Aquela sensação do "coiso"

Pelo que se viu já na TV e na capa do DN, o tema do fim-de-semana será: "Sampaio defende novo sistema político para favorecer maiorias". Como sempre no momento em que um dos maiores partidos torna o país ingovernável, começam a surgir as teorias do favorecimento à formação de maiorias, aqui expendidas por Pacheco Pereira e pelo próprio Presidente da República. E antes que vá toda a gente atrás da opinião da moda, talvez não fosse má ideia lembrar que o último governo a durar os quatro anos completos em Portugal foi um governo minoritário – o primeiro de Guterres. E que se este governo de agora caiu a meio do mandato não foi certamente por falta de maioria – ou será que a memória de Sampaio não arquiva factos com mais de um mês? Se calhar antes de se criar um novo sistema para favorecer as maiorias podia pensar-se também nos seguintes: – um novo sistema contra primeiros-ministros mimados; – um novo sistema contra primeiros-ministros fujões; - um novo sistema contra presidentes tótós; - um novo sistema contra governos kamikaze; tudo isso seria óptimo antes de se pensar em "reforçar o mecanismo, mantendo a proporcionalidade, para chegar à possibilidade de fazer maiorias com mais facilidade" – na inconfundível formulação Sampaiana. Ou na versão, também muito pessoal, de Pacheco Pereira: "temos um sistema eleitoral em que a pulsão do eleitorado é para um sistema bipolar [...] o eleitorado quer maiorias [...] devia ser feito um esforço para diminuir o número de votos necessários para ter um governo monocolor". Porque é que, ao ler estas frases, fico logo com aquela sensação de que me estão a querer enfiar o barrete – com a sensação, segundo Ricardo Araújo Pereira, "do coiso"? Se o eleitorado quer maiorias, por que raio é preciso facilitá-las? Se se vai distorcer a proporção de votos no partido vencedor, como raio se vai manter a proporcionalidade? Não e renão. O sistema português já facilita as maiorias, que começam por volta dos 43%. Cavaco teve duas. Se agora ninguém chegar lá, foi porque o eleitorado não quis e não precisa que se lhe interpretem "as pulsões". Convençam-nos antes a dar-vos uma maioria; caso contrário, desenrasquem-se com os votos que nós vos dermos.

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Comment Posted by: INRInacruz, o Observador
Custa-me compreender a existência de coligações, muitas vezes entre partidos que de comum nada têm. E quanto a maiorias, de facto, isso também não me preocupa muito, o povo é soberano e deve ser ele, sem maquinação, a decidir se um partido vai ou não poder aplicar o seu programa de forma maioritária. Deixem as coisas tomar o seu rumo natural... Já agora deixo aqui também a sugestão de um blog que vai comentando os acontecimentos de poiares, e não só: INRInacruz, o Observador

Comment Posted by: INRInacruz, o Observador
Até as coligações me fazem confusão... Como é possível partidos que de comum nada têm irem juntos para um mesmo combate político...? E quanto a maiorias, o melhor é deixar o povo dizer se pretende que algum partido aplique o seu programa de forma maioritária ou não. Deixemos as coisas seguir o seu rumo normal, sem qualquer tentativa de influência que não seja a do povo soberano.

Comment Posted by: LuisC
A ideia de facilitar as maiorias serve, sobretudo, para bipolarizar a política em dois partdos, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos. Não são os eleitores que têm que mudar, mas sim os partidos, aprendendo a fazer melhor politica, e aprendendo a governar sem maiorias.

Comment Posted by: s-o-v-i-e-t
- Não sabia q o Sampaio, agora, tbm fazia Stand Up Comedy?!

Comment Posted by: José Manuel Faria
O nosso sistema político deveria ser mais proporcional e por isso, mais democrático. Se os deputados representam a Nação, como diz a Constituição, porquê os círculos distritais. Haveria ser Círculo único Nacional, com menos deputados, aí sim os votos nunca seriam para o lixo, todos contavam. Os "grandes" partidos não seriam tão arrogantes. P.S: Maiorias com 43%, e se somar as abstençôes, os nulos e brancos!

Comment Posted by: Portuga
Olha, tá bem visto. Não sabia que o Sampaio tinha defendido tal argumento, mas estou de acordo com o ruitavares. E a mim enerva-me que pensem no eleitorado como se fosse uma pessoa só. Quando se diz que o eleitorado quer maiorias está-se a esquecer que uma parte do eleitorado quer a maioria A, a outra quer a maioria B e por aí fora. Dar maioria B quando não houve maioria B não vai deixar os outros mais felizes.

Comment Posted by: Real
"convençam-nos antes a dar-vos uma maioria" Não seja por isso Rui, aqui "nos" tens. O primeiro passo para dar uma maioria ao PS é ir ler o programa do BE (www.be.org). O segundo é ler as suas propostas para o defice, ou seja, para impedir que sem maioria absoluta, o PS possa governar. Propostas: - A despesa corrente primária do estado, em vez de descer, deve aumentar 2% ano; - As despesas com subsídios de desemprego não devem contar para o defice; - As despesas de saúde também não devem contar para o défice; São geniais estes moços, já agora porque é que também não tiram do défice os salários da função públicas e as despesas de educação ? Assim, alguém percebe porque é que o leninismo era mau e porque é que Arnaldo Matos deixou de ser o grande educador da classe operária ?

Comment Posted by: Luis Lavoura
Excelente post, Rui Tavares. No entanto, eu penso que é de facto necessário mudar de sistema político. A minha preferência vai para o sistema americano, no qual o parlamento e o governo têm legitimidades independentes e próprias, pois são ambos separadamente eleitos pelo povo. Desta forma alcança-se a separação dos poderes executivo e legislativo, defendida por Montesquieu. Evita-se também a "ditadura da maioria" típica de Portugal, onde a assembleia da república se costuma limitar a ser uma caixa de ressonância do governo que por ela própria foi gerado. Infelizmente, em Portugal apenas Manuel Monteiro tem defendido esta teoria.

Comment Posted by: ezer
Muito bem,um novo sistema contra presidentes tótós.Porque se pensa realmente assim,ou pensa que os outros vão na esparrela dele,é sempre um tótó!

Comment Posted by: povd
O Coiso é branco. Grande. E cada vez será maior. Um dia, o N-ó-b-é-l vai dizer: "O meu coiso tem crescido tanto. Eu bem vos disse. Eu bem vos disse".

Comment Posted by: s-o-v-i-e-t
Real: - O Marxismo-Leninismo não era/é "bom" ou "mau". Os fundamentos desta ideologia, tiveram o seu enquadramento social em determinadas situações/contextos e época(s). - A aplicação/interpretação desta ideologia é q variou segundo os interesses dos seus "representantes". - Focando o contexto nacional, Arnaldo d Matos (Esquerda Extremista), foi simplesmente (entre outros factores), "auto-ultrapassado", "desactualizado", "caducou" no seu movimento. - Não é por acaso, q o próprio PCP, hoje em dia, contínua a "sofrer" as consequências dessa "desactualização"/decadência. - Resumindo: O Marxismo-Leninismo teve o seu tempo. Agora serve d "inspiração" a novas/actualizadas ideologias q se vão adaptando às realidades sociais. - Atenção: Este é o meu ponto de vista/opinião. Perspectiva de um Operário de Esquerda. E nada mais. - Obrigado pela atenção.

Comment Posted by: JPT
TOTAL APOIO À IDEIA DO LUÍS LAVOURA!!! Até que enfim que ouço (leio...) alguém dizer isto. Usamos uma eleição só para os dois órgãos de soberania mais importantes, o parlamento e o governo, e outra para eleger um presidente com poderes ridículos. O parlamento elege o governo e "morre" no dia seguinte, porque fica com legitimidade limitada para fiscalizar a sua própria criação. Se o chefe do governo fosse eleito directamente, e tanto pode ser o presidente (como na america e brasil) ou o primeiro ministro (Israel), o governo teria outra legitimidade, o parlamento ficaria com total liberdade para fiscalizar a actuação do governo, deixaria de fazer sentido a palermice do voto útil para a assembleia da república e a eterna confusão entre votar num governo ou em parlamentares, propositada e com o objectivo claro de baralhar os eleitores e os fazer votarem nos dois maiores partidos.

Comment Posted by: jose antónio
Primeiro penso que de maiorias ficámos tratados de uma vez por todas. Aconteceu. Segundo, se o Guterres no segundo governo não a teve, penso que é coisa que não voltará a acontecer. Felizmente.

Comment Posted by: piro
_ Pentagon Strike - A Teoria da Conspiração! no Caricas http://ocaricas.blogspot.com _

Comment Posted by: JPT
...leia-se, no comentário anterior "...e os fazer votar...". Isto de escrever coisas à pressa e não reler resulta geralmente num mau português ...

Comment Posted by: Ana F.
Porque é que se parte do príncipo que uma maioria absoluta governa MELHOR?Porque lhe é mais fácil impôr projectos (ou a falta deles)?...O que se esquece neste país é que nem sempre facilidade é igual a qualidade.... Enfim,quem deve decidir as maiorias a dar é, como diz e muito bem o Rui, o povo...Tudo o resto são inovações com tentações um bocado autoritárias. P.s. Já agora, alguém reparou que no fim do artigo se diz que Sampaio defende a existência de menos Estado? Quer dizer, no fim do mandato de um governo que pretendeu privatizar o SNS, o nosso presidente SOCIALISTA vem dizer que é preciso menos estado??...

Comment Posted by: O Reformista
1.Em Democracia devemos ter um Governo que represente a maíoria (>50%). 2. O erro foi, nao sei porquê,de se terem visto as eleições como um jogo em que ganhava o mais votado. O Prémio era formar Governo. 3.Fazia-se até chantagem. Se o povo não nos der a a maioria vamos para a oposição. 4. Ora as eleições não são um jogo.São uma forma de se encontrar um governo que tenha o apoio de mais de metade (não da maior minoria).Assim quando o Povo não dá a maioria a um Partido o que o povo está a dizer é que quer um governo de coligação. Caberá então aos Partidos seguirem as indicações do voto popular.

Comment Posted by: Tenente Capitão Romance
No que toca a reformas políticas a atitude inteligente, como alguém, não me lembro agora, referiu, seria dar um lugar à Abstenção (o partido com mais votos, sempre) no Parlamento. Teria piada, mas só no contexto dum humor muito negro, ver os actuais boys & girls serem substituídos por cadeiras vazias.

Comment Posted by: Solesticio
Excelente post.

Comment Posted by: celeman
Esperemos que não nos convençam que é na maioria que está a solução.Ver wwwlutacontinua.blogspot.com

Comment Posted by: Ricardo Fernandes
Já chega de bater no ceguinho! o pobre homem (J. Sampaio) tá doente! O que passou para a população foi um diagnostico de insuficiencia cardiaca, mas tambem é do conhecimento geral que o cargo de diretor da PSP já está ocupado, temos de ter paciencia que o respectivo relatório psiquiátrico vem a caminho e o novo Conselho de Ministros vai dar provimento a este estado provisório. Enquanto esperamos penso que era de bom tom alguem do Barnabé ter uma iniciativa de carater pedagogico e explicar de forma suscinta(o Daniel Oliveira fica de fora)e acessivel esse grande misterio dos tempos modernos que dá pelo nome de "Metodo de Ont" pelo qual são eleitos os gajos que mandam na gente, que permanece de tal forma na ignorancia do comum dos vontantes que nem um taxista competente( aqueles que tem opinião formada sobre todo e quarquer tema) ousa abordar

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