setembro 30, 2004

Mas chamuscou-o?

"Dragão cospe em José Mourinho" – título de jornal desportivo.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 30 setembro 18:28 | Comentários (13)

Listas de colocação: a perspectiva jamaicana

De quem foi a responsabilidade pelo falhanço nas listas de colocação de professores? Amanhã é dia 1 de Outubro. O prazo para respirar acabou e os responsáveis vão ter de aparecer: David Justino ou um dos seus secretários de estado, Maria do Carmo Seabra, a Compta, Joana Orvalho, todos juntos ou uma combinação deles.

Por coincidência tenho andado a ouvir um ska tradicional jamaicano [Shame and Scandal in the Family, cantada entre outros por Peter Tosh e os Skatalites, com versões aqui em inglês, francês e italiano] que prevê de uma forma bastante exacta o tipo de investigação que vamos ver:

Em Trinidad vivia uma família – Pai, Mãe e um Filho, já crescido, que queria casar. Quando arranjou uma namorada mostrou-a ao pai que lhe disse: "Filho, não podes casar,

that girl is your sister but your mama don't know

Passado uma semana chegou o Verão e o rapaz conseguiu seduzir a miúda mais gira da ilha. Extasiado, contou ao pai, que lhe disse: "Filho, também não podes casar,

that girl is your sister but your mama don't know

Desesperado, o rapaz decidiu vingar-se. Chegou a casa e contou tudo à mãe. A senhora primeiro assustou-se, depois soltou uma gargalhada. "Casa, filho, casa,

your daddy ain't your daddy but your daddy don't know

E por aí adiante. Com a diferença de que aqui ninguém vai querer assumir a paternidade.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 30 setembro 16:29 | Comentários (5)

Dedicado a todos os que não têm direito a Concordata

E, já agora, também aos AGNÓSTICOS e ATEUS.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 30 setembro 16:20 | Comentários (75)

Isto sim, é uma mulher séria!

«O exercício das minhas novas funções é, em meu entender, incompatível com o cargo de deputada». Celeste Cardona, na despedida do cargo de deputada.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 30 setembro 15:32 | Comentários (9)

Last train to Washington

O debate televisionado desta madrugada entre os dois candidatos à presidência americana (passa na SIC Notícias às 1h30m) é a última oportunidade de John Kerry (que tem oito pontos de desvantagem nas sondagens) virar a seu favor a eleição. Oxalá seja firme, capaz de denunciar as consequências da política externa radical e expansionista dos republicanos (é preciso demonstrar claramente o desastre que foi a intervenção no Iraque). Sem complexos e, se possível, deixando a nú as debilidades (mais que muitas) do adversário. Caso contrário vem aí mais do mesmo.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 30 setembro 15:14 | Comentários (17)

O que é que o PSD anda a pôr nos charros?

Portugal é um país especial. Por cá, dizem as estatísticas do Instituto da Droga e Toxicodependência, já morreram, desde que o PSD chegou ao governo, 40 pessoas por consumo de cannabis. Até hoje, tirando em Portugal, só foi detectada uma morte (sem confirmação) pelo consumo de cannabis. Foi no Reino Unido. Mas o mais maravilhoso é a forma como a comunicação social repete e amplia o disparate nos títulos para só o esclarecer no fim dos textos.

Estas estatísticas portuguesas resultam de uma extraordinária metodologia: se morreu e tem vestígios de cannabis no sangue, então morreu pelo consumo de cannabis. Estou curioso para saber quantas pessoas morreram em Portugal, o ano passado, por consumo de leitão da Bairrada. Os vestígios da cannabis ficam cerca de dois meses no organismo. Por isso, já sabe, se vai morrer, não se drogue.

Que Portugal, que tem um número assustador de consumidores de heroína (o País da União Europeia dos 15 onde é proporcionalmente maior o consumo desta droga dura), tenha um Estado que faz da cannabis o seu principal alvo de ataque, mais do que patético, é preocupante. E que se continue a colocar estas duas drogas ao mesmo nível é apenas irresponsável. Expliquem a um miúdo que fumou uns charros que no fundo isso é igual a injectar heroína e o que estão a fazer é a abrir-lhe a porta para a tragédia.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 30 setembro 11:28 | Comentários (44)

Quase com 2000 anos e nunca mais se faz à vida

Hoje a Concordata será ratificada pelo Parlamento. Hoje a Igreja Católica demonstra que continua a precisar do Estado. Ainda não se tornou independente.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 30 setembro 10:57 | Comentários (22)

Recado para uma menina Caterina e ninguém tem nada com isso



Charles Zoller, Moon on Water, fotografia estereoscópica autocrome, c. 1915 [George Eastman House, Rochester, New York, EUA].

Caterina:

Ainda ninguém te disse isto, mas uma certa máquina de café teve alguma importância nos acontecimentos de ontem. Eu estava lá e vi, e embora haja duas pessoas com mais conhecimento de causa, achei melhor ser eu a dizer-te porque sabes como é que são os adultos. Os adultos esquecem-se, os adultos têm muito em que pensar, e depois corria-se o risco de passares anos e anos sem saber a importância que uma máquina de café (e outras coisas também) teve no nascimento do mundo para ti.

Ontem de repente o mundo acendeu-se como uma lâmpada na tua cabeça, que é a forma como cada uma das nossas consciências o vai percebendo mais ou menos. Certo ou errado, quem sabe. Nestes primeiros tempos é para ir tomando pouco de cada vez: num dia o tecido que pica, noutro dia o frio que entra pela janela, depois as pernas das pessoas grandes e por aí afora. Até às máquinas de café que no teu caso hão-de ser outra coisa qualquer, e talvez já nem existam nesse tempo. Nunca chegamos a ver tudo, mas é divertido. Quer dizer, nem tudo é divertido. Longe disso. Mas é como dizem nas lojas – é o que há! Só temos este. Quando as coisas não forem lá muito bem, resta seguir o conselho de um senhor que tirava fotocópias lá no tal lugar importante para ti, o mesmo da máquina de café: al mal tiempo, buena cara. Não é que o tempo mude por lhe fazermos boa cara – nós é que não desperdiçamos instantes preciosos da nossa vida, irrepetíveis, a fazer caretas. A partir de agora é sempre a contar.

Olha aceita esta fotografia da lua sobre o mar feita há quase cem anos (não fui eu!) e beijinhos para ti e para os teus pais do

Rui

Publicado por ruitavares em quinta-feira 30 setembro 04:29 | Comentários (12)

setembro 29, 2004

Compromissos de primeira e de segunda

Já sabemos que o governo e o novo líder do PS estão de acordo em que a GNR se deve manter no Iraque até ao fim dos compromissos assumidos por "Portugal".

Eu agora tenho curiosidade em saber o que é que toda a gente acha sobre o incumprimento de muitos compromissos assumidos por Portugal. A começar pela nossa participação financeira no maior laboratório do mundo, onde começam a trabalhar consistentemente várias gerações de físicos portugueses.

"Portugal não está a cumprir os acordos financeiros com o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça. Não paga as quotas anuais, como devia fazer por ser um dos 20 países-membros. Não paga às equipas portuguesas para construírem componentes de duas experiências do futuro acelerador de partículas da Europa - o Large Hadron Collider (LHC), o mais potente do mundo, que deverá funcionar em 2007. E não paga as verbas dos projectos de investigação ligados ao CERN, através de concursos abertos em Portugal pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Nos 18 anos de adesão, nunca se viveu uma situação assim, diz a física Paula Bordalo, nas vésperas do CERN cumprir 50 anos de vida. [...] Para já, Portugal vai ter de pagar juros pelas quotas em atraso de 2003. Caso não sejam pagas também as quotas de 2004 até ao fim do ano, o país perderá o direito de voto no Conselho do CERN, o órgão de decisão máxima. É o que acontece quando se falha o pagamento por dois anos.

E a participação no novo acelerador de partículas, o maior de sempre, está em risco.

Trabalhos de casa para o novo líder da oposição, se quer que passemos a acreditar no seu "choque tecnológico": 1) pronunciar-se imediatamente sobre o assunto e trazê-lo para a frente da agenda; 2) nomear um porta-voz para as questões da ciência, de preferência José Mariano Gago ou alguém que este aprove. A restante oposição deve adiantar-se para não ser apanhada em contramão. E a blogosfera deve ajudar. Vamos a ver se conseguimos meter o estado comatoso da investigação portuguesa na ordem do dia.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 29 setembro 18:13 | Comentários (29)

E que tal começar por ele

O governo quer um Pacto de Regime sobre a justiça. Já disse aqui o que acho dos pactos de regime: são o contrário do debate democrático. Mas numa coisa podiam chegar todos a acordo: há consensos mais difíceis do que o de despedir um incompetente.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 29 setembro 17:37 | Comentários (6)

Anda desaparecida há uma porrada de anos. Nem um telefonema, nem um postalinho.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 29 setembro 16:08 | Comentários (24)

A evidência

«Legalizar a prostituição pode ser uma arma contra o tráfico de pessoas, defendeu-se anteontem num seminário dedicado ao tema, no Porto. "As situações de clandestinidade são as que mais geram atropelos", sublinhou Euclides Dâmaso Simões, director do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra.

Frisando que o tráfico de pessoas está "em ascensão em Portugal", Euclides Dâmaso Simões sustentou que "deve questionar-se se a legalização e regulamentação do exercício da prostituição não permitiria maior controlo sobre o fenómeno e a consequente redução das práticas mais graves e desumanas de exploração sexual". Não foi caso único.

Hortênsia Calçada, directora do DIAP Porto, quis fazer suas as palavras de Simões. E Mouraz Lopes, director nacional adjunto da Polícia Judiciária, explicou que "o conjunto de tipos criminais que envolvem a exploração sexual de pessoas tem sofrido uma oscilação legal nos últimos 20 anos". Porém, tal não aconteceu "de uma forma totalmente coerente". O magistrado tornou patente o "paradoxo" entre "aquilo que se pune hoje, no âmbito da comercialização das actividades sexuais, e aquilo que a sociedade tolera" e concluiu que o Código Penal é agora menos permissivo do que era há duas décadas. "Por que não assumir a prostituição como uma actividade legal?", questionou.»

Se acrescentarmos aqui que as prostitutas vivem sem a protecção do Estado e sem garantias de estabilidade no futuro, temos o quadro total da hipocrisia e desumanidade da lei em vigor.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 29 setembro 14:54 | Comentários (33)

Um é pouco, dois é bom, três é demais?

Aqui há cerca de um ano, muito se falou da política de quotas para a imigração. Paulo Portas apresentou como uma vitória pessoal a restrição da quota de entrada para 2004: uma barrigada de 8500 imigrantes.

O Público de ontem noticia quantos imigrantes conseguiram até agora entrar legalmente no país:

três
[3]

um moldavo, um brasileiro e um ucraniano. Entretanto, a imigração ilegal floresce como sempre, deixando os imigrantes desprotegidos e o país sem controle sobre as pessoas que residem nas suas fronteiras. O Provedor de Justiça avisa o SEF de que este não cumpre com obrigações legais de atendimento aos imigrantes. E eu juro que daria qualquer coisa para ouvir de novo Feliciano Barreiras Duarte, o então responsável do governo, aos gritos na TSF garantindo que os que se opunham ao governo nesta matéria eram irrealistas e irresponsáveis.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 29 setembro 01:56 | Comentários (21)

setembro 28, 2004

A cultura de esquerda precisa do poder de Estado

Escreveu o meu amigo José Neves, no Público, o seguinte, e resumindo de uma forma talvez grosseira: o poder não interessa para nada, toda a transformação está nos movimentos sociais. Na rua, nas experiências. O debate é velho de décadas e é quase decalcado da estafada e fratricida guerra entre os reformistas de esquerda e revolucionários. Mas hoje, aliás, como ontem, é um debate curto.

Interessa sempre saber quem manda. Não nego (só um cego poderia negar), que fizeram mais contra a guerra do Iraque as manifestações em todo o Mundo do que a oposição da França e da Alemanha. Não nego que é possível encontrar mais debate político à esquerda nos Fóruns Mundiais (de que a esquerda portuguesa e a comunicação social em geral pouco mais apreendem do que a parte folclórica e fácil) do que em todos os debates da Internacional Socialista. Não nego (quem o poderia negar?) que as fontes de poder são múltiplas e que o poder dos governos é hoje muito menos significativo do que foi no passado.

Mas se tudo isto é verdade, é apenas um dos lados da verdade.

1. O poder simbólico dos Estados é ainda um elemento central da própria iconografia da esquerda. A forma como alguma esquerda se agarra a trágica experiência de Cuba ou a anunciada derrota na Venezuela são a comprovação disto mesmo. O Estado é de esquerda e a esquerda precisa dele. A direita, essa sim, dispensa-o.

2. A esquerda que se reclama alternativa tem de provar que é capaz de encontrar, neste quadro, soluções para problemas concretos. Adiar a prova dos nove para amanhãs que cantam ou limitar-se à oposição sem proposta é perder a confiança de todos os que a podem acompanhar e deixar à direita e ao bloco central todo o debate sobre a resolução de problemas concretos. O tudo ou nada favorece sempre quem propõe quase nada contra quem podia propor alguma coisa.

3. Um reformismo radical, que tem sempre como objectivo a utilização do Estado para a regulação das relações de poder, que resista à globalização selvagem e desregulada, não conseguirá muito, mas conseguirá alguma coisa. E o balanço que se fizer no fim será, provavelmente, o mesmo que se faz hoje quando se compara a experiência da social-democracia nórdica (achei extraordinário que o Pedro a colocasse como qualquer coisa mais recuada do que o socialismo do sul da Europa, quando, na minha opinião, foi bastante mais radical e esquerdista) e a experiência comunista: milhares de mortos depois do lado de lá do muro, onde vivem melhor e com mais direitos os trabalhadores? Onde se chegou mais próximo do socialismo? E como se atingiu tudo isto? Na conquista do poder. E no fim, é isso que conta, sem salvação das almas, homens novos ou juízos finais. Ficar um pouco melhor é melhor que coisa nenhuma. Não nos dá sentido à vida, mas melhora a vida de muitos, dando-lhe algum sentido.

4. Para responder agora à questão que o José Neves realmente levanta: não há cultura de esquerda, num país como Portugal, não há projectos sociais mobilizadores que ultrapassem o impacto do bairro, sem o combate pelo poder. Porquê? Porque no fim, a vitória tem de sentir.

Resta uma pergunta ao José Neves: num tempo em que as pessoas não se querem mobilizar a não ser em espasmos momentâneos, como esperas que tudo o que queres aconteça? Ou não esperas e apenas querias que assim acontecesse?

Publicado por danieloliveira em terça-feira 28 setembro 20:08 | Comentários (29)

Aleluia II

Em Portugal, foi libertada a lista de colocação de professores. A lista não foi feita manualmente. Bastou um técnico informático para resolver um problema que uma grande empresa, que se fez pagar bem, não conseguiu resolver em meses.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 28 setembro 18:00 | Comentários (36)

Aleluia I

No Iraque, foram libertadas as duas reféns italianas.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 28 setembro 17:58 | Comentários (17)

O plástico, esse material tão injustiçado

Daniel,
Suponho que isso terá ficado mais ou menos claro no meu post anterior, mas se não ficou aqui vai: as minhas expectativas em relação à liderança Sócrates são modestas. Admito que lhe faltem alguns dos atributos que, apesar de tudo, os anteriores secretário-gerais possuíam – cultura política, experiência, uma visão clara dos problemas do país, etc.
Mas, sem querer parecer petulante, estou disposto a dar-lhe o benefício da dúvida. Ao contrário de ti, não penso que Sócrates “pareça um político de plástico”: se podemos citar algo de positivo em seu favor é, precisamente, a disponibilidade que demonstrou enquanto esteve no governo para defender medidas que iam contra lóbis e interesses instalados – das facturas da PT à questão da co-incineração, o currículo governativo de Sócrates é um currículo honroso.
Referes-me depois o exemplo de Zapatero como sendo uma experiência inspiradora para o PS. Não nos enganemos: Zapatero chegou ao poder de forma inesperada (eu quase que me atreveria a acrescentar: fortuita), e quem não tem memória curta ainda se lembra do que se escrevia na imprensa espanhola e europeia acerca do desempenho frouxo do PSOE na oposição. É claro que os espanhóis estavam fatigadas do estilo governativo do PP, mas se não fossem os atentados do 11-M e as trapalhices de Aznar, os eleitores não trocariam o certo pelo incerto. Pode ser uma generalização algo abusiva, mas a história eleitoral europeia tem demonstrado que, na maior parte dos casos, são os governos que perdem as eleições e não as oposições que as ganham.
Uma das excepções à regra é, precisamente, o caso de Blair. Em meados dos anos 90, já ninguém duvidava da vitória de Blair. O blairismo triunfou mesmo antes de passar o teste das urnas. Infelizmente, não tenho agora tempo para escrever mais elaboradamente sobre esse assunto, mas devo notar-te que o teu exemplo dos sindicatos é, em meu entender, um exemolo infeliz para ilustrar a "capitualção" de Blair à cultura política do thatcherismo.
O eleitorado britânico, incluindo muitos votantes trabalhistas, não se esqueceu da conduta dos tais sindicatos “imóveis” nos anos 70 e 80: greves selvagens, censura dos tipógrafos aos editorais “reaccionários”, o Inverno do Descontentamento de ‘79, etc. Sucede que muitos destes sindicatos, ao abrigo da Cláusula IV dos Estatutos do Labour, tinham uma espécie de voto de qualidade nos Congressos do Partido: nenhum líder podia ser eleito contra a sua vontade e isso significava que um dos maiores partidos britânicos estava nas mãos de um grupo de interesses. Blair foi o líder que, ao fim de trinta anos, conseguiu revogar a Cláusula IV e isso, claro está, não passou despercebido. E por aqui me fico hoje, já atrasado para um almoço.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 28 setembro 12:31 | Comentários (19)

Os dois de Bilderberg

Os actuais líderes dos dois principais partidos estiveram na última Conferência do Grupo Bilderberg, em Itália, em Junho deste ano. No caso de Sócrates, ainda Ferro era o secretário-geral do PS. Por ali discute-se o futuro do Mundo, com a presença da nata dos empresários, cientistas, políticos e detentores dos principais media. Fazem-se contactos, preparam-se acordos e negócios, estratégias e consensos. Até aqui, tudo excelente. Só que, como se sabe, a agenda destas conferências é sempre demasiado secreta para o que a democracia pode tolerar. Por isso, gostava que os dois contassem o que por lá se discutiu.

Como não sou adepto das teorias da conspiração e quero continuar a não ser, venha daí a informação toda: se falaram, de que falaram, com quem falaram, quem conheceram. Tudo. Estou seguro que o líder da oposição e do governo nunca estão os dois juntos em reuniões cujo conteúdo não seja passível de ser completamente público. Dir-me-ão que é excelente que dois portugueses (mais Francisco Pinto Balsemão, que já é um frequentador habitual) tenham estado nesta conferência. Pode ser que seja. Como o conteúdo das conversas é secreto, não sei. Mas gostava de saber.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 28 setembro 12:22 | Comentários (29)

Debates com etiqueta

Muito divertida a paródia de Christopher Buckley, na New Yorker, às regras de etiqueta combinadas pelos staffs de Bush e Kerry para a ronda de debates que se avizinha. Ler mais abaixo.

RULES OF ENGAGEMENT
by CHRISTOPHER BUCKLEY
Issue of 2004-10-04
Posted 2004-09-27

At no time during these debates shall either candidate move from their designated area behind their respective podiums.
—From the agreement worked out for the Presidential debates.

Paragraph Two: Dress.
Candidates shall wear business attire. At no time during the debates shall either candidate remove any article of clothing, such as tie, belt, socks, suspenders, etc. Candidates shall not wear helmets, padding, girdles, prosthetic devices, or “elevator”-type shoes. Per above, candidates shall not remove shoes or throw same at each other during debate. Once a debate is concluded, candidates shall be permitted to toss articles of clothing, excepting underwear, into the audience for keepsake purposes.
Paragraph Six: Hand gestures.
“Italian,” “French,” “Latino,” “Bulgarian,” or other ethnic-style gestures intended to demean, impugn, or otherwise derogate opponent by casting aspersions on opponent’s manhood, abilities as lover, or cuckold status are prohibited. Standard “American”-style gestures meant to convey honest bewilderment, doubt, etc., shall be permitted. Candidates shall not point rotating index fingers at their own temples to imply that opponent is mentally deranged. Candidates shall at no time insert fingers in their own throats to signify urge to vomit. Candidates shall under no circumstances insert fingers into opponent’s throat.
Paragraph Seventeen A: Bodily fluids-Perspiration.
Debate sponsors shall make every effort to maintain comfortable temperature onstage. Candidates shall make reasonable use of underarm deodorant and other antiperspirant measures, subject to review by Secret Service, before the debates. In the event that perspiration is unavoidable, candidates may deploy one plain white cotton handkerchief measuring eight inches square. Handkerchief may not be used to suggest that opponent wants to surrender in global war on terrorism.
Paragraph Forty-two: Language.
Candidates shall address each other in terms of mutual respect (“Mr. President,” “Senator,” etc.). Use of endearing modifiers (“my distinguished opponent,” “the honorable gentleman,” “Pookie,” “Diddums,” etc.) is permitted. The following terms are specifically forbidden and may not be used until after each debate is formally concluded: “girlie-man,” “draft dodger,” “drunk,” “ignoramus,” “Jesus freak,” “frog,” “bozo,” “wimp,” “toad,” “lickspittle,” “rat bastard,” “polluting bastard,” “lying bastard,” “demon spawn,” “archfiend,” or compound nouns ending in “-hole” or “-ucker.”
Paragraph Fifty-eight: Spousal references.
Each candidate may make one reference to his spouse. All references to consist of boilerplate praise, e.g., “I would not be standing here without [spouse’s first name]” or “[Spouse’s name] would make a magnificent First Lady.” Candidates shall not pose hypothetical scenarios involving violent rape or murder of opponent’s spouse so as to taunt opponent with respect to his views on the death penalty.
Paragraph Ninety-eight: Vietnam.
Neither candidate shall mention the word “Vietnam.” In the event that either candidate utters said word in the course of a debate, the debate shall be concluded immediately and declared forfeit to the third-party candidate.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 28 setembro 11:42 | Comentários (7)

setembro 27, 2004

Assuntos de fundir a cuca

Mário Pinto não sabe o que há-de fazer. Por um lado, acha que se justifica o destaque dado à proposta de criminalização do adultério na Turquia. Por outro lado, ficou incomodado por ter havido quem tenha sorrido com a ideia. O adultério é coisa séria, não é assunto de sorrisos. E, pensando melhor, não é o adultério a quebra de um contrato? Será que não se poderia ainda salvar a legislação turca? Ora, quando eu já esperava que Mário Pinto propusesse que o adultério fosse considerado uma contravenção no Direito Comercial, o texto do estimado professor da Católica termina assim:

"É a própria dignidade pessoal de quem casa, e daquele com quem casa, que sobre a promessa não cumprida lhe pede vergonha, e não risos. Ninguém é obrigado a casar-se; mas, se o fizer, tem de o fazer digna e seriamente. É esta a lei e são estes os bons costumes. P\uE072\uE06F\uE066\uE065\uE073\uE073\uE06F\uE072 \uE055\uE069\uE076\uE065\uE072\uE073\uE069\uE074\uE061\uE072\uE069\uE06F"

Por um lado, foi a primeira vez que Mário Pinto surpreendeu numa das suas colunas de opinião. Por outro lado estou aqui todo preocupado com o professor da Católica. O que lhe terá acontecido? Foi demasiada reflexão? O assunto desconcentrou-o? O Espírito Santo interrompeu-o para novas instruções? Uma aluna passou com uma saia acima do tornozelo? Mário Pinto, diga qualquer coisa. Diga uE061.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 27 setembro 17:15 | Comentários (21)

Sócrates e Blair: o dia seguinte

Pedro, começo pelo fim: ao contrário de Alegre ou Soares, que defenderam a retirada imediata da GNR do Iraque, seguindo o exemplo de Zapatero (um bom exemplo, aliás, para o que podia ser um PS alinhado à esquerda), Sócrates defende que a GNR deve retirar quando terminados os compromissos de Portugal. Ou seja, defende exactamente o mesmo que o governo, já que, por cá, não há quem defenda que Portugal fique no Iraque depois de terminados os “nossos” compromissos.

Quanto ao resto: também eu não fiquei satisfeito com as alternativas que surgiram a Sócrates, mas até devo te dizer que Alegre me surpreendeu na sua campanha. Foi mais aguerrido, mais propositivo e mais estruturado do que eu esperava. Também Sócrates me conseguiu surpreender, mas em sentido contrário. Sócrates, não tendo oponentes à sua direita, fez uma campanha interna mais recuada do que a de Guterres, em 1995. Se assim o faz quando não tem de conquistar votos ao centro, imagine-se como será depois.

Comparação com Blair? Desvalorização das clivagens ideológicas e abandono da defesa do papel do Estado na economia. Outra semelhança: ideia que muitos acalentam de que sendo Sócrates o mais recuado dos opositores ao PSD será assim o mais bem colocado para lhe roubar votos. Só que, no Reino Unido, o resultado está à vista: Blair substitui a direita e deixou a esquerda órfã. O pior dos dois mundos, porque matou qualquer alternativa à sua esquerda. Blair não é a “nova esquerda”, é a “nova direita”. Só assim foi possível que os Liberais-Democratas ocupem agora o espaço do centro-esquerda. Assim como temo que, resolvidas as primeiras resistências no PS, Sócrates venha a ser a “Direita Moderna”, tão esperada pelos nossos amigos Pedro Lomba e Pedro Mexia.

Não vale a pena resumir Blair ao Iraque. No que toca à saúde, à educação, aos serviços públicos e, agora, até ao aborto (Blair afirmou recentemente que se deve começar a reequacionar a lei da IVG no Reino Unido), Blair conseguiu manter as linhas mestras da política conservadora. Ao mesmo tempo, acabou o processo de neutralização do movimento sindical inglês que, com todos os seus defeitos e todo o seu imobilismo, representou a mais séria resistência às políticas agressivas dos conservadores. Quando voltarem ao poder, já não vão ter de se preocupar com este assunto. Os trabalhistas acabaram com o serviço.

Mas quando comparo Sócrates com Blair, não penso tanto nas suas posições políticas, até porque continuo a ter uma muito ténue ideia de quais elas sejam. Penso sobretudo no fenómeno: um político que parece de plástico, que não se compromete, que dá passos à direita e que vai anestesiando e queimando todas as possibilidades de uma alternativa à sua esquerda. Se se confirmar esta minha suspeita (esperemos, para bem de toda a esquerda, que ela não se confirme), Sócrates pode marcar a destruição de uma alternativa de esquerda no exacto momento em que mais condições sociais e políticas existem para que ela se construa. Como bem dizia Vasco Pulido Valente, ontem, no Diário de Notícias, se cumprido o programa da direita, a esquerda terá muito pouco espaço de manobra quando chegar ao poder. Só uma esquerda tão agressiva como esta direita, digo eu, poderá reverter esta situação.

Preferia Manuel Alegre? Não sei. Seguramente, preferia uma linha política semelhante à de Ferro Rodrigues, talvez com um pouco mais de talento e tacto político. Mas, infelizmente, a esquerda que vai mantendo um apoio crítico ao PS cai repetidamente no mesmo erro: um bom líder do PS é um líder que derrote o PSD. É, mas não chega. Nunca chegou. Falta sempre o dia seguinte.

PS: A comparação com Kerry, como já aqui escrevi, por estarmos a falar de sistemas eleitorais e realidades políticas tão diferentes, faz muito pouco sentido.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 27 setembro 16:18 | Comentários (38)

A costa está livre

Já passou uma semana sobre os episódios mais delirantes do caso da colocação de professores.

Isso quer dizer que Maria Filomena Mónica, Maria de Fátima Bonifácio, Helena Matos ou António Barreto já podem voltar a escrever um daqueles artigos em que a culpa dos problemas na Educação é dos filhos de Rousseau / da sensibilidade inventada no século XVIII / das crianças mimadas / dos pais laxistas / dos sindicatos / da civilização moderna / de todas as hipóteses anteriores. E em que a privatização ou terceirização de certos serviços (porque
não a colocação de professores?) é a salvação do convento.

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A propósito: não sei como é que me escapou no Público este divertido e instrutivo artigo do meu mestre (e do André) António Hespanha, intitulado muito precisamente "Os Filhos de Rousseau têm as costas largas". Para não falar de "A Floresta de Enganos de António Barreto", por Pedro Teixeira, professor da Faculdade de Economia do Porto, que deixa empiricamente desossados os dois artigos "A esquerda enganou-se" de Barreto.

Srs. Directores de Jornais: não vale a pena convidar esta gente para escrever regularmente colunas de opinião. Afinal, eles não devem saber nada do assunto. Nem são professores que desistiram de dar aulas como Filomena Mónica. E depois viriam só estragar a homogeneidade dos outros comentários... uma chatice.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 27 setembro 15:59 | Comentários (4)

Sócrates = Blair?

Anteontem, o Daniel resolveu assinalar a vitória de José Sócrates com um post ilustrado pelo rosto de Tony Blair. O triunfo de Sócrates representará, pois, o retorno à “Terceira Via” (ou ao seu equivalente nacional, o “guterrismo”), após o curto interregno ferrista. Será esta comparação justa? Depende da forma como o Daniel quis que ela fosse lida.
A campanha eleitoral no PS permitiu aos militantes socialistas escolherem entre duas alternativas, nem sempre muito marcadas em termos doutrinários e programáticos, mas ainda assim suficientemente distintas para assegurar algum pluralismo. Há umas semanas atrás, o Vital Moreira escreveu um excelente artigo sobre as linhas de clivagem entre as duas principais candidaturas – tenho pena de não poder fazer o link, mas o arquivo do Público dura apenas uma semana. Sócrates é, claramente, o candidato da “direita” do PS, ou, numa visão mais caridosa, dos “modernizadores” do partido – daqueles que estão dispostos a aceitar uma retirada do Estado de algumas actividades (daí a sua ênfase na função “reguladora” do Estado, uma expressão que estamos sempre a ouvir na boca de elementos do PSD, não obstante as referências feitas ao modelo escandinavo na moção redigida por Sérgio Sousa Pinto), enfim, a efectuar mais concessões ao consenso liberal-capitalista dominante. Neste sentido, a analogia Sócrates/Blair faz ou pode fazer algum sentido (com imensas ressalvas, que não posso agora desenlvolver).
Não sou militante do PS, não segui as discussões com particular atenção e por isso evitei mandar palpites. Mas agora que o pretexto surgiu, tenho de confessar que, tudo somado, prefiro a vitória de Sócrates. Sim, a sua candidatura juntava alguns dos piores caciques do partido e muitas figuras dos governos Guterres que todos preferíamos esquecer, o próprio Sócrates parece não ter ideias muito sólidas acerca de vários assuntos - mas pelo menos oferece aos militantes e eleitores socialistas a perspectiva de uma oposição mais efectiva e, claro está, um possível regresso ao poder. Não são credenciais muito lisonjeiras, admito, mas este é o estado a que chegou a nossa democracia. Tal como Kerry nos EUA, Sócrates é a melhor esperança para desalojar a direita portuguesa do poder. Desculpem o ar pomposo do que vou dizer a seguir, mas é algo em que acredito fortemente: não penso que Portugal se possa dar ao luxo de ter um governo Santana Lopes para além de 2006.
Agora, comparar Sócrates a Blair neste ano da graça de 2004 pode ter uma segunda leitura. Nos últimos tempos, a reputação internacional de Blair tem estado estreitamente associada à guerra do Iraque. Ele foi o caniche de Bush em 2003, e hoje, face ao caos reinante no Iraque, é um caniche em negação … Ora, merecerá Sócrates esta comparação?
Penso que não. Em relação ao Iraque, desafio o Daniel a mostrar-me uma declaração dele que possa ser tomada como um endosso à linha preconizada por Bush e Blair, ou que traduza uma certa complacência face à posição assumida pelo governo de Durão Barroso. Aliás, tanto quanto me lembro, a liderança de Ferro Rodrigues teve de ser praticamente arrastada para as manifestações anti-guerra pelo venerável Mário Soares.
Sim, Sócrates disse recentemente que se fosse primeiro-ministro manteria o contingente da GNR até ao fim da missão, a fim de honrarmos um compromisso internacional, mas isso não faz dele um “blairista” (um seguidista em relação aos americanos) – pelo menos nesta questão tão crucial.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 27 setembro 15:32 | Comentários (11)

“O meu marido tem uma vida dupla”

Querido correio sentimental,
O meu marido anda estranho. Até há um mês atrás o nosso casamento corria normalmente. Sem grandes sobressaltos ou emoções, mas lá ia, prometendo a estabilidade necessária. De repente, o meu marido mudou. Muitas horas na Internet. No início, julguei que era normal: sites eróticos e coisas assim. Mas depois percebi que a coisa era mais grave. Uma vez, estava eu na Internet, e descobri, no “histórico”, que ele andava a visitar sites estranhos, nojentos. Muito piores do que essas coisas que já vi na televisão. Coisas de tarados, mesmo. Comecei a perceber que passava horas naquilo. Era uma obsessão. Ele estava doente. Debaixo da cama, na casa de banho, por toda casa, fui encontrando a prova das minhas suspeitas: revistas cheias daquelas porcarias. O meu marido tem uma vida dupla. Pensei confrontá-lo com isso. Mas sei que ele o vai negar. O que devo fazer? Levá-lo a um especialista?

A sua leitora de sempre
Anacleta

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 27 setembro 14:43 | Comentários (9)

O temível clã Bush

Por muito que se discorde da política externa de Bush, dificilmente alguém com um mínimo de sensibilidade histórica poderá levará a sério o slogan Bush=Hitler. Quer dizer, admito que se possa usar essa analogia como termo de abuso (eu próprio um dia escrevi aqui um post intitulado “Heil Bush”), mas não numa discussão mais serena.
No entanto, não pude deixar de sorrir ao ler esta investigação do The Guardian sobre as ligações do senador Prescott Bush, o fundador da dinastia Bush, ao industrial Thysen que financiou a ascensão política de Hitler, e os seus negócios com a Alemanha nazi já depois desta ter declarado guerra à América, em finais de 1941.
A história é tortuosa, está repleta de lacunas e muito provavelmente haverá aqui a mão dos democratas na sua divulgação. E, claro está, Bush não pode ser responsabilizado pelos actos do avô Prescott. Mas não deixa de ser um episódio revelador da forma como os Bush se foram afirmando como o mais temível clã da política americana.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 27 setembro 14:26 | Comentários (8)

A acertar

John Kerry começou finalmente a acertar o discurso sobre o Iraque. Parece ter percebido que meias palavras, contra palavras claras, são meio caminho para a derrota.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 27 setembro 14:22 | Comentários (3)

Cidadão para o directo

A história da Joana, os ajuntamentos populares à porta do tribunal, os directos, tudo isto me enjoa. Em Portugal, se houver um cadáver e um julgamento, encontramos logo muitos candidatos a cidadãos. Depois passa-lhes. Arranjam novo assunto para a sua comoção de sofá. Felizmente, no meio de todo este espectáculo, na Figueira, há um padre que mantém a sanidade mental.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 27 setembro 13:27 | Comentários (18)

Falta de vergonha

Vale a pena ler a entrevista de David Justino ao “Expresso”. A prova de que a vergonha na cara é, cada vez mais, um bem escasso. Sabemos que nunca mandou no Ministério e que, mesmo assim, nunca se quis demitir.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 27 setembro 13:25 | Comentários (11)

A que mais teremos de assistir?


foto: Luís Forra, Lusa.

Um grupo de pessoas manifesta-se às portas da casa da criança presumivelmente morta pelo tio e pela mãe e clama "pela unidade da família". Existe gente para quem a solução para todos os males do mundo é a "Família" (F grande, por favor). Só é pena que os pais não lhes tenham ensinado que nem todas as ocasiões são apropriadas para propagandear esta doutrina.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 27 setembro 05:02 | Comentários (38)

setembro 26, 2004

Já não se pode ser lírico

Desengana-te, Rui, nesta altura do campeonato não entro em polémicas fratricidas. O meu post era pessoal e transmissível só a quem quisesse. Sei o que pensas sobre esta cidade. Eu, por mim, tenho saudades do nó da Buraca e acho que isso se via no que escrevi. A parte mais importante era aquela dos encontros que mudam a vida das pessoas, e sei que nisso concordarás comigo. Mas nunca me ouviste dizer, caramba, que o Sacré-Coeur era bonito. Quoique: se numa noite de inverno, de nevoeiro e chuvinha, abordares o enorme mamarracho branco pelas escadinhas das traseiras, aquela com luzinhas que sobe da rue Lamarck, e cruzares a rue de la Bonne, junto a silenciosos conventos, numa atmosfera de crime e mistério...

Publicado por andrebelo em domingo 26 setembro 10:10 | Comentários (8)

A minha sentença de morte: Paris é pior do que o nó da Buraca

No nosso primeiro post prometemos que discutiríamos violentamente entre nós aqui no Barnabé. Era o que fazíamos quando nos encontrávamos, e o que achávamos inevitável que acontecesse aqui. Depois de arrancarmos com o Barnabé é que, ao contrário do que pensávamos, praticamente nunca nos atacámos.

Ora já que o Celso e o Daniel vão, previsivelmente, atacar-se por causa do PS (ver dois posts abaixo) eu quero aproveitar a deixa para dar uma sarrafada no André por causa do último post dele, mesmo arriscando a que ele retalie.

Não posso dormir com receio que as pessoas achem que aqui no Barnabé todos gostamos de Paris como o André gosta. Eu, pelo menos, não gosto – em termos exclusivamente arquitectónicos e urbanos, humanamente é outra coisa. Passo a explicar porquê, embora saiba que agora é que eu vou ser morto. Pelo André e pelos comentadores.

Paris é uma cidade mortalmente aborrecida. Isto não é uma opinião. Rua após rua, os mesmos prédios beige e amarelo deslavado. As famosas esplanadas todas com exactamente as mesmíssimas mesas e cadeiras. A grelha urbana pomposa e sem imaginação com que Haussmann matou a Paris antiga. Praticamente nada quebra aqueles quilómetros e quilómetros dos equivalentes arquitectónicos às rendinhas e folhinhos.

E quando quebra, vejamos o que se passa. Temos a Tour Montparnasse, um monolito tacanho. Temos o Arco do Triunfo, um bolo de casamento. Temos o Sacré Cœur, uma piroseira oitocentista (desculpa André) que dá para uma vista de terra-de-ninguém urbana coberta de smog (mil perdões).

Depois temos a Torre Eiffel, que merece um parágrafo à parte. Durante algum tempo, julguei (como a maioria das pessoas) que o tempo tinha demonstrado que os detractores da Torre Eiffel estavam enganados. A torre é um daqueles casos típicos que costumam ser citados quando a população não gosta de uma obra nova. Tipo Santana Lopes: também falaram mal da Torre Eiffel, mas... Então um dia fiquei a olhar para a torre tentando vê-la de novo como se ela não fosse um ícone repetido milhões de vezes. E a conclusão a que cheguei foi: os detractores tinham razão. Aquilo é feio. Os detractores de Brunelleschi em Florença estavam errados, mas os de Eiffel doentiamente certos. Tudo bem, o tamanho da torre espanta e existe bastante graça no seu primeiro terço (a curva). Mas não chega para salvar aquilo. Ainda por cima desde o ano 2000 que decidiram fazê-la brilhar todas as horas com umas luzinhas que piscam como se o monumento estivesse a sofrer um ataque de acne, – é patético.

No fundo, a Torre Eiffel é igual aos bibelots de plástico que se vendem da Torre Eiffel. A tragédia está aí.

A monotonia de Paris quase toda e o mau gosto das suas excepções sofrem do mesmo mal. Quem pensou Paris pensou que ela tinha de ser arrumadinha e perfeitinha – coisa de que eu não gosto numa cidade –, mas que quando não fosse arrumadinha tinha de ser épatant. E então toca de fazer monumentos que só envergonham quem quer que tenha dito àquela gente que estavam na capital do bom gosto. Um exemplo: o Arco de La Défense, o exemplo acabado da megalomania mitterrandiana. Parece que os estou a ver: "eh pá, vamos fazer um Arco do Triunfo hiper-moderno e alinhá-lo com o outro a não sei quantos quilómetros de distância". Uma criança teria mais subtileza. A pirâmide do Louvre: "eh pá, temos um obelisco e que tal fazer uma pirâmide?". A biblioteca de Tolbiac: "até parece que estou a ver, uma grande biblioteca que vista de longe parece quatro livros abertos uns para os outros". Será que nunca pensaram em fazer nada que não fosse gritantemente óbvio? Não, porque o negócio de Paris é o fast-food monumental.

Há excepções: o Instituto do Mundo Árabe, a Fondation Cartier e o Centro Japonês. O Centro Pompidou, assim-assim. Mas a única quebra realmente impressionante é a Île de la Citê, com a conciergerie e a Nôtre-Dâme. Felizmente, Haussmann não conseguiu colocar ali uma rotunda, endireitar o Sena e fazer cruzar uns boulevards. Mas atenção: o resto de Paris tira força à Île. Ali temos uma fantástica pérola barroca (no sentido próprio) que foi encastoada num anel pretensioso.

Vivi quatro anos em Paris. Adorei lá viver, e tenho saudades. Saudades de caminhar com frio, de ter de falar noutra língua, de comer sanduíches gregas, beber cerveja com os amigos portugueses e de todo o lado, trabalhar na biblioteca de Tolbiac (lá dentro é bonita e tem quase todos os livros que se queira imaginar), de ir à Galignani uma vez por semana. Tenho saudades de viver em cima de um bar de rock e ir comprar salsa e coentros ao épicier marroquino. Dos bailes de forró que fazíamos em casa até às tantas (sem ninguém chatear!). De fazer as compras da semana nos vietnamitas e chineses de Belleville. E de andar por ali a perguntar-me: mas o que é que as pessoas vêem nisto?

Publicado por ruitavares em domingo 26 setembro 06:28 | Comentários (24)

Bloco de Esquerda mantém o seu

Publicado por celsomartins em domingo 26 setembro 01:18 | Comentários (34)

setembro 25, 2004

PS já tem novo líder

Publicado por danieloliveira em sábado 25 setembro 23:55 | Comentários (57)

O certame pátrio do idioma lusitano

Os senhores Pinto Balsemão da Impresa e Artur Santos Silva do BPI estão preocupados com os atentados à língua portuguesa. Vai daí, instituíram um Campeonato Nacional da Língua Portuguesa. O lema do campeonato, apresentado por Bárbara Guimarães, garante que com este campeonato os portugueses vão "desasnar, emular e desbancar", e acompanha cada um destes verbos com o seu suposto sinónimo, respectivamente: "aprender, competir e ganhar".

Pego no meu Dicionário de Sinónimos da Tertúlia Edípica [Porto ed.], e procuro cada uma das palavras. Dá o seguinte:

desasnar: adestrar; desemborrar; desemburrar; desiludir; instruir; polir.
emular: competir; emparelhar; favorecer; imitar; ombrear; porfiar; rivalizar; emparelhar-se.
desbancar: exceder; sobrepujar; superar; suplantar; vencer; avantajar-se.

Ou seja, "desasnar" e "desbancar" não são sinónimos puros de "aprender" e "ganhar"; apenas cerca de um sexto do seu campo semântico é coincidente. No caso de "emular", o meu dicionário parece concordar com o sentido do slogan, mas acontece que o termo "emular" tem sofrido uma evolução acelerada nos últimos anos, principalmente por culpa da sua utilização no meio da informática. Hoje em dia, um "emulador" é muito mais do que um competidor, embora também o seja. O sentido de "emular" aproximou-se mais de "imitar" e até de "reproduzir" – desde logo porque um emulador de um sistema operativo reproduz o ambiente desse sistema numa máquina que em princípio não o aceitaria.

O resultado é que quem for a levar a sério o anúncio do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa fica com uma noção mais empobrecida da língua do que aquela que tinha antes. Porque antes essa pessoa sabia que tinha apenas uma ideia vaga do que era "emular", e agora acha que tem a certeza de que quer dizer "competir" – afinal, é o que dizem os senhores no Campeonato. Depois de ver o anúncio, que é apenas uma primeira mostra dos equívocos destas coisas, há-de haver para aí gente a garantir a pés juntos que "desbancar" e "ganhar" são a mesma coisa e que "aprender" não passa de "desasnar". Ficamos pior do que estávamos.

Pior do que o empobrecimento da língua é o empobrecimento da noção de linguagem. É o paradigma Edite Estrela, a crença de que existe uma coisa chamada a gramática que é uma espécie de código civil, enfim: uma noção limitada da linguagem. Se lermos umas páginas de Luís António Verney vemos que ele escrevia de uma forma estranha para nós ("se-chama", "aindaque", só para dar dois exemplos) mas que essa forma de escrever emergia de um entendimento da estrutura e regularidade da língua que as Edites Estrelas nunca terão coragem de ter. Claro que Edite Estrela ficaria à frente de Verney no campeonato (mesmo que ele se realizasse no século XVIII, uma vez que a ortografia e a gramática "verneianas" nunca foram oficializadas e chegaram até a ser proibidas). Para mim, essa é a prova final de que estes campeonatos não servem para aquilo que eles pensam que servem.

O nível da língua não melhora com perguntas-de-algibeira. Melhora com o tempo e o exercício, com lógica e com intimidade. Acima de tudo com vontade de aprender enquanto se escreve e fala. O que implica explicar às pessoas que as gramáticas e dicionários são ferramentas limitadas que não podem substituir a vontade pensante de cada um. Dizer-lhes que mais do que decorar sinónimos têm de se entender como agentes autónomos da língua, com todas as responsabilidades que daí decorrem.

Sem querer ser desmancha-prazeres, acho que já é uma sorte que destas iniciativas saiam bons jogadores de scrabble e palavras-cruzadas. Mas às custas de vícios bem piores, porque lá bem dizia o direito canónico que a ignorância simples (que se reconhece a si mesma) não é tão culpável nem perigosa como as ignorâncias crassa ou supina (que se tomam por sabedoria).

Publicado por ruitavares em sábado 25 setembro 19:15 | Comentários (13)

O que é que Paris tem?

O melhor é começar por aquilo que Paris tinha e já não tem: uma geografia mítica. Pensamentos mais elevados, mulheres mais belas, tudo em mais e melhor, inclusive os carros, que nunca me interessaram muito, mas eram mais velozes. Depois, há aquilo que Paris não tem nem nunca teve: o mar aqui ao pé, o Tejo, a luz de Lisboa, a família, os amigos de sangue, uma boa bica. Também não tem o aeroporto de onde partem as cegonhas com os bébés. Aqui, cartesianamente, ninguém sabe onde isso fica, apesar da nossa insistência.

Agora o que Paris tem. Tem Notre-Dame e tem o longo do Sena, com o velho castelo da Conciergerie que só se vê bem quando o olhar regressou de ver os castelos da Loire. Tem a Pont des Arts, romântica entre todas as pontes, com vista para o vértice da ilha da Cité e para a entrada da Place Dauphine. Tem o Marais. Tem as ruas tipo D'Artacão na Montagne Sainte-Geneviève. Tem o Observátório e a Gare de Lyon do universo de Tardi e de Adèle Blanc-Sec. Tem a "liberdade, igualdade, fraternidade" gravada na pedra dos prédios públicos a pensar que a modernidade e a República são eternas. Tem o tempo cíclico do "muguet" (a florzinha frágil que se compra no 1° de Maio), da festa da música, da "rentrée", das "Journées du Patrimoine", da entrada no túnel, da ida exuberante das pessoas para os jardins para adorar o sol à saída do túnel. Tem bébés e crianças por todo o lado, preguiçosos nos carrinhos. Tem o outono. Tem o Benfica na tasca, a Super-Bock, o pudim Royal, a mousse de chocolate Alsa, a papa Cérélac e as massas Milanesa. Tem várias Áfricas ao pé de casa, matronas negras e cafés só de magrebinos. Tem bairros onde muçulmanos e judeus ainda vivem pacificamente. Tem uma fauna nas ruas e às vezes uma calma. Paris é o paraíso dos cinéfilos. Tem o cinema ao ar livre no verão e a oferta mais incrível de filmes ao longo de todo o ano. Tem público para tudo, para todos. Tem um presidente da Câmara decente. Tem bibliotecas públicas vivas, gratuitas, democráticas. Tem certos livreiros que leram os romances que queremos comprar. Tem Agosto só para nós, com gente sentada em banquinhos à frente das casas a comer, como se estivéssemos, sei lá, numas ruelas de Olhão. Tem mercados de rua e pequenos comerciantes. Tem certos detalhes de aldeia. Tem poluição a mais, turistas a mais e porcaria a mais nas ruas. Tem outras coisas más e outras que só espantam, como o andamento das pessoas em hora de ponta na Gare du Nord. Tem, é claro, encontros que mudam a vida e fazem as cegonhas entrar em greve, por não terem já para onde levar a sua preciosa carga (se calhar serão compradas por holdings de outras companhias aéreas mais poderosas). Isto tudo tem Paris, e é Lisboa que depois se torna na geografia mítica, desta vez nostálgica, de casas de azulejos e cores muito vivas.

Publicado por andrebelo em sábado 25 setembro 15:26 | Comentários (38)

setembro 24, 2004

Indie

Começou hoje o o IndieLisboa, 1º Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, no São Jorge. Programação (em PDF) aqui.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 24 setembro 23:02 | Comentários (10)

Revisão dos 5000 kms

Lá fiz o teste do Political Compass para ver se estava tudo bem. Pelos vistos, a coisa vai sem maleitas ideológicas de maior. Nem colesterol, nem tensão alta. Esquerda esquerda (bem mais do que Ana Gomes) e, sobretudo, bastante libertário. Pela reportagem do Público, descobri também que José Socrates é quase tão perigoso quanto eu em matéria de esquerdismo mas que mandava proibir a pornografia se fosse governo. Outras delícias prendem-se com a certeza de que a água engarrafada vai ser à borla se João Soares chegar a primeiro-ministro ou com a obsessão de Manuel Alegre em discordar fortemente de tudo, mesmo desta: «Um casal de pessoas do mesmo sexo numa relação amorosa estável não deve ser excluído da possibilidade de adoptar uma criança». Quanto ao que é mais de esquerda os resultados só vieram confirmar o óbvio: João Soares, claro.

Publicado por celsomartins em sexta-feira 24 setembro 19:53 | Comentários (34)

Quando um jornalista se entusiasma

Acabei de ver na SIC Notícias a apresentação da nova lei das rendas. Não fiquei entusiasmado, sobretudo por causa das omissões. Mas terei de a ler, tal como outros, para perceber o que ela significa. Estamos a falar de um dos mais sensíveis e complexos dossiers sociais, em que dificilmente haverá uma boa solução, tanto foi o tempo que se perdeu. A lei teria sempre de ser alterada e a situação actual era insustentável. Mas suspeito que a factura será paga pelos do costume. Pode ser que me engane. Brevemente, com mais tempo e o trabalho de casa feito, escreverei um post sobre a matéria.

A mesma necessidade de prudência não sentiu o jornalista da SIC Notícias. E dele espera-se profissionalismo e não opiniões. Ainda a conferência de imprensa não tinha acabado, já falava de “coragem política”, que a lei “não prejudicava os mais pobres” e que era um “enorme avanço contra o imobilismo”. Ou ele é muito rápido (e aí tenho de me curvar perante a sua genialidade) ou faz jornalismo com base em comunicados. Se não for um sobredotado, só me resta dizer que é um disparate o dinheiro que o governo anda a gastar com um porta-voz.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 24 setembro 18:57 | Comentários (25)

Serviço Público

Às 3ªs, 4ªs e 5ªs, às 23 horas, há Seinfeld na Sic Radical. Repete: 2ª feira (8,30 h); 5ªfeira (16,30 h); 6ª feira (16,30 h) e Domingo - dois episódios (22 h).

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 24 setembro 13:44 | Comentários (11)

A vida de um liberal português

Ele está numa empresa do Estado. Os seus amigos, que estão no governo, decidem que ele vai para outra empresa do Estado. Como ele tem direito a uma reforma especial se sair da empresa do Estado em que está, antes de ir para a outra mandam-no embora desta. Saca a reforma e só então vai para a empresa do Estado seguinte. No caminho, foi recebendo indemnizações várias, salários cada vez mais altos e nunca prestou contas do seus resultados, que, diga-se em abono da verdade, nunca foram nada famosos.

Um dia, volta a ser deputado ou ministro. Reafirma que a situação vergonhosa de prejuízos permanentes nas empresas do Estado é insustentável, bem ao gosto de certa esquerda despesista e estatizante, que vive bem com o desperdício, mas impossível de tolerar por quem defende o rigor e o mérito. Privatiza-se. Ele sai do governo ou do Parlamento e regressa à sua velha empresa, que era do Estado mas que ele entretanto privatizou, porque dava muito prejuízo quando ele lá foi administrador. Fica lá como consultor, dessa e de muitas outras empresas a quem fez e continua a fazer favores.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 24 setembro 12:03 | Comentários (27)

Two countries' too much

George Bush, numa conferência de imprensa ontem, confundiu o Iraque com o Afeganistão e afirmou que foi o exército Afegão que controlou Najaf.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 24 setembro 00:41 | Comentários (46)

setembro 23, 2004

Pobre País, em que os reformados têm de trabalhar

Da Ordem de Trabalhos da reunião extraordinária da Assembleia Geral da EDP, marcada para dia 7 de Outubro de 2004 e convocada no dia 3 de Agosto, ainda antes da saída de Mira Amaral da CGD, da qual recebeu uma reforma de 18 mil euros:

«3 - Ratificação da cooptação dos Administradores António Afonso de Pinto Galvão Lucas e Luís Fernando Mira Amaral, para preenchimento das vagas em aberto com a cessação de funções, por renúncia, dos Administradores António de Almeida e António José Fernandes de Sousa.»

Cortesia da Grande Loja do Queijo Limiano.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 23 setembro 20:09 | Comentários (12)

Um problema sério

Penso que a chegada do Anacleto à blogosfera coloca aos blogues de esquerda mais conhecidos um problema sério. É que o registo do Anacleto pode induzir-nos em erro e era importante fazermos alguma discussão sobre a táctica a adoptar para lhe responder. Aqui no Barnabé, por exemplo, o Daniel acha que o Anacleto tem muita graça e trata-o por camarada. No Blogue de Esquerda, o Luís Rainha e o Jorge Palinhos têm feito o mesmo e respondem-lhe num tom irónico que pretende espelhar o tom do Anacleto. Penso que esta táctica é errada. O Anacleto, como o próprio tem reclamado em sucessivos posts, não é para ser lido ironicamente. Eles levam-se a sério e pedem-nos que os levemos a sério. É por isso que é importante não entrarmos no jogo deles. Entrar no jogo deles é um jogo perdido de antemão. É preciso compreender que realmente os blogues de esquerda nunca serão senão uma muito tosca e deformada imitação do Anacleto, como o Anacleto tem dito. Uma caricatura diante da verdadeira realidade que o Anacleto representa. Um pálido reflexo diante do que é possível dizer quando realmente se acredita nas coisas que o Anacleto diz.

Eu tenho uma teoria sobre o Anacleto. Tenho para mim que os autores do Anacleto não são, ao contrário do que parece, autores dos conhecidos blogues de direita Jaquinzinhos, O Intermitente, Valete Frates ou A Blasfémia. Ou melhor, são mesmo eles: mas o desvelo que eles revelam em relação à cultura, à linguagem, aos sites, às declarações quotidianas dos dirigentes da esquerda e extrema-esquerda portuguesa, mostram que só no Anacleto é que estes bloggers se sentem realmente bem. No fundo, os blogues de direita é que são a verdadeira máscara deles, não o Anacleto. É ver o ritmo a que escrevem, o gozo evidente que estão a ter. Só disfarçados de Anacletos eles encontram verdadeiro sentido para a sua ideologia e actividade política. Só ali podem vestir a pele de camaradas, ir ler o site da Base-FUT e da FER, citar abundantemente Marx e Trotski, e retirar intenso prazer dessas leituras. Só ali há um link para Bourdieu (embora para uma enciclopédia on-line em inglês com erros crassos na citação das obras originais do autor, o que demonstra uma desatenção no zelo erudito que certamente será corrigida em breve). Por isso é que este jogo de responder no gozo ao Anacleto é perigoso para nós: há quanto tempo é que nós não íamos ao site da Base-FUT, meus amigos (link disponível aqui)? Pior: há quanto tempo é que não ousamos chamar-nos camaradas, meus amigos? Eu acho que no fundo o Anacleto é mesmo nosso amigo, apesar das aparências em contrário. E, se não levarmos a sério o que ele diz, se não aprendermos com ele, corremos o risco de perder todos os nossos leitores de direita e de extrema-direita que se apercebam desta verdade profunda sobre aquele blogue. Compará-lo-ão com os nossos pobres blogues e passarão a ler o original em vez da cópia. Ficaremos apenas com os leitores de esquerda que não percebem que o Anacleto é muito mais do que um mero fantasma de direita sobre a cultura da esquerda. E ficaria o mundo às avessas, com a direita a ler os textos da esquerda nos blogues que a esquerda, continuando a não perceber nada do mundo em que vive (como diz a direita), continuará a catalogar com a direita. Ou seja, seria uma verdadeira revolução. Ora, isso é o que nós sabemos perfeitamente aquilo que, como todos os verdadeiros comunistas, o camarada Anacleto não quer ao mesmo tempo que diz que quer.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 23 setembro 18:49 | Comentários (46)

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Defendes o mérito e a iniciativa privada? Queres menos Estado e melhor Estado?
Vem para o CDS. Possibilidade de carreira na banca pública com salários aliciantes a partir de 17.000 euros.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 23 setembro 18:41 | Comentários (7)

SOS Mariana Cascais

O Barnabé lança aqui um movimento de solidariedade com Mariana Cascais. É aviltante a situação em que esta ex-secretária de Estado do PP está colocada. É a única ex-governante do CDS a quem ainda ninguém arranjou um cargo numa empresa pública. Talvez já não haja lugares na Caixa Geral de Depósitos. Mas, caramba, há a EDP, a CP, a Carris, a TAP. Tanto cargo sem gestor, tanto gestor sem cargo. A ingratidão não tem limites e, ao que parece, no CDS, uns são filhos e outros enteados. Vamos dar uma mão a Mariana Cascais.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 23 setembro 17:56 | Comentários (12)

Assim vai o mundo

Parêntesis na guerra, televisão desligada (para os menos familiarizados com o italiano, "schifo" quer dizer "nojo"). A Ana Sá Lopes assinalou na revista do Público os 40 anos da mil vezes grande Mafalda. E também se deixou da malvadez que estava a fazer aos leitores viciados na sua escrita. Outra boa notícia, para dar um bocadinho de descanso a Mafalda e aos viciados, é a estreia em França do novo filme de Agnès Jaoui, "Comme une image". Surpreendente para quem, como eu, estava à espera do mesmo estilo de comédia de "O Gosto dos Outros" e procurava a identificação com o estilo desbocado e mal-disposto de Jean-Pierre Bacri (que é, como de costume, co-autor do argumento, premiado em Cannes). Este filme tem mais arestas, vai mais longe na crítica social do que o primeiro da autora, ataca o quotidiano egoísta das relações e do poder em todos os planos da vida (escritores de sucesso ou em busca dele, filhas e mulheres mal-amadas) e deixa-nos uma sensação de incómodo. Misturada com o humor acutilante dos diálogos ("E antes de trabalhares na edição o que é que tu fazias? - Estava no ramo do terrorismo") e com a inteligência das situações ficcionadas. Mas a arte (o canto, o cinema) aparece como felicidade, possibilidade de transformação do mundo. Para além, é claro, da liberdade de virarmos as costas a quem nos inferniza a vida. Nesta entrevista, Jaoui diz que tinha pensado chamar ao filme "Cantemos na depressão"!

As outras boas notícias são, à custa do mal dos outros, o Benfica ter seis pontos de vantagem sobre Porto e Sporting à terceira jornada. Sinceramente, já não tenho o disco formatado para isto e não sei se estou pronto para torcer por Trapattoni.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 23 setembro 09:01 | Comentários (11)

Zzzzzzzz

Estado deste post em relação ao debate dos candidatos à liderança do PS. Mas sempre se vai adiantando e, muito a propósito, que, como dizia Orwell, a política é um cão raivoso a que não se pode voltar as costas. Portanto, é preciso escolher o bicho certo.
Publicado por celsomartins em quinta-feira 23 setembro 02:53 | Comentários (10)

Portugal, 1998

Meus caros, ainda não perceberam?, a senhora já se desfez em desculpas, não vale a pena armar em retaguarda voluntariosa.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 23 setembro 02:24

Conselho do Júlio Machado Vaz

O meu amigo tem que começar a pensar para além da lombada, senão vai enganar-se muitas vezes...

Publicado por celsomartins em quinta-feira 23 setembro 01:28 | Comentários (1)

Stardust memories

Sempre gostei desta moça. Gera equívocos. Foi apresentada como the next folk singer e era, muito mais, um encontro fortuito entre Joni Mitchel e Laurie Anderson. Canções geométricas, desavergonhadamente literárias. Poucos meios, grandes ideias. E imagens. Sem precisar de videoclips, como se pode perceber em Marlene on the wall.
Publicado por celsomartins em quinta-feira 23 setembro 00:43 | Comentários (11)

setembro 22, 2004

O homem duplicado

Tem havido um debate no PS acerca de quem daria o melhor Primeiro-Ministro entre os três candidatos a Secretário-Geral do partido. A partir de ontem parece evidente que o melhor Primeiro-Ministro seria certamente João Soares: foi o único que conseguiu estar ao mesmo tempo na Sic Notícias e na RTP2. Eis uma qualidade que daria imenso jeito a Pedro Santana Lopes, que faltou recentemente a uma interpelação no Parlamento alegando dificuldades de agenda.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 22 setembro 22:55 | Comentários (2)

O esquecido Sr. Greene

O centenário de Graham Greene (1904-1991) corre o risco de passar quase despercebido, pelo menos cá em Portugal. Antes de partir para a minha última semana de férias, fiz uma ronda por algumas livrarias na Baixa e encontrei apenas duas ou três edições recentes.
Não sei bem como explicar este desinteresse. Será Greene uma vítima de capas infelizes e más traduções (as suas obras estão dispersas por várias editoras, e algumas delas com uma tradição pouco recomendável em matéria de design e traduções)? É possível. Mas mesmo no Reino Unido, onde tais problemas não se colocam, a sua reputação parece ter gozado melhores dias, não obstante as bem sucedidas adaptações cinematográficas de O Fim da Aventura e O Americano Tranquilo. No top da Amazon.co.uk, alguns dos seus livros mais famosos nem sequer figuram entre os 2000 mais vendidos.
Será que as narrativas de Greene esgotaram o seu apelo junto das gerações mais novas? Quando eu era adolescente, Greene era um dos romancistas mais populares entre gente razoavelmente culta mas não excessivamente influenciada pela opinião da crítica. A sua reputação de “romancista católico” (designação que, segundo consta, sempre detestou), por um lado, e as suas simpatias comunistas, por outro, asseguravam-lhe um público fiel – na minha família, pelo menos, era assim. Enfim, talvez o fim da União Soviética e o declínio do “catolicismo progressivo” expliquem qualquer coisa.
De qualquer forma, é possível que em Outubro a reedição dos seus romances em paperback na Vintage, com novas introduções, bem como a publicação do terceiro volume da sua “biografia autorizada”, resgate o seu nome do semi-esquecimento em que entretanto caiu. Seria bom que tal acontecesse. Como assinala este ensaio de Julian Evans, publicado no último número da Prospect, o “odor de ambiguidade moral” que impregna muitos dos livros de Greene ajusta-se admiravelmente ao nosso tempo. Se nunca o leram, então sugiro que comecem a vossa jornada por O Americano Tranquilo (1954), à venda dentro de poucos dias com esta introdução de Zadie Smith, e verão como o Sr. Greene ainda tem muito para nos dizer.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 22 setembro 20:12 | Comentários (22)

Resposta errada

Não vi o debate entre os candidatos à liderança do PS. Mas vi hoje um resumo. Vi que João Soares acusou Sócrates de ter tido um papel central na negociação da aprovação do Orçamento de Guterres com Daniel Campelo. Não sei se a acusação de João Soares é verdadeira. Não é, no entanto, a primeira vez que ela feita. E muito antes de Sócrates ser candidato à liderança do PS.

O que se assitiu, na resposta de Sócrates, foi muito pouco esclarecedor. Repetir que não houve acordo nenhum e que apenas houve um deputado do CDS que resolveu votar favoravelmente o Orçamento é insultar a nossa inteligência. Houve um acordo negociado (vergonhoso, por sinal) e alguém o negociou. Negá-lo, só ajuda a aumentar as suspeitas.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 22 setembro 19:25 | Comentários (8)

Bolas, estão sempre a mandar abaixo

Hoje é dia sem carros. Não reparou? Está bem, deve ser daqueles que também não notou que o ano lectivo já começou. Má vontade, é o que é.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 22 setembro 15:04 | Comentários (14)

O Dia Sem Carros Mais Louco do Mundo

Aqui há uns anos começaram a levantar-se vozes contra o Dia Europeu Sem Carros. Apesar de ser verdade que era um dos poucos dias em que se podia respirar bem nas cidades, diziam, a medida era folclórica e lá no fundo hipócrita. Quando Santana Lopes chegou à Câmara Municipal de Lisboa resolveu optar por esta posição sem se perceber muito bem se por convicção ou conveniência, mas sem no entanto ter coragem para ser coerente e acabar de vez com a iniciativa. O Dia Sem Carros foi sendo morto aos bocadinhos. Este ano, com um presidente chamado Carmona Rodrigues que calhou em sorte aos lisboetas depois da Grande Dança das Cadeiras de Julho passado, o Dia Sem Carros comemora-se fechando ao trânsito um troço da Rua Rosa Araújo – aposto que 75% dos lisboetas nem sabem onde é – onde, segundo noticia a RTP, a polícia continua a deixar passar os automobilistas que pedirem com jeitinho.

Isto, aparentemente, não deve ser folclórico nem hipócrita.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 22 setembro 14:21 | Comentários (14)

Evolução

Post enviado pelo Ministério da Educação: 1ª versão

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Post enviado pelo Ministério da Educação: 2ª versão

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 22 setembro 01:57 | Comentários (32)

setembro 21, 2004

Um governo de info-excluídos

Listas de professores vão ser feitas à mão.

Publicado por ruitavares em terça-feira 21 setembro 22:10 | Comentários (36)

Ó mãe, ó mãe, ainda não é hoje que há governo

Por causa de um problema informático, Portugal terá de esperar dois anos até que seja colocado um governo em São Bento. Até lá, ministros provisórios garantirão Ateliers de Tempos Livres e actividades lúdicas a todos os portugueses. Pedimos desculpa pelo incómodo.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 19:54 | Comentários (18)

Do caos ao CAOS

Tudo muito bem explicadinho aqui.

Publicado por celsomartins em terça-feira 21 setembro 19:33 | Comentários (1)

Estado indisponível

Página da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação: "Temporariamente indisponivel. Pedimos desculpa pelo incomodo." (sic)

Espero que Pedro Santana Lopes esteja consciente do buraco em que se está a meter.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 17:35 | Comentários (15)

25 anos à frente da Mafia

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 17:27 | Comentários (25)

Pequeno ajuste

Pacheco Pereira tem razão: os critérios do Diário de Notícias de hoje são extraordinários, relegando para um pequeno pé de página a questão das listas de professores. Só fiquei com uma dúvida: como é uma comunicação social tomada pela esquerda, como sempre e tão bem denunciou Pacheco Pereira, faz estes fretes a um governo de direita?

Pacheco mudou de lado. As teorias da conspiração tiveram de sofrer alguns ajustes.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 17:23 | Comentários (5)

O meu camarada Anacleto

É assim que a direita vê a esquerda. Caricaturada, que é mais fácil. Mas, neste caso, ao contrário do Acidental e de tantos outros blogues da mesma linha, que se esfalfam para nos conquistar um sorriso condescendente, este tem muita graça. É um pouco monotemático e obsessivo, mas mesmo assim tem graça. E quando se tem graça não se tem de ter razão. Serem capazes do humor é já um grande passo a caminho da civilização.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 17:08 | Comentários (8)

Uma vez pecarás, um filho terás

Joe Scheidler, presidente da organização Pro-Life Action League: «A mentalidade da pílula é anti-vida. As pessoas querem ter os prazeres do sexo sem se dar ao trabalho de ter filhos. Mas, na literatura que vem com a pílula, vem explicado que ela é uma forma de aborto.» É assim que a conversa deles acaba.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 16:02 | Comentários (20)

Procura-se

Dão-se alvíssaras a quem provar saber onde está este senhor. Recompensa melhorada se vier com responsabilidade política intacta.
Publicado por celsomartins em terça-feira 21 setembro 15:56 | Comentários (7)

A demolição da memória

Casa onde morreu Almeida Garrett, na Rua Saraiva de Carvalho 68, Lisboa

Durante o breve consulado de Santana Lopes, a CML comprou o imóvel errado para construir uma "casa museu Eça de Queiroz". Hoje o Público Local noticia (link não disponível) que a mesma CML acaba de aprovar a demolição da casa onde morreu Almeida Garrett (1854), no bairro de Campo de Ourique. Em seu lugar será construída uma habitação nova, da autoria do arquitecto Manuel Tainha. Entrevistada pelo Público, a vereadora Eduarda Napoleão justificou a decisão com base na degradação que o imóvel apresentava e referiu que, em seu entender, não faz sentido manter no novo edifício uma placa evocando Garrett.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 21 setembro 15:05 | Comentários (20)

Já vai pr'aí a uns 500 metros

«Sampaio distancia-se do aumento das taxas moderadoras na saúde», in Público

Publicado por celsomartins em terça-feira 21 setembro 13:34 | Comentários (7)

Se a tua empresa não presta, arranja amigos do governo

Decorem estas duas caras. Couto dos Santos e Rui Machete, administrador e Presidente da Assembleia-Geral da empresa Compta, responsável pelo programa informático de colocação de professores. São também militantes do PSD, ex-ministros e amigos de quem os escolheu sem concurso público. Esta história ajuda a perceber porque são os ex-ministros tão apetecíveis para as administrações de tantas empresas.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 21 setembro 13:31 | Comentários (67)

Estes tipos drogam-se

«Justiça iraniana quer "desintoxicar" meio cinematográfico do país», in Público

Publicado por celsomartins em terça-feira 21 setembro 13:05 | Comentários (2)

A lista de Maria do Carmo Seabra

O caos está instalado no Ministério da Educação. Milhares de professores aguardam angustiadamente para saberem onde serão colocados. Milhares de pais não sabem onde deixar os filhos para irem para o emprego. Depois de inúmeros anuncios de que agora é que é, toda a gente aguardou até de madrugada pela publicação das listas que acabaram por sair às 3h da manhã para serem retiradas 40m depois por conterem erros. Enquanto a ministra vai atribuindo as culpas a problemas técnicos (como se na origem de problemas técnicos não estivessem sempre responsabilidades humanas) a abertura do ano está irremediavelmente comprometida. Há-de se ir (des)fazendo ao longo das próximas semanas. E como reage o poder político? Santana Lopes disse há dias que a não ida da ministra a nenhuma escola no dia previsto para o início do ano era uma assunção de que as coisas não corriam bem. É de rir, mas apetece chorar. Ontem, no programa Prós e Contras da RTP, a nova Ministra disse que tudo isto era péssimo, mas não era trágico. Resta-nos uma consolação, não houve nenhum terramoto esta semana em Portugal.

Publicado por celsomartins em terça-feira 21 setembro 12:39 | Comentários (17)

setembro 20, 2004

Perigosas abortistas, ponham-se a milhas

«Portugal quer estender vigilância marítima até às 24 milhas».

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 22:25 | Comentários (18)

Tudo tem um preço

«Governo estuda benefícios fiscais aos utilizadores de transportes públicos». Isto, depois do aumento das tarifas dos transportes.

É por estas e por outras que sou contra a esmagadora maioria dos benefícios fiscais. Porque sei o que vem aí: tarifas de transportes mais altas mascaradas de incentivo ao uso do transporte público. É uma excelente maneira de acabar com serviços públicos universais e depois fazer a selecção de quem tem direito a eles por via de deduções. É por estas e por outras que prefiro uma segurança social e um fisco com dinheiro, porque todos pagamos o que temos de pagar, do que dinheiro oferecido por via de deduções, aos PPR's dos bancos. Que prefiro ensino gratuito a propinas escalonadas. Que prefiro o passe social a benefícios fiscais para os utilizadores de transportes públicos. Que prefiro Hospitais Públicos gratuitos para todos do que taxas diferenciadas. Porque acho que é nos escalões dos impostos, que devem ser alterados, diferenciado a classe média baixa e os que realmente têm rendimentos mais elevados, que se deve fazer a justiça social. Porque sei que tudo tem um preço. O preço dos benefícios fiscais é o fim dos serviços públicos. Se alguém não paga, alguém não recebe. Quem não paga fica contente, até ao dia em que não receber.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 22:22 | Comentários (18)

Patriota à força

Um rapaz que queimou a bandeira nacional numa manifestação anti-tourada foi obrigado, por um tribunal, a 10 meses de trabalho comunitário. Pobre bandeira que, para ser respeitada, precisa de um juiz. Pobres países, os que obrigam os seus cidadãos a ser patriotas.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 20:47 | Comentários (86)

Do lado de lá

Em vez dos comentadores de pacotilha que pouco ou nada conhecem do mundo Árabe, vale a pena ler esta entrevista ao romancista, poeta e comentador político sírio, Ammar Abdulhamid. Vive em Damasco e suponho que por lá não deve faltar quem o acuse de relativismo moral e de não fraqueza perante este choque de civilizações. Mas, felizmente, em todo o lado há quem tenha sentido crítico e bom-senso. Pena que seja tanta gente que nada sabe sobre o lado de lá e pouco pensa em relação ao lado de cá a ter tanto tempo de antena.

«Se queremos que o mundo oiça as nossas exigências e lamentações justas e nos ajude fazer frente aos nossos importantes desafios sociais, temos de estar dispostos a analisar as nossas atitudes com respeito "ao outro" e temos de condenar de forma inequívoca os actos de ódio cometidos em nosso nome. (...)

A forma como os russos lidam com a situação na Tchetchénia ajudou a radicalizar os tchetchenos, como a arrogância dos Estados Unidos e as suas políticas inconsistentes face à situação do Médio Oriente, em especial a luta israelo-árabe, criaram problemas para os muçulmanos. Mas os massacres em Beslan ou em Nova Iorque não mudam isso. Por que é que o islão não é capaz de inspirar formas de protesto mais razoáveis e métodos não violentos? Há, de facto, um problema mais profundo do que uma mera luta por problemas políticos ou sociais. E esse problema acaba por estar relacionado com o islão. Não com qualquer coisa que lhe seja intrínseca mas com a forma como a modernidade e o islão colidiram a certa altura.

A modernidade é um produto de uma dinâmica no interior das sociedades ocidentais. Enquanto o Ocidente estava ocupado a desenvolver-se e a reinventar-se constantemente, os muçulmanos estavam agarrados a uma forma de vida e a um sistema de valores que não mudou durante séculos. E ignoraram o que acontecia para lá do seu mundo e as implicações que isso teria para eles.

Só quando os poderes ocidentais começaram a aproximar-se de territórios islâmicos é que os muçulmanos começaram a olhar para a modernidade. Foi um encontro súbito entre duas ideologias messiânicas: uma medieval, outra moderna. E tudo foi afectado na vida dos muçulmanos: as relações entre quem governa e quem é governado, entre homens e mulheres, entre grupos religiosos, classes sociais, as formas básicas de gestão económica.

O Ocidente levou séculos a desenvolver a sua forma de vida, aos muçulmanos foi pedido que o fizessem instantaneamente. E isso não é fácil. Alguns responderam com rejeição e com a expressão dessa rejeição da forma mais violenta e niilista que se possa imaginar. Não se lhes pede apenas que se modernizem mas que aceitem a modernidade como ela existe e como um todo. Isso é muito difícil de engolir.»

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 19:01 | Comentários (18)

Animais da Quinta dos Famosos queixam-se de falta de condições de higiene e segurança

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 15:26 | Comentários (32)

Porque fogem os melhores dos partidos

Escrevi aqui, há quase dois meses, que a candidatura de Manuel Alegre à liderança do Partido Socialista marcava «uma postura de resistência e não de conquista, de passado e não de alternativa futura». Passados dois meses tenho de reconhecer que me enganei. Manuel Alegre tem surpreendido pela positiva. Porque marcou o debate em torno de questões ideológicas, apesar de, nessa matéria, o debate ser ainda pobre e ficar-se quase exclusivamente pela retórica da velha esquerda. Mas sobretudo porque lançou o debate sobre as lógicas internas dos partidos, o papel dos autarcas e caciques locais e o seguidismo oportunista dos aparelhos partidários.

Os partidos, todos os partidos, são hoje incapazes de juntar, em geral, as pessoas mais interessantes e interessadas na “vida pública”. Estas entregam-se a associações cívicas com causas específicas, a profissões com uma forte componente social ou à produção intelectual e artística. Citando um historiador que conheço, afastado há muito das lides partidárias, diria que em vez da salazarenta frase “a minha política é o trabalho”, se passou a dizer que “o meu trabalho é política”. Os que dedicam, com ganho para a vida pública e desinteressadamente, parte razoável do seu tempo ao trabalho partidário são uma minoria do pequeno mundo da militância partidária que deverá, hoje, corresponder a pouco mais de 200 mil pessoas.

Como militante partidário tenho dificuldade em saber exactamente porque é que isto acontece. Há as razões mais óbvias: a degradação da imagem social do militante partidário (visto como carreirista, oportunista ou, no melhor dos casos, seguidista sem opinião própria). O elogio permanente da independência retrata isto mesmo: a opinião organizada em torno de um debate colectivo e que pretende ter consequências políticas é desprezada pela generalidade das pessoas.

É desprezada porque é vista como uma cedência. Porque o individualismo (que eu, por temperamento, aprecio) é visto como a única forma criativa de produzir opinião. Mas, acima de tudo, porque poucos encontram na política uma capacidade transformadora que a justifique a ela própria. Pior: muitas vezes, os únicos que acreditam nessa capacidade transformadora vivem essa ideia como se de uma utopia se tratasse. Uma utopia desligada da própria realidade social e política. Ou seja, tão inconsequente como a mera gestão do que existe. São esses que acham que a mera aproximação ao poder é suja e levará à inevitavel corrupção de quem dele se aproxima.

Mas para mim, as razões do afastamento das pessoas mais capazes da vida política reside em fenómenos mais complicados de analisar. As pessoas mais bem intencionadas põem na política tantas esperanças que não aguentam todas as suas mesquinhezes, bloqueios, debates desinteressantes. Mas convenhamos que nada do que encontramos na política é pior do que encontramos nas corporações profissionais, nas empresas, na vida académicas. Mas quem acredita que a política pode transformar a vida espera mais da política do que da vida. E desinteressa-se da política porque, para tanto aborrecimento, já tem a própria vida. Os mais bem intencionados afastam-se, os melhores acham que podem fazer o mesmo noutros territórios da vida pública.

Aquilo de que Manuel Alegre nos tem falado, e isto serve para todos os partidos, é desta mediocridade que tem tomado conta da vida partidária. Nos partidos próximos do poder isso acontece ainda com mais clareza. Se é verdade que conseguem atrair os melhores quadros (que sentem que, próximo do poder, podem ajudar a mudar as coisas), também conquistam os mais medíocres de entre os medíocres. Aqueles que encontram na política a possibilidade de fazer uma carreira sem esforço. E esses são os que se movem melhor nos corredores das sedes partidárias, nas pequenas e insuportáveis tricas e lutas internas. E são esses que depois, na administração pública e nos cargos políticos, vão conseguindo subir sem mérito. Ou conseguem apenas, nos seus meios restritos, conquistar uns minutos de fama para alimentar a sua pequena e pouco ambiciosa vaidade. Só esta lógica carreirista explica as votações albanesas em tantos congressos partidários.

Manuel Alegre não tem dito nada que de novo. O que é novo é um candidato à liderança de um partido, que se dirige aos seus militantes, dizer o que é evidente para quase toda a gente. As reacções de homens como Jorge Coelho, representante do que de mais básico existe nas máquinas partidárias, são a evidência de que acertou na “mouche”. E Sócrates tem se colocado como o representante desta máquina, porque lhes promete apenas uma coisa: o poder. Quanto a João Soares… Para falar de João Soares teríamos de recorrer aos manuais do doutor Dr. Benjamin Spock.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 20 setembro 14:57 | Comentários (16)

setembro 19, 2004

Olhos postos no novo educador da oposição

Acabadinho de chegar à oposição, resultado das lutas internas no seu partido, que derrotaram a ala cavaquista de que faz parte, Pacheco Pereira vai dando lições de firmeza na oposição a este governo. A mim e a Vital Moreira. Vital, venha daí, sigamos o grande timoneiro. A ele, ninguém o leva. Ele é muito vivo, topa-os a léguas. Não é impunemente que se é lider parlamentar do cavaquismo durante tantos anos e se engole com um sorriso todas as medidas demagógicas. Não é impunemente que se é candidato a deputado pelo Porto, sabendo que nunca se vai ocupar o lugar, e depois se é a consciência moral da direita. Temos muito a aprender com ele. Ele sabe como as coisas se fazem.

Publicado por danieloliveira em domingo 19 setembro 15:20 | Comentários (27)

Ou aquela a que Paulo Portas vai concorrer?

Manuel Monteiro quer ser candidato à Câmara do Porto ou à Câmara de Lisboa.

Publicado por danieloliveira em domingo 19 setembro 12:26 | Comentários (11)

setembro 18, 2004

Atenção Coimbra e Arredores

Hoje a partir das 22h00, no Jardim da Sereia, espectáculo do I Festival Internacional de Gaiteiros de Coimbra. Um grupo bretão, outro catalão, dois galegos e os restantes portugueses, incluindo os aguerridíssimos Gaiteiros do Porto e os meus favoritos, os Gaiteiros de Lebução [Valpaços, Trás-os-Montes].

Não percam. Para os interessados, chamo a atenção para o excelente site da Associação Gaita de Foles, que recolhe todas as informações necessárias para quem queira participar da recuperação da tradição da Gaita de Foles em Portugal (foi lá que roubei a imagem, ali acima, de uma gaita trasmontana), além do sempre imprescindível At-Tambur.

Publicado por ruitavares em sábado 18 setembro 18:35 | Comentários (10)

Mas afinal estes não votaram no Zapatero?

Excerto de notícia do International Herald Tribune sobre um comunicado do grupo por detrás do 11 de Março em Madrid:

Addressing Bush, it said: "We know that a heavyweight operation would destroy your government, and this is what we don't want. We are not going to find a bigger idiot than you." The statement said Abu Hafs al-Masri needs what it called Bush's "idiocy and religious fanaticism" because they would "wake up" the Islamic world. Comparing Bush with his Democratic challenger, Senator John Kerry, the statement tells the president, "Actually, there is no difference between you and Kerry, but Kerry will kill our community, while it is unaware, because he and the Democrats have the cunning to embellish infidelity and present it to the Arab and Islamic community as civilization."

Publicado por ruitavares em sábado 18 setembro 17:11 | Comentários (2)

À vontade

Hoje, as escolas de obediência às quais, nos últimos tempos, já só iam os pobres sem cunhas, acabaram. Agora, vão os que, por motivos que desconheço mas que não discuto, querem mesmo ser militares. Eu, que fiz, como muitos, a tropa e que fui forçado pelo Estado, por um ano, a obedecer a ordens inúteis dadas por tipos quase sempre tão inúteis como as ordens que davam, acho que hoje é um dia a celebrar.

Publicado por danieloliveira em sábado 18 setembro 04:20 | Comentários (61)

setembro 17, 2004

Heresia: por uma vez Bagão tem razão

Escreveu-se no 100nada: «Os benefícios fiscais dos planos de poupança habitação e poupança reforma vão sofrer uma redução ou mesmo desaparecer. O Ministro arranjou uma forma rápida de conseguir uma receita maior. Rápida e de curto prazo. Com a desculpa de maior igualdade e outras palermices, penaliza a classe média que já paga os seus impostos e que não vê resultados práticos da aplicação eficiente desses recursos.»

Não posso concordar e todos aqui imaginam que me custa apoiar Bagão Félix. Mas o fim de muitos dos benefícios fiscais é mais do que justo. Por três razões:

1. Só pode beneficiar deles quem tem mais dinheiro para gastar (serão muito raros os contribuintes que, recebendo 800 ou 900 euros mensais, desviem os seus parcos recursos para um PPR). Bem sei que estão nos escalões mínimos, mas nem por isso deixam de estar incluídos no sistema e descontar para ele. Mais: só chega ao tecto máximo de deduções quem gasta mais. Só gasta mais quem tem mais. Os benefícios fiscais, favorecendo a classe média, põem a classe baixa a "contribuir" para as despesas de quem ganha mais. É uma distorção da justiça fiscal, que passa pela regra inversa: os que ganham mais ajudam os ganham menos. Os benefícios fiscais a investimentos em poupança em produtos fornecidos para os privados correspondem ao desvio de fundos públicos para o privado, prejudicando quem não usa (porque não tem margem para usar) os serviços privados. Quem se pode justamente queixar de pagar serviços públicos (taxas de saúde, propinas, etc), dizendo que assim se trata de uma dupla tributação, se depois quer que o Estado lhe pague os serviços privados?

2. Só beneficia de um planeamento fiscal complexo, como a enorme quantidade de complicados benefícios fiscais, o que exige um enorme conhecimento da lei, quem tem acesso a um contabilista ou advogado, o que, manifestamente, só acontece com quem mais tem. O sistema fiscal deve ser simples para os seus benefícios serem aproveitados por todos.

3. Os benefícios fiscais tornam a fiscalização mais complexa, desviando os esforços da máquina fiscal para uma fiscalização de minudências e não se concentrando no combate à fraude fiscal. A multiplicação de benefícios fiscais favorece a fraude fiscal.

Aceito que haja vantagens macroeconómicas no combate à inflação através promoção da poupança. Mas não me parece que esta vantagem valha a distorção da justiça fiscal.

No entanto, têm de me desculpar a desconfiança: ainda quero ver até onde chega esta proposta de Bagão Félix depois da reacção dos bancos. E quero saber se há algo de mais substancial para apresentar. Se Bagão aproveita a oportunidade para mexer nos inúmeros benefícios fiscais dados à banca e outras actividades não produtivas. Sou contra privilégios para a classe média (onde me incluo), mas estes estão longe de ser os mais escandalosos ou relevantes. As situações mais vergonhosas estão noutro lado e nessas, estou seguro, Bagão não tocará.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 17 setembro 18:10 | Comentários (36)

Porque torço por Kerry

Um dia perguntaram a Einstein o que pensava ele do senador McCarthy. Obrigado a demonstrar alguma delicadeza em relação aos seus anfitriões, respondeu qualquer coisa como: "penso que a América tem um grande sentido de humor. Ainda um dia nos havemos de rir deste homem".

Talvez conte como ponto a favor de um certo progresso da América e da humanidade o facto de não precisarmos de esperar para poder rir de George W. Bush. Fizémo-lo durante todo o seu mandato.

Agora o que nós precisamos é de respirar de alívio.

Então, para começar devo dizer que uma das razões porque eu (e aparentemente a maioria do planeta) torço porque Kerry ganhe é porque quero que o episódio bushista seja encerrado na história dos EUA e do mundo tal como foi o McCarthismo. Um pesadelo perigoso que felizmente acabou.

Há quem afirme que esta é uma posição fanática, ou mesmo anti-democrática, porque se limita a ser do contra. Não vejo qual é a relação entre uma coisa e outra. Ser do contra faz tanto parte da democracia como ser a favor. Pode ser que há muito muito tempo as pessoas tenham votado pensando: "todos os candidatos em presença são excelentes pessoas, dignas e dedicadas, mas existe um que considero ser ainda mais merecedor do meu voto, apesar de não ser contra os restantes". Mas isso foi há tanto tempo que já ninguém se lembra.

Além disso, quem assim fala também gosta de contribuir para a confusão. Ora costumam assustar os indecisos dizendo que Kerry é um esquerdista impenitente, quase comunista. Ora se armam em desmancha-prazeres da esuqerda e dizem: "mas que pensam vocês? que a política externa dos EUA vai mudar? que John Kerry vai retirar do Iraque? oh, santa ingenuidade!"

Voltemos então à minha analogia com o McCarthismo. Até pode ser que John Kerry venha a herdar a Guerra Fria (agora Guerra ao Terrorismo), mas George W. Bush seria o tipo capaz de defender que se lançasse a bomba atómica sobre a União Soviética. Loucos desses dispensam-se, e é mesmo uma necessidade de sobreviência democrática (e sem ser democrática) garantir que ele se vá embora.

Mas eu suspeito que Kerry possa ser melhor do que apenas um herdeiro de políticas. O pior defeito do anti-americanismo que o pró-americanismo é (esta não se percebe à primeira, mas o que eu quero dizer é mesmo o que escrevi) é supôr que os EUA sejam uma realidade imutável, homogénea e inteiramente distinta do resto do mundo.Não é assim. Kerry é mais parecido comigo do que com Bush. E isso é óptimo, porque hoje em dia o que precisamos no mundo é que os EUA se aproximem da Europa (e não o contrário). Será bom para eles, bom para nós e bom para o mundo.

Neste momento as sondagens dizem que Bush vai ganhar. Eu acho que há algum exagero nisto, que este é apenas o exagero do pânico. Quanto mais o pânico aumentar mais hipóteses terá Bush de ganhar.

Se isso acontecer, tanto pior. Como explica David Marquand num excelente artigo na Prospect, que a Europa e os EUA sigam caminhos diferentes. Que haja políticos corajosos na Europa que defendam que os rios de dinheiro que os EUA gastam na guerra nós gastaremos em coisas melhores. E que ---

O ciber-café está a fechar. Continuamos depois, se calhar.

Já agora, não se esqueçam de ler este excelente «Goodbye the West» de David Marquand, em resposta a Philip Gordon e Timothy Garton Ash.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 17 setembro 17:40 | Comentários (15)

Contradições

Tenho assistido, estupefacto, à defesa da reforma exorbitante de Mira Amaral, paga por uma empresa de capitais públicos. Argumento: se queremos bons gestores, temos de lhes pagar bem. A minha dúvida é esta: e se queremos bons funcionários públicos, temos de lhes pagar como?

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 17 setembro 17:37 | Comentários (20)

Cinema underground

Há histórias que valem por tudo o que não contam. Por mim, optei por imaginar um grupo secreto de indefectíveis cinéfilos. Deixo-vos com esta maravilhosa história, publicada no Guardian.

Numa gruta secreta de Paris, o verdadeiro cinema underground.

A polícia de Paris descobriu um cine-restaurante completamente equipado numa enorme e, até agora, desconhecida, caverna subterrânea no chique 16º bairro. Os responsáveis admitem terem ficado perdidos: não sabem quem construiu ou quem usava uma das mais intrigantes descobertas recentes na capital. "Não fazemos ideia", diz um porta-voz da polícia. "Há duas suásticas pintadas no tecto, mas também cruzes celtas e várias estrelas de David, não sabemos se são extremistas. Alguma seita ou sociedade secreta, talvez. Há muitas possibilidades."

Membros desta brigada, responsável – entre outras tarefas – pelo policiamento das 170 milhas de túneis, caves, galerias e catacumbas que existem sob grande parte de Paris, deram com o local durante um exercício por baixo do Palácio de Chaillot, atravessando o Sena, a partir da Torre Eiffel. Depois de entrarem na rede por um canal junto a Trocadero, os agentes depararam-se com uma tabuleta: Local em construção, Sem acesso. Por trás disso, um túnel mobilado com uma secretária e um circuito fechado de televisão preparado para gravar automaticamente imagens de qualquer anónimo de passagem. O mecanismo accionava ainda uma gravação de cães a ladrarem: "claramente destinados a afastar as pessoas", diz o porta-voz. Mais ao fundo, o túnel conduzia a uma vasta cave de 400 metros quadrados, cerca de 18 metros abaixo do solo, "como um anfiteatro subterrâneo com varandas abertas na rocha e cadeiras". Foi aí que a polícia encontrou um ecrã de cinema de tamanho real, equipamento de projecção e uma enorme variedade de filmes, incluindo clássicos do film noir dos anos 50 e thrillers mais recentes. Nenhum dos filmes está proibido ou é sequer ofensivo, explica o mesmo porta-voz.

Uma gruta mais pequena de um dos lados estava transformada num restaurante e bar informal. "Havia garrafas de whisky e outras bebidas atrás do bar, mesas e cadeiras, um utensílio para cozinhar couscous." Três dias mais tarde, quando a polícia regressou acompanhada de peritos da empresa de electricidade nacional para perceberem de onde vinha a corrente, o telefone e a electricidade tinham sido cortadas e havia um recado no meio do chão: "Não tentem encontrar-nos".

Os quilómetros de túneis e catacumbas que percorrem Paris são essencialmente antigas pedreiras romanas, dos quais grande parte da pedra foi escavada para construir a cidade. Hoje, os visitantes podem ser guiados através de uma área restrita, Les Catacombes, onde permanecem os restos de cerca de seis milhões de parisienses transferidos de cemitérios sobrelotados no fim do século XVIII. Desde 1995, por razões de segurança, é uma infracção "penetrar ou circular dentro" do resto da rede. Existem, contudo, vários grupos que acedem aos túneis depois de anoitecer e se entregam ao que na imaginação popular se transformou em orgias alcoólicas mas que, de acordo com os factos conhecidos, não passam de piqueniques subterrâneos.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 17 setembro 16:18 | Comentários (7)

Os pobres que paguem a crise

A administração fiscal detectou um aumento na fuga ao pagamento dos impostos dos profissionais liberais, em especial dos advogados, médicos e arquitectos.

Não faz mal, para equilibrar as contas corta-se no Rendimento Mínimo e aumenta-se o IVA

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 17 setembro 13:50 | Comentários (17)

No dia em que a Europa for uma orquestra barroca pós-moderna

A guerra está declarada entre os socialistas franceses em torno da posição sobre o referendo à futura constituição europeia (que o presidente Chirac prometeu para 2005). Laurent Fabius, que tem ambições presidenciais, declarou-se contra o projecto constitucional. O líder actual, François Hollande, assim como outras das principais figuras do PS francês (Strauss-Kahn, Delanoe, etc), está a favor. A direita que está no governo é também favorável. Mas a posição de Fabius mostra que as posições sobre a construção europeia não coincidem, em França, com a divisão esquerda/direita e que, sobretudo, nem o "bloco central" faz o pleno. Nos Verdes também não há unanimidade. Cohn Bendit, um fervoroso europeísta, já atacou com violência a posição de Fabius. Aguardo para ver se estas divergências têm, como é de desejar, a vantagem de clarificar posições ou se são submergidas pela lógica mediática da luta política, aparecendo apenas como divisionismo no campo do sim. Também aguardo para ter uma posição.

Anteontem, e graças ao meu amigo Bruno assisti a um belo concerto da Orquestra Barroca da União Europeia (EUBO), na sala Gaveau, aqui em Paris. No programa, Purcell, Vivaldi, Rameau, Biber e Bach. A segunda parte iniciou-se com uma peça de Biber chamada "A batalha", em que maestro (Ton Koopman) e músicos entram em acordes dissonantes, pretexto para uma bem disposta desbunda. Alguma relação com a política europeia? A EUBO é uma magnífica iniciativa que permite aos jovens talentosos dos diferentes países fazerem concertos com os melhores maestros durante uma temporada (a rotação anual é obrigatória). Aos 20 e poucos anos, ganham experiência intensiva e fazem contactos com músicos de toda a Europa. Algo impossível sem uma iniciativa deste género. O talento dos músicos e o evidente prazer na condução de Koopman em dar a descobrir uma música que continua com má fama, por ser "barroca", faz o resto. No "rondó" de Rameau todos os instrumentos de corda pareciam ter-se tornado de percussão. Haverá alguma coisa melhor do que isto? Até a Microsoft, patrocinadora da iniciativa, sai reabilitada.

P.S. A única violinista que representa Portugal na "tournée" tentou obter uma ajuda financeira do nosso país e não obteve um tostão. À parte as ajudas de custo que a organização oferece, está há meses a pagar tudo do seu bolso.

PPS: O pós-moderno do título é o meu subsídio para as eventuais fantasias de alguns leitores. Digam lá se não sou um gajo porreiro.

Publicado por andrebelo em sexta-feira 17 setembro 09:25 | Comentários (8)

setembro 16, 2004

Como sempre, os putos ficam contentes quando não há aulas

Secretário de Estado da Administração Eductaiva, na abertura do ano lectivo: «Há alguns sinais de festa».

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 20:08 | Comentários (11)

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

Bush, criticando as decisões de Putin contra o terrorismo: «As governments fight the enemies of democracy, they must uphold the principles of democracy.».

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 20:06 | Comentários (3)

Os professores

A solução para o problema da colocação de professores só pode passar, na minha opinião, pela autonomia das escolas na contratação dos docentes (seguindo regras claras e com possibilidade de recurso que combata o compadrio e as cunhas) e na estabilização mais rápida da situação contratual dos professores. Sei que a defesa desta autonomia não é muito popular entre os sindicatos do sector. Mas suspeito que isso tem mais a ver com o poder dos sindicatos do que com os interesses de pais, alunos e professores.

Uma coisa é certa: a situação actual é impensável, torna impossível a existência de projectos educativos sérios, afasta os professores dos alunos, os alunos dos professores e todos da Escola. Assim é impossível criar equipas. Não acredito que o perfil de um professor de província, do centro de Lisboa e dos arredores de uma cidade seja igual. Não acredito que uma escola democrática, descentralizada e criativa possa depender de decisões burocráticas e centralizadas. Não acredito que alguém vista a camisola se andar a saltar de escola em escola. Venha o debate

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 19:23 | Comentários (39)

É do Estado, é para gastar

Mira Amaral vai ter uma reforma de 18 mil euros, cerca de 3600 contos, depois de nove meses na Caixa Geral de Depósitos.

A direita detesta empresas públicas, mas não deixa de tirar partidos delas. Não nos venham depois atirar à cara com os custos em funcionários públicos.

Isto nada tem de pessoal. Mira Amaral pode ganhar o que entender e enriquecer à sua vontade. Dou-lhe os parabéns. Mas não pode fazê-lo utilizando empresas públicas, muito para além do razoável. Sobretudo quando sabemos que nenhum privado lhe daria tamanho prémio.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 17:03 | Comentários (33)

Arranjem uma secretária

O primeiro-ministro e a ministra da educação não estiveram na abertura do ano lectivo. Justificação: não tinham agenda. Já se sabe porque correu tão mal a abertura do ano escolar: eles não sabiam que era hoje.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 17:01 | Comentários (4)

שנה טובה

Hoje é o primeiro dia do ano 5765 do calendário hebraico. Através da Rua da Judiaria fiquei a saber que esta indisposição matinal que hoje senti não é uma ressaca judia. A todos, judeus e não-judeus, bom ano. E especiais abraços a Nuno Guerreiro, o dono de um dos melhores blogues nacionais.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 16 setembro 14:13 | Comentários (28)

Memória tipográfica


Herbert Matter, Grafismo e fotomontagens para o folheto turístico A Primavera na Suiça, 1939.

Há cabeçalhos de jornal que deveriam ser património. O d'A Capital é um deles, principalmente pelo característico círculo vermelho que separava o artigo do substantivo e que sugeria funcionalmente o objecto do jornal, a capital do país propriamente dita. O tipo – ou fonte – utilizado até poderia ser mudado, e creio que chegou mesmo a ser, mas tirar aquele círculo no título d'A Capital seria a mesma coisa que tirar a bola d'A Bola, o losango vermelho do Libération ou as pirâmides do Al Ahram.

Infelizmente, há algum tempo que adivinhava o pior. O tamanho do círculo foi diminuído, e no site acrescentaram-lhe um sombreado em degradé. E hoje, no quadro de uma renovação gráfica no jornal, o cabeçalho desapareceu completamente e foi substituido por um novo.

Reparem: é evidente que A Capital precisava de se renovar graficamente, e esta reformulação tem aspectos positivos. Mas deveria tê-lo feito a partir daquele seu cabeçalho, que (mesmo necessitando de um toque nas letras) era um achado de elegância e simplicidade, e não ao contrário.

Isto não é uma minhoquice. Este cabeçalho d'A Capital antecede mesmo a actual série do jornal, dos anos 1960. Foi usado pela primeira vez, se não estou em erro, na segunda série, na década de 1910. Para quê deitar fora a herança, e parte da nossa história tipográfica? Um bom designer gráfico que tomasse aquele ponto de partida faria uma paginação elegante mas dinâmica, embora um pouco cerebral, talvez inspirada em Herbert Matter, o genial designer suiço-americano.

Estas coisas deixam-me triste. A mesma empresa que detem o jornal já tinha acabado com outro símbolo: o gótico no cabeçalho d'O Comércio do Porto. E por mais que me esforce não consigo compreender. Qual é a vantagem de O Comércio do Porto para onde Venceslau de Moraes enviava as suas cartas do Japão em 1905, em plena guerra Russo-Japonesa, ter agora um título em helvetica azul? Qual é a ideia?

Um dia destes acabarão também com o cabeçalho do Primeiro de Janeiro, um jornal onde já tudo acabou e que só poderá um dia salvar-se regressando à sua história.

Parece aquele anúncio em que um indiano destrói um charmoso carro dos anos 50 para o transformar num Peugeot 206. E a coisa não fica por aqui. As grelhas dos nossos jornais (incluindo o DN e o Público), agora desenhadas todas por medida em empresas espanholas, estão cheias de quadradinhos por todo o lado, todas iguais, todas sem personalidade alguma.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 16 setembro 03:57 | Comentários (12)

setembro 15, 2004

Interlúdio

Portugal tem coisas porreiras. Uma delas: o hóquei em patins na televisão. Está neste momento a dar um Portugal-Itália no primeiro canal e estamos a perder 4 a 2. Um dos meus sonhos é um dia ver jogos de hóquei filmados como deve ser, com as câmaras necessárias, a poder dar pelo menos uma ideia da maravilha deste desporto quando se vê no pavilhão.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 15 setembro 18:45 | Comentários (16)

É tudo o que temos

O Blasfémia não gostou deste cartaz e achou que era digno de fanáticos. O Blasfémia costuma achar que eu sou fanático. Eu, de facto, revejo-me no cartaz. Eu e o Blasfémia estamos de acordo. Não é todos os dias.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 18:35 | Comentários (28)

Olha a novidade

Título do Público: "Dinossauros estão no Parlamento".

Publicado por ruitavares em quarta-feira 15 setembro 18:31 | Comentários (11)

Menos Estado

Professor por colocar procura alunos sem professor. Assunto sério. Sem Ministério da Educação. Trata com o próprio.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 18:16 | Comentários (15)

Wrong way

Nos EUA saiu um livro da jornalista Kitty Kelley sobre a vida da família Bush, com revelações "escaldantes" sobre o passado privado de George W e restantes familiares, passando por três gerações. Sobre o assunto, só me apetece dizer uma coisa: não é por aqui. Os pecados de Bush na vida pública chegam. São mesmo os únicos que interessam. O pior, é que isto pode pesar mais nos votos do que tudo o que realmente conta.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 15:34 | Comentários (17)

Porque não trabalham os portugueses apesar de terem tão bons gestores?

Os gestores de topo portugueses ganham em média cerca de 64 mil euros por ano, ocupando o nono lugar do ranking liderado pelos suíços, de acordo com um estudo sobre as remunerações dos gestores de topo na Europa.

Os trabalhadores portugueses ganham cerca de metade da média europeia.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 15:09 | Comentários (40)

A auto-crítica

Porque disse aqui que tinha ido ao concerto da Madonna, apesar de não ser grande fã, logo se levantaram as vozes da ira para me apontar mais este desvio burguês. A direita, por aqui, é (desculpem a heresia) mais papista que o Papa. Mas reflecti bem na minha conduta, e sou obrigado a dar-lhes razão. Tudo é política e a política está em tudo. Em cada gesto, em cada decisão que tomamos na nossa vida. Contradições, é um luxo a que só a burguesia diletante se pode dar.

Por isso, cá vai: confesso que não sou pobre nem proletário. Assim, depois de todos os avisos que aqui li, fui, por iniciativa própria, fazer a minha auto-crítica à Comissão de Controlo do Partido. O Partido está a analisar a minha situação. Estão indecisos entre o envio para a Venezuela, para uma estadia de três meses, ou três dias num workshop de jambés no “Andanças”. Espero ansioso, mas seguro que o Partido encontrará, como sempre, a melhor forma de me integrar na luta proletária. Obrigado a todos os comentadores por me saberem apontar, de forma construtiva e dedicada, as minhas fraquezas.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 14:53 | Comentários (43)

O primeiro dia

Amanhã, começa o ano lectivo. É um dia importante para crianças e pais, o primeiro dia sem aulas. Nenhuma criança esquece o dia em que não conhece o seu novo professor.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 13:44 | Comentários (14)

Lágrimas de profissional

Ontem fui ao concerto de Madonna. Viu-se bem. A superprodução torna comestível a mediania das músicas. Tocou-me especialmente o momento em que Madonna se descontrolou e chorou em palco. Descontrolou-se como só os melhores profissionais se descontrolam. Tudo bem ensaiado.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 15 setembro 13:05 | Comentários (39)

setembro 14, 2004

Félix com deus e o diabo

De um católico espera-se que tenha um sentido de solidariedade alargado, que comece na família e se estenda à comunidade cristã. , Não se espera que seja socialista mas é impensável que diga que um pastor não tem nada de pagar as auto-estradas de quem usa automóvel, como se não houvesse qualquer noção de bem comum e esse pastor não beneficiasse da existência de automóveis e auto-estradas. Por outro lado, é difícil estender a lógica do utilizador-pagador àqueles que pouco usam e nada ou quase nada podem pagar. A visão que Bagão Félix projectou no discurso de ontem mas também em medidas como a distorção do rendimento mínimo garantido que levou a cabo como Ministro da solidariedade social, é um programa de egoísmos que certamente chocaria Jesus Cristo. Eu não sou católico, mas não percebo uma visão humanista do estado que transforme todos os serviços em bem de consumo e não entendo como isto pode encaixar numa doutrina assistencialista. É que, enfim, espera-se um pouco mais de um católico do que a simples beatice ou que ande com a cartilha da doutrina social da igreja sempre debaixo da língua mas não a pratique. Não basta deixar uma moedinha piedosa na caixa de esmolas todos os domingos, senhor ministro.

Publicado por celsomartins em terça-feira 14 setembro 17:37 | Comentários (29)

Se a notíca for má, calem-se

A propósito da divulgação do relatório sobre o acidente na doca de Leça da Palmeira, o ministro Álvaro Barreto aconselhou Luís Nobre Guedes, sem nunca o mencionar, a "fugir à mediatização da governação e a evitar andar todos os dias nos jornais com questões secundárias”. E concluiu: “Ter uma política de informação é apenas dizer o que se está a fazer, evitando uma mediatização que depois se volta contra nós".

Publicado por danieloliveira em terça-feira 14 setembro 15:44 | Comentários (10)

Pronto, já passou

Narciso Miranda foi ilibado do que aconteceu em Matosinhos. Em vésperas de eleições internas, é bom não comprar inimigos. Tudo está bem quando acaba bem.

PS: As notícias que ontem à tarde foram dadas pela comunicação social sobre este assunto não eram verdadeiras. Segui, como toda a gente que lê jornais, as informações da comunicação social. Não sou do PS, se o fosse, não me contentaria com menos do que a expulsão. Ela serve para casos extremos. E se isto não foi um caso extremo... Ainda assim, a decisão foi bem mais severa do que é costume. O PS cumpriu o que prometeu e ganhou credibilidade com isso.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 14 setembro 15:38 | Comentários (21)

Santana estreia-se no Atlântico

Ontem foi o primeiro dia dos dois concertos de Madonna. O programa foi o do costume: antes da artista principal, vaia a primeiro-ministro.

Hoje vou ver a Madonna, sobretudo por curiosidade. Depois, conto como foi e quem foi o convidado governativo para a tradicional vaia popular.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 14 setembro 15:17 | Comentários (24)

Abandono familiar

A ONU diz que Portugal é o 2º País mais pobre dos 15 da União Europeia. Dois em cada 10 portugueses vivem com menos de 400 euros mensais. Esta foi a "família" a quem Bagão Félix disse que não podia gastar tanto. Tenho a sensação que Bagão Félix anda a trabalhar demais: fazia-lhe bem estar um pouco mais em casa, para saber do estado em que está a sua família.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 14 setembro 13:30 | Comentários (49)

Tempo de Antena

Ontem Bagão Félix conseguiu falar em todas as televisões durante quase 10 minutos em directo. É apenas um ministro. Não tinha nada para dizer. Coisa nenhuma. Foi puro tempo de antena. A central de comunicações do governo já está a funcionar. E é fácil

Publicado por danieloliveira em terça-feira 14 setembro 13:19 | Comentários (13)

Sobre sofrimento

Aqui fala-se de muitos problemas importantes. Mas como falar do sofrimento das pessoas? Digo falar deles verdadeiramente. Não se trata de opôr a política a uma espécie de populismo (como sabemos, não se opõem). A política é muito importante porque é, ou deve ser, racional e conduz, ou devia conduzir, a uma resolução racional dos problemas. Mas o sofrimento concreto das pessoas não tem descrição e tomar consciência dele todos os dias é insuportável. Se falássemos dele não aguentávamos o peso. Calávamos e soçobrávamos na blogodeprimosfera.

Publicado por andrebelo em terça-feira 14 setembro 12:41 | Comentários (15)

Vitamina félix ou mimo-ministro?

Primeiro as propinas. Que não era justo que os filhinhos dos papás ricos, blá blá blá. Depois os pastores transmontanos que nunca andaram de automóvel, nunca puseram o pé numa camioneta de carreira e nunca compraram um pacote de arroz que tenha chegado por auto-estrada. Agora os ricos que se consolam a roubar o lugar dos pobres nas filas do hospital de São José. Daqui a pouco os ardilosos doentes que me metem a mão no bolso a mim, que nunca ponho os pés num centro de saúde.

Tarifas diferenciadas para toda a gente. Daqui a pouco, ser cidadão português obrigará ao uso daquelas tabelas de preços que vêm com os telemóveis.

Publicado por ruitavares em terça-feira 14 setembro 04:20 | Comentários (16)

E agora, humor negro

Na infame noite revolucionária que até hoje lança a sua sombra malfazeja sobre a nossa pobre nação os jornais mais importantes eram do estado. Todos sabemos como o mais importante deles, o Diário de Notícias, foi na prática dirigido por um homem chamado José Saramago, que pertencia ao Partido Comunista Português.

Hoje em dia, felizmente, o DN é privado, o que o coloca ao abrigo de qualquer tentação estalinista. O grande grupo económico que detém o DN, o Jornal de Notícias e o 24 Horas – a Lusomundo Media, propriedade da Portugal Telecom – não toleraria qualquer influência política nas suas nomeações.

O critério de nomeação dos seus responsáveis é a competência e não as preferências partidárias. Só os melhores jornalistas são escolhidos para os cargos mais altos. A próxima nomeação de Luís Delgado, administrador da Lusa, para presidente da comissão executiva da Lusomundo Media é prova disso mesmo.

Publicado por ruitavares em terça-feira 14 setembro 04:05 | Comentários (21)

setembro 13, 2004

Conversas em Família

Bagão Félix explicou, naquele tom de pai severo mas dedicado, que o País é como a nossa casa. Ao ouvi-lo, não deve faltar quem tenha sentido uma certa nostalgia . Só que depois desta conversa em família, e de uma meia dúzia de doces tiradas demagógicas, fiquei preocupado: e se ele julga mesmo que o Orçamento do Estado é como o orçamento de uma casa?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 21:10 | Comentários (54)

Ivan desiste

Fidel ameaçou-o de prisão. Os Estados Unidos explicaram-lhe que havia um bloqueio. Desanimado, Ivan desistiu de Cuba.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 20:20 | Comentários (12)

dáles, pá, e com força!

Há pessoas cujo génio as empurra imediatamente para ideias de que a maioria nunca se lembrou. Os portugueses fizeram os maiores sacrifícios nos últimos dois anos mas o ministro das finanças descobriu finalmente a receita ideal: disciplina financeira e TRABALHO. O problema afinal era o nosso pouco empenho, a nossa preguiça endémica de pais solarengo e eternamente estival.
Portanto, ó chefes de familia mandriões, ó juventude perdida e ociosa, ó terceira idade com bom corpo, ó aleijados mas pouco, toca a vergar a mola, cambada de mandriões e inúteis, toca a entrar nos eixos que o recreio acabou.

Publicado por celsomartins em segunda-feira 13 setembro 20:05 | Comentários (6)

A porcaria vem sempre ao de cima

Alguém se fez passar por membro do blogue O Acidental e enviou um cartão insultando o Barnabé. Queremos dizer aos cobardes que o fizeram que não adianta: o Barnabé e o Acidental vão continuar as suas polémicas, como até aqui, num plano estritamente político e de gente civilizada.

Publicado por andrebelo em segunda-feira 13 setembro 17:48 | Comentários (10)

Como de costume

No Porto, no Bairro do Lagarteiro, Rui Rio resolve as coisas como é seu costume: ele faz conversa doce enquanto os seus vereadores tratam dos assuntos à cacetada.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 16:43 | Comentários (13)

Cat Woman ficou com os filhos. Batman sem direito a visitas.

Um homem de uma associação de pais divorciados do Reino Unido, que querem ter acesso aos seus filhos, vestido de Batman, ocupou a varanda do Palácio de Buckingham.

Última hora: dois (e não apenas um) activistas conseguiram chegar à varanda. Ao lado de Batman, o Homem Invisível manifesta igualmente a sua indignação. Afirma que o seu filho não o vê há mais de dois anos.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 16:34 | Comentários (13)

A blogosfera não pára

Aproveitámos o nosso aniversário para dar uma arrumação na lista de blogues da coluna da esquerda. Há muitos novos blogues para acrescentar e outros que, não sendo novos, já há muito lá deviam estar. Assim, aqui estão mais 27 blogues acrescentados à lista:

Ad Libitum, O Abre-surdo, Afixe, Aguarela Temperamental, Arcabuz, Aura do Dia, Briteiros, Conversas na Travessa, Daedalus, À Deriva, Enresinados, Foguetabraze, Um Homem na Cidade, O Insubmisso, Lembranças do Guerreiro, Letras com Garfos, Lorenzetti, Marasmo do Caos, A Minha Jornada, Pé de Meia, Resistente Existencial, Rua da Judiaria, Sentidos da Vida, Touch of Evil, Tugir, O Vilacondense e What do You Represent.

Aproveitando a oportunidade, fizemos uma limpeza. Sairam os blogues que já estão fora de linha, que já anunciaram o seu fim ou que há mais de dois meses não fazem prova de vida. Eram estes, 20 no total:

Blogica da Batata, O Companheiro Secreto, Comprometido Espectador , Cruzes Canhoto, Dicionário do Diabo, O Estado das Coisas, A Formiga de Langton, Guerra Civil de Espanha, Liberdade de Expressão, , Margem Esquerda, Mata Mouros, O Meu Pipi, Murmúrios do Silêncio, Nietzsche e Schopenhauer, Posts de Pescada, Quarto do Pulha, A Quinta Coluna, Socioblogue e Stand-Up Tragedy.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 15:29 | Comentários (15)

A quem serve o terrorismo

Putin apresentou a sua primeira medida contra o terrorismo: o fim da eleição directa dos governadores. Espero os aplausos dos apoiantes fervorosos de Putin. A defesa dos valores democráticos, contra o terror, não se pode dar ao luxo de se deixar enfraquecer com infantilidades como eleições.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 12:37 | Comentários (16)

O pior dos três mundos

Os impostos em Portugal são altos. Os trabalhadores por conta de outrem, que não são quem tem os rendimentos mais altos em Portugal, são quem financia, quase na sua totalidade, o Estado português. Os impostos são progressivos. Agora, dizem-me que é inacreditável que quem paga impostos mais altos tenha o direito a saúde gratuita e a transportes subsidiados. Eu começo a ficar confuso: pagamos os impostos da Suécia, ouvimos os discursos dos Estados Unidos e temos os serviços públicos da Colômbia. Decidam-se.

Já agora, imagino o que será o serviço de saúde para os que não o vão pagar em hospitais S.A.

Disse Santana Lopes: «Se o nosso sistema fiscal fosse perfeito, se quem pagasse impostos não fossem principalmente aqueles que vivem do seu trabalho, aí teríamos as desigualdades corrigidas. Mas como o nosso sistema fiscal não é perfeito, temos de introduzir estas correcções para corrigir as desigualdades». Santana desafia as leis da lógica. Se a folha de IRS é a forma que o Estado tem para conhecer os rendimentos dos cidadãos, os que fogem ao fisco são beneficiados por serviços pagos proporcionalmente aos rendimentos declarados e os que pagam tudo são duplamente penalizados. Compreendeu ou é preciso fazer um desenho?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 13 setembro 12:21 | Comentários (23)

setembro 12, 2004

Stardust memories

A dreaded sunny day So let's go where we're happy And I meet you at the cemetry gates Oh, Keats and Yeats are on your side A dreaded sunny day So let's go where we're wanted And I meet you at the cemetry gates Keats and Yeats are on your side But you lose 'Cause weird lover Wilde is on mine

Publicado por celsomartins em domingo 12 setembro 23:15 | Comentários (11)

9/12

A pior herança do 9/11 é esta: o recuo da razão.. Nem a Arendt escapa a tanta banalidade insuflada. São prosas alucinadas como esta que nos fazem perceber que o mundo ocidental não está a salvo do fanatismo.

Publicado por celsomartins em domingo 12 setembro 02:48 | Comentários (34)

setembro 11, 2004

Atrasado, como sempre

Andava eu na escola primária e uma colega de turma respondeu à professora que lhe perguntava pelos trabalhos de casa com esta frase genial: «Professora não pude fazer o trabalho por que tive de ir brincar». O mesmo aconteceu comigo ontem, tive de ir brincar e por isso acabei por não fazer meu texto comemorativo do primeiro ano da primeira era do Barnabé. Tive de ir brincar com a família Barnabé (o Brasão de família está ali em cima a dar um toque revigorante de classe a este post). Como estou de novo atrasado, só quero dizer que me diverti e empolguei muitas vezes durante este ano louco das nossas vidas. Se todos os trabalhos de casa fossem assim isto ia muito melhor.

Publicado por celsomartins em sábado 11 setembro 17:19 | Comentários (9)

O menino dê cá isso, não seja possidónio!

«Santana tira 'dossier' Galp a Nobre Guedes»
Título do DN de Hoje

Publicado por celsomartins em sábado 11 setembro 17:05 | Comentários (1)

Lembro-me, lembro-me

Lembro-me. Lembro-me de ligar a televisão e de ver as imagens com estupefacção e horror. Lembrei-me então do Orson Welles, mas por poucos minutos. Lembro-me de o jornalista que relatava os acontecimentos na televisão dizer que também as capitais europeias poderiam ser atacadas. Lembro-me de ir a correr buscar a minha filha, então com pouco mais de seis meses, ao infantário. Lembro-me de ter tido medo. Depois veio o Iraque e todos ficámos a perceber que a resposta para problemas novos (que exigiam inteligência e mais inteligentsia) era muito velha e, como está à vista, ineficaz. O 11 de Setembro mudou o mundo, nisto todos concordamos, mas estou em crer que, três anos depois, nem todos concordamos quanto ao que isso quer dizer. O medo, esse ficou, como o único consenso.

Publicado por celsomartins em sábado 11 setembro 16:57 | Comentários (11)

Estamos fodidos!

Há três anos, assisti incrédulo. Horrorizado. Demorei umas horas a perceber a dimensão da coisa. Não a dimensão humana. Essa via-se a olho nu, com os corpos a cair de uma torre. A dimensão política. Depois, umas horas depois, saiu-me a exclamação: “estamos fodidos!”

Ainda era só uma sensação. O adversário do Império – sim, os Estados Unidos são o primeiro Império, na história da humanidade, que não tem rival em todo o globo – tinha passado a ser a mais abjecta das organizações. Eram terroristas, mas isso já era velho. Pela Europa e pelo Mundo a utilização do terror generalizado, sem alvo claro e por isso eficaz na utilização do medo como arma política, não era novidade. Nunca com esta magnitude, mas isso seria “apenas” uma questão de grau. Eram fundamentalistas religiosos. E a religião, quando transformada em discurso político, é sempre “purificadora”, dogmática e irredutível. Quem procurar Deus na política só encontrará pilhas de mortos.

“Estamos fodidos”, pensei. Nós, os que pensam que a existência de um Império sem resistência é a receita para a desregulação da guerra e da paz. Nós, os que defendem os direitos cívicos e a liberdade e que sabem que eles, diminuindo as garantias de segurança, são a única coisa porque vale a pena correr esse risco. Nós, os que defendem um modelo social assente numa divisão mais igualitária dos recursos e do trabalho. Nós, os que defendem a laicidade do Estado como um dos fundamentos da democracia. Nós, a esquerda. “Estamos fodidos”, pensei.

Estamos, porque a luta destes lunáticos é exactamente a contrária da nossa. Ainda mais contrária do que a de Bush. Mas também porque não foi difícil adivinhar o que queria esta gente: radicalizar de tal forma os campos civilizacionais, até que nada pudesse ficar entre eles. Nem ocidentais “bem-intencionados”, nem árabes laicos e abertos ao contacto com o Ocidente. Para que o cosmopolitismo Ocidental fosse visto, por cá, como fraqueza. Para que laicidade e os direitos humanos fossem vistos, por lá, como traição. Ou contra eles, ou contra nós, foi isso que se ouviu a 11 de Setembro. E logo a direita conservadora repetiu a mensagem: ou contra eles, ou contra nós.

Três anos depois, quem pode negar que Ben Laden ganhou em toda a linha. Ganhou do lado de lá, fanatizando posições e fazendo do desespero uma arma. Ganhou do lado de cá, destruindo, com as duas torres gémeas, a tolerância e o relativismo.

Hoje, Bush tem como uma das suas principais bases de apoio as mais reaccionárias igrejas evangélicas, que fazem da política salvação das almas e da salvação das almas política. Os novos cruzados estão a tomar conta do Ocidente.

Hoje, nenhum direito, exactamente aqueles que os fundamentalistas mais desprezam, está seguro. Hoje, a palavra de Deus está em todo o lado: nos congressos, nas convenções, nos parlamentos, nos quartéis e nos atentados. Irredutível, castigador e vingativo. Eles ou nós. Contra os infiéis.

Ben Laden ganhou, porque a mais reaccionária das direitas precisava de Ben Laden. Não o quis. Eu sei que não. Mas usa-o diariamente. Usa-o Putin. Usa-o Bush. E ele quer ser usado. Porque a paranóia serve os dois lados, mesmo que os dois lados sejam tão diferentes nos métodos. Todos querem aproveitar enquanto dura. Cumprir as suas agenda - a política, a económica, a social, a militar e a religiosa - em nome de valores indiscutíveis. E os únicos valores indiscutíveis, a vida e a liberdade, são os que os dois lados estão dispostos a sacrificar.

Ben Laden conseguiu tudo o que queria: no Iraque, quem quer combater o ocupante, junta-se a Sadr; na Palestina, explode-se num autocarro; na Rússia, quem quer defender os seus filhos grita por Putin; nos Estados Unidos, quem se quer sentir seguro comove-se com discursos de militares.

Estamos cercados de fanáticos. O 11 de Setembro é o dia deles.

Publicado por danieloliveira em sábado 11 setembro 16:55 | Comentários (25)

Católica homenageia grande maçon

O Barnabé associa-se à homenagem a Sir Winston Churchill, insigne maçon britânico, que terá lugar no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica no dia 13 de Setembro.
A oração de sapiência, integrada nas palestras anuais Alexis de Tocqueville, será proferida pelo hagiógrafo, perdão biógrafo, de Sir Winston, Sir Martin Gilbert. Como brinde poderão assistir à entrega ao vivo de “diplomas e prémios aos melhores alunos e aos alunos em Intercâmbio académico”. Ah, e não se esqueçam: entrada livre, fato escuro.

Publicado por pedrooliveira em sábado 11 setembro 10:39 | Comentários (23)

setembro 10, 2004

Notas para a recordação


Dois projectos gráficos para o Barnabé, desenhados à mesa do Teatro Taborda.

Uma das minhas manias de sonhar acordado, desde miúdo, é inventar títulos para jornais e revistas. E a partir do título surge o resto: os temas, o grafismo, o estilo geral. Um dia andava eu pela rua a pensar na revista de arte e literatura que Calvino e Vittorini dirigiram em Itália, Menabò, e em alguns títulos que Calvino gostava de usar nos seus livros: Palomar, por exemplo, ou Marcovaldo. Tentava imaginar uma revista de arte e literatura para Portugal que não tivesse um nome anglicizado ou meramente descritivo como de costume, e pensava em que é que estes nomes tinham em comum que me agradava. Dois deles eram nomes próprios (Palomar e Marcovaldo); dois eram trissilábicos (Menabó e Palomar); dois eram acentuados na última sílaba (os mesmos); dois não necessitavam de tradução; e todos tinham um som divertido e despretensioso. Tentei pensar nas mesmas características em português. E surgiu Barnabé.

Mas Barnabé tinha dois problemas imediatos.

Barnabé não parecia nome de uma revista de literatura. De imediato começou a surgir outra ideia, já com capas, paginação e temas principais. Barnabé daria certamente uma boa antítese do tipo de revistas que eu abomino, as Maxmen e FHM. Em vez de gajas boas e tipos com abdominais fantásticos na capa, teria gente normal, com banhas, bigodes e um eventual dente cariado assumido num largo sorriso, um sorriso porreiraço de Barnabé. Em vez de se dirigir a um hipotético yuppie imbecil lusitano, dirigir-se-ia ao que este país tem mais, jovens sub-empregados. Seria uma espécie de mistura de Mad com Chiclete com Banana, um veículo de contra-cultura.

O segundo problema não era um problema. Lembrei-me de imediato que Barnabé já era uma música de Sérgio Godinho, e das mais relevantes até. Então e se se assumisse aquele refrão como subtítulo, "O que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros"? A imaginária revista transformou-se de novo. Com a inspiração do resto da música de Sérgio Godinho, Barnabé teria de ter política, mas não da forma macambúzia do costume: teria de ser um chamada às armas desopilante e combativa contra a depressão barrosista.

Claro, pois. Como se isto pudesse mesmo ser feito. Como se em Portugal alguém quisesse pegar numa coisa assim. Encolhi os ombros.

Uns dias depois ligou-me o Daniel. Pôs-me a par das suas guerrilhas na blogosfera política (que eu mal conhecia) e convidou-me a fazer parte de um novo blogue. Nem o deixei acabar e disse: já tenho título! E subtítulo!

Um blogue! Afinal o Barnabé seria um blogue colectivo, o que o levou a metamorfosear-se de novo.

Acresce a tudo isto que quando o Daniel me ligou eu estava em plena ressaca de regresso a um Portugal que eu julgava que já não existia, depois de quatro anos fora. Um país com que eu tinha sonhado de longe e que agora via claustrofóbico, com uma geracão bloqueada de que eu (sub-empregado como é evidente – e não melhorou desde então) fazia parte, com novas comunidades imigrantes a que ninguém parecia ligar, muitos deles ilegais como a minha mulher (o visto demorou dois anos a chegar). Um país onde a reacção a uma ideia nunca era "como é que isso pode ser feito" mas sempre "isso aqui não funciona". Um país com um governo que renegava o cosmopolitismo e a exigência de cultura. Com uma opinião publicada que falava sempre como se os portugueses fossem um povo de atrasados e que negava a existência de uma tradição popular de esquerda de que eu orgulhosamente me sinto parte – duas coisas que a blogosfera portuguesa contradizia e contradiz quotidianamente.

Esse é o grande agradecimento que eu tenho a fazer ao Daniel. A de ter tido uma ideia que se podia pôr em prática em tempo de crise, sem meios financeiros nem contactos, e que permitia um combate por algumas coisas das mais importantes para mim. Portugal, a inteligência e a amizade, por exemplo.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 10 setembro 20:29 | Comentários (36)

Escandaloso!!!

André, Celso, Daniel, Pedro e Rui

Hoje é dia de ego-trip e aqui vou eu. Há pouco mais de um ano, escrevia eu no Blogue de Esquerda, achei que seria boa ideia criar um blogue colectivo, nascido do zero, com amigos de longa data e com objectivos claros. Falei com o André, que tinha o seu blogue pessoal. Alinhou logo. Falei com o Rui, que rapidamente tomou a dianteira no entusiasmo, nas ideias e no saber técnico. Acabou por se transformar num elemento central do blogue. Mandei um e-mail ao Pedro, que foi inicialmente mais reticente, mas lá avançou. O Rui propôs o Celso e o grupo dos cinco estava formado. Em comum, tínhamos o facto de sermos de esquerda (apesar de sermos de esquerdas diferentes) e de termos opiniões semelhantes em relação ao actual momento político. Sobretudo o internacional. E tínhamos uma amizade forte, capaz de garantir a solidariedade na exposição.

A minha ideia (e da minha ideia sobra apenas uma parte, porque o Barnabé foi desde o princípio um blogue colectivamente sentido) era simples: perante uma direita desavergonhada, era necessária, aqui no Barnabé, uma esquerda escandalosa. Não procurávamos credenciais de seriedade junto de ninguém. Plural, sarcástico e agressivo, o Barnabé deveria irritar, mas com conteúdo. E estar pronto para responder sempre. Sem a vitimização em que a esquerda é tão useira. Se a direita domina os jornais, não vale a pena choramingar. O que não faltam são alternativas.

Num tempo em que a direita perdeu toda a vergonha, era preciso ser quase exibicionista para estar à altura do confronto. Num tempo em que a esquerda se pôs à defesa e a gaguejar, era preciso ser descarado. E assim, não podíamos ter escolhido melhor dia para nascer do que a véspera da data mais simbólica destes tempos: o 11 de Setembro. No dia em que nascemos não faltou quem garantisse que a esquerda iria assobiar para o lado e esquecer a efeméride. Não aconteceu assim. Nunca calaríamos essa data. Porque ela foi trágica para as vítimas, mas ela foi trágica para todo o Mundo e sobretudo para a esquerda. Foi no dia 11 de Setembro que a direita perdeu toda a vergonha. Perante a tragédia, sentiu-se legitimada para avançar sem medos. Tornou-se despudorada na sua defesa do choque de civilizações, agressiva no seu militarismo, boçal no seu conservadorismo, achincalhante na sua snobeira. Muito bem, se eram estas as regras do jogo, cá estávamos nós: seríamos despudorados no nosso cosmopolitismo, chocantes na denúncia da guerra, libertinos nos costumes, irritantes na defesa da história da esquerda.

Depois as coisas aconteceram ao contrário. O Barnabé surpreendeu-nos a todos. Pelas visitas e pelo impacto, claro. Mas sobretudo porque as regras do jogo mudaram. Passou a ser a direita a reagir e a irritar-se. Achou-nos arrogantes, moralistas, altivos, insultuosos, demagógicos, populistas, irredutíveis, persecutórios, agressivos e desrespeitadores das regras do debate. De repente, provaram o seu próprio veneno. Já nem se lembravam. Soube-lhes mal a eles e muito bem a nós. E o Barnabé, que era reactivo, deixou de o ser. Lançava o isco e logo vinha o peixe.

Mas no meio de tanta bordoada, eu, pelo menos, fiz amigos do lado de lá da “barricada”. Descobri, como se descobre sempre, gente “normal”. Com as suas alegrias e tristezas, vida pessoal e gostos comuns aos meus. Não foi novidade para mim. Foi só outra oportunidade de o confirmar. Confirmar que se encontram as melhores pessoas a defender as piores ideias (a inversa já eu conhecia há muito). Ainda assim, não me custa combate-los. Uma coisa excelente nos blogues: o debate é violento e frontal, mas raramente se pessoaliza. É assim que deve ser e isso é raro num País tão pequeno como o nosso.

Os comentadores foram o sexto elemento deste blogue. Uns apoiam-nos sempre, outros estão sempre contra nós, outros, a maioria, têm dias. De alguns, ao ler os seus comentários, dir-se-ia que nos odeiam. Nós sabemos que não. O ódio, como o amor, reserva-se a poucos e exige mais empenho que uns curtos comentários. Por isso, a todos os comentadores, aos nossos amigos e, acima de tudo, aos nossos leitores mais fiéis, obrigado.

Por fim, quero agradecer aos muitos blogues que nos deram os parabéns. Aqui vão os que consegui identificar:

Adufe, Almocreve das Petas, Um Homem na Cidade, Bloguítica, Janela Indiscreta, Blasfémia, O Acidental, O Insubmisso, Touch of Evil, Bloff, Jaquinzinhos, Enresinados, Lembranças do Guerreiro, À Deriva, Contra-Corrente, Blogue dos Marretas, Aviz, Laranja Amarga, No Quinto dos Impérios, Serras, A Minha Jornada, Marasmo do Caos, Renas e Veados, O Vilacondense, Arcabuz, Causa Nossa, My Moleskine, Afixe, Mar Salgado, Foguetabraze, What do you represent, Letras com Garfos, Daedalus, Ad libitum, Vento Lá Fora, Memória Virtual, Pé de Meia, Tugir, Terras do Nunca, Briteiros, Aura do Dia, Resistente Existencial, Blogue de Esquerda, Gin Tónico, Ponto e Virgula, Lorenzetti, Conversas na Travessa, Aguarela Temperamental, Rua da Judiaria, Desassossegada, Abre-surdo e Sentidos da Vida.

O resto dos agradecimentos acrescentarei aqui.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 10 setembro 17:31 | Comentários (43)

O Socialismo é fodido, meu

Arrisco-me a apanhar um processo em cima por andar a pilhar esta revista, mas a pepita vale a pena.

Precisa de um bocadinho de contextulização. Nos anos de 2000-2001 a Califórnia passou, se bem se lembram, por uma série de crises energéticas que resultaram em apagões e na diminuição drástica da potência eléctrica. O estado foi obrigado a importar energia eléctrica, e as companhias fizeram gato-sapato dele, subindo os preços do kilowatt tanto quanto lhes deu na real gana – no caso, chegou a subir até aos 490%. Clientes domésticos que tinham uma factura de 100 dólares de electricidade num mês, tinham de pagar 500 no mês seguinte, sem alteração no consumo. A determinada altura, Clinton começou a falar em impôr limites de preços na energia, os price caps que encontrarão mencionados aí mais à frente.

O diálogo seguinte foi mantido entre dois negociadores da Enron durante esta crise, após a menção de Clinton aos price caps. Deixarei o texto em inglês para que possam apreciar todo o sumo da conversa que deveria ser levada ao cinema pelo talento de um Tarantino. A razão porque temos hoje acesso a ele é porque a Enron – a maior companhia energética do mundo – abriu bancarrota, não sem antes os seus responsáveis se porem ao fresco com o seu dinheirinho, originando vários processos que correm ainda na justiça.

Segue a transcrição do diálogo:

TOM: Serious shit goin' out in the West, man. Clinton steppin' in and stuff.
MATT: Oh, yeah, you see this shit? Fuckin' nutt, huh?
TOM: The price caps?
MATT: The price caps!
TOM: Fucking bullshit. It would take care of all the weak. Get rid of'em, and then you know what? The people who are strong and understand how it works will stick around and – and – no, prices aren't going to stay at a thousand bucks forever –
MATT: Right.
TOM: – but it will until the people get out who don't know what they're doing.
MATT: Tell you what – you heard this here first – When Bush wins –
TOM: Caps are gone.
MATT: That fucking Clinton, he's fuck – all these fucking socialists are gone.
TOM: Yeah, and you know what? If you don't know what you're doing, you're fucked. See you.
MATT: Where'd you see that Clinton was, ah –
TOM: It just came out of Reuters: "Clinton Takes Steps to Ease California Power Crisis."
MATT: There's no crisis.
TOM: Fuck'em, right?
MATT: We fuckin' export like a motherfucker.
TOM: You getting rich?
MATT: Tryin' to. I just – you know – you know what pissed me off so bad about fuckin' – the fuckin' caps.
TOM: Oh, fuckin' A it does. It's just crap. It's completely crap. It – it goes against everything our country is about.
MATT: I feel like we're in a Third World country. There's fuckin' no – there's no free market! It's like a Third World country.
TOM: How can they do that? They can't do that. I don't think really. They can also be sued. You can sue the fuckin' government. Fuck'em.
MATT: Oh, shit. I gotta go into this meeting. So anyway, see ya.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 10 setembro 17:30 | Comentários (11)

Ó pá, dúvidas que me atormentam

Se ali o Pedro é o Ringo só para agradar às miúdas, quem é o John? Posso ser eu (mas sem a Yoko e sem morrer tão novo?)? E, se somos 5, quem fica de fora?

Publicado por andrebelo em sexta-feira 10 setembro 10:10 | Comentários (7)

Um ano de Barnabé

Foi num cibercafé em Itália que recebi um e-mail do Daniel (ou terá sido do Rui?) desafiando-me para participar no Barnabé (eles já tinham decidido o nome). Na altura ainda mal sabia o que eram os blogues. Tinha lido uma reportagem sobre o assunto no Público, sabia da polémica entre o Daniel e o Pereira Coutinho e pouco mais.
Regressei decidido a investigar esse misterioso submundo. De repente, apercebi-me que vários amigos (o Ivan e o Luciano) já tinham os seus próprios diários on-line. Reparei também na ascendência que a direita adquirira – o que me surpreendeu, confesso. Radicalizado pela guerra do Iraque, irritado com a governação barrosista, pensei: alguém tem de enfrentar estas hordas. Ainda por cima, algumas pessoas de esquerda pareciam genuinamente deslumbradas com estes jovens lobos da direita armados com as suas citações de Burke, CD’s de música pop e Spectator de baixo do braço. A esquerda não se podia deixar intimidar. A guerrilha tinha de começar.
Participar num blogue tinha ainda o aliciante de preencher um vazio na minha vida: oferecia-me uma oportunidade para ter alguma participação política, mas sem os inconvenientes da militância – reuniões longas, piquetes à chuva, marchas forçadas, esse género de coisas (se julgam que isto é comodismo, então deviam ver o que são as dores na coluna que os blogues provocam).
Aceitei o convite - mas depois começaram as dúvidas. Durante uns anos fiz parte de uma lista de discussão animada por historiadores e ainda me lembrava das horas que aquilo consumia. Com uma tese de doutoramento a marcar passo e um novo trabalho pela frente, a perspectiva de perder mais umas horas à secretária não era a mais aliciante. Partilhei algumas dúvidas com os outros barnabés e estive prestes a desistir. Felizmente, eles tiveram o bom senso de desdramatizar a coisa e à 23ª hora lá saltei para o barco.
Estou arrependido? Não, claro que não. Embora eu esteja aqui só para ajudar à missa, e me veja a mim próprio um pouco como o Ringo Starr do Barnabé (os fãs dos Beatles que me perdoem esta analogia sacrílega), é difícil não me sentir um bocadinho orgulhoso por tudo o que conseguimos no último ano. 700 000 visitas é obra. Farto-me de rir quando alguma rapaziada da direita se põe a esbravejar contra as estatísticas do Barnabé: então o mercado não tem sempre razão?
Não me ficava bem estar aqui a distribuir elogios pelos meus companheiros de blogue: quem nos acompanha de há um ano a esta parte já se deve ter familiarizado com as qualidades de todos eles. Gostaria apenas, se me permitem, louvar o génio informático do Rui e o seu apuradíssimo sentido estético – do template às fotos do Benoliel e do A. da Paz dos Reis foi ele o grande responsável pela construção da imagem do Barnabé.
O crescimento seguro do Barnabé também se deve muito à opção de abrir um espaço para comentários. Muita gente que não tem o seu próprio blogue, aproveita para descarregar ali os seus estados de alma. Entre as palavras de insulto ou de encorajamento com que nos brindam todos os dias, há muitas observações bem-humoradas e inteligentes. Como diriam os locutores da Rádio Renascença: a todos, um grande bem haja.
Essa é aliás uma das razões que me leva a frequentar pouco os outros blogues. Para conservar a sanidade, não piorar a vista e ainda ter tempo para fazer outras coisas, como ler, namorar ou lavar a louça, decidi seguir uma dieta rigorosa. Quando dou a mim próprio uma folga, lá vou espreitando a Praia, as Cartas de Londres e, mais recentemente, por causa do Luciano, o Acidental. A razão é simples: o tempo para estar com os amigos é cada vez mais escasso, e os blogues sempre ajudam a matar saudades (nem que seja para me irritar, como sucede muitas vezes com o Luciano). Para não me deixar amolecer, visito oasionalmente o No Quinto dos Impérios e a Blasfémia. Aprendi a apreciar o Contra a Corrente (um blogue algo injustiçado aqui no Barnabé) e o Vital Moreira no Causa Nossa. Leio menos do que gostaria o BdeE e o País Relativo, mas o suficiente para saber que sem eles estaríamos mais desamparados. Tenho saudades dos tempos em que o Pedro Mexia e o Pedro Lomba eram mais prolíficos.
E é assim que me preparo para mais um ano de Barnabé, porventura ainda mais irregular nas minhas participações. Ou talvez não. Afinal, isto é mais viciante do que eu pensava.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 10 setembro 00:41 | Comentários (31)

O que é tem o Barnabé?


Aurélio da Paz dos Reis, Carnaval feniano, Porto, 1908.

O Barnabé faz hoje um ano.

Somos viciados nisto, não adianta escondê-lo. Publicámos mais de 3200 posts. Tivémos 734.350 visitas e não sei quantos hits (o contador avariou quando chegou ao milhão). Recebemos mais de 35 mil comentários, alguns deles mais interessantes ainda do que os posts, de autores a que nos habituámos a reconhecer a personalidade. Noutros casos, permitimos a alguns comentadores que soltassem a sua agressividade latente, prestando assim um humilde serviço à sociedade.

Acima de tudo divertimo-nos à grande, bem mais do que pensávamos há um ano.

Os nossos agradecimentos: aos leitores, à restante blogosfera, ao Paulo Querido que nos disponibiliza esta casinha e, acima de tudo, às nossas famílias pelas incontáveis vezes em que ouviram a frase "espera aí, deixa só acabar este post".

Publicado por ruitavares em sexta-feira 10 setembro 00:05 | Comentários (49)

setembro 09, 2004

Os mil e um mortos [3]



Peter Turnley, Familiares de Saddam Mohammed Haidar, 29 anos, trasportam o seu corpo nos arredores de Bagdad, 13 de Maio de 2003 e Os pais do Sargento Patterson no seu funeral na Carolina do Sul, 10 de Maio de 2004. Série The Bereaved. Mourning the dead, in America and Iraq. Publicado na Harper's Magazine de Agosto. Clique para aumentar numa nova janela.
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Enquanto dançámos vieram notícias
de que a guerra não estava ganha
Vinham aí cinco batalhões
com armas e artilharia
O acampamento foi varrido
com notícias da frente
Uma nuvem atravessou a lua
um miúdo chorou por comida
Vimos que a guerra não podia ser ganha.

(The Clash, Rebel Waltz.)

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 21:00 | Comentários (6)

Fado de português

Nos últimos dois anos houve dois atentados terroristas em Jakarta. Um português, António Costa, foi atingido por ambos. É preciso ter azar.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 20:58 | Comentários (8)

Até no Open EUA?!

DN: "Polémica no Open EUA com juíza portuguesa".

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 17:42 | Comentários (8)

Boa, boa

DN: Ex-ministro Martins da Cruz dá conselhos ao governo de Pedro Santana Lopes.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 17:40 | Comentários (8)

Só se fizermos um Euro de três em três meses...

DN: "Euro 2004 acelerou retoma económica" no segundo trimestre de 2004.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 17:35 | Comentários (4)

Por falar nisso

Por falar nisso, será que lá no Brasil sabem que Pedro Santana Lopes se corresponde com Machado de Assis?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 16:42 | Comentários (7)

A propósito

Este meu post "Ivan meets G.I. Joe" pode ser entendido como uma piada. Não é.

A propósito, o título é tirado de uma música dos Clash. Por causa desse post passei a tarde a ouvi músicas deles.

A propósito, é ridículo que aos treze anos eu discutisse com os meus amigos quem era mais importante, se os Clash se os Sex Pistols. Coitados dos Pistols.

A propósito, que saudades que eu tenho dos meus treze anos. Mas isso é outra música.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 16:23 | Comentários (6)

Contra os falsários do Islão

No mesmo sentido que este post do Daniel sobre o Islão secular, linko para esta notícia do Le Monde sobre o encontro ecuménico de religiosos moderados organizado anualmente pela comunidade católica de Santo Egídio, e que decorreu no início desta semana, em Milão. O encontro, que culminou numa grande manifestação, reuniu altos representantes da religião cristã, judia, muçulmana, xintoísta e budista. O grande rabino de Israel, Yona Metzger, propôs ali a criação de uma assembleia permanente de dirigentes religiosos, uma espécie de ONU dos diferentes credos. No entanto, e para já, os dirigentes religiosos moderados apenas conseguem manifestar a sua indignação urgente. De alguns dirigentes islâmicos vieram, segundo o jornal francês, as palavras mais fortes: o presidente dos muftis da Rússia, Ravil Gajnutdin, condenou quem esquece que o Corão obriga a respeitar todas as vidas humanas. Vários outros dirigentes muçulmanos de diferentes países do mundo condenaram os "falsários do Islão" que actuam criminosamente em seu nome.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 09 setembro 14:03 | Comentários (12)

Ivan meets G.I. Joe

O furacão Ivan fez vinte mortos na ilha caribenha de Granada, cerca de metade das baixas que a mesma ilha sofreu aquando da sua invasão num momento de tédio da presidência de Reagan.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 13:40 | Comentários (8)

Perante um crime, o provincianismo

Morreram oito pessoas em mais um estúpido atentado em Jacarta. Como abrem os noticiários? Com os ferimentos ligeiros de um português.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 09 setembro 13:34 | Comentários (8)

Sementes do ódio

Frits Bolkestein, Comissário Europeu para o Mercado Interno, sobre a possível entrada da Turquia na União Europeia: "I don't know if it will take this course but, if he's right, the liberation of Vienna [from the Ottoman Turks] in 1683 would have been in vain."

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 09 setembro 13:30 | Comentários (11)

Os outros são sempre o Inferno

Para os que gostam de repetir lugares comuns sobre o Mundo Islâmico, não seria mau visitarem o site do Instituto para a Secularização da Sociedade Islâmica. A partir dali encontrarão muitos outros links para outros sites de um Islão que nunca nos é mostrado, na caricatura que se vai desenhando do Oriente. É só uma ajuda, sem grande esperança, contra o crescente anti-islamismo que vai dominando a Europa e os Estados Unidos. Um anti-islamismo que, a cada dia que passa, se começa, cada vez mais, a assemelhar ao anti-judaismo que sempre dominou, e ainda domina, os preconceitos do Ocidente.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 09 setembro 13:29 | Comentários (16)

Depois de Bush, Putin

"Vamos tomar todas as medidas para liquidar bases terroristas em qualquer região do mundo”, Iuri Baluevski, chefe do Estado-Maior general das Forças Armadas russas.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 09 setembro 13:27 | Comentários (8)

Os mil e um mortos [1]



Peter Turnley, No túmulo de Abedal Hassn, Bagdad e Uma familiar no velório do Sargento Patterson. Série The Bereaved. Mourning the dead, in America and Iraq. Publicado na Harper's Magazine de Agosto. Clique para aumentar numa nova janela.
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Acho impossível que cheguemos verdadeiramente a entender como é que o Oriente das mil e uma noites se transformou no Oriente dos mil e um mortos – em ambos os casos com o centro de gravidade em Bagdad – embora seja essencial continuar a tentar responder a essa pergunta, como também faz este blogue. Tentar responder a essa pergunta talvez nos permitisse entender como é que ouvimos falar nos mil mortos da Guerra do Iraque (a que parece que se chegou ontem) escamoteando em permanência os mortos iraquianos que são muitos mais, mas que não contam nem são contabilizados como os soldados americanos.

Os leitores do Barnabé acharão provavelmente patética esta confissão, mas acontece que ontem deu-me para sonhar que era um soldado na Guerra do Iraque. Soldado americano, como é evidente, estamos inegavelmente do lado de e não adianta negá-lo. Lembro-me só que subi a um terraço e que esperava que saísse de lá de dentro da casa um inimigo. Sabia que quando chegasse o momento um de nós teria de disparar primeiro, e só me passava pela cabeça que teria forçosamente de ser eu a fazê-lo. Naquele momento já não havia saída: eu continuar vivo dependia absolutamente de não hesitar em matar o outro.

Para eu não estar ali muitas coisas teriam de ter sido diferentes na cadeia de decisões.

É por às vezes nos pormos a pensar na guerra nos termos mais crus que podemos imaginar estando longe dela que eu me rio quando vejo gente acusar os "pacifistas" de demagogia. É então demagogia lembrar que morrem filhos e choram pais numa guerra? É demagogia falar nas idades daqueles que tombam – 19, 20 anos – e já não se levantam?

Pois, compreendo, seria muito melhor uma guerra sem esse desconforto. Para os defensores da guerra seria óptimo não ter de nos ouvir a nós atrapalhar a limpidez do seu raciocínio, muda regime ali, democratiza acolá, tudo se materializando em menos tempo do que leva a dizer. Mas deixem estar que para nós também seria muito melhor olhar para Bush e os seus ideólogos pensando que os seus caprichos fossem inconsequentes e não matassem ninguém.

Mas como as coisas não são assim, como as guerras são mais do que tinta nos jornais, discussões em blogues e o brilho hipnótico dos televisores, acho que vale a pena roubar algumas imagens de um portfólio da Harper's Magazine de Agosto para assinalar os mil e um mortos desta guerra. Mil e um não contabilísticos, mas no sentido literário de "incontáveis", americanos e iraquianos, cada um que morrendo tão absolutamente como os outros.

(Já agora: no sonho disparei primeiro, antes de acordar.)

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 05:33 | Comentários (10)

Estratégia Aznar, 3.0

Todos se lembram como Aznar tentou caucionar a sua política interna depois do 11 de Março, esforçando-se por prolongar artificialmente a ideia de que os atentados se deviam à ETA, e chegando ao desplante de dizer que as manifestações de repúdio seriam manifestações pela Constituição espanhola.

Putin também parece estar interessado numa versão invertida desta estratégia. No seu caso, deseja que acreditemos que o terrorismo de Beslan é externo e não interno. Pode ser que tenha razão. Mas os famosos dez árabes que estariam entre os terroristas é que continuam a não aparecer.

«Inicialmente as autoridades disseram que havia dez árabes entre os terroristas, sugerindo uma ligação com a Al-Qaeda. Mas os sobreviventes nunca mencionaram qualquer árabe. Ontem, em nova reviravolta, o ministro russo da Defesa, Sergei Ivanov, afirmou, sem dar pormenores, que entre os terroristas não havia "qualquer tchetcheno". Em contrapartida, insistiu em que "havia árabes".»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 09 setembro 01:41 | Comentários (15)

3 angústias de cabeça, um protesto de antologia

Há, felizmente, muitos posts que não se escrevem. Alguns por não conseguirmos respeitar a urgência que eles exigem. Quando voltamos a pensar nisso, perdeu-se o tempo. Entre os posts que não escrevi durante o campeonato da Europa passado estava o dedicado a Cristiano Ronaldo, mas os últimos 20 minutos deste Portugal-Estónia permitem-me recuperar agora a oportunidade.

Há que dizê-lo com frontalidade: Cristiano Ronaldo foi o melhor jogador português do Euro, o mais eficaz e envolvente, e é o grande futuro da selecção portuguesa. É o jogador português que mais me entusiasma a jogar futebol em muitos anos. Faz-me lembrar Futre, faz-me lembrar mesmo Garrincha (posso exagerar, mas Garrincha é uma fantasia que não é do meu tempo). É dos poucos jogadores capazes de virar um jogo do avesso mesmo de um momento para o outro. Tem movimentos de corpo que devem ser inacreditavelmente rápidos e subtis, de tal maneira os defesas saem deles baralhados. Junta a esta finta total o cruzamento várias vezes perfeito e, o mais surpreendente, um jogo de cabeça extraordinário (pelo tempo e altura do salto). Posso exagerar. Mas, numa época em que os jogos são fechados e sem espaço, Ronaldo é dos poucos que consegue mostrar como o talento individual, por vezes, continua a ser a única solução (e eu sou sempre pelo jogo de equipa). Além de tudo isto, Ronaldo é um ícone, como se viu pelo choro de criança que não quer saber de ter todo o futuro à sua frente, à Eusébio, depois da final contra a Grécia.

Enfim, aproveito para pôr outro post atrasado, pois lembrei-me, através de Ronaldo, do recente número de Junho da revista Manifesto, sobre futebol, que comprei e devorei. Vários textos que me interessaram, de estilo muito diferente entre si, com entrevistas sumarentas sobre os poderes na bola, uma investigação sobre as associações portuguesas de futebol em França e um editorial de José Neves e Miguel Portas que revê a "tese opiácea" da esquerda (o futebol como "ópio do povo" actual, em lugar da religião). Muito intelectual, como eu gosto, e vindo de quem se vê que gosta de futebol. Se, como diz Marx revisitado no Manifesto, o futebol exprime uma angústia mas também um protesto, então estes 20 minutos de Ronaldo foram um festival do melhor agit-prop neurótico.

Publicado por andrebelo em quinta-feira 09 setembro 00:11 | Comentários (15)

setembro 08, 2004

Vai ser uma festa

Santana Lopes quer aumentar os salários tendo em conta o aumento da produtividade. Acho muito bem. Ele só pode estar a falar do aumento do salário real, que é aquele que tem alguma relação com o nível de vida das pessoas. E, como ele disse, é justo que a vida das pessoas melhore na exacta proporção das melhorias na sua produtividade. Por isso, suponho, para decidir os aumentos do próximo ano, Santana vai ter de somar a inflação ao aumento de produtividade. Vai ser uma festa. Há muitos anos que os trabalhadores não tinham um aumento tão bom. Compreendi a proposta de Santana, ou não?

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 08 setembro 15:44 | Comentários (38)

Aqui fuma-se

O governo está a preparar uma lei que proíbe que se fume em lugares públicos. Fico-me, por agora, e como exemplo, pelos restaurantes: acho bem que alguns restaurantes proíbam de fumar. Não irei lá. Acho bem que outros permitam. Muitos não fumadores, tendo alternativas, deixarão de lá pôr os pés. E assim, cada restaurante decide a que público se quer dirigir. Bem sei que posso parecer demasiado liberal, mas não é isto o mercado?

Quando aos locais de trabalho, as coisas são diferentes: venham as salas de fumo, decentes e arejadas, e eu aceitarei com agrado as novas regras. Com esta conversa toda, estou mesmo a precisar de um cigarrinho. Alguém tem lume?

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 08 setembro 14:55 | Comentários (65)

Mas não era caso encerrado?

A associação Maternidade e Vida pede a prisão da presidente das Women on Waves por o site desta organização divulgar um método abortivo.

A seguir: denunciar a vizinha e a filha, a amiga da minha prima, a namorada do meu sobrinho.

Depois: exigir ao ministro dos Negócios Estrangeiros que peça junto dos governos estrangeiros o encerramento de todos os sites semelhantes na internet ou, pelo menos, impedir que as instruções sejam traduzidas para português.

Portugal manterá a sua pureza! Castigo para as cúmplices estrangeiras! Prisão para as assassinas! Maternidade e Vida! Maternidade! Vida!

Publicado por ruitavares em quarta-feira 08 setembro 13:30 | Comentários (28)

Os assassinos, os idiotas, os incompetentes, os inocentes e o abutre

Já sabemos que para além de uma explosão acidental, o começo da carnificina feita pelos terroristas, na Ossétia do Norte, foi despoletado por um ataque de uma milícia civil que, vá se lá saber como, estava armada nas redondezas da escola, sem que nenhuma força de segurança russa a travasse. Ouvindo a explosão de um engenho mal preparado, a milícia popular, julgando que começara o combate, avançou para a escola e começou o tiroteio. Dentro do ginásio, as pessoas começaram a fugir, por causa da explosão. Os terroristas, julgando que estavam a ser atacados pelas tropas, começaram a matar crianças e adultos. Então, as tropas russas terão avançado. Foi impossível travar o tiroteio, perante a participação de uma terceira força que não estava nos planos.

E assim, a loucura monstruosa de 32 terroristas, a estupidez irresponsável de alguns populares e a incúria incompreensível das autoridades russas, que não criaram perímetros de segurança e deixaram que populares agissem por conta própria, resultou na carnificina a que assistimos. Mais de 500 mortos e imagens que, por mim, nunca esquecerei, tal a abjecção a que assistimos.

Quanto à segura presença de árabes no comando terrorista, nenhum dado objectivo, por enquanto, o confirma. O que não deixa de ser estranho. Não sei (nem eu nem a generalidade das pessoas) se eles existiam. Mas a rapidez com que foram enfiados neste crime é suspeita. Esperemos que não haja, como em Espanha, quem se queira aproveitar da tragédia. Neste caso, para ganhar apoios internacionais à sua política em relação Tchétchénia. Esperemos.

Entretanto, a máquina política de Putin organizou manifestações contra o terrorismo. Ao contrário do que seria de esperar, a oposição criticou a forma como as manifestações estavam a ser organizadas: é que não eram só contra o terrorismo. Também serviam manifestar o apoio popular a Putin. É assim na natureza: os assassinos matam, os abutres aproveitam-se da morte.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 08 setembro 13:30 | Comentários (19)

Grande orfeão social operário

De todos os meios de propaganda, o canto revolucionário é um dos mais belos e eficazes.

A canção e o hino, para nós, povo sentimental por excelência, têm atractivos que seduzem e encantam, e quando entoados por um orfeão devidamente ensaiado, como o Orfeão Social Operário, a multidão delira de entusiasmo.

Fazemos votos por que a tentativa da criação de um grande orfeão operário consiga triunfar, vencendo os prováveis embaraços que lhe surjam no caminho.

Pela nossa parte, aconselhamos todos os nossos companheiros a que o auxiliem com toda a boa-vontade, inscrevendo-se nele aqueles que o puderem fazer.

[no jornal O Tirapé, Lisboa, 14-11-1909, editado por Maria Filomena Mónica em A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária, Lisboa, Gulbenkian, p. 450]

Publicado por andrebelo em quarta-feira 08 setembro 09:27 | Comentários (1)

E agora algo completamente bizarro

Segundo a Reuters, Bush estava a defender uma política restritiva contra os processos judiciais por negligência médica quando se saiu com esta:

"Demasiados ginecologistas não podem praticar o seu amor com mulheres de todo o país."

Ou, no caso de acharem que faz mais sentido no original:

"Too many OB-GYNs aren't able to practice their love with women all across this country."

Estou sem palavras.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 08 setembro 03:17 | Comentários (9)

Eu, eu, eu

Eu apoio John Kerry como o melhor candidato em presença, não como o menos mau.

Eu não ponho fé nenhuma nessas sondagens que dão vantagem a Bush.

Eu acho que Kerry tem muitas probabilidades de ganhar.

Eu acho, no entanto, que o sistema eleitoral americano é uma ratoeira.

Eu não tenho tempo para escrever posts decentes sobre este assunto. Mas, para já, este texto do Pedro representa-me.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 08 setembro 02:57 | Comentários (5)

Ei, você aí!

O Paulo Gorjão do Bloguítica nota como Santana Lopes não foi fazer rigorosamente nada ao Brasil. Nada, isto é, para além de brincar aos estadistas.

Se assim é, tenho uma sugestão de trabalho para Pedro Santana Lopes – que tal tentar convencer os brasileiros a pagarem-nos os quintos sobre o ouro e diamantes que nos estão a dever desde 1822? Talvez desse para cobrir o deficit.

Com um abraço para Edson Elito.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 08 setembro 02:48 | Comentários (7)

Stardust memories

Nunca consegui falar sobre poesia com um taxista, mas já troquei receitas culinárias.
Publicado por celsomartins em quarta-feira 08 setembro 00:28 | Comentários (7)

O terrorismo e as várias maneiras de lidar com ele

Ao ler este inteligente artigo da Teresa de Sousa sobre o massacre no Cáucaso, lembrei-me que a seguir ao 11 de Setembro o Timothy Garton Ash publicou este ensaio na NYRB que ajuda a separar o trigo do joio em matéria de diálogo e negociações com organizações terroristas.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 08 setembro 00:18 | Comentários (8)

O mal menor

Ontem, o Daniel fez aqui a defesa do voto em John Kerry como um mal menor. Eu não esperava que o Daniel nutrisse grande simpatia pelo senhor, e também sei que sociais-democratas como eu poderão rapidamente desiludir-se com uma administração Kerry.
Na política externa, as linhas de continuidade entre uma administração republicana e democrata serão bem mais fortes do que muitos europeus poderão esperar (basta atentar nalgumas declarações de Kerry sobre Israel). Mas mesmo que neste capítulo a mudança seja pequena, isso já será formidável. Depois do 11 de Setembro, uma presidência arrogante e irresponsável como a de Bush foi o pior que podia acontecer à América e ao mundo. Há inúmeros problemas globais que ficaram pura e simplesmente bloqueados pela deterioração das relações transatlânticas, e a eleição de Kerry ajudaria muito a restaurar a confiança entre americanos e europeus.
As mudanças domésticas que poderiam verificar-se na sequência de uma vitória de Kerry, da política ambiental à reforma do sistema de pensões e do Medicare, também não seriam irrelevantes. Como bem notava o Daniel, as administrações americanas acabam inevitavelmente por fixar a agenda política de muitos países europeus – basta pensar no que sucedeu durante os mandatos de Reagan e Clinton. E, claro está, a política económica da maior potência industrial do mundo afecta-nos a todos.
Ora, sem pretender dourar demasiado a pílula, parece-me que em muitos aspectos John Kerry é bem capaz de ser o candidato das últimas décadas que mais se aproxima da tradição social-democrata europeia. Veja-se, por exemplo, este site que contém um registo bastante completo dos votos e posições do senador John Kerry sobre os mais variados temas. Mais liberal (na acepção americana do termo), só mesmo o Ted Kennedy. Sim, Kerry votou contra o Protocolo de Quioto, já abriu uma excepção na sua posição de princípio contra a pena de morte (para Osama bin Laden), e por aí fora. Mas isto é a América: uma democracia muito complicada, onde o compromisso e a negociação atingem níveis de complexidade como não imaginamos aqui na Europa, e onde os interesses corporativos (mais uma vez, na acepção americana do termo) são de facto muito poderosos.
Não sou um determinista: como tal, acredito que políticos corajosos e imaginativos podem fazer a diferença, especialmente em épocas de crise (Roosevelt mostrou como se fazia). Por isso, a grande tragédia da política americana é que mais de metade do eleitorado, sobretudo aqueles que o sistema mais castiga (as mulheres, as minorias étnicas, os pobres), não vai a votos. Como a eleição é decidida por uma franja estreita de indecisos, a tentação "centrista" é muito forte (na realidade, esse centro tornou-se bastante direitista numa série de questões-chave). Enquanto isto não mudar, vamos mesmo ter de nos contentar com o “mal menor”.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 08 setembro 00:02 | Comentários (8)

setembro 07, 2004

Harpa e voz

Nem sempre gosto dos programas culturais contemporâneos muito embrulhados num chique gráfico demasiado aparatoso. Mas anteontem, no programa Laboratório da SiC Notícias (e da Maria João Guardão) tropecei no disco desta senhora:

O disco chama-se The Milk-eyed mender. Gosto mais dele do que 90% do que a Bjork fez (sim eu sei, ninguém interpreta melhor do que a Bjork a tumultuosa cultura contemporânea, mas é para isto que um blog serve, para que nos borrifemos nessas tiradas). É só uma menina mal-criada e uma harpa e parece a banda toda. Está disponível na Ananana. A propósito, ela chama-se Joanna Newsom.

Publicado por celsomartins em terça-feira 07 setembro 20:43 | Comentários (6)

Do que é que o Exército está à espera para ocupar o jornal "Público"?

Publicidade a clínicas de aborto, a funcionar fora do território nacional, publicada no jornal "Público" (e noutros jornais distribuídos no território português), incitando assim a "actos criminosos" fora de Portugal. Se a lei tem de ser respeitada no mar, porque não em terra? Depois da marinha, siga o exército.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 18:04 | Comentários (32)

Está encerrada 1, está encerrada 2, está encerrada 2 e ½, está encerrada 2 e ¾…

Paulo Portas: "Questão do «barco do aborto» está definitivamente encerrada."
É terceira vez que o diz e fala sobre ela. A prova de que nunca esteve.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 17:14 | Comentários (4)

Derrotado aos pontos


Mapa presente no site da Clínica Los Arcos, em Mérida, mostrando Portugal inteiro na sua área de influência. O mesmo site dirige-se em grande parte às portuguesas, tendo inclusivamente números de telefone específicos para Portugal e tendo em construção a sua página em português.

Paulo Portas deu uma conferência de imprensa para capitalizar aquilo que é, inequivocamente, uma boa notícia para o seu lado. Se é natural que o faça, menos natural é que se tenha de tomar por bom o spin que ele quis dar a essa mesma notícia.

Paulo Portas não ganhou; Paulo Portas limitou-se a não perder em toda a linha. Ninguém dúvida de que se um juiz tivesse tido a coragem de contradizer o Ministro da Defesa e permitir a entrada do Borndiep esta seria uma derrota absolutamente humilhante para Paulo Portas. Como poderia Paulo Portas manter-se como Ministro da Defesa se um tribunal de primeira instância o desautorizasse e o pequeno Borndiep passasse pelas corvetas a caminho da Figueira da Foz?

Com esta decisão, Paulo Portas não perdeu por K.O., o que não quer dizer que não tenha deixado de perder aos pontos.

Perdeu aos pontos quando se excedeu e mandou a marinha de guerra para impedir uma "manobra publicitária"; quando viu a mediatização do caso decuplicar após a sua decisão; quando se viu que a maioria da opinião pública não se opunha à entrada do barco; quando a reacção portuguesa foi noticiada como uma bizarria em todo o mundo; quando o primeiro-ministro mostrou abertura para mudar a lei; quando o Presidente da República fez a sua cena habitual.

Ganhou agora, mas é uma vitória bem menor do que ele a quer fazer parecer.

Desde logo, sabia-se que, apesar do princípio da livre circulação na UE, é permitida aos governos uma grande latitude na gestão das fronteiras nacionais. Casos excepcionais, como estes, raramente são contestados pelas instâncias comunitárias. Sabemos todos que o princípio da livre circulação protege melhor a fruta espanhola do que a liberdade de expressão – isso não é novidade com Bruxelas.

Por outro lado, a decisão do tribunal é bastante mal sustentada e deixa dúvidas em relação ao respeito pela "presunção de inocência". Até ver, um cidadão adulto que navegue para lá das doze milhas não "defrauda a lei" mais do que um cidadão adulto que atravesse a fronteira para ir a Badajoz.

Para o futuro, Paulo Portas não se esquiva a que a questão do aborto regresse já daqui a umas semanas ao parlamento – foi uma promessa de Santana Lopes. Por outro lado, muito dificilmente o PSD arriscará ir a umas próximas legislativas defendendo a manutenção da actual lei, o que deixará o PP numa posição muito desconfortável. E existe sempre a hipótese de um tribunal superior contrariar esta decisão, o que mesmo não vindo em tempo útil será sempre positivo para a defesa da liberdade de circulação e expressão.

Quanto ao movimento para a despenalização, resta não desmobilizar e pensar sempre em falar para a maioria da população. Para isso têm disponível muito mais do que um barco. Têm Badajoz, aqui ao lado. É para a exposição dessa hipocrisia que nos deveríamos agora virar, para irritação dos intolerantes e dos conformados.

Publicado por ruitavares em terça-feira 07 setembro 17:06 | Comentários (13)

Ridículo, mas pequenino

Sinto uma grande ansiedade por parte dos defensores da pena de prisão para as mulheres que abortam para que me pronuncie sobre a decisão do tribunal em relação ao barco holandês. Preocupado com o bem-estar emocional destes nossos amigos, que nos visitam sempre em procissão, aqui vai: discordo da decisão da juíza. Dizer que não está em causa a liberdade de circulação porque é apenas o barco que está impedido de circular e não os seus tripulantes é extraordinário. Os europeus que tentarem entrar em Portugal de automóvel já sabem: podem entrar à vontade, mas não garantimos que não tenham de deixar a viatura em Ayamonte.

Pronto, estão satisfeitas as vossas exigências. É que para mim os vossos pedidos são como bulas papais: vocês mandam e eu obedeço.

Paulo Portas ficou satisfeito (e quando Paulo Portas fica satisfeito a sua adrenalina descontrola-se) e deu a sua 49ª conferência de imprensa (desta vez não foi na sede do CDS) sobre um caso que, ainda há uma semana, disse que já estava encerrado. Depois de o encerrar já é a segunda vez que o reabre. É mais forte do que ele. E esclareceu-nos o indignado ministro do Mar: «não há nenhuma fragata junto ao barco. É uma corveta». Perante isto, fico sem palavras. É que se é uma corveta o caso muda completamente de figura. Pode ser ridículo, mas sempre é mais pequenino.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 16:23 | Comentários (21)

Assumam-se

Espero de vários blogues de direita uma posição clara em relação às eleições americanas. Não sou só eu que sofro ao torcer por Kerry. Pelo que vamos lendo, sabemos que Bush, para eles, também deve ser um mal menor. Assumam-se! Escolham o vosso verdadeiro candidato. Tenho uma proposta. Ainda por cima tem mais graça.

Para os saudosistas (em que me incluo), o nosso amigo Archie tem o seu tempo de antena na SIC Gold.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 15:06 | Comentários (20)

Paleolítico

É um costume aqui neste nosso cantinho: uma multidão de anónimos junta-se em frente aos tribunais para ver se dá uns tabefes a suspeitos (sublinho o "suspeitos") de algum crime. As televisões estão lá sempre, para nos dar conta desta velha tradição. Agora foi em Foz Côa. Depois, suponho, os anónimos (nome dado a quem gosta de ser valente em grupo contra homem algemados) foram embora para registar o emocionante episódio através de mais algumas gravuras.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 13:21 | Comentários (21)

Por outras palavras

«Hoje, Putin encabeça um regime cada vez mais autoritário e a Rússia está, no entanto, mais frágil e mais vulnerável do que nunca. Uma solução política para o conflito tchetcheno, que teria sido possível há alguns anos, é hoje uma simples miragem.
As democracias ocidentais podem ignorar tudo isto em nome do combate ao terrorismo global? (…)
A presidência holandesa da União Europeia viu-se obrigada a meter os pés pelas mãos, depois de ter descoberto até que ponto estava isolada, quando se lembrou, com todo o direito e toda a legitimidade, de pedir a Moscovo algumas explicações sobre o que se passou na escola de Beslan. "Infâmia", gritou o Kremlin. Silêncio, gritaram os líderes das principais potências europeias, amigos de Putin em todas as horas mesmo que críticos virulentos de Bush em certas horas. (…)
Chirac, como escreve o "Monde", não hesitou em denunciar o aventureirismo americano no Iraque. Não diz nada sobre a brutalidade russa na Tchetchénia. Como se o facto de Putin intervir no que considera a sua "zona de soberania" justificasse o seu sinistro desprezo pela vida humana. (…)
Não há bom nem mau terrorismo, nem há justificação para ele em nenhuma circunstância. Mas não querer olhar as suas causas é condenarmo-nos a ficar à sua mercê. É preciso libertarmo-nos da retórica da "guerra ao terror" de George W. Bush ou da fria "realpolitik" de Jacques Chirac. É preciso examinar tanto as causas como os efeitos do terror global. Perceber que isso não é desculpá-lo mas um passo fundamental para combatê-lo. O caminho errado é aceitar tudo em nome desse combate.»

Teresa de Sousa

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 12:56 | Comentários (12)

Putin começou o seu combate ao terrorismo

“Izvestia”

Mais uma vez sem estar na edição on-line, o “Público” noticia: «Raf Chakirov foi demitirdo do cargo de director do diário “Izvestia”, considerado um dos melhores jornais russos, por não ter “noticiado da melhor forma” o cerco à escola da Ossétia do Norte. “A editora do jornal, a companhia Prof-Media, manifestou o desacordo com a forma como o “Izvestia” abordou os acontecimentos trágicos em Beslan”, declarou Chakirov. Os proprietários consideraram que o número de sábado passado “foi demasiadamente emocional”. Nessa edição, o “Izvestia” descreveu a situação no Cáucaso do Norte como “guerra”, o que desagradou ao Kremlin, que continua a falar de “operação antiterrorista”. Segundo fontes do “Público” em Moscovo, a ordem de demissão de Chakirov, um dos mais respeitados jornalistas russos, partiu do próprio Presidente, Vladimir Putin.»

Publicado por danieloliveira em terça-feira 07 setembro 12:34 | Comentários (5)

A Revolução: devemos educar-nos para a fazer, ou fazê-la para nos educarmos?

Quando um burguês pretende disfrutar um idealista, acerca da futura revolução dos oprimidos, começa invariavelmente por afivelar o seu melhor sorriso complacente, para ouvir evangelicamente meia dúzia de patacoadas revolucionárias, tendo em vista apenas desopilar um pouco a figadeira.(...)

Segundo os nossos controversistas, teremos que esperar alguns séculos, porque os povos não estão educados para receber a revolução.(...) Desiludam-se. Se através da história, os povos esperassem o momento de estar educados para se revolucionarem, ainda hoje seríamos servos da gleba.

Mas, na melhor das hipóteses, admitamos por um momento que o Estado amanhã dá a máxima difusão ao ensino primário e superior, tornando-o acessível a todos.

Que lucraria com isso a futura revolução? Nada: isso serviria apenas para aumentar o número de bacharelagem parasitária e engrossar as classes comerciais, diminuindo o número dos que mourejam no trabalho exaustivo e consequentemente se revoltam.

Quer isto dizer que somos partidários do analfabetismo em que que alguns povos se asfixiam? Que somos derrotistas, preconizando o "quanto pior, melhor?". Não.

Tão-somente estamos convencidos de que a tão falada educação que os burgueses julgam necessária para então se fazer a revolução, é esperar por sapatos de defunto. (...) Pois que o nosso dilema seja: fazer a revolução quanto mais depressa melhor, alterando profundamente, derruindo mesmo a sociedade presente, para sobre os seus alicerces reconstruir uma sociedade nova, onde a cultura individual será facultada a todos, sem sofismas e sem receio de que os intelectuais se transformem em algozes e exploradores do seu semelhante.

Braz Simões

[no jornal Voz sindical, Setúbal, 25-10-1925, editado em Maria Filomena Mónica, A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária, Lisboa, Gulbenkian, pp. 481-483]

Publicado por andrebelo em terça-feira 07 setembro 09:02 | Comentários (15)

Cabalística bushiana

George Bush disse num comício que a "economia está forte e cada vez mais forte [the economy is strong and getting stronger]". Por outro lado, deve ter-se em conta que o nome da cidade onde fez o discurso é Poplar Bluff, Missouri. Quer dizer, é bluff, embora não seja exactamente popular.

Publicado por ruitavares em terça-feira 07 setembro 02:04 | Comentários (3)

setembro 06, 2004

A vida animada dos cro-magnons

«Quero revelar a razão pela qual o rapaz o ameaçou: ameaçou-o porque, dois dias antes da final, descobriu que o Mourinho andava a fazer telefonemas e a enviar mensagens à mulher dele". Fernando Madureira, grunhidor-mor de uma claque, a justificar uma ameaça de morte a um ex-treinador.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 19:11 | Comentários (12)

Porque torço por Kerry ou a confissão de uma derrota

É verdade que quem deve votar nas eleições americanas são os americanos. Gostava era que aqueles que nos mostram permanentemente as vantagens do braço protector americano se lembrassem disso: que não elegemos aqueles que fazem questão de tutelar as nossas escolhas. Mas nada disso me impede de ter uma opinião sobre as eleições nos Estados Unidos.

Sou contra o voto útil. Acho que ele diminui a democracia porque, diminuindo o espectro de representação política, atira para fora do sistema político todas as franjas sociais e ideológicas e reduz o debate político à mera gestão da coisa pública.

O sistema eleitoral americano, como todos os sistemas maioritários, contraria, no entanto, esta vontade de votar com convicção, reduzindo as campanhas eleitorais a um espectáculo grotesco. Ele, como acontece em vários países europeus, dirige o voto e limita a liberdade do eleitor. De tal forma, que me apanho a torcer por um candidato em que não confio e que está a léguas de todas as minhas convicções.

Nada disto é transponível para os países com sistemas eleitorais mais justos e equilibrados, que permitem a todos os cidadãos escolher os representantes que defendem as suas convicções. Essa é a primeira razão porque sou contra a alterações do sistema eleitoral que reduzam a representatividade. Não quero, um dia, ter de escolher entre Santana Lopes e Paulo Portas.

Kerry não é claro em relação ao Iraque. Não dá quaisquer garantias de alteração profunda da política externa norte-americana. Parece ser feito da mesma massa pouco consistente de muitos dos líderes políticos em que a esquerda, em vários países, tem sido obrigada a votar (estou longe de considerar o Partido Democrata, no seu conjunto, como uma força de esquerda, até porque essas divisões são bem mais complexas nos EUA do que na Europa). O apoio a Kerry é, é preciso confessá-lo, um sinal da derrota da esquerda perante uma direita agressiva e radical. Só pode ser um apoio crítico e sem ilusões de qualquer espécie.

No entanto, perante a situação internacional, não tenho dúvidas em torcer pela sua vitória. Ou melhor: em torcer pela derrota dos republicanos. Tudo é melhor que Bush e mais um mandato com esta administração teria efeitos dramáticos em todo o Mundo. O entendimento do Ocidente com o Mundo Árabe, um acordo internacional para uma política ambiental responsável e a defesa dos direitos cívicos nos Estados Unidos e, por arrasto, no resto do Mundo, exigem a expulsão imediata dos fanáticos que têm ocupado a Casa Branca. O que se passa nos EUA influencia a política em todo o Mundo, e Bush tem sido o motor da degradação ética e moral da direita em todos os países. E um importante aliado dos fanatismos religiosos de todos os credos, que atacam as mais importantes conquistas das revoluções francesa e americana. O Mundo de Bush é um mundo desrespeitador dos direitos humanos, belicoso e profundamente conservador. Um Mundo com Bush à frente da maior potência internacional é um Mundo perigoso.

Apesar da opinião pública internacional ter pouco impacto no eleitorado americano, é fundamental que este sinta a incompreensão mundial perante uma reeleição de George Bush.

Este é um momento de urgência. Esperemos que Kerry vença as eleições. E esperemos que não se esqueça que, para as vencer, tem de se apresentar como uma alternativa. Porque estou convencido que, se tentar ser um clone de Bush, fracassará. As pessoas costumam preferir o original à cópia. Mais a mais, Bush é inimitável.

Esperemos que a estadia de George W. Bush na Casa Branca tenha sido apenas um pesadelo passageiro.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 18:24 | Comentários (24)

O antifascismo faz bem à saúde

Emídio Guerreiro ex-membro da Luar e Fundador do PSD faz hoje 105 anos. Ouviram bem, 105 - é um dos homens mais velhos do mundo. Ouvi-lo é um regalo e uma esperança. Discorre sobre todos os assuntos da actualidade com um discernimento e independência de espírito de fazer inveja à maioria dos conselheiros nacionais do partido que ajudou a fundar. Sobre Pedro Santana Lopes diz esta coisa paradoxal e cheia de ironia terna: «É um playboy agradável».

Publicado por celsomartins em segunda-feira 06 setembro 17:17 | Comentários (8)

Mas que criança adorável!

A Harper's Magazine de Agosto [já agora: a revista, que é a mais antiga dos EUA em circulação, foi colocada na nossa lista de links ali à direita] vem cheia de material interessante. Hei-de voltar a ela várias vezes nos próximos dias. Para já, foi ali que encontrei a dica para esta carta enviada a Franklin Delano Roosevelt em 1940 e que se encontra nos Arquivos Nacionais americanos, em Washington, onde vai ser exposta no próximo mês de Novembro. Para não estragar a surpresa, vou "traduzir" a carta com os seus erros de sintaxe e ortografia, em português. E depois convido os fiéis barnabitas a espreitarem a assinatura, na imagem abaixo que reproduz o verso do documento.

«Meu bom amigo Roosvelt.
Eu não sei muito Inglês, mas sei bastante para escrever para você.
Eu gosto de ouvir a rádio, e estou muito contente, porque ouvi nela, que você vai ser Presidente por um novo (período).
Tenho doze anos.
Sou um rapaz mas eu penso muito mas não penso que estou a escrever para o Presidente dos Estados Unidos.
Se quiser, dê-me uma nota verde americana de dez dólares, na carta, porque nunca, eu não vi uma nota verde americana e eu gostava muito de ter uma.
O meu endereço é [...]
Eu não sei muito inglês mas sei muito espanhol e eu suponho que você não sabe muito espanhol mas sabe muito inglês porque você é americano mas eu não sou americano.
Muito obrigado. Adeus.
O seu amigo
[assinatura]

Se quiser ferro para fazer os seus barcos eu vou mostrar a você as maiores (minas) de ferro da terra. São em Mayarí, Oriente, Cuba.»

Já adivinharam? A assinatura está na meia-página da direita.


Clique na imagem para aumentar

Publicado por ruitavares em segunda-feira 06 setembro 16:35 | Comentários (10)

Perdeu-se o molde?

Emídio Guerreiro faz hoje 105 anos

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 16:31 | Comentários (2)

A crise

A Jaguar aumentou as vendas em Portugal em 460%. E isto sem ajuda de Paulo Portas.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 13:49 | Comentários (34)

Para que serve o off shore da Madeira

Empresa do off-shore madeirense preparou subornos na Nigéria

A TSKJ, uma sociedade com sede no off-shore da Madeira, realizou preparativos para subornar funcionários públicos nigerianos, reconhece a Halliburton numa nota divulgada na quinta-feira.

Na recente investigação interna realizada pela Halliburton, a gigante americana de engenharia e infra-estruturas petrolíferas conclui que, de facto, existem registos que sugerem a preparação, por executivos da TSKJ, de subornos a funcionários públicos da Nigéria.
A reconhecida tentativa de suborno, que o Washington Post estima em 180 milhões de dólares, teve como objectivo assegurar a posição deste consórcio num concurso estimado em mais de 5.000 milhões de dólares para construção da unidade gás natural liquefeito (GNL) de Bonny Island, naquele país da África Ocidental.
O suborno fica por provar, mas também é certo que o projecto foi entregue às empresas que têm interesses na TSKJ.
Este consórcio registado no off-shore madeirense é participado pela KKR-Kellog Brown & Root (adquirida pela Halliburton em 1998), a francesa Technip, os holandeses da Snamprogetti, a italiana ENI e a Japan Gasoline Corporation (JGC).
Na primeira quinzena de Junho, quando se noticiou a investigação, a Halliburton negou imediatamente os alegados subornos, argumentando ter–se tornado num alvo político.
O mediatismo que tem envolvido a Halliburton deve-se ao facto da empresa ter sido dirigida por Dick Cheney, actual vice-presidente dos EUA.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 13:47 | Comentários (3)

Uma fábula

Hoje vi uma conferência de imprensa de uma claque. Fiquei atónito. Eles falam.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 06 setembro 13:46 | Comentários (7)

A esquerda enganou-se, já Barreto não engana

António Barreto junta mais pedras ao edifício "ideologia de esquerda=fracasso do sistema educativo". A análise é complexa, há diversos factores. Na minha ignorância, e lendo o que se publica nos jornais, não tenho problemas em admitir que a burocracia ministerial e os sindicatos dos professores têm as suas responsabilidades nas coisas que vão mal na política educativa portuguesa. Mas vamos lá a ver: não há só o Estado. Há também António Barreto. E este comete o erro típico de se pôr fora do objecto que analisa, esquecendo-se de avaliar o seu próprio papel e o de outros ideólogos do sistema de ensino ("liberais", "de direita", ou mesmo "de esquerda") que reduzem o sistema público de educação aos seus vícios. E trabalham devagar, devagarinho, coluna após coluna, para o desinvestimento do Estado e para a organização da desigualdade social.

Publicado por andrebelo em segunda-feira 06 setembro 12:55 | Comentários (22)

Art Spiegelman: o regresso

Quando um dia se fizer o balanço da era Bush, estou certo de que pelo menos num ponto todos estarão de acordo: em termos culturais houve um retorno a uma tradição de crítica política como já não acontecida desde o tempo da guerra do Vietname. Mesmo quando as criações não assumem um registo abertamente militante, à la Michael Moore, é raro o autor que não justifica o seu mergulho na temática política com uma referência às políticas “liberticidas” da administração Bush, ou à ausência de um genuíno pluralismo nos principais mass media americanos. A Banda Desenhada (ou os Comics) também não tem escapado a essa tendência.
Art Spiegelman (n. 1948), o autor de Maus I e II, um extraordinário testemunho sobre o Holocausto em forma de fábula (com os judeus retratados como ratos, os alemães como gatos, e os polacos como porcos), regressou este ano com In the Shadow of No Towers, uma visão muito pessoal dos atentados do 11 de Setembro.
O livro retrata a perplexidade de um nova-iorquino a quem a História um dia bate inesperadamente à porta, e se descobre muito mais enraizado na sua cidade do que alguma vez pensara: “Agora entendo porque alguns judeus permaneceram em Berlim depois da Noite de Cristal”, comentou Spiegelman ao El País (2/9). Depois do choque e da dor iniciais, um sentimento de indignação começou a tomar conta dele: “O nosso governo reduziu um evento trágico com inúmeras ramificações a um mero poster de recrutamento militar”. E, tanto quanto posso perceber de alguns artigos e entrevistas com o autor, é essa manipulação governamental da insegurança vivida após a queda das Torres que constitui o principal tema do livro.
Não foi fácil a Spiegelman, um vencedor do Prémio Pulitzer, encontrar quem quisesse publicar as suas pranchas. A New Yorker, revista onde durante vários anos editou os seus trabalhos, recusou-as. Valeu-lhe o semanário alemão Die Zeit e a revista norte-americana de temas judaicos, Forward.
In the Shadow of No Towers teve um lançamento mundial em finais de Agosto, e acaba de ser editado na vizinha Espanha, em castelhano e catalão. Pode ser encomendado na Amazon.com. - mas esperemos que algum editor português se lembre dele.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 06 setembro 01:25 | Comentários (8)

Mais um argumento para o ateísmo

«O Presidente Bush apoia Deus, e Deus apoia o Presidente Bush, absolutamente.»

Dito por um delegado à Convenção Republicana no comício da "direita religiosa", no Waldorf Astoria em Nova Iorque.

[Vale a pena ler estes dois artigos, do Los Angeles Times e do New York Times (é preciso registar-se, gratuitamente, nos dois casos), com as informações que transpiraram desta sessão vedada aos jornalistas, e onde os líderes desta corrente comemoraram o esmagamento dos republicanos moderados e secularistas na convenção, com alguns deles defendendo mesmo explicitamente o fim da separação entre igreja e estado.]

Publicado por ruitavares em segunda-feira 06 setembro 01:14 | Comentários (7)

setembro 05, 2004

Um dos nossos

Segundo a sua mulher, Raúl Rivero, escritor e jornalista, opositor à ditadura castrista e preso político depois de um julgamento sumário, tem visto as suas condições de detenção cada vez mais agravadas . As visitas de familiares, já escassas, foram reduzidas, e os seus medicamentos confiscados, depois da denúncia das suas condições prisionais. Este é mais um momento para intensificar a campanha contra mais esta - de muitas outras - prisão arbitrária. Uma das formas é enviar mensagens de solidariedade para este endereço: cartas@raulrivero.com. Acima de todos, são as pessoas de esquerda que têm mais obrigação de se empenhar nesta campanha, mostrando assim que, opondo-se a um bloqueio que nada tem a ver com a luta pela liberdade e que apenas eterniza Fidel Castro no poder, não deixam de ser claras na condenação da decadente ditadura cubana. Porque não há ditaduras boas, esta deve envergonhar mais do que qualquer outra a esquerda: ela usurpa as suas causas para calar a liberdade. Raúl Rivero luta pela dignidade. Só pode ser um dos nossos.

Publicado por danieloliveira em domingo 05 setembro 20:45 | Comentários (42)

Cada um é para o que nasce

Enquanto continua a mentir aos russos sobre a verdadeira dimensão da tragédia da Ossétia do Norte, Putin promete guerra sem quartel ao terrorismo internacional (texto do "Público" que, como começa a ser hábito, está indisponível on-line). Acho que o deve fazer, se bem que a sua guerra ao terrorismo costuma resumir-se a bombardear a Tchétchénia e a matar milhares de inocentes. Mas parecia-me ainda melhor que começasse pelo mais fácil: ter ambulâncias, protecção civil, treino militar e alguma organização para momentos de crise. Ou seja, tentar impedir mais vítimas antes de mandar avançar as tropas. Assim, sempre contrariava a ideia de que os horrores do terrorismo são, para ele, apenas mais um bom argumento para ganhar apoio internacional na tentativa de esmagar as repúblicas separatistas. Que não fosse por outra razão, sempre disfarçava a sua verdadeira natureza. Mas é improvável que seja esta a hierarquia das suas prioridades. Já sabemos que Putin é mais eficaz a matar do que a salvar vidas. E cada um é para o que nasce.

Publicado por danieloliveira em domingo 05 setembro 18:33 | Comentários (22)

Alhos Vedros

Camaradas:

Vou-lhes relatar o que se passa aqui na fábrica do sr. Amaral Morais com os operários.

Este industrial faz coisas que mais parecem de um roceiro que de um patrão de terra civilizada.

Há tempos baixou o salário dos operários a título de que os negócios corriam mal, o que não é verdade porque a sua fortuna engrossa cada vez mais.

O sr. Amaral emprega processos inquisitoriais para com o seu pessoal contando as vezes que os operários vão à sentina, se por acaso as vezes vão além da conta por ele marcada dá ordem ao célebre José Inácio que dá um sinal num ferro que serve de sineta, caindo assim na lei penal da trempe do sr. Amaral.

Tudo isto é repugnante e altamente indecoroso, que os operários se prestem a semelhante barbaridade! (...)

Não consente que os operários falem, fazendo da fábrica uma penitenciária horrível.

Nem Inácio de Loiola, Torquemada e Arbues se lembrariam de tal coisa.

O sr. Amaral recorde-se dos seus tempos de operário revoltado contra as injustiças patronais, e não queira que nós relatemos a sua vida de operário e industrial como ela deve ser contada, porque é muito curiosa e interessante.

Aos operários lembramos a conveniência de fundarem uma Secção Corticeira a fim de unidos fazerem frente ao carrasco industrial que os tortura sem dó nem piedade.

É um amigo vosso que vos fala e deseja que se libertem da opressão que sofrem.

Ariosto

[jornal O Corticeiro de 15-1-1910, editado por Maria Filomena Mónica em A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária, Lisboa, Gulbenkian, 1982, pp. 48-49]

Publicado por andrebelo em domingo 05 setembro 14:34 | Comentários (17)

É isto que andam a ensinar aos adolescentes? Tarados!

Imagem roubada ao blogue de que mais gosto, o Laranja Amarga.

Publicado por danieloliveira em domingo 05 setembro 13:51 | Comentários (14)

setembro 04, 2004

Lawrence

Já foi visto dezenas de vezes por quase toda a gente. Mas vale sempre a pena, ainda mais nos tempos que correm, em que tanta gente diz tantos disparates sobre o Mundo Árabe. Já que estamos em maré de conselhos televisivos: hoje, na RTP 1, às 22 horas.

Publicado por danieloliveira em sábado 04 setembro 21:17 | Comentários (18)

O meu herói está de volta

A partir de dia 21 (terças, quartas e quintas às 11 da noite), vão ser repetidos, na SIC Radical, todos os episódios do Seinfeld.

Publicado por danieloliveira em sábado 04 setembro 21:10 | Comentários (19)

Manifestação pró-vida

Publicado por danieloliveira em sábado 04 setembro 20:54 | Comentários (14)

O que é preciso é estímulo

Portugal estava empatado com a Letónia. Jogo mauzinho. Por volta dos 55 minutos entra em campo uma bela letã, morena e de olhos rasgados, quase completamente nua. Nos 5 minutos seguintes, Portugal marca dois golos, um por Cristiano Ronaldo, outro por Pauleta.

Publicado por ruitavares em sábado 04 setembro 19:40 | Comentários (18)

A burguesia é devassa

Nas sessões solenes, nos comícios, palestras e conferências, mui raramente os oradores abordam o facto da burguesia ser devassa.

Mesmo os escritores, mui ao de leve a isso se referem.

Verdade é que houve tempo em que diferentes caudilhos e defensores do ideal anarquista, descreveram a devassidão de que a nobreza e o clero foram os pugnadores, nas eras do seu maior apogeu. Mas nas conferências e principalmente nas sessões solenes é que o assunto deveria ser ventilado.

Há nas grandes cidades, como Lisboa, casas propriamente ditas, de prazeres luxuriosos, os mais requintados.

Em Paris, Madrid e nas grandes capitais isso é de um abuso inaudito. Libidinosos prazeres, inventados e desenvolvidos em épocas muito remotas, nos antigos serralhos e haréns, segundo diz a História, chegaram até aos nossos dias. Estamos numa idade mais aperfeiçoada, dizem, e consente-se que haja francesas em tal rua, a propagar um vício que embora só abranja a burguesia, porque só ela é que tem dinheiro para pôr em prática imoralidades de tal ordem, mas como todo o mal é de contágio, bom será que nós, os homens que desejamos uma moralização condigna com o nosso ideal, ponhamos a nú a falta de moral de que há centenas de anos a burguesia é possuída, pois é ela quem alimenta e dá curso a uns vícios que rebaixam e degradam a mulher.

É torpe, é indecente, é reles e indigno que haja homens com a mente estudada, como são os ricos, hipocritamente finjam de moralões, sustentando esses antros de depravação que lhes custam rios de dinheiro, frequentados por eles e seus filhos. (...)

Bom é que nós, operários, homens conscientes e moralistas, façamos uma guerra sem tréguas a essa bandalheira da burguesia desenfreada, evitando assim que nossas filhas e irmãs sejam postas em holocausto à sua insaciável impudície. (...)

Que nos acusem de estúpidos, mas não de desmoralizadores ou debochados.

Referimo-nos a este assunto de capital importância, para que os burgueses e a sua corte, não acoimem de malcriada a plebe laboriosa do povo rude.

Malcriados são eles, os impúdicos. (...)

[do jornal O Tanoeiro, Lisboa, Julho de 1923, editado por Maria Filomena Mónica, A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária, Lisboa, Gulbenkian, 1982, pp. 457-458]

Publicado por andrebelo em sábado 04 setembro 17:53 | Comentários (7)

Uff, ainda temos leitores de esquerda

O site para votar nos candidatos às eleições norte-americanas tem outro interesse: como foi o Rui Barnabé o seu divulgador na blogosfera portuguesa e seu primeiro votante, dá para fazer uma estimativa com algum rigor do sentido de votos dos leitores do Barnabé que se decidiram exprimir. Ora, desde o voto do Rui de ontem, votaram 287 pessoas. Kerry está à frente com 66% (190 votos), seguindo-se Nader com 13% (38 votos) e Bush com 12% (35 votos). Há ainda 3% (9 votos) pró Badnarik (candidato do Libertarian Party) e mais sete candidatos que mereceram votos, em muito reduzido número, dos nossos leitores. O que quer dizer uma coisa: o nosso leitorado continua a ser maioritariamente de esquerda ou, numa classificação muito mais plural e hospitaleira, anti-bush. É um alívio sabê-lo, por momentos pensei que isto estava tomado pela direita mais conformista e acrítica, obcecada com o Daniel e com o Bloco de Esquerda.

Publicado por andrebelo em sábado 04 setembro 17:33 | Comentários (17)

Tendências interessantes para a próxima eleição pontifícia

Neste site que o Barnabé divulgou ontem, e onde se pode votar virtualmente nas eleições americanas, os dois eleitores da Santa Sé - Vaticano até ao momento votaram por Charles Jay, do Personal Choice Party. Jay está envolvido em jogo a dinheiro na internet e apostas sobre desafios de boxe. Marylin Chambers, a sua candidata a vice-presidente, é uma actriz porno.

Em Portugal, George Bush continua a recuperar e está quase empatado – com Ralph Nader. Kerry domina com quase 70%.

Publicado por ruitavares em sábado 04 setembro 16:35 | Comentários (3)

Contas macabras

Ossétia do Norte: 322 mortos (155 crianças).

Publicado por danieloliveira em sábado 04 setembro 15:39 | Comentários (11)

setembro 03, 2004

O estilo KGB tem muita saída

Vale a pena ler este artigo da BBC sobre a forma como tem sido feita a cobertura televisiva, na Rússa, da tragédia na Ossétia do Norte. Há hábitos que não se perderam em Moscovo e Putin tem a coisa bem controlada.

Putin não é responsável pelo acto bárbaro dos terroristas. É responsável pelo caos na reacção das autoridades a um acto que era perfeitamente previsível, desde há dois dias, vindo de quem vem. E de tentar diminuir o impacto da tragédia, como já fizera com Kursk. É um reflexo condicionado deste ex-KGB, compreensível perante o amadorismo e a incompetência a que hoje se assistiu. Não havia ambulâncias, faltava tudo, não havia perímetro de segurança e os militares pareciam estar todos a improvisar. Nada disto diminui a responsabilidade dos terroristas. Mas esses são criminosos. Cabe ao Estado salvar vidas humanas. Ninguém espera isso de assassinos.

Nos comentários do Barnabé, como é costume, muitos têm sido os que acham que perante um acto terrorista e assassino não se podem fazer perguntas a quem deve garantir o mínimo de segurança aos seus cidadãos. O estilo censor deste ex-quadro do PCUS deve agradar-lhes.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 03 setembro 21:16 | Comentários (39)

O 3 de Setembro

Confirma-se então, tristemente, mais de uma centena de mortos na escola de Beslan, na Ossétia do Norte, Rússia.

Este ataque terrorista prova-nos que não vimos tudo em 11 de Setembro de 2001. Nesse dia morreram três mil pessoas. Mas agora, – e creio que isto é inédito –, o que tivémos foi um atentado dirigido especialmente contra crianças. Quem gostar dessas comparações que escolha qual foi mais cruel e desumano.

Infelizmente também se vai confirmando que ao contrário do 11 de Setembro ou do 11 de Março, não foi feito tudo o que era possível para salvar gente. Apesar de, diversamente dessas duas ocasiões, ter havido mais tempo para criar perímetros de segurança, ter emergência médica abundante e em prontidão, ter forças de segurança para impedir que o pânico atrapalhasse as operações de salvamento. Segundo os jornalistas presentes no local, nada disto aconteceu.

Se fosse a primeira vez, poderia falar-se de impreparação. Mas com Putin, depois do Kursk, do teatro Dubrovka e das mentiras sucessivas sobre o duplo atentado da semana passada, já é mais do que claro um perfil de negligência sistemática – e criminosa. Putin parece mais preocupado em remediar o que é o estrondoso fracasso da sua política tchetchena, procurando legitimá-la internacionalmente com supostas ligações à Al'Qaeda, do que em aproveitar os dois dias que teve para prever todas as eventualidades e disponibilizar todos os meios.

É evidente que qualquer pessoa deve também condenar isto. Porque para gente que não dá valor à vida humana já nos bastam estes energúmenos que já vão manchando o calendário do novo século com datas assim.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 03 setembro 19:41 | Comentários (19)

Da desvalorização da liberdade de expressão

Ontem, a sede do PP foi vandalizada. "Vandalizar" é uma palavra que normalmente sugere portas arrombadas, mesas viradas do avesso e papéis espalhados, mas no caso do PP permite-se que quatro pichagens, pinturas ou grafittis já justifiquem o uso da mesma.

Já agora devo dizer que acho muito improvável que tenham sido anarquistas a fazê-lo, e impossível que tenha sido qualquer pessoa com mais de dois neurónios.

Hoje vários espaços da cidade de Lisboa amanheceram enrolados em faixa autocolante com os dizeres "Eu Fiz Um Aborto", no âmbito de uma campanha europeia pró-despenalização cujo site está aqui. Infelizmente, não vejo em que é que a degradação maior ainda dos espaços urbanos pode ajudar à causa da despenalização.

Esta semana começou com a patética proibição de entrada do Borndiep em águas portuguesas, um acto político que por exclusiva culpa de Paulo Portas coloca Portugal num nível político onde francamente já não merecemos estar: o nível do Reino de Marrocos, da República da Guiné-Bissau e da Região Autónoma da Madeira. Paulo Portas, como qualquer coronel nordestino, não se preocupou em pensar nos efeitos de capilaridade que a sua acção teria sobre o resto dos portugueses. Se um ministro não tem problemas em fechar selectivamente as fronteiras e impedir pessoas de trazerem os seus argumentos até ao país, porque não há-de um adolescente de se sentir legitimado a degradar um espaço público para dar visibilidade a esse argumento?

Se numa democracia um governo não há-de valorizar a liberdade de expressão como o bem mais precioso da sociedade, como contrariar o rebaixamento do seu valor?

Se há hooliganismo no topo, como querer que ele não alastre?

Publicado por ruitavares em sexta-feira 03 setembro 18:56 | Comentários (14)

A morte saiu à rua num dia assim

O Mundo está cada vez mais abjecto. Que apanhem os assassinos e que não seja, mais uma vez, o inocente povo da Tchétchénia a pagar a factura dos crimes de loucos.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 03 setembro 18:42 | Comentários (27)

Contra o fogo, um pirómano

Sei agora que a libertação da escola na Ossétia do Norte custou 150 mortos. E pergunto-me: porque é que sempre que Putin liberta alguém morrem dezenas à volta? Já assim fora no teatro de Moscovo. É uma característica russa ou trata-se de um governo mais interessado em mostrar quem manda, avançado com acções de libertação rápidas, desvairadas e impreparadas, do que em salvar vidas?

Não havia ambulâncias e a a irresponsabilidade parece ter tomado conta das autoridades. Putin manifesta de novo a sua incompetência e a sua insensibilidade.

À medida que se vai sabendo mais, e com a situação confusa e por esclarecer, pode-se concluir, no entanto, que as tropas russas, não tendo planeado a acção de tomada da escola, também não tinham planeado nada para qualquer emergência. Que o amadorismo militar continua a imperar na Rússia, assim como a insensibilidade e a opacidade na reacção à tragédia.
Dos terroristas tchetchenos, nada se pode esperar de normal, já se sabe. De um governo, espera-se um pouco mais do que incompetência sem limites. Sobretudo quando estão em causa a vida de crianças nas mão de duas dezenas de loucos varridos.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 03 setembro 15:12 | Comentários (53)

As pontes

Os jornalistas franceses estão prestes a ser libertados. O mundo árabe mexeu-se para pressionar os terroristas. A França soube manter a calma e recordar-se que os seus melhores aliados para este momento estavam do lado de lá. Uma derrota para o "choque de civilizações" e para os fanáticos de lá e de cá.

PS: Também na Ossétia do Norte, grande parte dos reféns foram soltos das mãos de loucos. Ainda não se conhece o número de vitimas. Mas hoje o dia começa melhor.

PS2: Este post foi escrito antes de ter visto e sabido da mortandade na Ossétia do Norte.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 03 setembro 14:52 | Comentários (15)

O Nuno na cidade

Brevemente faremos uma limpeza e renovação na lista de blogues aqui na coluna da esquerda. Mas fica aqui um fresquinho, do jornalista Nuno Saraiva, acabado de chegar: Um Homem na Cidade. Esperemos que na blogosfera o Nuno tenha a mesma graça que tem na vida real.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 03 setembro 14:50 | Comentários (4)

Mobutu dos media

“Cleptocracia corporativa”: foi assim que um comité que investigou as contas do Grupo Hollinger para a Comissão do Mercado de Valores norte-americano descreveu as práticas de gestão de Conrad Black e outros administradores. Ao todo terão desviado para os seus bolsos 95% dos lucros obtidos pelo grupo entre 1997 e 2003 (qualquer coisa como 400 milhões de dólares). Mais informação aqui.
Nota para os mais distraídos: até há uns meses, o Grupo Hollinger controlava jornais como o Chicago Sun, o Jerusalem Post, o Daily Telegraph e a revista Spectator (a bíblia dos nossos “pequenos lordes”). Entre os consultores do Grupo (e beneficiários da generosidade de Black) contavam-se figuras bem conhecidas da direita americana como Henry Kissinger e Richard Perle.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 03 setembro 10:30 | Comentários (7)

Questões gerais

O caso é que das doutrinas da possante revolução burguesa do século passado pouco resta já, no campo das verdades realizadas. Os imortais princípios deram em droga, a pouco trecho de afirmados do alto das tribunas convertidas em Monte Sinai dos modernos legisladores. Liberdade de comércio; liberdade de indústria; liberdade de trabalho... Tudo isso afinal passou já em julgado como uma singular embustice, muito boa para combinações mefistofélicas ou para iludir as turbas, mas absolutamente incapaz para corresponder às necessidades da vida actual dos povos. É que apesar de todos os bons desejos dos cândidos pensadores, as coisas sempre são o que são e não o que uma pessoa quer que elas sejam. O regime da liberdade só pode ter por base um sistema de justa igualdade económica. Não sendo assim, acontece o que estamos vendo: o conflito entre as ideias proclamadas e os factos produzidos (...).

[Marius, "Questões gerais", no jornal O Chapeleiro, Lisboa, 1-1-1896, edit. por Maria Filomena Mónica, A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária (1850-1934), Lisboa, Gulbenkian, 1982, pp. 37-38]

Publicado por andrebelo em sexta-feira 03 setembro 09:47 | Comentários (1)

Mestre Sen


Amartya Sen por Gopi Gajwani

O Barnabé Rebelo de Sousa, ali à direita, passa a ter um link para este breve artigo e entrevista [em PDF] com Amartya Sen, prémio Nobel da Economia.

Para aguçar a curiosidade, algumas passagens (com que eu genericamente concordo, devo dizer) em que Sen responde a críticas. Só aqui se encontram diversas razões porque pelo menos 4/5 dos nossos "liberais" envergonhariam Adam Smith e John Stuart Mill.

Globalização: "Citam-me muitas vezes erradamente, mas eu não sou anti-globalização. Sou muito pró-globalização! Acredito que a globalização é tão boa que seria terrível se só alguns beneficiassem dela e não outros."

Privatizações: "Tanto quanto sei, nunca escrevi sobre privatizações. Não é um princípio em si – ao contrário da equidade, liberdade e democracia – é uma medida puramente instrumental. Temos de determinar quando é útil e quando não é."

Mercados: Os mercados dão às pessoas liberdade para trocar bens. Não existe qualquer razão para proibir transacções de mercado em geral, tal como não existe qualquer razão para proibir conversas. Esta liberdade é uma justificação para a existência de mercados. Mas talvez mais importante, muita da prosperidade mundial está directamente relacionada com os bons resultados das trocas económicas e interrelações económicas (tais como as transferências tecnológicas). No entanto, o mercado é apenas uma instituição entre muitas. Tem de ser acompanhado por democracia, imprensa livre, e oportunidades sociais que permitam às pessoas liberdade para ler e escrever, levar vidas razoavelmente saudáveis, e ter acesso a crédito. Se você estiver doente metade do tempo, for iletrado, não puder participar da economia e não obtiver crédito, nunca será o grande empresário que poderia ter sido."

Via Finance & Development [do FMI!] e Political Theory Info.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 03 setembro 01:34 | Comentários (6)

A Fossa das Marianas da política

Já agora: houve uma altura em que a direita na blogosfera portuguesa se guiava pelas opiniões pró-guerra de Andrew Sullivan. Hoje, é extraordinário ver como o fanatismo anti-Kerry é tão grande que o AAA do Blasfémias cita aprovadoramente o discurso de Zell Miller na convenção republicana, um momento mais baixo na sequência de momentos baixos que tem sido a campanha republicana, e que o próprio Sullivan descreve assim:

«Zell Miller's address will, I think, go down as a critical moment in this campaign, and maybe in the history of the Republican party. I kept thinking of the contrast with the Democrats' keynote speaker, Barack Obama, a post-racial, smiling, expansive young American, speaking about national unity and uplift. Then you see Zell Miller, his face rigid with anger, his eyes blazing with years of frustration as his Dixiecrat vision became slowly eclipsed among the Democrats. Remember who this man is: once a proud supporter of racial segregation, a man who lambasted LBJ for selling his soul to the negroes. His speech tonight was in this vein, a classic Dixiecrat speech, jammed with bald lies, straw men, and hateful rhetoric. As an immigrant to this country and as someone who has been to many Southern states and enjoyed astonishing hospitality and warmth and sophistication, I long dismissed some of the Northern stereotypes about the South. But Miller did his best to revive them. The man's speech was not merely crude; it added whole universes to the word crude.»

Mas está bem assim. O pessoal escolheu amarrar o seu destino a Bush. Se ele se enterrar, espero que lhe sejam fiéis.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 03 setembro 01:26 | Comentários (10)

Zero por cento na terra de Mr. Barroso

Tudo bem, vamos lá confessar que já todos desejámos poder votar nas eleições americanas.

Agora chegou o site que nos permite fazê-lo, e que ainda ordena os votos por país do mundo.

Não sei se os nossos bushistas vão reconhecer o porreirinho que eu estou a ser ao dar-lhes esta dica. É que até agora, com 1 voto (o meu), John Kerry está a ganhar com 100% dos votos em Portugal. A nível europeu Kerry tem 68%, Nader 23%, Badnarik ("libertário" de direita) 5%, Bush 5%. Mundialmente a coisa está Kerry 79%, Bush 14%, Nader 5%, Badnarik 1%.

Sim, votei no Kerry. Depois eu explico melhor.

Actualização: Bush recuperou e está agora praticamente empatado com Ralph Nader [12% - 14%].

Publicado por ruitavares em sexta-feira 03 setembro 00:22 | Comentários (13)

setembro 02, 2004

Não ceder

Seja porque, depois de sequestrar dois jornalistas, os raptores descobriram que estes eram franceses, seja porque tinham o objectivo premeditado de criar problemas entre os franceses e a comunidade muçulmana em França, os fundamentalistas muçulmanos mostram mais uma vez o que pretendem: radicalizar posições entre árabes e ocidentais e transformar o diálogo numa impossibilidade. Só há uma resposta possível: não lhes fazer a vontade de iniciar uma espiral de ódio e apostar nas boas relações com o mundo islâmico. Isto sim, é não ceder.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 18:32 | Comentários (28)

Post errado

Escrevi aqui um post em que dizia que Schwarzenegger era o Robocop e tinha um erro de tradução. Saiu. Com as minhas desculpas.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 18:21 | Comentários (5)

Um percurso exemplar

A Visão publica um artigo biográfico sobre o actual Ministro do Turismo, Telmo Correia. Três momentos altos do texto de Inês Rapazote:

«O pai e o avô eram do Belenenses. Um dia, lembra, foi a Belém ver um jogo em que o Benfica ganhou por 5-0 e, a meio da partida, começou a gritar pelos encarnados [...] "Eu era puto e gostava era do Eusébio, do Simões e queria era ganhar" [...] Nascido belenense, mudou-se de alma e coração para o clube da Luz»

«Depois de duas derrotas e um empate ganha a concelhia de Lisboa. Já a tinha perdido uma vez, mas "Abecassis ia sair, não queria a concelhia nas mãos do aparelho e foi-me buscar" para a sucessão»

«[...] em finais de 1996 [...] Telmo Correia diz ao Semanário que Portas "foi um péssimo militante. Porque não aprendeu a lição fundamental da militância, que é a persistência, paciência, perseverança e, mais importante ainda, a humildade". No Congresso de Coimbra (1998), Telmo está com Portas.»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 02 setembro 17:23 | Comentários (12)

Considerações

Sobre as ruínas das antigas instituições tem levantado as suas bases sólidas e dominadoras a burguesia ambiciosa. Desde a revolução francesa do século XVIII que assombrou o Universo, o predomínio capitalista tem-se acentuado cada vez mais e o povo trabalhador rebenta já sob o peso da exploração e do aviltamento.

A ambição pelas riquezas amontoadas tem-se multiplicado e, modernamente, apoderando-se da mecânica, a classe industriosa instituiu os sindicatos, os monopólios, tornando assim mais poderosa e terrível a concentração industrial (...).

Pagar o menos possível, tal é o sonho do industrial, que compete no mercado à custa da pele do produtor.

E para a exploração todos servem: homens, mulheres e crianças.

O antigo escravo, embora oprimido, trabalhando sob as ordens do senhor, era mais feliz relativamente do que o salariado de hoje, que só goza de uma liberdade ilusória e condicional (...).

Mas ai da burguesia, se aplicando à sociedade o princípio bellum omnium in omnes (guerra de todos contra todos), quiser obstinadamente a transformação social a todo o transe! Não somos, porém, chegados a um tempo em que devem predominar os sentimentos da humanidade e os motivos da razão? Sejamos antes solidários e amemo-nos uns aos outros. É doutrina antiquíssima. Os mesmos legisladores romanos, desde Adriano a Alexandre Severo, procuravam estribar na equidade a regra do direito. "Ama aos homens, dizia Marco Aurélio, com amor verdadeiro" (...)

Nós queremos a transformação social a bem de todos; o burguês quer a sua exclusivamente (...).

["Considerações", artigo publicado no jornal Voz do Trabalho, Lisboa, 1-5-1896; editado por Maria Filomena Mónica, A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária, Lisboa, Gulbenkian, 1982, pp. 35-36]

Publicado por andrebelo em quinta-feira 02 setembro 16:53 | Comentários (6)

Problemas de comunicação

O governo português disse que a decisão de não deixar entrar o barco da WoW em Portugal era apoiada pelas autoridades holandesas.

LUSA: O parlamento holandês pediu a Portugal que deixe atracar o chamado "barco do aborto", fundeado há quatro dias ao largo da Figueira da Foz, disse hoje à Lusa o porta-voz do Ministério português dos Negócios Estrangeiros.

O pedido foi feito cerca das 13:00 pelo ministro holandês dos negócios estrangeiros, Bernard Bot, num telefonema para o seu homologo português, António Monteiro, adiantou António Carneiro Jacinto.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 16:24 | Comentários (9)

E aqui está o problema

“Our side is full of wimps who'd rather compromise than fight. Not you guys.”.
Michael Moore dirigindo-se aos republicanos e à direita

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 15:07 | Comentários (4)

Que nem um só espermatozóide republicano chegue ao seu destino

«Abstinence from sexual activity is the only protection that is 100 percent effective against out-of-wedlock pregnancies and sexually transmitted diseases, including sexually transmitted HIV/AIDS. Therefore, we support doubling abstinence education funding. We oppose school-based clinics that provide referrals, counseling, and related services for contraception and abortion.»
Da Plataforma programática aprovada na Convenção Republicana

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 14:28 | Comentários (6)

Governo termo-dinâmico

Santana Lopes, ontem, disse que seria positivo rever a lei do aborto porque "nem as sociedades são estáticas, nem as leis são estáticas, nem os resultados de referendos são estáticos".

O Porta-voz do Conselho de Ministros, hoje, disse que o compromisso do anterior governo com o PP é para manter até ao fim da legislatura.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 02 setembro 14:18 | Comentários (6)

Está no papo

Público de hoje:

«O PSD diz que vai tornar-se "um dos partidos mais inovadores da Europa", porque o seu presidente é "um homem do seu tempo".»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 02 setembro 13:54 | Comentários (5)

A indignação do aparelho

Manuel Alegre surpreendeu-me positivamente. Ao afirmar que há uma promiscuidade entre as estruturas partidárias e as autarquias e que as autarquias são usadas para tráfico de influência nos partidos (seja no PS, seja em noutros partidos), afirmou o óbvio. A reacção de virgem ofendida de Jorge Coelho, um dos mais habilitados para falar deste assunto, diz muito sobre o que será o PS que agora regressa. Ao dizer o que todos sabem, Manuel Alegre marcou pontos na sua credibilidade política. Ao mostrar a sua indignação, Coelho confirmou que Alegre pôs o dedo na ferida. Qualquer partido que queira ter credibilidade para atacar a corrupção e bater-se pela democracia tem fazer uma autêntica revolução na sua relação com tantos caciques locais que se comportam, no nosso país, como autênticos mafiosos de aldeia.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 13:38 | Comentários (14)

Correcções

O CDS/PP acusou a extrema-esquerda de escrever umas frases na sua sede. As frases pintadas na sede do Largo do Caldas estão assinadas pelos “anarquistas”. Alguém tem de explicar ao CDS/PP que os "anarquistas" não são de extrema-esquerda. E alguém tem de explicar aos “anarquistas” que “hipocrisia” não se escreve “hipócrisia”.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 13:20 | Comentários (23)

Os loucos

Quem usa crianças em qualquer combate político, quem quer trocar a vida de crianças por qualquer causa, não merece causa nenhuma. O povo martirizado da Tchechenia merecia melhor do que um bando de loucos a falar em seu nome.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 02 setembro 13:11 | Comentários (18)

O mundo fora do eixo

Antes

Agora

"O PSD tem uma nova imagem de «marca», com o símbolo do partido ao centro do globo terrestre."

Nota: há sempre a hipótese de o PS, dentro da sua estratégia de inovação, estar já a prever o movimento de precessão da Terra. Mas isso é só daqui a 13 mil anos.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 02 setembro 13:08 | Comentários (2)

No mundo do pacifista Putin

Luís Delgado, hoje no DN: "Valeu a pena ceder ao terror? A França e a Rússia, dois países que não apoiaram a intervenção no Iraque, nem em gestos nem em meios, estão agora a sofrer as consequências daquilo que Bush disse após o 11 de Setembro: não há países imunes ao terrorismo, muito menos democracias ocidentais, sejam elas quais forem, mesmo que neutrais ou de oposição dura a tudo o que aconteceu, e os factos provariam isso cedo ou tarde. [...] Chirac e Putin percebem agora que não valeu a pena ceder. É pena."

Poderia perguntar-se a Luís Delgado onde é que ele foi buscar essa ideia de que Putin tem sido um frouxo a lidar com a Tchtchénia, ali a poucas dezenas de quilómetros da escola tomada pelos terroristas. Poderia também perguntar-se também se ele não acha que o facto de Bush ocupar um país sem dar nele as mínimas garantias de segurança, abrindo as suas portas a todo o tipo de terroristas, não tem nada a ver com a onda de sequestros nesse mesmo país.

Mas isso seria se valesse a pena discutir com aquelas mães que, quando os filhos chumbam o ano, não ficam satisfeitas enquanto os filhos da vizinha não chumbarem e se meterem nas drogas.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 02 setembro 12:21 | Comentários (10)

Stardust memories

Bom como as cobras.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 02 setembro 00:47 | Comentários (7)

setembro 01, 2004

Sampaio está zangado com Santana!

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 01 setembro 20:37 | Comentários (19)

A evolução de Zita Seabra

Zita Seabra ontem na RTP: «O senhor não ouve as mulheres. Não vai ao cabeleireiro».

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 01 setembro 20:04 | Comentários (37)

E agora, a détente

Luciano: agrada-me a ideia que esta discussão talvez possa inaugurar uma fase de détente na nossa relação blogosférica. Vamos lá ver se consigo manter alguma compostura.
Continuo a achar pouco convincentes os teus argumentos sobre os dominós na Ásia ou a superioridade do “american way of war” no Vietname. Quer dizer, o empenho americano na contenção do comunismo na região precede em vários anos o envolvimento militar directo no Vietname – remonta à Guerra da Coreia e à “queda” da China, pelo menos. A SEATO foi constituída em 1954. E sempre gostava de saber como é que o incumprimento vietnamita das tréguas diferiu assim tanto dos bombardeamentos secretos do Laos e do Camboja. Quem é que está a ser relativista?
Descrever a história como uma luta cósmica entre o Bem e o Mal não nos leva muito longe. Se assim fosse, como é que classificarias a política nixoniana de abertura à China maoista, pouco depois da revolução cultural? Mais um acto de apaziguamento de um ditador homicida?
Na minha ingenuidade, gosto de pensar que o Ocidente venceu a Guerra Fria apesar (e não por causa) da multidão de canalhas em que se apoiou em várias partes do mundo. O combate ao comunismo só valeu a pena enquanto o Ocidente foi capaz de se manter fiel aos seus valores. Infelizmente, traiu-os demasiadas vezes (a tua referência ao Suharto, por exemplo, deixou-me atónito).
Não digo que uma política global possa ser conduzida sem algumas alianças espúrias e uma boa dose de pragmatismo (veja-se o caso do Afeganistão). Mas a vitalidade da democracia, a promessa da realização individual, os valores da liberdade e da justiça social, uma diplomacia atenta aos direitos humanos deram alento a muita gente nos países comunistas – e no fim foram tão decisivos quanto a corrida às armas.
Uma última nota sobre Kerry. Em política, gosto de me guiar por uma máxima que Orwell um dia aplicou a Gandhi: todos os santos devem ser considerados culpados até prova em contrário. Dada a ferocidade da presente campanha eleitoral, será difícil esclarecer todas as dúvidas acerca do desempenho de Kerry no Vietname. Mas, como foi observado num dos comentários ao meu último post, comparar as eventuais mentiras de Kerry com as consequências trágicas dos ardis de Bush, é algo que está para lá dos limites do razoável.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 01 setembro 16:53 | Comentários (1)

Transformismo

A televisão está cada vez mais liberal. Ontem assisti a um espectáculo de transformismo no primeiro canal. Artista convidada: Zita Seabra.

Como Zita Seabra diz que não mudou de opinião, aqui vão uns excertos do seu discurso, a 11 de Novembro de 1982, na Assembleia da República. Qualquer semelhança com o seu discurso de ontem, na RTP, é pura coincidência.

«A lei que proíbe o aborto não tem, pois, nenhum efeito, nenhum resultado que não seja remetê-lo para a clandestinidade. Pior ainda: como tudo isto escapa aos serviços de saúde, salvo quando há acidentes, tivemos oportunidade de ouvir, nos debates públicos em que participámos, depoimentos que mostram bem como a clandestinidade só aumenta e intensifica o recurso ao aborto clandestino.»

«Como soa a falso vir aqui, em nome dum princípio a que todos devemos respeito, o direito à vida. Consentir e logo contribuir para que esta situação se mantenha e para que vidas e vidas continuem a perder-se, quando nós temos a possibilidade e a responsabilidade de evitá-lo?»

«Quem ignora que nos jornais, nas revistas de grande circulação entre as mulheres diariamente se publicam anúncios que rezam «parteira diplomada» chegando ao preciosismo de, como alguém salientava, acrescentar: «trata doenças de senhoras. Telefonar para o número tal a partir das x horas». Claro que toda a gente acredita e está mesmo a ver que são telefones para acorrer a partos domiciliários ou para tratar doenças súbitas...»

«Chegaram tarde e tão farisaicamente preocupados com a origem da vida que se esquecem sempre do viver de quem já nasceu.»

«Há que dizer pois aos campeões da intolerância e do insulto que as mulheres portuguesas têm o direito de verem respeitadas a sua vida a sua saúde, a sua dignidade, os seus direitos, o seu ser mulher.»

«Há bocas em que certas palavras queimam. Há hipocrisia que choca demais. Mas estamos hoje a viver tempos novos. Isso perturba alguns, mas sobretudo desespera os que estão virados para o passado. Quanto mais divorciados ficam da vida, quanto mais tentam que o Estado perpetue na lei concepções, atitudes e estruturas caducas, que perdem todos os dias terreno na consciência social.»

«Se há um bom entendimento nas relações homem mulher, se há uma boa relação na família, pois evidentemente a decisão de interromper a gravidez é tomada e assumida pelos dois. Mas se não há esse entendimento, que posição deve prevalecer? Vejamos um exemplo simples que torna tudo claro: a mulher pretende levar a termo a gravidez e o marido opõe-se. Quem decide então Srs. Deputados. Quanto a nós. deve ser a mulher.»

«Mas a poucos anos do século XXI que ninguém peça ao legislador que decrete que o Sol anda à volta da Terra ou que declare solenemente: “fica extinto e eliminado o aborto em todo o território nacional a partir da entrada em vigor da presente lei de proibição!” Daqui a uns anos porventura os avanços da ciência e da técnica em matéria de planeamento familiar reduzirão a proibição do aborto a uma aberração, digna de figurar apenas nas vitrines dos Museus da História do Direito.»

Zita Seabra, debate sobre a legalização do aborto (projecto-lei chumbado), 11 de Novembro de 1982

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 01 setembro 16:34 | Comentários (19)

Assine a petição, participe no protesto

Em 24 horas a petição que protesta contra o encerramento selectivo da fronteira marítima portuguesa por parte do Ministro Paulo Portas já tem praticamente 1000 assinaturas.

«Os argumentos apresentados pelo governo são incompreensíveis quer à luz da lei nacional, comunitária e internacional, quer à luz das normas democráticas e cívicas que implicam a participação dos cidadãos e das cidadãs, das suas organizações autónomas, a livre expressão de opiniões e o debate construtivo, neste caso em torno de problemas muito reais.»

Assine e divulgue esta petição, utilizando o link do parágrafo acima ou dirigindo o seu browser para o endereço http://www.petitiononline.com/19592c11/petition.html.

Entretanto, correm SMS que convocam uma manifestação para amanhã, quarta-feira, às 18h00, em frente à residência oficial do Primeiro-Ministro, São Bento.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 01 setembro 01:00 | Comentários (37)

Arábia infeliz

Está a dar neste momento no 2º canal um documentário sobre a Arábia Saudita, que mostra parte da realidade deste reino fanático até à demência ["Segredos da Arábia Saudita"]. Há gente presa por ter realizado missas cristãs em casa, as decapitações públicas ocorrem duas a três vezes por semana, as mulheres não podem aprender línguas ou andar sózinhas (para não falar em conduzir ou ter uma profissão), as estrangeiras são impunemente agredidas na rua. A matawa, ou polícia religiosa, controla tudo em permanência e castiga no momento. Seria preferível viver na Península Ibérica sob o Santo Ofício.

Não deixa de ser extraordinário pensar como nestes últimos 20 anos em que o Irão – um país comparativamente bem mais tolerante – nos foi apresentado como o Diabo do Fundamentalismo, a Arábia Saudita tenha sido o aliado discreto, mas sempre fiel, do Ocidente. Os reis sauditas foram sempre recebidos nas capitais ocidentais, para não falar da famosa intimidade entre a casa de Bush e a casa de Saud.

Zeus nos livre dos pecadores virados crentes furiosos. A nobreza saudita bebe, fuma e droga-se enquanto mantém o povo na obediência mais estrita. Osama bin Laden gostava de álcool e mulheres mesmo no início da sua luta contra o "ateísmo comunista" no Afeganistão. Também Bush, o nosso líder mais tacanho das últimas décadas, era un bon vivant antes de se tornar um cristão renascido. Espero que nos próximos anos nos livremos das nossas estirpes de fanáticos religiosos antes que elas fiquem piores, para que possamos tentar, de forma mais racional, isolar as estirpes muitíssimo mais violentas do lado de lá. Vai ser uma tarefa quase impossível.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 01 setembro 00:56 | Comentários (26)