julho 31, 2004

Um túnel à medida de Santana

«Túnel do Marquês serve mais a saída do que a entrada em Lisboa», in Público.

Publicado por celsomartins em sábado 31 julho 23:57 | Comentários (13)

julho 30, 2004

Páginas amarelas

Vou à lista telefónica de Lisboa e por acaso encontro, entre os classificados, o título «Economistas». Está na p. 366, entre «Duplicadores — máquinas e acessórios» e «Editores». Uma vintena, poucos mas bons. Assaltado por um amanhã que canta vou logo até à letra «H» para procurar os «Historiadores», na p. 535, entre «Hipódromos» e «Holdings». Nada, nem um. E eu que já imaginava toda a gama de serviços que a classe poderia prestar à sociedade: «busca da diferença, tolerância», «perceber que o que hoje é natural dantes não era», «fantástico enriquecimento da capacidade crítica». E isto em qualquer época, à la carte, à vontade do freguês, segundo as regiões e os temas. Mas nada, ninguém.

Claro que também haveria os outros: os historiadores que legitimam, que naturalizam, que confortam os nossos preconceitos, que afunilam a capacidade crítica. Mas, pensando bem, esses não seria preciso ir procurar na lista, todos sabemos quem são.

Publicado por andrebelo em sexta-feira 30 julho 19:54 | Comentários (33)

Absolutamente necessário

«Todos os dias baixamos as nossas expectativas. Aceitamos hoje o que ontem jurávamos nunca aceitar.» José Pacheco Pereira, na TSF.
Pacheco Pereira às vezes confunde-me, outras desgosta-me. Mas faz muita falta.

Publicado por celsomartins em sexta-feira 30 julho 09:58 | Comentários (29)

Primeiro relatório

Aguentar uma máquina como o barnabé durante dois ou três dias faz me pensar em várias coisas: a primeira é que nunca tive tantas saudades do Daniel embora já tenha tido melhores razões para ter saudades dele; a segunda tem a ver com a ferocidade com que os leitores podem olhar para os blogers... com um instinto predador. Alguns comentários levam-me por vezes a imaginá-los num estádio a gritar DANIEL! DANIEL! de modo selvático. Esta seria a melhor oportunidade da minha vida para chamar a atenção sobre mim, mas se Luis XIV achava que o estado era ele e Flaubert dizia que a Ema afinal também era ele, eu só gostava de dizer que eu não sou o guarda barnabé...

Publicado por celsomartins em sexta-feira 30 julho 03:12 | Comentários (20)

julho 29, 2004

O ministério do fogo

Não consigo ver as imagens do fogo a atacar casas na serra do Algarve sem pensar em Paulo Portas e no seu ministério do mar que num minuto não existia e no seguinte apareceu repleto de mística e utilidade. Enquanto ele acabou de nos falar da água com um brilhozinho nos olhos, virado para o litoral, o fogo começou a exercer o seu sinistro ministério no interior. Nenhuma justificação climatérica e ecológica, social e económica, jurídica e criminal— todas existem — pode atenuar esta indignação que transmitem os que falam com conhecimento de causa: de um ano para o outro não se fez nada do que podia ter sido feito para atenuar estas catástrofes, prevenção e meios aéreos. Em vez de aviões, que temos de alugar, possuímos submarinos. Em vez de uma defesa contra os fogos, temos um exército de retórica de antigos combatentes. O resto é mato e esperar que as temperaturas baixem no dia seguinte. Em Penamacor há uns jovens desempregados a subirem, voluntários, à torre de menagem do velho castelo e que nos mostram o caminho que se devia seguir: reformular o conceito estratégico de defesa nacional para defender o território daquilo que o ameaça hoje. O futuro de Portugal é o turismo de modelo algarvio e as nuvens de fumo nas costas dos turistas.Enquanto tudo arde, Santana Lopes está a almoçar com Raffarin. Podem dizer que isto é tudo demagogia, mas tivessem as pessoas que estão a ver as suas casas a queimar pelo menos um governante a fazer qualquer coisa parecida com demagogia ao seu lado, uma demagogia de emergência que lhes desse esperança. Mas nem isso têm.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 29 julho 23:04 | Comentários (19)

Sofrer para mudar

Segundo o Público, Ron Reagan, filho de Ronald Reagan tem desenvolvido uma campanha pela utilização de células estaminais de embriões humanos na investigação das doenças de Parkinson e Alzheimer, no que é secundado pela mãe, Nancy. Ronald Reagan, que era um fervoroso opositor da despenalização do aborto, certamente não apoiaria a ideia, mas é nele - que durante anos sofreu de alzheimer - que está a origem de tão desempoeirado empenho. «Ron diz que os americanos têm de escolher entre o futuro e o passado, a razão e a ignorância, a verdadeira compaixão e a mera ignorância». Às vezes é preciso sofrer para abrir os olhos.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 29 julho 16:03 | Comentários (12)

Pagar para aprender

O advogado José Sá Fernandes vai processar o estado português por negligência em relação à prevenção de incêndios. De facto, depois de já ter ardido mais área florestal do que no ano passado na mesma altura, não há força da natureza que justifique tanta destruição. Um estado que poupa onde não deve tem de pagar para aprender.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 29 julho 13:48 | Comentários (27)

julho 28, 2004

Tudo extemporâneo, o amor e a polémica

Vim a fazer curvas depois do nó de Aljustrel e a habituar-me, enfim, ao mais recente do Caetano. Desculpa, bravo Celso, que bravamente aguentas este adormecido saloon (em padrões do faroeste). Mas em "A Foreign Sound" há três versões de canções sublimes, empolgantes, perigosas nas curvas de Aljustrel até Odemira : "It´s allright ma", de Bob Dylan, "Come as you are", de Kurt Cobain, e "Jamaica Farewell", de Lord Burgess. E há mais para descobrir, depois de a obsessão com estas me passar. Não é um disco apenas certinho, tem pérolas lá dentro. Convenço todos os barnabés que for preciso de que isto é dogma.

Publicado por andrebelo em quarta-feira 28 julho 18:57 | Comentários (14)

Casino virtual

Segundo o vereador da CML, Pedro Pinto, o famoso casino de Santana Lopes vai afinal para o Parque das Nações, para o Pavilhão da Realidade Virtual (há ironias assassinas). O casino animará assim uma zona da cidade que é hoje sobretudo uma área de lazer familiar e de habitação. As máfias chinesas já estarão à procura de apartamento?

Publicado por celsomartins em quarta-feira 28 julho 12:50 | Comentários (23)

julho 27, 2004

WPP

«Num ano internacionalmente dominado pela invasão do Iraque e pelos seus turbulentos desenvolvimentos, a fotografia vencedora do World Press Photo (WWP) teria que reflectir a centralidade deste acontecimento. O instantâneo do fotógrafo francês Jean Marc Bouju mostra um pai encapuzado consolando o filho num campo de concentração em Najaf. Pese embora a circunstância trágica a que se reporta, a fotografia conserva uma réstia de esperança e dignidade humana. A imagem é uma pietá, escolha que vem sendo hábito no certame, confirmando uma tradição compositiva anterior à fotografia mas fortemente enraizada numa perspectiva central do fotojornalismo: a do olhar humanista que não é indiferente ao objecto que captura.
Paradoxal é que, não obstante a enorme circulação do WPP, não serão estas as imagens que vão ficar na nossa memória daqui a uns anos quando pensarmos na segunda Guerra do Golfo, mas sim as cenas de tortura na prisão de Abu-Ghraib, reveladas já este ano, que lançaram um novo olhar sobre a pretensa superioridade moral americana e podem comprometer a reeleição do presidente. Essas imagens não quiseram ser denúncias e muito menos foto-jornalismo. Foram involuntárias fugas de informação numa conjuntura de censura de guerra. É uma ironia que só reforça a importância da presença da imagem na ecologia comunicativa contemporânea e na dificuldade de a controlar à medida que o seu acesso se democratiza de forma radical. Mas também por isso, o contraste com a fotografia de Bouju, que supõe um testemunho e um enquadramento ético, é evidente.» Para ver no CCB até 15 de Agosto.
P.S. Este post é um pequeno trecho de um artigo por mim publicado no último Expresso.

Publicado por celsomartins em terça-feira 27 julho 16:11 | Comentários (89)

julho 26, 2004

Como sempre

Já estão aí outra vez e não há nada a fazer. Ou havia?

Publicado por celsomartins em segunda-feira 26 julho 12:17 | Comentários (56)

julho 24, 2004

O meu hino

Confirmo que não há palavras. O Canto do Rio de Carlos Paredes é a música mais esperançosamente triste e alegre que existe.

Publicado por ruitavares em sábado 24 julho 14:32 | Comentários (18)

julho 23, 2004

Atenção Tondela e arredores

Não percam os Timbila Muzimba. Não tenho tempo para escrever mais. É um verdadeiro triunfo musical, uma orquestra moçambicana de uma potência impressionante. Não percam. Depois venham aqui contar como é que foi.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 23 julho 21:35 | Comentários (10)

Já Jacques Lacan dizia que a fantasia é a realidade

O blogue fantasia é assim: subir ali a rue de Rennes e pensar que há imensas coisas a dizer aqui para todo o mundo português via Barnabé. Mas quando se regressa e se desce ao blogue realidade (ali como quem desce a avenida Infante Santo) deixa-se de ter grande coisa para dizer. Depois volta-se para lá e volta-se a subir o mundo dos posts da rue de Rennes.

Publicado por andrebelo em sexta-feira 23 julho 21:33 | Comentários (3)

Carlos Paredes


Imagem roubada ao At-Tambur

Num mundo ideal, todos deveriamos ser como as músicas de Carlos Paredes. Ele definiu-nos, a nós portugueses, a nós humanos, como ninguém mais soube definir – só que em mais perfeito do que realmente somos. Aconteceu-me sempre que ouvi a música dele, em Portugal e fora: ver nascer as casas, o rio, árvores, emergir as coisas todas como se estivessem guardadas no sotão da mente e só aquela precisa sequência de notas tivesse o poder de desencadear as memórias reais e inventadas, com um carinho e uma saudade impensáveis por tudo.

Aviso desde já que não sinto exagero nisto que vou dizer a seguir. Pensei-o muitas vezes e só o diria sobre Carlos Paredes: nós fomos honrados por ter este génio entre nós. Para mim, está entre os grandes criadores, só comparável, nos portugueses, a Pessoa ou Camões.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 23 julho 13:44 | Comentários (101)

Traumatizados

Teresa Caeiro poderia acumular os ex-combatentes com as artes e espectáculos. Depois de dois anos de política cultural do PSD, entre os poucos sobreviventes não devem faltar traumatizados de guerra.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 23 julho 00:39 | Comentários (18)

Procura-se

Secretaria de Estado perdida ontem, por volta das 18 horas, entre São Bento e Belém. Esperam por ela duas secretárias solitárias, um presidente impaciente e um governo formado por uma corrente imparável de blind dates.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 23 julho 00:36 | Comentários (5)

Metodo Santana de escolha de secretários de estado

Andolitá-cara-de-amendoa-um-segredo-coloreto-quem-está-livre-livre-estará.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 23 julho 00:30 | Comentários (8)

julho 22, 2004

Quem procura porcos até as moitas lhe roncam

O PPM diz que o meu último Post revela machismo. Eu dei volta à prosa, examinei à lupa, virei ao contrário e, francamente, das duas uma, ou eu sou um machista subliminar ou o post é espelhado. PPM, não quer fazer o favor de me explicar onde é que está o machismo?

Publicado por celsomartins em quinta-feira 22 julho 16:52 | Comentários (22)

Momento Barnabé/CAIS

Bastou tomar posse o novo governo da direita. Já há um novo sem-abrigo nas ruas de Lisboa. O Barnabé apela à solidariedade dos seus leitores.

Por favor, dê um tecto a Luís Nobre Guedes.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 22 julho 03:34 | Comentários (22)

O brilho interior de Teresa Caeiro

Não duvido minimamente das capacidades de Teresa Caeiro: uma mulher que tanto está à vontade com os assuntos da defesa nacional como com as artes é certamente um espectáculo. Uma coisa me intriga, porém, na forma como os seus amigos do Acidental/PP nos lembram o seu currículo: para PPM, Teresa Caeiro terá sido uma brilhante governadora civil de Lisboa. Ora, isto é uma impossibilidade conceptual. Toda a gente sabe que não se pode ser brilhante e governadora civil ao mesmo tempo - a função não o permite. Oxalá seja uma «incansável, impecável, excepcional» Secretária de Estado das Artes e do Espectáculo. Com mais arte e menos espectáculo, de preferência.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 22 julho 02:48 | Comentários (22)

julho 21, 2004

É um espectáculo!

Lá foram nomeados e tomaram posse os secretários de estado, não exactamente os mesmos nem na mesma ordem, mas enfim. Também não são menos do que no anterior governo conforme fora prometido, mas enfim. Também não há muitos que sejam de fora de Lisboa, mas como agora há Diogo Feio que vem do Acidental é quase como se fosse de fora do sistema solar. Também há pouquíssimas mulheres, mas temos Teresa Caeiro que vale por duas.

A propósito: o Acidental garante que esta última "vai ser certamente uma excepcional secretária de Estado Adjunta da Defesa e dos Antigos Combatentes". E já está ser absolutamente excepcional, meus caros. Eu também acho que enquanto Secretária de Estado das Artes e dos Espectáculos Teresa Caeiro será certamente a melhor secretária de Estado Adjunta da Defesa e dos Antigos Combatentes que alguma vez tivemos.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 21 julho 23:41 | Comentários (17)

Com o devido desconto: alarmante mas não catastrófica

Carmona Rodrigues diz que a situação financeira deixada por Santana Lopes na Câmara de Lisboa é "preocupante, mas não alarmante".

Publicado por ruitavares em quarta-feira 21 julho 23:24 | Comentários (10)

Ai que esquecidos!

A direitona finge andar muito escandalizada com as reacções da esquerda à decisão de Jorge Sampaio de nomear Santana Lopes primeiro ministro. Nas duas semanas que entretanto passaram, a descrição dessas reacções têm sido cada vez mais exageradas.

E no entanto. Lembram-se de Paulo Portas falar numa "sabotagem pela retaguarda" por parte do PR? E da leitura truncada dos discursos de Jorge Sampaio? E da manchete do Público que garantia que Pedro Santana Lopes preparava uma estratégia de vitimização contra Sampaio? E de Alberto João Jardim afirmar que o PSD não deveria ir a votos se houvesse eleições para "descredibilizar de uma vez por todas o sistema"?

Já não se lembram? Têm alguma dúvida da barragem de bílis em roda livre se a decisão tivesse sido outra? Será preciso um gajo ir buscar os recortes de jornais? É que vocês agora estão tão santinhos...

Publicado por ruitavares em quarta-feira 21 julho 23:18 | Comentários (6)

Biodiversidade

Aquilo a que se costuma chamar a esquerda do PS (a designação dava um longo post para o qual não tenho tempo agora) cerrou fileiras para apresentar uma moção ao congresso e garante que apresentará um candidato à liderança. Parece-me uma optima notícia. Que a crise sirva para clarificar. Essa área política tem algumas personalidades de grande valor e esta pode ser a oportunidade para pessoas realmente credíveis - estou a pensar em Augusto Santos Silva ou João Cravinho, muito especificamente - assumirem responsabilidades e fazerem-nos esquecer os nomes que primeiro foram avançados como hipóteses dessa sensibilidade.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 21 julho 18:18 | Comentários (17)

Faça-se justiça

Afinal Luis Nobre Guedes sempre tem qualquer coisa a ver com o ambiente. Faça-se justiça.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 21 julho 15:46 | Comentários (11)

julho 20, 2004

A ferrugem nunca dorme

Fiéis barnabitas: o que temos aqui abaixo é um acto de sacrifício pela blogosfera.

Aqui há uns dias, o Daniel enviou-me um SMS de férias para publicação no Barnabé. O tom era o que podem ler abaixo: não quero saber, estou de férias, o país que se resolva sozinho. Sustive a publicação, achando tudo aquilo um exagero, temendo pela sanidade do meu amigo, desconfiado até de que lhe pudessem ter roubado o telemóvel (apenas pela 385ª vez) só para "sabotar pela retaguarda" o Barnabé.

Hoje recebi três SMS do velho Daniel Oliveira. Voltou ao normal.

Que isto fique bem claro: o sacrifício de que falo não é dele. Ele gosta disto. O sacrifício é meu, que sou despertado no Ribatejo profundo e obrigado a perder a concentração na tese para transcrever SMS e publicá-los numa conexão de banda mais estreita que um corredor na faixa de Gaza em dia de ataque do Tsahal.

Um dia a blogosfera, em reconhecimento pelos serviços prestados, poderia juntar-se para oferecer um PDA ao Daniel. Enquanto isso não acontece, fica a nota: o Barnabé até pode ir de férias, mas não dorme. Nunca. Vão passando por aqui que a gente vai-se falando.

Publicado por ruitavares em terça-feira 20 julho 18:00 | Comentários (15)

Continuidade?

"Este governo não tem que responder pelas insuficiências do anterior".

Morais Sarmento, num ataque de esquizofrenia explica o óbvio, o que já era previsível, a Sampaio.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 20 julho 17:58 | Comentários (5)

Defesa do consumidor

Esperemos que a ala esquerda do PS vá a congresso. Que perca, mas que o centrão não possa vender gato por lebre.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 20 julho 17:54 | Comentários (15)

O preço do crime

Arafat é um corrupto. Com a política de terra queimada e destruição da mais evoluída das sociedade árabes, os israelitas fizeram com que todas as alternativas fossem hoje piores. Se Arafat cai ainda vão ter saudades.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 20 julho 17:53 | Comentários (26)

Por SMS

Estou de férias. Não vejo telejornais. Não leio jornais. Não tenho Primeiro-Ministro. Visto daqui o país parece maravilhoso. Regresso daqui a 15 dias. Resolvam a confusão até eu voltar, se faz favor.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 20 julho 17:48 | Comentários (14)

O governo de Nostradamus

No debate da SIC Notícias de há bocado foi visível a dificuldade dos representantes da maioria em justificar a orgânica do novo governo. Uma entre muitas:Pedro Mota Soares chegou a sugerir que o mais importante na decisão de fazer migrar os ministérios era dar uma indicação de vontade de descentralização e não enunciar algo que se devia aplicar necessariamente nos próximos dois anos. Isto, sim, é ambição, um governo que durará dois anos que em vez de medidas toma profecias. Nem Nostradamus…

Publicado por celsomartins em terça-feira 20 julho 01:59 | Comentários (11)

julho 18, 2004

A culpa é sempre do mordomo

A RTP2 acabou de noticiar que o relatório Butler foi, afinal, suavizado de forma a não atingir o governo de Tony Blair. Não era preciso dizer-nos. O relatório era tão subserviente que isso estava à vista de toda a gente. Para a próxima vez que for preciso ilibar Tony Blair (e sem dúvida que vai ser preciso "ilibá-lo" várias vezes nos próximos tempos) o Barnabé propõe uma versão portuguesa, o "Relatório Mordomo". Artigo único:

Todo o país tem armas de destruição em massa até ao momento em que tenha sido invadido e ocupado e a situação se deteriore tanto que deixe de ser importante saber se ele tinha ou não armas de destruição em massa.

Publicado por ruitavares em domingo 18 julho 22:34 | Comentários (24)

Oh mar

O alinhamento de notícias nos telejornais proporcionou-nos hoje um momento impagável. Primeiro, vimos Paulo Portas a abrir a boca de espanto ao saber que o seu ministério passava a incluir os "Assuntos do Mar".

Numa segunda notícia vimos Paulo Portas num comício na Madeira, já recomposto da surpresa, senhor da situação, de olhos faíscantes, garantido aos presentes que "muitos países gostariam de ter o mar que Portugal tem". E explicando como no mar é que está o futuro. Faltou aquela quadra que as crianças recitam quando não têm paciência para fazer rimas:

Ó mar, ó mar, ó mar... Ó mar, ó mar, ó mar. Ó mar, ó mar, ó mar, Ó mar, ó mar, ó mar!

Publicado por ruitavares em domingo 18 julho 22:25 | Comentários (13)

A volta à Gália

O "tour" deste ano teve ontem a sua etapa mais espectacular desde o início. Nunca liguei muito ao ciclismo, mas agora gosto de ver. Para quem gosta de uma boa competição, não há dúvida de que se trata de uma corrida espectacular, sobretudo as etapas de montanha. Todos os anos lá vem Lance Armstrong ganhar nas barbas dos franceses. Que se resignam, porque ele é de facto o melhor. Ajudado por um português humilde, esforçado, discreto e fantástico: José Azevedo. Este corre na equipa de Armstrong, a US Postal, onde há um jogo colectivo implacável (como aliás em todas as equipas) que obriga todos os outros, por melhores que sejam, ao culto do líder. Pobre Azevedo que carrega Armstrong ao lombo quase até lá acima e depois de tanto trabalho, fatigado, regressa ao anonimato. Não se arranja uma comenda para este grandíssimo corredor de montanha? Mas Armstrong é excelente e caminha possivelmente para um record absoluto, a sexta vitória consecutiva, nas barbas dos franceses. Ontem impôs-se na segunda etapa dos Pirinéus, deixando mais uma vez todos os rivais para trás na subida final, excepto um jovem italiano, Ivan Basso. Restou uma consolação aos comentadores da televisão francesa: o lourinho alsaciano com cara de menino, Thomas Voeckler, ainda conseguiu aguentar mais uns dias a camisola amarela. Toda a gente sabe que ele a vai perder mais dia menos dia ( se não for antes, nos Alpes acaba-se a brincadeira), mas bate-se, dá tudo o que tem e no fim surpreende e consegue aguentar-se mais um dia.

Se o "doping" quase acabou com ele, o "tour" consegue hoje aguentar-se como espectáculo e não é nada sem a televisão. Câmaras por tudo quanto é lado dão o geral e o pormenor, acompanham as fugas em directo, mostram o esforço sobrehumano dos heróis, a cara em primeiro plano do cansaço extremo, o drama da queda e do abandono, a glória da chegada e da vitória. E fazem a volta rústica do país de Astérix e Obélix, mostrando e contando aos franceses as suas belezas fora da cidade, a nostalgia do mundo dos campos, a antiguidade dos monumentos, o bom queijo e o bom vinho, as anedotas históricas. Encenam com "a grande boucle" uma utópica unidade da França, sem poluição, problemas ou conflitos.

Publicado por andrebelo em domingo 18 julho 12:12 | Comentários (13)

Os aparelhos dos hegemónicos

Mário Mesquita, um dos meus comentadores preferidos, hoje no Público:

"No nosso Portugal democrático, a direita política, associada à direita dos negócios, exerce uma inquestionável hegemonia política e institucional. Não se limita, aliás, a impor respeito aos Presidentes e a manobrar os governantes. Alarga a sua influência à própria oposição - e tem a sua palavra a dizer, com peso considerável, na designação do secretário-geral do PS. Sem a caução do "velho" Portugal das boas "famílias", a oposição socialista não se assume como alternativa de governo."

Despudoradas frases. Deve ser pelo desplante com que se fazem afirmações destas que depois nos agitam o espantalho da "hegemonia cultural da esquerda". É uma "hegemonia", com efeito, que só pode escandalizar. Chama-se "hegemonia" por contraste: contrasta com a facilidade com que as outras foram obtidas e esta não, é a guerra que tem faltado ganhar ao longo dos anos, que nunca está ganha, que talvez não possa ser ganha. Mas "quid juris"? Com que direito, com que impunidade é que o Mário Mesquita nos vem dizer isto agora com esta limpidez? Foi acaso designado sucessor por alguém eleito?

Publicado por andrebelo em domingo 18 julho 11:21 | Comentários (3)

As santanetes são como os rabanetes

Não concordo com 60% do texto de Inês Pedrosa na «Única» desta semana, mas num ponto tem toda a razão: a esquerda não pode ancorar a sua oposição ao novo primeiro-ministro com base nas opções que faz para a sua vida privada. Eu que sempre tomei a designação «esquerda Lux» ou «esquerda caviar» como uma calúnia vejo com muito maus olhos a ideia de estabelecer uma plataforma crítica da actuação política de alguém com base no facto de essa pessoa gostar de sair à noite ou de trocar de namorada com frequência. Com essa instabilidade posso eu bem. Era miúdo e já achava repelente a campanha difamatória movida contra Sá Carneiro por causa da sua relação com Snu Abecassis. Em boa hora Soares se retratou da sua participação nessa infâmia. A esquerda a que eu pertenço não se revê nessa cultura. Esse discurso é de um enorme moralismo. É reaccionário. É certo que a vacuidade do discurso político de Santana Lopes facilita a tentativa de preencher o vazio com aspectos caricaturais, e todos nós já brincámos em privado com as idiossincracias de Santana e de todos os outros. Não tenciono juntar essas características ao meu argumentário político. Mas se se pode perceber a tentação de trazer esse assunto à baila no fervor do combate político, é muito menos aceitável que um jornalista interpele uma apoiante natural de Santana Lopes – como aconteceu na SIC com Margarida Prieto – insinuando que ela é uma santanete. São estas parvoíces que permitem a certas pessoas proclamar que há uma «maioria» cultural de esquerda nos media. Era bom que não fosse por estes motivos que eles tivessem razão.

Publicado por celsomartins em domingo 18 julho 02:14 | Comentários (29)

julho 17, 2004

Génova por Bénard da Costa

João Bénard da Costa descobriu Génova e começou a pintá-la como só ele sabe. Via Garibaldi: "nas ruas angustiantes, olhamos para as casas altíssimas que se comprimem e dilatam, como se estivéssemos no fundo de um navio de que as casas fossem as velas desfraldadas".

Publicado por andrebelo em sábado 17 julho 11:07 | Comentários (4)

julho 16, 2004

Então e as santanettes?

Olha, é estranho que com um PM conhecido por ter tanto apoio entre o eleitorado feminino só tenham sido nomeadas para o governo três ministras. Sim senhor, grande esforço. São menos do que os CDS.

Pelos vistos, deve ser mais difícil arranjar mulheres para o governo do que mudar uns quantos ministérios de cidade e ligá-los pela internet.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 16 julho 22:26 | Comentários (19)

Arrifana, Ribatejo: apreciação definitiva ao novo governo

– Atão, chefe, há novidades?
– Há, sim senhor... novidades velhas.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 16 julho 22:17 | Comentários (1)

Carlos Magno também já fez muitas análises brilhantes, só que não foram detectáveis

"Acho que [o Governo de Santana Lopes] marca a diferença [em relação ao governo de Durão Barroso] em muitos pontos, só que eles não são ainda detectáveis."

Carlos Magno, RTP1.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 16 julho 22:09 | Comentários (9)

Exame escrito

Quando terminei a minha última frequência, em 1994, pousei a caneta e pensei que, depois de dezasseis anos de estudo, iria finalmente ser apenas avaliado por trabalhos onde responderia às questões que eu mesmo escolhesse. Agora João Marques de Almeida intima-me a responder a uma série de perguntas e eu, para dar uma mãozinha à subida na qualidade do debate d'O Acidental, que bem precisa, e apesar da maior parte destas respostas já ter sido dada nos próprios comentários a este meu post, acedo.

Uma "obra menor" não é necessariamente uma obra má. Pode até ser-se um apreciador de "obras menores".

Mas A Democracia na América é, para mim, uma obra cheia de defeitos e está certamente a léguas (a muitas muitas léguas) do carácter sacrossanto que tem ganho para os americanófilos mais acríticos. Ao contrário d'O Antigo Regime e a Revolução, onde Tocqueville propõe uma leitura (à época e, de certa forma, ainda hoje) contra-intuitiva do período histórico a que se dedica, e essa leitura contra-intuitiva se aguenta extremamente bem por virtude da sua solidez teórica, a Democracia na América não tem de todo, – para utilizar um santanismo –, a mesma "elegância". Além do excesso de opiniões preconcebidas tão típicas dos "tratados" da época (os aristocratas isto, os servidores aquilo, os burgueses aqueloutro), por vezes contraditórias entre si, os dois volumes têm, ao contrário do mito "profético" sobre a obra, um bom número de previsões erradas que nunca são citadas pelos seus defensores, mesmo quando por vezes fazem parte de argumentos centrais. Só para citar um exemplo, era suposto que nos EUA o crime se tornasse desnecessário e a violência "privada" quase inexistente.

Sem ser exaustivo, há dois aspectos da obra que, embora centrais, foram menorizados por razões políticas. Em primeiro lugar, a precedência da igualdade em relação à liberdade:

Je pense que les peuples démocratiques ont un goût naturel pour la liberté; livrés à eux-mêmes, ils la cherchent, ils l'aiment, et ils ne voient qu'avec douleur qu'on les écarte. Mais ils ont pour l'égalité une passion ardente, insatiable, éternelle, invincible; ils veulent l'égalité dans la liberté, et, s'ils ne peuvent l'obtenir, ils la veulent encore dans l'esclavage. Ils souffriront la pauvreté, l'asservissement, la barbarie, mais ils ne souffriront pas l'aristocratie. ["Pourquoi les peuples démocratiques montrent un amour plus ardent et plus durable pour l'égalité que pour la liberté", vol. 2]

Eu sei que se pode dizer que esta igualdade é apenas igualdade perante a lei, ou a "igualdade dos pioneiros", ou qualquer outra que não aquela que os "liberais" abominam. Mas não é só. Neste livro, escrito por um francês para franceses, e a pensar na Revolução Francesa, esta "igualdade" é acima de tudo a igualdade da Revolução Francesa, entendida como desempenhando o papel central no edifício político em detrimento até da liberdade, como vemos na citação acima. Mesmo sem nos perguntarmos como pôde Tocqueville compatibilizar esta opinião com a existência da escravatura para uma parcela considerável da população (não a escravização igualitária de que fala – e elogia – nesta passagem), não é difícil ver porque é que esta igualdade "francesa" é de interpretação espinhosa para os americanófilos actuais, sejam de inclinação "liberal" ou neo-conservadora.

Em segundo lugar, não esqueçamos que a América sobre que escreveu Tocqueville ou não existia verdadeiramente ou não durou muito. Essa América era uma federação de tal forma flexível que permitiria a secessão de estados. Passado umas décadas, a Guerra Civil (por boas ou más razões) acabou brutalmente com essas ilusões, e provocou no processo umas dez vezes mais de mortos do que o Terror francês. Por coincidência, os neo-conservadores usam Lincoln como um exemplo do presidente que Bush deveria ser (isto até seria divertido se não fosse triste) porque Lincoln não hesitou em desrespeitar a Constituição e a Lei para impôr aquilo que considerava ser o Bem, ou seja, por ter sido o carrasco (mais uma vez, por boas ou más razões) do espírito que Tocqueville descreveu na sua obra. Não sei como é que compatibilizam isso, mas imagino que para gente que compatibilizou a existência virtual de AMD no Iraque com a sua não-existência real, isto seja uma questão de somenos.

Já agora: a América de Tocqueville também era uma federação de estados firmemente refractários à qualquer tipo de dominação colonial, e não a união que viria ainda no século XIX a invadir praticamente metade do México, anexar o Hawaii, e colonizar as Filipinas – as primeiras entradas de uma longa lista de invasões e ingerências, como sabemos. Os americanos mais fiéis ao espírito inicial, como Mark Twain, David Thoreau ou Walt Whitman, sentiram-no e denunciaram imediatamente essa prepotência e notaram como ela contradizia os escritos dos "pais fundadores".

O Luciano Amaral notou ali nos comentários que A Democracia era uma obra atravessada por uma tensão fundamental entre liberdade e democracia. E que Tocqueville temia uma queda dos EUA no despotismo, o que até possibilitaria uma leitura de esquerda da história americana a partir da sua obra. Pode ser que sim; mas como vemos a sua obra tanto permite tanto uma leitura de esquerda como praticamente qualquer outra, – só que, infelizmente, isso acontece por causa dos seus defeitos e não das suas qualidades. Quanto à "tensão fundamental", há muitas outras obras que a descrevem melhor, e tal como escrevi então, basta uma comparação com Os Limites da Acção do Estado de Wilhelm von Humboldt para eclipsar A democracia de Tocqueville.

Finalmente, devo dizer que não gosto de obras que proclamam a propensão quase-natural de povos para a servidão ou a liberdade, a eficiência ou a corrupção, a riqueza ou a pobreza. E que acho o apego a algumas dessas obras tocante, mas pouco racional. Um exemplo, que eu considero ainda mais patético da adoração irracional a uma obra: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber.

– olha, nem sabia que se podia falar mal d'A Ética Protestante e não ser fulminado por um raio –

Bem. Quanto à última pergunta: Leo Strauss foi professor em sentido estricto de Allen Bloom (uma figura central nas "guerras culturais" reaganianas que é o "Ravelstein" do romance homónimo de Saul Bellow), Carnes Lord e Paul Wolfowitz. Em sentido lato, é considerado uma referência pelos Kristol (William e Irving) e por Richard Perle, entre outros. Eu não "critiquei" Leo Strauss por ter sido mestre desta gente, o que eu disse foi que o facto de ele o ter sido não diminuía a admiração que por ele tinha enquanto um historiador da filosofia extremamente sagaz. Veja, por exemplo, aqui.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 16 julho 21:44 | Comentários (5)

Ponto de ordem

Com todos os defeitos que por vezes lhes são apontados, as caixas de comentários têm várias virtudes. A que mais me agrada (e que a troca de emails privados não tem hipótese de emular) é a possibilidade de prosseguir indefinidamente o debate público de uma questão entre as pessoas a quem o tema interessa, sem sobrepovoar a "primeira página" do blogue. Quem está interessado pode ir seguindo mesmo sem participar, quem não está interessado não é incomodado. Ora aqui existe uma assimetria, por vezes inconveniente, entre os blogues que têm comentários e os que não têm. Ao passo que os autores de blogues sem comentários podem polemizar nos seus próprios blogues ou na caixa de comentários dos outros, o que acontece frequentemente, já não é a primeira vez que me vejo impossibilitado de responder em polémicas com outros blogues sem ter de encher a "primeira página" do Barnabé com temas que, pela extensão e nível de detalhe que podem adquirir depois de duas ou três réplicas, podem ou não interessar à (ou sequer ser compreendidos pela) maior parte dos leitores.

De forma que, ressalvando que concordo que os donos dos outros blogues têm todo o direito a escolher ter ou não comentários, quero usar este post para informar que passarei por vezes a responder a polémicas na própria caixa de comentários do post do Barnabé que lhes deu origem. Faço-o porque sei que às vezes as pessoas vêm aqui à procura de resposta, e a partir de agora sabem que podem ter mais um lugar onde procurar. Obrigado pela atenção.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 16 julho 21:42 | Comentários (5)

Governo

Portugal joga, a partir de hoje, com a equipa B.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 20:24 | Comentários (9)

Façam as malas

Telmo Correia > Faro
Álvaro Barreto > Porto

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 20:18 | Comentários (6)

Cultura em restauro

Não ponho em causa o trabalho de Maria João Bustorff à frente da Fundação Ricardo Espírito Santo. Mas a escolha de uma pessoa ligada ao restauro diz muito do que vai ser a política cultural deste governo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 20:09 | Comentários (10)

Viva o governo

Com este governo, onde há tanta gente que nada tem a ver com as pastas que ocupa, não nos vamos aborrecer. Fernando Negrão na segurança social, Bagão Félix nas finanças, Telmo Correia no Turismo... Além de vários ilustres desconhecidos que vêm de lado nenhum e chegam a pastas que lhes são completamente estranhas. Não é todos os dias que uma anedota é promovida a órgão de soberania. Adoro o meu País.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 20:06 | Comentários (8)

A sorte grande

Se houvesse eleições agora, era bem provável que o CDS tivesse mais ministros que deputados.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 20:02 | Comentários (9)

Cada um é para o que nasce

Telmo Correia vai dedicar-se ao Turismo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:57 | Comentários (6)

O governo que ia ser credível

Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes.
Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto.
Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas.
Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento.
Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix.
Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: António Monteiro.
Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches.
Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut.
Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco.
Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves.
Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra.
Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho.
Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira.
Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão.
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia.
Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva.
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes.
Ministro do Turismo: Telmo Correia.
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves.
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva.
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:54 | Comentários (14)

Tudo ao molho e fé em Deus

Fernando Negrão é Ministro da Segurança Social.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:52 | Comentários (4)

Mas ele chegou a entrar?

Pedro Roseta vai sair do Ministério da Cultura.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:38 | Comentários (5)

Já deram o primeiro passo para cumprir a sua promessa

Proposta do programa eleitoral do CDS/PP para o ambiente: a extinção do Ministério do Ambiente.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:11 | Comentários (5)

E você, não quer ser ministro?

Se qualquer um pode...

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:05 | Comentários (4)

Foi por sorteio?

Morais Sarmentos, José Luís Arnaut, Luís Filipe Pereira, Maria da Graça Carvalho ficam no governo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 19:02 | Comentários (4)

Para lá da esquerda e da direita

Pelo menos numa coisa concordo com MacGuffin: também não vou à bola com Neruda. E pelas mesmas razões.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 18:03 | Comentários (8)

E vocalista dos Beatles...

«Vou ser secretário-geral do PS» João Soares, ao "O Independente"

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 17:52 | Comentários (15)

Um especialista

Luís Nobre Guedes é o novo ministro do ambiente.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 17:07 | Comentários (19)

Tudo dito

Por Miguel Sousa Tavares

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 16:01 | Comentários (18)

A herança de Ferro

Falemos então de conteúdo político: Ferro Rodrigues fez com que o PS mudasse de posição sobre o Pacto de Estabilidade e Crescimento, levou o PS a opor-se à guerra do Iraque, fez com que o PS passasse a ter uma posição clara sobre a legalização do aborto, apoiou uma greve geral contra o pacote laboral em que a UGT não alinhou, clarificou o discurso socialista sobre as minorias e, ainda ministro, criou o Rendimento Mínimo Garantido, uma das poucas coroas de glória do consulado guterrista. Ou seja, Ferro Rodrigues alinhou o PS com a maioria dos partidos socialistas europeus.

É disto que se deve falar quando se fala da sucessão de Ferro Rodrigues por José Sócrates. Ferro era inábil e pouco dotado para a oratória? Claro que era. Era mesmo quase um amador. José Sócrates fala muito bem, mesmo quando não chega a dizer nada? Sim. Mas para quem se situe na esquerda do PS ou à esquerda do PS é isso o mais importante? Os aplausos da delegação do bloco central no PS falam por si. Ontem, vimos quem são os companheiros de jornada de Sócrates: de Narciso Miranda a Nuno Cardoso, estava lá tudo. Foi esta a troca que o PS fez. Como poderia eu, pessoa de esquerda que gostava de ter um governo de esquerda, mesmo que não votasse nele, simpatizar com Sócrates?

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 15:38 | Comentários (23)

Tortura

«Contudo, de momento, a proposta [de dissolução do Presidente da República] que reúne mais consenso é a de Daniel Oliveira, que passa por uma dissolução, sim senhor, mas em ácido ou, na mais suave das hipóteses, numa panela de azeite a ferver» Inimigo Público

Mentira! Nunca seria tão brando. Se é para ele sofrer, não aceito menos do que a leitura, em voz alta, de todos os seus discursos nos últimos oito anos. Sem adormecer!

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 16 julho 15:29 | Comentários (16)

julho 15, 2004

O homem que se segue

Fez um discurso keynesiano, atribuindo um papel importante ao estado contra o mito da mão invisível. Pôs a tónica no ambiente e na defesa do consumidor. Não sei se, no momento actual, podemos esperar discurso mais à esquerda de alguém que tem ambições de poder. Veremos se as propostas concretas serão coerentes e se se demarcam da mistura de neo-liberalismo e populismo que vamos ter nos próximos dois anos. Haja esperança.
Publicado por celsomartins em quinta-feira 15 julho 19:35 | Comentários (47)

Sócrates

O lobby que entre os socialista se mexeu contra as eleições antecipadas e que preferiu Santana Lopes no governo ao risco de não chegar já à liderança do PS, apresentou a sua candidatura. A nomeação de Santana como primeiro-ministro foi a grande vitória de Sócrates. Mas é também o seu pecado original.

Veremos, agora, se Sócrates faz o PS regressar ao vazio guterrista e se com ele vêm todos os que entregaram, de mão beijada, o País, primeiro a Durão Barroso e depois a Santana Lopes. Veremos se a renovação de imagem será inversamente proporcional à renovação política, seguindo os piores tiques de Santana Lopes. Ou se, pelo contrário, Sócrates e os seus companheiros guterristas estarão disponíveis para manter o PS à esquerda, dando-lhe agora algum norte. Tenho as minhas suspeitas, mas, por simpatia, espero para ver.

PS: Há quem ache que tenho má vontade em relação a José Sócrates. Há mesmo quem insinue que é por razões partidárias. É do domínio público que José Sócrates tem as melhores relações com o partido a que pertenço. A questão é outra: é o regresso do guterrismo. Quem se situa na ala esquerda do PS deveria saber que o primeiro secretário-geral claramente colocado à esquerda foi derrotado, e não o foi nas urnas. Pelo contrário. Durante dois anos e meio pagou o preço de representar um programa de esquerda e poder chegar ao poder. E Sócrates foi quem veio cobrar a factura.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 19:22 | Comentários (35)

Ao muito alto e muito magnânimo partido anglo-saxófilo de Portugal

O nosso comentador residente Luís Lavoura fez um comentário a este post do Rui, por sua vez em polémica com outros blogues (ir lá ver, sff). Eu não me quero meter no detalhe da discussão, por falta de leituras. Mas quero dizer duas coisas, até porque sou um francófilo relapso que se encontra a cumprir a sua pena em França (também já a cumpri em Inglaterra, devo dizer, e sobretudo em Portugal, claro). Quero, primeiro, citar aqui excertos do dito comentário, que subscrevo inteiramente: "parece que cá em Portugal as influências se dividem, exclusivamente, entre francófonas e anglófonas, excluindo todas as outras línguas. O que é pena (...) Parece que já ninguem em Portugal aprende outras línguas, ou se interessa por outras culturas, que não as anglófonas (largamente preponderantes hoje em dia) e a francesa (em declínio acentuado)". O Luís Lavoura manda-nos aprender castelhano, russo e alemão. E faz muito bem. Eu acrescentaria o italiano, para lermos em língua original maravilhosos poetas e escritores, além de uma grande historiografia mal conhecida.

E depois queria também dizer que, para além de ser extremamente empobrecedor dividir o mundo intelectual actual entre anglófilos e francófilos, um debate assim (ou com este subtexto por trás) é também extremamente simplificador da história da filosofia. Esquece todas as ligações entre o pensamento filosófico francês das Luzes, por exemplo, com a filosofia inglesa (a admiração de Voltaire por Locke e Newton, cuja obra introduziu em França, para falar num caso conhecido). Existindo diferenças enraizadas nas culturas filosóficas, as Luzes são historicamente um projecto europeu, como a literatura europeia, como a ciência europeia. Sem fronteiras, e desde o século XVIII também sem fronteiras no diálogo com a cultura e a ciência norte-americana. Sem europeus, franceses, ingleses e todos os outros e norte-americanos e mais uma quantidade de contributos antigos e modernos não havia pura e simplesmente pensamento ocidental. Fechar o pensamento em caixinhas como se não comunicasse e não quisesse essencialmente comunicar é absurdo

Mas, passando a coisas sérias, acabo por ver nesta discussão uma vantagem. No fundo, encontramos nesta direita liberal que insiste nas vantagens do pensamento anglo-saxónico a ideia de que a filosofia comanda a história. A uma pessoa idealista como eu, esta ideia agrada, embora ela me pareça, lá está, idealista como ideia. Mas se é assim, amigos da direita: toca a ajudar os estudos filosóficos em Portugal. Não passemos a vida só a ler as revistas e os livros ingleses e americanos. Um pouco de esforço pela universidade portuguesa também. E pela edição nacional. Toca a mover influências (quem puder, claro, de cada um segundo as suas possibilidades...) para canalizar dinheiro para projectos de investigação. Estudemos Locke, estudemos Newton, estudemos Hume e estudemos Burke. Estudemos a influência destes autores no pensamento científico e filosófico português, o seu acolhimento e resistências. Patrocinemos edições críticas, financiemos boas traduções. Sem medos, avancemos para os autores contemporâneos. Se congregarmos vontades, acho que vêm aí tempos de bonança para a filosofia e, quem sabe, o fim da querela dos partidos filosóficos.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 15 julho 18:05 | Comentários (19)

Coerência

Pacheco Pereira já não vai aceitar o convite para embaixador na UNESCO. Quando se é coerente, merece-se ser elogiado. É o caso.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 17:05 | Comentários (17)

O centrão Pepsodent

Agora, como alternativa ao santanismo, teremos o neo-guterrismo. Isto está cada vez melhor.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 16:27 | Comentários (20)

Triste de ver

Jorge Sampaio vetou a Lei de Bases da Educação.
Depois de não marcar um penalty, vai começar a assinalar faltas a torto e a direito. Triste.

PS: Independentemente da minha opinião sobre a Lei de Bases, acho extraordinário que Sampaio diga que considera que "não seria curial" colocar o governo que vai entrar em breve em funções perante "um facto consumado num domínio tão decisivo quanto é o regime estruturante do sistema educativo". Então ele não tinha defendido que este governo deveria ser de continuidade? Tendo sido a lei aprovada pela a Assembleia, não é a maioria a mesma, o que aliás justificava que não houvesse eleições? Sampaio vai passar um ano a tropeçar nas suas próprias contradições?

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 12:08 | Comentários (42)

Queimá-los

"Há mesmo quem considere que os nomes [de ministeriáveis] que têm saído na comunicação social são uma espécie de "cortina de fumo", de "nomes para queimar", precisamente para ocultar os verdadeiros contactados e convidados para integrar o executivo."

Queria aqui dar em primeira mão alguns nomes de futuros ministros: Paulo Portas, Pires de Lima, Morais Sarmento, Luís Filipe Pereira, Manuel Falcão, Teresa Caeiro, Lobo Xavier, Celeste Cardona, Luís Filipe Menezes e Couto dos Santos. Pronto, espero já ter queimado estes.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 11:47 | Comentários (21)

O meu governo

Em vez de Bagão Félix...

...Felix the Cat.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 15 julho 03:46 | Comentários (27)

Salvemos o matrimónio

O Senado americano bloqueou hoje numa votação 50-48 uma proposta de mudança da Constituição dos EUA para que esta incluísse explicitamente uma emenda que banisse o casamento homossexual. Bush, que apoiava pesoalmente a medida, ficou "profundamente desapontado".

Eu só não compreendo é porque raio se há-de perseguir as únicas pessoas que hoje em dia têm vontade de casar.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 15 julho 03:43 | Comentários (21)

O Clone – não perca os próximos episódios

Durão Barroso aceitou candidatar-se a Presidente da Comissão Europeia dizendo que este era um cargo crucial para Portugal. Mas agora aos eurodeputados disse que se tinha demitido do cargo de PM em Portugal porque "porque se queria apresentar «como um cidadão europeu» e não como líder do Governo português, disse Durão aos deputados do Partido Socialista Europeu. «Esta decisão foi tomada por respeito ao Parlamento Europeu», acrescentou." [segundo o Waldorf dos Marretas; vê lá se desta citaste a coisa como deve ser, pá!].

O que é que vai acontecer quando Durão, perdão, quando Mr. Barroso puder dar uma ajudinha aos coitados que por aqui ficámos:

– Será que dá uma de Sampaio e decide contra Portugal para não haver suspeitas?
– Será que, sendo de direita, se marimba para as suspeitas e dá uma ajudaça cá à gente?
– Será que, sendo quem é, vira a cara para o lado quando vir passar um rancho de pauliteiros de Miranda pela Grand-Place?

Aceitam-se apostas.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 15 julho 03:36 | Comentários (2)

Uma ofensa aos bravos homens do SIS

"Em Portugal não temos serviços secretos, temos de confiar em informação dos ingleses e dos americanos."

Durão Barroso no Parlamento Europeu

Publicado por ruitavares em quinta-feira 15 julho 03:15 | Comentários (4)

Contribuinte, chegou a tua vez

Nunca pensei dizer isto: volta Manuela, estás perdoada!

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 15 julho 02:52 | Comentários (8)

Juve Leo Strauss

Tréplica de Paulo Pinto Mascarenhas a este post meu:

"Eu já lá pus no Barnabé um comentário a este poste pretensamente irónico de Rui Tavares, mas tenho também de lhe dar resposta rápida aqui no Acidental. Assim, se pretender tirar dúvidas sobre precedências ideológicas e não apenas meramente cronológicas, entre as revoluções inglesas, a Revolução Americana e a Revolução Francesa, aconselho vivamente que leia "O Antigo Regime e a Revolução" de Alexis de Tocqueville. Ficará assim a saber que os revolucionários jacobinos mantiveram intactos muitos dos defeitos da monarquia absolutista da França pré-revolucionária, acrescentando-lhes pouco mais do que a violência e o terror. São estes valores genéricos da Revolução Francesa que a esquerda, em geral, continua a partilhar e a defender, e que a direita deve sempre combater, preferindo o predomínio da lei e do equilíbrio de poderes herdados da tradição democrática anglo-saxónica. E é só."

Num outro blogue, André Abrantes Amaral lançou-se para a estratosfera com o mesmo post. Lá vai ele em distância constelada:

"Na sequência do que escreveu Paulo Pinto Mascarenhas relativamente ao facto de esquerda ter esquecido as revoluções inglesas e os pensadores anglo-saxónicos, deparei-me com esta resposta do Rui Tavares que, ao reduzir toda a questão à sequência cronológica dos acontecimentos, confirma as piores certezas. Em Portugal, fruto da preponderância do pensamento francês (que a esquerda adoptou, cultivou e que a direita nacionalista de Salazar nunca quis – porque não lhe convinha - afastar) não se estudaram a fundo os Iluministas anglo-saxónicos. Existe, aliás, quanto a estes uma enorme ignorância que, naturalmente, tende a desvalorizar pensadores como Burke, Smith, Hume e outros que tais.

Para Rui Tavares, a Revolução Americana e a evolução democrática inglesa reduzem-se a acontecimentos cronologicamente anteriores a 1789, essa sim, uma data importante que impõe um estudo sério e atento. Quanto ao resto é a displicência de quem, por total desconhecimento, menoriza a filosofia anglo-saxónica. É caso para perguntar quem, na verdade, se menoriza."

Ai ai. Era de esperar que tão dedicada anglofilia resultasse em duas colheradas de wit todos os dias, mas se calhar os meus polemistas devem achar que se trata de uma marca de cereais com um nome semelhante. É que depois de meses de blogosfera a ler coisas semelhantes dos nossos liberais de carteirinha, acho que já dá um bocadinho de vontade de perguntar: mas que porra acham vocês que sabem do que os outros lêem ou não?

Ler tudo isto é demasiado semelhante a ler os "pregões" do Blitz. Ali escreve-se "Curtam Black Metal!" como se se esperasse que a experiência transformasse uma pessoa por dentro. O que fazer então a um gajo ou gaja de esquerda que tenha lido o Burke e o Berlin, o Popper e o Strauss e não tenha corrido a criar um blogue "liberal"? Dá-se-lhe choques eléctricos?

(Para não falar do Hume, AAA. Ganhe juízo, o Hume é tão lido pela esquerda como pela direita.)

No meu caso, sim, li o Tocqueville. Perguntem aí ao Luciano Amaral: Tocqueville e Burke eram leitura obrigatória no quarto ano de História de uma das Faculdades supostamente mais esquerdistas do país (a FCSH/UNL); o manual de referência sobre a Revolução Francesa era o de Furet. Lá lemos o "Antigo Regime", que é interessante, e até parte da "Democracia na América" que é uma obra menor, cheia de patetices, que praticamente ninguém lê (pudera, tem quase mil páginas e a escrita é mázinha) mas que é permanentemente citada como se fosse uma certidão do carácter naturalmente democrático dos americanos. Até gosto dos outros que estão ali acima. Sou um fã do Leo Strauss, apesar deste ter sido professor dos neoconservadores mais importantes. E serei obrigado, por razões académicas, a ler o próximo da Himmelfarb. Também já fui à Festa do "Avante!" e metade da minha família é protestante. Mas que diabo, um gajo se quer ter um bocadinho de independência de espírito não pode deixar-se levar por experiências místicas.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 15 julho 02:45 | Comentários (25)

julho 14, 2004

Zé Manel, se te chumbarem em Bruxelas, tens um lugarzinho aqui no Barnabé

"Detesto a arrogância. Detesto o militarismo. Isso, eu detesto. Não gosto do unilateralismo... Penso que há coisas magníficas nos Estados Unidos, assim como coisas horríveis"

José Manuel Barroso, na audição perante europarlamentares socialistas e verdes, citado no Financial Times de hoje.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 14 julho 22:45 | Comentários (15)

O 14 de Julho dos franceses

Publicado por andrebelo em quarta-feira 14 julho 18:27 | Comentários (4)

O 14 de Julho de quem ainda tem medo do papão Revolução Francesa

[André, André, André, tu estás a escrever "a interminável", tu NÃO VAIS entrar numa polémica sobre a Revolução Francesa nos blogues, ok? OK?]

Ok! Quem não gosta dos ideais da Revolução Francesa tem outra trindade ideológica: "Liberdade, desigualdade e cada um por si".

Publicado por andrebelo em quarta-feira 14 julho 18:23 | Comentários (24)

A quem peço contas?

Que fique claro: também fui contra a saída de Jorge Sampaio da CML. Para mim, a possibilidade de saída de um cargo eleito deve ser dita em campanha eleitoral. Eu, ao contrário de outras pessoas de esquerda, acho que não é indiferente as pessoas que ocupam os cargos. E que só elas devem ser responsabilizadas pelas promessas que fazem.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 17:51 | Comentários (13)

O 14 de Julho de Brassens

Au village, sans prétention,
J'ai mauvaise réputation.
Qu' je m' démène ou qu' je reste coi,
Je pass' pour un je-ne-sais-quoi!
Je ne fais pourtant de tort à personne
En suivant mon ch'min de petit bonhomme.
Mais les brav's gens n'aiment pas que
L'on suive une autre route qu'eux,
Tout le monde médit de moi,
Sauf les muets, ça va de soi.

Le jour du Quatorze Juillet
Je reste dans mon lit douillet.
La musique qui marche au pas,
Cela ne me regarde pas.
Je ne fais pourtant de tort à personne
En n'écoutant pas le clairon qui sonne.
Mais les brav's gens n'aiment pas que
L'on suive une autre route qu'eux,
Tout le monde me montre au doigt
Sauf les manchots, ça va de soi.

Quand j' croise un voleur malchanceux,
Poursuivi par un cul-terreux,
J' lanc' la patte et pourquoi le tair',
Le cul-terreux s' retrouv' par terr'.
Je ne fais pourtant de tort à personne,
En laissant courir les voleurs de pommes.
Mais les brav's gens n'aiment pas que
L'on suive une autre route qu'eux,
Tout le monde se rue sur moi,
Sauf les culs-d'-jatt', ça va de soi.

Pas besoin d'être Jérémie,
Pour d'viner l' sort qui m'est promis,
S'ils trouv'nt une corde à leur goût,
Ils me la passeront au cou,
Je ne fais pourtant de tort à personne,
En suivant les ch'mins qui n' mènent pas à Rome,
Mais les brav's gens n'aiment pas que
L'on suive une autre route qu'eux,
Tout l' monde viendra me voir pendu,
Sauf les aveugl's, bien entendu.

[Georges Brassens, "La mauvaise réputation", 1952]

Publicado por andrebelo em quarta-feira 14 julho 17:29 | Comentários (4)

Eu também quero um ministério no meu bairro

Fim ao centralismo do Terreiro do Paço! A Bica também é Portugal!

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 17:13 | Comentários (19)

Lá para o fim do ano

Até hoje, no fim do ano, debatia-se o Orçamento de Estado. A partir de agora debate-se o Consumo Mínimo.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 17:03 | Comentários (10)

Ser eleito

Durão não quis ir a eleições, mas quis presidir à Comissão Europeia.
Vitorino quis ser comissário, mas não quis ir a eleições.
Cada vez há mais políticos se dão mal com o voto. Ele é cansativo, é verdade. Os media, a atenção, os humores da opinião pública, as pressões da opinião publicada. Mas ser eleito é o que dá dignidade a um político. A única superioridade moral dos políticos é essa: estão nas mãos de todos e a todos respondem. Se forem eleitos, claro.
Na política, quem nunca foi a votos é só uma promessa.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 16:56 | Comentários (10)

A desistência de Ferro

Ferro Rodrigues tem sido elogiado por se ter demitido. Não concordo. A ideia de que foi derrotado não faz qualquer sentido. Um dirigente político só pode ser derrotado pelo voto. Pelo voto dos seus eleitores ou pelo voto dos seus militantes. Ferro foi, mal ou bem, pouco interessa, premiado pelo voto dos eleitores, nas Europeias. Já o fora nas legislativas, conseguindo, poucos meses depois de chegar à liderança do PS e depois da fuga de Guterres, um resultado honroso.

Devia ter ido a Congresso. Perderia, disso ninguém duvida. Mas que fossem os que o derrubavam a explicar a razão porque o faziam. Com esta decisão, contribuiu para o pântano, que permite que socialistas elejam Guterres, quase por unanimidade, elejam Ferro, quase por unanimidade, e que depois de uma vitória, derrubem Ferro quando já cheira a poder, sem que nunca debatam alternativas políticas. Seria a responsabilidade de cada um. Assim é dele. A falta de comparência nos combates políticos começa a ser a marca distintiva deste País.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 16:50 | Comentários (8)

Não estamos todos?

António Vitorino está pouco motivado para a política portuguesa.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 16:21 | Comentários (4)

No país dos vices...

...Lisboa não escapa

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 16:18 | Comentários (7)

E acabou-se a política

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 14 julho 15:40 | Comentários (30)

julho 13, 2004

Estado trágico-cómico

Com o governo de Santana Lopes vamos descobrir uma nova acepção para a expressão "estado de graça".

Publicado por andrebelo em terça-feira 13 julho 20:58 | Comentários (30)

Olha Olha Olha — nós já temos — e vocês não — Nhanhan nha nhanhan

[obrigado, Teresa, pelo forward]

Publicado por andrebelo em terça-feira 13 julho 20:40 | Comentários (30)

Pai, sou primeiro-ministro!

O "24 Horas", sempre em cima do acontecimento, conta-nos hoje, em manchete, que a primeira coisa que Santana Lopes fez quando soube que o cargo de primeiro-ministro lhe tinha caído no colo sem sequer ter de ir a eleições, foi telefonar ao seu pai para lhe dizer que agora mandava no país. O Barnabé teve acesso às escutas telefónicas que a PJ continua a efectuar a todos os dirigentes partidários:

Pedro Santana Lopes: Está, pai, é o Pedro.
Pai: Olá Pedrinho, está bom?
PSL: tenho uma novidade para lhe dar.
P: É sobre o túnel?
PSL: Não, é muito mais importante…
P: O Casino?
PSL: Friiiiio. Muuuuiiiito mais importante…
P: Vai abandonar a política outra vez?
PSL: Não, pai, sou Primeiro-ministro!
P: Ó Pedro, deixe-se lá de piadas que estou cheiinho de trabalho.
PSL: Ó pai, estou a falar a sério…
P: Filho, o que é que eu lhe disse milhares de vezes?
PSL: Que é feeeeio mentiiiir!
P: Então diga lá o que tem a dizer e deixe-se de piadas que o pai tem muito que fazer.
PSL: Ó paizinho, estou a falar a sério! Sou primeiro-ministro!
P: Pedro!!!
PSL: Juro, pai, juro. Sou mesmo primeiro-ministro.
P: O menino não está a falar a sério, pois não???
PSL: Pai, juuuuuuro. Juro por tudo!
P: Silêncio
PSL: Pai?
P: Silêncio
PSL: Paizinho?
P: Riso contido
PSL: Está? Pai?
P: Riso mais solto
PSL: Está a rir de quê?
P: Gargalhadatenta controlar risofungaenxuga os olhosde novo gargalhada
PSL: Pai! Pare lá com isso!
P: Silêncio… Primeiro-min…riso descontrolado….pára e respira fundo…Desculpa filho, desculpa. A sério! Parabén…riso primeiro e depois gargalhada descontroladafalta de arrespira fundo….pára...Primeiro-ministro? Tu?...
PSL: Sim, pai. Não é bestial?
P: Risogargalhadalágrimas…desculpa filho…risos….desculpa, a sério…risos com lágrimas… Eu já…risos de novo…eu já te ligo….mais risos…descul…riso completamente descontrolado...desliga.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 13 julho 20:39 | Comentários (26)

O Brasil do PS

António Vitorino desistiu de uma caminhada fácil até líder do PS. Arrisca-se a ficar como o Brasil, do qual se dizia que era o país do futuro — e continuaria sempre sendo o país do futuro.

Mas pensando melhor, foi uma boa escolha. A tendência natural para um líder de oposição é a de sofrer às mãos de todos os comentadores. O líder da oposição é uma espécie de Benfica: mesmo quando joga bem, é mais fácil aos comentadores dizer que jogou pessimamente. Ao contrário do Presidente da República, para quem se pede respeito mesmo quando decide mal, a função do líder da oposição é apanhar porrada mesmo que o partido esteja à frente nas sondagens e se ganhem as eleições intercalares com resultados históricos. Se é moderado, não sabe fazer oposição; se faz oposição, é estridente; se ganha os debates, não passa de um bem-falante; se os perde, nunca será primeiro-ministro. Foi assim com Sampaio, Guterres, Marcelo e Durão, foi assim com Ferro, será assim com o próximo líder do PS.

O ideal mesmo é chegar a PM sem ter sido líder da oposição. É um trajecto — como dizê-lo? Mais sereno, mais elegante...

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 19:12 | Comentários (13)

Vem aí o Tony Blair português?

Publicado por danieloliveira em terça-feira 13 julho 11:35 | Comentários (72)

Santana Lopes: vamos reactivar espaçoporto da Cova da Iria

É inadmissível que aquela infraestrutura esteja desactivada desde Outubro de 1917.

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 02:17 | Comentários (12)

Santana Lopes: Mandela, Clinton e Gorbatchov serão meus chefes de gabinete

São pessoas elegantes e serenas e que se comportam sempre com muita elegância e serenidade. Quando as coisas se passam assim não há razão par que as pessoas, com elegância e serenidade, não se ponham de acordo.

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 02:15 | Comentários (12)

CDS/PP: e agora vamos entrar na Internacional Socialista

Aqui há uns anos – quando Paulo Portas começou a fazer experiências ideológicas com o partido – o CDS/PP foi expulso do PPE através de uma votação de mais de 2/3, não só por ser um partido anti-europeísta, mas também por não ter credibilidade nem sequer como partido anti-europeísta. Hoje foi aceite de volta. João de Deus Pinheiro referiu-se ao facto como o "regresso do filho pródigo". Paulo Portas fez notar que o regresso ao PPE corresponderia a um acréscimo de influência de Portugal do maior partido do Parlamento Europeu. Não dá muito para perceber como, uma vez que os dois deputados do PP servirão para repôr os outros dois que o mesmo partido roubou ao PSD nas Europeias, depois de uma campanha em que garantiu que o "seu" grupo (e dos neo-fascistas italianos) era civilizadíssimo e que para Portugal seria óptimo distribuir a coligação dos cachecóis por dois grupos parlamentares.

Ao mesmo tempo, o Público faz a seguinte manchete: "Santana Avisa Que PSD Quer Ser Liderante em Relação ao CDS nas Políticas Sociais". Está visto que a fruta da época é aquilo que os fabricantes de alta-tecnologia chamam de vapourware. O vapourware não é software nem hardware, não é nada: trata-se simplesmente de notícias que se lançam para os jornais com o objectivo de desmoralizar a concorrência e criar uma boa predisposição no público. É assim como os nomes de futuros ministros fantásticos que estarão no governo de Santana e a corrente estratégia de angelização do CDS/PP. Pelo jeito que a coisa leva, Paulo Portas já deve estar a preparar o pedido de adesão à Liga da Boa Vontade, à Federação Internacional de Amigos dos Bombeiros e principalmente àquela associação de palhaços que vão para teatros de guerra. E nesta última até têm currículo para mostrar.

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 02:02 | Comentários (8)

Oh pá, outra vez não

Agora é o Cruzes Canhoto que abandona a bloga. O Cruzes Canhoto foi um dos melhores blogues portugueses. E isto deixa-me encanzinado. J., muda de ideias, caraças.

O Cruzes Canhoto deu-nos uma vez um óscar. Um Oscar Wilde. Numa altura em que tinham os links para a blogosfera disfarçados de títulos de livros, o Barnabé foi A Alma do Homem sob o Socialismo de Oscar Wilde, um dos textos políticos mais interessantes que já li, embora muito pouca gente o leve a sério como política – até por causa da ideia feita de que Wilde é um esteta puro sem interesses para lá da arte. Fica prometido para um dia um texto sobre este livro no Barnabé, dedicado ao Cruzes Canhoto. Vai para a gaveta das promessas, junto com um posto sobre o Haruki Murakami.

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 01:18 | Comentários (5)

A História do lado certo

Diz Paulo Pinto Mascarenhas, d'O Acidental: «O problema da esquerda, em geral, é que ainda vive de acordo com os modelos resultantes da Revolução Francesa e não chegou aos capítulos das duas revoluções inglesas e da Revolução Americana dos “Founding Fathers”.»

Caro Paulo Pinto Mascarenhas. Eu não sei se você já reparou, mas a Revolução Francesa deu-se depois das inglesas e da americana. Considere esta cronologia:

Guerra Civil Inglesa: 1642-46.
Decapitação de Carlos I: 1649.
"República" de Cromwell: 1653-58.
"Revolução Gloriosa": 1688.
Independência americana: 1776.
Revolução Francesa: 1789.

Em consequência, na maior parte dos livros só se chega aos capítulos da Revolução Francesa depois de ler os capítulos sobre as inglesas e a americana. E nos livros que a esquerda lê a coisa não é diferente.

Isto pelo menos quando não se lê os livros ao contrário, o que é perfeitamente legítimo. E devo dizer até que desde que o Paulo Pinto Mascarenhas fundou o Acidental que tenho andado com esperanças de o ver chegar, pelo menos pelo menos pelo menos, ao neolítico.

Publicado por ruitavares em terça-feira 13 julho 00:33 | Comentários (26)

julho 12, 2004

Quanto custarão, todos os anos...

...ministérios espalhados por todo o País?
O que é que isso interessa? Estamos a falar de Pedro Santana Lopes. Começou o folclore.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 20:18 | Comentários (46)

E para continuar a descentralização

Santana Lopes para as Berlengas.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 20:10 | Comentários (10)

Na cauda da Europa

Em Espanha, foi o PSOE que legalizou o casamento entre homossexuais. Em Portugal, parece que o tema é ultra-minoritário, fracturante e folclórico. Perguntem ao Lello.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 19:59 | Comentários (82)

Um post longo: como prometido, a questão da governabilidade

Prometi que quando passasse a crise política falaria da questão do Bloco de Esquerda e da governabilidade. Este é um tema difícil e em que estou limitado. Não estou limitado na minha liberdade, entenda-se. A limitação, sou eu mesmo que me imponho, porque sei que, sendo dirigente do Bloco de Esquerda, devo lealdade àqueles com quem estou a construir um partido. Devo, por isso, e antes de mais, reforçar que escrevo este texto a título pessoal e, na medida do possível, independentemente das minhas responsabilidades políticas.

Escusado será dizer que da mesma maneira que este texto não é feito em nome do Bloco, também não o é em nome do Barnabé. Do Barnabé, apenas eu sou do Bloco, coisa que quase todos os leitores sabem, mas alguns gostam de esquecer.

Uma nota prévia: porque estou eu no Bloco? Sem esta nota a minha posição sobre o tema é incompreensível. Não sou marxista, nunca estive de alguma forma ligado a nenhuma corrente da extrema-esquerda. Saí do PCP em 1989 e poderia dizer, para simplificar, que saí pela linha reformista. Sempre me considerei libertário e radical ao nível dos costumes e um defensor intransigente de todas as liberdades individuais, o que foi sempre motivo de fortes divergências com a “moral proletária” do PCP. Desde a minha dissidência do PCP que me coloco nesse espaço amplo e pouco claro que é o da social-democracia. Resumo: defendo reformas radicais para o reforço do papel regulador do Estado na defesa dos mais desprotegidos, do Estado Providência, do pleno emprego e de uma segurança que permita a autonomia de todos para planear o seu futuro. Vejo o Capitalismo como intrinsecamente injusto, mas sou hoje desconhecedor de qualquer alternativa credível, bastando-me contrariar a sua lógica e reduzir o impacto dos seus efeitos.

Ou seja: defendo um Estado fraco perante as opções e liberdades individuais de cada cidadão e um Estado forte na defesa dos direitos sociais perante o poder económico. Nenhum Estado na cama, muito Estado na rua. Feita esta explicação sumária e um pouco simplista, passemos então à questão do Bloco de Esquerda.

Teoricamente, se a ideologia tivesse alguma importância para o Partido Socialista, poderia ser militante ou simpatizante do PS. Não o sou nem nunca pus a possibilidade de o ser por duas razões:

O Partido Socialista tem, em Portugal, uma tradição essencialmente anti-comunista. Tem a ver com o momento específico da sua implantação nacional. Esta tradição bloqueia o PS na relação com tudo o que está à sua esquerda. Com a excepção de pequenos episódios, o PS tem uma vocação de atracção do centro político. E o centro político (o Bloco Central), do ponto de vista ideológico, interessa-me ainda menos do que a direita. Não clarifica, é imobilista e, por isso mesmo, vive bem com o tráfico de influências, a maior doença da política portuguesa.

O PS, também por causa da sua história, está fortemente comprometido com o caciquismo que domina a vida política portuguesa e com as elites empresariais portuguesas, que apostam numa mão-de-obra desqualificada e numa economia de enriquecimento rápido e sem futuro.

Resumindo: o PS é pouco reformista, conservador nos costumes e comprometido com os piores vícios das elites portuguesas. Entre outras, estas serão as maiores razões para nunca me ter sentido atraído pelo Partido Socialista. A forma como Ferro Rodrigues, o primeiro secretário-geral do PS claramente colocado à esquerda, foi sabotado pelos representantes do PS profundo, é o sinal mais claro dos bloqueios deste Partido Socialista. A fragilidade de Ferro é um sinal das fragilidades da ala esquerda do PS.

Encontrei, assim, no Bloco de Esquerda, o meu espaço natural. Antes de mais, porque o BE é suficientemente plural para que ali me possa bater por reformas claramente situadas à esquerda, descomprometidas dos interesses corporativos. No BE juntam-se correntes revolucionárias, claramente marxistas-leninistas, a correntes reformistas de esquerda. Como é possível? Através de propostas programáticas concretas, em torno das quais se consegue juntar o que debates intermináveis em torno de questões que, sendo importantes, não são, hoje, as mais relevantes, sempre dividiram. O descomprometimento, o pluralismo, a liberdade interna e o radicalismo em matéria de costumes são para mim suficientes para me sentir bem onde estou.

Nunca me passou pela cabeça envolver-me na política por outra razão que não seja a de mudar as coisas. E para as mudar, o poder é essencial. A política é para mim a luta pelo poder para transformar o poder e com ele transformar as condições de vida das pessoas. Não dedicaria a minha vida ao contra-poder sem mácula, só para morrer puro. O poder corrompe, mas a pureza é inútil. E entre a inutilidade e o risco, escolho o risco.

No entanto, o poder não acaba e começa no governo. O poder de influência é, muitas vezes, bem mais eficaz. Pessoalmente, não acredito, já o escrevi aqui, na capacidade de um partido com 3, 4 ou 5 por cento ter peso suficiente para condicionar de forma eficaz e profunda a governação. Nem me parece que isso fosse honesto do ponto de vista democrático. O partido em que estou é minoritário e penso que o seu poder deve ser minoritário enquanto assim acontecer. Ter dois ou três ministérios não mudaria esta situação. Apenas teria como resultado uma erosão política do Bloco sem que nada de substancial mudasse. Um partido pequeno não tem nem capacidade para realmente condicionar a governação, nem reservas de resistência suficientes para aguentar o preço da governação. Não tem e é justo que não tenha.

Apesar de ser contra qualquer participação do BE, nos tempos que correm, num governo socialista, não consigo esconder o meu gozo com a aflição da direita (e até algum centro-esquerda) perante tal possibilidade. Vivem bem com um partido anti-imigração e de traços autoritários explícitos no governo, viveram bem com orçamentos vindos da esquerda aprovados pelo PP e por um cacique local, mas perdem o sono com o Bloco. Que ninguém lhes dê soporíferos.

Outra questão é a da governabilidade. O facto de eu ser contra, neste e nos próximos momentos, a participação do Bloco de Esquerda num governo socialista, não me impede de estar ciente da encruzilhada em que o BE se poderia vir a encontrar no cenário hipotético de uma maioria relativa do PS – esperemos que nunca tenha a maioria absoluta (ela seria negativa para a transparência política e a autonomia do aparelho de Estado face a um poder partidário). É possível que o BE tenha, então, nas suas mão, a sobrevivência de um governo de esquerda. Mais claro e mais difícil: poderia ter nas suas mãos o regresso da direita ao poder. Na minha opinião, o posicionamento do Bloco deverá partir deste princípio: fazer depender a sua posição de questões estruturantes e agir em conformidade. Sem comércio de lugares ou de votos, penso que o BE deverá aprovar aquilo com o qual concorda e chumbar aquilo com o qual discorda. Mas estar disponível para permitir avanços, mesmo que eles não correspondam à totalidade do seu programa.

E deixar ao PS a decisão de ter à sua esquerda ou à sua direita os seus interlocutores. Penso que só isto é honesto, só isto é eficaz, só isto é responsável.

Mas sejamos claros: nada disto está hoje em cima da mesa. Tudo indica que o PS vai trilhar o mesmo caminho que trilhou no passado. O debate pode e deve fazer-se, mas ele afigura-se quase académico. O que não é tolerável, e isso justifica este texto, é a chantagem permanente do "voto ou a vida", tentando transformar a esquerda à esquerda do PS num salva-vidas para as ocasiões. Debata-se então a política e faça-se depender dela, e apenas dela, o futuro da esquerda. Começar o debate ao contrário é o pior que a esquerda poderia fazer. Nisso, a esquerda tem uma vantagem em relação à direita: a direita quer hoje que tudo fique como está e por isso une-se com facilidade, a esquerda quer mudar, e por isso está obrigada a um debate interno com conteúdo político e de proposta.

Repito que esta é a minha posição pessoal. Num partido, a posição pessoal junta-se a outras e procura a síntese. Enquanto as condições iniciais do pluralismo político e do debate livre se mantiverem no Bloco (e todos os sinais me dizem que elas se têm reforçado), acompanharei a posição da maioria.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 18:18 | Comentários (81)

Siamo moderati, ci piace la Costituzione

Vista de longe, a crise política provocada pela ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia parece ter tido um — um só — mérito: pôs a opinião pública portuguesa a discutir a Constituição e o sistema político que temos. A longa duração da tomada de decisão de Sampaio, tão mal gerida, permitiu o mesmo. É de sublinhar a clareza com que esse debate decorreu (falo do debate, não de outras coisas que marcaram a luta político-mediática). Duas leituras diferentes do mesmo texto constitucional emergiram consensualmente como as únicas possíveis — facto que o presidente reconheceu no discurso em que anunciou aos portugueses a sua decisão — e foi em torno delas que a discussão, inteiramente política, se estruturou. Com isto, lembrámo-nos todos de que a Constituição existe, que tem um conteúdo que tem consequências políticas práticas sobre as escolhas em democracia, que a sua leitura não é consensual, que o presidente da República e o Tribunal Constitucional não têm o monopólio da sua interpretação. É a diversidade de leituras de que ela é alvo, em conjunto com a prática política, que lhe dá sentido. Daí a importância de os dignificar, texto e práticas. Como disse Nanni Moretti: «Somos moderados. Gostamos da Constituição».

Publicado por andrebelo em segunda-feira 12 julho 17:31 | Comentários (3)

Para variar, uma boa notícia

Recomeça hoje, no canal 2, às 22.30

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 13:28 | Comentários (36)

O silêncio é para quem está bem

Não podem existir só dois caminhos: o do populismo ou o do conformismo institucional. O caminho que agora é essencial tomar é o da intervenção cívica.

A ética deste caminho ordena que não nos calemos. O que o momento actual nos exige não é que sejamos reverentes, mas sim que cada um diga das suas razões com a maior clareza possível. É por isso que a atitude de Carlos César, de pretender vir serenar os ânimos no PS e pedir respeito pelo passado de Jorge Sampaio é o pior serviço que se podia prestar ao país numa altura destas. Desde logo porque não é o passado de Jorge Sampaio que está em causa, mas o presente.

Há três, quatro séculos, era comum achar-se que o Rei nunca errava, e que quando errava era porque tinha sido "mal aconselhado". Mas Jorge Sampaio foi eleito para tomar decisões e deve ser criticado como qualquer outro governante, sem mais nem menos dureza. O que é essencial para contrariar a paz podre é que quem achar que ele agiu mal não sinta o mínimo constragimento em dizer que ele agiu mal sem isso ter de ser entendido como uma falta de respeito ou um sinal de mau perder. Falta de respeito é a hipocrisia e mau perder é não reconhecer uma vitória dos adversários nas urnas – e não foi manifestamente esse o caso.

Já agora: as acusações de "incontinência verbal" de José Lello a Ana Gomes não podem ser deixadas passar em claro. José Lello não é conhecido por uma única intervenção política substancial que não seja no quadro de jogos de poder mesquinhos. Fez abertamente campanha contra Ferro Rodrigues falando tudo o que lhe vinha à cabeça nos momentos mais inapropriados para o seu próprio partido. Neste momento deve estar mortinho por que se deixe de falar do país para que se possa passar ao que interessa: o congresso do PS, brincar aos líderes, distribuir apoios, lugares em listas. Já se imagina a fazer obedecer, mas é a última pessoa a poder vir mandar calar quem quer que seja.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 12 julho 04:55 | Comentários (35)

Falar para o boneco

O Waldorf dos Marretas acha que Boaventura Sousa Santos é a prova de "que a estupidez humana não tem limites", isto por causa desta notícia onde se diz que "Boaventura Sousa Santos lamenta o desaparecimento de Maria de Lurdes Pintasilgo. O sociólogo relaciona a morte com a decisão de Jorge Sampaio de não convocar eleições antecipadas." Embora o Waldorf ainda acrescente esta "Nota: Resta saber a quem atribuir esta barbaridade: se ao sociólogo, se ao autor da notícia", a direita blogosférica aprendeu um truque novo, e a coisa já alastra, como veremos a seguir.

Em primeiro lugar, é forçoso concluir que o Waldorf não sabe ler uma notícia, porque se soubesse não teria dúvidas acerca de "a quem atribuir esta barbaridade". Para ele, contudo, isso nem deve ser muito importante porque apesar dessas dúvidas já Waldorf encontrou a sua prova "de que a estupidez humana não tem limites". Ora bem, a frase de Sousa Santos é: "O Portugal do 25 de Abril está duplamente de luto". E desenvolve: "duplamente" porque "o Portugal do 25 de Abril perdeu, ontem, um pouco a sua alma [com a decisão de Sampaio]. Hoje, perdeu uma das mais insignes políticas que o 25 de Abril nos deu". Isto é o que está entre aspas; discurso directo de Sousa Santos. O resto é do jornalista, que se refere a estas palavras como sendo uma "relação" entre as duas coisas. Waldorf, sempre vigilante, já lê a coisa como sendo uma atribuição das causas da morte de Pintasilgo e pontifica sobre a estupidez humana. A Grande Loja vai ainda mais longe: vocifera "haja decência!" e diz que "A associação da morte de alguém a causas políticas conjunturais é das coisas mais rascas e sórdidas que se podem fazer em política...", chamando-lhe "uma filhadaputice" de Sousa Santos. E o PMF do Blasfémias, mais criativo, até se dá ao luxo de engendrar frases que não estão sequer na notícia e linka escrevendo que "Para B. Sousa Santos, Jorge Sampaio é, indirectamente, o responsável pelo desaparecimento de Mª de Lurdes Pintassilgo". Uma das virtudes da blogosfera é que podemos assistir à reescrita da história praticamente minuto a minuto.

Em segundo lugar, Waldorf não percebe que nem todas as associações são associações de causalidade. Além destas, já lá explicava David Hume que existem ainda associações de contiguidade ou de semelhança. Ou seja: toda a gente concorda que seria gravíssimo estabelecer uma relação de causalidade entre a decisão de Sampaio e a morte de Pintasilg – só que não foi isso que Sousa Santos fez, como facilmente se compreende lendo o que ele disse. Resta então que a relação estabelecida ter sido de contiguidade ou semelhança, ou até ambas – mas em nenhum dos casos se encontrou a prova de "que a estupidez humana não tem limites".

Eu imagino que o Waldorf não leia o seu Hume há muito tempo, mas pode refrescar a memória com esta versão condensada do Ensaio sobre o Entendimento Humano. Tem apenas 13% do original, e lê-se em 26 minutos.

Suponho que mesmo para os limites do Waldorf não seja pedir demasiado.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 12 julho 04:51 | Comentários (29)

A minha posição

A decisão não foi só do presidente. Qualquer de nós cidadãos tinha a obrigação de meditar nas alternativas que se ofereciam ao país, para decidir em consciência. Se nem todos o fizemos, é talvez por nem todos sermos igualmente conscientes (ou não dispormos de tanto tempo para meditar como Sampaio. O trabalho dele é só isso...). Pela minha parte, procurei cumprir o melhor possível. Julgo que tomei a decisão correcta, e acho que devo partilhar com os portugueses o percurso mental que a gerou. Até porque, sendo ela parecida com a do presidente, não hão-de ter sido muito diferentes os passos seguidos por ele e por mim.

NUM PRIMEIRO MOMENTO uma amiga minha falou em emigrar logo que ouviu expressão «Santana Lopes primeiro-ministro», mas eu disse que achava bem. Uma posição egoísta, baseada no facto de com Santana ser garantido que verá trapalhadas frequentes. Ando a precisar de me entreter, e a política anda um bocado chata. Além disso, enquanto pessoa de esquerda, agrada-me a ideia de um populista de direita que há muito paira sobre a nossa democracia como uma ameaça – ou pelo menos uma irritação constante – se estatelar de vez.

NUM SEGUNDO MOMENTO comecei a pensar no que se conhece do homem desde os seus tempos na secretaria de Estado da Cultura: o estilo demagógico (com passagem pelo futebol), a incapacidade de fazer obra verdadeira, a preferência por obras de fachada, a ganância de poder (com reacções de bebé chorão sempre que o contrariam), o vício de auto-promoção (muitas vezes com dinheiros públicos), as polémicas de Monsanto, de Alcântara, do túnel, todas elas reveladoras de falta de escrúpulos, ou pelo menos de uma certa atitude...

NUM TERCEIRO MOMENTO A minha amiga mudara de opinião. Irritada por ver a direita mais conservadora e a esquerda mais rançosa unidas em oposição a Santana Lopes com razões idiotas (aquelas rimas sobre o «bar aberto»), afinal já o queria. Para sua surpresa, contrariei-a. Aleguei exaltadamente que o homem era uma nódoa ambulante, e uma escolha cem por cento errada. Ela conseguiu balbuciar qualquer coisa sobre líderes que defendiam pedófilos - perguntou se eu os preferia – antes de a chamada cair.

NUM QUARTO MOMENTO Olhei para o PS. Para Ferro Rodrigues, com a sua cara ingrata e os seus gestos impossíveis. Para todos os outros que já se punham de pé, convencidos que o poder lhes ia cair na mão de bandeja. Lembrei-me que esse partido não merecia realmente voltar já para o governo. E ocorreu-me que talvez o povo se pudesse dar conta disso.

NUM QUINTO MOMENTO (sexta-feira, dia da decisão) comecei a temer que o residente fosse fazer aquilo que eu queria que fizesse, ou seja, convocar eleições. À tarde falei com a minha amiga, mas previ que não me deixaria concordar com ela, e não revelei nada. Continuamos oficialmente em discordância. Horas depois veio a notícia.
E pronto, foi isto. Uma decisão ponderada, íntima, tomada com base num aturado conhecimento da política e dos homens. Claro que também reflecti um pouco sobre as implicações constitucionais, as questões de legitimidade, natureza do regime, etc. Mas não perdi muito tempo aí, pois geralmente quem trata das questões técnicas é o Sampaio. Ele é óptimo nisso.

Miguel Rino, amigo do Barnabé

Publicado por celsomartins em segunda-feira 12 julho 02:34 | Comentários (9)

Mais demissões, não

Carlos Abreu Amorim decidiu deixar de escrever no Blasfémias e essa é mais uma má notícia para a blogosfera. Eu sei que para um observador desatento existem todas as razões para eu não o apreciar. Eu sou de esquerda, ele é apoiante de Manuel Monteiro. Eu sou benfiquista e ele portista, ambos para lá das medidas. Eu sou, com muito gosto, um "mouro" – ele fundou um blogue chamado "mata-mouros".

E até devo confessar que não fui o primeiro aqui no blogue a ver qualidades no "mata-mouros": o Daniel precedeu-me nesta descoberta.

Bem. Eu não conheço pessoalmente o "CAA", como ele assina. Considero-o um dos melhores bloggers portugueses. Inteligente para lá das camisas-de-força ideológicas, justo nas apreciações, violento quando acha tem que ser, com sentido de humor e uma paciência de santo para com todos os que zombam do "seu" PND (e não são poucos). CAA decide agora abandonar a blogosfera por falta de tempo. Mas não é falta de tempo "pura". Como se vê pela leitura do seu texto de despedida, é falta de tempo para uma missão muito difícil: lutar para que, num momento político como este, as pessoas não vejam a política como quem vê um Porto-Benfica. E, lá do seu lado, lutar para que a direita portuguesa "liberal" seja mais verdadeiramente – mais politicamente – liberal. Ganharíamos todos com isso, e é verdadeiramente uma lástima que o Carlos suspenda na blogosfera essas lutas.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 12 julho 02:16 | Comentários (5)

Coisas de que realmente me arrependo

Ter feito campanha por ele

Não ter feito campanha por ela

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 12 julho 00:38 | Comentários (31)

julho 11, 2004

Apoiado

MVA à presidência.

Publicado por andrebelo em domingo 11 julho 22:57 | Comentários (6)

Para ele, somos todos terroristas

«O atentado de hoje de manhã foi o primeiro sobre os auspícios do Tribunal Internacional de Haia». Sharon, sobre atentado palestiniano de hoje.

Publicado por danieloliveira em domingo 11 julho 20:36 | Comentários (15)

Todos eleitos

Publicado por danieloliveira em domingo 11 julho 20:06 | Comentários (35)

A morte política de Sampaio

Passada a primeira fase de irritação e indignação, vale a pena analisar a decisão de Jorge Sampaio. Não vou aqui regressar aos argumentos da ilegitimidade desta decisão. Qualquer das decisões era legal, uma era politicamente legítima outra politicamente ilegítima. Jorge Sampaio decidiu-se pela ilegítima e por isso não faz qualquer sentido vir dizer que se tem de respeitar a decisão do Presidente. Desde a primeira hora, aqui, disse que não a respeitaria, se ela fosse violadora do espírito democrático e se ela fosse, como acho que foi, nociva para a democracia. A democracia está, para mim, e espero que para todos, acima do Presidente da República. Se ele viola os seus princípios fundamentais deixa de ser merecedor de respeito político.

Jorge Sampaio decidiu. À ofensa que fez à democracia, junta-se outra: a sua decisão é incompreensível para a maioria dos cidadãos. E se é incompreensível, quando estamos a falar de questões fundamentais do regime, então ela é errada. Porque a democracia não pode ser nem vanguardista, nem elitista. Sampaio não a soube explicar. E não soube explicar por uma razão: ela é inexplicável.

Mas é necessário recordar a forma como Jorge Sampaio tomou esta decisão. Ouviu empresários e personalidades (é curioso que tenha achado dispensável ouvir as centrais sindicais), antes de mais. E ao fazê-lo com toda a visibilidade, passou também uma mensagem: que a economia e o conforto ou desconforto das elites perante a decisão que tomasse eram muito mais importantes do que a democracia e a vontade popular. Em nenhum momento se dirigiu realmente ao País. No meio da trapalhada e da indecisão, foi arrogante.

Ainda assim, depois de todas as sondagens e das opiniões que foi recebendo das ditas personalidades e do Conselho de Estado – que maioritariamente defendiam as eleições antecipadas – decidiu em sentido contrário. Porquê? Porque um dirigente partidário que ninguém elegeu para qualquer cargo político nacional, lhe deu garantias. Sampaio acreditou. E achou que podia nomear um governo com condições prévias. Arrastou uma crise por 15 dias para que as garantias de Pedro Santana Lopes lhe chegassem. Jorge Sampaio alimentou a ideia de uma democracia de castas e mesmo perante ela foi absolutamente inábil.

E Sampaio lá acabou por falar. Não preparou o País para a sua decisão, apenas porque foi politicamente incapaz de o fazer. Quando falou disse-nos apenas uma coisa: que recebera garantias e que o governo que sai desta decisão será fiscalizado nas suas políticas, que devem ser iguais às do governo anterior.

Que fique claro: exceptuando áreas muito específicas, Jorge Sampaio não tem poderes constitucionais para controlar a política executiva do governo. O que Jorge Sampaio nos prometeu é, por isso, uma aberração política. A partir do momento em que tomou a decisão não pode fazê-la depender de condições que só são verificáveis à posteriori. Não teve coragem e fazer voz grossa agora apenas torna o seu papel nesta novela ainda mais insustentável. Patético, mesmo.

Mais: Jorge Sampaio não é, nem tem de ser, o garante da continuidade política.

O Programa do governo anterior foi tão sufragado pelos eleitores como o do novo governo. A questão não era nem podia ser a do programa, mas a do primeiro-ministro. Apenas o programa eleitoral do PSD poderia estar em causa e esse nunca foi cumprido nem nunca Jorge Sampaio fez qualquer pressão para que o fosse.

Todos os governos têm o direito a mudar de políticas a meio do mandato. Mudam as condições, e só elas, os programas eleitorais e os compromissos de quem deu a cara por eles podem ser relevantes.

Um áparte: não deixa de ser extraordinário que um Presidente eleito (por voto secreto, directo e universal) pela esquerda queira ser o garante da continuidade de opções políticas de direita. É pura esquizofrenia política. Sampaio é perito em colocar-se em situações destas.

Conclusão: Jorge Sampaio não teve coragem para decidir e por isso quer fingir que ainda pode decidir alguma coisa. Jorge Sampaio não teve coragem de representar a maioria dos cidadãos e quer agora representar o governo demissionário junto do governo que nomeou. Jorge Sampaio envolve-se assim num imbróglio constitucional e político do qual nunca poderá sair.

Politicamente, Jorge Sampaio morreu. Morreu como Presidente, porque foi inábil e não teve coragem política. Porque mostrou ser um amador e não um estadista. E morreu como homem de esquerda. Quem gostava dele, nunca lhe perdoará. Quem agora o saúda, nunca o apoiará. E, no entanto, nada disto resulta de qualquer gesto de coragem. Sampaio é apenas um mau político e um mau Presidente. De tanto querer ser consensual, não conseguiu o respeito de ninguém. Acabou.

Publicado por danieloliveira em domingo 11 julho 19:54 | Comentários (34)

O Estado das coisas

Dizem-me que o funeral da ex-primeira-ministra Maria de Lurdes Pintasilgo não teve direito a honras de Estado. Não chega a ser grave. Com o estado a que chegou o Estado, duvido que ele, pelo menos esta semana, mereça a honra de se associar a Maria de Lurdes Pintasilgo. Mesmo assim, incomoda e diz muito do estado a que chegámos.

Publicado por danieloliveira em domingo 11 julho 19:24 | Comentários (10)

Back in the USSR

Hoje reuniu o Politburo da nação, também conhecido por Conselho Nacional do PSD, para formalizar a constituição de uma troika.

Publicado por ruitavares em domingo 11 julho 19:14 | Comentários (15)

Not so fast

"Em pouco mais de 12 horas, ocorreu a morte política e sobretudo simbólica de Jorge Sampaio e soubemos a morte de Maria de Lourdes Pintasilgo.[...] O momento é do mais carregado luto.» Augusto M. Seabra in Público
Isto é de um profundo mau gosto, não conforta ninguém, nem é a melhor homenagem a quem deu tanto à democracia.

Publicado por celsomartins em domingo 11 julho 16:44 | Comentários (26)

La ricostruzione del Mocambo

Dopo le mie vicissitudini
oggi ho ripreso con il mio bar…
dopo un periodo di solitudine
il Mocambo ecco qui tutto in fior…

Ora convivo con una’austriaca,
abbiamo comprato un tinello marron
ma la sera tra noi non c’è quasi dialogo
io parlo male il tedesco, scusa, pardon,
io non parlo il tedesco, scusami, pardon… 

…Il Curatore sembra un buon diavolo:
oggi mi ha offerto anche un caffè,
mi ha poi sorriso dato che ero un po’giù
e siam rimasti lì, chiusi in noi, sempre di più…
e siam rimasti lì, chiusi in noi, sempre di più…

(Paolo Conte)

Publicado por andrebelo em domingo 11 julho 14:29 | Comentários (2)

Que isto fique bem claro

Sampaio não traiu a esquerda. Sampaio traiu os cidadãos deste país — os mesmos a cuja participação apelou durante dois mandatos — o que é coisa completamente diferente. Negou-lhes o direito a darem resposta à crise. Condenou ao "pantâno" cidadãos de esquerda e de direita, incluindo os que quisessem eleger Santana Lopes.

Afinal a bomba atómica era esta. E quando se lança a bomba atómica perdemos todos.

Publicado por ruitavares em domingo 11 julho 02:09 | Comentários (20)

julho 10, 2004

Ai Portugal, Portugal

Num só mês morrem Sousa Franco, Sophia de Mello Breyner e Maria de Lourdes Pintasilgo. Santana Lopes é primeiro-ministro sem ir a votos. Dar a palavra aos eleitores é considerado "instabilidade". Um presidente de plataforma cidadã prefere a oligarquia à democracia. Um político demite-se um mês depois de ter conseguido a maior vitória de sempre do seu partido.

Resta chorar. Mas em público, para que todos vejam.

Publicado por ruitavares em sábado 10 julho 15:07 | Comentários (62)

O nome da decepção

Vergonha de ter feito campanha por Sampaio, porquê? Arrependimento de ter votado Sampaio, porquê? O Sampaio em que votámos e por que fizemos campanha não foi de certeza este. Acho melhor um voto convicto que se revela uma ilusão do que a ilusão de que já se sabia tudo de antemão. Foi ele que faltou ao que esperávamos dele, não nós. Nós fizemos a nossa parte.

Publicado por andrebelo em sábado 10 julho 14:32 | Comentários (13)

O meu presidente é outro

Publicado por danieloliveira em sábado 10 julho 13:48 | Comentários (51)

Perda, continuação

Morreu Maria de Lurdes Pintasilgo, única primeira-ministra da história portuguesa, cidadã que lutou pela democracia e foi capaz de congregar esperanças à esquerda.

Publicado por andrebelo em sábado 10 julho 13:08 | Comentários (40)

Abram alas para os "socráticos"

Hoje, na TSF, o serviço noticioso dava conta das movimentações no PS após a demissão de Ferro e já se referia aos apoiantes de José Sócrates, o mais que provável candidato a secretário-geral, como os "socráticos". Ainda meio zonzo, comecei a imaginar o próximo Congresso do PS cheio de indivíduos barbudos, vestidos com lençóis brancos e sandálias nos pés.

Publicado por pedrooliveira em sábado 10 julho 09:19 | Comentários (18)

Democraquê?

Ângelo Correia explica agora na SIC Notícias que o poder económico não fez chantagem sobre Sampaio. Apenas defendeu a estabilidade porque as eleições trariam problemas económicos. Perguntado porque é que isso não aconteceu quando Guterres se demitiu, respondeu: «porque não havia uma perspectiva do Partido Socialista ganhar». A ver se percebi: é legítimo os empresários explicarem ao Presidente que não é bom para Portugal um determinado partido ganhar eleições e o Presidente deve ser sensível a este argumento?

Um homem, um voto? Vocês estão tão ultrapassados!

Publicado por danieloliveira em sábado 10 julho 00:52 | Comentários (40)

Sampaio revê a Constituição

Jorge Sampaio recebeu garantias e vai fiscalizar a actuação executiva do próximo governo.
A partir de agora, de cada vez que Santana não cumprir, é a Belém que temos de pedir contas. E assim voltámos à antiga Constituição da República.

Publicado por danieloliveira em sábado 10 julho 00:39 | Comentários (13)

Confrangedor

Ouvir Jorge Sampaio dizer que Santana Lopes lhe deu garantias de estabilidade.
Ouvir Jorge Sampaio ameaçar com uma futura dissolução do Parlamento.
Ouvir Jorge Sampaio pôr condições à actividade executiva de um governo, poder que a Constituição não lhe dá, nem lhe deve dar.
Ouvir Jorge Sampaio.

Publicado por danieloliveira em sábado 10 julho 00:29 | Comentários (28)

Mea culpa

Quero aqui retractar-me por um post populista que escrevi há uns dias. Pedro Santana Lopes não é um usurpador, é apenas um homem de mão. O usurpador é este senhor:

Publicado por celsomartins em sábado 10 julho 00:23 | Comentários (14)

Há hábitos que não se perdem

A direita está em festa. Gosta de receber o poder sem ter de ir a eleições.

Publicado por danieloliveira em sábado 10 julho 00:19 | Comentários (19)

Última hora: transferência do ano

A esquerda portuguesa acaba de anunciar uma contratação que marcará certamente a época política que aí vem: numa negociação difícil com o seu principal adversário, acaba de garantir os préstimos do melhor ponta de lança que o seu mais directo opositor tem para oferecer: Freitas do Amaral transfere-se assim para o rival por troca com Jorge Sampaio ficando a esquerda ainda obrigada a ceder a título definitivo João Soares e Manuel Maria Carrilho ao que acresce uma avultada quantia em dinheiro ainda por confirmar.

Publicado por celsomartins em sábado 10 julho 00:18 | Comentários (8)

Memorabilia

«Há estados socialistas e estados capitalistas e há o estado a que isto chegou.»
Salgueiro Maia, Santarém, 24 de Abril de 1974.

«Ao que chegámos.»,
Marcello Caetano, Largo do Carmo, 25 de Abril de 1974.

Publicado por celsomartins em sábado 10 julho 00:12 | Comentários (10)

julho 09, 2004

Um Governo, uma Maioria, um Presidente

Claro que concordo com Ana Gomes: finalmente, a direita conseguiu.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 23:14 | Comentários (53)

Uma decisão para a vida

A campanha que eu ajudei a fazer por um homem que julgava pôr o voto do povo acima de tudo.

Com apenas uma decisão, Jorge Sampaio devolveu a esquerda aos jorges coelhos e entregou a direita ao circo populista e ao CDS/PP. Com apenas uma decisão, Jorge Sampaio tornou a democracia incompreensível para os portugueses. Com apenas uma decisão, Jorge Sampaio criou uma situação política insustentável: de cada vez que Santana falar, alguém lhe recordará que não manda nada, que ninguém o elegeu, que é um usurpador. De cada vez que Sampaio pedir aos portugueses que se mobilizem, a maioria dos portugueses lembrar-se-á que os trocou por meia dúzia de notáveis e empresários. Jorge Sampaio cometeu o maior erro que alguma vez um presidente eleito, nos últimos 30 anos, terá cometido: desprestigiou a democracia.

Eu fiz, há 9 anos, campanha por ele, como independente. Na altura achava-o o mais promissor dos políticos portugueses. Hoje, tenho vergonha de o ter eleito. Pior é saber que Cavaco nunca o faria. Isso sim, dói. Os complexos de esquerda são a pior das doenças da esquerda e quem quer agradar a todos acaba sempre sem ninguém. Agora, que se junte aos seus novos companheiros de jornada: a Paulo Portas e Santana Lopes, o governo ilegítimo que nomeou. É o seu governo e é bom que, no próximo ano, nunca o esqueça. A decisão dele foi solitária, que a carregue sozinho.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 23:13 | Comentários (32)

Um país no esgoto

Ganhou Pedro Santana Lopes.
Ganhou Paulo Portas.
Ganhou Alberto João Jardim.
Ganhou Luís Filipe Menezes.
Ganhou António Pires de Lima.

Portugal sofreu uma vergonhosa derrota.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 09 julho 22:55 | Comentários (56)

O triste fim de uma carreira democrática



Adeus Jorge Sampaio. Foi o único político por quem alguma vez fiz campanha eleitoral activa. Tenho a certeza absoluta que todos os que lá estavam têm hoje vergonha de terem apoiado alguém que, num momento decisivo, decidiu contra o povo.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 09 julho 22:41 | Comentários (47)

Obrigado, Sampaio. Ficará na história.

O País votou à esquerda e ele virou-o à direita

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 22:14 | Comentários (51)

E se pensas que pensas, estás redondamente enganado

Sampaio andou dois mandatos a pedir aos portugueses que se responsabilizassem pelo seu futuro comum. Que participassem nas decisões que dizem respeito a todos.

Tudo foi para o lixo em poucos minutos.

[título: Chico Buarque, Hino do Duran in Ópera do Malandro]

Publicado por ruitavares em sexta-feira 09 julho 21:28 | Comentários (27)

O primeiro-ministro de Jorge Sampaio

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 21:22 | Comentários (37)

Jorge, o cúmplice do golpe

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 21:21 | Comentários (20)

Esperar pelo pior

Há alguns sinais fortes que não haverá eleições antecipadas. Esperemos para ver. Cada homem faz a sua história nos momentos fundamentais. Saberemos se Sampaio soube estar à altura ou se será lembrado como um cúmplice de um golpe. Nesse caso, terá de carregar a responsabilidade da governação de Santana. Será o seu governo, não o dos portugueses.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 19:58 | Comentários (31)

O País espera

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 09 julho 17:31 | Comentários (8)

Deixa-te estar, não te incomodes

Rui Rio garante que não abandonará a câmara do Porto para integrar o novo governo. É o melhor combinado que eu conheço de regionalismo e patriotismo.

Publicado por celsomartins em sexta-feira 09 julho 15:19 | Comentários (12)

O golpe de misericórdia

«Santala Lopes é uma pessoa capaz de colocar Portugal na moda.», José Castelo Branco in 24 Horas
Senhor Presidente, há opiniões que valem mais do que 10 Conselhos de Estado

Publicado por celsomartins em sexta-feira 09 julho 15:15 | Comentários (9)

"E nunca esqueçam: vamos eleger listas de deputados"


Pedro Santana Lopes e Vasco Graça Moura com actores de novela numa sessão de esclarecimento sobre o sistema eleitoral.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 09 julho 02:34 | Comentários (19)

Meu General, pode repetir? É matéria muito complicada...

«A soldier’s job is to kill the enemy. All else, however important it may appear at the moment, is secondary.» [O trabalho do soldado é matar o inimigo. Tudo o resto, por muito importante que possa parecer de momento, é secundário].

«Theories don’t win wars. Well-trained, well-led soldiers in well-equipped armies do. And they do so by killing effectively.» [Teorias não ganham guerras. Soldados bem treinados e bem dirigidos em exércitos bem equipados ganham. E fazem-no matando com eficácia.]

«Focus on killing the enemy. With fires. With maneuver. With sticks and stones and polyunsaturated fats. In a disciplined military, aggressive leaders and troops can always be restrained. But it’s difficult to persuade leaders schooled in caution that their mission is not to keep an entire corps’ tanks on line, but to rip the enemy’s heart out.» [Concentrem-se em matar o inimigo. Com poder de fogo. Com manobras. Com paus e pedras e lípidos poli-insaturados. Num exército disciplinado, líderes e militares agressivos podem ser contidos. Mas é difícil persuadir líderes educados na precaução de que a sua missão não é manter uma divisão de tanques alinhada, mas arrancar os corações ao inimigo.]

«We don’t need discourses. We need plain talk, honest answers, and the will to close with the enemy and kill him. And to keep on killing him until it is unmistakably clear to the entire world who won.» [Não precisamos de discursos. Precisamos de falar claro, respostas honestas, e a vontade de nos chegarmos ao inimigo e matá-lo. E continuar a matá-lo até ser indubitavelmente claro para todo o mundo quem ganhou.]

«You must find them, no matter how long it takes, then kill them. If they surrender, you must accord them their rights under the laws of war and international conventions. But, as we have learned so painfully from all the mindless, left-wing nonsense spouted about the prisoners at Guantanamo, you are much better off killing them before they have a chance to surrender.» [Há que encontrá-los, não importa quanto demorar, e então matá-los. Se se renderem, seremos forçados a conceder-lhes direitos sob as leis da guerra e convenções internacionais. Mas, tal como aprendemos dolorosamente com todo aquele absurdo acéfalo da esquerda sobre os prisioneiros de Guantánamo, é muito melhor matá-los antes que tenham hipótese de se renderem.]

«The only solution is to kill them and keep on killing them.» [A única solução é matar e continuar a matá-los.]

«It cannot be repeated often enough: Whatever else you aim to do in wartime, never lose your focus on killing the enemy.» [Não se pode nunca repetir demais: sejam quais forem as suas metas em guerra, nunca se esqueça de matar o inimigo.]

«The only way to do that is through killing.» [A única maneira de o conseguir é matando.]

Excertos de um artigo na Parameters, revista do Universidade Militar do Exército dos EUA [US Army War College]. Via Arts & Letters Daily.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 09 julho 02:21 | Comentários (32)

julho 08, 2004

O PSD, o CDS e o poder

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 08 julho 23:34 | Comentários (8)

E quando a democracia chegar ressuscitamos os gajos

«Queremos a pena de morte por um tempo limitado». Ayad Alawi, Primeiro-Ministro nomeado do Iraque.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 08 julho 23:13 | Comentários (11)

Lar de Benfica

Lar de terceira idade em Benfica aceita treinadores retirados. Espera-se igual gesto de caridade para a reintegração na sociedade de ex-presidente da instituição.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 08 julho 19:46 | Comentários (15)

Alhos com bugalhos

Legenda do "Público" a uma fotografia de António Costa: «António Costa, na bancada do PS, na sessão plenária da AR para o levantamento da imunidade parlamentar de Paulo Pedroso (arguido no caso de pedofilia da Casa Pia - 2003/05/21)»

A notícia onde está a fotografia é sobre as eleições antecipadas e não tem qualquer relação com o caso Casa Pia. Alguém me explica, do ponto de vista deontológico, esta legenda?

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 08 julho 19:29 | Comentários (10)

Para ser ainda mais fashion, nada como um pouco de retro

Escrevi: «Quem vota no PCP, no CDS ou no Bloco de Esquerda não quer escolher o primeiro-ministro. (…) Quem vota à esquerda no PCP e no Bloco e à direita no CDS, não quer maiorias absolutas. Ou quer condicionar o futuro governo ou eleger quem lhe faça oposição.».

Paulo Pinto Mascarenhas, do CDS/PP, respondeu: «Na verdade, o Daniel Oliveira defende um sistema bipartidário (...) sendo que os restantes partidos servem para pouco mais do que animar as campanhas eleitorais e sentar-se nas cadeiras que sobram no Parlamento ou no Governo. É, reconheço, uma ideia muito fashion, muito moderna, muito bloco, mas não me parece que venha a fazer doutrina. »
Paulo Pinto Mascarenhas, do CDS/PP

Paulo Portas, muito fashion, na campanha das legislativas de 2002:

«Se os socialistas já perderam, o que está em causa saber é se nós vamos ter uma maioria de dois partidos, PSD mais CDS, ou se haverá uma maioria absoluta de um só partido. Frisamos mais uma vez que é fundamental não dar o todo a um partido só» Paulo Portas, 8 de Março de 2002

«Penso que o eleitorado, desta vez, vai querer dar suficiente força ao CDS para, por um lado, contribuir para levar o PS para a oposição e por outro lado, para pôr os nossos valores no governo».
Paulo Portas, 12 de Março de 2002

Será muito fashion, mas o retro ajuda um pouco a recordar tempos antigos. Não sei o que entende PPM por "condicionar", mas a mim parece-me que era disso que Portas estava a falar. Limito-me a prestar atenção às campanhas eleitorais.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 08 julho 19:09 | Comentários (5)

Muito para além da constituição

A actual situação do país não permite que a argumentação pró e contra uma solução de clarificação política seja reduzida a uma lógica silogística do tipo «a constituição permite, logo está encontrada a solução». Isso qualquer observador sério compreende, seja qual for a sua visão do problema.

Vamos por partes:
1 - é verdade que a simples saída do primeiro-ministro para Bruxelas não implica, no nosso modelo constitucional, a realização de eleições.
2 - É, igualmente, verdade que os resultados das eleições europeias, por claros que sejam na sua mensagem, não permitem retirar conclusões no plano legislativo (Cavaco perdeu intercalares e teve uma maioria absoluta a seguir). Aceitando o modelo do castigo, nunca teriamos governos de mais de 2 anos.
3 - é, ainda, verdade que a derrota esmagadora da coligação não abanou uma aliança que, por razões de mútua sobrevivência, irá abraçada mesmo para o cadafalso.

Estes são argumentos que tomados individualmente permitiam ao presidente manter o quadro político como está. O problema é que, neste momento, várias circunstâncias se conjugam, criando uma situação insustentável do ponto de vista político:

1 - O primeiro-ministro apresentou-se sempre como o rosto do seu programa. A sair teria que ter deixado no seu lugar uma figura que desse verdadeiras garantias da sua execução.
2 -A escolha feita devia ainda obter consenso pelo menos no interior do maior partido da coligação. Ora Santana Lopes é um sapo vivo que metade do PSD vai ter que engolir. E logo, a metade que sustentava o governo (o cavaquismo e suas ramificações).
3 - Um último e prodigioso argumento prende-se com questões de justiça: alega a maioria que é justo que depois de sujeitar o país a rigores e dificuldades, a coligação teria o direito de lhe servir o maná e tirar daí dividendos políticos. Este argumento supõe que diante de tão altas exigências de justiça partidária, o destino do país é uma irrelevância. Devemos ficar todos à espera que eles venham levantar o prémio (sejam quem for estes «eles»).
4 - O problema central é que a cabeça da maioria teve tanta confiança na chegada de dias melhores que se pôs ao fresco logo que pôde e quem fica para receber o prémio nada fez para o ganhar.
5 - Se a primeira coisa que o primeiro-ministro cessante fez após ser eleito foi fazer tábua rasa do seu programa, estamos agora demasiado longe desse momento inaugural deste governo (mesmo que não estejamos temporalmente). Há muito que não estão lá as propostas e agora os personagens já não são os mesmos. Quem pode garantir o que aí vem?

Perante esta encruzilhada, resta ao presidente uma margem de subjectividade que está inscrita nos seus poderes precisamente para que possa desatar nós que se prolongam muito para lá da engenharia constitucional. Oxalá seja capaz de o fazer e de clarificar o que está muito emaranhado. Convocando eleições, claro.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 08 julho 16:07 | Comentários (10)

Somos todos Portugal


Somos todos Durão Barroso

Publicado por ruitavares em quinta-feira 08 julho 04:13 | Comentários (15)

Cuidado com os rapazes

"Se a questão se revelar insolúvel, então sim, será essa a altura de julgar Durão Barroso e de responsabilizá-lo."

Vasco Graça Moura, DN 7 julho 2004.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 08 julho 04:11 | Comentários (3)

Exclusivo Sábado: Chopin e Machado de Assis apoiam Santana Lopes para PM

A revista Sábado lançou uma nova campanha publicitária sob o slogan: "e se todos entrássemos na História?". Ao mesmo tempo, a capa do número que está agora em banca exibe Luís Figo e garante em título garrafal: «Como Vamos Ganhar a Final». Não sei se esta azarada manchete dá propriamente para entrar na História, mas garantirá certamente uma presença directa naquelas listas de gaffes jornalísticas célebres que aparecem nos manuais – nomeadamente no Manual do Peninha.

Isto é tanto mais estranho quanto o director editorial da Sábado é João Marcelino, que foi durante anos director de um diário desportivo (não confundir por favor com um tio meu, do mesmo nome, que foi Campeão Nacional de Ciclismo pelo Benfica nos anos 50). Não poderia ele ter explicado aos seus subordinados que os resultados desportivos não costumam chegar por fax às redacções, antes dos jogos? É verdade que hoje em dia já ninguém se admiraria com tal coisa – mas, que diabo, o Euro não é a SuperLiga.

A mesma capa é encimada pelo título: «O que quer Santana Lopes?». Valerá a pena comprar a revista para sabê-lo? Eu aconselho vivamente. "Pense por si", como diz o outro slogan da publicação: compre a Sábado e ficará a saber que Santana Lopes quer ser Primeiro-Ministro – e como vamos ganhar a final.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 08 julho 04:07 | Comentários (2)

E acima de tudo benfiquista

«Cristo teria sido maçon, do PS e pela dissolução.»

Almeida Santos

Publicado por ruitavares em quinta-feira 08 julho 03:58 | Comentários (24)

julho 07, 2004

Notícias

Não há notícias neutras. As notícias ou são boas ou são más. Quando chegam é logo: bom ou mau, bom ou mau, preto ou branco. É logo assim que as tentamos classificar. É por isso que damos alvíssaras ao mensageiro ou o matamos. Depois, a realidade é diferente. Mas as notícias são assim, boas ou más. E sempre foram assim. Já eram assim no tempo da Maria Cachucha, para ser rigoroso.

Acabo de receber duas notícias muito boas, ambas relativas à minha agenda da actualidade. Não acontece todos os dias.

Publicado por andrebelo em quarta-feira 07 julho 21:12 | Comentários (15)

O regresso de Jack Bauer

Hoje, na RTP 2, às 22h30m, começa o segundo dia mais longo na vida do agente Jack Bauer, que irá tentar evitar a deflagração de um engenho nuclear no centro de Los Angeles. O senador David Palmer, salvo de uma tentativa de assassinato na primeira temporada da série, é agora o Presidente David Palmer - o primeiro afro-americano a ocupar esse cargo na história da televisão americana.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 07 julho 17:38 | Comentários (8)

Uma prenda para o CDS/PP

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 07 julho 16:30 | Comentários (12)

Esclarecimento

Paulo Pinto Mascarenhas, que já deve estar a arrumar a papelada, pergunta-me se defendo o bipartidarismo ao dizer que os portugueses escolheram Durão Barroso como primeiro-ministro. Não, não defendo. Quem vota no PCP, no CDS ou no Bloco de Esquerda não quer escolher o primeiro-ministro. Quem vota no PSD e no PS sabe que está também a eleger o primeiro-ministro, porque estes dois partidos fazem questão de assim apresentar os seus lideres. E só eles são responsáveis por esse facto. Quem vota à esquerda no PCP e no Bloco e à direita no CDS, não quer maiorias absolutas. Ou quer condicionar o futuro governo ou eleger quem lhe faça oposição.

PS: Suponho que não falta quem queira que eu fale da manchete de hoje do "Público". Não farei esse favor aos defensores do Golpe Santanista, o de começar um debate que distraia da ilegitimidade da nomeação de um governo sem eleições. Haverá tempo para este debate.

Seja como for, com a notícia da convocação do Conselho de Estado, tudo indica que teremos eleições. Felizmente.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 07 julho 13:32 | Comentários (25)

Os portugueses votaram em listas de deputados



Vamos repetir isto muitas vezes.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 07 julho 01:20 | Comentários (22)

julho 06, 2004

Os eleitores votaram em partidos e não em pessoas



A miúda não conta.

Publicado por ruitavares em terça-feira 06 julho 22:44 | Comentários (5)

Up, up – and away!



Rumo ao Mega-Tacho.

Publicado por ruitavares em terça-feira 06 julho 19:31 | Comentários (16)

Boa sorte democratas, vão precisar de toda a ajuda do mundo

John Kerry escolheu John Edwards, o seu rival de há uns meses nas primárias democratas, para candidato à vice-presidência nas eleições de Novembro.
A telegenia de Edwards, a sua energia em campanha, o seu apelo ao eleitorado do Sul (é senador pela Carolina do Norte) terão sido alguns dos factores determinantes nessa decisão. "Edwards é a coisa mais parecida com Elvis que eu vi na política", afirmava esta semana ao Economist um dos chefes democratas.
Pois, pois. O problema é que o "ticket" republicano reúne uma dupla... uma dupla quase imbatível.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 06 julho 19:27 | Comentários (8)

A incontinência política de Santana

Santana Lopes parece não conhecer bem a natureza humana. E ainda menos a natureza de Jorge Sampaio. Na entrevista de ontem, falou inúmeras vezes do como se já fosse quase primeiro-ministro e estivesse a preparar um governo. Conhecendo-se o Presidente da República, não é difícil imaginar a cara com que ouviu Santana a contar como seguro o que está longe de o ser. Ou muito me engano, ou deu o último dos argumentos que Sampaio precisava.

Não é a primeira vez que Santana Lopes se precipita e se chega à frente cedo de mais. Já o fizera com Cavaco e com a sua candidatura presidencial. E será este seu frenesim infantil que de novo o condenará. A própria entrevista foi um erro. Os termos que usou, foram só suicídio.

Há sempre uma segunda possibilidade: Santana já sabe que as eleições vão acontecer e estava só a fazer campanha eleitoral.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 06 julho 14:46 | Comentários (43)

Lição de grego

O berço da cultura europeia é ainda, nos dias que correm, um exemplo para o velho continente: tem sentido de grupo, espírito solidário e possui uma coisa que a Europa vai demorar muito tempo a ter: a melhor defesa do planeta.
Publicado por celsomartins em terça-feira 06 julho 13:03 | Comentários (22)

Trapattoni é o novo (coff, huumm, coff) treinador do Benfica

É sempre bom saber que o glorioso continua a apostar em pessoas com ambição e desejosas de provar o seu valor.
Publicado por celsomartins em terça-feira 06 julho 12:58 | Comentários (17)

julho 05, 2004

Está tão crescido o nosso Pedrinho

Ele até já fala de economia, da Europa e do desemprego dos licenciados. Até decorou uns números e tudo. Está tão primeiro-ministeriável, o nosso Pedro. Conteúdo não tem nenhum, mas esteve com estilo.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 23:43 | Comentários (48)

Que horror, outra vez a democracia

«Não vamos obrigar as pessoas a aturar outra campanha. Os pais a levarem os filhos à escola e darem de caras com a minha cara e com a do dr. Ferro Rodrigues». Pedro Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 23:36 | Comentários (17)

As bandeiras ainda lá estão; e ainda têm utilidade

Não sei o que se passa no resto do país. Mas aqui no bairro da Graça, em Lisboa, as bandeiras ainda estão todas no mesmo lugar. Posso estar enganado, mas até parece que havia umas novas.

Com a selecção podemos sonhar, mas não podemos exigir, embora utilizemos erroneamente o termo. Não seria excelente sermos em muitas outras coisas os segundos melhores da Europa? Ter, por exemplo, a segunda melhor Universidade da Europa? O segundo melhor hospital da Europa?

As bandeiras têm agora outra utilidade. Se exigimos futebolistas de primeira, como é que aceitamos ter governantes de terceira? Como é que podemos aceitar poder vir a ter um PM que não foi escolhido por ninguém? Como podemos aceitar que a decisão não volte às nossas mãos, para virmos a legitimar o próximo governo, qualquer que ele seja?

Aqui é que é o lugar do patriotismo no seu sentido melhor. Há muita gente que quer que o patriotismo seja o orgulho dos fracos: se não tenho nada de que me orgulhar, orgulho-me de ser lá da minha rua, ou de ser desta cor, ou ter nascido desta religião. E gostariam que a coisa pare aí: que o povo agite bandeiras e volte para casa. Mas se queremos que o amor pelo lugar onde vivemos (do país ao planeta) tenha conteúdo, então temos de ir mais longe, e querer que as pessoas participem nas decisões que lhes dizem respeito.

Estou neste momento a ouvir na TV Pedro Santana Lopes pedir que "se poupem as pessoas das eleições". Poupar as pessoas das eleições? Eis uma das coisas mais anti-democráticas (logo, verdadeiramente anti-patrióticas) que um candidato a PM pode dizer. É contra isto que muita gente vai estar na manifestação de amanhã, com ou sem bandeira.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 05 julho 21:42 | Comentários (48)

Ao teguível Ivan

Parabéns por um ano de Praia

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 05 julho 19:15 | Comentários (2)

Exclusivo: Barnabé revela menu grego para chegar à vitória

Jogando à defesa o tempo todo, o grego manteve secreta até ao último momento a ementa que o conduziu à vitória final. Mas o Barnabé, que é chato como o caraças, tanto insistiu que lá conseguiu.

Entrada: pastéis de bacalhau e tapas. Tudo acompanhado com vodka bem gelada (a vodka caiu mal, tendo obrigado o grego a chamar por São Gregório antes de continuar).

Prato: Vol au vent d'escargots devidamente regados com cerveja Pilsener.

Sobremesa: pataniscas de bacalhau (perante o desespero do dono do restaurante, que queria à viva força dar-lhe a provar a encharcada de ovos da casa)

Publicado por andrebelo em segunda-feira 05 julho 18:20 | Comentários (8)

Até ele conhece os seus limites

Santana Lopes admite vice para credibilizar Governo.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 17:05 | Comentários (10)

Ainda petição

Assina esta petição, exigindo eleições antecipadas. Já tem quase 1.600 assinaturas.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 13:12 | Comentários (16)

Sophia

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Desculpem o atraso, andei fora deste mundo. Claro que os outros barnabés não se esqueceram, mas eu queria voltar a dizer: poesia é Sophia.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 13:09 | Comentários (1)

Contra-informação

Ao contrário do que foi dito pela comunicação social e do que aqui reproduzi, Manuela Ferreira Leite não pediu desculpa pelo que disse sobre um possível governo de Santana. Ao contrário do que foi anunciado, Cavaco não apoia Santana. A contra-ofensiva para fazer parecer Santana consensual no PSD não resultou.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 05 julho 13:01 | Comentários (9)

O grande sonho – ó dor! – quasi vivido...

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d’espuma
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quasi vivido...

Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim – quasi a expansão...
Mas na minh’alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

[...]

Quasi (excerto), Mário de Sá-Carneiro (1913)

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 05 julho 10:31 | Comentários (32)

julho 04, 2004

Seguindo o exemplo do Cherne

Portugal é Vice-Campeão. Se a Grécia for para a Europa talvez nos dêem a taça.

Publicado por danieloliveira em domingo 04 julho 23:59 | Comentários (25)

A margem da alegria

Está tudo a buzinar na rua, será um carro em segunda fila?

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 22:20 | Comentários (24)

Obrigado

Isto é história velha, mas acho que talvez se adeque ao dia de hoje. Em 1950, o Brasil organizou o campeonato do Mundo, gastou dinheiro, construiu o maior Estádio do Mundo – o Maracanã – e quando chegou o último jogo bastava um empate contra o Uruguai para o Brasil ser campeão do Mundo. Todos os brasileiros acreditaram que era certo. Não foi. O Uruguai não tinha lido o argumento e foi o Campeão. Hoje em dia, contudo, quando se fala com alguém que viveu nesse tempo dizem-nos com orgulho "eu estive lá", como se tivessem vivido um momento histórico. E depois dessa desilusão o Brasil já foi campeão do mundo por 5 vezes.

Um dia, quem sabe, a segunda parte dessa história poderá ser também a nossa.

Eu agora tenho vontade é de dizer obrigado à selecção. Jogaram bem, são todos excelentes, e tal como em 1966, 1984, 2000 e até 1996, fizeram-nos sonhar. Foram ainda mais longe do que nessas vezes. São vice-campeões europeus, o que é fantástico. Chegámos mais perto do que nunca, e a seguir temos os Jogos Olímpicos, na Grécia, e daqui a dois anos o Mundial na Alemanha. Quem sabe se não ganharemos aí? É sempre mais fácil dizer que não, mas essa já não é a verdade desta selecção. Eles são dos grandes.

Quem gosta de futebol há muitos anos sabe como ultrapassar estas frustrações. Para quem começou a gostar com este magnífico Euro talvez valha a pena dizer o seguinte: lembrem-se que se escreveu hoje mais uma página da humaníssima epopeia tragicómica do Futebol.

E já agora, como é evidente e sempre devido: parabéns à Grécia. Que festejem muito com a alegria que nós hoje não podemos ter, mas que teremos certamente um dia.

Publicado por ruitavares em domingo 04 julho 22:18 | Comentários (33)

Ó Pedro...

A tal da Nemesis não quer mesmo nada ca gente... (e a scaramanzia também não...). Raisparta.

Publicado por andrebelo em domingo 04 julho 22:05 | Comentários (2)

Uma coisa é certa

Scolari já não forma governo.

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 21:59 | Comentários (3)

Ai de nós!

Nossa Senhora meteu uma licença sabática.

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 21:58 | Comentários (10)

Tlac tlac tlac

Epá... se ganharmos, somos... campeões europeus... foi tudo tão rápido..., nem me tinha dado conta...

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 17:41 | Comentários (12)

Os trabalhos da fé

Ricardo vai a Fátima a pé e uma multidão enorme já garantiu que o acompanha. Até já há cartazes na rua a dar força ao guarda-redes para a prometida caminhada. O país está mergulhado num caldeirão de misticismo como não se via desde as aparições. Sugiro uma derradeira medida governamental ao nosso ligeiro primeiro-ministro: tenha a bondade de decretar que Nossa Senhora gozará amanhã uma merecida tolerância de ponto. É da mais elementar justiça.

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 15:59 | Comentários (6)

Subtextos da crise

«Durao Barroso não avisou Cavaco da decisão de ir para Bruxelas», título do Público de hoje.
Há certas notícias que nos fazem pensar que os jornalistas sabem muito mais do que querem dizer. Porque é que Durão havia de avisar Cavaco, se não avisou sequer o pobre Guilherme Silva que teve que fazer aquela triste figura? Cavaco não ocupa qualquer cargo no PSD, é o virtual candidato do partido à presidencia da república, é certo, mas não tem nenhum compromisso com Durão Barroso. Ou terá?

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 15:50 | Comentários (1)

O coro das gralhas

A qualidade a que chegou a oferta televisiva revela, nos mais ínfimos pormenores, um enorme desprezo pelo público. O estado da tradução e legendagem de alguns programas - nomeadamente, os documentários - é bastante sintomático dessa realidade. Como são programas com audiências ultra-minoritárias, o seu tratamento pode ser entregue a qualquer incompetente que para além de dominar de modo rudimentar o idioma que está a traduzir não sabe nada (nem o nome) sobre a figura que o programa aborda. Por isso, com franqueza, eu tenho a maior curiosidade em conhecer criadores novos mas não me apetece ter qualquer contacto com gente como Altus hachley, Bob Delan, Frank LLoyd Right ou Mark Rocko.

Publicado por celsomartins em domingo 04 julho 15:44 | Comentários (4)

Bibliografia básica

Para vencer a ansiedade da espera e fazer qualquer coisa de útil, neste site pode-se apostar em todas as variáveis possíveis e imaginárias do Portugal-Grécia de hoje, desde o resultado até ao número de lançamentos da linha lateral. Pode-se também apostar no resultado do fascinante Haugesund-Konsvinger, a contar para o campeonato norueguês. E aqui o livro de cabeceira, evidentemente, é o livro sobre a "smorfia" (sistema cabalístico e astrológico de conversão de imagens oníricas em números que depois permite vencer o totobola) de Rolando Rossi, Come interpretare i sogni, la smorfia, e le fasi lunari per vincere al lotto, Milão, De Vecchi Editore, 1990.

Publicado por andrebelo em domingo 04 julho 14:45

A scaramanzia (para a Vale e para o Rui)

Desconfio sempre quando se fala de nacionalidades como se a elas correspondessem características psicológicas. "Nós portugueses" somos assim. Os "franceses" são assado. Mas, se me falarem em maneiras de fazer as coisas, formas de se comportar em grupo, aí já acredito mais. Quando vivi durante uns meses na Casa de Portugal em Paris, cheguei à conclusão empírica de que o que nos distingue de outras populações do mundo é isto: ficamos todos à espera uns dos outros para irmos jantar à cantina. Virar as costas ao grupo (A que espera por B que espera por C, que está a acabar de tomar duche, que chega e diz que D também vai e está mesmo a descer) é-nos insuportável. Reparei nisto e pensei: "olha, nada de saudade nem dessas coisas; ser português afinal é isto." E se calhar isto nem é português especificamente, mas da Europa do sul, não sei. A verdade é que os noruegueses não o fazem.

Este intróito para falar do jogo de hoje, é claro. Diz-me como te comportas ao ver uma partida de futebol e dir-te-ei de que país és. Por exemplo, os franceses, cartesianos até à última. No França-Inglaterra, estava a ver o jogo com amigos franceses num café; querendo ir para casa ao intervalo, mandei a piada: "vou-me embora porque estou a dar azar" (a França perdia 1-0). Ficaram a olhar para mim espantados como se eu fosse irremediavelmente complexado (fui-me embora, a França ganhou 2-1). Sobre isto, queria expôr-vos a minha teoria. Apesar da gravata de José Barroso, em matéria de compreensão das forças ocultas da sorte e da fortuna, acho que os portugueses são uns amadores. Não por acaso, não temos na língua portuguesa (espero não estar a dizer um grande disparate) um equivalente para a scaramanzia dos italianos. Estes, pelo menos na Europa (não falo, é claro, da macumba brasileira, nem dos marabouts e dos vodus africanos), são os profissionais nesta matéria. E os mestres absolutos são os napolitanos.

A scaramanzia, pelo que consigo perceber, é a ciência antiquíssima que vem de tempos pagãos e que regula as relações complexas entre o frágil ser humano e as forças cósmicas da fortuna. Debaixo desta definição cabe muita coisa e muito ritual. Em matéria de futebol, traduz-se, para os mais supersticiosos, em repetir todo o tipo de hábitos (objectos, roupas, posições, lugares, gestos) que se acredita dar sorte e evitar, inversamente, tudo o que parece dar azar porque esteve associado anteriormente a uma derrota. Podem dizer que isto são tudo superstições pré-iluministas. Para mim, que me aculturei a uma scaramanzia moderada e me habituei a constatar a sua eficácia, trata-se simplesmente da humildade de perceber que a sorte (no sentido de fortuna, o que portanto inclui também o azar) é uma coisa que não se desafia. Se a sorte está lá quietinha e se ainda para mais até nos não é desfavorável, uma pessoa não se vai meter com ela. A mim parece-me uma maneira bastante racional de lidar com a impotência criada pela situação de adepto e com o aleatório de uma partida de futebol. Tem em conta o imponderável e não é certamente mais irracional do que dizer: "vamos ganhar porque temos melhores jogadores". Em termos filosóficos, remete para a concepção de que há uma relação imanente entre as palavras e as coisas: entre elas há uma relação necessária, não arbitrária. Toca-se nas palavras e está-se a mexer no mundo.

Trocado por miúdos isto quer dizer que nunca por nunca se diz, nos últimos dez minutos de um Itália-Suécia, que "o jogo está perfeitamente controlado" ou "este Buffon tem estado perfeito". Muito menos se telefona durante uma final do Europeu a celebrar antecipadamente uma vitória da Itália contra a França. Não, não foi Wiltord o responsável pela reviravolta da selecção francesa nesse jogo fatídico que os italianos estiveram a ganhar até ao último minuto. O autor moral desse golo do empate foi um Barnabé (não vou dizer nomes, até porque ele me dedicou um post agorinha mesmo) que decidiu telefonar para uma casa luso-italiana a dar os parabéns a três minutos do apito final do árbitro. Este é o exemplo mais clamoroso, mas há muitos outros. Ainda recentemente, a Inglaterra empatou contra Portugal — depois de um golo tão bonito do Rui Costa que merecia que o árbitro reintroduzisse logo ali a regra da morte súbita em sua homenagem — apenas porque uma amiga portuguesa que estava na sala gritou "já ganhámos!". Dois minutos depois, o Lampard empatou.

Os adeptos de sofá portugueses conhecem mal a scaramanzia e brincam impunemente com a sorte. Era muito interessante perceber por que é que historicamente isto acontece. O catolicismo (mas haverá mais católicos que os italianos)? O fado? Ou o seu inverso, um optimismo maravilhoso e incurável à Rui Tavares? Infelizmente, não temos tempo para estas explicações. Nem queremos, porque hoje acaba o Europeu e já fomos para lá de Eusébio. Queremos só dizer isto: até ao lavar dos cestos é vindima, não se vende a pele do urso antes de o matar e etc e tal e batam na madeira e tudo muito caladinho até ao apito final do árbitro.

P.S. A única palavra portuguesa que conheço que se aproxima da scaramanzia é o verbo "enfegar", usado, que eu conheça, no Sotavento algarvio. Diz-se "nã enfegues iste", no sentido de: "isso que estás para aí a dizer dá um azar do caraças". Como o incontornável porta sfiga dos italianos.

Publicado por andrebelo em domingo 04 julho 11:53 | Comentários (8)

É a hora?

Em 2002 assisti à final do Campeonato do Mundo com alguns amigos portugueses e muitos brasileiros. Quando a festa se instalou, nós os portugueses viemos à rua comprar comida e eu, um pouco melancólico, comecei a sonhar alto sobre se algum dia teria hipótese de comemorar uma vitória de Portugal como o faziam naquele dia os nossos amigos brasileiros. Calculei para mim mesmo mais 50 anos de esperança de vida, o que convertido em eras futebolísticas dá doze Campeonatos do Mundo e doze Europeus. "E o que acham vocês" – perguntei aos outros –, "com doze campeonatos pela frente terei ainda hipótese de ver Portugal campeão?".

Como vocês vêem, eu não penso só em História, Política, Arte e Literatura. Às vezes também me preocupo com coisas importantes.

A resposta, ainda sob a influência da triste campanha da selecção na Coreia, foi um claro não. "Não, Rui" – disse-me o André Belo – "tu não vais chegar a vê-lo, e temo bem que os nossos filhos também não". "E se queres mesmo saber", acrescentou, "a comeres shoarma e batatas fritas dessa maneira não sei se chegas a durar mais 50 anos".

Ontem à tarde fui passear para perto do Mosteiro dos Jerónimos. A intenção era lanchar uma pita shoarma com batatas fritas que se vende ali ao lado. Sentei-me num banco de jardim a comer e a meditar nisto tudo. Algumas pessoas passaram por mim e olharam com respeito para aquele rapaz circunspecto com rugas de esforço intelectual na testa e junto às pálpebras. Eu mal os via. Dizia para mim mesmo: "será verdade?"

Mergulhei uma batata frita no molho branco de que não sei o nome e apercebi-me com alívio que talvez não precisasse de fazer uma vida mais saudável para maximizar as hipóteses de ver Portugal ser Campeão em Futebol. Hoje saberemos finalmente se chegou o momento em que "súbito, onde o vento ruge, / O relâmpago, farol de Deus, / um hausto Brilha e o mar 'scuro 'struge".

[Este texto vai dedicado ao Pedro e à Malu Puntoni, que me ligaram de São Paulo mal terminou a meia-final para dar os parabéns aos seus amigos portugueses que tinham alcançado a Final do Campeonato, e garantiram que lá naquela magnífica cidade todos torciam por Portugal e tinham acompanhado o jogo. E vai também dedicado, como é evidente, ao André Belo, meu velho companheiro sofredor de jogos do Benfica e da Selecção, sempre mais pessimista – digo: realista – do que eu.]

Publicado por ruitavares em domingo 04 julho 05:10 | Comentários (8)

julho 03, 2004

A minha praia

Faz hoje um ano que o Ivan Nunes criou a sua Praia. Sou amigo deste teguível blogger há muitos anos e há muitos anos que admiro a sua inteligência. Mas aquilo de que mais gosto no que ele faz na blogosfera é uma forma poética de andar à procura. Em jeito de parabéns, cá vai esta foto da minha praia e uma frase que acho que tem a ver com a dele: "Good intentions don't solve problems. Bad intentions don't necessarily cause them" (Fredrik Barth). Um abraço, Ivan!

Publicado por andrebelo em sábado 03 julho 14:53 | Comentários (12)

julho 02, 2004

Este é o tempo

Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de Chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam

Sophia de Mello Breyner, in Mar Novo

Publicado por celsomartins em sexta-feira 02 julho 23:15 | Comentários (13)

Parem as máquinas



Sophia de Mello Breyner Andresen 1919-2004

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 21:02 | Comentários (17)

Não fazia ideia que ele era mortal

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 02 julho 17:24 | Comentários (20)

A confissão e a auto-crítica

Ferreira Leite pede desculpa por ter sido excessiva

Como nos conta o exemplo de Nikolaj Bukharin, a culpa pelos "crimes" contra o Partido expia-se em público.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 02 julho 16:01 | Comentários (20)

O historiador mal-amado

Numa época em que os jornais competem desenfreadamente para encontrar o melhor brinde para os leitores (muitos deles de duvidosa qualidade e dirigidos a um público ávido de preencher as estantes com lombadas vistosas), é de saudar a mais recente iniciativa d’O Independente.
Uma colecção de 16 antologias de crónicas e ensaios de um leque muito variado de autores (de Alexandre O’Neill a Luís Sttau Monteiro, de Agustina a Cesariny), muitos dos quais só disponíveis nas hemerotecas ou nos sótãos dos coleccionadores de recortes. Os livros têm uma paginação impecável e todos trazem na capa uma caricatura do genial André Carrilho. Em suma, prata da casa e do melhor que há.
Esta semana foi posto à venda Outra Opinião. Ensaios de História, do historiador Rui Ramos. O volume reúne um conjunto de textos publicados no semanário entre 2003 e 2004, geralmente a propósito de uma efeméride ou de um tema da actualidade. Todos são polémicos e atentam contra a ortodoxia bem pensante, seja ela de esquerda ou de direita. Muitos sentir-se-ão irritados com algumas das suas interpretações, mas, se querem que vos diga, às vezes é melhor ser picado pela direita do que adormecido pela esquerda – especialmente quando os temas em questão são a I República, a Guerra Colonial ou a Revolução de Abril (as análises de RR acerca do Estado Novo pareceram-me menos penetrantes quando as li pela primeira vez no jornal, mas vou confirmar agora na versão em livro).
Se houvesse em Portugal uma verdadeira tradição de debate intelectual (nas universidades, nas revistas eruditas, nos suplementos dos jornais), este livro causaria uma pequena tempestade. Mas, se bem conheço os nossos costumes, o mais provável é que a intelligentsia o receba com uma estudada indiferença. Se tal acontecer, será uma pena.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 02 julho 13:02 | Comentários (8)

Petição

Assina esta petição, exigindo eleições antecipadas. Já tem mais de 600 assinaturas. Vamos chegar às milhares.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 02 julho 08:09 | Comentários (27)

A Constituição permite, é do PSD...

... e é um rapaz esforçado e trabalhador. Como puderam esquecer-se do sobrinho de Isaltino?

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 02:16 | Comentários (15)

Da superioridade da república

Já o tinha dito quando o Porto ganhou ao Mónaco, mas ninguém quis acreditar. Agora vejo a minha teoria comprovada com 100% de ocorrências: Portugal eliminou todas as quatro monarquias que defrontou.

[Agora vão dizer-me que a Rússia não é uma monarquia, não? Devem estar a brincar.]

Deste ponto de vista, talvez não seja mau jogarmos com a Grécia. Isto porque se a Grécia é mais ou menos uma república, – tal como Portugal –, ninguém duvida que a República Checa deve ser um dos países mais republicanos do mundo – até porque se não o fosse os checos teriam imensas dúvidas acerca do nome do seu próprio país. Nem Vaclav Hável atinaria em como chamar-lhe.

Venham então os gregos, e a confirmar-se esta hipótese, Sampaio poderia dar um grande empurrão convocando eleições antecipadas.

Eu sei, eu sei. Vão dizer-me que este é um descarado aproveitamento político do futebol. E é a pura verdade. Mas pelo menos é um pouco mais sofisticado do que a gravata da sorte do Durão, perdão, do Barroso.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 01:53 | Comentários (10)

A Constituição permite, é do PSD...

... e foi em tempos considerado um autarca modelo. Isaltino Morais teria dado um grande PM.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 01:08 | Comentários (5)

Já temos preeeeeeeesidente!

Grupo parlamentar do PSD, de 105 deputados, aprova Pedro Santana Lopes por unanimidade. E o mais hilariante – ninguém lhes tinha pedido nada.

[Nota: sei que ali estão bem mais de 105 ovelhas. Mas pus umas a mais para satisfazer o pessoal anti-manifestações.]

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 00:56 | Comentários (29)

A Constituição permite, é do PSD...

... e ocupou já muitos cargos de responsabilidade. O Conselho Nacional esqueceu-se de Valentim Loureiro.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 02 julho 00:47 | Comentários (4)

julho 01, 2004

Dik a nashle*

Não vamos jogar com a melhor equipa deste Europeu. Injusto para eles e para nós.

* Obrigado e adeus

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 22:26 | Comentários (9)

Safa!

Santana é Presidente do PSD e candidato a Primeiro-Ministro.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 21:50 | Comentários (11)

3 em 1

Durão Barroso diz que não teria aceite o convite da Comissão Europeia se soubesse que poderia haver eleições antecipadas. Ele quer ser presidente da Comissão, escolher o primeiro-ministro e decidir pelo Presidente da República.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 20:06 | Comentários (8)

Na dúvida

Já falei aqui da questão da ilegitimidade política de um novo governo que não resulte de eleições. Falta falar da situação táctica e dos jogos políticos. Repito: este post é apenas uma análise do cenário político, sem considerações éticas ou constitucionais.

É seguro que, neste momento, ou Jorge Sampaio marca eleições antecipadas ou nomeia Pedro Santana Lopes. Não há terceira possibilidade e Sampaio decide aqui toda a memória que ficará da sua passagem pela Presidência. Mesmo que alguns desesperados do PSD tentem fazer correr nomes como o de Mota Amaral. Sabem que mal o PSD escolha, como vai escolher, Santana Lopes, cenários como este ficam postos de lado.

Tudo indica que Jorge Sampaio se comprometeu com Durão Barroso a aceitar Santana Lopes, recebendo a informação categórica de Durão que a nomeação de Santana Lopes seria consensual no PSD. Afinal não era e, por isso, Sampaio ganhou legitimidade pessoal (a política já tinha) para optar por eleições antecipadas. Durão veio hoje recordar, sem o dizer, o compromisso. Mostra apenas que está a ficar nervoso.

Por um lado, Sampaio tem medo da instabilidade no PSD. Por outro, tem receio que Santana Lopes ganhe as próximas eleições. Mas a verdade é que, se nomear Santana Lopes, carregará para sempre o preço dessa escolha, sendo co-responsável pelo desastre que representaria tal governo. A outra opção, a das eleições, terá a vantagem de deixar a escolha aos portugueses, como bem disse João Salgueiro.

Sampaio terá outra dificuldade: decidiu mostrar que ouvia toda a gente. Acontece que estas pessoas deram, publicamente, na esmagadora maioria dos casos, sinais de preferência pelas eleições. Ou seja, a opção pela nomeação de Santana seria evidentemente solitária e comprometedora com o resultado que daí saísse. Não faço apostas. Mas as eleições antecipadas parecem o caminho mais evidente. Risco: Santana Lopes apresenta-se ao eleitorado como um elemento de ruptura em relação a Durão Barroso, limpo de culpas. Mas esta não deixa de ser uma mensagem difícil de vender. Fernando Nogueira tentou esta estratégia com Cavaco, Ferro tentou-a com Guterres. Nenhum deles o conseguiu. E Santana não se livra de uma evidência: tentou chegar ao poder num golpe de secretaria.

O PSD, entretanto, tenta arregimentar as suas hostes e manda calar os contestatários: Até os do mundo empresarial, usando o barrosista Ricardo Salgado. Mas a luta interna é evidente: marcelistas (Marques Mendes) e parte dos cavaquistas (Manuela Ferreira Leite) sabem que Santana no poder os reduzirá a oposição interna. Barrosistas obedecem ou resignam-se. Santanistas estão nervosos, com o poder quase nas mãos e quase a fugir.

O CDS/PP joga o tudo ou nada. Com novas eleições, desaparecem do mapa. Mesmo que sejam levados ao colo nas próximas eleições, a derrota eleitoral matará a coligação. Já com Santana Lopes no poder, podem ganhar mais uns lugares no Governo. Só que a redução do seu peso no executivo poderia vir a ser a moeda de troca para o silêncio de alguns sectores do PSD. No Largo do Caldas, o céu está carregado.

No meio disto, o PS está, como sempre, confuso. Congratula-se por ter Durão em Bruxelas e critica-o por ter partido. As lutas internas atrasaram a posição oficial do partido. Basta ler alguns blogues para o perceber. Primeiro o silêncio dos próprios, os mesmos que depois vieram atacar o silêncio de Ferro. Seria sempre preso por ter cão e por não o ter. É assim a vida interna do PS.

Escusado será dizer que os opositores a Ferro não queriam, de facto, eleições agora. Precisavam de tempo para fazer cair Ferro. Depois perceberam o risco desta posição: ficarem calados não seria compreensível para a esmagadora maioria dos socialistas. Ainda lançaram a ideia de um Congresso antecipado, mas rapidamente perceberam da fragilidade de tal proposta. Com isto, o PS perdeu tempo. Ferro terá a culpa, é certo, mas muitos dos que choram por isso, apenas vertem lágrimas de crocodilo.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 19:40 | Comentários (25)

Venham os checos

O europeu está quase no fim, com resultados surpreendentes, Portugal na final, coisa que nunca pensei, e um último "quadrado" em que não estiveram alguns dos principais favoritos. O percurso místico de Scolari e seus rapazes deverá ser analisado por especialistas em antropologia religiosa. Será que se vai realizar a profecia patriótica do Daniel? Por mim, acho que ela não deve acontecer sem jogarmos com os checos, que foram os que melhor jogaram ao longo do torneio (Portugal também jogou muito bem, mas foi chegando lá em estado de levitação, uns centímetros acima do relvado. No chão, os checos jogaram melhor). E assim, para ganharmos, temos de ganhar aos melhores. Assim é que é bonito e se não for assim não tem tanta graça ganhar. Portanto, força Poborsky para daqui a bocadinho.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 01 julho 17:57 | Comentários (9)

Gente boa

Ontem, os holandeses, na rua, gritavam: «kampeeoooonnes, kampeooones, nus sumos kampeooones". E "Portugale alê, lá, lá, lá, lá». É por isso que gosto destes tipos.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 15:38 | Comentários (11)

Procura-se

Realizador de televisão que deve a Portugal e ao Mundo um golo em directo. Eu sou pelos direitos dos trabalhadores, mas estou disposto a abrir uma excepção.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 14:58 | Comentários (28)

Mais provável

Com cada vez mais gente à direita e de grupos económicos a querer eleições antecipadas, elas estão cada vez menos distantes. Talvez Sampaio encontre também algum espacinho para ter em conta a opinião pública. E talvez assim se decida.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 14:50 | Comentários (32)

Duracel

Ontem a noite foi dele

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 14:48 | Comentários (9)

Tanta festa

Mal refeito da festa de ontem, só tenho uma coisa a dizer sobre a vitória de ontem: eu, sportinguista, bloquista e português, não estou habituado a tanta vitória seguida. Fico de rastos de tanto festejar.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 01 julho 14:45 | Comentários (13)

Menos um laço

Oiço na televisão que a Al-Jazeera - a cadeia de televisão àrabe que conseguiu o magnífico equilíbrio de incomodar tanto as monarquias árabes como algumas das tão impolutas democracias ocidentais - vai encerrar. Não se sabe ainda se é definitivo mas, a ser, é mais um elo que se quebra com o Médio Oriente. Nem sempre concordei com os seus critérios editoriais, mas depois desta notícia, o mais certo é que só nos sobre a propaganda. De um lado e de outro.

P.S. - Este post contém uma imprecisão importante que lhe invalida completamente o sentido: não foi a Al-Jazeera que encerrou mas sim a Argélia que suspendeu a presença daquela estação televisiva no seu território. As minhas desculpas aos leitores.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 01 julho 13:18 | Comentários (5)

Duas direitas

Presidente Jorge Sampaio: marque urgentemente uma audiência para ouvir Pacheco Pereira.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 01 julho 12:40 | Comentários (8)

Links e sisos

Não tens nada que agradecer, Sara. A verdade é que, com os 3579 links que nós temos, acaba por ser mais chique não estar lá do que estar. Mas o Barnabé sabe bem o que é arrancar sisos.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 01 julho 10:23 | Comentários (4)

Santanagem: Dia D

Hoje, às 18h30, realiza-se a reunião do Conselho Nacional do PSD que vai escolher o nosso futuro primeiro-ministro. Provavelmente, escolherão Santana Lopes, mas este ou qualquer outro nome significará apenas uma coisa: que o PSD no poder não tem a mínima vontade de repetir a atitude do PS em 2001 e solicitar que a situação do país se clarifique nas urnas. Porque podem perder? Mas também poderiam ganhar, e teriam então quatro anos novinhos para cumprir o seu putativo "projecto" para o país.

É preciso insistir neste ponto: a mim pessoalmente não me choca mais ter Pedro Santana Lopes como PM do que aquilo que me chocou Durão Barroso. Mas se Santana quiser ser PM, tem primeiro que ganhar eleições, coisa que aliás ele se gaba de fazer com facilidade. Vamos a isso, então. Se Ferro é tão impopular como dizem, e Santana tão popular, será canja.

Extraordinariamente, o Presidente da República não consegue entender aquilo que até o PS no poder viu em 2001. Ontem o Público noticiava que Belém "só aceitaria Santana com garantias excepcionais". "Só"? Não há garantias que valham o voto. Sampaio tem a sua legitimidade eleitoral. Dê ao próximo PM a oportunidade de conquistar também a sua.

Até hoje foi a brincar. A partir de amanhã o que se joga é cada vez mais sério e arriscado. Não vamos comer e calar até que seja tarde demais.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 04:22 | Comentários (13)

Alguém tem dúvidas? Sim, esse mesmo em que estão a pensar

O "argumento" de que as eleições provocam instabilidade, nomeadamente porque os "agentes económicos" não gostam de eleições e mudanças de governo, morreu hoje à tarde.

O óbito deu-se quando o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, saiu da sua reunião com o Presidente da República. Ao cuidado de todos aqueles que enchem a boca com a estabilidade, João Salgueiro notou que não haveria crise se Durão Barroso "não tivesse aceitado a presidência da Comissão Europeia" tal como fizeram outros governantes mais responsáveis, desde logo porque "a função de presidente da Comissão Europeia não é mais importante do que a de primeiro-ministro de Portugal". O golpe de misericórdia deu-se quando declarou que "se eu tivesse que decidir [sobre o novo chefe de Governo], não decidia, dava ao povo português a possibilidade de decidir."

Pronto, pessoal governista, podem parar de usar esse argumento. Se o presidente da Associação Portuguesa de Bancos não acha que as eleições sejam a pior escolha para a economia, não se macem vocês com isso.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 04:00 | Comentários (8)

Última hora: Bacano acredita que "gravata da sorte" ganha jogos

Em declarações à televisões após o jogo Portugal-Holanda desta noite um popular gabou-se de Portugal ter ganho sempre que utilizou a sua "gravata da sorte". O homem de 48 anos, que diz chamar-se José Manuel Barroso, e que antes era conhecido localmente por "Durão", confessou ainda acreditar que dá sorte a Portugal.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:39 | Comentários (10)

A Constituição permite, é do PSD...

... e cumpriu dois mandatos na direcção do Clube Desportivo da Graça. Por que raio não há-de ser o Manuel Joaquim Almada?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:29 | Comentários (4)

Oh, Champs Elysées...

Atenção: nas próximas horas os Estrangeirados vão divulgar fotos exclusivas dos festejos dos portugueses nos Campos Elíseos, Paris. Não sei quantos lá estiveram, mas se for a Maria José Oliveira, corte sempre para um quinto.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:25 | Comentários (2)

A Constituição permite, é do PSD...

... e há mais de quinze anos que é administradora do seu condomínio. Porque não a Dona Zília Teixeira?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:18 | Comentários (1)

Pra ti também, pá!

Já não bastava termos de marcar os golos todos do jogo, os nossos e os dos outros. Já não bastava andarmos a dar golos de avanço aos adversários para não se queixarem de falta de hospitalidade. Já não bastava os ingleses a quererem marcar enquanto sobem para cima do guarda-redes e queixarem do estado das marcas de penalty do Estádio da Luz. E agora este Van Nistelrooij ainda tem coragem de chamar ao árbitro "een thuisfluiter"!

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:05 | Comentários (4)

A Constituição permite, é do PSD...

... e também se fartou de ganhar eleições locais. Porque não Alberto João Jardim?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 01 julho 03:01 | Comentários (7)

Queremos ser ouvidos

Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Ganhámos à Holanda. Nem sequer sofremos muito. Fomos sempre superiores. Até o golo deles foi nosso. O mister mete o Fernando Couto (em francês, couteau) para defender o resultado. E mesmo assim ganhamos. Bref: não houve faduncho. Estamos na final. Caramba. Oito séculos de história para isto? Consulta antecipada já.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 01 julho 00:41 | Comentários (9)