Choque de titãs

Vi a segunda metade do debate entre Francisco Louçã e Paulo Portas, na SIC notícias. Uma coisa é certa: meio debate entre eles vale dois anos de debates entre Santana e Sócrates. Depois de ter acabado, ainda passei pelo Estado da Nação, mas não me demorei cinco segundos sequer. Depois de passar pela droga dura – puro karaté político entre dois cinturões negros – nenhum agarradinho da política se deixa convencer por cerveja morna, não é? Neste momento, em Portugal, apenas Louçã e Paulo Portas são desafio suficiente um para o outro e, pelos vistos, sabem-no. Falei de karaté político, mas é uma expressão enganadora. Em primeiro lugar, apesar de se terem interrompido algumas vezes, deu para ouvir o que era dito. Por outro lado, não quero passar a ideia de que se tratou de um jogo puramente intelectual. Havia – e sentia-se – nervosismo, irritação, ansiedade. Passava até a ideia de que os dois se temiam e de que – não faço ideia de se isto é verdade ou não – não gostavam pessoalmente um do outro. Não vou cair no erro de tentar dizer quem ganhou o debate. Desde logo porque, tendo perdido o início, pode ter-me escapado algum momento decisivo. Mas mais do que isso – porque sendo os dois altamente competentes e constituindo ícones políticos tão opostos, num dia normal nenhum esmagará o outro. Quem gosta de um achará que ele ganhou – e se eu viesse aqui dizer o contrário, cair-me-iam em cima furiosamente. Mas principalmente quem detesta um deles achará que ele foi exposto naquilo que tem de mais detestável – porque Louçã e Portas são as figuras mais "prontas-a-detestar" pela direita e pela esquerda – e a sua alegria será uma reverberação desse detestar. Seja como for, este debate lembrou-me o gozo-frémito que há de ter sentido quem viu o célebre Soares-Cunhal. Passamos o tempo todo a dizer que já não há políticos como os dos anos 70-80, e de repente temos aqui dois que têm esse estofo – sim, têm-no, não adianta negar. Eu gostaria que o CDS/PP tivesse dois por cento dos votos e um deputado, mas isto não muda nada do que vou dizer: Paulo Portas já é a figura mais importante da direita na última década – desde que foi àquele famoso programa do Herman. É de longe o seu político mais inteligente, mais hábil, mais cerebral – e o mais perigoso do meu ponto de vista. E Louçã é também a figura mais importante da esquerda portuguesa actual. Atenção: não lhes chamo "líderes", digo que são as personagens mais densas e, se quiserem, as mais inspiradoras. Louçã tem um vocabulário quase brutal para os nossos hábitos políticos – de tal forma que as suas acusações chegam a perder força por não serem mais sibilinas, como o português gosta. Portas contra-ataca caracterizando-o como arrogante, mas as suas objecções formais não chegam: para quem acabou de ouvir dizer que o governo "mentiu", que o país está a ser "roubado" ou que isso é "vergonhoso", seria necessário que Portas conseguisse antes dizer que não, ninguém mentiu, o país não está a ser roubado e que, portanto, não há vergonha nenhuma. No momento final – e mais tenso – do debate, Louçã disse a Portas que ele não tinha o direito de falar de vida na questão do aborto – até porque ele, Portas, nunca tinha gerado vida. Pareceu forçado e desnecessário, e uma pequena volta pelos comentários de direita na blogosfera permite ver que esse comentário foi entendido como um argumento de autoridade inaceitável e logo erigido em momento mais significativo do debate. Quando comparado, contudo, com a equiparação do aborto ao assassinato, insinuando que os defensores da despenalização são no fundo defensores da morte de "bébés" ou "crianças", o aparte de Louçã nem chega a ser uma resposta proporcionalmente violenta. Visto da esquerda, no entanto, o momento do debate foi outro – e um que entra para a divisão do "olhe que não, olhe que não" de Cunhal. Para evitar responder a uma acusação, Paulo Portas fez um longo intróito sobre a arrogância da esquerda. Instado a responder mais directamente pelos jornalistas, perdeu o fio da palavra enquanto dizia "depois desta... depois desta..." – "fuga", completou Louçã. Portas ficou calado uma eternidade televisiva, desbaratado como nunca o vi. Depois pôs o dedo em riste e disse, extraordinariamente, "não precisa de me esticar o dedo", ou algo assim. A incongruência daquela combinação simultânea do célebre dedo hirto de Paulo Portas enquanto acusava o seu adversário de lhe fazer exactamente isso, mas brilhantemente desmentido pela realização num écran dividido ao meio, foi de um efeito tremendo. Desopilante, sucinto, inesperado. Não me admira nada que seja esta a imagem escolhida pelos resumos televisivos para ilustrarem o debate. Na imprensa, o ataque de Louçã a propósito da "vida" terá mais destaque. Nesse as palavras foram cruciais, naquele as imagens foram cruéis. Palavras ou imagens, escolha o seu momento. Quando é que repetem outro debate a sério, que eu não quero perder?

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Comment Posted by: JPT
"...o aparte de Louçã nem chega a ser uma resposta proporcionalmente violenta." Não foi violenta, foi profundamente infeliz. Bastava-lhe ter dito "..eu sei o que é vida, eu tenho uma filha...". Chegava. Ao acusar Portas de não ter, desceu mesmo muito baixo. E isso não se esperava, vindo do BE.

Comment Posted by: José Serra
Bla, bla, bla, bla, bla, bla... Quando o fracasso aparece, evidente, em frente aos nossos olhos, logo surge a justificação verborreica... bla, bla, bla, bla, bla... o sr. Louçã deu mostras da tragédia intelectual e política que é.

Comment Posted by: isabel sousa
Penso que todos temos o dever de respeitar TODOS os direitos dos outros. TODOS, menos o de serem hipócritas. Penso que foi isso que me ficou dos últimos momentos do debate. Louçã poderia ter evitado? Poderia. Mas quem de entre nós não acha que é hipócrita, mentirosa e violenta a criminilização das mulheres que recorrem ao aborto, em nome do direito à vida, vinda de Paulo Portas. Sobretudo vinda de Paulo Portas, por razões que todos conhecemos. E que, como é lógico, respeitamos. Quanto ao resto, concordo com o Rui. Cinco minutos de debate assim valem horas de debate entre o Santana e o Sócrates.

Comment Posted by: Ana Lencastre
Louça a figura mais importante da esquerda actual? Só se for para si. Quanto ao resto numca vi 1 bloguista de esquerda com comentários tão revistas cor de rosa. Ía jurar que este comentário foi escrito para a Caras pela Helena Sacadura Cabral. Haja paciência. Que Páis é este que merece esta extrema -esquerda e esta extrema-direita

Comment Posted by: José Manuel Faria
Foi um dos melhores debates na TV, entre 2 políticos de pólos opostos, ambos muito inteligentes e sabedores da coisa política. Um momento espectacular de política pura.

Comment Posted by: fidel
hehehehehehe como são parecidos o paulinho e o xico. São sem duvida o topo de gama da politika portuguesa, demagogia a rodos e muito palavreado para enganar tolos.

Comment Posted by: Pedro
Concordo com a análise. Também apenas vi a segunda metade do programa, da qual salientaria exactamente esses dois momentos: num, Paulo Portas ficou entalado; noutro, Louçã enterrou-se e mostrou a sua total desonestidade intelectual.

Comment Posted by: Vic
Bom post o que afinal não suprende pois a qualidade é sempre muito boa. O Portas ontem demonstrou que de finanças não percebe peva e por isso engasgou e passou ao ataque baixo com a história do dedo em riste. Quanto ao Louçã realmente não havia necessidade de afrontar indirectamente as inclinações sexuais do Paulinho, se o debate até aquele momento pendia á esquerda com esta intervenção o Bloco perdeu umas centenas de votos. Concordo em absoluto que são dois animais politicos de 1ª grandeza.

Comment Posted by: filinto
Rui, o debate repete hoje (em diferido) se não me engano, mas não sei a que horas. Ontem, em conversa com um amigo socialista, tentei dizer-lhe mais ou menos o mesmo que acabas de postar sobre os personagens políticos e fiquei com a ideia de que o "centrão" não quer saber muito de debates interessantes e vivos entre Portas e Louçã, por exemplo, porque não se consegue ouvir nesses debates. O "centrão" prefere juntar Sócrates e Santana mesmo.

Comment Posted by: cristina
O Louça estava "calmo", fica-lhe bem, torna mais abrangente o seu discurso. Ainda bem que foi um debate interessante pois é precisamente isso que faz falta. Eu só vi os últimos 15 minutos, mas estranhamente eles deixavam o outro falar e, até pareciam interessados! Se estes minutos foram uma amostra do debate, então estão ambos de parabéns.

Comment Posted by: Miguel Pinto
O Louçã esteve bem mas acabou, de facto, muito mal. Tão mal que no meu entender esteve no limiar de pôr em risco toda a sua prestação no debate. E não se devia ter metido naquilo das OGMA, era entrar no terreno do outro. Arriscou-se e não se safou por aí além.

Comment Posted by: Nuno Revol
Eu considero-me de Esquerda, mas tenho de confessar que o argumento do Louçã quando disse que paulo portas não tinha o direito a falar de vida, porque nunca gerou nenhuma... foi de facto muito infeliz! Eu tenho 24 anos e ainda não gerei nenhuma vida,mas acho que tenho o direito de falar dela à vontade tal e qual como cada um.... sim porque G.Bush também gerou vidas e também as destrói! Foi infeliz, assim cm infelizes foram as "não resposta" do paulo portas. Mas estava com saudades destes debates, estes sim valem a pena!

Comment Posted by: JR Ewing
Pois eu tive o prazer e a oportunidade de acompanhar o debate inteiro. Também não direi quem acho que ganhou, sou demasiado parcial para o fazer sem intromissões do meu subconsciente... mas gostei do combate... foi um grande espetáculo.

Comment Posted by: o net pulha
Triste, triste é o destaque do acessório que a imprensa de hoje dá do debate. Parece que a questão fundamental do mesmo se esgotou nos escassos minutos em que foi debatido o assunto aborto/ivg. Os restantes 60 minutos, mais coisa menos coisa, foram passados ao esquecimento! Sim, que importância têm as propostas de ambos para atacar, ou não, o desemprego, a evasão fiscal, a pobreza, etc? Fica a ideia que, para o espactáculo dos media, estas é que são as questões acessórias! Triste, muito triste!

Comment Posted by: nelson
Quando se trata de desarmar hipocrisia, nada é excessivo ou infeliz, porque muito mais excessivo ou infeliz, é essa mesma hipocrisia.

Comment Posted by: lena
obrigada, rui! é como se tivesse assistido ao debate ;)

Comment Posted by: Sérgio
Concordo absolutamente com a análise do Rui Tavares. Os dois mais hábeis políticos do momento, os dois mais perigosos para o campo político oposto. São, por assim dizer, arquinimigos. Mil vezes políticos como estes do que políticos tíbios, fracos, incompetentes e trapalhões como Sócrates e Santana. Por isso é que devemos fugir ao voto no bloco central. Fossem todos assim...

Comment Posted by: António P.
Caro Rui Tavares, Algumas reflexões / perguntas : 1.Quem fez de Mário Soares e quem fez de Álvaro Cunhal no debate de ontem ? 2.Titãs ??? Não estará a exagerar ? 3.Paulo Portas e Francisco Louçã são realmente dois bons políticos ...mas elevá-los aos "mais importantes " ?? 4.O que diria se o comentário, completamente ridículo, do Loução sobre o facto de ter uma filha fosse lhe dar autoridade para falar do valor da vida, feito por Santana Lopes ou Paulo Portas ?? Eu imagino Cumprimentos

Comment Posted by: Luis Lavoura
A acusação a Paulo Portas por ela não ter filhos tem uma certa razão, embora de facto tenha sido uma tática infeliz da parte de Louçã. De facto, se Portas ama tanto a vida, se está interessado em que a vida humana se multiplique, então deveria ter filhos. Se não os tem, então seria melhor ele, Portas, evitar pôr-se a tecer loas à vida humana. Portas é postiço. Quando ele se ajoelhou diante do túmulo do Maggioli Gouveia, teria sido bom que alguém lembrasse que ele nem sequer foi à tropa. Se não foi à tropa, não tem moralidade para andar a louvar os valores militares. Se não faz filhos, não tem moralidade para andar a louvar a fertilidade. Mas, de facto, a política não deveria enveredar por esses ataques pessoais, que não levam a lado nenhum, de facto são contraproducentes para quem os faz.

Comment Posted by: kuala
Daquilo que consegui ver, ao saír de casa, parece que também a Imagem preferiu o "aparte de Louçã", ao dedo estendido de Portas!

Comment Posted by: a.pacheco
O debate valeu aquilo que valeu e a questão do aborto até nem foi das mais significativas, problemas como a defesa e a banca julgo que foram bem mais significativos sobre o que separa o Bloco da direita. Agora quando se acusam adversarios de criminosos só porque defendem o direito a uma mulher decidir se quer ou não ter filhos sem que para isso tenha de sofrer vexames em tribunal e prisões, acho que responder nos mesmos termos não só é correcto como necessário. Quem quer tratar a direita com paninhos quentes acaba por vir a sofrer dissabores ela não olha a meios mesmo os mais baixos, vejam o que foram estes três anos, para atingir os seus fins e se manter no poder. O site do Bloco continua bloqueado sabem o que se passa?

Comment Posted by: Filipe
Excelente comentário ao debate histórico de ontem, parabéns! Para mim ficaram vários momentos para a história política do séc. XXI deste país. Mas aquele KO da "fuga" demonstrou que PPortas não é de ferro, não preparou suficientemente bem as matérias para enfrentar de forma satizfatória a figura política do momento, Francisco Louçã. Louçã foi duro, atacou, fez o que lhe competia, depois de 3 anos vergonhosos, não só no plano nacional, bem como em toda a questão internacional, incluindo o Iraque. Como português descontente com a situação actual fico orgulhoso de haver políticos com a CORAGEM de Francisco Louçã, que é uma forte inspiração de milhares de portugueses/as, e maioritariamente jovens. Louçã é mestre na arte de "agora vão mesmo ouvir", sem se preocupar se concordam ou não, o importante é mesmo captar a atenção do ouvinte, seja o povo na rua, jornalistas num debate, ou opositores políticos, como se verificou nos semblantes dos seus dois opositores, até ao momento. Estes chegaram a transpirar um certo fascínio pelo seu adversário Louçã.

Comment Posted by: isabel sousa
Convém, para debater a última frase do Louçã, relembrar a frase do Portas que lhe deu origem Que foi esta: "Há uma vida que tem o direito a nascer, ou não. De acordo com o BE, não tem; de acordo connosco, tem". Nelson, são essas as palvras.

Comment Posted by: Bazert
Como não encontrei endereço de email vai em comentário... Nao creio em bruxas, mas...... passaram 7 dias desde a previsão e aí está o 1º sinal...a sorte é que, como dizia o outro, o povo é sereno! "PP admite aliança com PS" (http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?)- 21 Janeiro 2005 "A não ser que Paulo Portas....revele mais uma vez o seu enorme sentido de estado...assinando com enorme sentido de estado um qualquer acordo com o PS. - Publicado por ruitavares em sexta-feira 14 janeiro"

Comment Posted by: Ana F.
Eu também não vi o debate todo, mas vi quase todo e decididamente ( e com a noção de que a minha opinião será inevitavelmente influenciada pelo meu posicionamento político) Louçã esteve melhor. Portas não só estava visivilmente mal preparado nas questões económicas como ficou sem argumentos para responder ao adversário várias vezes ao longo do debate, optando então por repetir a lengalenga habitual do radicalismo de extrema-esquerda (que já se torna ridícula), com um enervamento crescente que bem contrastou com a relativa calma de Louçã. O discurso deste conseguiu deixar claro, por um lado, posições de cariz ideológico e por outro, questões técnicos e alternativas em termos mais práticos. Realmente, o argumento do não ter direito a falar de vida porque não tem filhos foi infeliz, foi, mas como disse a Isabel Sousa, é bem melhor entendido se tivermos em conta a afirmação (essa sim verdadeiramente lamentável) anterior de Portas. De qualquer modo não foi o momento mais importante do debate, é mau (como também já foi dito) que a imprensa lhe dê tamanha relevância, quase sobre tudo o resto!

Comment Posted by: Rita
Subscrevo as palavras do Nélson. Louçã 1 Portas 0

Comment Posted by: Jorge Eusébio
O Barnabé lava mais branco. Não era preciso um testamento destes para tentar defender o indefensável. O argumento do Louçã foi vergonhoso, naquele ponto o homem esteve, no mínimo, infeliz e ponto final. Admitam-no. Não dói nada e fica bem. PS: Sou de esquerda http://jornaldeportimao.blogspot.com

Comment Posted by: Sacha
Louçã apostou nesse tal estilo de "economia da linguagem", mediático e "soundbytizado"e o resultado, temos de admitir, foi infeliz: Portas hoje, no segundo debate da sic notícias, esteve melhor que Louçã. Já é sabido que que Portas é imbativel na tal linguagem do "Soundbyte". Ele, ao contrário de Santana, consegue fazer o "Soundbyte" parecer "coisa séria", por isso a estratégia deveria ser justamente desmontar o seu discurso e não competir com ele. Porque Louçã ao invés de forçar o debate no campo em que foi nítido que Portas estava manifestamente mal preparado, insistiu numa linguagem radical, que forçosamente diminui a sua capacidade de comunicar as suas ideias a não esquerda. Só no dominio da económia e finanças Louçã conseguiu enervar Portas.Devia ter percebido isso. Até porque é urgente que se perceba que existem alternativas economicas credíveis à "lei económica" que o discurso neoliberal nos quer impor como inevitável. Alternativas propostas por gente credível- economistas e professores de ciência economica- de várias partes do mundo. Louçã devia apostar mais no seu estilo mais agradável que é o pedagógico e tolerante (o bom professor- que, segundo me dizem Louçã, é- tem uma boa dose de tolerância) e menos no discurso radical, que é bom para captar a atenção de adolescentes ( na idade e/ou na mente) mas que infelizmente faz com que muita gente o confunda coom um extremista demagógico (coisa que na realidade não é). Quanto mais o Bloco de Esquerda radicalizar o discurso, menos o PS se sentirá obrigado a ouvi-lo futuramente. Até porque menos nítidas serão as pontes que existem entre o Bloco e a ala esquerda do PS.

Comment Posted by: Brasil
Se O Barnabé diz que houve um empate, ou, por outras palavras, não se pronuncia sobre o vencedor, então Portas deve ter dado forte e feio. A última deixa do Louçã tem uma implicação engraçada (se, como afirmam, são coerentes). A partir de agora, nas manifestações do Bloco a favor da despenalização do aborto, só vão aparecer pais e mães de família. Nada de LGBT, nada de teenagers com lenços xadrez ao pescoço. Vamos poder ver finalmente uma outra face do Bloco.

Comment Posted by: arlindo
O xico levou uma tareia e acabou por desautorizar uma faixa de apoiantes do bloco, sobretudo os grupos de lésbicas e gays. Foi triste ver um tipo ser humilhado perante o Portas.

Comment Posted by: Ricardo Fernandes
Tou com o Nelson, embora padeça do mesmo mal que o Fracisco: falam para uma imensa minoria que consegue dar valor(descodificar) a estes rasgos de genio. No caso das conpetecias sobre quem pode falar sobre o quê,tenho de criticar o Francisco, na medida em que aguentar um debate em que o opositor contrapõe sistematicamente com ataques pessoais a qualquer questão que não pode/sabe/quer responder é duro , mas já o tinha visto na Assembleia da Republica a esmagar Durão e seus muchachos quando tentavam aplicar o mesmo estratagema, e como forma de indignação(legitima, sinto eu) tinha-lhe ficado melhor uma palmada. Afinal o Paulo na sua longa carreira de palhaço rico já deve estar habituado

Comment Posted by: Bandido Original
Sem duvida que o momento do debate foi a "fuga" e o estrondoso "dedo em riste". Foi ao nivel!!! A Embaixada de Zurugoa junta-se ao ataque cerrado a Paulinho das Feiras http://zurugoa.blogspot.com Salut

Comment Posted by: Hugo
Toda a gente tem legitimidade para defender a descriminalização do aborto, como é óbvio, trata-se de um direito humano, um direito de consciência e autodeterminação. Agora, para defender a criminalização das mulheres que o fazem, será moralmente preciso ter currículo: ser mulher e ter já passado pela gravidez. Assim, elas lá decidirão com a sua consciência. Os outros não têm nada que condenar o que não conhecem - é só isso, não há um direito deles de decidirem o direito à vida dos outros (mães e fetos). Sim, porque as mulheres também têm o seu direito à vida. Mas ainda há quem ache que elas nasceram (primeira fatalidade)para parir obrigatoriamente (segunda fatalidade). Que mal haverá em dizer, na cara do adversário, que ele não tem autoridade moral para julgar do que lhe não diz respeito? Acho mesmo que, seguindo o exemplo de Louçã, devemos combater frontalmente o moralismo sobre as vidas alheias. E, se houvesse referendo, seria só para as mulheres!

Comment Posted by: rui tavares
atenção, eu não digo que houve um empate. eu acho que Louçã ganhou por KO, e que os apoiantes de Portas agora se agarram ao comentário final para esconder o facto. os apoiantes de portas acham o contrário, que louçã acabou naquele debate. o post era precisamente sobre isso.

Comment Posted by: António Trigueiro
A confirmação Paulo Portas confirmou,sem margem para dúvidas,que tenciona viabilizar o governo do PS. Agora,compreende-se melhor a declaração de António Costa de que o PS não fará acordos à esquerda. A questão da maioria absoluta tornou-se, por isso, irrelevante. Quem está a favor da MUDANÇA, não pode desperdiçaR o seu voto nem no PS, no PSD ou no CDS. É tudo farinha do mesmo saco...

Comment Posted by: Vitor Correia
Não simpatizo com o aborto. Então, como meio anti-concepcional, nunca por nunca! Mas parece-me um procedimento razoável, em certas circunstâncias. Penso que a lei vigente enumera essas circunstâncias, e apenas falhará no prazo -10 semanas, parecendo que é mais adequado o de 12 semanas. Se uma comissão de peritos assim concluir, mude-se para as 12 semanas. E cumpra-se a lei! Os eventuais "objectores de consciência" só têm que pedir a demissão, pois a sua consciência não lhes deve permitir estar ao serviço de um Estado "assassino"! Se o direito à vida fosse absolutamente inquestionado, estilo nada de pena de morte, nada de guerra, etc., até compreenderia as posições ditas "pró-vida". Assim, não só não as compreendo, como as acho hipócritas...

Comment Posted by: isabel sousa
Nuno Revol, você e o Paulo Portas, consciente e livremente, até hoje optaram por não ter filhos, logo não gerar uma vida.Estão no vosso direito que ninguém contesta. O problema do Paulo Portas é que ele chama criminosas às mulheres que em consciência e em liberdade por opção ou por necessidade fazem a mesma opção que vocês fizeram. Como você diz e muito bem tem todo o direito a falar da vida, apesar de ainda não ter gerado nenhuma. Eu é que não tenho o direito de lhe chamar criminoso por você ainda não ter gerado nenhuma ( ou optar por nunca vir a gerar nenhuma). Esta é a diferença. quem achou que a mulher que opta pelo aborto é uma criminosa ( e com ela, o BE que a apoia) foi Paulo Portas. Louçã limitou-se a dizer que ele não sabia do que estava a falar. Há uma certa diferença entre chamar ignorante ( ou inconscinete) a alguém ou chamar criminoso a alguém.

Comment Posted by: Jorge
Quanto à questão do aborto, posso estar enganado mas foi o choque de dois "pseudopadrecas". O Portas usa e abusa do estandarte do aborto e, hábil como é, lá vai convencendo os distraídos, de que é ferozmente pró vida quando na realidade só para conquistar território ao centro ele fará e dirá sempre o que for necessário a cada momento..."padreca" pois no que à selecção dos conteúdos diz respeito mas com um estilo de comunicação do mais moderno e eficaz... O Louçã, como o outro, intelectualmente sobredotado, de vez em quando descai-se e presta mau serviço às causas que defende; a história de o Portas não ter gerado vida não vos parece, enquanto exemplo de um certo esquematismo mental, perigosamente "padreca" e "mau" exemplo de retórica de sacristia?...

Comment Posted by: Pois é
http://www.providaanapolis.org.br/parts12.mpeg Se eu acho que isto é um assassinato? Acho sim! Acho que uma mulher que mata o seu filho por nascer comete um dos piores crimes que se podem fazer.

Comment Posted by: curioso
Ó Pois é, doze semanas "vida por nascer"? Então um onanista é um genocida!

Comment Posted by: o
Ontem, no decorrer do debate entre Portas e Louçã, este último disse a Paulo Portas, a propósito da discussão sobre o aborto, que este nunca tinha gerado uma vida. Tal afirmação pela forma como foi proferida, diga-se ordinária, expõe a nu algo que por vezes pode parecer relativo face ao domínio de matérias económicas: a falta de sentido de Estado, ou seja, em termos minimalistas, falta de educação. Louçã, após ter demonstrado capacidades que lhe são reconhecidas, apesar de apresentar propostas que aumentaram exponencialmente a despesa pública e contribuiram para o colapso imediato do Estado, demonstra ao PS a sua génese: a matriz revolucionária, a falsa propaganda e a ofensa fácil. Tanto o PS como o BE vão ter de demonstrar qual a sua verdadeira essência, no caso do PS necessitar de se coligar ao BE. O PS poderá demonstrar a sua veia de partido de poder forte, uno e coerente (o que o foi no PREC) e o BE é moldado pelo gosto do poder(perdendo a sua criatividade), ou o PS delega pastas fortes no BE e Portugal será moldado pela extrema-esquerda, assumindo-se como um país anti-globalização, anti-Nato e, inevitável e perigosamente, anti-americano. No entanto, a preparação de Louçã é de ser louvada, demonstrando enorme dominio dos dossiers económicos.

Comment Posted by: portugal_liberal
Eu nem sequer vi o debate em causa, no entanto, (e depois de uma ausência de algumas semanas da blogosfera) apraz-me registar que: - a idolatria das massas bloquistas para com o digníssimo Dr. Louçã continua intocável, - os bloquistas ( cidadão de grandes ideais, princípios, valores e etc. e tal) têm, ao contrário do que nos querem fazer crer, exactamente os mesmos tiques que esses outros políticos do “mainstream”, quando comentam os debates em que participam os seus gladiadores, - o Sr. Portas passou a ter um respeitoso lugar nos corações bloquistas, vergados que estão no momento ao poder da procriação, - tudo na mesma cá pela paróquia....

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