Tudo vira posta

Pois eu também quero mandar uma posta de pescada na polémica da "maturidade" entre os Oliveiras, lançada aqui pelo Pedro e respondida aqui pelo Daniel. Três pontinhos apenas: 1. Em primeiro lugar, parece-me que o Pedro – como o PS em geral – está a meter o carro à frente dos bois. Nesta altura do campeonato não me parece que seja de exigir maturidade ao eleitorado. Pelo contrário, é aos políticos que se deve exigir maturidade, nomeadamente para nos governarem com o panorama político que sair das eleições, como fizeram Cavaco e Guterres nos seus primeiros governos, que foram de minoria e os melhores de cada um deles. A obrigação é pegar no país e tirá-lo do fosso, sem exigências nem chantagens. Insinuar que só se governa com maioria absoluta é que é, do meu ponto de vista, infantil. 2. Mas se o BE estiver, como diz o Pedro e eu concordo, empenhado numa estratégia de crescimento a médio prazo que o faz menosprezar as responsabilidades do apoio ao PS, também isso não deixa de ser uma infantilidade. Enquanto eleitor de esquerda, os prazos do BE não me interessam para nada, e vejo que a situação do país não está para brincadeiras. O BE terá de entender que um programa do PS com influência moderadíssima sua será melhor do que deixar o PS escapar-se para negociar com o PP (o que há dez dias atrás era só delírio meu...) – o que permitiria ao BE jogar o jogo da vitimização, confortável para alguns, mas de resultados nefastos para todos. 3. Mas como estamos a pôr o carro à frente do bois, há uma infantilidade que é a pior de todas, que é a de lançar ataques à esquerda. Engana-se quem acha que é fácil ganhar eleições a um governo em gestão de propaganda com um líder na luta pela sobrevivência. Num quadro de hiper-erosão da memória, será preciso explicar às pessoas o que foram estes dois últimos governos até ao último minuto da campanha. A chave da vitória está aí. O PS não ganhará nem perderá a maioria absoluta pelo 1 a 1,5% que consiga roubar ao BE que não a ganhe nem perca muito mais rapidamente pelos 5% que deixar Santana recuperar (e deve, aliás, abandonar completamente as ilusões de alguma vez conseguir esvaziar os mais de 10% à sua esquerda que sempre existiram desde 74). Caso contrário, estas eleições serão uma revisitação de Durão - 2002: Sócrates começará a pedir a maioria absoluta para terminar a suspirar de alívio por a campanha não durar mais duas semanas.

-----

Comment Posted by: soares mario
Lembrem-se que 1 de Abril de 2000 Francisco Louçã assistiu ao Benfica Porto no Estádio da Luz ao lado de Vale e Azevedo, Eduardo Barroso, João Soares et al. Também ele, homofóbico, bebe do cacau da bica.

Comment Posted by: viana
Excelente. O PS deve aprender a viver com quem vota na outra Esquerda, tal como o PSD aprendeu a viver com a outra direita (PP). Uma pergunta: o PS não teve um governo estável durante o primeiro mandato de Guterres? Não pôde apresentar as reformas que quisesse? Se não foram aprovadas é porque uma maioria de portugueses se opôs a elas através dos seus representantes eleitos. O PS procurou qualquer tipo de compromisso à Esquerda? O que quer o PS (ou o PSD)? Que as pessoas votem em maiorias absolutas porque sim, as quais depois vão tomar decisões contrárias às convicções dessas pessoas? Estão a apelar ao voto sem consciência? É que, encaremos a coisa, nem sequer é um apelo apenas ao voto útil em alguns distritos (onde o BE, PCP ou PP não têm hipóteses de eleger deputados), mas sim um apelo a que as pessoas abdiquem de quem as representem, abdiquem da sua voz no parlamento, um apelo ao silêncio. Silêncio, estão a incomodar-nos com as vossas consciências!... Não têm o direito de clamar por silêncio em nome da estabilidade. De outro modo Democracia é uma palavra oca.

Comment Posted by: Jorge Eusébio
O Bloco não ambiciona ir buscar eleitorado ao CDS nem ao PSD. Por aqui, o caso está arrumado. O PCP pode descer meio ponto ou um ponto percentual, mas não é isso que vai fazer o Bloco crescer à bruta. O segredo do sucesso está em ir gamar votos à abstenção e ao PS. O grande adversário do Bloco é, portanto, o PS. Os ataques aos socialistas revelam, pois, maturidade eleitoral da parte da malta de Francisco Loução. http://jornaldeportimao.blogspot.com

Comment Posted by: a.pacheco
Jorge Eusébio um democrata nunca fala em roubo de votos, os votos são dos eleitores que livre e democraticamente apostam no partido que acham que melhor defende os seus interesses. Quem não entende isto não percebe a regra basica da democracia de um homem um voto, livre e democraticamrente expresso. O Bloco não rouba votos a ninguem terá a votação que os cidadãos democraticamente etenderem atribuir-lhe e mais nada.

Comment Posted by: Democrata
Excelente ponto de vista sobre os posts do Daniel e Pedro Oliveira. Continuas a ser o Barnabé com quem mais me identifico, não tens preconceitos em relação a nenhuma das esquerdas, e fazes a leitura acertada das diferenças entre elas. Mais que as diferenças, nesta altura deviamos estara debater quais os pontos comuns. Apesar disto não posso deixar de concordar com o Daniel quanto à elite "socialista" que rodeia José Sócrates. Todos encaixariam perfeitamente num governo do PSD. Não nos esqueçamos, na hora de ir votar, que o PS se deu ao luxo de dispensar Helena Roseta, Medeiros Ferreira ou Ana Benavente. E isto quando inlui nas suas listas uma personalidade como D. Matilde Sousa Franco ou os deputados de direita do grupo de Rosário Carneiro. Agora, inaceitável é a tentativa sistemática de classificar o PC como um partido antidemocrático. Haja bom senso. Essa cassete reaccionária, utilizada por apoiantes do CDS, PSD, PS ou mesmo BE, já está gasta! Respeitem um partido que passou mais de 80 anos a lutar pela liberdade. Quanto à possibilidade de um entendimento entre PS, BE e PCP, não acredito que possa vir a existir. E se por ventura este acontecesse, não teria condições para governar, visto o exemplo dos ataque que sofreu a direcção do único homem de Esquerda que esteve à frente do PS. Refiro-me obviamente ao já saudoso, Dr. Ferro Rodrigues.

Comment Posted by: polittikus
Muito bem. Temos politólogo, se é competente é outra história...

Comment Posted by: s-o-v-i-e-t
- Tbm gostei deste post do Rui Tavares. - Creio que o fundamental já foi dito nos comentários que me antecedem. - Apenas um pensamento meu: Com um PCP renovado, creio que não haveria espaço de manobra para outras forças de esquerda, principalmente o BE, sobressaírem na luta/cena política a nível nacional. - Teriamos uma esquerda mais unida, e mais forte!!!

Comment Posted by: Joao Teixeira
Sinceramente acho que quem de facto pos o carro a frente dos bois foi o PP, ao apresentar a sua equipa ministerial sem ter apresentado um programa de governo. No minimo caricacto.

Comment Posted by: Filipe Moura
Subscrevo totalmente, cada ponto e cada vírgula, o comentário do Democrata.

Comment Posted by: Marujo
«O PS não ganhará nem perderá a maioria absoluta pelo 1 a 1,5% que consiga roubar ao BE que não a ganhe nem perca muito mais rapidamente pelos 5% que deixar Santana recuperar»... ó Rui, os lisboetas também assim pensaram, nas autárquicas de 2002, e entregaram a CM de Lisboa a Santana Lopes. Lembras-te por quantos? 800 e tal votos... Muito menos do que teve o Bloco (com a influência em Lisboa que NÃO se conhece - que fez o BE de diferente na CML? Miguel Portas já nem lá "mora"!). Depois daquela vitória, Santana pôde invocar legitimidades que nunca tinha tido, no PSD e no país. Com todas as consequências que teve!

Comment Posted by: basta
Tudo certo Rui tavares. Mas o PS é de esquerda, é?

Comment Posted by: Jorge Eusébio
Caro a.pacheco Agradeço a aula de democracia e bons modos cívicos. Se o irrita a palavra «gamar» pode substituí-la por «buscar» e fica com caminho livre para analisar o conteúdo sem ficar barrado pela forma. http://jornaldeportimao.blogspot.com

Comment Posted by: s-o-v-i-e-t
basta: - O PS representa a esquerda políticamente INcorreta.

Comment Posted by: Luis Lavoura
Não subscrevo totalmente este post, mas acho que o seu ponto 2 está muitíssimo certo.

Back To Index