sabem do que estou a falar. Todos os dias lemos nos jornais imagens como 'tipo de jogo demagógico' ou 'futebol anti-democrático'. Vejo golos descritos como 'verdadeiras pérolas de retórica dignas de Cícero', fala-se em decisões tácticas que são 'autênticos golpe de estado', todo o tipo de disparares". Mas a preparação para o Europeu, continua Figo, está a exceder todos os limites, com a mania a atingir também os jogadores: "tenho ouvido colegas, em debates às refeições, falar em 'soberania una e indivisível' da selecção nacional e em 'crise de legitimidade e de representação' para criticar lances individuais de certos jogadores." Interrogado sobre se considerava que o fenómeno era apenas português, Figo negou ao Barnabé a hipótese: "queria aqui desmentir categoricamente essa hipótese. No Real Madrid, por exemplo, a minha experiência é que o ambiente é muito parecido. E o mais deprimente foi ver, depois das derrotas nos últimos jogos, jogadores como Zidane, Beckham ou Ronaldo refugiarem-se em leituras compulsivas de Montesquieu, Hobbes e José Bonifácio de Andrada e Silva".
Apesar da contundência das suas afirmações, Figo não quis apresentar soluções: "Podia estar aqui a fazer promessas, mas penso que os portugueses já me conhecem. Este é um problema estrutural, que não se resolve de hoje para amanhã e cujos sinais estão aí para quem quiser ver. Todas as selecções estão a enveredar pelo mesmo caminho e qualquer dia o futebol deixa de ser um jogo. Mas mantenho a esperança que até ao Euro 2004, pelo menos na selecção portuguesa, a tendência se inverta". Instado a comentar as declarações do mais famoso jogador da selecção das quinas, Luís Filipe Scolari escusou-se gentilmente: "Não vou em futebóis", disse ao nosso blogue.
Gostaria de apresentar publicamente a Lei de Tavares das Campanhas Eleitorais.
Sempre, mas sempre sempre sempre que houver campanha eleitoral em Portugal algum comentador, jornalista ou político há-de escrever um texto cujo título seja Uma Campanha Alegre, do livro homónimo de Eça de Queirós. Não há excepções a esta lei.
Desta vez, a fava já saiu a Eduardo Prado Coelho.
Os portugueses tendem a olhar para as campanhas eleitorais como uma espécie de prolongamento desnecessário do carnaval. A que agora decorre começa a ser denominada como campanha do insulto numa generalização que retém uma imagem difusa à falta de outro interesse que o fenómeno possa suscitar. Se é verdade que todos os quadrantes parecem ter pouco para dizer aos portugueses, sobretudo sobre política europeia, também é verdade que, até agora, só vimos insultos vir de um lado: João Almeida referiu-se a Sousa Franco como um senhor careca com óculos esquisitos, Ana Manso falou dos defeitos físicos do cabeça de lista do PS como uma arruaceira e Paulo Portas disse que o mesmo era o gato e o piriquito do défice. Ao dar uma imagem de que há uma falta de nível geral na campanha, a imprensa devia tornar claro de onde partem os insultos, como já o devia ter feito nos insultos proferidos por Manuela Ferreira Leite e Telmo Correia ao deputado Eduardo Cabrita. Porque senão, a bem de uma neutralidade meramente formal, só se reforça a imagem de uma classe política que espelha o pior do país quando curiosamente (até estranho) a alarvidade tem vindo claramente de um dos campos ideológicos (longe vão os tempos do vigoroso Carlos Candal). O seu a seu dono, portanto.
Daqui a pouco vou poder debater, na Livraria Ler Devagar, a "Política e Weblogs", com o Pedro Mexia. É às 19.00 e o NECPRI da Universidade Nova de Lisboa, que organiza o debate, solicita a divulgação do acontecimento. Cá está.
Futuro Presidente do Iraque pede uma "soberania completa".
Os candidatos, os comentaristas e os directores de jornais estão todos muito preocupados com os insultos em campanha eleitoral. O Barnabé, que é um blogue com sentido de estado, também acha que os insultos são um sinal de degradação do espaço público e apoia o pacto de não-insulto que foi proposto para evitar esta triste situação.
Mas agora que ninguém nos lê quero fazer passar esta mensagem aos candidatos: essa história do pacto não é para levar a sério, pois não?
É que nós dizemos estas coisas mas gostamos que vocês se insultem.
Faz parte da tradição. Nós votamos em vocês mas vocês têm que nos divertir um bocado. Chamar uns nomes uns aos outros. Ofenderem-se. Responderem. Estamos em campanha eleitoral, caramba.
Não quero dizer que qualquer insulto seja aceitável, mas quase. É um bocado como costumo dizer aos comentadores aqui no Barnabé: insultem-se à vontade, mas com conteúdo. Dizer que Sousa Franco é surdo ou que tem uma orelha defeituosa é um insulto sem conteúdo político, ou melhor: é um insulto cujo conteúdo político é que a pessoa que o proferiu é uma idiota. Mas dizer que Sousa Franco é o "pai, a mãe, o gato e periquito do défice" é, apesar de todo o meu desdém por Paulo Portas, um excelente insulto.
Como é que se responde a um insulto? A um insulto sem conteúdo responde-se com o pior insulto, que é não responder. A um insulto com conteúdo responde-se com outro insulto com conteúdo. Sousa Franco deveria responder que Paulo Portas é tão bom em finanças que foi o gestor ideal que a Universidade Moderna pôde encontrar quando quis arruinar propositadamente uma empresa.
Estamos no desemprego. Temos pagamentos em atraso. A selecção não joga a ponta de um corno. Agora não nos queiram roubar mais isto.
Encontro de Xanana com Wiranto gera protestos.
...para o Menu das Cantinas do Tribunal de Torres Vedras e da PGR
Canja de Sapo
Sopa de Sapo
Sapo de Fricassé
Sapo com ovo a cavalo
Empadão de Sapo
Sapos vivos com arroz de tomate
Cabidela de Sapo
Mousse de Sapo
Pudim de Sapo
Sapo com chantilly
Bom apetite
Quando o processo da Casa Pia estiver terminado, o Procurador-Geral da República terá de responder perante o descalabro que foi a actuação de um Ministério Público em roda livre. Terá de justificar este processo incompetente, o amadorismo das investigações, as identificações feitas com os pés, a leviandade das actuações dos magistrados por si coordenados, a perturbação escusada e que, por vezes, pareceu ser irresponsavelmente deliberada, das instituições democráticas, as fugas permanentes de informação, as escutas ilegais e a sua divulgação, as listas de nomes que circularam nos jornais, as falhas permanentes na recolha de provas. Ou seja, depois deste processo estar terminado, se não conseguir explicar tudo muito bem explicado, Souto Moura tem de ser demitido.
Nos tempos de antena de uma organização neo-nazi fala-se de "grupos étnicos que promovem a insegurança", ao mesmo tempo que mostram grupos de negros. Tudo isto, em quatro canais de televisão. Independentemente de ninguém levar a sério estes grunhos, em Portugal são proibidas declarações racistas. Não se trata de censura. É proibido, da mesma maneira que é proibida a difamação. E a difamação generalizada contra uma raça, promovendo o ódio racial, é uma agressão a um grupo de pessoas. Espero que, depois das eleições (não lhe vamos dar visibilidade agora), alguém ponha estes débeis mentais em tribunal.