Pedro Burmester a Ministro da Cultura

Antes de tudo, saudações aos barnabitas e aos leitores. O meu primeiro post no Barnabé só podia ser sobre aquilo que mais tem ficado de fora do actual debate pré-campanha: as políticas culturais. À frente analiso o essencial das propostas eleitorais dos vários partidos. A pobreza do debate cultural na pré-campanha só tem sido furada pelo PS e pelo BE. A 19 de Janeiro, numa sessão do Fórum Novas Fronteiras (com a presença de Manuel Maria Carrilho, Lídia Jorge, Rui Vieira Nery e Augusto Santos Silva), José Sócrates disse que “o livro e a leitura” e “o cinema e o audiovisual” são as prioridades do seu partido no que diz respeito a corrigir os cortes orçamentais efectuados nos últimos três anos. Anunciou ainda o lançamento de um “passe cultural” que permitirá o acesso à vários equipamentos culturais do país (informação fútil, que não revela política alguma). Junte-se isto a duas singelas linhas no resumo do programa eleitoral do PS (tanto quanto consegui ler na Internet): rever o sistema de apoio às artes dos espectáculos e a percentagem do Orçamento do Estado para a cultura – e aí está tudo o que se sabe. O mais foi o “plano tecnológico” como estratégia que também vai na linha de um livro que Carrilho emprestou ao secretário-geral do PS: The Rise of the Creative Class do economista norte-americano Richard Florida (best seller nos EUA, publicitado em www.creativeclass.org). Já o BE reuniu no passado 15 de Janeiro, na Faculdade de Letras de Lisboa, um fórum alargado sobre vários temas, entre os quais a cultura. Estiveram presentes, entre outros, António Mega Ferreira, Alberto Seixas Santos, Maria João Seixas e Miguel Portas. Não tenho informação sobre que assuntos em concreto foram debatidos. Espera-se que surjam mais ideias na próxima sessão do Novas Fronteiras dedicada à cultura, que acontece amanhã às 21h30 no Hotel Tuela, no Porto, onde estarão o arqueólogo e professor universitário Vítor Oliveira Jorge, o ex-jornalista e documentarista Jorge Campos e Manuela Melo. Tanto quanto sei, mas posso estar errado, nenhum outro partido promoveu um debate público sobre o assunto, ou sequer algum candidato referiu políticas culturais em entrevistas. Do CDS sabe-se apenas que Telmo Correia tem a pasta de um tal de Ministério da Cultura e Turismo (!). O BE e o PCP dedicam algumas páginas e algumas boas ideias nos seus programas eleitorais, a Nova Democracia não refere o assunto (na respectiva secção do seu site tem apenas um artigo delirante de José Adelino Maltez sobre o ensino) e o PCTP/MRPP tem mais com que se preocupar (não me dei ao trabalho – talvez erradamente – de pesquisar as ideias para a cultura de outros partidos minoritários). Três ideias mestras para a política cultural, que à frente pormenorizo, são absolutamente comuns ao PSD, MPT, PS, PCP e BE (o site do CDS está em baixo, pelo que não pude aceder ao seu programa eleitoral). Ao desbravar (o que não é nada difícil) os respectivos parágrafos nos programas, quis perceber, e criticar, as linhas que predominam. Nenhum esforço, ou pouquíssimo, tem sido feito por todos estes partidos para fazer passar a sua mensagem cultural, pelo que, como bom eleitor, enfiei-me de cabeça nos tais documentos. Agradaram-me alguns e o do PSD deu-me calafrios. Optei por não escrever sobre a questão do mecenato e da língua portuguesa por serem assuntos que merecem mais tempo, e que ficarão para outra altura. Se o PS ganhar as eleições, o próximo ministro da Cultura será muito provavelmente um destes três (reproduzo o que se comenta nos bastidores do meio jornalístico – não tomem isto como garantia alguma): José Mariano Gago, Lídia Jorge ou o já uma vez ministro Augusto Santos Silva. Proponho um quarto nome: Pedro Burmester. Independente, com conhecimentos mais do que suficientes na gestão cultural, sério, frontal e a viver o momento ideal para se chegar à frente. Os nomes atrás referidos por certo dignificariam o cargo, mas eu acho que Burmester estabeleceria um corte positivo no estilo governativo da cultura. Mais tarde desenvolverei esta ideia, mas para já afirmo que Burmester seria o nome ideal para forçar aquilo que julgo ser o mais urgente – extremamente urgente, diria – na política cultural: acabar de vez com o fosso entre Educação e Cultura. E aqui vai agora a pedra que parti… Política cultural: três pontos comuns à esquerda e à direita Há mais pontos em comum do que se poderá pensar (ou não?) entre as várias propostas eleitorais para a cultura. Pelo menos três medidas são idênticas nos programas do PSD, MPT, PS, PCP e BE, mais palavra menos palavra: 1) descentralização do acesso à cultura; 2) aumento do conjunto de verbas estatais para o MC tendo como referência um 1% do Orçamento do Estado (o PCP e o MPT preferem indexar este mesmo valor ao PIB); 3) transversalidade: articulação da cultura com todas as políticas sectoriais. São três necessidades que parecem óbvias e prioritárias. Gostaria de pensar que esta coincidência de propostas dita que a consciência das deficiências do apoio e promoção da cultura não está tão mal como isso no seio dos partidos. A primeira ideia é mais do que válida, mas perversa quando implica o deslocamento dos centros de decisão, tal como aconteceu no governo Santana (deslocar a Secretaria de Estado dos Bens Culturais para Évora, por exemplo) e que continua neste programa do PSD. Onde se leram essas acções como populismo puro e duro, eu li disseminação do Poder (prefiro-o em Lisboa, todo junto, onde é mais fácil vigiá-lo). Por outro lado, e nisso todos os partidos concordam, o apoio à cultura fora do Porto e de Lisboa passa pela já lançada rede de bibliotecas, teatros, cinemas e centros de artes e, acima de tudo, creio, pela definitiva resolução do problema de financiamento das autarquias, para as quais deveria funcionar a mesma regra de 1% aplicada ao OE. A outra acção em falta é também óbvia: mais campanhas de informação regionais sobre os apoios que a UE tem para a área. Não tendo dados que me permitam afirmar sem sombra de dúvidas que o já famoso 1% é mais do que suficiente (será mesmo? é ainda pouco?), mas aceitando-o como razoável, atiro-me à terceira ideia: um MC em plena ligação a todos os outros ministérios, ou pelo menos aos directamente relacionados: os do ensino e da ciência. Escreve Catarina Molder (cantora lírica) no Fórum Novas Fronteiras do PS: “Lutar contra o grande abismo ainda existente entre a Cultura e a Educação”. O PCP fala de “reformulação e expansão do ensino artístico, integrando o ensino obrigatório, como uma verdadeira iniciação às diferentes formas de expressão artística”. O BE desenvolve: “Assumir o contacto com a arte como essencial à construção de identidade e proporcionar ao público escolar um contacto com arte mais abrangente do que o simples complemento pedagógico aos programas curriculares, desenhando programas transversais aos Ministérios da Cultura e Educação que permitam integrar nos currículos escolares matérias que desenvolvam a compreensão das linguagens artísticas contemporâneas”. O PSD, sintético, diz que “o Governo atribui à política cultural um papel central e transversal no conjunto de todas as políticas sectoriais”. Os pressupostos são radicais, urgentes, e temo que não estejam para acontecer numa próxima legislatura. Não querendo entrar no assunto das reformas educativas – onde a necessidade quase pungente é a de estabilidade, seja a curricular ou a das carreiras –, suspeito que a maior parte dos docentes, por puro corporativismo, oferecerão grande resistência à criação de um ensino onde disciplinas artísticas ganhem obrigatoriedade nos currículos do básico e do secundário. No entanto, este é claramente o caminho para contrariar a escola enquanto elemento da “sociedade disciplinar” definida por Foucault, que a incluía numa tríade com a prisão e o hospital. Mais do que isso, é a rota certa para abolir mecanismos familiares cerceadores (queria evitar o termo “preconceituosos”, mas não consigo) de vocações artísticas. Correndo o risco de parecer ingénuo, estou convencido de que a existência de disciplinas de arte obrigatórias em todas escolas, sujeitas a avaliação como quaisquer outras, significa mais liberdade, isto é, a não formatação de seres humanos que venham a encarar o mercado de trabalho como um campo de actividades pré-determinadas exclusivamente em função da necessidade de produzir. E ainda mais: estas disciplinas – que deveriam ser artes visuais e música (esta é obrigatória em dois países: Hungria e Japão) –, só poderão conduzir a melhores resultados nas disciplinas mais críticas, consequência da transdiciplinariedade que está na sua natureza. E daqui para a ciência, naturalmente. Sendo terreno muito delicado, remeto para o documento Ano Internacional da Física 2005 – Enquadramento, objectivos, intervenientes, uma celebração proposta por Portugal (com o apoio do Brasil e da França) à ONU, e que constituiu um autêntico “programa eleitoral” onde cultura, ensino e ciência combinam-se de modo exemplar, subscrevível por todos os que não saibam o que fazer em relação ao assunto (sendo que José Mariano Gago é um dos autores do documento). Parêntesis 1 Alguns aspectos do programas do BE (terá Mário Soares também passado os olhos por estes parágrafos?) surpreendem pela positiva. Os bloquistas propõem “transformar a RTPi no canal internacional da cultura portuguesa”; “considerar os ‘custos de periferia’ de Portugal na Europa no financiamento de projectos de itinerância além fronteiras e apostar na ligação entre estruturas e criadores nacionais e internacionais de forma a colocar a criação nacional nas plataformas de circulação internacional” e, mais do que o aumento de verbas, “um plano de emrgência no apoio e salvaguarda do património cultural”. Atrai-me particularmente a ideia relativa à televisão do Estado. Apesar de megalómana, seria um modo altamente eficaz de acabar de vez com um dos piores exemplos de instrumento de propaganda governamental que escapa ao controlo das comunidades espalhadas pelo mundo. Imagino uma RTPi versão canal Arte+Mezzo, em língua nossa. Parêntesis 2 O carácter intermitente dos profissionais das artes do espectáculo, e em particular o dos que exercem actividades de alto desgaste físico (bailarinos e artistas de circo, por exemplo) está nas preocupações do BE e do PCP, ao pedirem a reformulação ou criação de um estatuto sócio-profissional do artista que lhe garanta protecção social. Em boa verdade, o governo de Durão Barroso avançou muito neste sentido, com um projecto-lei considerado pelos profissionais da dança (representados pela REDE – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea) como quase ideal e até melhor do que o do PS. A sua aprovação foi adiada por Maria João Bustorff para uma próxima legislatura. Seja qual for o partido que ganhe as eleições, aprovar esta lei constitui uma obrigação moral. Parêntesis 3 Apesar de ter escrito que não queria, para já, entrar na questão do mecenato, acho importante realçar uma proposta do Movimento Partido da Terra por apresentar uma alternativa a esta questão: "Redacção e aplicação urgente de uma do Lei do Incentivo Cultural que permita e flexibilize a comparticipação rápida por parte de empresas ou particulares no financiamento de eventos culturais, com a correspondente dedução fiscal e possibilidade de retorno em caso de boa exploração,substituindo a actual Lei do Mecenato e complementando assim a política geral de apoio à criação". O folclore cultural do PSD Convirão agora algumas linhas sobre a natureza perversa do programa cultural do PSD (e do PP?), disfarçada no documento sob o título de “Políticas de Acção Externa”. Ainda antes disso, uma questão não referida no dito: a do cinema. A tendência mercantil do PSD é bem clara quando propõe reforçar a produção cultural evoluindo para o “conceito de indústria criativa” (lê-se no programa), seja lá o que isto quiser dizer. Um único exemplo ocorre-me: o da mais recente alteração à Lei das Artes Cinematográficas, aprovada pelo governo em Setembro. A principal novidade foi a criação de um Fundo de Investimento que deveria ser preenchido por distribuidores, operadores e canais de televisão, assim como entidades públicas e privadas – ou seja, a progressiva morte do cinema de autor (o único território de criação fílmica onde apresentamos trunfos) em consequência do principal financiamento dos apoios combinados pelo ICAM provir das empresas que controlam a maioria das salas de cinema e estações de televisão (imaginem um panorama cinematográfico dominado por Leonéis Vieiras, Joaquins Leitões, Cunhas Telles e respectivos clones). Mas Maria João Bustorff teve um momento de lucidez e resolveu, também aqui, passar a batata quente ao próximo Executivo, não tendo chegado a regulamentar a lei. Por uma “questão de ética política”, justificou a governante em Dezembro último. António Pedro Vasconcelos, da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual (ARCA – a favor da lei) ficou muito aborrecido com a história, e João Mário Grilo, da Associação Portuguesa de Realizadores de Filmes (APRF – contra a lei) disse que a ministra agiu bem, lamentando uma lei que “permite quase tudo”. Grilo tem toda a razão e cabe ao próximo ministro da Cultura matar a coisa, porque outro nome o projecto não merece. Há mais, é claro. A meio caminho entre a “imbecilização” da cultura e um conceito repetitivo para “rentabilizar” regionalmente a mesma, o PSD propõe o desenvolvimento do chamado “Turismo Cultural” (criação de circuitos em torno de vilas e centros históricos – uma acção lançada por Cavaco em 1994 e desde então actualizada pelos governos seguintes), a que acrescenta a invenção de umas “Zonas Demarcadas”, e aqui já entramos nas grandes planícies do disparate. Dizem eles: “O facto de [os pólos culturais de grande interesse] serem identificados e tratados como produtos específicos permite uma rentabilização muito particular de determinadas zonas (…) propõe-se a criação de zonas culturais demarcadas, que permitirão, inclusivamente, a rotação de projectos efémeros específicos, como as Capitais da Cultura” (Perfeito. O que é que se seguiria, depois da inconsequente e mal gerida Coimbra e da próxima e “desorçamentada” Faro? O Entroncamento?). O mais perturbante é esta ideia de “zona demarcada”. Ao lê-la, a primeira coisa que me vem à cabeça é a frase “Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal”, epíteto oferecido àquela localidade da Beira Baixa por um concurso do SNI em 1938. Eis aqui um belo exemplo de como o projecto cultural do PSD, por mais que fale de criação contemporânea e de património (e até bem: prometem “afectar 1% do valor de todas as empreitadas públicas ou obras com participação de capitais públicos para a conservação e restauro do património artístico, incluindo prospecções de natureza arqueológica”), aponta para a folclorização da cultura. O princípio de “zona demarcada” enuncia algo que parece assustador: o controlo, dir-se-ia mesmo a censura, da produção cultural das regiões para onde seriam transferidos mais centros de decisão, tendo em vista preservar uma qualquer identidade tradicional regional que estaria sempre à frente de nova produção cultural. (Recordo que Telmo Correia é o titular de um “Ministério da Cultura e Turismo” do PP.) Em suma, o objectivo cultural do PSD pode ser descrito assim: uma marca bafienta – algo como “Portugal, o país mais português da Europa” – piscando o olho à turistada à caça do very typical, combinada com uma indústria do audiovisual que só apoiará projectos incaracterísticos e supostamente rentáveis, promovendo uma imagem de cosmopolitismo que só existe na tela. Ou seja, uma fábrica de ilusões sobre nós próprios. Era aqui que eu podia começar a citar Guy Debord, mas não vale a pena. Em relação a tudo isto, sublinho uma orientação muito pertinente do programa para a cultura do PCP: “O levantamento e denúncia de todos os condicionamentos que, sob diferentes formas, têm um efeito censório e autocensório sobre a actividade criadora, sejam eles de origem ideológica, comercial ou económica”. Retire-se aquela ideia do contexto do programa do PCP – não me parece que um governo seja capaz de exercer tal proposta… –, coloque-se a mesma na responsabilidade de cada cidadão e aqui está o primeiro artefacto mental para sermos portugueses, agentes artísticos ou não, que defendem o direito à cultura, tanto como qualquer outro. Isto ainda agora começou. (Já agora: nestas eleições, voto Bloco.)

-----

Comment Posted by: Helena Romao
É muito triste que a cultura continue a ser tratada entre nós como um luxo, e não como o que é: essencial à vida em sociedade e motor desta. Pusemos a economia no centro do Mundo, vivemos como se o dinheiro tivesse personalidade e mandasse em nós, e tudo o resto é simplesmente "mandado às urtigas". Eu concordo plenamente com a criação de disciplinas artísticas na escola, onde os alunos possam, ao longo da sua formação, observar e perceber obras de arte várias, mas também tenham eles próprios a oportunidade de criar, além de uma componente de História de Arte. Para quem duvida da "utilidade" da Arte, digo então que só a Música (e sem falar aqui das restantes formas artísticas), como eu ía dizendo, a Música por si só, serve-se de aspectos matemáticos, da física, da biologia e fisiologia da audição, da literatura (e portanto do Português e de diversas línguas estranjeiras), do teatro, da filosofia... Gostaria de ver bem esclarecida a questão das orquestras regionais (as que existem e estão na agonia e as que deviam ser criadas). Gostaria de saber quando é que Portugal vai deixar de ser um dos poucos, se não mesmo o único, país europeu que não tem nem uma companhia de ópera. Quando é que haverá uma verdadeira política de investigação musicológica? Quando é que a nova produção vai ser incentivada e se vai poder mostrar ao público? Gostaria de saber quando é que os portugueses vão poder deixar de pensar na Fundação Calouste Gulbenkian como o único "Ministério da Cultura" que ainda vai funcionando para eles, e passarem a poder contar (mesmo) com o Ministério do Governo. E a lista do que falta fazer seria interminável, só para a Música, que é a área que conheço. Depois seriam precisos outros comentários para fazer a lista para cada uma das outras Artes... Quanto aos possíveis ministros, não me parece terrível, considerando que sempre é uma saída dos tachos das tias. O José Mariano Gago fez um bom trabalho na ciência (tanto quanto me foi dado a perceber), era bom que se esclarecesse quais são as suas qualificações na Cultura. A Lídia Jorge é uma das melhores escritoras portuguesas da actualidade, seria bom conhecer também as suas ideias, mas parece alguém que conhece o meio cultural português. Da actuação do Augusto Santos Silva como Ministro não retive grande coisa; se calhar é porque não fez nada de grande importância... Quanto ao nome que o João propõe, não me oponho; gostei da postura que o Pedro Burmester teve em relação à Casa da Música e à polémica que se gerou. Mas ele é muito bom pianista e seria uma pena se se afastasse do piano. Além de tudo isto, é preciso dizer que o problema Cultural não diz respeito apenas ao Ministro da Cultura. Diz também respeito ao Ministro da Educação, porque a Cultura só existe para o público, que deve ser toda a população e não apenas uma elite. O facto de os espectáculos estarem abertos e, até nalguns casos, poderem ser gratuitos, não os torna verdadeiramente acessíveis a toda a população. Na verdade, um evento só está acessível, quando para uma qualquer pessoa, ele constitui uma possibilidade a considerar, uma opção entre outras. E neste caso, mesmo que se trate por exemplo de uma exposição de entrada gratuita, apenas um pequeno grupo de pessoas considera a hipótese de ir ver a exposição. A maior parte nem se lembra de tal coisa, nem sequer olha para a página das exposições nos jornais. Só uma educação artística pode pôr toda a população em verdadeira igualdade. Enquanto não chegarmos lá, a verdadeira Democracia continua a ser um objectivo a atingir. E depois, obviamente, diz respeito ao Ministro das Finanças que deve tratar o Ministério da Cultura como outro ministério qualquer e não como o que fica com as sobras.

Comment Posted by: Pedro Sá
Discordo por inteiro. O que é absolutamente necessário é pôr termo ao desperdício total de dinheiro que são os subsídios à produção cultural. Não cabe ao Estado decidir o que é cultura, e o que não é. A cultura é do povo, e ao longo da História formas de cultura nasceram, viveram e morreram. E assim é que tem de ser. A consequência é apenas existirem projectos lucrativos ou amadores ? É verdade. Mas não há outra possibilidade. Para além de ser inaceitável toda uma base que passe pela consideração do "erudito" e da suposta "qualidade" em detrimento do popular, um qualquer projecto cultural não é mais importante do que a vida individual de qualquer cidadão, e essa não é subsidiada. Exemplificando: em que é que uma orquestra sinfónica é superior a uma banda rock ? Como é óbvio, em nada. Ao contrário do que os gurus da cultura fazem passar há muitos anos, quais grandes educadores do povo, o gosto de cada um é para ser respeitado e é da mais elementar falta de respeito e de sentido democrático considerar que as pessoas deveriam ser ensinadas a gostar de certas e determinadas coisas. E como é do vosso conhecimento, sou militante do PS. Chamem-me direitista: é precisamente por ser de esquerda e acreditar na democracia, na igualdade e na liberdade que defendo estas posições.

Comment Posted by: isabel sousa
Antes de mais :Bam vindo. A seguir, apenas, uma pequena informação. Não foi só o PS a "furar" a "pobreza" do Debate sobre a cultura na pré campanha. No passado Sábado, dia 15 de Janeiro, na Faculdade de Letras de Lisboa, o BE organizou um Forum alargado sobre vários temas, entre os quais a Cultura. Neste forum sobre a Cultura estiveram presentes, entre outros, Mega Ferreira, Seixas Santos e Maria João Seixas e Miguel Portas. Concordo que é muito pouco...mas é ,apesar de tudo, um bocadinho mais.

Comment Posted by: dizeresmeus
Só um pequeno apontamento: Porque é que Cultura e Economia têm de andar de mãos dadas? Não terá sido a cultura quem mais fez por promover a economia americana?. Muitos dos produtos das maiores economias não são suportados porque estes países são considerados superiores (não no sentido nazi do termo, mas como sendo olhadas com admiração ou imitação)? Dá-me pena ver que tudo se centra em termos de dinheiro, não havendo neste país pensamento a longo prazo. Mas já que falamos de dinheiro, já pensaram qual seria o PIB espanhol sem o fluxo de turismo e investimento e valor acrescentado à economia trazido por nomes como Picasso, Dali, Gaudi, Miró entre muitos outros?

Comment Posted by: o belga melga
Entrada auspiciosa!

Comment Posted by: o belga melga
entrada auspiciosa!

Comment Posted by: Luis Moutinho
De acordo! Burmester a Ministro! (Podem dar-lhe o número de telefone do nº1 do PSD, para ele tratar de marcar um concertozito daquela coisa nova do Chopin, com violinos?)

Comment Posted by: misspinkdragon
Juntar o útil ao agradável Ao longo dos sucessivos governos tem-se verificado que a chamada "política cultural" é uma manta de retalhos, ao sabor das idiossincrasias de dirigentes partidários. Neste momento, os partidos representam, no geral, uma forte oposição cultural, pelas características corporativas de cada um deles e pela fragilidade no entendimento do funcionamento das instituições. Há um pensamento recorrente (pensamento único?) em que as "pessoas da cultura" ou são músicos, ou bailarinos, ou actores… Esta classificação minoritária tem implicado que a dimensão cultural do país seja limitada às artes do espectáculo e transporta consigo uma segunda ideia - a de que a autoridade nasce da experiência. Visão conservadora e redutora, que impede a articulação entre várias áreas, clarificação institucional, reflexão aprofundada estrutural e conjuntural. Num contexto em cultura não seja entendida como a Terra do Nunca, exige-se um cenário - talvez Ciência e Cultura? - em que a gestão seja, mais que nunca, motivada pela capacidade de desenvolver um trabalho sério e continuado e pela compreensão da fina tessitura entre os vários níveis de actuação.

Comment Posted by: Jorge
Mac, antes de mais bem vindo. Depois, tenho dois pontos de discordância profunda com este texto. O primeiro, e menos importante neste contexto, refere-se ao sentimento de que o poder está melhor em Lisboa "porque é mais fácil vigiá-lo" lá. Típico egocentrismo lisboeta: só é mais fácil vigiar o poder que está em Lisboa por quem também está em Lisboa. E quem não está em Lisboa continua a ser a grande maioria de quem faz Portugal. Isto não quer dizer que eu concorde minimamente com a palermice de espalhar secretarias de estado por capitais de distrito, longe disso. O que isto quer dizer é que na minha opinião o poder central deve permanecer no centro mas é fundamental que neste país se crie de uma vez por todas um nível regional de poder, com poderes reais numa série de áreas, nomeadamente na cultural, áreas em que o poder central só sabe ser megalómano, ineficaz e bastante cego a tudo o que não seja Grande Lisboa e Grande Porto. O segundo tem a ver com a sempiterna questão de que cultura teremos. Muito francamente, parece-me bastante pateta a velhíssima "guerra" entre quem procura desenvolver uma cultura não-comercial, mais "inteligente", e quem acha que cultura que não tenha sucesso comercial é cultura "parasítica", que merece morrer. A verdade é que um ambiente cultural só é verdadeiramente saudável quando inclui ambas. E o que isto significa para a política cultural portuguesa é que faz tanta falta desenvolver melhor em certas áreas uma cultura verdadeiramente comercial - e se for preciso contar com apoios do Estado para isso, que eles existam - como continuar a apoiar, ou inclusivamente reforçar o apoio na medida do possível, de projectos culturais minoritários ou de elite, incentivando a sua democratização e divulgação. Entramos então noutra eterna questão: para onde canalizar primordialmente os limitados recursos financeiros à disposição da tutela da cultura? A minha opinião é simples: não deve haver "canalizações primordiais", pura e simplesmente. Deve haver uma avaliação caso a caso do interesse do projecto e da sua relevância estratégica para o desenvolvimento do respectivo campo cultural. Mas claro, nas contas finais os projectos comerciais deverão acabar por ser menos apoiados do que os outros, porque idealmente um projecto comercial só deverá ser incentivado durante algum tempo, até que o objectivo de se sustentar sozinho seja atingido.

Comment Posted by: Helena Romao
"Exemplificando: em que é que uma orquestra sinfónica é superior a uma banda rock ?" Depende da orquestra e depende da banda rock. A questão é que, ao lançar uma nova banda, a única avaliação da editora são as vendas previstas. Mais nada. E nisto de vendas, pode pôr-se a Rute Marlene ao lado dos Xutos ou da Sinfónica de Berlim (desde que seja a tocar a 5a sinfonia de Beethoven). Se de facto o critério de escolher apenas pelas vendas se mantiver, dou-lhe 1 ano até se fartar do reportório! A sério! Eu dou por mim a ver na MTV algumas canções que me soam iguaizinhas às que se ouviam quando eu andava na escola secundária. Depois lá vejo a legenda e percebo que é uma canção nova. Mas eu jurava que já a tinha ouvido há 15 anos... A maior parte da música de mercado é assim. A mesma, sempre igual. Vira o disco, muda o cantor e toca exactamente o mesmo, diz-se exactamente as mesmas frases. Realemente há quem tenha uma fabulosa capacidade de resistência à repetição... Caso não saiba, se não fosse a música de vanguarda nos anos 40 e 50, um punhado de "loucos", financiados (às vezes) pelo estado Francês, e que ainda hoje ninguém conhece, o Pedro estaria nas discotecas a dançar ao som de outra coisa qualquer, porque aquilo que se faz hoje em dia não existiria. Ou seja, à excepção dos "dinossauros" do tempo em que a economia ainda não tinha todo o poder decisório, à excepção de alguma música que ainda vai sendo financiada pela Gulbenkian (que pelo Estado é raríssimo), a música é igual há décadas e décadas e décadas... Com algumas muito raras e honrosas excepções, mas que habitualmente são apoiadas por pessoas já inseridas no meio. Ah, e de música "erudita" (alguém me arranja uma definição que não dê náuseas?) é a 5a de Beethoven (da qual a maior parte das pessoas só conhece os primeiros 8 acordes), o último andamento da 9a, os Concertos das 4 Estações de Vivaldi, e pronto, estamos conversados. Eu acho estupidificador e muito limitado, mas é só uma opinião...

Comment Posted by: Helena Romao
Faltou-me ainda outra perspectiva: se de facto a Cultura fosse apenas e só o que se vende, sem absolutamente mais nada, como seria o nosso dia-a-dia? Cenário: Portugal governado por um qualquer grupo económico, com um fantoche no governo (não interessa bem quem nem de que partido). Os museus fecham, obviamente. Os museus são financiados pelo Estado, excepto o Museu Gulbenkian, cuja Fundação é financiada por poços de petróleo, que, como sabemos, têm os dias contados. Portanto, se o Estado não lhe pegar, mais tarde ou mais cedo, fechará também. Os teatros também, na sua maioria. Quem quiser sair à noite, pode ir ver um filme Lusomundo, e tem a variadíssima escolha entre a pancadaria do Van Dame (ou outro parecido) e a Meg Ryan ou a Julia Roberts aos beijos ao Hugh Grant ou outro parecido. Uau, tanta variedade! Se quiser ir ao teatro, tem a variadíssima escolha entre ver o Amália, o Amália pela quinquagésima vez, ou o Amália pela milionésima vez. Também pode ficar em casa. Nesse caso, pode por exemplo ler o livro da Margarida Rebelo Pinto com a capa rosa shocking, o livro da Margarida Rebelo Pinto com a capa verde-alface ou o livro da Margarida Rebelo Pinto com a capa às bolinhas amarelas. Ou uma tradução do Código daVinci com uma capa qualquer, mas só enquanto estiver na moda. Nota: os nomes, obras ou artistas referenciados não são obrigatoriamente de má qualidade (uns serão, outros têm apenas a sorte de ser uma das tais excepções de boa qualidade que vende), são é pouco variados.

Comment Posted by: Ana F.
Bom começo, de facto! :) Realmente a política cultural é um das (muitas) grande lacunas do nosso bem-amado país, mas ao contrário de outras, como a educação ou a saúde, é pouco discutida, penso que por, justamente por não existir educação cultural, dizer muito pouco às pessoas e ainda ser vista como ocupação mais ou menos inútil de um pequeno grupo de "intelectuais"! A educação para a cultura, que ensine a ouvir boa música, a ver teatro e cinema, a desenvolver interesse pelas artes plásticas é tão urgente como a reformulação do sistema de ensino. Deixar de ver a cultura como um "deperdício do dinheiro do estado" ou, pior ainda, um sector a rentabilizar económicamente - importante seria, pelo contrário, libertá-la da dependência dos interesses económicos, para a tornar realmente livre - e passar a vê-la como uma mais valia na afirmação do país no estrangeiro e na formação de cidadaõs realmente livres e conscientes - veja-se a formação dos povos do Leste da Europa, isso sim seria importante - e isso, aparentemente, não teria que implicar um enorme aumento da verba se se fizesse uma revisão de prioridades.

Comment Posted by: João Macdonald
Caro Jorge Candeias: 1) É bem verdade que "só é mais fácil vigiar o poder que está em Lisboa por quem também está em Lisboa", mas já pensou no lado bom da questão? É que sendo assim, também o poder vigia menos quem não está em Lisboa. (Já agora, por curiosidade: vivo em Lisboa, mas sou portuense.) 2) Não entro na guerra entre "alta cultura" e "baixa cultura". Você tem toda a razão na observação. Mas entro na guerra contra a defesa apenas da "baixa". Cara Isabel Sousa: Obrigado pela informação. Em breve vou actualizar o post.

Comment Posted by: Pedro Sá
Se as coisas se vendem, é porque as pessoas compram. Ninguém as obriga a comprar, e se há coisa que não farei é tomar as pessoas por estúpidas ou por autómatos. E se há variedade cultural ou não, sem prejuízo de ser muito discutível esse conceito de variedade cultural, não é algo que deva caber ao Estado preocupar-se. O Estado tem que se preocupar, sim, com as suas tarefas fundamentais ao nível da soberania e do Estado Social. Cultura, apenas ao nível do património. Isso sim. O que se produz culturalmente no país, não é nem pode ser problema do Estado. Ah, e sobre essa "música de vanguarda". Para já, dispenso vanguardismos, e resta saber porque é que esses eram vanguarda e outros não. E, sabe, essa palavra cheira-me logo a "vanguarda da classe operária" e outras expressões afins. Depois, mesmo se tivesse toda a razão, na prática ia dar ao mesmo. Não é problema do Estado se e como a música vai evoluir.

Comment Posted by: Helena Romão
Então por cá está tudo bem, de certeza, porque o Estado não tem quase dado apoio a música nenhuma. O meu ponto, o que eu queria dizer é: se há desigualdades e é preciso resolvê-las, porquê nivelar por baixo? Porquê seguir o exemplo dos EUA, se temos aqui a França ou os países nórdicos tão mais perto, e com tão mais sucesso? E asseguro que o que ñao falta em França é a cultura comercial e mediática. Só que também há o resto e todos os anos o orçamento de Estado reserva uma considerável fatia para a Cultura. O que acontece é que há de tudo. E provavelmente uma parte do público é o mesmo em todo o tipo de eventos. Um dia vão a um concerto, e noutro a outro concerto completamente diferente. Na Finlândia ser compositor é mesmo uma profissão! Todos os anos são atribuídas bolsas estatais a compositores que se candidatam. Essas bolsas valem por um determinado tempo, findo o qual o compositor tem que apresentar um trabalho estipulado. Não consta que os finlandeses sejam mais nem menos que os portugueses ou que sejam muito infelizes. Também não consta que haja censura à cultura comercial. O mecenato funciona parcialmente nesses países onde há ensino artístico para todos e onde, portanto, é possível encher uma sala de espectáculos com um concerto de música contemporânea. Nessas condições, a empresa sabe que a publicidade a troco da qual é feito o mecenato, chega a um número de pessoas suficiente para cobrir a despesa. Há alguém que possa honestamente dizer que pensa que uma empresa vai dar dinheiro sem ter a certeza de um bom retorno? Pedro, se não gosta da palavra vanguarda use outra qualquer. Isso não muda a História, nem a Música, que está gravada, e não tem qualquer importância. Chamei-lhe "vanguarda" por ser uma música de estúdio, uma coisa completamente nova naquela época. Na verdade, o que aqueles compositores faziam a maior parte do tempo, era estudar a acústica e psico-acústica. aproveitavam as recentes invenções: a gravação de som e a possibilidade de o inverter e de o trabalhar de maneiras diversas, para experimentar o comportamento da audição face a determinados fenómenos acústicos. E depois faziam música inspirada ou baseada nessas experiências. Uma das coisas que faziam, por exemplo, era gravar sons num disco (que ainda nem era de vinil) que depois manipulavam tal como fazem agora os DJ, o scratching. Aqui ficou um exemplo. "Vanguarda" é só uma palavra. Na verdade, "erudita" é uma má palavra cheia de conotações de elitismo (de certeza que fomentada pelas tias dos casacos de peles "de" S. Carlos), "clássica" só é aplicável ao período do Classicismo, "contemporânea" só descreve a que nos é contemporânea.... não é fácil encontrar uma palavra.

Comment Posted by: Helena Romao
Então por cá está tudo bem, de certeza, porque o Estado não tem quase dado apoio a música nenhuma. O meu ponto, o que eu queria dizer é: se há desigualdades e é preciso resolvê-las, porquê nivelar por baixo? Porquê seguir o exemplo dos EUA, se temos aqui a França ou os países nórdicos tão mais perto, e com tão mais sucesso? E asseguro que o que ñao falta em França é a cultura comercial e mediática. Só que também há o resto e todos os anos o orçamento de Estado reserva uma considerável fatia para a Cultura. O que acontece é que há de tudo. E provavelmente uma parte do público é o mesmo em todo o tipo de eventos. Um dia vão a um concerto, e noutro a outro concerto completamente diferente. Na Finlândia ser compositor é mesmo uma profissão! Todos os anos são atribuídas bolsas estatais a compositores que se candidatam. Essas bolsas valem por um determinado tempo, findo o qual o compositor tem que apresentar um trabalho estipulado. Não consta que os finlandeses sejam mais nem menos que os portugueses ou que sejam muito infelizes. Também não consta que haja censura à cultura comercial. O mecenato funciona parcialmente nesses países onde há ensino artístico para todos e onde, portanto, é possível encher uma sala de espectáculos com um concerto de música contemporânea. Nessas condições, a empresa sabe que a publicidade a troco da qual é feito o mecenato, chega a um número de pessoas suficiente para cobrir a despesa. Há alguém que possa honestamente dizer que pensa que uma empresa vai dar dinheiro sem ter a certeza de um bom retorno? Pedro, se não gosta da palavra vanguarda use outra qualquer. Isso não muda a História, nem a Música, que está gravada, e não tem qualquer importância. Chamei-lhe "vanguarda" por ser uma música de estúdio, uma coisa completamente nova naquela época. Na verdade, o que aqueles compositores faziam a maior parte do tempo, era estudar a acústica e psico-acústica. aproveitavam as recentes invenções: a gravação de som e a possibilidade de o inverter e de o trabalhar de maneiras diversas, para experimentar o comportamento da audição face a determinados fenómenos acústicos. E depois faziam música inspirada ou baseada nessas experiências. Uma das coisas que faziam, por exemplo, era gravar sons num disco (que ainda nem era de vinil) que depois manipulavam tal como fazem agora os DJ, o scratching. Aqui ficou um exemplo. "Vanguarda" é só uma palavra. Na verdade, "erudita" é uma má palavra cheia de conotações de elitismo (fomentada talvez pelas tias dos casacos de peles "de" S. Carlos), "clássica" só é aplicável ao período do Classicismo, "contemporânea" só descreve a que nos é contemporânea.... não é fácil encontrar uma palavra.

Back To Index