outubro 31, 2004

Relatório de um controleiro

Vim aqui a Paris para obrigar o André a escrever um pouco mais no Barnabé. Resultado: nem ele nem eu. Estou aqui a bater-me com um teclado francês só para vos desejar um santo dia de todos os ditos.

Publicado por danieloliveira em domingo 31 outubro 22:30 | Comentários (9)

outubro 30, 2004

Sauditas na CGD

A segunda edição do Doc Lisboa chega amanhã ao fim. Superou largamente as minhas expectativas – e pelas conversas que fui tendo com espectadores mais assíduos, nem sequer terei visto os filmes mais originais. Daqueles a que pude assistir, destacaria um que esteve longe de obter os favores do público e até da crítica: “The House of Saud” (2004), da realizadora franco-egípcia Jihan El.Tahri, antiga correspondente da Reuters (entrevista aqui). Tanto quanto pude perceber, as razões para a recepção fria do filme foram duas: houve quem o achasse demasiado “convencional” na sua concepção (ou seja, muito “modelo BBC”), e houve quem o considerasse demasiado indulgente para com o regime saudita.
A primeira não deixa de ter alguma razão de ser. Em termos conceptuais, o filme é quase desastroso. O recurso à voz off é excessivo, a banda sonora massacrante. Quer contar demasiadas coisas em pouco mais de duas horas e por isso não tem qualquer respiração. Mesmo dentro do famigerado “modelo BBC” há quem tenha conseguido resolver esse problema (estou-me a lembrar, por exemplo, de Lawrence Rees e da sua série sobre o Nazismo).
A segunda crítica é injusta. O objectivo da realizadora – que, segundo me contam, animou um excelente debate após a sessão – foi o de apresentar uma visão histórica da ascensão da dinastia Saud e dos muitos paradoxos em que o seu poder se tem sustentado, desde a aliança com os Estados Unidos aos compromissos com os clérigos wahabitas. Não é um filme de denúncia dos aspectos mais sinistros do regime (a condição das mulheres e dos direitos humanos em geral, a barbaridade do sistema penal, etc.) – embora a corrupção, nepotismo e negligência que o caracterizam estejam amplamente documentados. É a história de um país através das maquinações da sua elite governante – e aqui o filme é inteiramente bem sucedido. As imagens de arquivo reunidas são notáveis e os depoimentos (que vão de elementos da Casa de Saud até antigos estadistas e diplomatas americanos e executivos da indústria petrolífera) reconstituem muito eficazmente a tensão dramática de algumas crises, particularmente aquelas em que a conexão Riade/Washington foi posta à prova (1973, 1990-91).
Vendo este filme, fiquei a meditar sobre a minha ignorância acerca da geopolítica do petróleo e do Médio Oriente em geral. Nas universidades, na imprensa mais especializada, no pequeno mundo das relações internacionais em Portugal, há um enorme défice de reflexão e análise sobre estas questões. O que não deixa de ser bizarro, dada a enorme dependência energética do nosso país em relação ao petróleo. Como me dizia o Ivan a seguir ao documentário, isso talvez tenha algo a ver com o facto da maior parte dos nossos especialistas internacionais terem a tendência para associar qualquer referência ao petróleo como um dos factores da política externa norte-americana às fantasias da esquerda paranóica.
“The House of Saud”, que está longe de apresentar uma visão conspirativa da história, é um excelente correctivo para esse género de preconceitos.

Publicado por pedrooliveira em sábado 30 outubro 22:23 | Comentários (4)

Os novos mártires cristãos

Já não há pachorra para o discurso de vitimização das elites católicas portuguesas. Pela pena de alguns dos seus intelectuais (muito mal representados na nossa imprensa, como é sabido) foi-se difundindo a ideia de que o “caso Rocco Buttiglione” é apenas mais um exemplo da “cristofobia” que ameaça dominar as instituições comunitárias. Confesso que tenho andado arredado da net e dos jornais, mas não me lembro de ter lido qualquer referência ao facto de Buttiglione se encontrar associado a um caso de financiamento ilegal dos Democratas-Cristãos italianos (UDC), ou do seu braço-direito, Giampiero Catone, ser arguido num processo de desvio fradulento de fundos públicos – e isto já para não mencionar a participação de Buttiglione num governo, o de Berlusconi, que no plano legislativo se distinguiu pela discriminalização da contabilidade fradulenta em empresas privadas. Um currículo notável para um futuro Comissário da Justiça e dos Assuntos Internos, sem dúvida.

Publicado por pedrooliveira em sábado 30 outubro 21:43 | Comentários (36)

outubro 29, 2004

Sempre a Florida

Mais um caso. Mais uma vez na Florida. Não é por acaso que os americanos têm de passar pela humilhação de ter observadores europeus nas suas eleições. A família Bush fez a democracia americana andar décadas para trás. Apesar de todos os truques, ainda tenho uma ténue esperança que estes sejam os últimos dias de George W como presidente.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 29 outubro 23:59 | Comentários (19)

Porque é que não pedes antes ao maninho

«Daniel Sampaio apela aos jovens que se revoltem e derrubem o governo.» Título da Capital.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 23:34 | Comentários (11)

Bin Laden for Bush

Em vésperas de eleições, quando tudo estava longe de estar decidido, Bin Laden aparece finalmente ameaçando os EUA e atacando Bush. Uma ajuda preciosa para George Bush, que fez toda a sua campanha baseada no medo. Nem os republicanos conseguiriam melhor. Definitivamente, estes dois não podem viver um sem o outro.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 29 outubro 23:19 | Comentários (17)

São Barnabé



O Público traz hoje uma reportagem triste sobre a Freguesia de São Barnabé, no concelho de Almodôvar, no Baixo Alentejo. Envelhecida, abandonada e ainda por cima devastada pelos fogos deste ano. Volto a lembrar que a Câmara Municipal de Almodôvar abriu uma conta de solidariedade "Coragem São Barnabé". Para quem quiser contribuir, é o NIB 0035 0066 00010074 23094 – da conta 0066 010074 230 da CGD.

E pode ser que um dia a gente faça lá a nossa Universidade de Verão, como um dia brinquei aqui. Por outro lado, aquela gente já sofreu que baste.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 17:06 | Comentários (16)

Cada um usa os argumentos que sabe usar

Cheguei a este folheto, distribuído à comunidade negra de Milwaukee (maioritariamente votante nos democratas), através do Renas e Veados.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 29 outubro 16:22 | Comentários (30)

O tratado consumado

Foi hoje assinado o tratado constitucional europeu. O tratado que constitucionaliza o défice zero, a diminuição da despesa pública destinada a políticas sociais e o aumento da despesa militar. O tratado que acentua a lógica de um directório europeu. Mas, acima de tudo, um tratado divorciado de qualquer processo democrático. E um tratado que é mais uma chantagem, a somar todas as chantagens de que tem sido feita a construção europeia.

Os que defendem que, na Europa, só há dois caminhos – aceitar tudo o que nos é dado ou teimar num nacionalismo condenado –, tiveram hoje um grande dia: a União Europeia continuará a ser um projecto de eurocratas. A união dos europeus continuará a ser um projecto adiado.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 29 outubro 15:52 | Comentários (11)

Compreendermo-nos

O excerto que mais me impressiona no texto pró-Bush de Rui Ramos no Público [sem link] é o seguinte:

"Foram os jihadistas quem atacaram Nova Iorque em 2001, mas era o agressivo estado Baathista do Iraque, pelo seu potencial económico e demográfico e capacidade de explorar o ressentimento árabe, a maior maior ameaça para as democracias liberais. Quem não compreendeu isto nunca compreenderá nada."


Não gosto da frase "que não compreendeu isto nunca compreenderá nada". Não garanto que não a tenha alguma vez utilizado, mas continuo a não gostar. Simplesmente, acho que se for mesmo imprescindível, ela tem de ser reservada para coisas fundamentais. Do tipo "quem não compreendeu que o amor é mais importante do que o poder", "quem não compreendeu que a morte chega a todos...". O maior perigo terrorista vir ou não do Iraque baathista não é um desses fundamentais e nem a vivacidade desejável da escrita permite uma bengala de linguagem destas. Eu admito que se pode ser da opinião de Rui Ramos e ter-se compreendido umas coisas. Rui Ramos tem de admitir que se pode ter a opinião contrária e também se ter compreendido umas coisas. Escrita como está, esta frase acaba por vir impregnada só de uma impressionante recusa das opiniões dos outros.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 15:35 | Comentários (9)

A demagogia de Bagão

Já aqui defendi uma das mais polémicas medidas de Bagão Félix: o fim dos benefícios fiscais para PPR’s. A altura, deixei claro que, defendendo teoricamente esta medida, tinha pouca confiança nos objectivos de Bagão Félix. A razão é simples: os argumentos apresentados, para este tipo de medidas, por Bagão, não batem certo com grande parte da sua política para a segurança social e fisco.

Sou a favor de um fisco redistributivo, em que os que mais ganham mais contribuem. Sou a favor de uma segurança social sustentável, em que todos contribuem para um esforço comum. É isto que me leva a ser, teoricamente, contra benefícios fiscais que favorecem exclusivamente a classe média e que desviam fundos que deviam estar destinados para os portugueses que vivem com maiores dificuldades. Pela mesma razão, seria favorável à integração de fundos de pensões autónomos (como o da Caixa Geral de Depósitos) no bolo comum. Todos a contribuírem para todos, é isto que defendo.

A primeira coisa que para mim é clara é que não é nada disto que Bagão quer. O que Bagão quer é receitas extraordinárias.

Mas mais importante do que as suas razões é a sua política. De nada servem medidas como estas se elas não estiverem integradas numa política coerente. Isoladas, em vez de corrigirem injustiças, elas acentuam injustiças. Em vez de diminuírem o fosso entre a classe média e os mais pobres, elas limitam-se a acentuar o fosso entre a classe média e os mais ricos. E a demagogia de Bagão é esta: parecendo sempre que está a atacar os mais ricos, nunca toca nos mais ricos. Parecendo sempre que está a defender os mais pobres, nunca deu um tostão aos mais pobres.

Com o pode Bagão Félix defender a integração do Fundo de Pensões da CGD na caixa geral de aposentações e, ao mesmo tempo, defender o plafonamento? Como pode querer integrar os descontos dos funcionários da Caixa no regime de todos os funcionários do Estado ao mesmo tempo que incentiva os mais ricos a escolherem sistemas paralelos?

Que autoridade tem Bagão Félix para mexer no sistema de segurança social enquanto este mantiver a lógica de taxação dependente do número de trabalhadores, que castiga quem mais emprega. Um sistema justo teria de estar baseado no volume de negócios das empresas. Mais: qualquer integração para um sistema de segurança social único tem de nivelar por cima. Mais ainda: enquanto o Estado não pagar o que deve à segurança social e não cobrar às empresas o que estas têm de pagar não pode pedir nem mais um átomo de esforço aos funcionários. Para além do mais, os trabalhadores da CGD têm todas as razões para estar preocupados. O Estado não lhes dá qualquer garantia porque nunca cumpre a sua palavra.

O mesmo se pode dizer dos PPR’s. A injustiça é esta: enquanto não for feito um rescalunamento fiscal e não for atacado o sacro santo sigilo bancário, todas as medidas que parecem justas limitam-se a acentuar a injustiça. Enquanto tivermos a classe média baixa quase no escalão máximo de descontos, aquilo que parecem medidas justas acentuam a injustiça, tratando quem já vive apertado da mesma maneira que trata quem vivem desafogado. Enquanto a fuga e a fraude fiscal (a proposta de Bagão nesta matéria é uma mão cheia de nada) não forem atacadas, todas as medidas terão como único destinatário o contribuinte cumpridor. Ou seja, o trabalhador por conta de outrem, único pagador ao fisco.

Bagão Félix usa, muitas vezes, argumentos correctos para medidas que podiam ser justas, mas que tendo objectivos completamente diferentes dos enunciados, acentuam a injustiça. É por isso que Bagão é perigoso.

A alternativa não é o populismo e a demagogia. A alternativa é, não abandonando a defesa da justiça de cada medida, explicar sempre que a melhor medida pode ter o pior resultado. É mais difícil, mas é a único caminho sério.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 29 outubro 15:35 | Comentários (9)

Os franceses, não é? Esses malandros...

Arafat vai ser tratado em Paris.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 15:13 | Comentários (5)

O TGV Condeixa-Alfarelos

Público: "Governo admite reduzir TGV entre Lisboa e Porto por falta de dinheiro".

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 15:10 | Comentários (6)

A nossa direita e Bush

O Rui chamou ontem atenção para o apoio ("com o coração pesado") do The Economist a John Kerry, algo que não deixarei de ter em conta em Janeiro, na altura de renovar a minha assinatura. De resto, que outra posição poderia ter assumido a revista perante um presidente cuja governação constituiu, em variadíssimos aspectos, a negação ponto por ponto do credo liberal clássico?
Em contrapartida, a nossa “direita liberal” (?) parece estar em peso com George Bush. Duma forma geral, os comentadores de direita (com a possível excepção de Luís Delgado) têm-se coibido de expressar abertamente as suas simpatias em relação a Bush, ou por pudor ou por falta de genica argumentativa. Esse não é, claramente, o caso do historiador Rui Ramos, que assina hoje um texto no Público (não disponível on-line) explicando as razões do seu apoio a Bush (“Com Bush, por causa de Kerry”). Depois de lê-lo, tive de me beliscar para ver se não tinha sido transportado numa máquina do tempo até 1948 ou 1972.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 29 outubro 12:29 | Comentários (19)

Cem mil mortos. Valeu a pena?

Até agora os opositores da guerra têm usado 15 mil como o número de mortos civis desde o início da Guerra do Iraque. Ainda há poucos dias foi o número usado aqui no Barnabé. Está neste momento a passar na BBC World uma entrevista (realizada há alguns dias) com Tommy Franks. Vejo a jornalista Zeinab Badawi usar este número para perguntar ao general se valeu a pena invadir. "Absolutamente", diz Franks, "quantos teriam morrido sob Saddam Hussein?".

Não existem números oficiais. Mas agora um estudo dirigido pela Bloomberg School de Saúde Pública da Universidade de Johns Hopkins – uma escola financiada pelo mayor republicano de Nova Iorque, Michael Bloomberg – e com a participação de outras universidades indica que o número de baixas civis iraquianas foi de pelo menos cem mil, a maioria dos quais mulheres e crianças. A probabilidade de uma morte violenta era 58 vezes maior durante a invasão do que antes da invasão. Mais: o cientista que coordenou o estudo diz que cem mil é "uma estimativa conservadora". O estudo já está no sítio da revista médica The Lancet, acima de toda a suspeita. Está na área reservada à imprensa mas será publicado nos próximos dias, e já se pode ler o resumo em vários lugares. Aqui têm o artigo da New Scientist.

Cem mil mortos. Alguém pedirá perdão por estes mortos – ou limitar-se-ão a dizer que Saddam teria matado cem mil e mais um?

Publicado por ruitavares em sexta-feira 29 outubro 01:05 | Comentários (31)

outubro 28, 2004

Só falta a Spectator

The Economist, que apoiou Bush e a Guerra do Iraque, acha que o presidente americano é demasiado incompetente para continuar e aconselha ao voto em Kerry.

[Via andrewsullivan.com]

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 16:55 | Comentários (21)

O país da cabala involuntária

Em relação a esta história de José Policarpo poder chegar a Papa, pus-me a delirar. Se isso se confirmasse, Durão se aguentasse em Bruxelas e Kerry ganhasse as eleições levando Teresa Heinz-Kerry à Casa Branca, não tardaríamos a ter teorias da conspiração em que Portugal ocuparia o lugar da maçonaria e da temível Skulls & Bones. Já estou a ver o Código da Janela de Tomar nas livrarias dos aeroportos.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 15:53 | Comentários (20)

Mete uma cunha, pá

A solução para os problemas de Durão está nesta notícia do Público que dá José Policarpo, cardeal de Lisboa, como papabile. Não se pode arranjar um lugar de futuro para o Rocco?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 15:45 | Comentários (6)

O lado bom da bosta

Hoje dei por mim contente por o CDS/PP estar no governo quando vi esta notícia: "Quase 37 Roubos por Dia Participados em 2003". Se Paulo Portas estivesse na oposição uma notícia destas resultaria num vómito contínuo de populismo, alarmismo e xenofobia mais ou menos velada. Assim, não o temos de aturar.

A segurança (contra o crime, mas também laboral e doméstica, entre outras) é um tema socialmente importantíssimo. Não duvido. Mas o primeiro partido da oposição a fazer uma utilização à Paulo Portas deste tema perde o meu voto. Fica escrito.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 15:35 | Comentários (11)

Sempre a aprender com os melhores

O "DN Empresas" dá os seus troféus de melhores empresas à Petrogal, à Grundig ...e à TVI.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 15:24 | Comentários (7)

As redacções que se cuidem

O DN e o Diário Digital organizam, com o alto patrocínio da PT, um almoço-conferência com o General Tommy Franks. Na mesa com o homem, que numa famosa entrevista à Cigar Aficionado dizia que o terrorismo poderá levar os americanos a esquecerem a sua Constituição e militarizarem o país, estarão Mário Bettencourt Resendes e Miguel Horta e Costa, e na audiência Luís Delgado terá certamente muito a aprender com a prelecção sobre "Liderança em tempos de crise e guerra global ao terrorismo".

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 15:20 | Comentários (3)

Há certas pessoas que não se devem mostrar a um estrangeiro

Se tentar entrar no site de George W. Bush não conseguirá. O site está fechado a visitas estrangeiras. Mas há uma maneira de lá chegar: entra por este site - www.megaproxy.com/freesurf - usa o motor de busca, procura www.georgebush.com e assim finge ter um proxy americano.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 28 outubro 14:51 | Comentários (8)

O passado e o presente

Para bombardear o direito do Parlamento Europeu chumbar a comissão proposta por Barroso, José Manuel Fernandes, depois de dar argumentos que aqui discutirei noutro post, acaba o seu texto assim: «Um dos heróis da discussão parlamentar foi o mesmo que, na década de 70, quando trabalhava num infantário, descreveu assim algumas das suas experiências: "Às vezes acontecia que algumas crianças abriam a minha braguilha e começavam a acariciar-me. (...) Se insistiam, também as acariciava. (...) As meninas de cinco anos tinham aprendido como excitar-me. É incrível." Quando estas declarações antigas foram desenterradas pelos "media" falou-se de "caça às bruxas", pois o seu autor é, "apenas", o intocável Daniel Cohn-Bendit. Se, por acaso, fosse indicado para comissário do mesmo pelouro que Buttiglione, alguém imagina que se levantaria idêntica tempestade entre os deputados?»

Ao contrário de Buttiglione, Cohn-Bendit respondeu perante estas declarações (com mais de 40 anos) e repudiou-as. Sim, se Daniel Cohn-Bendit as mantivesse hoje seria pouco provável que lhe dessem a pasta agora destinada a Buttiglione. Seria até pouco provável que fosse deputado europeu. E estou seguro que José Manuel Fernandes estaria na primeira linha do ataque. Assim como seria pouco provavel que, caso José Manuel Fernandes mantivesse tudo o que escreveu e disse há 30 anos, quando era ainda estalinista e maoista convicto, pudesse ser director do "Público". Acontece que não só Buttiglione não escreveu o que escreveu há 40 anos, como o reafirmou perante o Parlamento Europeu. E faz toda a diferença falarmos de passado político ou de presente político. Se José Manuel Fernandes não os distingue, deve viver na mais perturbante das esquizofrenias.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 28 outubro 13:51 | Comentários (29)

Quem lhe quer tanto mal?

[Foto roubada ao Ânimo]

Quem tentou trancar Gomes da Silva numa sala, com dezenas de jornalistas?

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 28 outubro 13:50 | Comentários (3)

Um grande dia para a Europa

Ontem foi um grande dia para a Europa. Não porque José Barroso tenha tido que reconhecer que estava em apuros, mas porque se mostrou claramente que vale a pena ir às urnas em dia de eleições europeias. Um dos problemas fundamentais da construção europeia foi sempre a distância entre os cidadãos e a máquina burocrática, funcionando o parlamento europeu como uma instituição pouco mais do que simbólica, vazia de poderes. As comissões foram sempre cozinhadas ao sabor dos arranjos dos diferentes governos com os europeus assistir de modo passivo. Se o Parlamento Europeu pode chumbar uma proposta de comissão, então Bruxelas está mais perto de cada um de nós. Para um federalista convicto como eu, que acredita que o projecto europeu só avançará solidamente se for sentido como uma responsabilidade de todos, esse é um motivo de esperança.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 28 outubro 12:47 | Comentários (4)

Os nossos priminhos novos


Um crânio de Homo Floresiensis ao lado de um de Homo Sapiens

É assim: ou hoje é dia das mentiras em alguma parte do mundo, ou esta é uma das descobertas mais fantásticas de sempre. Na ilha das Flores (Flores, Indonésia, pessoal; não Flores, Açores), foram descobertos esqueletos de uma espécie humana com 18 mil anos. Até aqui nada de especial: nós somos os únicos humanos vivos, mas não fomos sempre a única espécie da família. Há quase uma dezena de espécies homo.

O espantoso é que este Homo Floresiensis, agora descoberto, tinha apenas um metro de altura em adulto, e todo o seu corpo era a esta escala.

Os cientistas que acharam as ossadas deram à espécie a alcunha de "os Hobbit". Só que os habitantes das Flores limitaram-se a dizer: "Ah! os Ebu Gogo! Claro, claro, costumavam roubar-nos comida!". Como?! Pois é. Se calhar não somos os "únicos humanos vivos". Não é impossível que os Ebu Gogo ainda existam junto a uma cratera vulcânica no Oeste da ilha, ou pelo menos que não estejam extintos há muito tempo, cem ou duzentos anos, o que não é nada.

Devo ser um grande otário, não é? Mas ao menos não sou só eu: aqui está a revelação na Nature, as reacções no The Guardian, o artigo de um dos cientistas no The Independent sobre a hipótese do Ebu Gogo ainda existir e uma entrevista na National Public Radio com os três cientistas australianos (Peter Brown, Mike Morwood e Bert Roberts) que, ou se estão a rir à nossa conta, ou entraram para a história da paleontologia e muito mais do que isso.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 28 outubro 04:05 | Comentários (13)

Compromisso Portugal

Segundo se percebeu pelas declarações de Marcelo, uma tomada hostil da empresa de Paes do Amaral por parte da RTL exigiria boas relações com o governo. Como o governo não manda na RTL, suponho que o empresário esperava o braço protector do Estado. E isso leva-me a uma pergunta: o problema da comunicação social é o excesso de presença do Estado ou é a necessidade permanente dos grupos económicos portugueses, para garantir a protecção dos seus oligopólios, irem pedir batatinhas ao Estado? É o que sempre disse e continuo a dizer: as nossas grandes empresas odeiam o Estado. Acham que ele protege demasiado os trabalhadores, que ele gere mal a saúde e a educação, que asfixia a economia com as suas regras e leis. Mas quando se trata de garantir a sua protecção, esquecem-se de tudo o que disseram. Não querem menos Estado. Querem é o Estado só para eles. E quando o desespero aperta, o mais rebelde dos liberais logo se transforma no mais obediente dos estatistas. Isto, claro, se no governo não estiver um bom amigo.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 28 outubro 02:07 | Comentários (14)

outubro 27, 2004

Então?!

Durante três semanas, o PP e o PSD disseram que cabia a Marcelo Rebelo de Sousa esclarecer tudo acerca da sua saída da TVI, insinuando que se ele não o fazia era porque tinha qualquer interesse egoísta a esconder. Hoje, Marcelo Rebelo de Sousa esclareceu completamente a sua posição. Resposta do PSD, por Rui Gomes da Silva: dizer "minha senhora, minha senhora" e sair porta fora. Resposta do PP: comentaremos no momento próprio. Resposta de Miguel Paes do Amaral: isto é um problema político, já não tenho nada a ver com o assunto. Resposta de Jorge Neto, do PSD, agora na SIC notícias: isso é um problema pessoal, que o resolvam Marcelo e Paes do Amaral.

Dá para sentir a tontura?

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 21:59 | Comentários (22)

Professor Midas

Tudo o que Marcelo toca se torna numa aula. Para pessoas como eu, que têm alma de aluno desde que nasceram, é uma delícia. Que fazer?

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 17:26 | Comentários (11)

Conclusões

1. Paes do Amaral mentiu ao Parlamento;
2. Paes do Amaeal pressionou Marcelo para mudar o conteúdo das suas intervenções;
3. Estas presssões estavam relacionadas com "diligências" necessárias por causa de um negócio com a RTL;
4. Marcelo Rebelo de Sousa considera que há uma relação entre as pressões de Peas do Amaral e as do Governo.

Antes de mais, Paes do Amaral terá muito para explicar. Depois, provavelmente, outros terão de começar a falar.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 16:18 | Comentários (24)

Mentira

Primeira conclusão das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa: Paes do Amaral mentiu, em matéria de facto, ao Parlamento. O que é, para qualquer cidadão, muitíssimo grave.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 15:57 | Comentários (17)

Um pormenor

A maioria, no Parlamento, não quis ouvir Marcelo. Foi ouvido na Alta Autoridade para a Comunicação Social. Resultado: os deputados da maioria diminuíram o papel do Parlamento abaixo da quase inexistente Alta Autoridade. À nossa democracia ainda falta crescer muito.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 15:49 | Comentários (2)

Uma fábula

Santana e Paes do Amaral devem estar a ouvir Marcelo e a aprender uma lição para a vida: coelhinho pequeno não se mete com raposa velha.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 15:40 | Comentários (4)

Parece que faziam imenso barulho

Seguranças substituídos após alegada sesta de Santana.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 14:33 | Comentários (7)

We'll always have Strasbourg



É curioso – desde o Tratado de Nice que não me sentia tão europeu.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 14:17 | Comentários (6)

Devolvido ao destinatário

Na última semana o grande argumento pró-Buttiglione, de José Manuel Fernandes a Mário Pinto, foi: "pode um católico devoto ser membro da Comissão Europeia?". A resposta foi dada hoje, e é outra pergunta: "isso é um problema nosso, ou é um problema dele?"

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 14:11 | Comentários (2)

O Pravda já não é o que era

Fernando Lima demitiu-se de director do DN.

[via Amor & Ócio e Blasfémias]

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 13:40 | Comentários (1)

Saldo positivo

Durão Barroso mudou a Europa. A sua falta de bom senso é tal, que o Parlamento Europeu foi obrigado a existir. A sua teimosia até ao penúltimo minuto acabou por se saldar numa grande salto político para a Europa: um reforço real dos poderes do Parlamento Europeu. Ainda bem. Ganha a democracia.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 13:11 | Comentários (16)

Zona Livre de Fundamentalistas Religiosos

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 12:17 | Comentários (27)

De onde menos se espera

Os jornalistas do Diário de Notícias exigiram «à administração e à direcção em funções a necessária e urgente clarificação da actual situação do DN, de forma a estarem garantidas as condições de isenção, credibilidade e de jornalismo de qualidade que devem caracterizar um jornal que todos desejamos de referência» e manifestou «a maior preocupação com as notícias que têm surgido envolvendo o DN e com o seu impacte negativo junto da opinião pública e dos nossos leitores», rejeitando «quaisquer tentativas de instrumentalização governamental, empresarial e partidária que possam comprometer a especificidade do produto jornalístico». O comunicado critica critica «a perda de qualidade editorial do DN, patente na elaboração de muitas primeiras páginas» e considerou inaceitável que o DN «seja alvo de jogos políticos, económicos e outros, directos ou indirectos, que nada têm a ver com a finalidade de propósitos consagrada no seu Estatuto Editorial».

E parabéns ao DN, por ter publicado tudo isto, coisa que o jornal “Público”, quando se deu a demissão da sua editora de política e tomada de posição do Conselho de Redacção, demorou semanas a fazer. Às vezes, as boas práticas vêm de onde menos se espera.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 12:12 | Comentários (3)

O homem que adora aparecer em fotografias...

...vai perder, já no próximo mês, a assinatura do tratado constitucional.
Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 12:09 | Comentários (5)

La petite différence

A votação da Comissão Barroso foi adiada por um mês. O Parlamento Europeu não é Jorge Sampaio.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 27 outubro 11:47 | Comentários (15)

Uma promessa cumprida

Há quatro anos, Bush dizia que vinha para unir – e não dividir – a sua nação. Hoje pode dizer-se que cumpriu. Pelo menos se até Moby, no seu blogue, já fala bem do seu arqui-inimigo Eminem...

O caso não é para menos. A nova música de Eminem, Mosh [letra aqui], é um poderosíssimo hino anti-Bush, e o seu clip [aqui] uma demolição completa da bushismo. Para quem tiver banda larga, compensa bem a espera.

[via Salon]

Publicado por ruitavares em quarta-feira 27 outubro 01:38 | Comentários (19)

outubro 26, 2004

Do ódio à inteligência

[Manifestação de colonos israelitas]

Em Israel, os colonos manifestam-se pelo direito a continuar a roubar aos palestinianos a pouca terra que lhes resta. Estes fanáticos, que são uns dos principais responsáveis pela impossibilidade de qualquer plano de paz no território, só estarão satisfeitos quando nem um palestiniano pisar o solo que os viu nascer, mesmo que nele vivam na mais miserável das condições e numa humilhação quotidiana que só pode gerar violência e intolerância. Felizmente, entre os israelitas, há quem tenha a coragem de se bater pela coabitação pacífica. É para esses israelitas que deve ir toda a nossa solidariedade. Também eles sofrem com os atentados criminosos. Mas nunca se deixaram tomar pelo ódio. Isso sim, é coragem. Outros, do lado de lá do muro de Sharon, vão tentando o mesmo.


[Manifestação dos movimentos pacifistas israelitas]

Publicado por danieloliveira em terça-feira 26 outubro 15:02 | Comentários (44)

Sprint final

Com o apoio do “Washington Post”, Kerry já tem o apoio 111 jornais americanos. Bush recebe o apoio de 70. Fora dos EUA, o “Financial Times” declarou a sua simpatia pelo candidato democrata. As sondagens apontam para uma situação renhida.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 26 outubro 13:40 | Comentários (26)

outubro 25, 2004

As convicções e a democracia

Começo a ficar confuso em relação ao que se anda a escrever sobre Buttiglione. Se as convicções morais (e as convicções morais incluem-se nas convicções políticas) não são importantes para quem vai ocupar um cargo político, o que é então importante? Se as convicções em relação às minorias e às mulheres não são importantes quando se decide quem irá ocupar a pasta da luta contra a desigualdade, o que é importante? Buttiglione é livre de ter as opiniões ultra-minoritárias que entender. E os deputados ao Parlamento Europeu, que foram eleitos por sufrágio directo e universal e representam a diversidade de posições políticas na Europa, são livres de se bater para que a Comissão reflicta as convicções da maioria dos europeus.

Algumas pessoas parecem não ter entendido a principal regra da democracia: todos são livres de ter a sua opinião, a maioria é livre de não dar poder a quem tem determinadas opiniões. E isto aplica-se a todos, mesmo aos que, para insultar milhares de mães solteiras, homossexuais e mulheres em geral, se escudam numa suposta coerência religiosa. É que podia dar-se o caso, natural e bastante louvável, de Buttiglione querer continuar a ser coerente enquanto comissário.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 17:02 | Comentários (37)

Sitcom Portugal: há cem dias em exibição.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 16:33 | Comentários (8)

Finalmente o País aparece unido aos olhos dos estrangeiros

«Conseguiu uma façanha pouco comum: uniu meios de comunicação mais e menos conservadores, comentadores de direita e de esquerda, sindicatos e patronato. Todos contra o primeiro-ministro». El Pais, sobre Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 15:37 | Comentários (13)

Marcado pela Palestina

Começou ontem o ciclo de documentários, na Culturgest, em Lisboa: Doclisboa. Estreou-se com um filme sobre a tentativa de golpe contra Hugo Chavez. Eu, que vejo Chavez como um populista aventureiro, não deixo de achar graça às pessoas que o foram acusando de falta de legitimidade democrática. Pois lá houve o referendo e Chavez ganhou. Quem visse as televisões por esse mundo fora há de ter ficado muito espantado com o resultado. Como quem viu o golpe pelas grandes cadeias internacionais não há de ter percebido bem o desfecho da história.

Mas o Doclisboa será definitivamente marcado pela a questão Palestiniana. Já ontem, foi “Checkpoint”, de Yoav Shamir, sobre a humilhação diária dos palestinianos. Hoje, em "Le mur": Simone Bitton, judia e árabe, acompanha a construção do muro à volta de Israel. Amanhã, "Ma’loul fête sa destruction", de Michel Khleifi, mostra-nos a visita anual de palestinianos a Ma’loul, uma aldeia destruída pelo exército de Israel em 1948. Também amanhã, a difícil relação entre um casal israelo-palestiniano, em "Wadi ten years later", de Amos Gitai. Na quinta-feira, "Il y a tant de choses à raconter", de Omar Amiralay: o balanço de toda uma geração marcada pelo conflito israelo-árabe. No sábado, "Le rêve arabe", de Elia Suleiman, sobre a tentativa de salvaguardar a criatividade num território minado pelo fascismo quotidiano e "En direct de Palestine", de Rachid Mashawari, sobre a rádio Voz da Palestina. No Domingo, "Cyber Palestine", de Elia Suleiman, e "Newstime", de Azza al-Hassan, Ramallah visto por uma janela.

A não perder, no domingo, o filme sobre o qual já aqui falei, "Le monde selon Bush", de William Karel, e, hoje, para quem conseguiu comprar bilhetes, "Domestic violence 2", de Frederick Wiseman.

Em baixo, o programa completo.

24, domingo

18H00 > Grande Auditório
The revolution will not be televised [SE] (sessão de abertura)
74’. Irlanda. 2003, real. Kim Bartley e Donnacha O Briain
Uma equipa de televisão vive as dramáticas 48 horas do golpe de estado contra Hugo Chavez, em Abril de 2002. O carismático presidente venezuelano e a sua ligação às massas populares, que forçaram a sua continuação no poder, são o centro de um filme que é um extraordinário documento histórico. Vibrante e mundialmente premiado.

21H00 > Grande Auditório
Detail [CI]
80’.Israel. 2004, real. Avi Mograbi
Um tanque blindado israelita, uma nuvem de pó, uma mulher palestiniana sangrando, um megafone, uma ambulância, uma mulher com duas crianças, uma segunda ambulância, uma menina chora, um homem de cabelos brancos, uma rajada de vento, um repórter. Um detalhe de uma fotografia muito maior.

Checkpoint [CI]
80’.Israel.2003, real.Yoav Shamir
Mais de três milhões de palestinianos vivem sob a ocupação militar de Israel desde 1967. Quando vão de uma aldeia até outra para trabalhar, para visitar familiares, ou para ver um médico, têm de atravessar os postos de controlo e identificar-se perante os soldados israelitas.

23H00 > Grande Auditório
El pequeño pianista [CI]
6’. Espanha. 2004, real Silvia Turchin
Um sapo toca piano! A vida e alma de uma marioneta através da voz do seu “mestre”, o marionetista Daniel Loeza. O que há de tão mágico nesta marioneta para comover de tal forma o público?

Ydessa, les ours et etc... [CI]
44’. França 2004, real. Agnès Varda
Varda interessa-se por uma personagem singular : uma coleccionadora, negociante e comissária de uma insólita exposição composta por milhares de fotografias amadoras dos séculos XIX e XX, nas quais surge sempre um urso de peluche. O mercado da arte cruza-se com objectos íntimos, recordações pessoais e a memória do Holocausto.

25, segunda-feira

11H00 > Pequeno Auditório
Domestic violence 2 [SE]
160’. EUA. 2002, real. Frederick Wiseman.
Wiseman tinha centrado a 1ª parte de Domestic Violence num centro de apoio a vítimas de violência doméstica. Nesta continuação, mergulha nos tribunais onde são julgados estes processos. O resultado é intenso.

14H30 > Pequeno Auditório
José Manuel, la mula y el televisor [CI]
14’. Cuba. 2003, real. Elsa Cornevin
De regresso a casa após um dia de trabalho, José Manuel, um camponês da Sierra Maestra (Cuba), assiste a um programa de televisão. Um corte de luz interrompe subitamente a emissão. José Manuel pega então na mula e na caixa do televisor para continuar o programa.

Grandad’s waking dream [CI]
46’. Finlândia 2003, real. Anu Kuivalainen
Anu tem 89 anos. Foi médico na frente russa durante a II Guerra Mundial. Presenciou não apenas o sofrimento e a morte, mas também crimes e assassínios gratuitos. As imagens desses momentos ainda hoje o perseguem.

16H30 > Pequeno Auditório
Le mur [CI]
95’. França / Israel. 2004, real. Simone Bitton
A realizadora, judia e árabe, acompanha a construção do faraónico muro que está a ser construído à volta de Israel. A destruição de uma paisagem com enorme significado histórico serve para isolar um povo e prender o outro.

18H30 > Pequeno Auditório
Entre duas terras [P]
94’. Suiça/Portugal.2003. real, Muriel Jaquerod e Eduardo Saraiva Pereira
O que sente uma população envelhecida que vê a sua aldeia desaparecer, submersa pelas águas de uma barragem? Como tenta defender a sua identidade no diálogo com os responsáveis da construção da aldeia nova? A história da Aldeia da Luz é aqui contada sob um prisma humano.

21H00 > Grande Auditório
La maison des Saoud [CI]
103’. França. 2004, real. Jihan El Tahri
A impressionante transformação da Arábia Saudita ao longo do século XX e a sua complexa relação com os Estados Unidos. Um trabalho exemplar de investigação que ajuda a esclarecer algumas das principais questões geopolíticas do mundo contemporâneo: o petróleo, a política imperial norte-americana, o renascimento político do Islão e o conflito israelo-árabe.

23H00 > Grande Auditório
Olhar por dentro [CI]
28’. Portugal. 2003, real. Christine Reeh
Débora tem seis anos e é cega desde o nascimento. Mora no Alentejo e não tem acesso a uma educação específica para invisuais. Vive no seu mundo e passa os dias ouvindo música ou inventando histórias fantásticas.

In the dark [CI]
40’. Russia / Finlândia. 2004, real. Sergey Dvortsevoy
Um homem cego já velho vive com um gato branco num apartamento. O homem faz sacos de fio entrançado. O gato diverte-se a puxar os fios e a trocar tudo de sítio, numa diária batalha campal

26, terça-feira

11H00 > Pequeno Auditório
Ma’loul fête sa destruction [MO]
PA 33’. Bélgica. 1985, real.Michel Khleifi
Os antigos habitantes de Ma’loul, aldeia palestiniana destruída pelo exército de Israel em 1948, podem visitá-la uma vez por ano, no dia nacional de Israel. Nesse dia organizam um piquenique no local da aldeia destruída.

Cantiques des pierres [MO]
100’. Bélgica. 1990, real. Michel Khleifi
O amor impossível entre dois palestinianos que se apaixonam na década de 60, mas a quem a guerra e os conflitos políticos mantêm afastados por mais de 18 anos.

14H30 > Pequeno Auditório
Wadi ten years later [MO]
97’. França. 1991, real. Amos Gitai
Sentimentos contraditórios e tensões de um casal israelo-palestiniano de Wadi. As primeiras imagens do casal, em 1981, são um exemplo de resistência íntima ao conflito... Dez anos depois, o retrato é totalmente diferente.

16H30 > Pequeno Auditório
Me myself and the universe [CI]
14’. Alemanha. 2003, real. Hajo Schomerus
Qual a importância cósmica da disposição simétrica dos cintos nas cadeiras dos aviões antes dos passageiros se sentarem? Uma divertida exploração do conflito entre a ordem e o caos a partir das banais preocupações profissionais de quatro personagens.

Sylvia Kristel - Paris [CI]
40’. Bélgica. 2003, Manon de Boer
Em dois monólogos, a actriz celebrizada pela série de filmes "Emmanuelle", revisita os principais passos da sua carreira cinematográfica e as consequências na sua vida pessoal. (Auto-)retrato austero e melancólico de uma ex-star e sexsymbol.

18H30 > Grande Auditório
Estrela da tarde [P]
24’. Portugal. 2004, real. Madalena Miranda
Sonhos, fantasias e contradições de uma dona de casa cheia de personalidade, que vive nos arredores de Lisboa. Um documentário que nos ensina a conciliar o amor por Che Guevara com as mais simples tarefas domésticas...

A praça [P]
52’. Portugal. 2004, real. Luís Alves de Matos
Ao longo de três anos, Luís Alves de Matos filma a interminável reconstrução de
uma praça no bairro de Chelas. A câmara revela com ironia a ineficiência dos poderes
públicos e o espírito ora rezingão, ora resignado dos moradores do bairro.

21H00 > Grande Auditório
No jardim do mundo [CI]
65’. Portugal/França. 2004, real. Maya Rosa
Homens e mulheres, trabalhadores agrícolas, contam a história do seu Alentejo natal. Relembram tempos de miséria, em que sol e poesia eram as suas únicas pertenças. E também falam de hoje..

23H00 > Grande Auditório
Les escadrons de la mort, l’école française [CI]
60’. França. 2003, real. Marie-Monique Robin
Após a guerra da Argélia, foram quadros do exército francês que ensinaram sistematicamente os militares da Argentina, do Chile, do Brasil e dos EUA a combater populações civis com desaparecimentos, tortura e assassínio. Neste importantíssimo filme de investigação, alguns depoimentos de militares são verdadeiras apologias da tortura.

27, quarta-feira

11H00 > Pequeno Auditório
Balseros [E]
120’. Espanha 2002, real. Carles Bosch e Josep Mª Domènech
Milhares de cubanos arriscaram a vida em improvisadas embarcações para chegar à costa dos Estados Unidos. "Balseros" mostra quais eram as motivações iniciais de um largo grupo de personagens e como se transformaram ao longo de cinco anos de vida norte americana. Nomeado para o Oscar de Melhor Documentário em 2003.

14H30 > Pequeno Auditório
10e chambre, instants d’audiences [CI]
105’. França. 2004, real. Raymond Depardon
A actividade diária de uma sala de julgamentos em Paris: doze casos, doze histórias de mulheres e de homens que um dia têm de responder em tribunal. Regresso de Depardon ao universo judicial depois do extraordinário “Délits Flagrants”.

16H30 > Pequeno Auditório
The city beautiful [CI]
78’. India. 2003, real. Rahul Roy
Sunder Nagri (Beautiful City) é um pequeno subúrbio de Delhi. A maioria das famílias trabalham em pequenas manufacturas. Nos últimos dez anos assistiu-se a uma degradação progressiva das tradições de manufactura local. As famílias têm de descobrir soluções para ganhar, dia a dia, a sua sobrevivência.

18H30 > Pequeno Auditório
A guerra do Iraque [P]
26’. Portugal. 2004, real. Leonor Areal
Uma turma de crianças da escola primária faz um filme de animação sobre a guerra no Iraque. Os protagonistas são os mesmos dos telejornais: George W. Bush, Tony Blair, Saddam e Bin Laden... Mas a história é bem mais imaginativa.

Marrabentando - as histórias que a minha guitarra canta [P]
52’. Portugal. 2003, real. Karen Boswall
Retrato de músicos moçambicanos, estrelas da Marrabenta, um estilo musical popular que remonta aos anos 50. Através dos relatos pessoais é a história de todo um país, a evolução dos costumes e os efeitos da guerra, que surgem em pano de fundo.

21H00 > Grande Auditório
How I learned to overcome my fear and love Arik Sharon [MO]
61’. Israel. 1997, real. Avi Mograbi
Avi Mograbi, que recusou servir na guerra contra o Líbano por razões políticas (Ariel Sharon era então ministro da defesa), faz agora um filme sobre a campanha eleitoral de Sharon... e mostra de forma hilariante como se deixou conquistar pelo candidato de extrema-direita!

23H00 > Grande Auditório
The wheel [CI]
23’. Bielorussia. 2003, real. Victor Asliuk
Numa aldeia da Bielorússia só vivem velhos e um jovem casal com um bebé. A carrinha que abastece a aldeia passa uma vez por semana.

Landscape [CI]
60’. Alemanha/Russia. 2003, real. Serguej Loznitsa
Um filme em que a poesia parte da câmara. Uma paragem de autocarro de uma pequena cidade russa no Inverno. As pessoas esperam e conversam…

28, quinta-feira

11H00 > Pequeno Auditório
De niños [E]
188’. Espanha. 2003, real. Joaquín Jordá
Partindo de um caso que agitou a opinião pública espanhola, este filme é simultaneamente um estudo sobre a pedofilia, uma investigação sobre os interesses especulativos por trás da reconversão de um bairro pobre de Barcelona, uma análise da cobertura jornalística de um tema "escandaloso" (a pedofilia) e uma descrição do sistema judicial espanhol.

14H30 > Pequeno Auditório
Le plat de sardines ou la première fois que j’ai entendu parler d’Israel [MO]
17’. França. 1998, real. Omar Amiralay
“A primeira vez que ouvi falar de Israel foi a propósito de um prato de sardinhas. Era verão em Beirute. Eu tinha seis anos e o Estado de Israel tinha dois.”

Il y a tant de choses à raconter [MO]
49’. França. 1997, real. Omar Amiralay
O testemunho do escritor sírio Saadallah Wannous que, antes de morrer, faz com o seu amigo Omar Amiralay o balanço de toda uma geração marcada pelo conflito israelo-árabe.

16H30 > Pequeno Auditório
La espalda del mundo [E]
89’. Espanha. 2000, real. Javier Corcuera
A discriminação, a intolerância e a exclusão social em três histórias com personagens diversas: um exilado curdo na Suécia que tenta obter a libertação da mulher, prisioneira política; um grupo de crianças a trabalhar numa pedreira no Peru; e os que aguardam pela sua vez no corredor da morte de uma prisão do Texas.

18H30 > Pequeno Auditório
Malmequer, bem-me-quer ou o diário de uma encomenda [P]
51’. Portugal/França. 2004, real. Catarina Mourão
Catarina Mourão aceitou um convite da ARTE para realizar um documentário sobre os jovens lisboetas de hoje. Mas a relação com o canal de televisão não foi fácil. Nesta segunda versão do filme, em forma de diário de rodagem, descobrimos as dúvidas e dificuldades de um processo de criação face às expectativas e regras da encomenda.

21H00 > Grande Auditório
Santa liberdade [CI]
87’. Espanha. 2004, real. Margarita Ledo Andión
Em 1961, o paquete Santa Maria é ocupado por um comando armado ibérico que pretende denunciar as ditaduras de Franco e Salazar. O navio passa a chamar-se Santa Liberdade e converte-se em cenário da história. Três membros do comando reencontram-se pela primeira vez neste filme.

23H00 > Grande Auditório
Untertage [CI]
24’. Alemanha. 2003, real. Jiska Rickels
Um documentário impressionista que nos leva até um mundo onde as cores desaparecem, os sons ficam distorcidos e as máquinas produzem música. Viagem a uma enorme mina de carvão que é ao mesmo tempo o céu e inferno.

La peau trouée [CI]
56’. França . 2003, real. Julien Samani
Cinco pescadores de tubarões deixam regularmente as suas famílias e descobrem no mar da Irlanda uma outra dimensão da sua própria animalidade. A bordo do navio, a vida e a morte têm outro significado.

29, sexta-feira

11H00 > Grande Auditório
Master class com Nicolas Philibert [SE]
Nicolas Philibert, autor do documentário “Être et Avoir”, apresenta e explica o seu modo de filmar, de ver o mundo e o cinema utilizando excertos de alguns dos seus filmes.

14H30 > Grande Auditório
La voix de son maître [SE]
100’. França. 1978, real. Nicolas Philibert e Gérard Mordillat
Doze patrões de grandes empresas falam sobre o poder, a hierarquia, os sindicatos, as greves e a auto-gestão. Um filme tabu, durante muito tempo proibido em França. Um primeiro grande filme do realizador de "Être et Avoir".

14H30 > Pequeno Auditório
Asaltar los cielos [E]
96’. Espanha. 1996, real. José Luis López-Linares e Javier Rioyo
Documentário sobre a figura de Ramon Mercadér, o assassino de Trotski. Construído como um filme de suspense, reconstitui em pormenor os últimos dias da vida do ex-líder comunista na Cidade do México e as circunstâncias precisas que rodearam a sua morte

16H30 > Pequeno Auditório
O arquitecto e a cidade velha [P]
72’. Portugal 2004, real. Catarina Alves Costa
O arquitecto Siza Vieira é coordenador do projecto de recuperação da Cidade Velha, em Cabo Verde. O filme revela os conflitos entre as propostas do arquitecto, os desejos da população e as decisões do poder político.

16H30 > Grande Auditório
A scuola [CI]
60’. Itália. 2003, real. Leonardo di Costanzo
Durante um ano, Leonardo de Costanzo filmou a vida de estudantes e professores nas salas de aula de uma escola secundária da periferia de Nápoles. Aqui, a tarefa dos professores não é apenas ensinar, mas acima de tudo educar, o que é muito mais difícil, e pouco reconhecido pela sociedade.

18H30 > Grande Auditório
Buenos aires hora zero [P]
69’. Portugal.2004, real. José Barahona
O realizador parte à procura de uma personagem no Uruguai. Uma viagem em forma de road movie, que o leva até Buenos Aires, onde acaba por descobrir memórias, personagens curiosas e um país em ruptura.

18H30 > Pequeno Auditório
Happy birthday, Mr. Mograbi [MO]
77’. Israel. 1999 real, Avi Mograbi
Um realizador é perseguido por produtores israelitas e palestinianos que lhe encomendam filmes, esperando dele versões opostas de uma mesma realidade. A tragédia quotidiana contada com distância e auto-ironia.

21H00 > Pequeno Auditório
Le génie helvétique [CI]
85’. Suiça. 2003 .real, Jean-Stéphane Bron
O filme acompanha um ano de polémicas sobre a lei dos transgénicos nos corredores do parlamento suíço, onde a discussão é manipulada por lobbies. Este documentário, visto em sala na Suíça por 500 mil espectadores, pôs a nu a insipiência dos deputados e teve um forte impacto nas eleições seguintes.

21H00 > Grande Auditório
Cinévardaphoto [SE]
96’. França. 2004, real. Agnés Varda
Três documentários de Agnès Varda onde a fotografia é o ponto de partida de uma meditação sobre o mundo: Salut les Cubains (1963), Ulysse (1982) e Ydessa, les Ours et etc (2004). O tríptico é uma reflexão sobre o poder da fotografia.

23H00 > Pequeno Auditório
Dame la mano [SE]
117’. Holanda. 2003, real. Heddy Honigmann
Todas as noites de domingo, um pequeno restaurante de Nova Iorque transforma-se num pedaço de Cuba. As mesas são afastadas para dar lugar a uma pista de dança, que acolhe o imenso fervor dos exilados cubanos pela rumba.

23H00 > Grande Auditório
O prisioneiro da grade de ferro [CI]
123’. Brasil. 2003, real. Paulo Sacramento
Retrato da maior penitenciária da América Latina (Carandiru, em São Paulo), tristemente conhecida pelo massacre de 111 presos. Agora os detidos aprenderam a utilizar câmaras de vídeo e registam, contam, mostram uma realidade quotidiana e íntima, que só eles conhecem.

30, sábado

11H00 > Pequeno Auditório
Justiça [CI]
100’. Holanda. 2004, real. Maria Ramos
Maria Ramos coloca a câmara onde muitos brasileiros nunca estiveram – uma sala de julgamentos no Rio de Janeiro. As imagens mostram com clareza que a justiça está longe de ser imparcial.

14H30 > Pequeno Auditório
Fruitful summer [CI]
147’. China. 2003, real. Guo Jing e Ke Dingding
Uma adolescente chinesa abandonada pelo pai e rejeitada pela mãe está à guarda do comité do bairro. Os problemas escolares e familiares parecem não afectar a rapariga, apaixonada por um colega.

14H30 > Grande Auditório
La pelota vasca, la piel contra la piedra [E]
115’. Espanha. 2003, real. Julio Medem
Partindo de quase cem entrevistas a algumas das figuras mais representativas da vida pública do País Basco, Julio Medem tenta definir os principais traços identitários do Euskadi e buscar as raízes do actual e sangrento conflito pela independência que perdura até hoje.

16H45 > Grande Auditório
Je t’aime... moi non plus [P]
80’. França. 2004. real, Maria de Medeiros
Durante o festival de Cannes, Maria de Medeiros entrevista realizadores: Almodóvar, Cronenberg, Wenders, Oliveira entre muitos outros. Mas também fala com alguns dos nomes mais importantes da crítica internacional. Todos contam episódios e anedotas de uma velha relação passional entre críticos e cineastas, com cenas de amor e ódio.

18H30 > Pequeno Auditório
Autografia [P]
103’. Portugal 2004, real. Miguel Gonçalves Mendes
Retrato íntimo e fascinante de Mário Cesariny, tendo como mote o seu poema Autografia. Cesariny satírico, provocador, político e surrealista.

18H30 > Grande Auditório
Monos como Becky [E]
94’. Espanha 1999. real, Joaquín Jordá e Nuria Villazan
Heterodoxa biografia do neurologista Egas Moniz, que cruza o registo documental com a reconstituição ficcionada (esta interpretada por pacientes de uma instituição psiquiátrica). A investigação do médico português sobre os distúrbios mentais, que o levaria à obtenção do prémio Nobel da medicina, é pretexto para uma interrogação radical sobre as classificações e os métodos da Ciência para isolar a razão da loucura.

21H00 > Pequeno Auditório
Wadi grand canyon [MO]
90’. França. 2001, real. Amos Gitai
Amos Gitai regressa uma terceira vez a Wadi. O local está quase destruído pelas promotoras imobiliárias.

21H00 > Grande Auditório
S21–la machine de mort khmer rouge [CI]
105’. França/Cambodja.2003, real. Rithy Panh
Entre 1975-1979, o regime de terror dos Khmers Vermelhos no Cambodja foi responsável por 1,5 milhões de mortos. O filme de Pahn é um doloroso reencontro com a memória, através do regresso à mais infame das prisões e centros de interrogatório que funcionaram nesse período, o S21.

23h00 > Pequeno Auditório
Bright leaves [CI]
107’. EUA. 2003, real. Ross McElwee
Viagem psicológica, social e económica pelas terras do tabaco da Carolina do Norte. Meditação autobiográfica sobre as atitudes ligadas ao tabaco e a sua pertubadora herança. Filme sobre a preservação, a adição e a recusa de uma herança. Afinal, o que se transmite de uma geração para a geração seguinte?

23h00 > Grande Auditório
Le rêve arabe [MO]
30’. Palestina/França. 1998, real. Elia Suleiman
Elia Suleiman tenta compreender como é possível salvaguardar uma forma de estética e de criatividade num território minado pelo fascismo quotidiano.

En direct de Palestine [MO]
57’. França. 2001. real. Rachid Mashawari
O quotidiano na estação de rádio Voz da Palestina permite-nos sentir de forma premente as questões e os dilemas com que se deparam os media palestinianos.

1, domingo

14H30 > Pequeno Auditório
Cravan vs Cravan [E]
100’. Espanha 2002, real. Isaki Lacuesta
Arthur Cravan, poeta dadaísta e pugilista, viveu várias vidas até desaparecer sem deixar rasto no Gollfo do México, em 1918. Misturando um registo documental com o esboço de uma ficção (na qual outro boxeur/artista toma o lugar do lendário Cravan), o filme não revela, antes prolonga, o mistério sobre uma personagem bigger than life e a sua época.

16H30> Grande Auditório
Abel Ferrara: not guilty [SE]
80’. França. 2003, real. Rafi Pitts
Tema escolhido para um “documentário sobre um realizador” - integrado da série “Cinema de Notre Temps” - , Abel Ferrara subverte o convencionalismo do género, preferindo arrastar a câmara pela noite nova-iorquina a falar da sua obra. O filme segue os seus movimentos e dissertações, ambos incessantes e imprevisíveis, ao sabor de vários encontros com amigos e colaboradores, assim como com desconhecidos.

18H30 > Pequeno Auditório
Cyber Palestine [MO]
16’. Palestina. 2000, real. Elia Suleiman
Dois palestinianos da faixa de Gaza têm problemas com as autoridades israelitas... É a célebre história de José e de Maria, em tom de tragi-comédia.

Newstime [MO]
59’. França/Palestina. 2001, real. Azza al-Hassan
Em Ramallah, a cineasta captura a vida pela janela: o amor entre os seus vizinhos, o dia-a-dia de 4 jovens atiradores de pedras.

18H30 > Grande Auditório
The five obstructions [SE]
88’. Dinamarca.2003, real. Lars von Trier e Jorgen Leth
Lars von Trier, grande admirador de Jorgen Leth e da sua curta metragem de culto "The Perfect Human", desafiou-o a fazer cinco "remakes" desse filme, cada um sujeito a um constrangimento diferente (num deles, por exemplo, nenhum plano pode ter mais de meia dúzia de frames). Exercício lúdico e irónico sobre a relação de forças e cumplicidade entre dois criadores.

21H00 > Grande Auditório
Entrega de Prémios: cerimónia de encerramento

Le monde selon Bush [SE] (sessão de encerramento)
92’. França. 2004, real. William Karel
Quem são os Bush? Nenhum argumento de ficção política poderia imaginar mecanismos tão terríveis por baixo de aparências democráticas, nem inventar os mecanismos de uma intriga tão diabólica cujos protagonista não são personagens de ficção, mas sim aqueles que têm na realidade o destino do mundo nas mãos.

2, segunda-feira

18H30 > Grande Auditório
projecção de filmes premiados

21H00 > Grande Auditório
projecção de filmes premiados

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 13:55 | Comentários (9)

Os gajos não estavam a dar luta, pá!

Lembram-se de a invasão do Iraque ser necessária para que não caíssem armas em mãos erradas? Pois bem, segundo esta investigação do New York Times [registo gratuito] desapareceram 380 toneladas (é toneladas mesmo – e apenas um quilo de um dos materiais desaparecidos bastou para o atentado de Lockerbie) de explosivos debaixo das barbas das tropas americanas em Al Qaqaa, ao Sul de Bagdad. Provavelmente, são os mesmos explosivos que andam a ser utilizados nos ataques no Iraque, e quem sabe se no estrangeiro.
A esquerda bem disse que a invasão do Iraque ia ser boa para os terroristas. Não sabíamos é que o ia ser de uma forma tão literal.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 25 outubro 13:27 | Comentários (7)

Noite Escura

“Noite Escura”, de João Canijo, é dos melhores filmes portugueses que vi nos últimos anos. E a prestação dos actores, sobretudo as de Fernando Luís e Beatriz Batarda, são uma grande ajuda a um bom argumento, uma excelente realização e diálogos deliciosos. Até Rita Blanco, por momentos, abandona a sua habitual egotrip.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 12:13 | Comentários (12)

O dedo acusador do mentiroso

No último número do “Expresso”, no caderno “Actual”, foram publicados dois textos sobre o “Fahrenheit 9/11”. Um do João Pereira Coutinho e outro meu. O meu está no link em baixo.

O dedo acusador do mentiroso
Daniel Oliveira

Durante mais de um ano, os mais activos defensores da intervenção militar no Iraque desvalorizaram todos os factos. Foi com espanto que fomos assistindo até onde pode chegar a displicência ética. O mais arrojado foi, talvez, Fernando Gil. Num extraordinário desafio à lógica, o filósofo decidiu inverter todos os conceitos morais sobre a verdade e a mentira. Os que se opunham à guerra não teriam dados para suspeitar de uma mentira. Os que acompanharam a mentira teriam todas as razões para acreditar no que lhes era dito. A mentira seria bondosa e a verdade o argumento final de um bando de fanáticos. E à exigência de provas deu-se um novo nome: má-fé. Para quem vive obcecado com o relativismo moral, estamos bem servidos.

Mas eis que, por milagre, todos os que defenderam uma guerra baseada numa mentira e desprezaram a ausência de provas tiveram um arrebatamento moral: no escurinho do cinema, vendo Michael Moore, exigiram toda a verdade. Em cada facto, em cada pormenor, em cada insinuação. O escrutínio dos factos, que acharam dispensável para apoiar a destruição de um país e acumular 15 mil mortos, foi exigido para 120 minutos de filme. O rigor que não pediram para começar uma guerra, passou a ser um imperativo para ver um documentário.

“Fahrenheit 9/11” não precisa de se desculpar com a mentira alheia. Sendo um documento de propaganda, o seu guião é simples: Bush mentiu em relação às armas de destruição em massa; esta administração há muito que queria invadir o Iraque; nunca houve nenhuma ligação entre o Iraque e a Al Quaeda; Bush desprezou todos os sinais que apontavam para o 11 de Setembro; o verdadeiro perigo reside na Arábia Saudita e, contra ela, nada foi feito, porque há uma dependência económica da família Bush em relação ao regime dos Al-Saud.

A tese, no essencial, é retomada num documentário que estreou no dia 19, no Festival de Cinema de Seia: “O Mundo segundo Bush”, de William Karel. O filme arrisca-se menos onde não tem provas, dá mais provas onde pode arriscar, ouve em boa-fé o lado contrário e não explora de forma sensacionalista o sofrimento alheio. Ou seja, o documentário é mais sóbrio mas diz exactamente o mesmo que “Fahrenheit 9/11”. Porque, na verdade, apesar de todas as tentativas, nenhuma das teses centrais de Moore foi, até hoje, desmentida.

Vamos então aos factos: Bush mentiu em relação às armas de destruição em massa? Sim, diz-nos o relatório final do inspector de armamento do Estados Unidos para o Iraque, Charles Duelfer. Mais: mentiu conscientemente, já que afirmou encontrar armas que se provaram inexistentes, como garantiu, o ano passado, o mesmo grupo de peritos, então chefiado por David Kay. A administração americana quereria invadir o Iraque antes do 11 de Setembro? Sim, como prova a carta aberta a Clinton, em Janeiro de 1998, assinada por Rumsfeld, John Bolton e Paul Wolfowitz. Havia alguma ligação entre o Iraque e a Al Qaeda? Não, diz-nos o relatório da comissão independente de inquérito nomeada pelo Congresso. Bush desprezou todos os sinais que apontavam para o 11 de Setembro? Sim, diz-nos o livro do antigo responsável pela luta contra o terrorismo, Richard A. Clarke. O verdadeiro perigo vem da Arábia Saudita? Já ninguém se atreve a negá-lo. A família Bush tem relações económicas estreitas com o regime saudita? Sim, como se pode em “House of Bush, House of Saud” de Craing Unger. Ou seja, as teses de Moore estão correctas em todos os seus pontos essenciais.

É por tudo isto ser uma verdade repetidamente confirmada por todas as investigações, que a Administração Bush fez tudo o que pôde para que o documentário não fosse distribuído. Sabiam que o filme seria, como foi, um estrondoso sucesso de audiências. E quem vive na mentira não suporta o contraditório.

Mas a questão ética que se levanta aos detractores das teses de Moore é esta: como pode criticar uma tese comprovada quem, até agora, apenas teve a mentira como argumento? Eu até acho que "Fahrenheit 9/11" cede, em aspectos particulares, à insinuação. Mas não posso deixar de ficar estarrecido quando vejo o dedo acusador de colunistas e intelectuais que alimentaram, no último ano e meio, uma fraude. Se não querem reconhecer o erro e repor a verdade, que tenham ao menos pudor. O seu destino está amarrado a uma mentira.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 25 outubro 12:08 | Comentários (11)

Especial EUA2004


This Modern World, por Tom Tomorrow. Clique para aumentar.

Perguntam-me se o Bush não está a ganhar as eleições nos EUA. Como se não está?! Então vocês não lêem o Luís Delgado, o AAA do Blasfémia e o Acidental? Não sabem que está no papo já há uma data de meses? Que os americanos, não sendo mariquinhas como os europeus, nunca votariam num gajo que nem católico de jeito é?

Entretanto, no mundo real. Há sondagens que sugerem a vitória de um ou do outro candidato. Pode vir a haver um número elevadíssimo de novos votantes que esvaziará de sentido essas mesmas sondagens, algumas das quais ponderam os números pelos votantes de 2000, uma eleição menos quente. Há novas suspeitas de fraude, e desta vez não só na Flórida. Há quem diga que a vitória vai ser expressiva seja de quem for, mas também há quem fale na possibilidade de o voto eleitoral ficar empatado em 269 para cada candidato. Nesse caso, a eleição teria de ser resolvida pela Câmara dos Representantes (que também pode ficar empatada...). Há hipóteses para todos os gostos. Incluindo a minha favorita, cada vez mais provável: Bush ganhar no voto popular, mas Kerry ganhar no colégio eleitoral e ser o próximo presidente. Não só seria uma vingança servida fria sobre 2000, como talvez fosse a maneira de os americanos se deixarem de merdas e mandarem aquele sistema eleitoral às urtigas.

É possível que durante a próxima semana aumente o número de textos sobre as eleições americanas. Ando a chatear um amigo que está por lá a ver se ele nos manda uns instantâneos do ambiente. Eu planeio, se tiver tempo, escrever umas notas. Para ajudar os leitores, decidi chamar o nosso estagiário não remunerado, o Barnabé Rebelo de Sousa, e dizer-lhe que se não quisesse ter o mesmo destino do seu primo fizesse o favor de colocar ali na coluna da direita alguns linques úteis dedicados ao tema, sob o mesmo título deste post, Especial EUA2004. O leitor interessado tem assim (além dos muitos sítios lincados na coluna de imprensa, à direita em baixo, grande parte dos quais tem secções e blogues próprios dedicados às eleições) uma dúzia e tal de blogues americanos, outros sítios práticos e umas coisas de sondagens. A lista não é extensa para poder ser prática e está mais ou menos equilibrada entre democráticos e republicanos, com alguns neutrais. Quanto aos republicanos, aliás, devo dizer que se o leitor quiser explorar um pouco mais para além daqueles minimimamente decentes que ali estão, deve fazê-lo por sua conta e risco: muitos são tão reaccionários e anti-europeus que fariam Luís Delgado pedir a nacionalidade francesa; tão fundamentalistas que fariam a Irmã Lúcia entrar para o Grupo de Trabalho Homossexual do PSR; e tão mal escritos que fariam a Margarida Rebelo Pinto ganhar o Booker Prize só com o título do seu último romance.

Seja como for: bom proveito. Só faltam nove dias para começarmos a saber os resultados destas eleições históricas – e renhidas até ao fim.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 25 outubro 02:27 | Comentários (17)

outubro 24, 2004

Devo andar a ouvir demasiados deputados da maioria...

Expresso: "Clara Ferreira Alves vai ser directora do «Diário de Notícias». O Expresso confirmou junto de fonte governamental que a decisão está tomada, restando apenas saber quando é que a jornalista assumirá funções".

"Fonte governamental"?! Então mas a PT Lusomundo não era aquela empresa privada, cotada em bolsa, etc. etc.?

Publicado por ruitavares em domingo 24 outubro 21:50 | Comentários (17)

"Eu vou, mas vocês ainda se lixam"

Expresso: "Velho do Restelo sai dos Manuais".

Publicado por ruitavares em domingo 24 outubro 21:29 | Comentários (4)

Um bom sinal

Completamente por acaso, descubro o LXBom, um bar de jazz entre os Anjos e a Graça [Rua de Macau, 2] e ainda tenho tempo para beber uma cerveja a ouvir os Bagaço, um bom quarteto de sax, guitarra, contrabaixo eléctrico e bateria. Fotos de Francesca Woodman nas paredes. O lugar pequenino, amador no melhor sentido, muito barato e cheio de gente que tenho impressão se deve conhecer toda, se abraça e trata pelo nome. Aparentemente, os concertos são todos os sábados. Fico contente por este botecozinho no meu bairro, lutando contra a hegemonia boémia do Bairro Alto.

Publicado por ruitavares em domingo 24 outubro 20:00 | Comentários (9)

Sem problemas

No auge da caetanomania no meu grupo de amigos – e amigos de amigos –, foi tudo em romaria à Expo 98 ver uma confusão de concerto com dois convidados, Pedro Abrunhosa e Paulino Vieira. O público assobiava os convidados na ânsia de ouvir Caetano, ver Caetano, deleitar-se com Caetano. E Paulino Vieira, o genial arranjista que recriou a Cesária Évora que nós conhecemos, bêbado que nem um cacho, exasperava o pessoal monologando sobre o arranjista e chefe de orquestra de Caetano, o violoncelista Jacques Morelenbaum. "Se ele quisesse, o Morelenbaum podia resolver todos os meus problemas", enrolava ele, "e não falo só dos problemas musicais".

Não foi, nem pensar nisso, o melhor Caetano que vi em Lisboa. Mas por estas razões, foi dos mais memoráveis.

Com Foreign Sounds, a profecia de Paulino Vieira cumpriu-se de uma forma que ele ninguém imaginaria. Caetano Veloso e Jacques Morelenbaum foram resolvendo tantos problemas, tantos problemas, que já não têm problema nenhum. E o que é óptimo para as pessoas nem sempre é bom para os criadores.

Caetano, o cantor e compositor lusófono mais importante da actualidade, toca hoje à noite em Lisboa. Vai ser, certamente, perfeito – razão pela qual, pela primeira vez, não estou ansioso para o ir ver.

Publicado por ruitavares em domingo 24 outubro 19:45 | Comentários (15)

Contra o simplismo que mata

«Aceito o recurso à intervenção militar, com mandato da ONU, sempre que seja preciso destruir uma infra-estrutura terrorista. Mas a melhor forma de combater o terrorismo é lutar contra a pobreza e ser implacável relativamente aos financiadores terroristas. A violência como método, não serve para nada. Devemos ir ao encontro das raízes do terrorismo: a pobreza, o subdesenvolvimento, o atraso. O essencial é trabalhar para alterar as condições de vida das pessoas. Não existe uma solução simplista.» MiKhail Gorbatchov, em entrevista à Pública.
Há momentos históricos em que o problema não é se as democracias podem ou não conduzir uma guerra, mas se são capazes de gerar líderes com bom senso.

Publicado por celsomartins em domingo 24 outubro 15:01 | Comentários (14)

Para satisfação das tias da Lapa em acção

Quinta-feira, dia 28, é julgada mais uma mulher por aborto. Desta vez, em Lisboa.

Publicado por danieloliveira em domingo 24 outubro 12:26 | Comentários (19)

Ainda o dogma da infalibilidade papal

PCP vai ouvir Álvaro Cunhal, em sua casa, sobre a sucessão de Carvalhas.

Publicado por danieloliveira em domingo 24 outubro 09:17 | Comentários (27)

Dezenas de cidades sofrem com a ansiedade

Monteiro adia escolha de câmara a que será candidato

Publicado por danieloliveira em domingo 24 outubro 09:11 | Comentários (10)

outubro 23, 2004

Comemorar nunca é neutro

Através do Filipe Nunes do País Relativo, cheguei a um artigo do escritor espanhol Javier Marías ("Eran Nosotros, El País Semanal, de 17 de Outubro). Não quero discutir o contexto em que o Filipe Nunes o cita — uma crítica ao que considera uma tendência politicamente correcta do actual governo espanhol. Já o texto de Marías, sobre a memória dos mortos das guerras espanholas, me parece mais discutível. Simplificando, pode-se dizer que Marías pretende resgatar a memória dos mortos das guerras da história espanhola — "pessoas como nós que tiveram o azar de serem chamadas para o combate e assim se tornaram 'prescindíveis' " — das decisões políticas e militares, justas ou injustas, que os conduziram à morte em combate. Independentemente dos decisores, diz Marías, estas pessoas bateram-se com sinceridade e dignidade pelo seu país. Assim, fazer justiça a esta legião de sacrificados seria homenageá-los hoje, abandonando de vez os complexos políticos, muito visíveis no governo actual, o medo de ferir sensibilidades, o "complexo de esquerda" ou "pacifista" (as expressões são minhas, mas penso interpretar correctamente o texto) de ser-se acusado de belicista ou mesmo de fascista. Como é evidente, apesar da especificidade da história de Espanha e dos seus dirigentes políticos actuais, a ideia pode ser extrapolada para outros países, coisa que por exemplo o Acidental fez logo.

O que me espanta no texto de Javier Marías é, afirmada explicitamente, a ideia ingénua de que comemorar o passado e os mortos é uma coisa neutra. Comemorar o que quer que seja é tudo menos neutro. Menos ainda no caso dos mortos e das batalhas, indissociáveis da memória nacional e da sua construção. Comemorar a "Restauração" e as suas guerras em 1940 teve um sentido evidente, tal como o tem nos nossos dias Paulo Portas homenagear os antigos combatentes da guerra colonial. Ou tem-no, para dar um exemplo de sentido contrário, os partidos e os regimes comunistas celebrando os mortos da batalha de Estalinegrado. Comemorar é um gesto do presente, dirigido ao presente, com o sentido político que lhes dão os políticos e os cidadãos do presente. Infelizmente, e ao contrário do que pretende Marías, os mortos nas batalhas passadas não podem escapar a esta lógica — que os condena a mais uma eventual injustiça póstuma. Em muitos mortos de tantas guerras, por mais injustas que elas tenham sido, houve sacrifício e grandeza, como quer Marías. Mas em tantos outros houve cobardia e crueldade, ou a mais humana e comezinha coabitação entre estas virtudes e estes defeitos. Eu até estaria de acordo com Javier Marías sobre uma comemoração igualitária dos mortos (de todos os mortos de todas as guerras e de ambos os lados de todas as guerras) que sublinhasse a parte de injustiça e crueldade que elas trazem sempre. Mas o meu acordo dependeria sempre do modo — das palavras, dos gestos — com que essa comemoração fosse feita. E seria sempre impossível que tal maneira de comemorar contentasse de modo consensual a sociedade espanhola ou portuguesa. Comemorar é tão neutro e consensual como esta ideia: o governo espanhol já está a honrar e muito os mortos da sua história ao impedir os espanhóis vivos de morrerem hoje numa guerra injusta. A comemoração é política, ela é também social e cultural, é o que quiserem. Neutra é que ela não é.

Publicado por andrebelo em sábado 23 outubro 21:12 | Comentários (6)

A estratégia do terror

O que quer quem rapta uma mulher que há mais de vinte anos ajuda os iraquianos? O que quer que a tenta usar como moeda de troca para fazer sair as tropas inglesas do Iraque, sabendo muito bem que tal é completamente impossível? O objectivo afirmado é de tal forma irrealista que nem na cabeça destes loucos o delírio de o conseguir pode existir. Apenas querem imobilizar quem, a Ocidente e Oriente, se recusa a escolher um lado entre uma suposta guerra de civilizações. Acabar com todas as pontes entre o mundo árabe moderado e os ocidentais moderados é o que este bando de criminosos pretende. E lá vão conseguindo, com a ocupação a dar-lhes uma preciosa ajuda.

Publicado por danieloliveira em sábado 23 outubro 20:20 | Comentários (17)

Não sejam injustos, então não sabem que eu não passo de um oportunista?

«Foi o PS que me escolheu para PGR. Portanto, a última pessoa interessada em fragilizar ou prejudicar o PS seria eu». Souto de Moura, "Expresso".

Publicado por danieloliveira em sábado 23 outubro 19:56 | Comentários (8)

E nós, pá?!

Ninguém faz uma cabala contra o Barnabé, porra? O que é que se passa? Fizémos mal a alguém, não fizémos mal a alguém, ou o quê?

Já começa a cheirar mal. Devem estar todos combinados para não nos fazer uma cabala.

Publicado por ruitavares em sábado 23 outubro 17:27 | Comentários (12)

Junta-te à fila

Souto Moura diz que é vítima de uma ca... ca... campanha.

Publicado por ruitavares em sábado 23 outubro 14:08 | Comentários (14)

outubro 22, 2004

Cenas da vida nacional

Para explicar porque é que a imprensa é livre, Luís Filipe Menezes começa por explicar que evoluímos muito desde o salazarismo e a época pós-revolucionária. É divertido.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 22 outubro 23:22 | Comentários (11)

Biografia política de Santana

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 22 outubro 16:35 | Comentários (34)

Barroso, as más companhias perseguem-te

Portas e Buttiglione

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 22 outubro 16:31 | Comentários (34)

A cartilha do costume

Paulo Gorjão acha que chamar a atenção para a falta de coerência de quem dedicou meses de blogue a torpedear um dirigente da oposição porque falava ou porque se calava é demagógico. Eu até acho que demagógicos foram as dezenas de posts que ele escreveu sobre Ferro Rodrigues e que Paulo Gorjão é daqueles que gosta de bater em quem já está no chão. É um género. Mas Gorjão diz mais: diz que esta é a prova de que, para mim, «os fins justificam os meios». Acha incrível que alguém recorde o que ele próprio escreveu. O problema, portanto, não deve ser comigo, mas com o que ele próprio escreveu.

Quanto ao resto, já aqui disse que não sou nem nunca fui favorável a uma coligação da esquerda para as eleições legislativas. Por mim, pode ir procurar aos arquivos do Barnabé. Mas, meu caro Paulo Gorjão, adorava que a esquerda se conseguisse entender para fazer oposição coordenada a Santana. É que, para mim, este governo tem de cair o mais depressa possível e não sou dos que acha que basta ficar à espera. Lembro-me (é para ver a atenção que lhe dou), de quando nos garantiu que não valia a pena manifestações em defesa de eleições antecipadas, porque Sampaio estava a dar todos os sinais de que iria dissolver o Parlamento. Lá estou eu de regresso à cartilha do costume: levá-lo a sério. Bem sei, não devia.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 22 outubro 16:22 | Comentários (23)

Aceitam-se apostas: a que horas é que o governo vai desmentir mais uma notícia?

"Governo discute nuclear e barragem em Foz Côa como alternativa ao petróleo". Manchete do "Público".

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 22 outubro 15:44 | Comentários (21)

outubro 21, 2004

Não nos falta nada

Já temos censura.

Já temos agressões policiais.

Já temos quem ache tudo normalíssimo.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 21 outubro 20:30 | Comentários (54)

Fidel caiu...

...mas, lamentavelmente, o castrismo continua de pé.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 21 outubro 18:53 | Comentários (146)

Classificados

Tribunal de Menores procura professor do 1º ciclo.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 21 outubro 17:52 | Comentários (9)

És licenciado e estás desempregado? Vem gastar o teu dinheiro!

Os cursos de formação profissional criados ao abrigo do Plano de Reconversão de Licenciados são dirigidos a licenciados desempregados e foram criados pelo Ministério das Ciências e do Ensino Superior. No caso de cursos a funcionarem no privado, as propinas são de cerca de 250 euros mensais e só 4 alunos em cada curso (que têm de 10 a 15 alunos) é que têm direito a bolsa.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 21 outubro 17:27 | Comentários (3)

Quando o homem ultrapassa a sua caricatura

Pedro Santana Lopes sugeriu ontem que os professores com horário zero podem ir assessorar juízes.
No Público (sem link)

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 21 outubro 16:11 | Comentários (18)

Não sentem que este silêncio é muito melhor do que o outro?

«Hara-Kiri político
José Sócrates só tem que estar calado e quieto, enquanto decorre o hara-kiri político deste Governo.»

Paulo Gorjão, 19-10-2004

«Silêncio mortal
Silêncio ensurcedor. Muito claramente, a cada hora que passa, Ferro Rodrigues revela que é apenas um actor secundário na crise que se desenrola.»

Paulo Gorjão, 20-06-2004

Ou seja, quando Ferro calava, Gorjão impacientava-se. Quando Sócrates não fala, Gorjão fica estarrecido com a genialidade de tal silêncio.
Quem Ferro mata, Sócrates bajula.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 21 outubro 16:03 | Comentários (21)

outubro 20, 2004

Parem as máquinas: a morte de um tubarão


Foto roubada ao at-tambur.

Morreu Ildo Lobo, um dos cantores mais importantes de Cabo Verde e o mais simbólico da sua geração. Falhou-lhe o grande coração com que cantava o Djonsinho Cabral, Alto Cutelo (um hino da emigração, que estou a ouvir neste preciso momento), Tema para Dois (um kola san jon frenético em estilo jazz afro-sound, que Fela Kuti não desdenharia assinar) ou aquela que faz arrepiar todos os que amam Cabo Verde, Nha Terra Escalabrode. Os meus pêsames a todos os amigos cabo-verdianos, porque esta notícia é certamente um choque para eles.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 20 outubro 22:33 | Comentários (17)

Fracos e cobardes


Foto: Paulo Novais / Lusa.

Estou neste momento a ver as imagens dos confrontos entre polícias e estudantes na Universidade de Coimbra. Já sei que muitos bloggers e comentadores se vão sentir vingados. Há anos que andam a pedir, com a caseirinha coragem que os caracteriza, que "as autoridades" pusessem cobro às ilegalidades nos protestos civis, de estudantes ou outros.

A polícia comunicou ao ministro que foi "uma normal operação de contenção", mas este diz que não sabe nada da utilização de gás pela polícia – que se vê claramente a ser utilizado, nas imagens da RTP, provavelmente pelos mesmos agentes à paisana que se vê metidos no meio da multidão a retirarem casse-tête extensivos da manga. Como é evidente, a acção da polícia será justificada como uma reacção à "turbulência" dos estudantes.

Por experiência própria nunca poderei partilhar dessa opinião. Estas coisas não acontecem, por via de regra, sem ordens de cima. Na primeira "guerra das propinas", em que participei activamente (e, nem seria preciso dizer, pacificamente) vi a polícia ter uma atitude de segurança pública numa primeira fase, e depois repressiva na fase decadente do cavaquismo. Isto independentemente das situações que confrontava: em 1992 um corte de uma rua era tratado de uma forma, em 1994 de outra; a ultrapassagem de barreiras em 92 dava origem a um cordão, em 94 resultava em porrada.

Com o novo governo as ordens mudaram. Não sei de onde vêm, mas mudaram. Viu-se com a ridícula detenção de um jovem que queimou a bandeira nacional numa manifestação anti-tourada. Viu-se com a detenção, ontem, de um jovem que estava sentado num corte de rua simbólico (o acesso à universidade fazia-se livremente por mais duas ou três ruas). E vamos vê-lo mais vezes, a não ser que as ordens mudem.

Este governo não quer entrar em colapso pelo ridículo apenas. Quer ser ridículo mas autoritário.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 20 outubro 22:06 | Comentários (133)

Avi Mograbi

De 24 a 31 de Outubro vai decorrer na Culturgest o 2° Doclisboa, festival internacional de cinema documental. Não vou poder ver, mas recomendo, para quem não conhece, os filmes de Avi Mograbi. Descobri este realizador israelita há uns meses num filme chamado "Agosto", que nos mostra um tórrido verão passado em Tel Aviv, auto-filmado em grande plano. Independente, egocêntrico e muito sarcástico, Mograbi é capaz de nos fazer perceber com pouquíssimos meios como a realidade da sociedade israelita que construímos a partir do que vemos na televisão é, para o bem e para o mal, extremamente pobre. Em Lisboa não passa "Agosto", mas passam três outros filmes de Mograbi: "Detail" (bem curtinho, dia 24), "How I learned to overcome my fear and love Ariel Sharon" (dia 27) e "Happy Birthday, Mr. Mograbi" (dia 29). Não percam. O programa completo está aqui.

Publicado por andrebelo em quarta-feira 20 outubro 21:19 | Comentários (2)

Isto está cada vez mais vermelho e menos encarnado

Grupo de sócios quer expulsar Vale e Azevedo do Benfica.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 20 outubro 20:51 | Comentários (5)

Já estes, é ao contrário

Comunistas vão eleger o próximo secretário-geral por voto secreto. Gostava de poder dizer de ciência segura que isto significa um aleluia!.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 20 outubro 20:50 | Comentários (3)

As noites loucas do bas fond hídrico

Se, esta ideia de se começar a pagar os copos de água pegar, os insultos de José Veiga e Luis Filipe Vieira no futuro passarão a ser assim:
- Ó meus amigos, eu sou um homem casado e pai de filhos. Não sou da laia desse senhor que só quer levar a água ao seu moinho e anda com estas e aquelas deslavadas. Eu não bebo nem pago copos de água. A minha vida é o trabalho. 'tou aqui para servir o Benfica e não para meter água. Um dia ainda vos hei-de contar umas histórias de quando eu acompanhava esse senhor e era só garrafões de Luso para as meninas.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 20 outubro 18:33 | Comentários (9)

Iraque: "um sucesso catastrófico"

Através de um artigo da Alexandra Prado Coelho no Público de hoje, cheguei a este artigo e mais este do correspondente militar do New York Times sobre os antecedentes e o rescaldo da intervenção no Iraque. Fazem parte de uma série de reportagens que depois sairão em livro, suponho que com título "Sucesso Catastrófico".

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 20 outubro 17:30 | Comentários (5)

Pelo menos já não é a única a ser pressionada

«A RTP vive finalmente liberta das pressões dos governos» Morais Sarmento

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 20 outubro 16:46 | Comentários (5)

O valor que esta gente dá à democracia

Morais Sarmento no Parlamento: «Alguns senhores que aqui se sentam impunemente não deviam sequer falar sobre a RTP e menos ainda para criticar a sua reestruração».

Os deputados não estão no Parlamento "impunemente". São eleitos para lá estar. E são eleitos para falar sobre todos os assuntos, queira ou não o senhor Morais Sarmento. Podemos não gostar do que dizem, mas não é nenhum ministro que os manda calar. Mesmo que tudo isto seja incompreensível para um governo que desconhece a legitimidade do voto.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 20 outubro 16:23 | Comentários (14)

Conselho de Ministros

Agenda da reunião do Conselho de Ministros: Grelha de Programação da RTP 1 para Quarta-Feira.

Morais Sarmento – Vemos então, caros colegas, preparar hoje a grelha de Quarta-Feira da RTP 1. Cada um faz as suas propostas.
Rui Gomes da Silva – Eu quero o Domingo Desportivo.
Santana dá calduço a Gomes da Silva
Santana Lopes – O Domingo Desportivo não pode ser à Quarta, ó Amélia.
Rui Gomes da Silva – Porquê?
Maria do Carmo Seabra – E se convidássemos gente gira, sei lá. Gente que se destacou em qualquer coisa, sei lá.
Morais Sarmento – Mas tem alguma ideia?
Maria do Carmo Seabra – Sei lá.
Paulo Portas – Devia ser uma coisa mais sóbria. Uma parada militar. Se há problemas com dinheiro, já tenho patrocinador: as pastilhas Gorila.
Santana Lopes – Seeeeeeca!!!
Bagão Félix – E porque não a repetição da Eucaristia Dominical.
Santana Lopes – Seeeeeeeca!!!
Bagão Félix – Pronto, ok, pode ser o Preço Certo em Euros.
Álvaro Barreto – As saudades que eu tenho da TV Rural.
Santana Lopes – Seeeeeeeca!!!
José Luís Arnaut – Os donos da Bola, pode ser os donos da Bola?
Santana Lopes – Não é mal pensado.
Morais Sarmento – Isso vai ser a segunda parte do telejornal, já está decidido.
Maria João Bustorff – Eu acho que podíamos ter um programa de entrevistas a pessoas da área da cultura. Aquele da Ana Sousa Dias, que dá no canal 2.
Santana Lopes (em segredo para Morais Sarmento) – Quem é esta freirinha?
Morais Sarmento (em segredo para Santana Lopes) – É a da cultura.
Santana Lopes (em segredo para Morais Sarmento) – uuuuui. E essa Sousa Dias? É nossa?
Morais Sarmento – Não sei. Ó Gomes, essa Sousa Dias é nossa?
Rui Gomes da Silva – Estou a ver isso aqui nos meus papeis. Pelo menos não está na lista de assessores. Mas ainda me faltam verificar 240.
António Mexia – O MacGyver é que era. Uma coisa cheia de explosões, estão a ver?
Luís Nobre Guedes – Posso ser eu o bom?
Álvaro Barreto – Tirem-me este gajo da frente.
Luís Nobre Guedes – Olha, olha, quem está mal muda-se. E se fosse um programinha de bricolage e arquitectura?
Rui Gomes da Silva – Por mim, continuo a achar que o melhor era o Domingo Desportivo.
Morais Sarmento – Ó Rui, vai lá abaixo comprar-nos uns cafés. E não fales com estranhos, por favor. Leva a Maria do Carmo.
Santana Lopes – Pessoal, o Sampaio está muito interessado nisto. Sabem que desde que se retirou da vida política que vê muita televisão. Por isso, vamos atinar
Morais Sarmento – Passamos alguma coisa à hora da tua sesta?
Risos
Santana Lopes – Engraçadinho! Tive uma ideia genial: vamos passar um programa que se chame “Contraditório”. Uma coisa com um gajo da oposição sempre disposto a engolir sapos. Podia ser o Sousa Tavares. E depois uns gajos que representassem a direita livre e independente. Podia ser o Luís Marinho, o que está na RDP, o Luís Delgado e o Carlos Magno. O que acham? É mortaaaaal, como dizia o outro.
Morais Sarmento – Já fiz isso na Antena 1.
Santana Lopes – Bolas! É que não consigo ter uma ideia. Estou com sono. Vou mesmo dormir uma sestinha.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 20 outubro 11:05 | Comentários (50)

outubro 19, 2004

Comunicado de imprensa

O assessor de imprensa do primeiro-ministro informa que, às 22.46, Pedro Santana Lopes está a ler telegramas das embaixadas e ainda não se deitou. Não se confirmam assim as acusações infundadas de que o primeiro-ministro estaria, a esta hora, a dormir.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 22:46 | Comentários (18)

Alguém me resolva esta charada

«As cabalas existem independentemente das vontades subjectivas de as realizar» Rui Gomes da Silva

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 20:35 | Comentários (30)

Parole, parole, parole

Souto Mora voltou a falar do caso Casa Pia. Não melhorou nada.
Gomes da Silva voltou a falar do caso Marcelo. Não melhorou nada.
A Direcção do Benfica voltou a falar do jogo de domingo. Não melhorou nada.
Alberto João Jardim voltou a falar. Não melhorou nada.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 19:11 | Comentários (13)

Então e nós, ó ingrato?

O ministro dos assuntos para lamentar diz que a TVI, o "Expresso" e o "Público" faziam parte de uma cabala contra o governo.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 17:11 | Comentários (35)

Alô alô Estado Providência

—Estava a telefonar para saber se está tudo bem...
—Tudo impecável. Os cidadãos estão tranquilos, nenhuma agitação parece poder vir a perturbar a coesão social nos próximos tempos.

[duas horas mais tarde]

—Alô alô Estado Providência. Como é que estamos?
—Já saí dos correios e vou agora apanhar o autocarro...
—Ok. Por aqui a situação não é dramática. Mas não te liberalizes muito agora nem permitas deslocalizações. Os cidadãos mais carenciados não aguentam muito mais tempo. Levá-los ao colo ainda adia formas de protesto mais radicais, mas já sabes como é, trata-se de um mero paliativo paternalista.
—Daqui a dez minutos o mais tardar estou aí.

Publicado por andrebelo em terça-feira 19 outubro 16:37 | Comentários (1)

A surpresa de Outubro

"The Beast is gone". Foi com estas palavras que se resumiu a notícia do momento. Tinham acabado três décadas de terror e fora abatido o fugitivo mais procurado. Da Índia. Não é o homem das cavernas, é o homem da selva. Não é o homem das barbas. É o homem do bigode assassino.

Publicado por ruitavares em terça-feira 19 outubro 12:41 | Comentários (2)

Primeira lição: Para haver uma democracia não bastam eleições

Alberto João Jardim diz que vai começar a limpeza por uma jornalista do “Diário de Notícias” das Madeira.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 12:38 | Comentários (8)

Tens de engordar

«Os senhores da oposição têm fotografias a quatro colunas e eu a duas colunas». Alberto João Jardim

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 12:36 | Comentários (4)

Junta-te ao Luís Delgado

«Eu sou censurado.» Alberto João Jardim

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 12:23 | Comentários (1)

Desmentido

O Barnabé desmente que alguma vez tenha dormido a sesta. O Barnabé é vigilante. O Barnabé nunca dorme.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 11:59 | Comentários (7)

Este Mundo estranho

Uma nova Lei, que o governo apresentou, permite que pessoas entre os 16 e os 18 anos comprem armas com autorização dos pais.
Uma nova Lei, que o governo vai apresentar, proíbe pessoas entre os 16 e os 18 anos de comprar tabaco.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 19 outubro 11:57 | Comentários (26)

Cinco seis sete Marias José Craveiro

Via DN e Blof chega-nos a notícia de que o gabinete do reitor da Universidade Católica foi penhorado. Decerto distraído na sua cruzada para afastar os jovens dos bares e discotecas, o magnífico reitor esqueceu-se de cumprir com o contrato de uma professora da instituição, justamente no momento em que ela começava a sua tese de doutoramento: primeiro começou a pagar-lhe à hora e depois despediu-a sem justa causa. A senhora não se ficou e o Tribunal do Trabalho deu-lhe toda a razão, atribuindo-lhe uma indemnização de cerca de 100 mil euros. A queixosa decidiu escolher para penhora o recheio do gabinete do reitor, incluíndo "os retratos a óleo dos antigos reitores (D. José Policarpo, José Bacelar e Isidro Alves) - pintados por Emília Nadal e Pinto Coelho - todo o mobiliário de escritório, peças orientais, figurinhas de terra cota, etc.". A penhora pode ser executada a qualquer momento.

O nome desta heroína da causa docente é Maria José Craveiro. Daqui lhe envio os meus parabéns. Enquanto professor "a recibo verde" e vítima do amadorismo das nossas universidades privadas, estou aqui a torcer para que o seu exemplo frutifique.

Publicado por ruitavares em terça-feira 19 outubro 06:21 | Comentários (10)

A obra-prima do disparate

Que seria de nós, na verdade, sem os professores da Católica? O negócio é o seguinte: nós contribuímos generosamente para uma instituição que cobra caro pelos seus serviços, foi e continua a ser protegida da concorrência. Em troca, recebemos uns cromos inestimáveis como Braga da Cruz, Mário Pinto ou César das Neves.

Na sua coluna de ontem no DN, por exemplo, João César das Neves mostra-se muito preocupado com a ascensão do populismo... em Espanha. Com medo de que não se sintam representados os eleitores... espanhóis. Indignado por ver que um demagogo chegou a primeiro-ministro... de Espanha. Mas ainda assim esperançoso em que o seu partido consiga fazer um estadista de... José Luis Zapatero.

César das Neves está tão preocupado com Espanha que chega a sugerir que o país possa cair numa nova guerra civil. E isso porque a Igreja Católica espanhola "está a ser perseguida", o que, aliás, "sempre tem tido boas consequências para a fé... tempos difíceis afirmam o fervor e avançam a evangelização". Diz César das Neves que não é um problema de legitimidade de Zapatero, mas "que o seu cargo também lhe dá poder e legitimidade para deitar fogo ao Museu do Prado", uma barbaridade equivalente às barbaridades que verbera César das Neves sem nunca nos dizer exactamente quais são, mas que se imagina que sejam as decisões do governo espanhol acabar com a obrigatoriedade das aulas de religião e aceitar o casamento homossexual.

Nota para João César das Neves: em Espanha, tal como outrora em Portugal, quando há eleições os partidos apresentam programas. O partido que ganha deve cumprir com o seu programa, que foi validado pela maioria dos eleitores. No programa do PSOE não estava deitar fogo ao Museu do Prado (eram capazes, sei lá, de ter perdido), mas estava legalizar as uniões homossexuais e desobrigar os alunos de terem aulas de religião. Promessas com que – sabe-se lá como – ganharam. E agora – esta é a parte chocante, eu sei – estão a cumprir as promessas.

Nota: gostaria muito de fazer link para o dito artigo. Mas acontece que o DN, que até cobra pelo seu conteúdo na net (pertence aos exclusivos da Sapo, que também pertence à PT Lusomundo) dá-se ao luxo de estar dias e dias sem colocar nada no seu sítio. Eu, como grande idiota que sou, pago a conta da Sapo que me dá direito a ler o DN na net. Mas o DN não me dá nada para eu ler. Como dizia o Nona, figura saudosa da terra dos meus pais, "isto negócios a perder estão sempre feitos".

Publicado por ruitavares em terça-feira 19 outubro 05:57 | Comentários (17)

outubro 18, 2004

Páginas que se fecham

A Inês acabou com o My Moleskine. Tenho pena.

Publicado por celsomartins em segunda-feira 18 outubro 21:34 | Comentários (1)

No mundo de Luís Delgado

Veja abaixo o lancinante apelo que o Celso lançou, em nome do Barnabé, para que não calem o presidente executivo da Lusomundo Media, secundando o manifesto que do cárcere escreveu o próprio.
Publicado por ruitavares em segunda-feira 18 outubro 20:23 | Comentários (6)

Na República do Futebol

Pedro Santana Lopes: Queria aqui dizer que a mulher do senhor José Sócrates anda aqui a provocar o pessoal. É uma galdéria!
José Sócrates: Eu queria aqui dizer que o senhor Santana Lopes, ou lá o que se chama ele, não vale um tremoço ao pé do Durão Barroso, que era um grande primeiro-ministro. Este gajo nem homem é.
PSL: Eu queria aqui dizer que afinal ela não é mulher dele, é namorada.
JS: E quero reafirmar que não vai haver problemas nenhuns de segurança, apesar de termos espalhado militantes do PS por todo o congresso do PSD. Vai ser tudo normal, hihihi.
PSL: Cala a boca, ó seu ranhoso. Deves ter dado champanhe à Comissão Nacional de Eleições.
JS: Champanhe, estás muito nervoso com o champanhe ó meu macaco.
PSL: Desliguem-me o microfone a este rinoceronte.
JS: Olha, vai dar banho ao cão.

Se este debate acontecesse, algum destes dirigentes políticos sobrevivia?
Porque é que sobrevivem no futebol?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 19:05 | Comentários (26)

Exclusivo: a natureza humana existe, ela está em minha casa e não lê JMF

São péssimas notícias para os cruzados anti-preguiça: um estudo intensivo do comportamento do recém-nascido prova que aquilo que o ser humano realmente quer é mamar, dormir e satisfazer outras necessidades básicas. O despudor intenso com que o faz (expressões orgiásticas após overdoses lácteas, ruídos escatológicos em público) sublinha este hedonismo de forma praticamente insustentável. Inquieto, perguntei a uma amiga com uma filha já maiorzita (vai fazer um ano) se a dela já dava sinais de algum apego à construção, à produção, ao empreendimento, ao velho e são "enriqueçam pela poupança e pelo trabalho". Népias. Aliás, a coisa só parece piorar: a filha desta amiga usa o corpo já mais crescidote para destruir o que lhe aparece pela frente. Daqui retiram-se conclusões muito tristes sobre o funcionamento das sociedades. Não serve de desculpa (compreender não é aceitar), mas o tecido empresarial português que continua agarrado à teta do estado tem apenas uma vontade mal reprimida de regressar ao útero da mãe. Mesmo quando já não tem fome, continua a querer mamar.

Publicado por andrebelo em segunda-feira 18 outubro 18:45 | Comentários (8)

Liberdade para Luís Delgado

«Será que um dia Portugal deixará de condenar as pessoas só por terem esta ou aquela posição, que podendo não ser maioritária, exige respeito?» Luís Delgado, Diário Digital, 17-10-04
Pesa hoje na consciência de todos os democratas portugueses a inaceitável situação de privação de liberdade e ostracismo em que se encontra Luís Delgado. Daqui fazemos um apelo lancinante para que o presidente da Lusomundo Media, a quem, pelos vistos, foram retiradas quaisquer canais de emissão da sua respeitável opinião, possa voltar ao nosso convívio.

Publicado por celsomartins em segunda-feira 18 outubro 18:20 | Comentários (3)

Os jornais e as eleições americanas

O Pedro já falou aqui do apoio do New York Times a Kerry. Vai então aqui o relatório de apoios, num hábito que me parece saudável: Por Kerry estão 30 jornais, entre os quais o Boston Globe, o Kansas City Star, o San Francisco Chronicle, o Star Tribune do Minnesota, o Sun Sentinel da Florida, o Dayton Daily News do Ohio e o Miami Herald. Por George W. Bush estão 17, entre os quais o Chicago Tribune, Repository do Ohio e San Antonio News do Texas.O problema é outro: a Fox News continua a contar mais e é menos dada a pruridos deontológicos.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 15:46 | Comentários (11)

O lado positivo

Nas suas declarações públicas, Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa desceram ao nível do mais rasteiro de um Big Brother. Vejamos as coisas pelo lado positivo: os dirigentes desportivos são um elemento fundamental na dignificação da classe política. O mais boçal dos dirigentes políticos parece um estadista ao pé desta gente.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 14:22 | Comentários (51)

Benfica-Porto

Como sportinguista, só posso dizer que gostei muito de ver os jogadores do Porto a trabalhar. Sobretudo aqueles que estavam vestidos de preto.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 11:46 | Comentários (36)

Paralelo

O PS ganhou as eleições regionais. Seguindo aquilo que lhe parecia normal para Ferro, espero que Sócrates já esteja a fazer as malas.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 10:48 | Comentários (23)

Com algumas pessoas não há como ter esperança

Alberto João Jardim:
«Nada será como antes. O PSD cometeu alguns exageros,...

Neste momento o País pensou estar a assistir a um arrebatamento moral Alberto João. Havia esperança na humanidade.

...houve alguma benevolência e excesso de educação.»

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 18 outubro 10:45 | Comentários (3)

Os ventos das ilhas

Boas notícias nas eleições das regiões autónomas. Na Madeira, apesar da já esperada maioria absoluta do PSD/Madeira, existem razões para acreditar que uma alternativa a Alberto João Jardim se tenha tornado um pouco mais credível. O PS de Jacinto Serrão subiu sete por cento e o resto da esquerda aguentou. O PP foi o perdedor. A estabilidade e crescimento na oposição vai fazer com que um dia (esperemos que cedo) os madeirenses se preparem para dar a sua confiança a outra gente. Jardim teve uma maioria absoluta, mas com muita abstenção (de que já culpou, adivinhem, a imprensa) e com menor percentagem do que Carlos César nos Açores.

Neste outro arquipélago a derrota da coligação PSD/PP foi copiosa e já levou à demissão de Vítor Cruz. Os dois partidos tiveram menos votos juntos do que antes tinham tido separados. Já não é a primeira vez que acontece e estou cheio de curiosidade para ver como conseguirá esta coligação arranjar pretextos para concorrer junta às próximas eleições. O PS de Carlos César – que está longe de ser o meu político favorito – vai ter uma maioria absoluta de quase 60 por cento. Só foi pena que o histórico deputado do PCP, José Decq Mota, tenha perdido o seu mandato, e que o BE se tenha ficado por apenas um ponto percentual. O parlamento açoriano terá menos diversidade, mas o povo decidiu assim e está decidido.

Entretanto, há que dizer que é tocante saber que Carlos César não se esqueceu de Pedro Santana Lopes no seu discurso de vitória:

“Queria enviar uma saudação especial ao primeiro-ministro, dizer-lhe que é verdade que ele se excedeu, que se envolveu demais, que é um dos derrotados, mas como presidente do Governo ele é o meu primeiro-ministro, enquanto não houver outro”

Bonito, não é?

Publicado por ruitavares em segunda-feira 18 outubro 01:15 | Comentários (23)

outubro 17, 2004

A tradição ainda é o que era

O New York Times publica hoje um editorial declarando o seu apoio a John Kerry. Para ser mais exacto, o NYT declara "entusiasticamente" o seu apoio ao candidato John Kerry. O acesso ao site é gratuito, mas podem ler o texto aqui em baixo.

New York Times

October 17, 2004
John Kerry for President

Senator John Kerry goes toward the election with a base that is built more on opposition to George W. Bush than loyalty to his own candidacy. But over the last year we have come to know Mr. Kerry as more than just an alternative to the status quo. We like what we've seen. He has qualities that could be the basis for a great chief executive, not just a modest improvement on the incumbent.

We have been impressed with Mr. Kerry's wide knowledge and clear thinking - something that became more apparent once he was reined in by that two-minute debate light. He is blessedly willing to re-evaluate decisions when conditions change. And while Mr. Kerry's service in Vietnam was first over-promoted and then over-pilloried, his entire life has been devoted to public service, from the war to a series of elected offices. He strikes us, above all, as a man with a strong moral core.

There is no denying that this race is mainly about Mr. Bush's disastrous tenure. Nearly four years ago, after the Supreme Court awarded him the presidency, Mr. Bush came into office amid popular expectation that he would acknowledge his lack of a mandate by sticking close to the center. Instead, he turned the government over to the radical right.

Mr. Bush installed John Ashcroft, a favorite of the far right with a history of insensitivity to civil liberties, as attorney general. He sent the Senate one ideological, activist judicial nominee after another. He moved quickly to implement a far-reaching anti-choice agenda including censorship of government Web sites and a clampdown on embryonic stem cell research. He threw the government's weight against efforts by the University of Michigan to give minority students an edge in admission, as it did for students from rural areas or the offspring of alumni.

When the nation fell into recession, the president remained fixated not on generating jobs but rather on fighting the right wing's war against taxing the wealthy. As a result, money that could have been used to strengthen Social Security evaporated, as did the chance to provide adequate funding for programs the president himself had backed. No Child Left Behind, his signature domestic program, imposed higher standards on local school systems without providing enough money to meet them.

If Mr. Bush had wanted to make a mark on an issue on which Republicans and Democrats have long made common cause, he could have picked the environment. Christie Whitman, the former New Jersey governor chosen to run the Environmental Protection Agency, came from that bipartisan tradition. Yet she left after three years of futile struggle against the ideologues and industry lobbyists Mr. Bush and Vice President Dick Cheney had installed in every other important environmental post. The result has been a systematic weakening of regulatory safeguards across the entire spectrum of environmental issues, from clean air to wilderness protection.

The president who lost the popular vote got a real mandate on Sept. 11, 2001. With the grieving country united behind him, Mr. Bush had an unparalleled opportunity to ask for almost any shared sacrifice. The only limit was his imagination.

He asked for another tax cut and the war against Iraq.

The president's refusal to drop his tax-cutting agenda when the nation was gearing up for war is perhaps the most shocking example of his inability to change his priorities in the face of drastically altered circumstances. Mr. Bush did not just starve the government of the money it needed for his own education initiative or the Medicare drug bill. He also made tax cuts a higher priority than doing what was needed for America's security; 90 percent of the cargo unloaded every day in the nation's ports still goes uninspected.

Along with the invasion of Afghanistan, which had near unanimous international and domestic support, Mr. Bush and his attorney general put in place a strategy for a domestic antiterror war that had all the hallmarks of the administration's normal method of doing business: a Nixonian obsession with secrecy, disrespect for civil liberties and inept management.

American citizens were detained for long periods without access to lawyers or family members. Immigrants were rounded up and forced to languish in what the Justice Department's own inspector general found were often "unduly harsh" conditions. Men captured in the Afghan war were held incommunicado with no right to challenge their confinement. The Justice Department became a cheerleader for skirting decades-old international laws and treaties forbidding the brutal treatment of prisoners taken during wartime.

Mr. Ashcroft appeared on TV time and again to announce sensational arrests of people who turned out to be either innocent, harmless braggarts or extremely low-level sympathizers of Osama bin Laden who, while perhaps wishing to do something terrible, lacked the means. The Justice Department cannot claim one major successful terrorism prosecution, and has squandered much of the trust and patience the American people freely gave in 2001. Other nations, perceiving that the vast bulk of the prisoners held for so long at Guantánamo Bay came from the same line of ineffectual incompetents or unlucky innocents, and seeing the awful photographs from the Abu Ghraib prison in Baghdad, were shocked that the nation that was supposed to be setting the world standard for human rights could behave that way.

Like the tax cuts, Mr. Bush's obsession with Saddam Hussein seemed closer to zealotry than mere policy. He sold the war to the American people, and to Congress, as an antiterrorist campaign even though Iraq had no known working relationship with Al Qaeda. His most frightening allegation was that Saddam Hussein was close to getting nuclear weapons. It was based on two pieces of evidence. One was a story about attempts to purchase critical materials from Niger, and it was the product of rumor and forgery. The other evidence, the purchase of aluminum tubes that the administration said were meant for a nuclear centrifuge, was concocted by one low-level analyst and had been thoroughly debunked by administration investigators and international vetting. Top members of the administration knew this, but the selling went on anyway. None of the president's chief advisers have ever been held accountable for their misrepresentations to the American people or for their mismanagement of the war that followed.

The international outrage over the American invasion is now joined by a sense of disdain for the incompetence of the effort. Moderate Arab leaders who have attempted to introduce a modicum of democracy are tainted by their connection to an administration that is now radioactive in the Muslim world. Heads of rogue states, including Iran and North Korea, have been taught decisively that the best protection against a pre-emptive American strike is to acquire nuclear weapons themselves.

We have specific fears about what would happen in a second Bush term, particularly regarding the Supreme Court. The record so far gives us plenty of cause for worry. Thanks to Mr. Bush, Jay Bybee, the author of an infamous Justice Department memo justifying the use of torture as an interrogation technique, is now a federal appeals court judge. Another Bush selection, J. Leon Holmes, a federal judge in Arkansas, has written that wives must be subordinate to their husbands and compared abortion rights activists to Nazis.

Mr. Bush remains enamored of tax cuts but he has never stopped Republican lawmakers from passing massive spending, even for projects he dislikes, like increased farm aid.

If he wins re-election, domestic and foreign financial markets will know the fiscal recklessness will continue. Along with record trade imbalances, that increases the chances of a financial crisis, like an uncontrolled decline of the dollar, and higher long-term interest rates.

The Bush White House has always given us the worst aspects of the American right without any of the advantages. We get the radical goals but not the efficient management. The Department of Education's handling of the No Child Left Behind Act has been heavily politicized and inept. The Department of Homeland Security is famous for its useless alerts and its inability to distribute antiterrorism aid according to actual threats. Without providing enough troops to properly secure Iraq, the administration has managed to so strain the resources of our armed forces that the nation is unprepared to respond to a crisis anywhere else in the world.

Mr. Kerry has the capacity to do far, far better. He has a willingness - sorely missing in Washington these days - to reach across the aisle. We are relieved that he is a strong defender of civil rights, that he would remove unnecessary restrictions on stem cell research and that he understands the concept of separation of church and state. We appreciate his sensible plan to provide health coverage for most of the people who currently do without.

Mr. Kerry has an aggressive and in some cases innovative package of ideas about energy, aimed at addressing global warming and oil dependency. He is a longtime advocate of deficit reduction. In the Senate, he worked with John McCain in restoring relations between the United States and Vietnam, and led investigations of the way the international financial system has been gamed to permit the laundering of drug and terror money. He has always understood that America's appropriate role in world affairs is as leader of a willing community of nations, not in my-way-or-the-highway domination.

We look back on the past four years with hearts nearly breaking, both for the lives unnecessarily lost and for the opportunities so casually wasted. Time and again, history invited George W. Bush to play a heroic role, and time and again he chose the wrong course. We believe that with John Kerry as president, the nation will do better.

Voting for president is a leap of faith. A candidate can explain his positions in minute detail and wind up governing with a hostile Congress that refuses to let him deliver. A disaster can upend the best-laid plans. All citizens can do is mix guesswork and hope, examining what the candidates have done in the past, their apparent priorities and their general character. It's on those three grounds that we enthusiastically endorse John Kerry for president.

Publicado por pedrooliveira em domingo 17 outubro 23:01 | Comentários (20)

Stewart no Crossfire

Jon Stewart, apresentador e autor de "The Daily Show" e meu herói, foi ao “Crossfire”, o conhecido programa da CNN (copie ficheiro Quick Time Movie). Desfez o programa e o tipo de jornalismo que ali se faz. A entrevista gerou uma enorme polémica nos Estados Unidos. Em baixo, a transcrição completa da entrevista.

BEGALA: Welcome back to CROSSFIRE. As both of our loyal viewers, of course, know, our show is about all left vs. white, black vs. white, paper vs. plastic, Red Sox against the Yankees. That's why every day, we have two guests with their own unique perspective on the news. But today, CROSSFIRE is very difficult. We have just one guest. He's either the funniest smart guy on TV or the smartest funnyman. We'll find out which in a minute. But he's certainly an Emmy Award winner, the host of Comedy Central's "Daily Show" and the co-author of the new mega best-seller "America (The Book): A Citizen's Guide to Democracy Inaction," at your bookstores everywhere. Ladies and gentlemen, welcome to the CROSSFIRE Jon Stewart.

STEWART: Thank you.

CARLSON: Thank you for joining us.

STEWART: Thank you very much. That was very kind of you to say. Can I say something very quickly? Why do we have to fight? The two of you? Can't we just -- say something nice about John Kerry right now.

CARLSON: I like John. I care about John Kerry.

STEWART: And something about President Bush.

BEGALA: He'll be unemployed soon? I failed the test. I'm sorry.

CARLSON: See, I made the effort anyway.

BEGALA: No, actually, I knew Bush in Texas a little bit. And the truth is, he's actually a great guy. He's not a very good president. But he's actually a very good person. I don't think you should have to hate to oppose somebody, but it makes it easier.

STEWART: Why do you argue, the two of you? I hate to see it.

CARLSON: We enjoy it.

STEWART: Let me ask you a question.

CARLSON: Well, let me ask you a question first.

STEWART: All right.

CARLSON: Is John Kerry -- is John Kerry really the best? I mean, John Kerry has...

STEWART: Is he the best? I thought Lincoln was good.

CARLSON: Is he the best the Democrats can do?

STEWART: Is he the best the Democrats can do?

CARLSON: Yes, this year of the whole field.

STEWART: I had always thought, in a democracy -- and, again, I don't know -- I've only lived in this country -- that there's a process. They call them primaries.

CARLSON: Right.

STEWART: And they don't always go with the best, but they go with whoever won. So is he the best? According to the process.

CARLSON: Right. But of the nine guys running, who do you think was best. Do you think he was the best, the most impressive?

STEWART: The most impressive?

CARLSON: Yes.

STEWART: I thought Al Sharpton was very impressive. I enjoyed his way of speaking. I think, oftentimes, the person that knows they can't win is allowed to speak the most freely, because, otherwise, shows with titles, such as CROSSFIRE.

BEGALA: CROSSFIRE.

STEWART: Or "HARDBALL" or "I'm Going to Kick Your Ass" or... Will jump on it. In many ways, it's funny. And I made a special effort to come on the show today, because I have privately, amongst my friends and also in occasional newspapers and television shows, mentioned this show as being bad.

BEGALA: We have noticed.

STEWART: And I wanted to -- I felt that that wasn't fair and I should come here and tell you that I don't -- it's not so much that it's bad, as it's hurting America.

CARLSON: But in its defense...

STEWART: So I wanted to come here today and say... Here's just what I wanted to tell you guys.

CARLSON: Yes.

STEWART: Stop. Stop, stop, stop, stop hurting America.

BEGALA: OK. Now

STEWART: And come work for us, because we, as the people...

CARLSON: How do you pay?

STEWART: The people -- not well.

BEGALA: Better than CNN, I'm sure.

STEWART: But you can sleep at night. See, the thing is, we need your help. Right now, you're helping the politicians and the corporations. And we're left out there to mow our lawns.

BEGALA: By beating up on them? You just said we're too rough on them when they make mistakes.

STEWART: No, no, no, you're not too rough on them. You're part of their strategies. You are partisan, what do you call it, hacks.

CARLSON: Wait, Jon, let me tell you something valuable that I think we do that I'd like to see you...

STEWART: Something valuable?

CARLSON: Yes.

STEWART: I would like to hear it.

CARLSON: And I'll tell you.When politicians come on...

STEWART: Yes.

CARLSON: It's nice to get them to try and answer the question. And in order to do that, we try and ask them pointed questions. I want to contrast our questions with some questions you asked John Kerry recently... up on the screen.

STEWART: If you want to compare your show to a comedy show, you're more than welcome to.

CARLSON: No, no, no, here's the point.

STEWART: If that's your goal.

CARLSON: It's not.

STEWART: I wouldn't aim for us. I'd aim for "Seinfeld." That's a very good show.

CARLSON: Kerry won't come on this show. He will come on your show.

STEWART: Right.

CARLSON: Let me suggest why he wants to come on your show.

STEWART: Well, we have civilized discourse.

CARLSON: Well, here's an example of the civilized discourse. Here are three of the questions you asked John Kerry.

STEWART: Yes.

CARLSON: You have a chance to interview the Democratic nominee. You asked him questions such as -- quote -- "How are you holding up? Is it hard not to take the attacks personally?"

STEWART: Yes.

CARLSON: "Have you ever flip-flopped?" et cetera, et cetera.

STEWART: Yes.

CARLSON: Didn't you feel like -- you got the chance to interview the guy. Why not ask him a real question, instead of just suck up to him?

STEWART: Yes. "How are you holding up?" is a real suck-up. And I actually giving him a hot stone massage as we were doing it.

CARLSON: It sounded that way. It did.

STEWART: You know, it's interesting to hear you talk about my responsibility.

CARLSON: I felt the sparks between you.

STEWART: I didn't realize that -- and maybe this explains quite a bit.

CARLSON: No, the opportunity to...

STEWART: ... is that the news organizations look to Comedy Central for their cues on integrity. So what I would suggest is, when you talk about you're holding politicians' feet to fire, I think that's disingenuous. I think you're...

CARLSON: "How are you holding up?" I mean, come on.

STEWART: No, no, no. But my role isn't, I don't think...

CARLSON: But you can ask him a real question, don't you think, instead of saying...

STEWART: I don't think I have to. By the way, I also asked him, "Were you in Cambodia?" But I didn't really care. Because I don't care, because I think it's stupid.

CARLSON: I can tell.

STEWART: But my point is this. If your idea of confronting me is that I don't ask hard-hitting enough news questions, we're in bad shape, fellows.

CARLSON: We're here to love you, not confront you. We're here to be nice.

STEWART: No, no, no, but what I'm saying is this. I'm not. I'm here to confront you, because we need help from the media and they're hurting us. And it's -- the idea is...

BEGALA: Let me get this straight. If the indictment is -- if the indictment is -- and I have seen you say this -- that...

STEWART: Yes.

BEGALA: And that CROSSFIRE reduces everything, as I said in the intro, to left, right, black, white.

STEWART: Yes.

BEGALA: Well, it's because, see, we're a debate show.

STEWART: No, no, no, no, that would be great.

BEGALA: It's like saying The Weather Channel reduces everything to a storm front.

STEWART: I would love to see a debate show.

BEGALA: We're 30 minutes in a 24-hour day where we have each side on, as best we can get them, and have them fight it out.

STEWART: No, no, no, no, that would be great. To do a debate would be great. But that's like saying pro wrestling is a show about athletic competition.

CARLSON: Jon, Jon, Jon, I'm sorry. I think you're a good comedian. I think your lectures are boring.

STEWART: Yes.

CARLSON: Let me ask you a question on the news.

STEWART: Now, this is theater. It's obvious. How old are you?

CARLSON: Thirty-five.

STEWART: And you wear a bow tie.

CARLSON: Yes, I do. I do.

STEWART: So this is...

CARLSON: I know. I know. I know. You're a...

STEWART: So this is theater.

CARLSON: Now, let me just... Now, come on.

STEWART: Now, listen, I'm not suggesting that you're not a smart guy, because those are not easy to tie.

CARLSON: They're difficult.

STEWART: But the thing is that this -- you're doing theater, when you should be doing debate, which would be great.

BEGALA: We do, do...

STEWART: It's not honest. What you do is not honest. What you do is partisan hackery. And I will tell you why I know it.

CARLSON: You had John Kerry on your show and you sniff his throne and you're accusing us of partisan hackery?

STEWART: Absolutely.

CARLSON: You've got to be kidding me. He comes on and you...

STEWART: You're on CNN. The show that leads into me is puppets making crank phone calls. What is wrong with you?

CARLSON: Well, I'm just saying, there's no reason for you -- when you have this marvelous opportunity not to be the guy's butt boy, to go ahead and be his butt boy. Come on. It's embarrassing.

STEWART: I was absolutely his butt boy. I was so far -- you would not believe what he ate two weeks ago. You know, the interesting thing I have is, you have a responsibility to the public discourse, and you fail miserably.

CARLSON: You need to get a job at a journalism school, I think.

STEWART: You need to go to one. The thing that I want to say is, when you have people on for just knee-jerk, reactionary talk...

CARLSON: Wait. I thought you were going to be funny. Come on. Be funny.

STEWART: No. No. I'm not going to be your monkey.

BEGALA: Go ahead. Go ahead.

STEWART: I watch your show every day. And it kills me.

CARLSON: I can tell you love it.

STEWART: It's so -- oh, it's so painful to watch.You know, because we need what you do. This is such a great opportunity you have here to actually get politicians off of their marketing and strategy.

CARLSON: Is this really Jon Stewart? What is this, anyway?

STEWART: Yes, it's someone who watches your show and cannot take it anymore. I just can't.

CARLSON: What's it like to have dinner with you? It must be excruciating. Do you like lecture people like this or do you come over to their house and sit and lecture them; they're not doing the right thing, that they're missing their opportunities, evading their responsibilities?

STEWART: If I think they are.

CARLSON: I wouldn't want to eat with you, man. That's horrible.

STEWART: I know. And you won't. But the thing I want to get to...

BEGALA: We did promise naked pictures of the Supreme Court justices.

CARLSON: Yes, we did. Let's get to those.

BEGALA: They're in this book, which is a very funny book.

STEWART: Why can't we just talk -- please, I beg of you guys, please.

CARLSON: I think you watch too much CROSSFIRE. We're going to take a quick break.

STEWART: No, no, no, please.

CARLSON: No, no, hold on. We've got commercials.

STEWART: Please. Please stop.

CARLSON: Next, Jon Stewart in the "Rapid Fire."

STEWART: Please stop.

CARLSON: Hopefully, he'll be here, we hope, we think. And then, did U.S. soldiers refuse an order in Iraq. Wolf Blitzer has the latest on this investigation right after the break.

(COMMERCIAL BREAK)

CARLSON: Welcome back to CROSSFIRE. We're talking to Jon Stewart, who was just lecturing us on our moral inferiority. Jon, you're bumming us out. Tell us, what do you think about the Bill O'Reilly vibrator story?

STEWART: I'm sorry. I don't.

CARLSON: Oh, OK.

STEWART: What do you think?

BEGALA: Let me change the subject.

STEWART: Where's your moral outrage on this?

CARLSON: I don't have any.

STEWART: I know.

BEGALA: Which candidate do you suppose would provide you better material?

STEWART: I'm sorry?

BEGALA: Which candidate do you suppose would provide you better material if he won?

STEWART: Mr. T. I think he'd be the funniest. I don't...

BEGALA: Don't you have a stake in it that way, as not just a citizen, but as a professional comic?

STEWART: Right, which I hold to be much more important than as a citizen.

BEGALA: Well, there you go.

BEGALA: But who would you provide you better material, do you suppose?

STEWART: I don't really know. That's kind of not how we look at it. We look at, the absurdity of the system provides us the most material. And that is best served by sort of the theater of it all, you know, which, by the way, thank you both, because it's been helpful.

CARLSON: But, if Kerry gets elected, is it going to -- you have said you're voting for him. You obviously support him. It's clear. Will it be harder for you to mock his administration if he becomes president?

STEWART: No. Why would it be harder?

CARLSON: Because you support...

STEWART: The only way it would be harder is if his administration is less absurd than this one. So, in that case, if it's less absurd, then, yes, I think it would be harder. But, I mean, it would be hard to top this group, quite frankly. In terms of absurdity and their world matching up to the one that -- you know, it was interesting. President Bush was saying, John Kerry's rhetoric doesn't match his record. But I've heard President Bush describe his record. His record doesn't match his record. So I don't worry about it in that respect. But let me ask you guys, again, a question, because we talked a little bit about, you're actually doing honest debate and all that. But, after the debates, where do you guys head to right afterwards?

CARLSON: The men's room.

STEWART: Right after that?

BEGALA: Home.

STEWART: Spin alley.

BEGALA: Home.

STEWART: No, spin alley.

BEGALA: What are you talking about? You mean at these debates?

STEWART: Yes. You go to spin alley, the place called spin alley. Now, don't you think that, for people watching at home, that's kind of a drag, that you're literally walking to a place called deception lane? Like, it's spin alley. It's -- don't you see, that's the issue I'm trying to talk to you guys...

BEGALA: No, I actually believe -- I have a lot of friends who work for President Bush. I went to college with some of them.

CARLSON: Neither of us was ever in the spin room, actually.

BEGALA: No, I did -- I went to do the Larry King show. They actually believe what they're saying. They want to persuade you. That's what they're trying to do by spinning. But I don't doubt for a minute these people who work for President Bush, who I disagree with on everything, they believe that stuff, Jon. This is not a lie or a deception at all. They believe in him, just like I believe in my guy.

STEWART: I think they believe President Bush would do a better job. And I believe the Kerry guys believe President Kerry would do a better job. But what I believe is, they're not making honest arguments. So what they're doing is, in their mind, the ends justify the means.

BEGALA: I don't think so at all.

CARLSON: I do think you're more fun on your show. Just my opinion.OK, up next, Jon Stewart goes one on one with his fans...

STEWART: You know what's interesting, though? You're as big a dick on your show as you are on any show.

CARLSON: Now, you're getting into it. I like that.

STEWART: Yes.

CARLSON: OK. We'll be right back.

(COMMERCIAL BREAK)

BEGALA: Welcome back to CROSSFIRE. We are joined by Comedy Central's Jon Stewart, host of "The Daily Show" and author of No. 1 bestseller, "America (The Book): A Citizen's Guide to Democracy Inaction."

CARLSON: And a ton of fun, I like that too.

BEGALA: Some questions from our audience. Yes sir, what's your name, what's your name?

QUESTION: Hi, my name's David. I'm from Boston.

STEWART: Hi, David.

QUESTION: My question is, what do you think the hump on G.W.'s back during the debate was?

STEWART: Say it again?

QUESTION: What do you think the hump on George's back during the debate was?

STEWART: The hump on his back?

BEGALA: Oh, you're familiar? This is (INAUDIBLE) conspiracy theory. Can I take this one?

STEWART: Yes, please.

BEGALA: It was nothing, his suit was puckering. A lot of people believe he had one of these in his ear. If he was being fed lines by Karl Rove, he would not have been so inarticulate, guys. It's a myth. It's not true. There's this huge myth out on the left. Yes, ma'am.

QUESTION: Renee (ph) from Texas. Why do you think it's hard or difficult or impossible for politicians to answer a straight, simple question?

STEWART: I don't think it's hard. I just think that nobody holds their feet to the fire to do it. So they don't have to. They get to come on shows that don't...

BEGALA: They're too easy on them.

CARLSON: Yes. Ask them how you hold...

STEWART: Not easy on them...

BEGALA: ... saying we were too hard on people and too (INAUDIBLE).

STEWART: I think you're - yes.

CARLSON: All right. Jon Stewart, come back soon.

BEGALA: Jon Stewart, good of you to join us. Thank you very much. The book is "America: A Citizen's Guide to Democracy Inaction." From the left I am Paul Begala, that's it for CROSSFIRE.

CARLSON: And from the right I'm Tucker Carlson, have a great weekend. See you Monday.

Publicado por danieloliveira em domingo 17 outubro 14:57 | Comentários (21)

O outono em Paris

Os patos no jardim das Buttes-Chaumont

Publicado por andrebelo em domingo 17 outubro 14:30 | Comentários (7)

outubro 16, 2004

O Partido da Vanguarda

Havia um partido que escolhia, através do seu Conselho Nacional, o primeiro-ministro do País. Nesse partido, não era o Congresso que escolhia o seu Presidente. Nesse partido, quando se organizavam congressos, os dissidentes não conseguiam votar. Esse partido conseguia afastar os seus militantes mais descontentes de órgãos de comunicação social. Não, esse partido não se chamava PCUS.

Publicado por danieloliveira em sábado 16 outubro 23:36 | Comentários (36)

O PSD contratou a Compta?

Manuela Ferreira Leite não está nas listas de militantes do PSD.

Publicado por danieloliveira em sábado 16 outubro 23:32 | Comentários (4)

Eu não tenho culpa que o presidente me tenha nomeado primeiro-ministro

«Presidente sugere a Santana Lopes que não invente 'desculpas'.», in Público.

Publicado por ruitavares em sábado 16 outubro 22:21 | Comentários (8)

Quando falta a nostalgia do presente

Estreou “Before Sunset”. Um reencontro, nove anos depois de uma noite que marcou as memórias da vida de dois jovens. Durante mais de uma hora, um americano e uma francesa, agora já trintões, passeiam por Paris e tentam adiar a segunda despedida. Falam de casamentos falhados sem nunca sabermos se são realmente falhados ou se apenas tentam apagar o presente para recuperar a sua memória, no exacto momento em que a vão de novo abandonar. Sabemos que dificilmente terá sido assim tão forte. Assim como a nossa juventude quase nunca foi tão boa como a lembramos. Mas para eles, naquele momento, foi. Porque as memórias nos traem quando as revisitamos. A única memória que não é romântica é a do presente. E só dessa se faz o amor. A memória só nos enche de alegria se o presente nos deixa vazio. Porque precisamos sempre de alguma coisa. E se essa coisa for uma noite, há nove anos, tudo se apaga perante ela.

Pode sempre dar-se o caso – acontece algumas vezes nas nossas vidas – do que está agora a acontecer nos encher agora mesmo. A nostalgia do presente, é isso a paixão. Mas “Before Sunset” não é sobre a paixão. É sobre as saudades do que nunca se viveu. Ao contrário de “Lost in Translation” (não consegui parar de pensar nele), “Before Sunset” não é sobre o que poderia ter sido um encontro. É sobre o que nunca poderia ter sido.

É bastante provável que, para o autor, o filme não seja sobre nada disto. Talvez seja tudo bem mais cínico: talvez seja só sobre o crescimento e a incapacidade de voltar a amar sem condições. Seria uma pena, porque seria uma mentira. É por poder ser visto de milhares de maneiras que “Before Sunset” é um excelente filme.

Publicado por danieloliveira em sábado 16 outubro 18:08 | Comentários (6)

outubro 15, 2004

No mundo de Luís Delgado


O querubim da retoma.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 15 outubro 21:20 | Comentários (25)

Só faltou uma frasezita sobre Nero e os leões, José Manuel

Entretanto, José Manuel Fernandes insurge-se contra o chumbo de Rocco Buttiglione no parlamento europeu, que classifica como sendo uma perseguição ao catolicismo do ministro italiano.

JMF tenta fazer passar a ideia de que Rocco Buttiglione tem "impecáveis credenciais liberais" e que as suas opiniões àcerca da homossexualidade ou do casamento são meras opiniões, sem influência na execução política do senhor. Em primeiro lugar, vai ser complicado explicar como é que alguém tem "impecáveis credenciais liberais" se faz parte de um governo Berlusconi. JMF pode passar pela redacção da Economist, que foi processada por Berlusconi por ter afirmado que este era pouco menos do que um mafioso inaceitável para o governo de qualquer estado de direito, e aproveitar para esclarecer os camaradas da tresmalhada publicação britânica. Em segundo lugar, JMF acha que as opiniões de Buttiglione não interferirão no seu trabalho como comissário. É, uma vez mais, uma opinião; mas foi exactamente disso que Buttiglione não conseguiu convencer uma maioria de eurodeputados no seu exame, após horas de conversa.

De outra forma seria difícil compreender a atitude (que JMF ataca com tanto empenho) de António Costa (seis anos ministro do católico António Guterres) e Josep Borrell (tantos anos ministro da muy católica Espanha) e dos seus restantes companheiros, que aprovaram o católico Durão, ups, José Barroso para Presidente da Comissão e têm aprovado sistematicamente membros de partidos democratas-cristãos, convictamente religiosos, para os restantes cargos de comissário.

Para tirar a prova dos nove, esperarei para ver se a reacção de JMF ao próximo caso de racismo, homofobia ou sexismo não seguirá as linhas do costume – "hipersensibilidade", "vitimização" e "politicamente correcto".

Publicado por ruitavares em sexta-feira 15 outubro 18:58 | Comentários (25)

Always look on the bright side...

No diário online The Globalist (que vai entrar para a nossa coluna de imprensa, ali à direita), publica-se um artigo sobre como a Europa tem a ganhar com uma vitória de Bush nas eleições americanas:

É praticamente um axioma que os europeus não consigam concordar em nada. Juntem um alemão e um francês e dá três, talvez até cinco, opiniões diferentes. Mas mencionem Bush e é só sorrisos, acordo total – e solidariedade completa.

Via Political Theory Daily Review.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 15 outubro 18:24 | Comentários (8)

Coisas que às vezes me passam pela cabeça

Interior, dia. Uma sala de escritório. À mesa de trabalho, o AGENTE; em frente, sentada de perna cruzada, a CELEBRIDADE. Ambos têm uma agenda à frente, ele um modelo grande de capa de couro, ela um bloco de argolas e capa colorida de plástico translúcido.

Agente: Onde é que nós íamos? Ah, sim. Primeiro semestre de 2005. Tens uma depressão. Celebridade: [tomando notas] ...sim. Agente: depois – segundo semestre – encontras o amor da tua vida e engravidas. Celebridade: Não pode ser ao contrário? Agente: Estás grávida e depois encontras um homem que te aceita, por aí? [pausa longa] Podemos pensar nisso, podemos mesmo pensar nisso.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 15 outubro 16:39 | Comentários (5)

O vazio

Parece que o jogo entre o Porto e o Benfica está em risco, porque não estão garantidos espaços vazios entre as duas claques. Se contarmos apenas com o número de neurónios, parece-me que os espaços vazios estão mais do que garantidos: eles estão no mesmíssimo lugar das claques.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 15 outubro 14:13 | Comentários (23)

Difícil adaptação

Foi Scolari que disse: «Pinochet fez muita coisa boa também. Ajeitou muitas coisas lá no Chile. O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez. Até porque há determinados momentos que ou o pessoal se ajeita ou a anarquia toma conta».
No Brasil, agrediu um jornalista durante o Paulista-98.
Agora, insultou uma jornalista do "Record" por o ter criticado numa coluna de opinião.
Não se pode dizer que a liberdade de imprensa, em particular, e a liberdade, em geral, sejam valores centrais na vida do nosso Filipão. Ele que continue a treinar a equipa e que aprenda a viver com as regras dos nativos: aqui não pode haver retaliaçãozinhas e o pessoal não se ajeita. Há 30 anos que outros, muito contrariados, também se tiveram de habituar à ideia.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 15 outubro 13:49 | Comentários (30)

Magnum Carlos

Ontem vi um senhor na televisão, que se apresentava como "analista", a comentar o debate parlamentar e a falar de “novos paradigmas”. Com uma postura reflexiva, foi debitando umas frases enigmáticas. Mas nunca chegou a expor aquilo a que geralmente chamamos uma ideia. Aliás, anda há anos a tentar explicar-nos essa ideia. Um dia, saberemos qual é. Ouvi dizer que se apresenta como um novo Maquiavel e que até costumava ter umas conversas com Freud, na TSF. Desconfio que o Maquiavel, o propriamente dito, não pára de dar cambalhotas no caixão. Seria o mesmo que Cinha Jardim se apresentar como Rosa Luxemburgo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 15 outubro 11:54 | Comentários (52)

Campeonatos

Comentadores e jornalistas têm debatido quem ganhou os debates entre Kerry e Bush. Por cá, o dia de ontem foi dedicado a saber quem ganhou o confronto parlamentar entre Santana e Sócrates. No fim destas reflexões apaixonantes, guardam-se uns minutos ou umas linhas para os conteúdos destes debates. Depois, são os mesmos comentadores e jornalistas que se queixam do esvaziamento do debate político. Como se estes júris destes campeonatos de oratória se preocupassem com conteúdo político dos debates.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 15 outubro 11:04 | Comentários (10)

É a sociedade civil?

O segundo canal está há meia-hora com imagens cretinas das "praxes 2003-2004" cuja qualidade não é maior do que as dos videos de aniversário. Gente pintada, gente com baldes na cabeça, legendas que falam de "vermes" e "bestas", veteranos de capa e batina a dizerem às pessoas o que podem e não podem fazer. A mim as praxes nunca me aqueceram nem arrefeceram. Não acho divertido, não acho escandaloso. Mas porque é que agora passam na TV?

Publicado por ruitavares em sexta-feira 15 outubro 01:50 | Comentários (21)

outubro 14, 2004

No mundo de Luís Delgado


O Alienista.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 21:12 | Comentários (28)

Este julgava que na Madeira havia Estado de Direito

Depois da detenção do presidente da Câmara da Ponta do Sol e de duas queixas de Alberto João Jardim ao Ministério da Justiça, o coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ, no Funchal está de partida, apesar da Lei Orgânica da PJ lhe permitir ali permanecer por mais três meses.

A página do DN da Madeira exige registo. Podem ver a notícia completa no link em baixo.

Ponta do Sol à espera da notificação do tribunal

O nome da Ponta do Sol está na praça pública. O concelho mais ameno da Região está com a temperatura alta. Com pouco mais de 8 mil habitantes espalhados pelas 3 freguesias (Ponta do Sol, Canhas e Madalena do Mar) o concelho viu o seu presidente ser detido na última segunda-feira. António Lobo está à frente da autarquia desde 1989 mas, nas Autárquicas de Dezembro de 2001, esteve para não ser o candidato "laranja" à autarquia.

As bases do partido cerraram fileiras e António Lobo renovou o mandato obtido em 1997. Até consegui mais votos que na eleição anterior obtendo 58,35% nas urnas, assegurando 3 dos 5 mandatos na vereação camarária e 9 dos 15 assentos na Assembleia Municipal. Frontal, com bons contactos junto das comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo, António Lobo é um homem do povo, de personalidade vincada que lhe valeu, por exemplo, um diferendo com o ex-presidente da Assembleia Municipal, Tito Noronha.

Para a oposição, independentemente do apuramento da responsabilidade criminal, não há condições políticas para a Câmara levar o mandato até ao fim. Para os vereadores do PSD, os órgãos autárquicos funcionam, os serviços camarários funcionam, a Assembleia Municipal não é afectada, as juntas de freguesia prosseguem o seu caminho. A substituir um vereador siga-se a lista de 2001.

«Se há uma peça da máquina que sai, a máquina não vai parar. Temos condições para continuar e há exemplos neste país», sintetizou o vereador social-democrata António Manuel dando por exemplo a Câmara de Felgueiras. António Manuel é o sucessor apontado mas pondera se a incursão a tempo inteiro na política lhe trás mais ou menos vantagens do que a actual situação profissional.

Paulo Fontes, cabeça de lista do PSD pelo círculo da Ponta do Sol foi parco em comentários. Está toda a gente suspensa da notificação do Tribunal. Oficialmente, António Lobo continua a ser presidente da Câmara embora ausente. Não está destituído das suas funções e há competências que podem ser delegadas a vereadores. A notificação do Tribunal será decisiva quer para o reajustamento a fazer no funcionamento da autarquia quer para as decisões político-partidárias a tomar. A revogação do cargo de mandatário é coisa que ainda não foi colocada.

«Imprevisível» é como Paulo Fontes qualifica o comportamento do eleitorado da Ponta do Sol no próximo domingo. «A situação mexe com toda a população. É emocional. Ontem o ambiente estava tenso. Começa a aliviar um pouco. Não podemos saber o que vai acontecer», referiu.

Instado a comentar se António Manuel seria um bom presidente de Câmara, Paulo Fontes disse que, neste momento, não se pronuncia sobre pessoas porque não tem sobre a mesa todos os dados.

Substituição de António Lobo dos cargos da AMRAM e EIMRAM por decidir: O assunto ainda não foi pensado nem tratado pelos diversos responsáveis, mas deverá ser um processo «normal»

A substituição de António Lobo, presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, nos cargos que ocupa na AMRAM – Associação dos Municípios da Região Autónoma da Madeira e EIMRAM – Empresa Intermunicipal, ainda não está decidida nem pensada.

Confrontado com essa questão, o presidente de ambas as instituições, Savino Correia, que preside à Câmara Municipal de Santa Cruz, afirmou ainda não ter pensado no assunto. Mas, mesmo sem reflectir, adiantou que será «uma substituição normal».

Savino Correia esclareceu ainda que não existe uma formalidade definida para a substituição dos dirigentes das referidas instituições. À partida, haverá uma reunião e será escolhido um membro substituto.

António Lobo, além de dirigente da AMRAM, é vogal da Empresa Intermunicipal. É também conselheiro substituto da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Aquele presidente de Câmara chegou à AMRAM depois de um conturbado processo que levou à demissão de Miguel Albuquerque da presidência da Associação.

Vítor Alexandre de saída da PJ: Funcionários judiciários estão indignados face às reacções dos órgãos do Governo

Vítor Alexandre está de saída da coordenação do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Judiciária (PJ) do Funchal, desde a passada sexta-feira, data em que findou a comissão do inspector na Madeira. Para ficar está o clima entre o Governo e os agentes da justiça na Madeira. O DIÁRIO apurou que os funcionários da investigação judiciária estão profundamente indignados face às declarações do presidente do Governo Regional, adivinhando-se reacções

Por coincidência (ou não), desde que Alberto João Jardim pediu a Vítor Alexandre para «se calar», acusando-o de exibicionismo e exigindo mais investigação - na sequência de uma notícia veiculada pelo DIÁRIO (sobre suspeitas de envolvimento de jovens em redes de pedofilia na Internet) - que os resultados das investigações da PJ apareceram, sendo noticiadas com uma frequência algo invulgar, detenções de suspeitos da prática de crimes de abuso sexual de menores.

Mas foi a prisão preventiva de António Lobo, presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, que gerou a reacção mais contundente por parte dos órgãos de Governo. Jardim considerou a actuação da PJ, uma afronta ao PSD em vésperas das eleições regionais. Segundo notícia veiculada pelo Jornal da Madeira, Jardim escreveu ao Ministério da Justiça, antes da detenção do autarca "laranja", a contestar o trabalho da PJ - semanas depois de ter exigido «trabalho». Ontem, o chefe do executivo madeirense manifestava intenção em apresentar uma segunda queixa contra Vítor Alexandre, junto do ministério de Aguiar Branco.

Contactado, o inspector-coordenador Vítor Alexandre remeteu comentários para a Directoria Nacional da PJ. Porém, o que apurou a reportagem do DIÁRIO, o clima entre os funcionários e agentes judiciários é de profunda indignação, deixando no ar fortes possibilidades de haver reacções judiciais.

Quando à saída do coordenador do DIC da PJ Funchal, a lei orgânica permite a Vítor Alexandre prolongar até 3 meses a sua comissão na Madeira, podendo ficar até 8 de Janeiro. A outra hipótese é transferir-se para outro departamento, podendo regressar a Lisboa, caso a Directoria Nacional da PJ dê "luz verde". Em Outubro de 2002, quando chegou à Região para assumir funções, o inspector revelava calo ao afirmar que ia cumprir a sua missão até ao fim, como poucos o fizeram. Depois de ter dedicado vários anos à investigação e combate ao terrorismo em Lisboa, o inspector-coordenador não se intimidou e provou que a PJ que coordena na Madeira não obedece às agendas políticas/partidárias.

António Manuel coloca futuro nas mãos do PSD: Número "dois" de António Lobo diz que é cedo para saber se ascende à presidência.

Foi uma reunião camarária atípica aquela que ontem à tarde se viveu na Ponta do Sol. Convocada antes de se conhecer a detenção do presidente da edilidade, foi impossível desmarcá-la. À reunião compareceram os dois vereadores do PSD, António Manuel Góis e Manuel Rafael Inácio, e os dois vereadores da coligação PS/CDS, Francisco Dias e Paulo Santos, este último em substituição do vereador José Manuel Coelho, candidato às eleições regionais de domingo.

A cadeira da presidência ficou vazia. Um vazio que, no dizer dos vereadores social-democratas, não significa "vazio de poder". Não houve foi condições para que a reunião ordinária decorresse com a normalidade que se impõe, pelo que os vereadores deliberaram, por unanimidade, adiar a discussão dos pontos que estavam agendados na convocatória para uma reunião extraordinária já marcada para 21 de Outubro, às 15:30.

Na ordem de trabalhos para a reunião de ontem estavam três assuntos: aprovação da acta da reunião anterior, uma proposta de alteração do orçamento e uma proposta de instauração de um inquérito aos técnicos detidos no âmbito deste caso

Aos jornalistas, António Manuel disse que, oficialmente, a Câmara da Ponta do Sol não foi notificada pelo Tribunal da prisão preventiva de António Lobo. Aliás, faz depender dessa notificação não só o normal funcionamento da autarquia como o futuro reajustamento interno. António Manuel é apontado para suceder a António Lobo. Não o confirma nem o desmente. Tudo irá depender do que decidir o partido.

«Faço parte de uma lista do partido que ganhou as eleições neste concelho. Assumo as minhas responsabilidades mas evidentemente que estou sempre dependente das decisões que sejam tomadas ao nível partidário», disse.

António Manuel garantiu que os serviços camarários estão assegurados e existe um vereador a tempo inteiro para despachar os assuntos correntes. Mais disse que a solução para a substituição de António Lobo é «puramente administrativa», não havendo necessidade de eleições antecipadas para a Câmara.

Por seu turno, o vereador da oposição, Francisco Dias, não escondeu que a situação mancha a imagem do município, e aproveitou para clarificar que o PS está preparado para a eventualidade de haver eleições antecipadas, não fazendo disso um cavalo-de-batalha. «Cabe, primeiro, à maioria definir se está ou não em condições para prosseguir o mandato», disse. Sendo certo que, no seu entender, politicamente, «é muito difícil prosseguir este mandato».

Emanuel Silva / Élvio Passos / Ricardo Duarte Freitas

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 18:44 | Comentários (13)

A carraça do orçamento

Quase não se chegou a falar na blogosfera do caso da febre da carraça e da leptospirose em Seara, Ponte de Lima. No início com alguma razão, pois não se sabia que doença era aquela. Mas a partir do momento em que se descobre que praticamente metade daquela terra não tem água canalizada e não há saneamento básico, há uma leitura política que a blogosfera deve prosseguir.

Porque Ponte de Lima não é uma terra qualquer. O presidente de Ponte de Lima negociou dois orçamentos seguidos com António Guterres, em troca de financiamentos para a sua região. E passado dois anos, Daniel Campelo não consegue levar água e saneamento ao seu próprio concelho.

Há dois anos que não vou a Ponte de Lima (embora Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez sejam um dos meus cantinhos preferidos em Portugal). Mas tenho curiosidade em ver os novos fontanários que lá devem ter aparecido.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 16:47 | Comentários (12)

Estamos mais entre o surrealismo político e o analfabetismo cultural

«Não defendemos nem uma situação neo-liberal, nem uma situação neo-realista» Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 16:36 | Comentários (27)

A agonia

Eu compreendo a preocupação de muitos, entre os quais o Daniel aqui no Barnabé, com a hipótese de a linha dura do PCP tomar conta daquele partido. É uma preocupação de quem acha que o PCP ainda poderia ter remédio (depois de ter posto na rua todo o militante com um mínimo de capacidade de reflexão), mas é uma preocupação legítima.

Devo dizer que estou a ouvir o debate parlamentar na TSF. E neste momento a minha preocupação é outra: venha quem vier, que acabe rapidamente o martírio de Carlos Carvalhas, e que acabe o nosso martírio também. O homem quer ir embora. Nunca foi um líder efervescente, mas agora é absolutamente penoso ouvi-lo. Se toda a oposição fosse assim, o governo estaria com 70% de aprovação.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 16:28 | Comentários (20)

Os 8% dele valem mais do que os meus 0%

«O dr. Paulo Portas teve um excelente resultado e é por isso que aqui está». Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 15:38 | Comentários (2)

Se eu fosse um democrata até ganhava

«Vem dizer que nunca ganhei umas eleições nacionais. Espere pelas próximas». Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 15:35 | Comentários (11)

Haja sinceridade

«Iludir as pessoas, enganá-las e depois reconquistar a confiança das pessoas é uma tarefa muito difícil. É esta a tarefa que este governo está a levar a cabo». Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 15:28 | Comentários (8)

Contradições

O governo quer proibir a venda de tabaco a menores de 18 anos. A venda álcool é legal a partir dos 16 anos. Os adolescentes vão sofrer. É que depois de 20 shots é difícil resistir a um cigarrinho.

PS: por mim, todos os que tenham idade legal para trabalhar e pagar impostos devem poder gastar o seu dinheiro como entenderem.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 15:16 | Comentários (16)

O que seria de Marcelo, Pacheco, Delgado, José Manuel Fernandes, Fernando Lima e Saraiva sem os blogues?

«À direita foram os blogues, um novo meio de afirmação política, que permitiu romper a tradicional dominação pela esquerda do espaço comunicacional». José Pacheco Pereira

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 13:30 | Comentários (20)

Iraque: atentado contra a GNR

O Toy vai ao Iraque cantar para os GNR’s. Os soldados bem se podiam preparar para o acompanhar, em coro, numa das canções do seu último álbum: “Não, Não Voltes Mais”.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 14 outubro 13:01 | Comentários (5)

Arqueologia do futuro: os debates presidencias americanos


Kerry, Bush.

Independentemente do resultado das eleições norte-americanas em 2 de Novembro, que não depende só disto, o que vai ficar para a história é que o presidente em exercício perdeu os três debates e teve, no primeiro deles, a pior prestação de todos os candidatos, incluindo os vice-presidentes. Após essa derrota copiosa Bush teve de correr atrás do prejuízo e debater de forma mais agressiva, atacar baixo e forte para recuperar território. Isto quer dizer que o presidente teve de se comportar como o desafiador, o que desde logo mostra como estes debates molestaram a campanha de Bush.

Considerem o seguinte. Alguma coisa não correu como previsto se passado meses e meses de perfilação negativa de Kerry, Bush ainda tem de fazer ele próprio a etiquetagem de Kerry como o "esquerdista de Massachusetts", "ao lado dele, o Ted Kennedy é conservador", etc. Em comparação, Kerry não responde sequer a essas críticas – não precisa. Sabe que basta manter-se calmo (e em 270 minutos de debate, não perdeu a calma uma única vez) e cingir-se aos temas para que o retrato não cole. Só um grande tropeção lhe poderia tirar a vitória nos debates – e ele não aconteceu hoje.

Claro que, como disse, os debates não garantem a vitória nas urnas. Só sei isto: a campanha de Kerry vai sentir falta do seu abono de família, e Bush deve estar aliviado por terem finalmente terminado os malditos debates.

Notas: claro que os meus comentários não são imparciais, mas até agora a visão pós-debate, até mesmo em sondagens imediatas nos EUA, têm confirmado esta percepção de que Kerry ganhou os debates. Em relação ao de hoje, e uma vez que as ditas sondagens ainda não saíram, espreitem este comentador da MSNBC que conta os pontos round a round e dá uma vitória ainda maior (12-4 com 5 empates) a Kerry do que no segundo debate. Se isto fosse futebol eu diria que os resultados foram 3-0, 2-1, 2-1 para Kerry e 1-2 para Cheney no debate vice-presidencial (surpreendentemente para mim, as sondagens também deram a vitória a Edwards, mas eu continuo a não concordar). Actualização sondagens: ABC: Kerry 42-41 (com mais republicanos no painel), CNN Kerry 10-7, CBS Kerry 39-25<, Gallup Kerry 52-39./a>

O grande filme anti-americano

Até me espanta os blogues bushistas não fazerem um escândalo disto: o primeiro canal está agora a passar o filme mais anti-americano dos últimos tempos. Neste preciso momento está Daniel Day Lewis enrolado numa bandeira americana enquanto monologa: "o medo é que mantém este estado de coisas". Há caciquismo, corrupção, chapeladas eleitorais como aquelas que nós tivémos mas de que os anglo-suprematistas (um post sobre isto virá nos próximos dias) sempre nos convenceram que os EUA e a Inglaterra estavam vacinados à nascença. A hipocrisia política anda de braço dado com a cultura de violência e a cultura de violência é endémica.

Não, não é o F 9/11.

Gosto muito de Gangs de Nova Iorque, de Martin Scorcese. Claro, claro, o filme tem defeitos, alguns deles evidentes. Dois deles: parte da música e o complexo do irlandês bonzinho que pulula na má-consciência dos filmes americanos desde o Titanic a este. Di Caprio e até Cameron Diaz são fraquinhos. Qualidades: é sensacionalista até ao cúmulo, tão exagerado que deixa de ter importância. Trata o século XIX como se fosse o circo do P.T. Barnum e até o próprio P.T. Barnum aparece. E Daniel Day Lewis faz um vilão monstruoso, naquele que para mim é o seu melhor papel. Para quem gosta da cidade e da estética oitocentista, é um filme imperdível. E só fica melhor com o tempo.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 01:57 | Comentários (11)

1917, aquele ano maluco

Entretanto, no segundo canal passa-se uma reportagem etno-teológica sobre Fátima. A proporção é de três laicos para mais de dez teólogos. Os milagres são repetidos como questões de facto. Aquela senhora que diz que recomeçou a andar é apresentada, tal qual, como "miraculada".

Também deixo aqui um singelo contributo para um futuro documentário.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 01:46 | Comentários (11)

Povo mártir

DN: Toy vai cantar no Iraque.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 14 outubro 00:59 | Comentários (8)

outubro 13, 2004

7-1

Definitivamente, os portugueses não querem nada com a poupança.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 13 outubro 23:29 | Comentários (9)

Não há palavras

Que grande jogo da selecção. Deco é um génio. Cristiano Ronaldo para lá caminha. Foi tudo tão bom que até corre o risco de obscurecer o golaço de Simão e principalmente os dois de Petit.

A caixa de comentários está aberta.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 13 outubro 23:19 | Comentários (12)

No mundo de Luís Delgado


Elefantes cor-de-laranja.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 13 outubro 20:01 | Comentários (9)

O paradoxo

No seu editorial de hoje, José Manuel Fernandes congratula-se pela forma como correram as eleições no Afeganistão. Também a mim me agrada a ideia de as coisas terem corrido sem grandes violências. Mas é curioso que das imagens que foram mostradas ele retenha a das mulheres a votarem de cara descoberta. Eu confesso que reparei primeiro nas imagens absolutamente paradoxais de mulheres a votarem de burka, uma visão que é uma óptima síntese do que se pode esperar de uma democracia afegã. Infelizmente.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 13 outubro 17:10 | Comentários (18)

Para quando a reciprocidade para os turistas americanos?

Desde o dia 1 de Outubro, os turistas portugueses que visitam os Estados Unidos são fotografados e as suas impressões digitais são recolhidas, por processo electrónico.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 13 outubro 15:13 | Comentários (18)

Redundância

Olha, hoje o Donald Rumsfeld escreve duas vezes no “Público”: aqui e aqui.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 13 outubro 12:34 | Comentários (5)

Como é difícil o humor em Portugal

Na SIC Notícias, Alberto João Jardim diz-se vítima de censura por parte dos órgãos de comunicação social da Madeira

Publicado por celsomartins em quarta-feira 13 outubro 01:21 | Comentários (14)

outubro 12, 2004

Não perca: Alberto João, agora em versão evangélica

Alberto João Jardim, sobre as críticas da oposição: «conversa barata dos conhecidos espíritos malignos que andam pelo mundo a perverter as almas.»

Publicado por danieloliveira em terça-feira 12 outubro 16:38 | Comentários (13)

Lá vem novo aumento do IVA

Governo anunciou que o IRS vai baixar.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 12 outubro 15:37 | Comentários (2)

Falem, mas baixinho

Há um "ruído" insuportável por todo o lado. Acho que lhe chamam liberdade de imprensa.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 12 outubro 15:31 | Comentários (2)

Dúvidas de um demagogo

Santana Lopes apresentará o Orçamento na sexta-feira ou na segunda-feira? Se apresentar na segunda, não cumprirá a promessa de dar a conhecer o Orçamento esta semana, como o obriga a Lei. Se apresentar na sexta-feira, açorianos e restantes portugueses ficarão a saber, antes das eleições regionais, até que ponto mentiu na sua comunicação ao País.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 12 outubro 14:47 | Comentários (2)

Cerimónia sacrificial

Compta, Joana Orvalho e, supõe-se, David Justino, vão passar os dias de hoje e de amanhã a fritar a ministra da Educação, no Parlamento.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 12 outubro 14:44 | Comentários (6)

outubro 11, 2004

O pirata da cassete

O governo anunciou uma comunicação do primeiro-ministro para as 21h de hoje. A comunicação surge às 20h a abrir o telejornal de uma das estações privadas. Trata-se afinal de uma gravação onde Santana aparece a ler (num estilo que não é o dele) um conjunto inarticulado de medidas tomadas e promessas de medidas a tomar que nada têm a ver umas com as outras, numa salganhada apressada que possui a exacta aparência de um tempo de antena. Ora eu espero que os tempos de antena sejam antes ou depois do telejornal. Não é justificável editorialmente que o PM passe 15 minutos a debitar promessas num exercício de pura instrumentalização de um orgão de comunicação social privado. E se o homem lhe toma o gosto e quer fazer isto todas as segundas-feiras? As televisões vão começar a aceitar semanalmente cassetes gravadas de pura propaganda? Eu sei que o pais é provinciano e que basta o PR ou o PM irem a Fornos de Algodres inaugurar um centro de dia para gambozinos que a imprensa vai toda atrás. Mas talvez a absoluta dependência do governo de Santana pela mediatização possa servir para introduzir alguma reflexão e critério no papel da informação televisiva.

Publicado por celsomartins em segunda-feira 11 outubro 23:23 | Comentários (30)

Peso na consciência

«Vivemos em liberdade». Pedro Santana Lopes

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 20:42 | Comentários (24)

O vendedor da banha da cobra

Regra única de Santana: se as coisas estão mal, prometer sempre muito.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 20:19 | Comentários (7)

O que valem as promessas

Tinham prometido a convergência das pensões mínimas com o salário mínimo nacional até 2006. Agora, a grande festa é esta: a pensão mínima nos 45 contos.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 20:16 | Comentários (6)

Contradições

Santana Lopes diz que a maioria não tem responsabilidades na concentração da propriedade dos órgãos de comunicação social. Há um ano, o PSD e o CDS votaram contra uma lei anti-trust para a comunicação social, que consideraram desnecessária. Mudaram de opinião?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 20:10 | Comentários (5)

Liberdade de expressão

O FBI expediu uma ordem federal para o escritório da Rackspace nos Estados Unidos, exigindo que ela entregasse material do Centro de Média Independente (Indymedia), alojado no servidor do seu escritório de Londres. A Rackspace acatou a ordem, sem notificar o Centro de Média Independente, e entregou o servidor do CMI no Reino Unido, o que afectou mais de 20 sites do Centro de Média Independente em todo o mundo, incluindo o português.

A rede mundial Indymedia, que funciona através da internet desde as manifestações de Seattle em 1999, tem sido o espaço utilizado pelo movimento antiglobalização como rede própria de informação. Nos Estados Unidos o Indymedia São Francisco chegou a ser sindicado pelo news.google.com até um dos investidores ter exigido a sua retirada. Em Itália chegou a ser discutido na parlamento e tem mais visitas diárias que a página do "Il Manifesto" ou de qualquer jornal de esquerda.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 18:01 | Comentários (14)

O que é que Santana não tem?

Todos os nossos males actuais provêm da mesma decisão de não convocar eleições antecipadas. Não é só Santana, que já é muito: são as leituras legalistas e não políticas, ou oportunistas e não políticas, ou partidárias mas não políticas, ou o que quer que sejam mas não políticas, que estiveram por detrás dessa decisão e do apoio a ela em alguma esquerda e alguma direita. Disse naquela altura que prefereria eleições mesmo que soubesse que Santana as ganharia e continuo a dizê-lo.

A recente guerra dos media, por exemplo. O que é que um governo tem que os media não têm e que lhe dá um certo conforto na comparação com eles? A legitimidade do voto.

Pois é. Só que agora temos um governo que tem tanta legitimidade como um qualquer comentador. Ambos, para os efeitos políticos que contam em termos de confiança a legitimidade, foram escolhidos por alguém e não eleitos por todos.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 11 outubro 17:26 | Comentários (11)

Mais um caso para o intrépido Gomes da Silva

Eduardo Cintra Torres diz hoje no Público , com uma brutalidade refrescante, tudo o que já se sabe sobre as estratégias do governo e seus fiéis servidores. Vai é ter de pagar por isso. Choverão processos ou será que o telefone de Belmiro vai tocar?

Publicado por celsomartins em segunda-feira 11 outubro 14:52 | Comentários (18)

Para bem do PSD/Açores

Santana Lopes, nos Açores: «Não decidam o vosso voto em função dos lideres nacionais».

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 13:41 | Comentários (7)

Democracia prêt-a-porter

Houve eleições no Afeganistão. Por enquanto, foram as mais fáceis: as Presidenciais, em que Karzai estava à partida eleito. Nem vou falar da quase total ausência de verificação da democraticidade do acto eleitoral e da promiscuidade de relações entre os organizadores das eleições e o governo de Karzai.

O mais complicado vem depois: as legislativas, em Abril. Nelas, os senhores da guerra das várias regiões, num mosaico cultural em que o Estado central não existe, vão garantir a sua eleição e a dos seus. E é com estes criminosos e “mafiosos” locais, que têm visto o seu poder reforçado pelos EUA, que contam com eles como aliados na luta contra o terrorismo, que Karzai vai ter de negociar. São eles que vão governar. A União Europeia e os EUA querem o assunto despachado, querem dizer aos seus cidadãos que houve eleições. Mesmo que nenhuma eleição, neste momento, garanta qualquer governação democrática.

As opiniões públicas ocidentais perderam a memória. Parecem ter-se esquecido de todas as lutas, guerras, revoluções, contra-revoluções, derrotas e vitórias que foram necessárias para que o Ocidente conquistasse a democracia. Acham que é realmente possível chegar a um país e decretar a democracia, os direitos humanos, os direitos das mulheres, a liberdade de imprensa. E que por o decretarem, tudo isto, como por milagre, acontece. Mas o que estão a fabricar são frankensteins políticos, aberrações sem história nem raízes.

Tratar a democracia como um produto pronto a usar é negar a democracia. A democracia não se oferece, conquista-se. E ela é necessariamente diferente, de país para país, de cultura para cultura. Ela tem de ter a marca da história de um povo. No início, os EUA pareciam querer seguir esse caminho. Depois, sentiram que ele não vendia bem no Ocidente.

Claro que deve haver eleições, mas elas têm de resultar de um percurso próprio, não de uma imposição externa, definida por gente que nada tem a ver com a história daquele povo. Quem acredita que o sistema tradicional de partidos políticos é aquele que mais tem a ver com uma sociedade quase feudal e que vive em guerra há 30 anos?

Qual é o melhor caminho? Não faço ideia. Nem tenho de fazer. Só os afegãos o saberão e não há mão protectora do Ocidente que lhe possa fazer bsaltar vséculos de história.

O que se está a fazer no Afeganistão é uma mentira. Não resultará nem durará. O que o Ocidente tem de fazer é apoiar as forças democráticas que existam no terreno (e que são ultra-minoritárias), que se batem pelos direitos humanos, e não reforçar os elementos que porão, à primeira oportunidade, a liberdade e a paz em perigo. Deixar aos afegãos a luta interna pela democracia.

Demorará mais tempo? Sim. Os democratas poderão ser derrotados? Muito provavelmente. Custará sangue e instabilidade? Não duvido. Mas só assim haverá realmente democracia. O resto, é para ocidental ver. Cairá à primeira pequena ventania. Como caem as árvores que não se prendem à terra com raízes fortes.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 11 outubro 13:39 | Comentários (21)

outubro 10, 2004

Uma mão lava a outra e as duas são bem visíveis

«Se os grupos económicos privados pudessem funcionar num mercado livre, naturalmente estariam em concorrência e só aí poderia assentar a verdadeira liberdade de expressão. Como o mercado é controlado pelo Estado, directa e indirectamente, os demais agentes têm de se sujeitar.». No Blasfémia.

Ou seja, se o Estado censura a culpa é do Estado. Se um privado censura a culpa é… do Estado!

Em Portugal, os privados são dependentes do Estado porque querem ser dependentes do Estado. Porque querem favores do Estado para travar a concorrência. Era assim antes do 25 de Abril em todos os sectores estratégicos. Assim continua a ser. Por isso vemos ministros a sair do governo para as grandes empresas e a regressar das grandes empresas para o governo. Porque o Estado e os privados, os privados que contam, em Portugal, confudem-se.

As televisões privadas querem limitações para a publicidade na RTP e nenhuma limitação à publicidade nos seus canais. Querem impedir a existência de televisões regionais que lhes tirem público. A SIC e a TVI não querem concorrentes no Cabo e pedem esse favor à PT. A Cofina, a Impresa e a Media Capital não querem leis anti-concentração que favoreça a concorrência e pedem esse favor, por omissão, aos sucessivos governos. Nos EUA, as leis que limitam a actividade da comunicação social são bem mais severas. Alguém pode dizer que por lá o mercado não funciona?

Quando os privados querem oligopólios, ficam a dever favores ao Estado. O Estado não é neutro e em Portugal os grupos de comunicação social precisam do seu apoio. Depois, claro, têm de pagar a factura.

A mão invisível do mercado não funciona? Não. Mas alguma vez funcionou em algum lado? A única mão que funciona, por cá, é bem visível.

Publicado por danieloliveira em domingo 10 outubro 15:52 | Comentários (19)

Lei à medida e sem memória

O Governo vai avançar com uma lei que proibe dirigentes políticos de exercerem funções em empresas de sondagens. Sobre este assunto:

1 - Não existe, para a lei portuguesa, o estatuto de dirigente político. A lei pode definir incompatibilidades para ministros, secretários de Estado, deputados, autarcas ou detentores de cargos públicos em geral. Dirigentes políticos são coisa demasiado vaga para estar na Lei.
2 - É curioso que o governo sinta esta necessidade ética, quando Santana Lopes e Paulo Portas, números um e dois deste governo, já exerceram funções em empresas de sondagens enquanto mantinham actividade política.
3 - A Lei só é, neste momento, aplicável a Rui Oliveira e Costa. As leis não podem ser feitas a pensar em casos particulares.
4 - A concentração dos meios de comunicação social não perturba o governo. Está antes preocupado com a única coisa que lhes é desfavorável na comunicação social: as sondagens.

Publicado por danieloliveira em domingo 10 outubro 15:30 | Comentários (4)

As internets são umas aldrabonas

Bush, no debate de sexta-feira, negou que a o Serviço Militar Obrigatório iria ser reintroduzido nos Estados Unidos, negando assim alguns "rumores nas Internets".

Publicado por danieloliveira em domingo 10 outubro 12:52 | Comentários (10)

Santana intermitente

Na campanha eleitoral dos Açores, Santana Lopes promete aumentos na Função Pública acima da inflação e menos IRS . Ainda há pouco mais de um mês disse que estes aumentos não seriam superiores ao aumento da produtividade. Se querem que Santana desdiga o que disse, dêem-lhe uma campanha eleitoral. Ou então, limitem-se a esperar uma semana.

Publicado por danieloliveira em domingo 10 outubro 12:44 | Comentários (9)

Caminhos diferentes

Na sexta-feira ouvi George W. Bush dizer que não era eleito presidente para ser popular na Europa. Faz sentido e alguns lideres europeus deviam tomar nota desta frase. Não digo que deixem de querer ser populares nos EUA. Mas, alguns deles, ao menos, podiam começar a preferir a Europa à Casa Branca. Como se viu no debate, Bush olha para a Europa como um grupo de sultanatos. Fala de Blair e Berlusconi e das relações de amizade que mantém com eles. Não fala dos europeus, que hoje têm como um dos seus poucos elementos unificadores detestar George W. Bush. Por isso, se os americanos o reelegerem, os europeus devem entender a mensagem: os americanos estão-se nas tintas para as suas relações com a Europa. Têm todo o direito. Por isso, com Bush na Casa Branca, cada um deve seguir o seu caminho. Não vejo onde possa estar o drama. A Guerra Fria já acabou e, na luta contra o terrorismo, Bush faz parte do problema, não faz parte da solução.

Publicado por danieloliveira em domingo 10 outubro 10:53 | Comentários (21)

O Derrida

Derrida é sinónimo de paixão filosófica, de desejo de pensar sobre tudo, sem fronteiras, sem limites, sem disciplinas pelo meio. Não conheço a sua obra directamente. Mas desde pequeno que ouço falar "no Derrida" e nas suas ideias e, dessa maneira, é quase como se o conhecesse pessoalmente. Ouvi-o falar duas vezes, uma em 1999 no seu seminário em Paris, sobre a questão do perdão e do perjúrio na política e na memória contemporâneas (analisou nomeadamente o processo de reconciliação sul-africano promovido por Mandela e De Klerk), outra alguns anos antes em Lisboa, na livraria francesa, ao lado de Pierre Bourdieu. Nesta última ocasião, alguém lhe fez uma pergunta, não me recordo sobre o quê. Mas da resposta de Derrida lembro-me bem: para responder a isso, dizia ele, teríamos que passar bastante tempo a ler em conjunto tais e tais textos e depois, só muito depois, poderíamos começar a dar uma resposta a essa pergunta. Ao dizer isto, Derrida, parece-me, estava a fazer duas coisas fundamentais: colocar-se ao nível, não acima, do seu interlocutor; e ao mesmo tempo definir condições prévias para a existência de uma discussão filosófica, um rigor e um tempo. Na entrevista-testamento do filósofo agora desaparecido que aqui disponibilizámos em Agosto passado (ler nos links da direita, "Derrida, o sobrevivente") vê-se como essa sua preocupação se manteve e porventura se agravou nos últimos anos. Nos actuais tempos vertiginosos da televisão, dos jornais e da internet, mas também dos livros, é particularmente difícil reunir tempo e condições de recuo para pensar. E, consequentemente, respeitar a densidade intelectual de um pensamento. É preciso acrescentar que, nesta sua preocupação, Derrida nunca foi reaccionário. Testemunhava, dava entrevistas, comparecia em documentários feitos sobre ele, respondia a todas as perguntas. Sem abdicar de enunciar as suas próprias condições, aquelas que considerava inalienáveis para a reflexão livre que fazia sobre o mundo. Parece-me fundamental, agora que ficamos sem a fonte viva dessa maneira de pensar e de fazer, lembrar isto num blogue. A verdade é que não podemos discutir a obra de Derrida aqui. Ou, se podemos (temos essa liberdade), temos de ter consciência da dificuldade em fazê-lo. Da dificuldade que há em fugir aqui ao rótulo imbecilizador (como nesta notícia da BBC), à ignorância arrogante que, com uma frase, pensa ter arrumado a obra de Derrida ou de qualquer outro pensador de grande envergadura. Para discutirmos sobre Derrida aqui teríamos de ganhar recuo, fugir ao tempo do blogue, ir ler, assentar em pressupostos comuns, e, se possível, começar então a debater, noutro tempo ou num blogue não mediático, fora do tempo mediático. O problema não é tanto ser difícil fazer essa reflexão aqui (há muitos lugares no mundo onde ela está a ser feita, inclusive, na obra de alguns pensadores singulares, em Portugal): o risco é, na vertigem do nosso senso comum publicado, perdermos a consciência das exigentes condições que a reflexão exige.

Derrida é sinónimo de paixão intelectual, de desejo de pensar e escrever o mundo, sem fronteiras, sem limites, sem disciplinas pelo meio.

Publicado por andrebelo em domingo 10 outubro 10:27 | Comentários (24)

outubro 09, 2004

Parem as máquinas!

Morreu Derrida.

Publicado por andrebelo em sábado 09 outubro 19:15 | Comentários (32)

O calcanhar de Kerry

A diferença entre Kerry e Bush, num debate, é de tal forma abissal que é difícil compará-los. Mas Kerry tem uma fragilidade: ter aprovado o Patriot Act, ter tido, durante demasiado tempo, um discurso confuso sobre o Iraque. Quem vive obcecado com a cautela de não assustar os eleitores flutuantes dificilmente consegue passar a uma imagem de convicção e firmeza. E a candidatura de Bush vai aproveitando, com sucesso, estas indecisões de Kerry. Uma boa lição para muita gente. Esperemos que no caso dos EUA, esta fraqueza dos democratas não leve a uma tragédia para todo o Mundo: a reeleição de Bush.

Publicado por danieloliveira em sábado 09 outubro 16:21 | Comentários (16)

Canais trocados

Ontem enganei-me no canal, quando queria ver o debate entre os candidatos à presidência americana. Liguei para a TVI. Lá estava George W. Bush. Mas, estranhamente, no lugar de Kerry, falava Júlia Pinheiro.

Publicado por danieloliveira em sábado 09 outubro 16:14 | Comentários (10)

Duelo no Missouri

Enquanto tomava o pequeno-almoço vi quase toda a repetição do debate Kerry/Bush que passou na CNN. Gostei mais deste modelo (perguntas feitas por um painel de eleitores “soft”, candidatos de microfone em punho passeando-se numa espécie de ringue): favorece o confronto directo entre os dois adversários e, apesar da rigidez das regras acordadas entre as duas candidaturas, deixa uma pequena margem para o improviso. Escaparam-me os primeiros 15 minutos, dominados pelo tema Iraque, pelo que não tenho todos os elementos para formar um juízo completo. Duma forma geral, achei Kerry mais assertivo nas suas intervenções, notava-se que trazia três ou quatro frases estudadas para ficarem na memória dos telespectadores, e julgo que se safou bem quando uma loura de ar angelical o tentou entalar na questão do aborto (Kerry é um católico praticante mas favorável à despenalização da IVG). Bush voltou a explorar o seu ponto fraco (as votações alegadamente contraditórias no Senado, especialmente em assuntos fiscais e na questão iraquiana), mas Kerry já apanhou o jeito para se explicar em 2 minutos. Teve uma boa tirada quando afirmou que, em termos de baixas sofridas, o Missouri era a terceira ou quarta potência da coligação. Foi incisivo quando descreveu uma das iniciativas ambientais de Bush (a “Clear Skies Act") como “um desses rótulos orwellianos que não querem dizer nada”, ou quando o fustigou pelo défice galopante, os cortes fiscais para os ricos, o fraco ritmo da criação de empregos. Bush voltou a surpreender-me pela positiva. Nem sempre conseguiu dominar o seu tique nervoso (as constantes piscadelas de olhos), mas praticamente não cometeu gaffes e engasgou-se poucas vezes. Adoptou uma postura humilde: não sendo um pensador, nem um sequer um bom orador, agarrou-se a fórmulas simples que “passam bem” na televisão e encaixam perfeitamente no minuto e meio que dispõe para cada intervenção. Não deve ter desiludido o seu eleitorado tradicional (embora os evangélicos possam ter estranhado a ausência de referências a Jesus) e é bem possível que tenha conseguido semear dúvidas entre os pequenos empresários em relação às medidas fiscais apregoadas por Kerry. Houve apenas uma pergunta sobre política ambiental e outra sobre a erosão das liberdades individuais pós-“Patriot Act”. Temas como a pena de morte, o "gun control", o crescimento da pobreza e das desigualdades sociais na América, estiveram ausentes. Ou seja, foi um debate dominado pelas questões que preocupam a classe média americana e pela memória traumática do 11 de Setembro. Foi mais renhido do que o anterior, mas ontem era Bush que estava pressionado para dar o xeque a Kerry - o que não aconteceu.
Publicado por pedrooliveira em sábado 09 outubro 15:26 | Comentários (2)

Ups!

Apaguei sem querer a minha análise ao debate Bush-Kerry de hoje. Agora não o posso refazer, portanto até amanhã.

Entretanto, o veredicto final é: o Bush de hoje ganhou ao Bush de uma semana atrás, mas Kerry ganhou aos dois.

Publicado por ruitavares em sábado 09 outubro 05:47 | Comentários (7)

outubro 08, 2004

Não está afastado o cenário de eleições antecipadas...

...no Sporting.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 08 outubro 20:44 | Comentários (16)

Ganhar e perder

Quando alguém é censurado entram sempre em cena os cínicos de serviço para mostrar como esse alguém ganhou com a história. "O Salman Rushdie? Eh pá, esse gajo se não fosse os aiatolas não era nada, pá..."

Com Marcelo, como é evidente, já existem diversas versões desse argumento, como a ridícula capa do Semanário de hoje em que se diz que Marcelo saiu da TVI porque o formato do seu comentário estava esgotado. Afinal, a derradeira emissão só foi vista por 1,6 milhões de pessoas (segundo o Público de ontem). Ainda bem que o formato do Semanário não está esgotado, senão ainda se arriscavam a ter leitores. E não dou uma semana para que apareçam as primeiras histórias sobre dinheiro: quanto ganhava o professor por minuto, quais os seus luxos e como correm boatos de que vai receber uma indemnização choruda.

Por mim, até poderiam provar que Marcelo subornou Rui Gomes da Silva para que este tivesse o seu ataquezinho epiléptico no parlamento. O que esta gente não percebe é que não interessa para nada o que ganhou Marcelo. O que é interessa é o que nós perdemos.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 08 outubro 19:08 | Comentários (14)

O sono das razões

A revista Sábado promete em capa explicar-nos todas as razões "porque Santana odeia Marcelo". Mas eu deixei de comprar a revista desde que ela contou tudo sobre "como Portugal vai ganhar a final do Euro à Grécia". Para jornalismo imaginativo prefiro a rábula de Ana Bola que ouvi ainda agora na TSF e onde a comediante explica que Santana pressionou o afastamento de Marcelo porque Cinha Jardim lhe exigiu ser a estrela da TVI. Ao menos Ana Bola teve mais trabalho do que as cabeças pensantes da Sábado.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 08 outubro 18:48 | Comentários (5)

Nikopol em movimento

O meu sonho está a acontecer: Enki Bilal, o meu autor de banda desenhada preferido, futurista da Guerra Fria, autor da “Caçada” (com Christin), uma previsão maravilhosa do que viria a ser Perestroika e o fim do bloco comunista, passou o seu melhor livro, a “Feira dos Imortais”, para cinema. É o seu terceiro filme, depois de “Bunker Palace Hotel” e “Thykho Moon”, mas o mais ambicioso. Ver Nikopol, o herói de uma trilogia, no cinema é o sonho de qualquer fanático deste desenhador jugoslavo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 08 outubro 17:47 | Comentários (13)

Agarrem-me, que eu estou outra vez muito preocupado!

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 08 outubro 15:27 | Comentários (32)

Nobel da Paz

Wangari Maathai, ecologista queniana, recebeu o Prémio Nobel da Paz. É a primeira africana a receber o Nobel.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 08 outubro 15:19 | Comentários (6)

O óptimo é inimigo do bom

Um grupo de militantes do PCP, segundo o DN, queria que Carvalho da Silva fosse o novo secretário-geral do PCP. Parece ser gente avisada. Mas é bom que guardem energias para outro desafio: manter, se Jerónimo de Sousa chegar à liderança do PCP, Carvalho da Silva à frente da CGTP. Não vai ser fácil. Mas é fundamental.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 08 outubro 13:26 | Comentários (23)

A nossa grande Quinta

Ontem vi, pela primeira vez, a Quinta das Celebridades. Olhando para a actual situação política, devo-vos confessar uma coisa: não sei o que é mais patético, se aquilo lá dentro, se isto cá fora. De repente, passando de Gomes da Silva e Morais Sarmento, no telejonal, para Castelo Branco e Cinha Jardim, na Quinta das Celebridades, aquela gente até me pareceu normal.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 08 outubro 12:38 | Comentários (25)

outubro 07, 2004

Sai Marcelo, sai Cavaco, e Santana fica sem candidato

Com Marcelo em guerra e Cavaco ao lado dele, Santana Lopes não tem nenhum candidato à presidência que não lhe queira a pele. Santana, que antes queria afastar os dois, consegue-o finalmente, mas quando ele próprio já está fora da corrida. E pensar que eles eram tantos. Agora, nem um.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 07 outubro 21:05 | Comentários (41)

Secção literária

O Barnabé orgulha-se de pré-publicar o índice do próximo romance de José Saramago, Ensaio Sobre o Contraditório:
Capítulo I, seguido de

"Estás cada vez mais insuportável", por António Lobo Antunes


Capítulo II, seguido de

"O protagonista devia ter menos 40 anos e a heroína ser mulata", por José Eduardo Agualusa


Capítulo III, seguido de

"Eu é que escrevi o grande romance pessoano", por Antonio Tabucchi


Capítulo IV, seguido de

"Você precisa de se alimentar melhor", por Miguel Esteves Cardoso


Capítulo V, seguido de

"Too much sand for my truck", by Margarida Rebelo Pinto


Capítulo VI, seguido de

"Não li mas é um disparate pegado", por Maria Filomena Mónica


Capítulo VII, seguido de

"Maningue desimaginoso", por Mia Couto


Capítulo VIII, seguido de

"Li enquanto bebia o café", por Marcelo Rebelo de Sousa seguido de
"Você não pode dizer uma coisa dessas!", por Rui Gomes da Silva seguido de
"Ligue-me à Editorial Caminho", por Pedro Santana Lopes.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 07 outubro 17:30 | Comentários (12)

Aqui não há contraditório possível

Rui Gomes da Silva diz que não se sente responsável pela saída de Marcelo da TVI. É natural, é muito difícil reciclar um irresponsável.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 07 outubro 15:50 | Comentários (5)

Negar o óbvio

Pivot da RTP: Carlos Magno, houve pressões para a saída de Marcelo?
Carlos Magno: Não.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 07 outubro 13:18 | Comentários (21)

As Novas Fronteiras, na oposição...

...passam mesmo pelo PSD.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 07 outubro 13:14 | Comentários (6)

Recordar é viver

Qual era a opinião de Pedro Santana Lopes quando Pedro Santana Lopes aceitou, no Verão do ano passado, ao sair da RTP, participar como comentador nos telejornais da SIC? Onde estava o contraditório e o pluralismo?
Achará Pedro Santana Lopes que não temos memória?

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 07 outubro 13:05 | Comentários (9)

O princípio do contraditório

Não está aqui em causa a defesa dos comentários que Marcelo faz. O que está em causa é, como dizia Voltaire, o direito dele fazer esses comentários.

Isso é o que tu dizes.


Só com muito descaramento o governo se lembrou agora de criticar o formato dos seus comentários.

Descarado és tu, pá.

Marcelo é um dos militantes mais antigos do PSD.

PPD/PSD, vê lá se aprendes. És mesmo parvalhão.

Foi presidente deste partido.

Está bem abelha

Faz estes comentários assim há quatro anos e meio sem nunca o PSD se ter queixado.

És um caixa d'óculos.

Ajudou à festa do fim do guterrismo.

Caixa d'óculos! Caixa d'óculos!

Levou o barrosismo ao colo, justificando as incompetências do anterior governo com "problemas de comunicação".

Não tou-te a ouvir! Tou a tapar os ouvidos! La-la-la-lalala!

Só agora, quando o santanismo não leva ainda três meses, é que o PSD descobriu os problemas com a falta de contraditório e a extensão dos comentários dominicais.

Olha! Olha! Tens macacos na nariz. Seu ranhoso, vai-te assoar!

E, para todos os efeitos, provocou o seu fim.

Cuecas às bolinhas! Mijas na cama!

À Media Capital só podem pedir responsabilidades os accionistas e a Alta-autoridade para a Comunicação Social.

Não és filho dos teus pais, piolhoso! A tua mãe encontrou-te no lixo!

Ao governo temos de pedir nós.

Cócó frito! Lombriga assada! Nhã nhã nhã!

Publicado por ruitavares em quinta-feira 07 outubro 12:57 | Comentários (10)

Para desanuviar, um post irrelevante

Jorge Sampaio vai receber Marcelo Rebelo de Sousa em Belém.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 07 outubro 10:13 | Comentários (33)

Barnabé procura membro do governo para integrar a sua equipa

Para salvaguardar a sua sobrevivência, o Barnabé está à procura de um membro do governo para um post diário, garantindo assim o "contraditório" e o "pluralismo". Não aceitamos assessores, mas estamos disponíveis para receber secretários de Estado ou ministros. Aconselha-se igual procedimento a todos os blogues.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 07 outubro 10:00 | Comentários (8)

Quem está mal com a Democracia, muda de profissão

Publicado por ruitavares em quinta-feira 07 outubro 00:32 | Comentários (17)

outubro 06, 2004

Santa estupidez

Longe de mim querer dar conselhos ao governo. Quanto mais asneiras fizerem mais provável será a sua derrota. Mas a estupidez incomoda-me. Provaram a força que têm junto dos media e até onde podem ir para calar os seus opositores, mas com isso não mostraram mais do que a sua própria fraqueza. Com a tentativa de calar Marcelo, não só entraram num terreno perigoso, como criaram um mártir. Marcelo falará todos os domingos na SIC, se quiser. Não o calaram. Deram-lhe mais força. Num momento pouco famoso para quase toda a oposição, é bom saber que o governo se encarrega de ser oposição a si próprio.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 23:29 | Comentários (19)

Já compraram a 12ª edição do Dicionário Novilíngua?

É que silenciar um crítico significa a partir de agora "assegurar o princípio do contraditório" e garantir "o pluralismo".
Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 22:23 | Comentários (31)

Emissário

Para quem tinha dúvidas sobre as razões porque saiu Marcelo da TVI, aqui está: «penso que esta saída resulta de pressões inaceitáveis do governo sobre um órgão de comunicação social». Quem o disse foi o porta-voz oficioso de Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 21:03 | Comentários (18)

Tapar o Sol com uma grelha de churrasco

A falta de vergonha na cara começa a ser epidémica no governo: ainda agora ouvi Nuno Morais Sarmento dizer na RTP que "se calhar" a TVI acabou com os comentários de Marcelo porque agora têm o futebol aos domingos.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 20:16 | Comentários (16)

Tapar o Sol com uma rede de capoeira

"Nunca pretendemos calar nenhum tipo de comentário." – Rui Gomes da Silva que, surpreendentemente, ainda é ministro.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 20:14 | Comentários (4)

Não se preocupem, o Santana já tratou do assunto

A Alta Autoridade para a Comunicação Social resolveu abrir um processo à participação de Marcelo Rebelo de Sousa nos telejornais da TVI. Como demorou três anos e precisou que um ministro falasse do assunto, o Governo acabou por tratar do assunto sozinho. Falassem antes e até mereciam um elogio. Agora, é o desprestígio final deste grupo de aves raras.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 19:39 | Comentários (9)

A vergonha

O que se passou hoje – o afastamento de Marcelo da TVI – foi o caso mais grave de censura em Portugal desde os tempos revolucionários. Podem sublinhar a palavra censura as vezes que quiserem, digo-o com noção do que estou a dizer. Não há piadinha, análise morfológica do formato dos comentários, leitura imaginativa sobre "o que ganhará" Marcelo que possa disfarçar esta vergonha.

É com espanto que ouço Pacheco Pereira na TSF criticar duramente (e correctamente) o governo e a TVI mas ainda dizer que é preciso esclarecer "se houve pressões".

Mas esclarecer o quê?

Um ministro atacou agressivamente um comentador e exigiu que a Alta-autoridade agisse sobre esse comentador. O patrão da Media Capital chamou esse comentador para uma conversa. Esse comentador demitiu-se e já nem sequer faz o seu próximo comentário, onde em princípio responderia ao ataque do ministro.

A Media Capital só poderia esclarecer este assunto se fosse para nos dizer que Miguel Paes do Amaral e Marcelo se reunem todas as quartas-feiras e que esta reunião estava combinada antes das declarações de Rui Gomes da Silva. Marcelo só poderia esclarecer-nos se fosse para declarar que um otorrino lhe disse que as suas cordas vocais só têm mais dois dias de vida e que não dá sequer para fazer o seu comentário de despedida no Domingo. O governo só poderia esclarecer-nos sobre as suas boas intenções se aconselhasse a RTP a contratar o comentador.

Rui Gomes da Silva, esse, não pode esclarecer nada. Todos vimos como ele convive mal com a liberdade de expressão. O seu único caminho é o da demissão.

Jorge Sampaio deveria cobrir a cabeça de cinzas. Está preocupado (e bem) com a democracia na Guiné-Bissau. Então e nós? Portugal não aguenta mais seis meses sequer desta gente.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 19:20 | Comentários (20)

À espera da factura

A Media Capital tem ambições na TV Cabo e na Televisão Digital Terrestre. A primeira depende da PT, onde o Estado tem uma voz definitiva. A segunda depende do governo. Agora, estaremos todos muito atentos, à espera da factura do afastamento de Marcelo.

Pode ser que não tenha sido nada disto que levou Pais do Amaral a ceder a Santana Lopes. Mas a verdade é que a iniciativa privada em Portugal não é, nem será tão cedo, independente do Estado. É que para continuar o processo de concentração, Cofina, Impresa, Media Capital e PT continuarão a precisar de umas ajudinhas dos vários governos.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 18:53 | Comentários (12)

O que é tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Contra ventos e marés, o nosso Barnabé Rebelo de Sousa está firme e forte ali na coluna da direita.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 18:45 | Comentários (1)

Um é dono, outro manda nos donos

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 16:57 | Comentários (9)

Quem põe e dispõe?

«O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa anunciou hoje à agência Lusa a sua saída imediata da TVI, na sequência de uma conversa com o presidente da Media Capital, ocorrida a pedido de Miguel Paes do Amaral.

"Na sequência de conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio", declarou Marcelo Rebelo de Sousa à agência Lusa.»

Nunca fui fã do modelo das conversas dominicais de Marcelo. Mas não deixa de ser interessante perceber até onde chega a mão do governo, na Comunicação Social.

O que é impressionante é o facto da esquerda, que, como nos estão sempre a explicar, domina a comunicação social, ter deixado Marcelo chegar onde chegou e, depois, quando ele começava a ser incómodo para o governo, ter deixado que corressem com ele. Explique-nos, José Pacheco Pereira: quem manda, afinal?

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 15:30 | Comentários (49)

Os actores secundários

Ontem o meu plano era escrever um comentário sobre o debate vice-presidencial nos EUA para o Barnabé mas quando aquilo acabou estava tão cheio de sono que não consegui dar conta.

Mais uma vez, eu ouvi – não vi – o debate. É muito provável que isto condicione a minha leitura, dada a maior telegenia do democrata Edwards; na rádio, contudo, quem ganhou foi o republicano Cheney.

Cheney pode ser um vilão e uma figura abominável, mas é credível enquanto vilão. Inteligente, sisudo; as suas tiradas mais temíveis são lançadas com uma brutalidade implacável e imagino que deixem os seus oponentes paralisados.

Quanto a Edwards – não sei como ponha isto – mas a verdade é que não gosto dele. Pode ser que eleitoralmente seja muito efectivo – porque parece o Ken da Barbie – porque tem um sotaque sulista carregado – porque está sempre sorridente – mas nenhuma destas coisas faz dele um político convincente, pelo menos quando o ouvimos e não o vemos, como foi o caso.

Acresce que Edwards não parece ter grande interesse pelas questões de política internacional, o que lhe retirou poder de argumentação por se perceber que ele não tinha nada de seu para dizer sobre o Iraque, etc., limitando-se a repetir os pontos de campanha – e o facto de eu concordar com eles não quer dizer que não prefira ouvi-los serem ditos com convicção, bem pelo contrário. Já na discussão sobre questões internas, que enquanto estrangeiro me interessa mais pela forma como pode influenciar o desfecho da corrida, a posição relativa inverteu-se. Era Cheney que não desejava ou não podia discutir os assuntos, e Edwards dominou. Mas no geral, o debate foi positivo para o republicano, porque embora as questões económicas possam contar mais no cômputo final, de momento o que era essencial era estancar a hemorragia de credibilidade provocada pela péssima prestação de Bush no debate anterior, que foi sobre questões internacionais.

Dito isto, há razões para sorrir também do lado democrata. Por um lado, Cheney tem tendência a mentir para vencer os debates; tentando arrasar Edwards disse que este não punha os pés no Senado e que o estava a conhecer ali pela primeira vez, e já existem imagens que provam o contrário. Por outro lado não conseguiu responder ao contra-ataque de Kerry, quando este lembrou o sinistro registo de Cheney no Senado (o homem até votou contra uma moção pela libertação de Mandela, por amor de Zeus!). Ainda mais surpreendente, não conseguiu dar resposta às acusações sobre a Halliburton, que incluem não só o dossier iraquiano, mas também negócios com o Irão e a Líbia sob embargo, corrupção, suborno e má gestão à moda da Enron. Depois destas duas, deu para entender por que é que a alcunha de Cheney é Darth Vader.

Finalmente, e mais importante, George Bush prepara-se para aparecer como o mais fraco de todos os quatro candidatos, incluindo os vice-presidentes.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 15:25 | Comentários (6)

Descubra as diferenças

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 12:03 | Comentários (45)

Descida à mente de um senhor muito responsável e realista

Aqui há uns dias escrevi que "que daria qualquer coisa para ouvir de novo Feliciano Barreiras Duarte aos gritos na TSF garantindo que os que se opunham ao governo nesta matéria [de política de imigração] eram irrealistas e irresponsáveis".

Não chegou a ser preciso dar nada porque em Barreiras Duarte a tentação é mais forte do que a conveniência. No seu artigo de anteontem no Público manifestou todos os sintomas do delírio do político profissional. Desde a megalomania:

"é unanimemente reconhecido que tanto o XV como o XVI Governos Constitucionais são pioneiros na criação de uma verdadeira política global e coerente para a imigração";


à visão paranóica dos adversários políticos:

"nunca na vida se tenham preocupado em ir aos bairros e aos locais de trabalho dos imigrantes";


passando pela fraseologia compulsiva:

"Enquanto uns falam e gritam, nós fazemos e apresentamos trabalho"


e terminando no descontrole emocional:

"não receamos que nos comparem aos que nos antecederam e a outros que nunca nada fizeram, a não ser usar a exploração e a miséria de alguns imigrantes para se fazerem ouvir e que têm como exclusiva proposta a demagogia e o populismo fácil e barato de Portugal abrir irresponsavelmente as portas à imigração sem regras",


estamos perante um caso de estudo do político que se crê em permanente palco de campanha eleitoral, mesmo quando lhe é apenas pedido que esclareça o público sobre a sua governação.

Tirando então a socialização da sua agressividade, o fundo do artigo de Feliciano Barreiros Duarte consiste em explicar que o sistema de quotas através do qual entraram três [3] imigrantes em Portugal em 2004 não falhou porque foram legalizados muito mais imigrantes através do processo acordado com o Brasil e através da regulamentação da lei de imigração que permitiu a legalização aos imigrantes que pagam segurança social e impostos em Portugal. E que portanto a "política global e coerente" do Governo está a funcionar.

Ora bem, qualquer pessoa minimamente atenta sabe que os dois processos que mais imigrantes legalizaram em Portugal não têm nada a ver com uma "política global" do Governo.

A legalização de brasileiros foi concedida através de um acordo de excepção, limitado no tempo e baseado num processo absurdo em que o imigrante tem de sair do território nacional para ir buscar o seu visto a Badajoz ou Vigo (!), após pressão de um país com o qual Portugal tem vínculos muito importantes e que tem fama e proveito de retaliar o mau tratamento dos seus cidadãos no estrangeiro (veja-se o caso das normas alfandegárias para cidadãos dos EUA que foram impostas em Dezembro do ano passado no Brasil).

A segunda legalização de que fala Barreiras Duarte é a prova acabada de que a "política global" já tinha falhado antes de nascer. Entre a aprovação da lei (com fortes suspeitas de inconstitucionalidade por parte, entre outros, da Ordem dos Advogados e da Conferência Episcopal Portuguesa) e o seu decreto regulatório passaram seis meses em que o Governo felizmente recuou um tanto – o que aliás foi reconhecido com algum alívio pela imprensa e pelos observadores. Pois não é esta uma legalização extraordinária encapotada que o Governo se tinha sempre recusado a fazer? E se era inteiramente justo que os imigrantes que descontam para a Segurança Social e pagam impostos fossem legalizados, porque esperou o Governo até ao meio do seu mandato para o fazer?

Entretanto, a ideia de que os consulados no estrangeiro funcionassem como postos avançados da política de imigração fracassou da forma que foi eloquentemente descrita pela investigação do Público. A imigração ilegal não foi dominada. E a universidade, empresa ou cônjuge que peça um visto para um estrangeiro continuam a esperar quase dois anos até o receber e não conseguir informação fidedigna nos próprios serviços do SEF. Restam algumas medidas positivas (como a criação do call center), mas a "política global" só existe na cabeça de Feliciano Barreiras Duarte.

Dito isto, poderia ser interessante discutir ideias sobre o que seria uma boa política de imigração. Mas, se não se importam, acho que isso é preferível fazê-lo com o Rodrigo Moita de Deus que mais cordialmente me questionou sobre o assunto n'O Acidental.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 06 outubro 11:26 | Comentários (4)

A memória, agora em português

A Memória

A memória foi um género literário
quando ainda não tinha nascido a escrita.
Veio a ser depois crónica e tradição
mas já fedia como um cadáver.
A memória vivente é imemorial,
não surge da mente, não se enraiza nela.
Junta-se ao existente como uma auréola
de névoa na cabeça. Está já esfumada, é duvidoso
que regresse. Nem sempre tem memória
de si.

Eugenio Montale, acabadinho de sair na Assírio & Alvim, pela mão de José Manuel de Vasconcelos.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 06 outubro 01:55 | Comentários (3)

Dias felizes para Santana

Depois da linha centrista ter tomado conta do PS, a linha ultra-dura tomará conta do PCP. Jorge Coelho grita que o PS não precisa do Bloco e do PCP para nada. Jaime Gama diz que são pequenas organizações sem representatividade. O PCP começará a gritar que a verdadeira esquerda, a pura e sem mácula, só no "glorioso". Nunca a vida esteve tão difícil para entendimentos à esquerda. E quando falo de entendimentos, não estou a falar de governos. Estou mesmo a falar de coordenação na oposição ao pior governo da nossa democracia.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 01:11 | Comentários (19)

Ingenuidades

O nome do futuro lider do PCP já está seguramente escolhido, mas falta preparar as bases. E para quem julga que por ali não se luta pelo poder, este será um mês de grandes surpresas. O PCP é como qualquer organização. É verdade que nem tudo se diz para dentro e que nada se diz para fora. Mas tudo se faz como nos outros lados: lutas de bastidores, traições, alianças. Com outras regras, não escritas nem explícitas. Mas no fim, é como em todo o lado: o poder conta sempre e quem não o tem quer tê-lo. Perigosos, só mesmo os ingénuos que julgam que pode ser diferente.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 06 outubro 00:55 | Comentários (15)

outubro 05, 2004

O saber das parteiras

Se há uma profissão cuja utilidade é indiscutível é a de parteira. E, no entanto, não vejo nenhuma exercer funções onde elas, com o seu saber humano acumulado, deviam ter assento por inerência: nem nas reuniões dos conselhos de administração das empresas nem no Conselho de Estado.

Publicado por andrebelo em terça-feira 05 outubro 21:47 | Comentários (7)

De um relativismo inaceitável

Um bébé nasce. Ao feliz pai fazem a pergunta do costume: "é claro que achas que o teu bébé é o bébé mais bonito do mundo". O pai vai respondendo mecânica mas sinceramente que não, juntando à resposta vagas justificações morais em que na verdade não acredita muito. Depois reflecte e percebe melhor a sua negativa: na formulação da pergunta está implícito que essa mesma pessoa que agora lhe pergunta isto já perguntou o mesmo a todos os felizes pais deste mundo que conhece, os quais lhe responderam evidentemente que sim. E responder que sim seria juntar mais um "bébé mais bonito do mundo" a todos os outros, cada um dos quais com legítimas pretensões ao título do mais bonito. O que seria, para o feliz pai, de um relativismo inaceitável.

Publicado por andrebelo em terça-feira 05 outubro 21:27 | Comentários (3)

O Álbum republicano de Joshua e Aurélio

Quem seguiu os primeiros meses do Barnabé, principalmente as "Imagens do Dia" que eu costumava aqui publicar (e que vão voltar um dia destes), sabe que tenho dois heróis na fotografia portuguesa da viragem do século (XIX para o XX): Aurélio da Paz dos Reis e Joshua Benoliel. Não sei qual deles era melhor fotógrafo nem personagem mais fascinante. Este é um daqueles casos em que uma autor ilumina o outro; quanto mais conhecemos uma obra melhor compreendemos a outra.

Aurélio da Paz dos Reis não era "da Paz" e muito menos "dos Reis". Ainda jovem foi preso na revolta republicana do 31 de Janeiro no Porto e nunca deixou de ser um republicano convicto. Joshua Benoliel tinha simpatias monárquicas, fora fotógrafo da família real, e havia ficado imporessionado com o regícidio de 1908 que por pouco não fotografou. Aurélio da Paz dos Reis era um portuense, dono de uma empresa de comércio de flores, que viveu toda a intensa vida cultural e política naquela época dourada da industrialização e da burguesia do Norte. Joshua Benoliel era um judeu português nascido em Gibraltar (ou Tanger), que se tornou num lisboeta que tão depressa fotografava a estreia de uma ópera no São Carlos como uma cena de boémia no Bairro Alto. Aurélio foi o nosso primeiro cineasta. Joshua foi o nosso primeiro fotojornalista.

Tinham em comum: a pequena burguesia, a fotografia e, acima de tudo, uma humor leve e uma atitude auto-irónica bem patente nos seus auto-retratos e nas anedotas que sobre eles circulavam. No verso de uma caricatura de Aurélio escreveu-se "Aurélio da Paz dos Reis — floricultor — fotógrafo amador — sempre Republicano, cultivado e parte da sociedade mais refinada, interessante, e cavalheiresca". Para Joshua Benoliel inventou-se a quadra "Joshua Benoliel / fotógrafo beduíno / tanto fotografa o rei / como fotografa o Bernardino" (o "Bernardino" era Bernardino Machado, líder republicano e futuro Presidente). Joshua achou piada aos versos e resolveu fazer um auto-retrato vestido de beduíno, que infelizmente não tenho para vos mostrar.

Coincidiram em Lisboa no dia 5 de Outubro de 1910. Joshua Benoliel fazia a cobertura da revolução para a sua revista, a Ilustração Portuguesa. Aurélio da Paz dos Reis regressava do Brasil e teve a sorte de assistir ao dia por que tinha esperado desde a sua juventude: a revolução republicana.

Para comemorar o 5 de Outubro, o Barnabé oferece aos seus leitores um álbum de fotografias republicanas de Joshua Benoliel e Aurélio da Paz dos Reis. Bom proveito.

Afinal de contas, e passado muitas tentativas, não foi possível fazer o upload do álbum. Fica a intenção e quando resolver o problema prometo que faço um post a avisar.

Publicado por ruitavares em terça-feira 05 outubro 21:23 | Comentários (2)

Gioia

Quem vê assim pensa que você é muito minha filha

Mas na verdade você é bem mais minha mãe

Meu bichinho bonito, meu bichinho bonito

Meu bichinho bonito

Tudo é mesmo muito grande assim porque Deus quer

Minha mulher, minha mulher

Minha mulher

Quando eu for velho

Quando eu for velhinho

Bem velhinho

Como seremos

Como serei

Como será?

Meu bichinho bonito

Meu bichinho bonito

Meu bichinho bonito

Tudo é mesmo muito grande assim

Porque Deus quer

Minha mulher

Minha mulher

Minha mulher

(Caetano Veloso, "Minha Mulher", disco "Jóia", 1975)

Publicado por andrebelo em terça-feira 05 outubro 21:17 | Comentários (4)

Porque é que os ortodoxos dispensam Carvalhas?

Se, afastados todos os inimigos internos, podes ter todo o poder, para quê o dividir?
Foi Carlos Carvalhas que tratou de se tornar inútil. Ao afastar os renovadores e entregar-se à linha dura, acabou com a razão de ser do seu mandato: manter o equilibrio entre renovadores e ortodoxos.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 16:36 | Comentários (44)

Sim, é possível!

[Jerónimo de Sousa]

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 14:39 | Comentários (18)

Como o tempo passa: 12 anos e nem demos por ele.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 14:35 | Comentários (18)

No PCP, tudo na mesma

Carvalhas abandona liderança.

Publicado por ruitavares em terça-feira 05 outubro 14:25 | Comentários (3)

Foi uma excelente ideia

5 de Outubro de 1910

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 14:20 | Comentários (11)

Oh-oh, é pior do que nós pensávamos

Associated Press: "Rumsfeld doesn't expect civil war in Iraq".

Publicado por ruitavares em terça-feira 05 outubro 13:12 | Comentários (1)

Ministro dos assuntos para lamentar

"O ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou hoje estranhar o silêncio da Alta Autoridade para a Comunicação Social em relação aos comentários de "ódio" feitos pelo ex- presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos na TVI." LUSA, ontem.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 12:47 | Comentários (12)

Quem é que não vê, quem é que não acha, que o meu IRS põe o Jardim em marcha?

Amanhã, começa a campanha eleitoral na Madeira. Aqui está a minha contribuição financeira para o primeiro dia de campanha de Alberto João Jardim:
Inauguração da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos;
Inauguração da ampliação do reservatório da Cancela;
Inauguração do caminho municipal da Marinheira;
Inauguração do caminho municipal entre a Ribeira de São Fernando e a Morena;
Inauguração do arranjo urbanístico da frente-mar do Caniçal;
Inauguração do jardim, estacionamento e arranjo do centro do Caniço.

Todas entre as 10 e as 16 horas do primeiro dia de campanha eleitoral. Lá para a noite, parece que há comícios. Mas esses, por enquanto, ainda é o PSD que os paga.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 04:36 | Comentários (17)

O Perigo Amarelo

Não há números ao certo. Mas parece que a incidência de hepatite B nos imigrantes vindos da Europa de Leste é superior à do resto da Europa. Uma notícia na página 20 do DN de ontem, diz-nos que a única base para esta hipótese é apenas confirmada pelas impressões de alguns médicos, de que são citados dois exemplos, um português e outro francês. Não existem rastreios, inquéritos aos hospitais europeus, contagem de diagnósticos, nem sequer dados sobre a ocorrência de cirroses hepáticas ou cancros do fígado nestas comunidades. É a impressão de alguns médicos, que vale o que vale, e que talvez justifique uma notícia na página 20.

Só que no Diário de Notícias esta notícia foi chamada a manchete principal na primeira página, acima até do Congresso do PS e da prisão do "número um" da ETA. Título:


"Imigrantes do Leste chegam infectados com hepatite B".


O título poderia ser "Hepatite B tem maior incidência entre imigrantes de Leste". Seria ridículo chamar uma notícia que não tem praticamente base documental à primeira página. Mas enfim. O título poderia ser "Médicos preocupados com hepatite B entre imigrante de Leste".

Mas não foi.

A manchete foi "Imigrantes do Leste chegam infectados com hepatite B". Há uma diferença, e enorme: para o transeunte que lê as gordas isto pode querer dizer que, em geral, estes imigrantes vêm infectados e são um perigo. E não há nada no artigo que justifique esta leitura. É puro e simples mau jornalismo.

Como bem lembra o Boss das Renas e Veados, seria a mesma que um jornal luxemburguês fazer uma manchete

Portugueses chegam infectados com SIDA


para a qual, note-se, haveria base documental bem mais sólida.

Vamos lá ver se o Diário de Notícias não desce da direita alta, onde perdeu leitores, para o tabloidismo baixo.

Publicado por ruitavares em terça-feira 05 outubro 04:12 | Comentários (25)

Novas fronteiras

Já sei que o Celso e o Pedro se vão zangar, mas, e com algum atraso, li finalmente o resumo da intervenção de Sócrates no Congresso do PS. Fiquei impressionado: análise da situação económica, posicionamento em relação à situação internacional, crítica à situação social do país, propostas para o futuro, linha programática, posicionamento ideológico, papel do Estado... Em tudo, deserto a perder de vista.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 05 outubro 03:33 | Comentários (3)

A ingratidão é uma coisa muito feia

A Associação Nacional de Veteranos de Guerra convocou uma manifestação para o próximo dia 20 de Outubro para contestar os valores da pensão de guerra a que vão ter direito os combatentes do ultra-mar, uma batalha de anos de Paulo Portas. O valor da pensão (atribuida uma vez por ano) é em média de 155 Euros, o que dá qualquer coisa como 42 cêntimos por dia. Francamente, não percebo como pode haver gente tão ingrata: então o governo predispõe-se a comparticipar quase em 90% a biquinha do almoço (os combatentes do ultramar já não estão em idade para beber bica à noite, faz mal à tensão alta) e eles ainda se queixam?

Publicado por celsomartins em terça-feira 05 outubro 01:42 | Comentários (8)

outubro 04, 2004

Teoria dos sistemas

Alguns sistemas ainda funcionam, outros são muito pouco sistemáticos.
Publicado por celsomartins em segunda-feira 04 outubro 23:31 | Comentários (11)

A esmolinha

A CGTP criticou, e bem, a tolerância de ponte dada pelo governo. Perante as críticas, o governo respondeu que espera que aquela central sindical se mostre tão preocupada com a produtividade quando marcar uma greve. Só que o ponto está exactamente aí: quem se bate por direitos, dispensa favores.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 04 outubro 21:39 | Comentários (16)

Pantera Cor-de-Rosa

O Canal Hollywood tem sido justamente criticado por introduzir blocos de publicidade de 3 minutos nos seus filmes da noite. Mas eu diria que ontem quase se redimiram ao programar “A Pantera Cor-de-Rosa” (1963), com o impagável Peter Sellers. As saudades que já tinha do Inspector Jacques Clouseau! (este site presta-lhe um merecido tributo). E, por favor, não queiram ver neste post uma referência subliminar às feras cor-de-rosa que neste último fim-de-semana rugiram em Guimarães. A sério.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 04 outubro 15:52 | Comentários (10)

Três em linha

Os apoiantes de Bush, como por exemplo o MacGuffin de Contra-a-Corrente, continuam a zurzir em John Kerry por este ter dito que a Guerra do Iraque foi "a guerra errada, no país errado, no momento errado".

Ainda bem. É reconfortante saber que ainda existe gente que depois disto tudo, e com tudo o que ainda está para vir, continua a achar que se tratou da guerra certa, no país certo e no momento certo.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 04 outubro 15:28 | Comentários (12)

Resposta de José Neves

Sobre este texto do José Neves (”Outras palavras”), no “Público”, escrevi um post ”A cultura de esquerda precisa do poder de Estado”. Em resposta, o José Neves enviou-me este texto que, por ter estado afastado da Internet, demorou a publicar. Segue no link em baixo. Aconselho leitura com tempo. Brevemente responderei. E, desde já, obrigado ao José Neves.

Caro Daniel:

Anda um tipo a tentar evitar o mundo do blogue e tu matreiramente lanças a armadilha. Nela caio, então. Não vou responder a todos os teus argumentos, nem debater todas as opiniões que expressas. Apenas algumas, várias, notas:

1. Creio que há um equívoco conceptual, antes de mais. Eu não digo que o poder não deva interessar à “esquerda”. Nem digo que o Estado não tem poder. Digo sim que: a) o poder não se limita ao poder que se joga na esfera do Estado e no campo político-institucional; b) e digo que à esquerda não deve interessar promover/alimentar/viver nesse campo do poder do Estado e da esfera-político institucional. E que, sobretudo, não deve esse poder que se joga nessa esfera político-institucional ser a principal arena onde se move a esquerda (deixando para depois se deve sequer ser arena secundária onde mover).

2. Aqui, creio, as nossas divergências político-ideológicas de fundo começam a fazer-se sentir. Eu aposto e milito por uma sociedade sem Estado, sem patrões e sem trabalhadores, sem nações e mais umas quantas larachas libertárias que ao de leve experimentei no meu curto tempo de vida. Tu não acreditas nesta hipótese, mas convirás (?) que para quem aposte numa sociedade sem Estado – identificando nele o constelar do princípio da divisão do trabalho político (representantes, por um lado, representados, por outro lado, blá, blá, blá) – torna-se complexo aceitar teoricamente a ideia de utilizar o poder de Estado para acabar com o próprio Estado.

3. Como bem dizes, ainda que eu não chame a isso “experiência comunista”, tal levou a milhões de mortos. Dos campos de concentração do estalinismo aos mortos da guerra promovida por governos social-democratas. Utilizar o Estado para acabar com o Estado – a tradição do herdeiro do bolchevique revolucionário – mergulha-me numa contradição clássica entre forma e conteúdo: o instrumento torna-se parte do braço e funde-se com ele. O Estado, que antes era meio da Esquerda, torna-se parte do utilizador e até acaba por devorá-lo. Como o Frankenstein.

4. A questão não se resolve limitando-a ao velho debate entre reformistas e revolucionários. Mais não seja porque, como bem sabes, a parte dominante dos chamados revolucionários – a tradição marxista-leninista – em pouco difere da parte reformista em relação à correlação entre poder político e poder social. O poder dos movimentos sociais interessa ao marxismo-leninismo em si mesmo, mas, em bom sentido, ele interessa na medida em que acabe por se submeter à condução política do poder político – ou seja, em última instância, ele é tido como “impotente”. Daí, por exemplo, a política de vanguarda e de controlo dos partidos de tradição leninista em relação ao movimento social. Neste sentido, a tradição marxista-leninista encontra-se mais perto de ti do que superficialmente possa parecer (não nas tuas práticas de controlo, mas na tua ideia da impotência desse movimento social – e não falo aqui, apesar de ser membro da ATTAC, das experiências do Fórum disto e da manifestação global daquilo; o que afirmo seria válido sem essas realidades que hoje me interessam).

5. Tens toda a razão ao dizer que o poder dos Estados é menor hoje mas que isso é apenas parte da verdade. Ele ainda existe, estamos de acordo. E esse é que é um problema para mim. Porque o Estado, como a nação, é parte do problema e não parte da solução. É exactamente porque ele ainda existe que contra ele ainda escrevo.

6 . Creio que a simplificação do Estado como representante dos interesses da burguesia, que marca boa parte da tradição de esquerda, merece ser criticada. O Estado é qualquer coisa de historicamente complexo, concordo. As lógicas do seu funcionamento político, contudo, exprimem princípios dos quais discordo, sejam eles habituais no Estado burguês ou no Partido Proletário.

7. Precipitas-te, ainda assim, em crer que a direita dispensa o Estado. Ele é decisivo, por exemplo, na afirmação do capitalismo neoliberal. Leia-se, por exemplo de novo, o papel do Estado enquanto organizador da injustiça fiscal. Recorda ainda, a este respeito, as espertas palavras de Almeida Santos há alguns meses atrás: sobre o 25 de Abril, Almeida Santos dizia que a direita não deveria criticar as nacionalizações de então, pois elas foram a única forma de tirar o controlo das fábricas e dos lugares de produção aos produtores - de como o capitalismo se escreve direito por linhas tortas.

8. Dizes que “a esquerda que se reclama alternativa tem que provar que é capaz de encontrar soluções para problemas concretos”. Aqui tenho de começar por criticar o teu hábito “matemático” de abordar, por vezes, as coisas da política. Eu não tenho de provar nada para sustentar o que sustento. Como o facto do governo francês do Jospin ter falhado, por exemplo, não invalida necessariamente o que tu defendes. As “evidências” não provam nada. Nem nos podem limitar – como dizia o Júlio Pinto: as paisagens que não existem não podem ser destruídas pela bulldozer. Mas, se queres concretização da alternativa: as redes sociais que preenchem as funções sociais do Estado pelo mundo fora – da rede social da Igreja Católica, se quiseres, aos circuitos autónomos na Argentina da última crise ou à relação de vizinhança nos subúrbios de Lisboa – são experiências sociais para as quais, não sendo necessariamente políticas nem necessariamente programáticas, é indispensável olhar como princípios de uma alternativa. E são experiências que oferecem soluções para os tais problemas concretos que referes.

9. Não ouvirás, da minha boca, palavra que prometa amanhã que cante. O amanhã é longe demais, dizia a música dos Delfins ou semelhantes, e é até uma grande verdade. Não procurarei adiar para amanhã o que quer que seja. O comunismo não é para depois do socialismo e não há fases intermédias. Ele é o programa mínimo e só pode nascer da acção que parte da sociedade que já existe, como a experiência da produção enquanto actividade comum e cooperativa. E, por isso, mesmo não me peças para viver o presente como um meio vazio a caminho do futuro radioso do sol da meia-noite nórdico ou do sol da terra russo.

10. Não proponho pois qualquer tudo ou nada. No mundo de hoje, existe um perigo real de catástrofes. Mas a alternativa a este mundo não mora em qualquer amanhã que cante, qualquer ilha estalinista no Caribe ou qualquer solução soberanista ou qualquer recanto social-democrata. Nem o Lula de hoje, nem o Estaline de sempre, nem o Fidel estadista, nem o Escandinavo de serviço – aliás, quando se falar da taxa de desenvolvimento dos países de leste com a ligeireza de tomar desenvolvimento por felicidade, é bom não esquecer de perguntar a opinião sobre as virtudes do modelo escandinavo aos suecos, finlandeses e noruegueses que se suicidam a cada dia que passa (já é tarde: admito que este argumento sobre o Absolut Vodka da social-democracia seja algo falacioso...).

11. A alternativa mora nas ambiguidades deste mesmo mundo que hoje estará à beira da catástrofe. A forma dual como se pode ler o processo de globalização – entre projecto neoliberal capitalista e desejo cosmopolita de muitas multidões – é um exemplo dessa ambiguidade. E, aproveitando a boleia, remeto para a minha recensão ao Império, do Negri e do Hardt, que este Sábado publiquei no Público/Mil Folhas.

12. Por fim, a interjeição de força da tua crítica: “Interessa saber quem manda”. Mandam várias pessoas em vários sítios: no governo português, manda o Santana; no PS, mandará o Sócrates; no Sócrates e no Santana, manda o Bilderberg; no Bilderberg, manda o Bush; no Bush, manda o Bilderberg; em casa do Bush, manda o pai do Bush; na mulher do Bush, manda o Bush; no preto que conduz a mulher do Bush, manda o hispânico que é chefe serviço de motoristas do FBI; no hispânico do serviço de motoristas do FBI, manda o branco do serviço de motoristas da CIA; e por aí fora, até o Dias da Cunha começar a ter razão: no Porto, manda o Jorge Costa; no Jorge Costa, manda o Pinto da Costa; no Pinto da Costa, manda o Sistema; no sistema, manda o Santana; etc., etc., etc.. Agora diz-me lá, no meio de tantas relações desiguais de força e de dominação, da alta política à baixa bola, onde é que está o centro dessa “coisa” a que chamas poder?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 04 outubro 14:35 | Comentários (12)

Vitória por karaoke


Propaganda à "chapa" presidencial de Susilo Bambang Yudhoiono [foto Reuters].

Da Indonésia, e à distância, as notícias não parecem grande coisa. Os eleitores escolheram um general da antiga clique de Suharto, Susilo Bambang Yudhoiono, para presidente. Segundo as projecções, Bambang – que se assume como um viciado em karaoke – vai ter mais 24 milhões de votos do que a ineficaz Megawati Sukarnoputri. Para piorar as coisas, a economia do país parece estar em mau estado, com os seus muitos pobres a sofrer as consequências.

Não parece haver figuras civis emergentes: a Indonésia começa a ficar parecida com a Turquia, oscilando entre os militares e os partidos islâmicos.

Do lado bom, lembremo-nos que esta foi a primeira eleição presidencial por voto directo. Que correu tudo pacificamente e sem dúvidas quanto à justiça eleitoral. E que a Indonésia é uma recém-chegada à democracia, pelo que ainda é cedo para tirar conclusões. E, finalmente, que não ganhou outro general karaokista, Wiranto, de má memória para os timorenses com alguma memória. Gostaria de ler um comentário de Ana Gomes a este resultado no Causa Nossa.

Reparo que não tínhamos nenhum jornal indonésio na nossa lista de linques de imprensa, ali à direita. Vou acrescentar agora mesmo a versão em inglês da revista Tempo, que fez o melhor jornalismo de oposição durante a ditadura de Suharto.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 04 outubro 14:10 | Comentários (4)

Tories convertem-se ao facho-chic


O novo símbolo do partido conservador, à esquerda, e o antigo, à direita.

O Partido Conservador britânico retocou o seu símbolo, que era um bocadinho deslavado, para o modernizar de acordo com o pior gosto dos anos 30 do século passado. Assim em enorme, por detrás do palanque dos oradores do congresso desta semana em Bournemouth, vai dar um efeitozaço.

Os nossos "pequenos lordes", como lhes chama o Pedro Oliveira, já podem descarregar os novos símbolos nesta página e colocá-los como papel-de-parede no computador. Ou até em casa.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 04 outubro 13:29 | Comentários (16)

Technicolor Springfield

Milhares de matizes de pele amarela. Espaço vital para a barriga de Homer e a cabeleira de Marge. Bart mostra a bunda em 10 por 3 metros e arrota em dolby surround.

Os Simpsons chegam ao cinema.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 04 outubro 13:11 | Comentários (4)

outubro 03, 2004

Aumenta-lhes as propinas, pá e 'tá o caso resolvido!

«Reitor da Católica quer novas regras para bares e discotecas. Manuel Braga da Cruz diz que pressão da indústria de diversão nocturna contribui para o insucesso no ensino superior e pede intervenção do Estado.», in Público. No exacto momento histórico em que o Estado se vai demitindo de algumas das suas funções modernas (garantir saúde e educação, por ex.), há quem não esconda uma tentação totalitária de o pôr ao serviço da ordenação da vida privada de homens e mulheres adultos.

Publicado por celsomartins em domingo 03 outubro 18:53 | Comentários (43)

Sobre o último discurso de Sócrates

"D' Alema dì una cosa di sinistra,
dì una cosa anche non di sinistra, di civiltà,
D' Alema dì una cosa,
dì qualcosa, reagisci!"

Nanni Moretti, em Aprile

Publicado por danieloliveira em domingo 03 outubro 17:01 | Comentários (18)

E todo o santanismo será recompensado

«Manuel Frexes [ex-sub-secretário de Estado de Santana Lopes] é o novo presidente dos autarcas do PSD.», in Público, sexta-feira.

Publicado por celsomartins em domingo 03 outubro 16:53 | Comentários (3)

Paradoxo

Jaime Gama animou congresso do partido socialista.

Publicado por danieloliveira em domingo 03 outubro 00:34 | Comentários (13)

outubro 02, 2004

Animem-se as hostes socialistas

O chefe da claque está de volta.

Publicado por danieloliveira em sábado 02 outubro 20:19 | Comentários (52)

outubro 01, 2004

Escandaloso! Como é que o porteiro da 5 de Outubro sai disto sem assumir as suas responsabilidades?

A directora-geral dos Recursos Humanos da Educação demitiu-se e a ministra da Educação diz que, se não há aulas em todas as escolas, a culpa é dos atestados médicos.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 01 outubro 23:07 | Comentários (19)

Homenagem póstuma

Narciso Miranda e Manuel Seabra vão ser eleitos para o Conselho Nacional do PS.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 01 outubro 22:39 | Comentários (28)

Nós bem tentamos continuar a rir

Santana pede "Estado de Graça" para o Governo.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 01 outubro 16:48 | Comentários (20)

O quê, como em Abu Ghraib?

Na verdade, Bush esteve tão mal que nem a parte dos comentários informais lhe saiu a direito. À blogosfera americana [aqui e aqui, nomeadamente] não escapou o simbolismo do seu comentário bem-humorado acerca das filhas:

"É, tenho de lhes arranjar uma coleira."

Publicado por ruitavares em sexta-feira 01 outubro 12:42 | Comentários (17)

A presidencialização de Kerry

Como não tenho TVCabo, ouvi o debate pela NPR, a rádio pública norte-americana [a propósito, poderão encontrar os ficheiros audio deste e dos próximos debates nesta outra rádio]. Só depois dei uma olhada, breve, aos vídeos que estão disponíveis nesta página da FoxNews.

É então possível que eu tenha perdido qualquer coisa da atitude corporal, dos tiques faciais, daquelas coisas todas que a mitologia diz que ganham e perdem debates. Por outro lado, o facto de só ter tido som permitiu-me seguir com muita atenção a linha argumentativa do debate.

A imaturidade de Bush é impressionante mesmo quando não é a primeira que se vê. As expectativas com ele já são baixas, mas a forma como abandona o rumo do seu discurso, dá respostas extravagantes e se refugia constantemente nas únicas duas ideias que consegue formular é algo verdadeiramente inquietante. Acho que Bush entrará para a história sem se perceber nada dele, porque a sua burrice o torna opaco.

Kerry é o oposto: um tipo que raramente deixa de interligar tudo o que diz. Hoje ganhou o debate, como concluíram as primeiras sondagens relâmpago:

CBS ABC CNN ARG
Kerry 44 45 53 51
Bush 26 36 37 41
Unsure 30 17 10 8

Isto, contudo, pode ser pouco importante. Bush conseguiu repetir (para todos os tipos de perguntas) a ideia de que Kerry é inconsistente, e é isso que a sua campanha vai repetir a todo o momento até que as pessoas esqueçam que Kerry ganhou o debate.

Mais importante do que Kerry ter ganho o debate – e ganhou-o de longe – é o facto de ele se ter finalmente "presidencializado".

Vejamos: existe muita esquerda que não entende como é que Bush chegou a Presidente. Para o grande público, no entanto, ele já é o presidente. As objecções são desmentidas pela realidade.

A realidade para o candidato que vem de fora é completamente diferente. Por melhor que ele seja, não parece um presidente. Pela simples razão de que não o é (ainda). Mesmo Reagan não era visto como um potencial presidente até muito pouco antes da eleições. Essa é uma decisão que é tomada no fio de navalha, mas agora todas as pessoas que não achavam que Kerry pudesse chegar a presidente viram-no no mesmo plano do Presidente actual. Todos os ataques a Kerry como fraco ou inconsistente correm agora o risco de se dissolver de encontro à sua nova imagem, não porque ele se tenha defendido, mas porque o auto-domínio e a seriedade com que encarou aquele debate o defenderam a ele. As pessoas imaginaram-no como presidente pela primeira vez, e gostaram do que viram.

Se a máquina republicana não vencer a propaganda pós-debate, a imagem pública será esta: o "Presidente Bush" pareceu perdido, o "Senador Kerry" pareceu Presidente.

A questão que agora se coloca: quantos verdadeiros indecisos e abstencionistas ainda existem para ser convencidos por esta vitória?

Este post foi escrito a dormir e reeditado agora. Não excluo dar-lhe ainda mais uns toques depois.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 01 outubro 06:14 | Comentários (36)