fevereiro 28, 2005

O Papa está bem

E se, desta vez, nada tivesse a ver com a Fé? Se o Papa, surgindo à janela quando ninguém o esperava (até foi capa do Diário de Notícias), não o fizesse para lançar algum sinal espiritual, mas apenas para dizer: "Malta! Estou vivo!"? Que o fizesse como qualquer um que tem medo da morte e tem orgulho em mostrar a todos que a encara de frente. Que, ao tomar ontem aquela atitude, deixasse a crença para trás e se dirigisse a todos, sem se preocupar com a coisa da religião, tão-só preocupado com a vida.

É um contra-senso, bem sei - não preciso que me recordem do absurdo obstáculo que João Paulo II representa na luta contra a pior das epidemias mundiais.

Mas tenho, de facto, certo gosto em fazer esta reflexão: e se, por um quarto-de-hora que fosse, o homem pensasse "Quero lá saber da Fé, que não tem nada a ver com o meu sistema imunológico. Vou é mostrar a estas pessoas que não vou abaixo assim sem mais nem menos"?

É plausível. Afinal, os descrentes também têm os seus momentos de dúvida.

Publicado por joaomacdonald em segunda-feira 28 fevereiro 22:15 | Comentários (5)

Cede-se posição contratual

Dá-se preferência a candidatos socialmente conservadores, economicamente liberais, com fortes convicções sobre a santidade da Irmã Lúcia e a competência da Celeste Cardona. Enviar currículo para o Largo do Caldas. Lamentamos, mas o nosso site
continua em construção.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 28 fevereiro 20:22 | Comentários (2)

Bola a mais, trabalho a menos, poluição q.b.

Lisboa, 19 horas da noite, num táxi subindo do Marquês de Pombal para a Rua Joaquim António de Aguiar, com o trânsito do costume. Aliás, mais do que o costume, explica-me o taxista: "Isto nos dias de bola as pessoas saem mais cedo dos empregos para ver o jogo". Olho em volta: não vejo um único automóvel que transporte mais do que o condutor. Na rádio, o jornalista cita Giovanni Trapattoni: "Este nem é um jogo importante". Não há ambientalista que aguente tanto e eu percebo cada vez menos disto.

Publicado por joaomacdonald em segunda-feira 28 fevereiro 19:34 | Comentários (4)

Um momento patriótico

Ontem na cerimónia dos Óscares, Samuel L. Jackson subiu ao palco para entregar o prémio de melhor argumento original e produziu a melhor confissão da inferioridade norte-americana em relação a Portugal que alguma vez ouvi:

"Não sei o que é mais difícil – se escrever um argumento original ou adaptado – mas de uma coisa estou certo: nunca conseguiríamos fazer um filme sem argumento."

Não conseguiriam fazer um filme sem argumento, hein? Ah! – pobres coitados.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 28 fevereiro 16:48 | Comentários (8)

Implacável

O texto de Maria de Fátima Bonifácio, hoje no Público, é, talvez, o mais duro retrato de Santana Lopes que li nos últimos tempos. Tanto mais arrasador quanto não é, certamente, ditado por um ódio «de esquerda». Mas ajuda também a refutar o argumento do historiador Rui Ramos em relação à suposta ingovernabilidade do sistema a partir do momento em que o presidente dissolveu um governo com uma maioria sustentada no parlamento. Santana não caiu porque estava a enfrentar interesses ou porque estava a exigir sacrifícios. Caiu porque se instalou um consenso alargadíssimo de que era incompetente, caso contrário nenhum presidente o demitiria (quem demitiria Cavaco, nos anos noventa, usando os mesmos poderes?). E, se assim é, o presidente limitou-se a justificar a razão porque é eleito directamente: para ser a válvula de escape do sistema. Do mesmo modo, é pouco lógica, porque se apoia numa análise a posteriori ,a ideia de que Sampaio só nomeou Santana para o fazer cair depois. Como poderia Sampaio cumprir a fase B de tão maquiavelico plano se Santana tivesse ganho a confiança dos portugueses?

Publicado por celsomartins em segunda-feira 28 fevereiro 15:28 | Comentários (10)

Reformas na mira

Tendo o PS, indiscutivelmente, ganho o centro, mais do que nunca o centro, e obtido a primeira maioria absoluta da sua história, José Sócrates não tem qualquer desculpa para governar mal. Estão criadas condições únicas para levar a cabo a reforma social-democrata que o país precisa como de pão para a boca. O PS terá quatro anos para a realizar, concluindo com certeza algumas etapas ao longo desse período e lançando, para o futuro, outras. Assim o saiba fazer.
Quanto aos três anos de consulado PSD, do barroso PSD reformista de Durão, também não devemos olhar para eles como tempo meramente perdido. É que sempre houve uma reforma, pelo menos uma, que ficará na memória dos portugueses: a de Mira Amaral.

Publicado por nunosousa em segunda-feira 28 fevereiro 13:54 | Comentários (6)

fevereiro 27, 2005

"You talkin' to me?"

“Não estou metido nisto”, diz Santana Lopes a propósito da sua sucessão no PSD. Morais Sarmento pede para que não se repita a “precipitação” cometida em Julho, quando Santana Lopes foi eleito em Congresso extraordinário. O secretário-geral do partido, Miguel Relvas, reconhece, agora, ”que devia ter havido eleições antecipadas em Julho”. Alberto João Jardim diz que "este não é o meu PSD".

Publicado por pedro sales em domingo 27 fevereiro 16:30 | Comentários (13)

Adeus, Peter

A morte de Peter Benenson corre o risco de passar quase despercebida entre nós. Um pequeno obituário aqui e ali e pouco mais. Televisões, nada. É pena que assim seja. O nome de Peter Benenson dirá pouco aos portugueses, mas Portugal desempenhou um papel determinante na extraordinária ideia de Benenson, um advogado britânico católico de ascendência judaica: o lançamento da Amnistia Internacional.
Há vários aspectos comoventes em toda a história que rodeou a criação da AI. Em Novembro de 1960, Benenson ficou estupefacto ao ler num jornal britânico que dois estudantes portugueses haviam sido presos em Lisboa por terem feito um brinde à liberdade, à mesa de um café. Foram depois condenados a sete anos de prisão por este gesto desafiador (segundo julgo, este episódio nunca foi devidamente investigado por nenhum jornalista português). Benenson decidiu então utilizar um expediente tipicamente britânico: uma carta de protesto às autoridades portuguesas. Estava encontrada a fórmula que iria popularizar a instituição que em poucos anos se tornaria a principal ONG na área dos Direitos Humanos: a Amnistia Internacional.
Em 1961, Benenson organizou a primeira grande campanha que estabeleceu o padrão de acção da AI: seleccionou um grupo de "prisioneiros de consciência" e tratou de mobilizar a opinião pública para acções de protesto que pudessem levar à sua libertação.
Entre os prisioneiros de consciência apresentados no célebre artigo publicado por Benensnon no Observer de 27 de Maio de 1961 encontrava-se o médico Agostinho Neto, fundador do MPLA, à época detido em Cabo Verde sem direito a julgamento. O mesmo Agostinho Neto que em 1975 se tornaria o presidente da República Popular de Angola, um dos regimes mais liberticidas da África pós-colonial. As voltas que a história dá...

PS: Um leitor do Barnabé chamou-me a atenção para o facto da SIC-Notícias se ter referido com algum destaque ao desaparecimento de Peter Benenson. Fico contente - mas a SIC-Notícias é um canal por cabo, só acessível a uma parte da população.

Publicado por pedrooliveira em domingo 27 fevereiro 12:54 | Comentários (16)

fevereiro 26, 2005

Dois mitos

A reacção de alguns sectores da nossa direita aos resultados do dia 20 tem sido um espectáculo digno de ser ver.
Ao doloroso exame de consciência, preferem refugiar-se no conforto dos mitos.
O primeiro mito da direita mais choramingona baseia-se no seguinte: perdemos porque o Presidente da República viciou as regras do jogo. Sampaio comportou-se cinicamente em todo o processo que envolveu a sucessão de Durão Barroso pois quebrou o compromisso assumido no Verão passado, ou seja, o de garantir as condições de estabilidade necessárias à governação respeitando a maioria que sustentava o governo na Assembleia da República. A dissolução do parlamento por causa de um punhado de faits-divers inconsequentes veio interromper uma governação que se vira forçada a tomar algumas medidas difíceis e impopulares, mas que dispunha ainda de mais ano e meio para mostrar obra feita. Temos de convir que esta versão dos factos até parece plausível. Não o vou discutir aqui. Simplesmente, quem anda agora obcecado com ela esquece-se de uma coisa elementar: Santana e Portas poderiam perfeitamente ter forçado a convocação de eleições antecipadas, alegando que a demissão de Barroso impunha uma clarificação política. Não o fizeram por uma razão: medo. Medo de sofrerem uma nova penalização eleitoral, medo de perderem o poder e deixarem as suas clientelas insatisfeitas.
Este foi, porventura, o maior erro político de Santana e Portas. Se as eleições se tivessem realizado no início de Setembro, por exemplo, é provável que não evitassem a derrota. Mas contra o PS de Ferro essa derrota nunca seria tão estrondosa como aquela que se verificou no domingo passado. Teriam muito provavelmente impedido a maioria absoluta do PS e contido num patamar aceitável as suas perdas eleitorais.
O segundo mito foi invocado por Portas no seu amargo discurso de demissão e tem sido glosado por vários comentadores políticos. É, basicamente, o mito da “hegemonia cultural da esquerda”. A direita perdeu porque vive concentrada na luta do poder pelo poder, na gestão dos “interesses”, e descurou o combate ideológico mais vasto. Segundo esta versão, a direita é excessivamente acanhada na afirmação dos seus valores e permite que seja a esquerda a definir os termos do debate acerca do tipo de sociedade em que devemos viver. A direita vive na ilusão de que pode governar o país segundo os cânones fixados pela esquerda durante a fundação da nossa democracia – veja-se, por exemplo, a insistência com que algumas das pessoas da área do CDS defendem a urgência de uma revisão constitucional profunda. Guardarei para uma outra ocasião a discussão deste argumento. Por agora, limitar-me-ei a assinalar que a hegemonia da esquerda, da cultura política da esquerda, está longe de me parecer óbvia.
Sem dúvida que Santana e Portas perderam porque, entre outras coisas, tinham “má imprensa”. Mas significa isso que existe uma “hegemonia da esquerda” na nossa comunicação social? Por acaso algum dos grupos de comunicação social do nosso país é controlado por empresários de esquerda? Não é Balsemão o militante número 1 do PSD? Paes do Amaral (Media Capital/TVI) não foi o sócio de Nobre Guedes nos tempos áureos d’O Independente? A RTP não acaba de contratar Marcelo Rebelo de Sousa para seu principal comentador político? E os exemplos poderiam continuar.
Na verdade, a direita há muito que inverteu a seu favor os termos do debate político. Hoje o máximo que as pessoas esperam da esquerda social-democrata é a defesa dos serviços públicos, de algumas políticas de solidariedade social e, claro está, uma visão mais progressista de questões “civilizacionais” (aborto, direitos das minorias, etc.). É claro que os avanços do cavaquismo em Portugal foram muito tímidos em comparação com a “revolução conservadora” de Reagan e Thatcher, mas as pessoas parecem esquecer-se das razões históricas e culturais que facilitaram o triunfo desses projectos no Reino Unido e na América. Nesse sentido, a aplicação de uma terapia equivalente entre nós exigiria que alguém ousasse enfrentar aquilo que Vasco Pulido Valente identifica no seu artigo de ontem como os valores típicos de uma cultura camponesa pobre: a segurança e a rotina. Pessoalmente, não vejo ninguém na nossa direita que esteja à altura do desafio (certamente que não Paulo Portas, um devoto da Irmã Lúcia, figura emblemática dessa cultura camponesa pobre).

Publicado por pedrooliveira em sábado 26 fevereiro 09:45 | Comentários (17)

fevereiro 25, 2005

Vera Drake

A questão da interrupção voluntária da gravidez voltou, como se diz hoje em dia, à agenda política, falando-se novamente na possibilidade de um referendo. Melhor seria se a descriminalização passasse directamente na Assembleia da República. Sou daquelas que acha que não é demais, que vale a pena voltar a discutir este assunto. Mas, espero que desta vez se consiga resolver esta questão. E para mim, e para tantos outros, é importante descriminalizar a prática, não condenar as mulheres que fazem a interrupção voluntária da gravidez, nem aqueles que as ajudam. Estes não são todos como a "Vera Drake" (um bom filme em exibição), uma mulher excepcional que nem cobrava dinheiro, mas, pelo contrário, deveriam ser todos profissionais de saúde competentes. Espero que nesta nova legislatura seja, finalmente, resolvida esta questão. O tempo é agora, porque já devia ter sido ontem.

Publicado por alice samara em sexta-feira 25 fevereiro 00:11 | Comentários (75)

fevereiro 24, 2005

A Loja dos Chineses é Só o Princípio....

A visita do George W. Bush à nossa Europa parece ser visto por muitos como uma oportunidade para relançar as relações transatlânticas após os desacatos sobre o Iraque. Mas estão a enganar-se redondamente aqueles, incluindo algumas vozes “importantes” neste nosso país, que gostam de acreditar que a comunhão de valores que une a Europa aos Estados Unidos é o suficiente para continuar a dar força à aliança. Porque a verdade é que cada vez menos o “mundo” gira em torno do Atlântico. Ele mudou-se para o Pacífico e daqui a uns anos passará pelo Índico também. Está na altura de olharmos com muita atenção para tudo o que se passa e irá passar-se, principalmente, na China, no Japão, nas Coreias, em Taiwan, Índia e Indonésia. Os americanos já o fazem há muito tempo e basta visitar a Califórnia para ver o que o Pacífico e o Índico prometem.

De volta

Depois de uma longa ausência, regresso, a partir de segunda-feira, ao Barnabé, no ritmo que me era habitual. Deixo aqui uma palavra de desculpas pela ausência e uma informação que poupará alguns comentários: deixei de ser, desde o dia 21 de Fevereiro, por pedido meu, assessor do Bloco de Esquerda. Como devem imaginar, olhando para os resultados eleitorais, soube-me muito bem o momento da despedida. Está assim esclarecida uma informação que dei há dois meses, quando aqui escrevi que esta ia ser a minha última tarefa como burocrata partidário. A partir de agora, sou um simples cidadão com militância partidária. Por isso, não vale a pena continuarem a tratar-me como guichet de reclamações. Então, até já.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 24 fevereiro 15:53 | Comentários (28)

Duplamente vítimas

Parece que a APAV vai ser vítima do desprezo pelas vítimas em Portugal. É o humanitarismo baratucho à portuguesa no seu pior.

Ficamos chocados quando descobrimos que a maior parte dos países europeus civilizados têm prevista nos seus códigos a pena de prisão perpétua, ou algo parecido, como a acumulação de penas para os crimes mais graves. Mas esse humanitarismo nacional face aos criminosos condenados sai barato: quanto mais depressa o Estado se livrar deles menos despesa dão. Claro que a reabilitação, sobretudo dos que foram levados a um qualquer extremo violento num momento excepcional e foram castigados por isso, é importante e deve ser valorizada. Mas do que se trata aqui é do humanitarismo menos evidente e igualmente caro e trabalhoso de criar estruturas de apoio para as vítimas de crimes violentos.

Ai continua a haver um enorme caminho a percorrer. Isto diz-nos respeito a todos. Não é só o Estado que está a falhar aqui. Quanto manchetes escandalizadas teríamos se se tratasse de uma história de sangue fresco? Quanto donativos se se tratasse de vítimas de um desastre algures no Mundo?

Publicado por bruno cardoso reis em quinta-feira 24 fevereiro 12:52 | Comentários (9)

Guerra preventiva às boîtes de destruição em massa?

Aqui há uns anos foi Bush e o "eixo do mal". Agora um novo livro do Papa defende que o casamento gay é parte de uma "ideologia do mal".

Publicado por ruitavares em quinta-feira 24 fevereiro 02:26 | Comentários (42)

O táxi e a limousine

Depois da demissão de Portas ninguém parece querer tomar nas mãos as rédeas do CDS/PP. Porque será?

Se o partido fosse meramente um projecto pessoal de Paulo Portas ainda se percebia. Mas não é. Então, todos sabemos bem que o CDS/PP é o partido charneira da vida política portuguesa. É um partido com um quadro ideológico coerente, constante, que não cede nem a ventos nem a marés. Reparem nisto, apenas à laia de exemplo: antigamente eram "eurocépticos", agora são "eurocalmos", mas isso são apenas detalhes. O que importa é a raiz da palavra - euro - essa é que importa. O resto é apenas a terminação. Tal como na lotaria, são trocos.

Mais, o CDS/PP é um partido cheio de quadros competentes, os mais competentes da política portuguesa segundo Portas, e como tal com muita gente para pegar nele. É certo que o facto de todos eles terem menos visibilidade nacional que Garcia Pereira ou o Major Tomé, por exemplo, não ajuda, mas ainda assim são extremamente competentes. Tome-se o caso de Nobre Guedes. Pediu um levantamento popular em Coimbra e teve-o - quando a Académica marcou o golo que lhe deu a vitória no campo do Gil Vicente no fim de semana passado, o povo de Coimbra regozijou, de pé, junto ao transístor de pilhas. É competência sim senhor.

Mas há mais, o CDS é partido para mudar de nome por dá cá aquela palha. Se Telmo Correia não gosta do nome CDS/PP, por lhe fazer lembrar Paulo Portas, então mude-o para CDS/TC (Trabalhadores Cristãos). Se avançar Pires de Lima, porque não CDS/PL (Partido Liberal)?

Não, de facto o CDS/PP não é um projecto unipessoal de Paulo Portas, mas este transformou-o bastante, tanto em substancia como na dimensão. Deixou de ser o partido do táxi para passar a ser o partido da limousine, mais à imagem do líder. O facto de agora ninguém querer conduzir explica-se simplesmente: tal como Lobo Xavier, são todos amigos do ex-motorista. E a amizade, como todos lemos ontem nas páginas do DN, é uma coisa muito bonita. Para além disso, a limousine gasta mais.

Publicado por nunosousa em quinta-feira 24 fevereiro 01:35 | Comentários (9)

fevereiro 23, 2005

Revelação inesperada 1

O grande derrotado destas eleições: Jorge Sampaio E o Sócrates? Esperamos ansiosos pela explicação cientifica da direita intelectual para o facto de que afinal Sócrates foi o grande derrotado no domingo.

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 23 fevereiro 23:18 | Comentários (3)

Isto é que é benefício da dúvida.

«O grande derrotado nestas eleições foi o País. Virou à esquerda e entregou o poder a um sector dela que é manifestamente incapaz de governar de modo a responder às necessidades dos portugueses.» Vasco Graça Moura, DN.
O PS pode até chegar ao pleno emprego, eliminar o déficite e abolir a inflação. Comentadores destes acharão sempre que é tudo uma desgraça. Mais uma razão para o PS perceber que se governar para a imprensa será a sua primeira vítima.

Publicado por celsomartins em quarta-feira 23 fevereiro 18:07 | Comentários (21)

Não lhes ligues Vladimiro, é só gente que não percebe que envenenamentos e assassinatos de jornalistas são o cimento da democracia

Putin rejeita críticas sobre falta de democracia na Rússia

Publicado por nunosousa em quarta-feira 23 fevereiro 12:54 | Comentários (5)

Claro! Como se isso requeresse alguma preparação especial!!

"A ideia de que os EUA se preparam para atacar o Irão é simplesmente ridícula"
George W. Bush, 22-02-2005

Publicado por nunosousa em quarta-feira 23 fevereiro 12:51 | Comentários (10)

Luís Delgado na estrada de Damasco


Michelangelo Merisi da Caravaggio, A Conversão de São Paulo na Estrada de Damasco, 1600-1601.

"Durão Barroso governou mal! Durão Barroso governou mal! É preciso dizer isto! Durão Barroso mentiu aos portugueses!". – Luís Delgado, hoje na SIC-notícias.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 23 fevereiro 00:59 | Comentários (27)

O paterfamilias é que sabe

Entre os catecúmenos de Paulo Portas, e mesmo entre comentadores distraídos, há quem estranhe a demissão deste quando a "derrota do CDS/PP nem foi assim tão clamorosa".

Estão enganados e Paulo Portas está certo. A derrota só parece benigna ao lado de um PSD arrasado pelas pragas do Egipto. Mas é precisamente esse contexto que não pode deixar de ter feito cair a ficha no processador de Paulo Portas. Se o CDS consegue 7% com um PSD em estado comatoso – ao passo que os comunas e os trotskas têm 14% com um PS em grande –, quanto teria o CDS garantido se o PSD tivesse uma liderança ligeiramente menos jumenta? Cinco por cento? E se o PSD tivesse uma liderança já a melhorar assim para o medíocre? Três? A teoria era que a desgraça do PSD garantiria os mínimos olímpicos para o CDS (escrevi-o eu aqui antes da noite eleitoral, e era o que mais ou menos toda a gente achava). Nem um gajo de esquerda que já foi descrito, em livro, como um optimista patológico (é o meu caso) poderia nos seus sonhos mais loucos esperar aquele resultado do PP.

O que terá evitado que eleitores do PSD tivessem votado neste CDS/PP "de estado"? A irritação ao ver que Paulo Portas fazia de conta de que não tinha nada a ver com o governo? Uma vingança pelas suas diabruras durante o cavaquismo? A estética da maioria absoluta? O desencanto com a obra da direita? O aumento da literacia?

Não faço ideia, mas tenho curiosidade.

Esta baixa votação do CDS/PP neste contexto confirma um preconceito e demonstra uma impossibilidade. Em primeiro lugar, confirma que, afinal de contas, o BE era capaz de ter razão numa coisa em que nem eu nem a maior parte dos barnabés lhe quisemos dar razão (que é impossível ir para o governo com oito por cento e crescer). É um preconceito, não uma regra universal, mas a contra-prova que seria o crescimento do CDS não ocorreu.

Mais importante do que isso, Paulo Portas terá entendido que não chega "lá" pela liderança do CDS/PP. O "lá" é ser o messias da direita e da Pátria. Manter-se na liderança de um CDS/PP em eterno rame-rame é um sonho de gente pequenina, coisa que Paulo Portas se recusa a ser. Se ceder aos apelos dos orfãos, Paulo Portas estará a trair o seu ideal e não conseguirá ser feliz. O que fazer, então? Além da hipótese de abandonar a política – por ser uma pessoa que sabe fazer bem várias coisas, o exacto oposto de Santana Lopes que não sabe fazer bem nenhuma – Paulo Portas talvez tenha como saída ser o grande rival de Marcelo Rebelo de Sousa para os próximos anos. Qualquer TV gostaria de o ter como comentador e é uma hipótese que o tornaria mais simpático aos olhos do público. Pode ainda inspirar-se na travessia do conservadorismo americano e transfigurar-se numa espécie de Newt Gingrich, o tipo que não fala para toda a gente mas só para os mais duros entre os duros, tentando refundar o conservadorismo de que seria o Sumo Sacerdote. Ou talvez Barry Goldwater seja uma comparação mais correcta. Candidatar-se a Presidente é que seria complicado, uma vez que demasiada gente neste país não gosta dele. Mas poderia ser um investimento para o futuro.

Só espero é que ele não leia o Barnabé. Seja como for, o meu conselho é outro: descontraia, tente a mão nas artes como o amigo Miguel Esteves Cardoso, viva a vida, seja feliz. Crie um fotoblogue. A direita portuguesa é demasiado deprimente (e se a esquerda tiver juizinho ainda vai ser mais).

Publicado por ruitavares em quarta-feira 23 fevereiro 00:55 | Comentários (9)

fevereiro 22, 2005

É tao cansativo ser cavaquista...

Ferreira Leite resiste a pressões cavaquistas.

Publicado por ruitavares em terça-feira 22 fevereiro 17:36 | Comentários (7)

Rostos ou Caras? Democracia em acção!

A luta pela liderança do PSD já começou. Os projectos e as ideias são claras.

Luís Filipes Menezes: "É preciso alguma renovação, rostos novos à frente do partido".
Nuno Morais Sarmento: "O PSD precisa de caras novas".

Publicado por ruitavares em terça-feira 22 fevereiro 17:30 | Comentários (6)

Queremos poligamia

O povo deu um sinal claro. O Padre Lereno foi talvez o maior derrotado destas eleições.

Publicado por ruitavares em terça-feira 22 fevereiro 04:42 | Comentários (17)

fevereiro 21, 2005

O dia seguinte

A festa do PS na noite de ontem foi pouco participada. Muitos dirão que se trata de mais um sinal que reforça a ideia de que a maioria absoluta conquistada por Sócrates foi, acima de tudo, o resultado de um voto de protesto estrondoso. Eu por mim prefiro ver a fraca afluência de “populares” ao Altis e ao Rato como um sinal de maturidade da parte do eleitorado, de rejeição do lado mais folclórico da política ao fim de 30 anos de eleições democráticas. Isso é bom.
Santana esteve igual a si próprio: meloso, egocêntrico, totalmente irresponsável. Mas o que ouvi na noite de ontem da boca de várias luminárias do PSD leva-me a pensar que o Rui Tavares tem de facto razão. Santana Lopes não é uma aberração no PSD, ele é um produto acabado da cultura política do PSD. Ontem, não ouvi um único dirigente falar da necessidade do partido reflectir um pouco acerca das razões que tinham levado a tão categórica rejeição do seu projecto governativo. Não, os dirigentes do PSD já só falavam nas próximas “batalhas eleitorais” e dos rostos que as protagonizarão. É claro que o estilo de liderança de Lopes explicará parte da débâcle do PSD, mas não a explica toda. Se o PSD julga que para regressar ao poder lhe bastará substituir os “pimbas” de Santana por um escol de tecnocratas que “patrioticamente” reduzirão os nossos modestos serviços públicos e sociais a escombros, então estão muito enganados.
Paulo Portas teve uma atitude digna, mas estragou-a com um discurso amargo e ressentido. Realmente, lamentar-se de que Portugal é o único país europeu onde os Democratas-Cristãos somam apenas mais um ponto percentual do que os “trotskistas”, é algo que brada aos céus. Como muito bem notou Mega-Ferreira na RTP, se isso é assim então a culpa só pode ser imputada a Paulo Portas, que em Portugal é quem representa a Democracia-cristã!
O Bloco de Esquerda está de parabéns. O seu crescimento é notável para um partido jovem e carente de quadros experientes. Se alguém ainda duvidava, o Bloco veio para ficar. A sua penetração nos meios sindicais já é hoje muito apreciável e os seus militantes possuem o mesmo sentido de missão e empenhamento que distingue os militantes comunistas. O Bloco é, por razões várias, o partido mais odiado pelos “fazedores de opinião”. Ontem, a maior parte deles fez gala em não comentar a subida do Bloco, ou então optaram por desvalorizá-la por completo face à obtenção da maioria absoluta pelo PS. Estão enganados. O tom ameaçador das declarações dos seus dirigentes indica claramente que o Bloco se prepara para, juntamente com o PCP (ou melhor, em competição com o PCP), fazer uma oposição forte ao PS “na rua” (ou, como se diz no jargão do BE, “nos movimentos sociais”).
Uma última nota. O Bloco tem de aprender a saber ganhar. As expressões de regozijo aberto pela humilhação eleitoral de Santana Lopes, ou pela derrota de Portas, não são coisas bonitas de se ver. Ou melhor, se é compreensível que com umas cervejas a mais os militantes e simpatizantes do Bloco dêem largas à sua alegria, já o mesmo não se poderá dizer acerca dos seus dirigentes, que deveriam adoptar uma atitude mais sóbria e responsável. Apesar do seu aspecto ritualístico, as manifestações de “fair play” são importantes para manter uma certa decência na vida política. Mas se calhar isto é mais um aspecto da “moralidade burguesa” que o Bloco faz gala em rejeitar.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 21 fevereiro 23:59 | Comentários (45)

Viagem ao fim da noite

Paulo Portas anunciou ontem a sua demissão como líder do CDS/PP. Na sua declaração enunciou os quatro objectivos estrondosamente falhados. A saber:

- contribuir para uma maioria centro direita;
- retirar a maioria absoluta ao PS;
- atingir dez por cento de votação;
- ser terceira força política no parlamento.

Foi pena ter-se esquecido de enunciar uma meta em que tinha posto particular empenho pessoal e que, julgava, seria relativamente fácil de atingir: subir o número de mandatos por Aveiro, isto é, chegar aos três deputados. Sendo cabeça de lista no distrito, de forte tradição democrata-cristã, seria expectável. Mas a realidade foi outra. Não só não subiu como ainda conseguiu perder um mandato, naquela que foi uma derrota pessoal enxovalhante, diga-se.

Assim, à noite, ao fim da noite, o homem que tinha apresentado uma equipa de governo cujos elementos, via-se na cara, se interrogavam “Mas o que é que eu estou aqui a fazer?”, o homem que sempre que falava de um assunto qualquer fazia questão de dizer qual era a cara do seu governo para esse assunto, esse homem, dizia, punha a última cara que teria desejado pôr, a da derrota. Uma viagem de 7 anos para vir acabar assim, ao fim da noite. Com cara de enterro. Será possível?

Oh Captain! My Captain!

Juventude do Partido Popular já lançou um abaixo assinado para pedir a Paulo Portas que fique na presidência do partido.

[...]But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up--for you the flag is flung--for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths--for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father![...]

Walt Whitman, Oh Captain! My Captain!

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 19:42 | Comentários (1)

Sobe e desce


Bandeira roubada ao Miguel Vale de Almeida.

Diferenças percentuais em relação a 2002 [número de votos]
143,62%.....BE
25,17%.....PS
14,13%.....CDU
-12,74%.....CDS/PP
-24,86%.....PSD

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 18:54 | Comentários (10)

Está aberta a vaga para Luís Delgado da próxima legislatura...

...e quem escrever coisas destas leva já uma grande vantagem.
Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 14:57 | Comentários (16)

A "má moeda" é o PSD

Ainda nem se conhecem os resultados oficiais das eleições e já começa a faltar a paciência para esta tanga da regeneração do PSD. Que é preciso renovar este partido e devolver à sua liderança os quadros sérios, capazes e competentes que ainda abundam no seu seio. Substituir a má pela boa moeda, como diria o agora proscrito Cavaco Silva. Que Pacheco Pereira, que foi quem lançou a tese, acredite nisso ainda vá. Que tanta gente vá atrás é que já começa a revelar alguma indigência mental.

O PSD que Santana representa é o PSD que existe. Ponto. Não é a Junta de Salvação Nacional, nem, muito menos, a reserva moral de que o país tanto necessita. É o partido que parte para um congresso extraordinário com potenciais candidatos à liderança como Luís Filipe Menezes, Morais Sarmento ou o próprio Santana. É o partido que tem Marco António como líder da maior distrital, Miguel Relvas como secretário-geral ou Isaltino –o-táxi-em-Genève-era-do-meu-sobrinho- Morais, como o primeiro dirigente a dar a cara pela derrota. Mesmo que existissem esses tais míticos quadros sérios e competentes para tomar o PSD em mãos, o que é duvidoso, seriam sempre derrotados em qualquer congresso partidário pelos milhares de autarcas ou de Jotas à espera de um emprego. Há muito que o partido é deles. Santana sabe-o, e é por isso que não se demite.

Por mim, passo bem sem o paternalismo arrogante de quem acredita que a “salvação” deste “triste país, o nosso” exige um PSD forte, sem o qual todos nós estaremos irremediavelmente condenados. Para quem anda esquecido, convém lembrar que a “má moeda” não se iniciou com Santana. Começou muito antes, com Durão Barroso. O mesmo PSD que escolheu Pacheco Pereira para encabeçar a lista ao parlamento Europeu e que lançou o país na maior crise social de que há memória. O mesmo PSD que, depois de ter exigido sacrifícios a todos os portugueses, viu o seu líder fugir para bem longe assim que lhe acenaram com um posto mais compensador em Bruxelas.

Parece-me normal que exista quem se preocupa com o futuro do PSD de Santana Lopes e que Pacheco Pereira e companhia façam parte desse número. Não nos venham é tomar por parvos e dizer que toda esta agitação tem alguma coisa a ver com o país. Ou não votou Pacheco Pereira em Santana Lopes?

Publicado por pedro sales em segunda-feira 21 fevereiro 12:54 | Comentários (10)

V-D Day

Os tempos não estão para grandes euforias, mas não é todos os dias que a esquerda ganha de forma tão categórica. Gozemos pois este triunfo.

Publicado por pedrooliveira em segunda-feira 21 fevereiro 11:12 | Comentários (15)

Um texto, dois homens

Impressão minha ou a declaração de derrota de Paulo Portas e a de Santana Lopes eram quase iguais (sobretudo na parte inicial)? As consequências tiradas, essas sim, foram bem diferentes...

Publicado por alice samara em segunda-feira 21 fevereiro 08:48 | Comentários (6)

Vitórias

Estou satisfeita, muito satisfeita, com as vitórias da esquerda e das esquerdas. O Bloco aumentou a sua votação (ficando com oito deputados), o PCP tem um bom resultado e o PS consegue a maioria absoluta. Em primeiro lugar, não vai haver razão para se falar em "roubo" de votos. Considero sinistra esta ideia de que se pode roubar votos, no entanto é frequentemente utilizada. Em segundo, o Bloco e o PCP, numa conjuntura de maioria absoluta do PS, podem ser uma oposição atenta e crítica. Mas não precisam de fazer compromissos que não sejam totalmente conformes às suas principais linhas políticas, não precisam de ter de "segurar" o PS, numa eventual investida do PSD e do CDS. Uma última nota, e eis o que me impediu de ficar eufórica: O que se pode esperar desta maioria? Qual vai ser a equipa de governo? Que medida é esta da colocação dos 1000 jovens?

Publicado por alice samara em segunda-feira 21 fevereiro 08:25 | Comentários (4)

A esquerda e a direita

– Em 2002, os três partidos da esquerda parlamentar tiveram 2.583.967 votos [47,56%]. Em 2005 tiveram 3.369.737 votos [59%]. São 785.770 a mais.
– Em 2002, os dois partidos de direita tiveram 2.656.675 votos [48,9%]. Em 2005 tiveram 2.053.786 votos [35,95%]. A diferença foi de 611.889 votos a menos.
– A diferença entre a esquerda e a direita em 2002 havia sido de 1,34% a favor da direita. Em 2005 foi de 23,05% a favor da esquerda.

"A esquerda não aprendeu nada", "aquilo que a esquerda não compreende...", "a esquerda não quer admitir que não existe outra política possível". Durante os últimos três anos ouvimos estas frases vezes infindas. Eram ditas por parte de uma maioria que tinha ganho por 1,34% e se comportava como se isso representasse um mandato para fazer o que muito bem lhe aprouvesse. E desde um código anti-laboral até apoiar uma guerra até impedir um referendo até pressionar a Comunicação Social, lá o foram fazendo. Sempre que eram criticados respondiam como se tivessem tirado a patente da realidade.

Hoje viu-se como a esquerda não tinha noção da realidade nem sabia o que o povo simples queria. Teve apenas 23,05% de votos a mais do que a direita – a maior diferença de sempre em legislativas. Mas a direitona ainda procura desculpas: Paulo Portas queixou-se hoje de ter de lutar contra o "domínio cultural" da esquerda, contra o "politicamente correcto" e o "culturalmente correcto". Esquece-se que durante a maior parte destes três anos foi a direita que determinou o que era o politicamente correcto. Os seus comentadores encheram as TVs e os jornais sem nenhuma proporção com o que haviam sido os resultados nas urnas. Apoiantes do governo pontificavam em tudo quanto era lugar. Só depois de Durão ter fugido aos sacrifícios que ele mesmo pediu é que as fracturas entre a opinião publicada e o ressentimento do povo contra este péssimo governo se tornaram visíveis. O santanismo foi só um estertor mas a coisa vinha de trás.

Entretanto, agora a esquerda teve aquilo que a direita não teve em 2002. Uma verdadeira vaga de fundo a pedir mudança e a conceder um mandato. Toda a esquerda cresceu e nenhum dos três partidos foi para casa descontente. Houve resultados históricos e subidas espectaculares. E em muitos aspectos (não todos) as pessoas sabem muito bem o que a esquerda quer. Para dar só um exemplo, estes 59% souberam no momento do voto que a Lei do Aborto é para mudar e votaram conscientemente nos partidos que o defendiam. A partir de agora, a esquerda não é o "politicamente correcto" – é simplesmente a maioria sociológica. O país escolheu não só o PS, mas ainda deu o sinal de que quer ser governado à esquerda. O mais claro que alguma vez foi dado.

Isto é importante, uma vez que os tempos que aí vêm precisam de uma coisa bem mais difícil do que uma maioria absoluta. O problema dos nossos bloqueios não está nem nunca esteve no parlamento. Está no cansaço, na descrença e na desconfiança da sociedade. Resolve-se não com pactos de regime mas com maiorias sociais. Agora existe uma e a esquerda será imatura se entrar já em guerra interna e a desperdiçar.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 07:20 | Comentários (3)

O Partido Socialista

Subiu de 2.055.805 para 2.573.302 votos e de 37,84% para 45,05%. São 517.497 votos a mais, uma subida de 25,17%. Ganhou 120 deputados.

A maioria absoluta do PS é uma grande vitória. Tem uma expressão mais do que suficiente na Assembleia e não deve ser diminuida pelo facto de o partido e o seu secretário-geral pouco terem feito para a ganhar. Se fosse uma maioria por um deputado, poder-se-ia dizer que o PS tinha sido beneficiado pelo "nevoeiro eleitoral". Com esta votação e estes mandatos, é absolutamente claro que o eleitorado quis de facto que o PS governasse com maioria absoluta. Esmiuçando, vemos que quem falhou em retirar a maioria absoluta foi a direita, uma vez que os restantes partidos de esquerda até subiram as suas votações. A festa dos socialistas foi rija, e merecida. Ainda bem, porque a partir de amanhã vamos precisar do melhor PS que se conseguir arranjar.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 07:11 | Comentários (2)

O Bloco de Esquerda

Subiu de 149.533 [2,75% ] para 364.296 [6,38%]. Ganhou 214.763 votos a mais, uma subida de 143,62%. Tem 8 deputados.

Os comentadores encartados tiveram mais dificuldade em digerir a subida do BE do que qualquer outro dado dos resultados eleitorais. Pudera, durante esta campanha repetiram a noção de que o BE era um partido sem base social, irrealista e juvenil, que não poderia ser levado a sério. Mas em cada nova eleição o BE duplica a sua votação e elege deputados num novo distrito (desta vez, logo dois de uma vez em Setúbal). E se ainda paira por aí a ideia de que o BE é um fenomeno da Grande Lisboa note-se que este partido ficou a 200 votos de eleger um deputado por Aveiro (!), 400 de eleger outro por Braga e cerca de 700 de eleger um terceiro por Faro. O grupo parlamentar do BE poderia ter sido, com pouca diferença, de onze elementos, e aí eu gostaria de ver que novas teorias o conservatorado nacional teria de inventar. E esta subida é ainda mais significativa porque foi feita em contra-corrente. A simpatia dos media pelo BE acabou; os votos foram conseguidos apesar de inúmeros avisos contra a temível "extrema-esquerda radical" de trotsquistas e maoistas. Como é evidente, não há 6,38% de trotsquistas em Portugal. Vota muita gente normalíssima no BE, que é um partido cuja proposta mais radical é uma reforma fiscal bastante sensata. Acabaram os estereótipos e a ideia de que o Bloco não representa ninguém. A seguir ao PS são os grandes vencedores das eleições. Mas não vamos ver isto escrito com clareza em muito lado.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 07:02 | Comentários (13)

O Partido Comunista Português

Subiu de 378.629 votos para 432.139, de 6,97% para 7,57%. Ganhou 53.510 votos, uma subida de 14,13%. Tem 14 deputados.

A subida do PCP foi apreciável sem ser a grande vitória de que alguns comentadores falaram. Tanto em termos absolutos como relativos, é a menor variação dos cinco partidos parlamentares. Do lado positivo trocou o lugar [de 4º para 3º] e o número de deputados [12 para 14] com o CDS/PP, numa inversão perfeita de posições. Mas ao contrário do BE, o PCP foi levado ao colo pela comunicação social. O seu líder foi muitíssimo bem tratado: a "humanidade" que era fatal a Santana Lopes foi milagrosa para o líder do PCP. Jerónimo apercebeu-se desse papel de coqueluche e encostou-se a ele nos últimos dias; "somos o que somos", dizia, como se quisesse fazer passar a mensagem "não é tão castiço, o PCP? não acham piada nós ainda existirmos?". A ironia da coisa é que no último congresso o PCP praticamente se refundou como partido revolucionário e marxista-leninista, bem mais ortodoxo e extremista do que o BE. Agora que Jerónimo viu como é bom ser bem tratado, que caminho escolherá? Nas próximas eleições o seu "efeito novidade" terá passado e virá ao de cima o facto de não ter nada para nos dizer. Muita pedra para partir no PCP.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 06:57 | Comentários (15)

O Partido Social-Democrata

Desceu de 2.181.239 [40,15] para 1.638.931 [28,69]. Perdeu mais de meio milhão de votos [542.308], uma descida de 24,86%. Tem 72 deputados, dos quais alguns são do PPM e MPT.

O que dizer sobre esta divertida calamidade? O PSD está de pantanas, e eu serei o último a mostrar-me muito preocupado com isso. O seu líder Durão Barroso abandonou o partido à sua sorte para fazer o career move (o inglês justifica-se) da sua vida. O PSD elegeu Pedro Santana Lopes, que era número dois e fora tolerado e até acarinhado no partido durante anos. Na sua estética dos self-made men tão elogiada pelos seus intelectuais, o PSD colocou uma pandilha de figuras duvidosas e sem intelecto à volta de Santana. O pior é que querem ficar por lá, e até há alguns zombies que regressam, como Isaltino de Morais. Está tudo em aberto para o PSD, incluindo uma guerra civil e uma cisão. Os membros sérios do partido fariam melhor em largar o estaminé e fundar o seu partido reformista ao lado. Um "bloco de direita", com a mesma imaginação e pragmatismo do seu congénere à esquerda teria muito por onde crescer nos anos que aí vêm. Será que têm genica para isso?

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 05:28

O CDS/Partido Popular

Desceu de 475.436 [8,75%] para 414.855 [7,26%] votos. Perdeu 60.581 votos, uma descida de 12,74%. Tem 12 deputados.

O CDS/PP apanhou um banho de realidade nestas eleições. Andou uma campanha inteira a afirmar-se partido de governo para acabar por trocar de posição e deputados com o PCP [de 3º para 4º, de 14 para 12 mandatos] e ficar perigosamente a menos de 1% e 50.559 votos do detestado BE. A sua variação pode não parecer enorme [mas é considerável: c. -13%] mas é ainda mais extraordinária se vista no contexto de uma hecatombe do PSD. O CDS com a sua estratégia de demarcação do governo poderia ter drenado muitos votos do PSD, – o PP tinha o seu líder em boa forma e a campanha foi perfeita. Simplesmente, afinal o povo sempre tem mais memória do que aquilo que se costuma dizer. O CDS foi também o grande culpado (com o PSD) pela maioria absoluta do PS. E agora que perdeu o líder, onde é que vão arranjar outro igualmente inteligente e talentoso? Podem tirar o cavalinho da chuva – o caminho agora é a descer. Com o abandono de Portas, se for real, a esquerda terá dado um tiro num porta-aviões da direita. Para a "extrema-esquerda comunista e radical" o beicinho trémulo do Portas foi a cereja em cima do bolo e deixou os mais preocupados com a maioria absoluta perfeitamente bem-dispostos.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 05:28 | Comentários (2)

Prémio "Não nos deixaram roubar os contribuintes"

Morais Sarmento, na TVI: O Presidente da República, ao dissolver a Assembleia um ano antes de acabar o mandato do Governo, impediu a maioria de inverter as políticas de austeridade que efectuou durante os três primeiro anos da legislatura.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 21 fevereiro 05:26

Insólito!

Paulo Portas perde na Raiva.

Resultados na Freguesia de Raiva, concelho de Castelo de Paiva, distrito de Aveiro:

PS  715  57,11%
PPD/PSD  301  24,04%
B.E.  95  7,59%
PCP-PEV  48  3,83%
CDS-PP 38  3,04%

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 03:57

Por esta é que ninguém esperava

Santana Lopes suspende a campanha eleitoral.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 03:51

Um dia mau para arrogantes

Ontem, o Chelsea de José Mourinho perdeu e foi eliminado da Taça de Inglaterra. O treinador reagiu dizendo que a Taça era "uma competição menor".

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 03:47 | Comentários (6)

Santana Lopes tinha razão

Há mesmo uma "cabala" montada pelas empresas de sondagens. Nenhuma dava menos de 30% ao PSD.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 21 fevereiro 03:46 | Comentários (2)

Coisas que guardarei para sempre comigo (2)

Santana Lopes com cara de quem tinha caído da incubadora.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 03:45

Coisas que guardarei para sempre comigo (1)

Paulo Portas com cara de que a irmã Lúcia tinha morrido pela segunda vez na mesma semana.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 21 fevereiro 03:44 | Comentários (4)

Vencedores e Vencidos

O Presidente da República saiu com a legitimidade da sua decisão e a utilidade dos seus actuais poderes confirmada. A importância do poder moderador como mecanismo de resposta do sistema político que permite introduzir a necessária flexibilidade sai reforçada desta eleição.

O PS venceu, ganhou uma legitimidade clara, ganhou uma maioria absoluta na Assembleia da República, e ganhou face à abstenção e ao voto branco. Em termos de marketing político a campanha esteve longe de ser brilhante, o que mostra que na idade da imagem, a imagem não é tudo. Mas os tempos que aí vêm não serão simples, convinha apostar na substância mas melhorar também na forma.

O Bloco e o PCP conseguiram também vitórias claras, ganharam mais mandatos e mais votos. Se perdem a possibilidade de condicionar directamente a agenda do governo, ganham espaço de manobra para manter uma postura oposicionista potencialmente popular.

O PSD sofreu a maior derrota da sua história. É uma derrota sobretudo de Santana Lopes. Mas é uma derrota da lógica do poder a todo o custo que presidiu à sua subida ao poder. É em parte derrota de uma política orçamentalista sem saídas de Durão Barroso. É sobretudo, na sua expressão, uma rejeição da política errática de Santana Lopes e da sua campanha de ataques pessoais vergonhosos e de um estilo típico do melhor populismo latino-americano. Portugal escolheu um partido, mas rejeitou também um estilo de fazer política.

Por falar nisso. O outro grande derrotado dentro do PSD foi Alberto João Jardim. Na sua única incursão na política continental, o caudillo da única república das bananas da Europa ajudou a enterrar Santana. Mas logo veio avisar que a derrota não podia ter consequências para o seu «programa» e as suas relações com o Continente. Suponho que esteja a falar da sua exploração colonial do Continente, paga com insultos ao «colonialismo» de Lisboa. É bom sinal. Claramente e pela primeira vez Jardim está com medo de que os meios que sustentam o seu caciquismo terceiro-mundista sequem.

Aparentemente a personalidade estruturalmente irresponsável de Santana Lopes impediu-o de assumir a derrota. A prioridade é punir os barões criando ou ameaçando com uma candidatura sua à liderança do PSD.

Finalmente, o PP perdeu a aposta de captar os votos dos descontentes do PSD. Foi também punido pela sua participação no governo. Embora menos do que o PSD. Paulo Portas foi fiel ao seu estilo de estadista e ao seu instinto político apurado e saiu pelo seu pé, quando ninguém o empurrava. O seu peso no PP vai manter-se intacto.

Não espero milagres da política. Não me iludo para não desiludir. Se os homens fossem anjos ou capazes da perfeição não precisavam de governo. Pelo menos teremos estabilidade, e se as crises não são necessariamente más, as crises permanentes neste momento em Portugal são muito más. Espero, no entanto, resultados: que se façam algumas reformas essenciais, como o programa do PS e algumas das pessoas que o elaboraram prometem. Só isso seria muito bom. É que vitórias absolutas em política é coisa que não existe.

Publicado por bruno cardoso reis em segunda-feira 21 fevereiro 00:55 | Comentários (6)

fevereiro 20, 2005

A lapa

Sem um mínimo de vergonha ou coluna vertebral, a criatura não despega.

Publicado por celsomartins em domingo 20 fevereiro 23:58 | Comentários (18)

Boa noite às coisas aqui em baixo

António Vitorino ao Público, em 31 de Janeiro último:

"Não se pense que a maioria absoluta faz milagres."

Publicado por joaomacdonald em domingo 20 fevereiro 23:32 | Comentários (3)

Insólito, Santana perde em Amor!

Pedro Santana Lopes perde na Freguesia de Amor (Leiria).

PS 33,26%
PPD/PSD 32,60%
CDS-PP 14,49%
B.E. 8,01%
PCP-PEV 3,70%
PND 1,29%
PCTP/MRPP 0,75%
POUS 0,62%
PH 0,58%
PNR 0,37%

Publicado por cesardecarvalho em domingo 20 fevereiro 22:45 | Comentários (1)

A modéstia de Portas

Paulo Portas, o ambicioso líder do CDS/PP, o "partido revolucionário da estabilidade do século XXI", foi afinal modesto a pedir. Queria dois dígitos, pediu dois dígitos, mas recebeu mais. Os portugueses, povo generoso, deram-lhe também uma vírgula para colocar entre os ditos.

Publicado por nunosousa em domingo 20 fevereiro 21:20 | Comentários (9)

Falou o povo

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 21:15 | Comentários (4)

Estamos (quase) todos de parabéns!

"(...) afluência atinge 70 por cento"

Publicado por cesardecarvalho em domingo 20 fevereiro 21:03 | Comentários (4)

Engano no destinatário

Os repórteres começam a tornar-se um pouco insistentes em perguntar à esquerda se o resultado não foi para o BE e PCP uma derrota, uma vez que não conseguiram evitar a maioria absoluta do PS.

A pergunta é idiota. O BE e o PCP estão na coluna dos vitoriosos, depois do PS. Mas para evitar a maioria absoluta do PS teriam que ter mais de 10% dos votos, que nunca pediram.

Quem não conseguiu evitar a maioria absoluta do PS foram, evidentemente, os partidos da sangria: PSD e CDS. O primeiro não consegue sequer aproximar-se dos seus níveis históricos, o segundo fica longe dos seus objectivos.

Os coitados devem ter mais em que pensar, mas a pergunta deve ser-lhes dirigida a eles.

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 20:54 | Comentários (3)

Entretanto, à direita


Culpão Barroso

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 20:46 | Comentários (5)

Na boca das Urnas

Partido Socialista – 46,9 % a 50,7 %
PPD/Partido Social-Democrático – 23,3 % a 27,1 %
Coligação Democrática Unitária – 7,5 % a 9,3 %
CDS/Partido Popular – 6,1 % a 7,9 %
Bloco de Esquerda – 6,1 % a 7,9 %

Fonte – http://sic.sapo.pt/

Publicado por cesardecarvalho em domingo 20 fevereiro 20:14 | Comentários (8)

A direita

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 20:04 | Comentários (6)

Periferias eleitorais

Falou-se da «cobertura» das eleições portuguesas pelo Der Spiegel, ou pelo International Herald Tribune. Não se falou, parece-me, do Independent, que num artigo ameaçou o mundo com um Portugal dominado por partidos extremistas, que pela primeira vez desde a Revolução de 1976 podiam ter real peso no parlamento – evidentemente para fazer qualquer espécie de sentido isso só podia significar o PCP, o Bloco e o PP! Não vos vou maçar corrigindo os problemas óbvios desta «análise». Mas não deixa de ser irónica vinda de um país que se pode orgulhar dos bons resultados eleitorais recentes de partidos realmente extremistas, como o British National Party (racista grosso) e o United Kingdom Independence Party (racista fino).

Ou seja, a imprensa internacional de referência não é necessariamente grande referência para países ou zonas mais periféricas. A cobertura é geralmente esporádica, muitas vezes baseada em duas ou três notícias de agência. E a melhor forma do correspondente ocasional ou estagiário que as escreve conseguir algum destaque é prometer uma crise futura com direito a extremistas e democracia em risco! A ignorância nisso ajuda. Há excepções claro, jornais como o Financial Times ou o Economist, em que a informação errada custa dinheiro. Ou então organizações que têm uma enorme rede de correspondentes permanentes graças a grandes orçamentos públicos, como a BBC. E que portanto tendem a ser mais consistentes na sua cobertura e menos sensacionalistas. Mas esta experiência com uma realidade que conhecemos bem ajuda a deixar claro, para quem ainda tivesse dúvidas, que não é por serem escritos em inglês – ou até alemão – que os artigos dispensam sentido crítico ao lê-los. Nas imortais palavras de um grande trovador português, o que é preciso é não se deixar enganar...

Publicado por bruno cardoso reis em domingo 20 fevereiro 20:03 | Comentários (4)

A vã glória de mandar

Pacheco Pereira, nas primeiras intervenções que realizou na SIC-Notícias, logo pelas 19:00h, deixou antever uma derrocada do seu partido, ou pelo menos do partido em que votou (apesar de não querer, segundo palavras suas).

Ouvindo as suas declarações podemos pensar que o PSD foi vítima de alguma espécie de cabala, voodoo, magia negra ou coisa que o valha. Começou por dizer que este acto eleitoral foi único para os social-democratas, porque não foi no partido que os portugueses votaram mas sim numa figura. Que a batalha eleitoral se centrou nessa mesma figura e não num programa de ideias. Que se fez o culto da personalidade. Que enfrentaram condições muito específicas nesta campanha. Que... que... que... Poderia continuar caso quisesse mas os exemplos já são suficientes para perceber que, segundo Pacheco Pereira, algo de muito mau “aconteceu” ao partido. "Aconteceu-lhes", ou seja, não tiveram culpa de nada. A tal figura foi-lhes imposta, o rumo que deram à campanha foi-lhes imposto, o culto da personalidade que prestaram à tal figura foi-lhes imposto.

Acredite nisto quem quiser. A verdade é outra. O PSD verdadeiro, pelo menos o de hoje, é este, o de Miguel Relvas e de Marco António. Foi este partido que aclamou esmagadoramente Pedro Santana Lopes no último congresso. Não acredita em nada. Não sabe nada. Queria apenas uma coisa: poder. E o caminho mais curto para o obter foi negar-se a ir a eleições depois de Durão Barroso abandonar o país. Não é em vão que se desrespeita o acto fundamental de uma democracia. O resultado está à mostra. Que sirva de lição.

Publicado por nunosousa em domingo 20 fevereiro 20:03 | Comentários (1)

Um dia alegre à nossa espera bebe

Põe nessa boca

Uma chupeta

Amanhã é dia

De Dona Xepa

Nota: agradecem-se as palavras a José Afonso

Publicado por nunosousa em domingo 20 fevereiro 20:00 | Comentários (3)

Parabéns a você

Aos socialistas, primeiro, e aos bloquistas e comunistas.

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 18:10 | Comentários (2)

Chegou o dia

Os dedos já coçam na expectativa do boletim de voto? A noite foi mal dormida com dúvidas sobre os resultados?

Basta.

Para vos mastigar a papinha com uma certa antecedência, acrescentámos uns linques ali ao cimo da coluna da direita para irem acompanhando as eleições, as previsões e a contagem dos votos.

E a partir das oito da noite cá nos encontramos para finalmente expulsar esta ansiedade do organismo.

Publicado por ruitavares em domingo 20 fevereiro 04:34 | Comentários (10)

fevereiro 19, 2005

Million dollar old punks

Helpless
Neil Young

There is a town in north ontario,
With dream comfort memory to spare,
And in my mind I still need a place to go,
All my changes were there.

Blue, blue windows behind the stars,
Yellow moon on the rise,
Big birds flying across the sky,
Throwing shadows on our eyes.
Leave us

Helpless, helpless, helpless
Baby can you hear me now?
The chains are locked and tied across the door,
Baby, sing with me somehow.

Blue, blue windows behind the stars,
Yellow moon on the rise,
Big birds flying across the sky,
Throwing shadows on our eyes.
Leave us

Helpless, helpless, helpless.

Publicado por nunosousa em sábado 19 fevereiro 03:59 | Comentários (11)

Nova Vaga goes retrô

O disco que anda nas orelhas de toda a gente com mais de trinta anos – o homónimo e primeiro album dos Nouvelle Vague – lá acabou por vir cá ter (acho que foi um vírus que apanhei numa coisa chamada Soulseek). A receita é simples: os moços pegaram na nata da música da cena pós-punk e transformaram-na em serenas e lânguidas sessões de bossa nova. Há de tudo: dos Joy Division, aos Undertones, passando pelos XTC (a melhor versão do disco, com «The Forest» dos Cure e Too drunk to fuck dos dead Kennedy's). Se pensarmos na coisa como conceito parece uma mera tentativa de avacalhar a história recente da música popular anglo-saxónica (naquela altura confundia-se com a planetária). Mas também pode ser visto como uma sentida homenagem às bandas que produziram os periclitantes mitos da nossa adolescência. Não é a afronta que tem sido proclamada (Miguel Esteves Cardoso, no Blitz), mas apenas a solarenga celebração de uma memória adolescente, definitivamente filtrada pelas banhocas que aqui e ali despontam quando descobrimos que já não temos aqueles corpinhos tonificados e um pelo branco ou outro vai despontando como uma anunciação na cabeleira cada vez menos coesa. Vá lá, aceitemos: as canções são giras, a produção deixa-se ouvir, as vozes são agradáveis e, pior do que tudo, todos nós estamos mais bossa-nova do que urbano-depressivos. Ainda por cima, há a possibilidade de alguns oportunos revisionismos (o facto de alguém salvar os Sisters of Mercy das trevas da história é um acto de magnânima generosidade). Portanto, ouçam lá esta moçidade com um pouco de condescêndencia que senão eu vou ali ressuscitar um senhor chamado James Last que fazia estas coisas de uma maneira mais violenta e depois vocês nunca mais me perdoam.

Publicado por celsomartins em sábado 19 fevereiro 01:50 | Comentários (5)

Dia de reflexão

Sem poder falar de política, as TVs passam filmes para criançolas e concursos antigos. Cansados de política, os eleitores precisam, de vez em quando, de dar umas boas gargalhadas. Aqui no Barnabé, optámos por esta entrevista de João César das Neves. Descomprimam!

Publicado por ruitavares em sábado 19 fevereiro 00:32 | Comentários (27)

fevereiro 18, 2005

A maioria

Dia 20 é já amanhã e as grandes questões parecem ser se o PS merece, ou não, a maioria absoluta, e se ela é benéfica para o país. Darei a minha opinião sobre ambas.

Dos partidos grandes diz-se hoje que são feitos da mesma massa. Não concordo com isto mas nem me vou perder por aí (quero ser breve). Há incontestavelmente uma grande diferença, pelo menos em termos históricos. O PSD esteve dez anos consecutivos no poder, 8 dos quais com maioria absoluta. O PS, o centro-esquerda, nunca teve essa experiência. Não se podem pedir, portanto, as mesmas contas a um e a outro. A própria ideia que hoje fazemos de maioria absoluta é totalmente influenciada pelo mau uso que dela fizeram o PSD e o professor Cavaco Silva. Como tal parece-me precipitado julgar uma cultura socialista de poder com maioria absoluta.

Como teriam sido os governos Guterres com maioria absoluta? Não sei. Mas sei que com maioria relativa nos deram ministros vulgarmente considerados muito bons: Mariano Gago, Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso, Correia de Campos, Santos Silva ou, espante-se, Sócrates, entre outros. Gerir ministérios “pequenos” (Cultura, Ambiente ou Ciência, por exemplo) com maioria relativa não será propriamente fácil, mas dirigir os “grandes” ministérios (Saúde, Educação, Finanças ou Justiça) nessas circunstâncias é tarefa ciclópica, devido ao poderosíssimo aglomerado de interesses que afrontam (ainda assim foi notável o trabalho de Ferro Rodrigues na Segurança Social, que Durão-Santana-Bagão-Portas praticamente reduziram a cinzas). De maneira que a pergunta mantém-se: o que seria um governo PS com maioria absoluta? Não sei nem ninguém sabe, mas o passado não lhes retira o benefício da dúvida, na certeza porém de que nenhum governo estará isento de erros e, como tal, isento de crítica. Não nos iludamos.

Passemos aos partidos pequenos. O CDS aceitou ser poder e foi, o PCP predispõe-se a sê-lo, o BE não. Consideram os bloquistas que dar uma maioria absoluta a Sócrates é passar-lhe para a mão um cheque em branco. Mas há que ver que um governo de maioria relativa dependente dos humores do BE para acordos parlamentares é exactamente o mesmo: outro cheque em branco. Mas desta vez nas suas mãos.

Existem vários tipos de voto, todos legítimos. Há por exemplo quem vote para viabilizar um governo, para viabilizar políticas que resolvam problemas, de acordo com um corpo de ideias que os partidos preconizam nos seus programas e núcleos ideológicos. Mas há também quem vote pretendendo apenas fortalecer uma oposição que seja credível, esclarecida e consistente. Só que nas actuais circunstâncias, tendo em conta a forma como as cartas foram postas na mesa pelos partidos, é um luxo votar apenas para uma oposição competente. É preferível votar para um governo melhor.

Para concluir, é então perfeitamente natural que o PS peça, (ou exija, chamem-lhe o que quiserem, é apenas uma forma de pôr a tónica na ideia de que governarão melhor dessa maneira) a maioria absoluta. Em primeiro lugar, é para isso mesmo que se fazem campanhas eleitorais, e em segundo, Sócrates já afirmou que não virará a cara ao país nem amuará caso não a obtenha. Não há portanto aqui chantagem alguma. Há apenas política. E se é para varrer a direita do poder, é bom que seja no mínimo por 4 anos.

Publicado por nunosousa em sexta-feira 18 fevereiro 23:59 | Comentários (8)

Alegações finais

As últimas sondagens confirmaram aquilo que vínhamos suspeitando há várias semanas: no próximo Domingo, o que está em jogo é saber se o PS terá maioria relativa ou absoluta na Assembleia da República.
Não sou insensível à argumentação desenvolvida pelo Ivan Nunes, na melhor declaração de voto que pude ler nestes últimos dias. O PS, o PS de Sócrates, fica aquém daquilo que seria de esperar de um partido social-democrata da União Europeia em termos de quadros, ideias, propostas governativas.
Concedo isso, mas em abono de Sócrates direi o seguinte: a sua prestação nos governos de Guterres, em áreas como a defesa do consumidor e o ambiente, foi decente (como diriam os admiradores de Bush, “tem bons instintos”); o tempo de que dispôs para se preparar para o poder foi mínimo. É pois possível que Sócrates se revele melhor primeiro-ministro do que líder da oposição, como esperançosamente nota o Rui Tavares.
Mas discutamos a questão de fundo: as vantagens e desvantagens de uma maioria absoluta do PS. Sou capaz de subscrever vários dos receios do Rui em relação a governos maioritários: arrogância, autismo, prepotência… Em 1995, regozijei-me com a vitória do PS e na altura nem me passou pela cabeça suspirar por uma maioria absoluta. As farpas de Mário Soares contra a “ditadura da maioria” sempre me pareceram acertadas. O sentimento de cansaço em relação a 10 anos de governos Cavaco era notório. Com a democracia consolidada, as finanças em ordem, paz social e crescimento económico, o país parecia pronto para virar uma página, abraçar outro modelo de desenvolvimento. E para isso, a maioria absoluta não era imprescindível. O PSD estava tão prostrado que toda a gente sabia que o governo minoritário do PS iria cumprir a legislatura até ao fim.
Hoje vivemos um momento completamente diferente. Precisamos de um governo de 4 anos como de pão para a boca. Não por causa dos “sacrifícios” que os comentadores encartados andam a pedir, mas para permitir que o único partido de esquerda com vocação de governo o possa fazer num quadro de estabilidade. Não para trair o seu eleitorado com medidas de austeridade draconianas, mas para recrutar os melhores da sua área e dar-lhes um horizonte temporal mínimo para que possam desenvolver algumas das ideias-chave do programa de governo. Espero que o façam em diálogo com os parceiros sociais, que ouçam as críticas com humildade mas que na hora das decisões não fiquem paralisados, como tantas vezes sucedeu com Guterres.
Ao contrário do que alguns têm vindo a sugerir, o pior do PS tenderá a vir ao de cima num cenário de maioria relativa. Um governo minoritário será um governo onde os apparatchiks terão um peso e uma influência maiores. E todos nós sabemos que a tentação de um entendimento com o PP será grande. É duvidoso que o Bloco (sobretudo o Bloco) ou o PC queiram assumir o apoio a um governo onde pontificaram os Coelhos, Lellos e Pinas Mouras, não é?
Maiorias absolutas não são uma aberração nas democracias parlamentares. Na União Europeia, elas são a norma em países como o Reino Unido (por causa do sistema eleitoral) e muito comuns em Espanha e nos países escandinavos. Há problemas com a democracia nesses países? Claro que há – a abstenção no Reino Unido é elevadíssima, por exemplo. Mas quando o eleitorado sente que chegou a hora de mudar, a mobilização costuma ser grande. E, francamente, quem nos dera a nós ter a qualidade da vida democrática desses países!
Portanto, só numa perspectiva muito paroquial é que podemos temer a maioria absoluta (não por acaso, o grande inquérito encomendado pelo Parlamento norueguês ao estado da democracia revelava que uma das causas do desencanto de muitos cidadãos noruegueses em relação ao seu sistema democrático radicava, precisamente, na ausência de governos monopartidários de 4 anos). Por muito que isso ainda nos possa custar a admitir, os governos de Cavaco provaram que a nossa democracia é suficientemente madura para suportar a experiência de governos maioritários de um só partido.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 18 fevereiro 23:59 | Comentários (16)

Maioria para quê?

A poucos minutos de acabar a mais longa campanha eleitoral de que há memória, restam apenas duas questões por esclarecer. Saber quem será a terceira força política; saber se a esquerda conseguirá retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista. Pela campanha que Sócrates fez, espero bem que a resposta a esta última questão seja positiva.

Estando o país a atravessar a pior crise social dos últimos 20 anos, o Partido Socialista tinha muito boas razões para defender o voto – ou a maioria que tanto persegue - invocando a ruptura com a governação de direita e prometendo retomar algumas das politicas que levou a cabo no passado. O Rendimento Mínimo Garantido ou a politica de investigação e divulgação científica, por exemplo.Não foi esse o caminho seguido. Durante toda a campanha, a estratégia socialista foi apenas direccionada para captar o voto que pretende “tudo menos Santana”. Para o conseguir, o PS optou por dois caminhos muitas vezes coincidentes. Em primeiro lugar a omissão, do qual o exemplo mais flagrante que presenciei foi um debate na SIC Notícias em que José Seguro deve ter falado menos tempo do que qualquer personagem cinematográfica de Sylvester Stallone. No segundo caso, a recusa em assumir compromissos de ruptura com a desastrada governação PSD e PP.

Para além da questão dos 150 mil empregos (que qualquer partido subscreve), ou do inglês no primeiro ciclo (para o qual até já existiam projectos a aguardar agendamento legislativo), será que alguém é capaz de se lembrar de uma proposta que marque a diferença entre o PS e o que a direita fez nos últimos três anos? A sensação que fica é que, de cada vez que Sócrates percebia que estava dizer “qualquer coisa de esquerda, qualquer coisa de cívico”, logo recuava e voltava ao “yada yada yada” do costume. Foi assim no debate na RTP na questão das isenções fiscais, ou na forma como suavizou, em directo, o que estava no seu programa eleitoral sobre o aumento da idade de reforma.

O PS podia ter feito uma campanha assegurando que iria revogar o Código de Trabalho -como assegurou Ferro Rodrigues -, combater a gigantesca fraude fiscal que arruína o país, pôr fim às ruinosas “parcerias” entre o Estado e os privados na gestão da Saúde, ou alterar a Lei de Financiamento das Autarquias que é a principal causa da destruição urbanística do nosso pais. Não o fez. Optou por não se comprometer com nada para, no dia 21 de Fevereiro, ter o campo livre para fazer o que entender. É por isso que pede a maioria absoluta. Porque sabe que o seu programa não corresponde à expectativa de mudança de milhões de portugueses. E é por isso que a grande questão ainda em aberto é saber se, à sua esquerda, se consegue retirar a maioria absoluta ao partido socialista. Para que o pais mude, espero bem que sim.

Publicado por pedro sales em sexta-feira 18 fevereiro 23:58 | Comentários (8)

Leva tempo – a minha declaração de voto

Quem leu esta minha posta pode ter achado que era a minha declaração de voto. Quando muito, seria a minha desclaração de voto. É verdade que eu tenho uma desconfiança quase visceral em relação a maiorias absolutas e memória que baste para chegar àqueles oito anos de cavaquismo absoluto. Mas isso não basta para definir o meu voto. Então para quem tiver paciência aqui vai a minha intimidade política toda escorropichadinha. Para quem não tiver paciência vou deixando uns detalhes escabrosos aqui e acolá.

Em primeiro lugar, deixem-me dizer de onde venho. Desde que tenho direito de voto optei pelo PS em todas as eleições legislativas menos 1999, eleição em que decidi contribuir para deixar o BE ter o seu direito à vida. Em 2002 não tinha dinheiro para voltar a Portugal, mas teria votado Ferro. Em presidenciais votei em Sampaio I e até participei, pela única vez na minha vida, numa campanha eleitoral. Não me façam lembrar disso. No segundo mandato de Sampaio e estando a estudar no estrangeiro, até tinha direito a votar quatro dias antes das eleições, mas atrasei-me e deixei fechar a embaixada. Um esquecimento que agradeço. Em europeias oscilo: Política XXI (quando se candidatou este chavalo), BE agora nesta última e das outras vezes nem me lembro mas suponho que PS. Em autárquicas já votei PS+PC – as únicas vezes em que votei, indirectamente, no PCP – e já me aconteceu distribuir votos bem diferentes entre junta de freguesia, assembleia e câmara municipal.

Sabeis agora a terrível verdade: simpatia pelo PS e antipatia pela maioria absoluta. Contradição? Sim, se não existisse BE. Estando eu entre o PS e o BE, uma maioria relativa significa que a política portuguesa futura vai ter de se encontrar algures a três quartos do caminho entre eles, ou seja – passe o egocentrismo – mais ou menos onde eu estou.

Falemos então do PS, imaginando um governo deste partido. Nele prevejo (desejo?) gente que respeito, como Correia de Campos, Mariano Gago, António Costa e o geógrafo João Ferrão, que tenho razões para crer que seja uma excelente surpresa. Mas antevejo e receio também José Lello, Jorge Coelho, José Lamego e Pina Moura. Agora aqui é que está a manha: em geral, os meus bons ministros farão tão bem o seu trabalho com maioria relativa como com a absoluta (com excepção talvez de Correia de Campos, se a este sair a reforma da administração). E os meus mauzões farão muito menos maldades com a maioria relativa do que com a absoluta.

Quanto a José Sócrates, já aqui falei dele várias vezes. A grande questão é: merecerá ele a maioria absoluta que não demos nunca, nas legislativas, a Mário Soares ou António Guterres? Cada um que dê a sua resposta.

E agora falemos do BE, o outro depositário irregular do meu voto. Quando votei neles em 1999, desiludiram-me quase imediatamente na primeira votação na Assembleia, quando se deixaram enredar em equívocos sobre a apreciação da queda do muro de Berlim. Depois disso raramente me desiludiram e cumpriram bem com os dois papéis que eu mentalmente lhes tinha destinado.

O primeiro estão a cumpri-lo razoavelmente mas com queixas: modernizar as relações entre os componentes da esquerda portuguesa, que se tinham fossilizado no pós-25 de Abril num ódio latente entre PS e PCP.

O segundo estão a cumpri-lo brilhantemente: fazer oposição ao conservadorismo português e à direitona. Se o meu voto fosse apenas premiar o trabalho realizado na última legislatura, o BE ganharia destacadamente. Com apenas três deputados, foram muitas vezes a única oposição ao governo. Na noite escura do barroso-santano-portismo, foram os únicos que se aguentaram à bronca. O PS com Ferro Rodrigues nunca conseguiu mesmo fazer nada de jeito e o PS com Sócrates não precisou de fazer nada mesmo, com jeito ou sem ele.

Muita coisa me afasta do BE. Eles são anti-capitalistas, eu sou agnóstico. Eles vão votar contra a Constituição Europeia, eu estou inclinado a votar a favor. Eu sou anti-marxista e provavelmente estaria em minoria no BE. Eles demarcam-se do poder e eu, um pouco como o Celso, quero que eles vão a jogo. Mas outras me aproximam: porque na prática o BE é um partido social-democrata, moralmente liberal, europeísta de esquerda e pragmático quanto baste. E se é verdade que um anti-marxista poderia estar em minoria no BE, no PCP ele seria expulso (tanto quanto sei, o BE enquanto tal não é marxista).

Já sei! Já sei! O BE não é nada disso! O BE é o diabo em figura de gente! Parece moderado mas afinal é revolucionário! Deixem-me dizer-vos uma coisa a respeito desta conversa, glosada nos últimos dias por 90% dos nossos comentadores, de José Manuel Fernandes a Pulido Valente, com as excepções de Miguel Esteves Cardoso e Eduardo Prado Coelho (que são simpáticos) e Miguel Sousa Tavares (que é omisso a este respeito). Não tenho paciência para essa conversa, que só revela, da parte da nossa imprensa opinante, conservadorismo, preguiça e teimosia.

Estarei eu sendo injusto? Estaria, se visse alguma sinceridade na sua atitude anti-revolucionária, que em si pode ser respeitável. Mas na verdade vejo-os a todos derramar simpatia sobre o PCP, que fez questão de se declarar como partido revolucionário no último congresso e gritar vários vivas ao marxismo-leninismo. Foi só há meia-dúzia de meses. Porque é que isso não assusta gente tão impressionável? É simples. Aos mais conservadores o que interessa mesmo é que a esquerda portuguesa esteja como sempre foi: bloqueada nas suas irredutibilidades. Isso é o seguro de vida do conservadorismo nacional, e isso é precisamente o contrário do que eu quero. [Já agora: também há conservadorismo no BE, principalmente em que gostaria de se deitar sobre os louros conquistados como partido de protesto. Mas eu espero que o BE cresça, apareça, e ultrapasse esta tendência – para PCP já nos basta um.]

Aproximamo-nos do fim. Será então por pirraça que vou votar no BE, só para contrariar os conservadores? Não vejo eu que para "fazer as reformas necessárias" é preciso que sejamos governados por uma maioria absoluta? E não me deixa apavorado a mera possibilidade de que Santana Lopes continue como Primeiro-ministro?

Não. Quanto às reformas, respondi numa posta ali abaixo. Acabámos de passar por três anos de maioria absoluta e nenhuma reforma ocorreu. E quanto à segunda pergunta, decido-me com as sondagens. Santana já não me assusta, Paulo Portas é que sim. E se o primeiro já foi despachado, agora quero contribuir para despachar o segundo. Já sabemos quem ganha o campeonato; eu gostaria que fosse o CDS/PP a descer de divisão, tentando fazê-lo ficar atrás do BE nos resultados.

Não, o meu voto não é angelical. Ele é táctico também, e às vezes em boa proporção. Mas não gostaria de fechar esta posta e entrar em dia de reflexão neste tom. Então aqui vai uma digressão final.

Uma das coisas que me agradou na campanha de Francisco Louçã foi ouvi-lo dizer que a reforma fiscal ou outras "levavam tempo". Ora acontece que eu acho que o país não vai lá com choques, e essa frase entrou no meu ouvido. A ideia de choque faz parte do nosso ciclo emocional: mortificamo-nos pela nossa ignorância ou falta de produtividade e daí vem a retórica do choque. Com o choque queremos pular vinte anos em quatro. Quando o choque falha – porque era irrealista como os choques sempre são – voltamos à mortificação. Afinal em vez de pular vinte regredimos cinco. E então começamos a falar em sacrifícios.

Para mim, e em termos estratégicos faz mais sentido que Portugal cumpra com a modernização que já iniciou, que desbloqueie os seus maiores obstáculos e que se vá tornando um país mais justo e mais livre agora a pouco e pouco em vez de acreditar em paraísos depois do sacrifícios.

Mas esses são problemas para toda a sociedade resolver – e não só a política.

Na política esse realismo e essa modernidade passará por não atalhar por maiorias absolutas à procura de milagres, mas por fazer a política no parlamento sem pactos de regime, mas com maiorias para cada decisão. O PS terá condições para isso, podendo ganhar votações com o apoio ou abstenção de qualquer grupo parlamentar. É isto que responsabiliza todos os políticos que nos representam em simultâneo. E é isto que, provavelmente, reflectirá melhor a nossa diversidade política. Dizem todos que isto vai ser uma selvajaria, que assim não se trabalha. Eu na minha enorme ingenuidade acho que se trabalha melhor assim e que este é o caminho – mas também aqui se leva tempo.

Chega. Não quero que isto seja entendido como um apelo ao voto. Já disse que fiz campanha uma vez na vida e me arrependi. De resto, a única coisa que tenho a certeza que acontecerá destas eleições é que a esquerda terá quase 60%. Espero que nenhum comentador nem político se esqueça de retirar as devidas ilacções.

Nesse caso, para quê esta amostragem de roupa interior ideológica? E porque não? Para que se tem, afinal, um blogue, se não para partilhar estas coisas? Acho simplesmente mais justo que vocês, já que têm paciência para me ler aqui no Barnabé, saibam de onde venho e o que vou fazer no domingo.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 18 fevereiro 23:54 | Comentários (13)

Dados avulsos de uma campanha que podia ser mais alegre

O branco é tudo e não é nada.

O PS fez uma campanha defensiva, o PSD fez uma campanha ofensiva.

O Bloco continuou a fazer campanha bem.

O PP continuou a fazer campanha bem.

O PCP, o PCP... viva o marxismo-leninismo!

Os outros (PND, PCTP, POUS etc.), como de costume, queixaram-se sobretudo, e com razão, da falta de atenção. Os portugueses não gostam dos partidos grandes. Mas gostam ainda menos dos partidos pequenos. Talvez porque já estão mais habituados a dizer mal dos outros.

É oficial, o Der Spiegel traz a grande revelação do último dia da campanha: Sócrates não tem tarimba de primeiro-ministro! Como é que ninguém se lembrou disso antes! Ora tarimba demora tempo a adquirir, eu diria quatro anos pelo menos...

Sugestão para futuro cabal esclarecimento eleitoral dos portugueses: os líderes partidários devem ser obrigados por lei a uma sessão domiciliária de esclarecimento detalhado do respectivo programa em todas as casinhas do território continental e ilhas (nós imigrantes temos de ir on-line ver o programa). Tempo médio da campanha 10 milhões de dias. Isso é que era uma campanha a sério!

PS 1 – A primeira página do Independente faz-me lembrar a situação no Médio Oriente nestes últimos anos, quando se pensa que bateu no fundo, consegue ser ainda pior...

PS 2 – Uma razão para o PS ter maioria absoluta: sem ela o governo cai dentro de um ano e nem vai haver tempo para o referendo para rever a lei do aborto.

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 18 fevereiro 23:49 | Comentários (5)

E o "mito" acaba onde começou

Pedro Santana Lopes encerra a sua campanha eleitoral na Figueira da Foz

Publicado por pedro sales em sexta-feira 18 fevereiro 23:39 | Comentários (1)

Não raciocine, vote em mim

Na Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes apela ao sentimento.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 18 fevereiro 23:36

Praça do Campo Pequeno Reabre no Verão

Vá lá Rui, admite, tu já sabias, não já?

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 18 fevereiro 22:40 | Comentários (1)

BE? Sorry, can't afford it...

Uma das últimas sondagens (TSF/DN/Marktest?) revela que, a par do CDS, o Bloco é, proporcionalmente, o partido que mais votos recolhe entre as classes altas.
Eu já sabia que o Bloco estava acima das minhas posses morais. Agora tenho a confirmação de que também está acima das minhas posses económicas.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 18 fevereiro 22:37 | Comentários (10)

Razões para não querer uma maioria absoluta de Sócrates

– Privatização da gestão da saúde.
– Preparação do aumento da idade da reforma.
– Adiamento da reforma fiscal.
– Seis cabeças de lista contra a despenalização do aborto.
– Não-revogação do código de Trabalho.
– Rendimento Mínimo e da Lei dos Contratos de Trabalho, ambos do tempo de Guterres, na gaveta.
– Caminho aberto para as clientelas partidárias do PS.

Já agora mais algumas razões: Jaime Gama, José Lello, Jorge Coelho, Pina Moura e um primeiro-ministro que não se compromete com nada e que não tem opinião sobre coisa alguma. Quando o primeiro-ministro não sabe o que quer, é fácil imaginar quem vai saber por ele, a não ser que tenha de negociar à esquerda.

Vale a pena lembrar que há dezoito que nenhum governo cai por causa da falta de maioria absoluta. Guterres e Durão partiram por vontade própria. Maioria absoluta não é nenhuma garantia de estabilidade e muito menos de competência. Qual foi o menos pior governo de Cavaco? O primeiro, sem maioria. Qual foi o melhor governo de Guterres? O primeiro, sem maioria e sem queijo limiano. Só mais um aliciante para votar à esquerda do PS.

Pôr o PP em quinto lugar e acabar com a carreira política de Paulo Portas.

De resto, para mim a campanha eleitoral acabou. Um abraço e votem bem.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 18 fevereiro 18:36 | Comentários (25)

Nota

Um leitor queixa-se de ter de esperar pela aprovação do seu comentário. Devo lembrar que o Barnabé não adoptou de boa vontade este sistema de comentários. Foi obrigado a adoptá-lo quando começou, logo depois da decisão de Sampaio, a famosa campanha de boatos contra Sócrates. Foi por não querermos ser usados como plataforma pelos boateiros, e por vermos que todas as outras soluções falhavam, que nos virámos para este sistema, que tem funcionado razoavelmente sem nos convertermos em funcionários permanentes do Barnabé (porque temos bocas para alimentar em casa e vocês não imaginam o trabalho que dava apagar comentários um a um).

Mas quero lembrar a este e a todos os leitores que basta registarem-se no TypeKey ao fazerem o vosso comentário para ele ser publicado imediatamente e sem supervisão. É mais cómodo e rápido para todos.

Já agora: para vossa informação, 98% ou 99% dos comentários são aprovados.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 18 fevereiro 14:42 | Comentários (8)

A tanga de discurso

Aqui há uns dias o PS desceu a Morais Soares, não muito longe de minha casa, oferecendo rosas ao pessoal numa acção de campanha. Jorge Coelho, o mais activo de todos, gritava "e tem que ser absoluta! tem que ser absoluta!"

Eu de Jorge Coelho espero isto. Jorge Coelho já disse várias vezes, quando perguntado sobre quais considerava ele serem os grandes erros do guterrismo, que o grande erro tinha sido não se exigir a maioria absoluta em 1999. Não se conseguiu lembrar de mais nenhum. Qual totonegócio, quais demissões na praça pública, quais recuos na taxa da alcoolemia. A absolutazinha, a absolutazona é que foi a perdição. Se o engenheiro Guterres tivesse sido mais pedinchão na campanha de 1999, tudo teria sido perfeito. O PS teria governado imaculadamente.

Antes de passar ao nosso momentozinho, faço um ponto prévio: desde logo, sinto-me desconfortável com exigências de maioria absoluta (por parte de quem quer que seja) porque toda a gente que pense um bocadinho sobre o assunto verá que estas exigências são pouco democráticas. Desde logo: a mim não me podem exigir uma maioria absoluta, nem a ti, nem a ela, nem a ele. Podem pedir-nos os votos de cada um. E pode dar-se o caso de eles todos juntos darem uma maioria absoluta. Mas por definição a maioria absoluta consegue-se; não se pede nem muito menos se exige. Tudo o mais é chantagem sobre o eleitorado.

Ora se se tratasse apenas de Jorge Coelho, eu não me preocuparia. Mas já me sinto um bocadinho mais vigarizado quando o Causa Nossa ou o País Relativo fazem o mesmo – é que tenho-os na conta de pessoas inteligentes e gostava que eles não me tivessem a mim na conta de tanso. Dou alguns exemplos dispersos. Pede-se que se dê maioria absoluta ao PS para não dar uma derradeira consolação a Santana Lopes. Fazem-se equações que soam um bocadinho a "duas-patas-mau-quatro-patas-bom", maioria absoluta-bom maioria relativa-mau. Ana Gomes tem o cuidado de escrever sempre uma MAIORIA ABSOLUTA do PS em MAIÚSCULAS e negrito, não vá à gente escapar-nos a subtileza da ideia. No País Relativo cita-se a situação alemã (com um governo de coligação com os Verdes) para se fazer o título auto-evidente "É por isso que a maioria deve ser absoluta". Vital Moreira explica-nos que um governo de maioria absoluta não governará à vista, nãp será presa fácil de todos os clientelismos, nem comprará todas as contestações à mesa do orçamento.

Ou seja: dá-se um pontapé numa pedra – maioria absoluta! – entala-se o dedo na porta – com maioria absoluta isto não tinha acontecido... – o despertador não tocou – é indispensável a maioria absoluta – o país tem oitocentos anos – mas sem quatro anos de MAIORIA ABSOLUTA vai tudo pelo cano.

Cartas na mesa. Sócrates não me entusiasma, mas tenho uma fezada de que ele será melhor primeiro-ministro do que líder de oposição. Tenho vontade de o ver no cargo, mais do que apenas vontade de expulsar Santana. Aliás, tal como escrevi aqui várias vezes, acho uma cobardia considerar que ele não passe de uma versão rosa de Santana – uma cobardia, aliás, que os factos da campanha desmentiram de forma eloquente.

Agora tenham paciência. Os defeitos de um governo PS serão amplificados – não diminuidos – pela maioria absoluta. Alguém acredita que uma maioria absoluta será mais eficaz a conter os clientelismos em pleno ano de eleições locais e com um monte de autarcas (que estiveram na primeira linha do apoio a Sócrates) a implorarem meios para a sua reeleição ao interlocutor privilegiado da classe que é Jorge Coelho? Vai ser mais fácil dizer-lhes que não? Bizarro. E alguém acredita que um governo em cujo núcleo duro estará certamente José Lello, que ainda há poucos meses mandava calar com maus modos a Helena Roseta e Ana Gomes, consiga conter o seu autoritarismo latente? Se quem se metia com o PS relativo levava, como será com o PS absoluto?

Reparem. Eu sei (eu defendo) que um governo PS será muito mais do que estas figuras. Vejo caras antigas e saudosas, como Mariano Gago, ou novas e interessantes, como João Ferrão, a perfilarem-se para o governo. É com uma ansiedade positiva que espero a obra deles. Mas diga-se de passagem que não acredito que eles trabalhem pior em maioria relativa (como aliás, já o foi no caso de Mariano Gago). Quando o ministro é bom, leva as pessoas atrás da sua visão.

Mas temos de ser minimamente sérios. Dizer-se que uma maioria absoluta se vai vigiar a si própria é tão ingénuo como achar que um rico não precisa de ser corrupto. Numa maioria absoluta, começa-se por achar que se vai ser ultra-disciplinado e respeitador, e acaba-se a vociferar contra o Tribunal de Contas e o Constitucional e o Presidente. Eu estou ideologicamente proximo do PS e longe de Cavaco, mas sei reconhecer que o que aconteceu a Cavaco nas suas maiorias absolutas é da natureza humana, e a natureza humana é das coisas a que o PS é (felizmente) pouco imune.

Finalmente, a maioria absoluta é só o nosso último Dom Sebastião. Não vai fazer "as reformas adiadas" nem resolver os problemas do país. Como não os vão resolver o choque de gestão ou tecnológico, o fiscal ou o dos valores, a paixão pela educação ou a batalha da qualidade. Como não os vai resolver nada em que nós coloquemos todas as nossas esperanças este ano para depois vermos que fracassou passado uns anos. E não vai funcionar como não funcionam as dietas-milagre ou as resoluções de Ano Novo: estamos a ansiar por que Portugal dê agora um enorme pulo em poucos anos, mercê de atitudes enérgicas, quando se calhar aquilo de que precisamos para já é de consolidar o pulo que demos nos últimos anos e que vemos agora esboroar-se a olhos vistos.

E o pior de tudo: isso vai dar ressaca. Quem forçar hoje a exigência da maioria absoluta poderá ter de vir a responder perante a frustração que inevitavelmente se gerará quando a maioria absoluta não resolver os nossos problemas. Portanto, a bem do país, não nos substituam o discurso da tanga por esta tanga de discurso.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 18 fevereiro 03:12 | Comentários (24)

O seu passado, de quem?

Vejo José Manuel Fernandes, como muitos outros comentadores conservadores nos últimos dias, fazer o elogio do PCP. Que o PCP tem verdadeiras bases sociais, que o PCP está mais simpático, que Jerónimo é um verdadeiro operário. O PCP é até mais confiável para uma aliança com. De repente, o exemplo da Coreia do Norte deixou de ter tanta importância. Como é natural, cada um tem direito à sua opinião, mas tenho a minha desconfiançazinha, uma desconfiançazitazinha, de que o PCP se tornou assim tão interessante por causa da subida do BE. Não é uma desconfiança completamente sem base Principalmente porque antes de fazer o elogio do PCP, José Manuel Fernandes lembrou o passado dos ex-maoístas e ex-trotskistas que, apesar das aparências, viajaram de uma ortodoxia para outra. José Manuel Fernandes estava a falar do BE. Mas não parecia.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 18 fevereiro 00:38 | Comentários (19)

Voltar e votar

Já houve aqui quem se queixasse que não conseguia votar no estrangeiro. Eu estou nessa situação. É ridículo, em Inglaterra recebe-se um papelinho em casa antes das eleições, toda a gente preenche e envia-se (porte livre), e depois é só aparecer com uma forma de identificação no posto de voto mais próximo! Mas, enfim, vou aproveitar os voos baratos, ainda que nem sempre fiáveis, para voltar e votar. A este ponto chega o meu empenho no salvamento da pátria! De a salvar de Santana Lopes e de a salvar de mais uns anos cruciais desperdiçados.

Não volto e voto pelo nível do debate, que pouco acompanhei, e aparentemente tem sido relativamente fraco. O desespero de Santana Lopes, aliás, levou-o a tentar empurrar a política portuguesa para níveis latino-americanos ou texanos o que não ajudou.

Aparentemente os comentadores queriam detalhes nos debates! E para quê? Para depois dizerem, mas o número que o senhor está a citar está errado por duas décimas! Ora houve um esforço importante para apresentar programas que têm a ver com os problemas reais do país. E se cada vez que o PS for governo fizer uma coisa tipo Loja do Cidadão... Afinal a política é a forma de gestão mais complicada que há. Sobretudo em Portugal, onde tanta gente exige tudo, critica tudo, mas não parece disposto a pagar ou fazer (não é mandar fazer!) nada. O governo, ou o desgoverno, começa em casa. Votar em branco? Vejam lá o esforço que isso é!

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 18 fevereiro 00:03 | Comentários (14)

fevereiro 17, 2005

É para vos obrigar a gerar vida

Paulo Portas diz, na SICnotícias, que o Bloco de Esquerda gostaria de pôr a direita no Campo Pequeno.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 17 fevereiro 22:52 | Comentários (12)

Boa imprensa

Comentando as sondagens hoje conhecidas, algumas das quais apontam para a hipótese do Bloco de Esquerda quadriplicar o número de deputados, os directores do Público e Diário Económico acabam de garantir na SIC Notícias que as surpresas da noite eleitoral serão o PCP e o PP. Para José Manuel Fernandes, aliás, a atracção que o Bloco ainda exerce sobre alguns eleitores prende-se com a "escassa cultura política dos portugueses" (sic).

Publicado por pedro sales em quinta-feira 17 fevereiro 22:46 | Comentários (10)

O povo é sereno

Não sei se tens razão Ivan, mas durmo bem com isso.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 17 fevereiro 18:35 | Comentários (13)

Não aprendem nada

Estamos a 3 dias da direita ser literalmente varrida do poder em Portugal. Para aqueles - cada vez menos, felizmente - que ainda não perceberam a razão, o LR, do Blasfémias, fez o favor de o explicar em duas linhas.

Porque se dará tamanho destaque à (má) notícia do emprego e nenhum à (boa) notícia da inflação?

Alguém, que tenha tempo disponível e vagar para isso, ainda terá que explicar um dia aos liberais cá do burgo que a descida da inflação está longe de ser uma boa notícia para um desempregado.

Publicado por pedro sales em quinta-feira 17 fevereiro 18:17 | Comentários (10)

O momento alucinante

Todos o têm. O de Portas foi ontem. Para chegar aos 10 por cento, o líder do CDS tira Churchill da algibeira (colheita de 1940) e promete “sangue, suor e lágrimas”. Sangue? Calma, senhor ministro, isto é só uma eleição.

Publicado por pedrooliveira em quinta-feira 17 fevereiro 17:40 | Comentários (2)

Duende

António Franco Alexandre ganhou o prémio Correntes d'Escritas pelo livro Duende.

Um dia abres os olhos e descobres
os inexactos corpos misturados
e ficas sem saber de que maneira
este estranho centauro nomear.
Já te espantou o lume, quando viste
uma língua no sonho da saliva,
e te riste, de ser tão branco o sangue
que nas beiras da noite adormecia.
Agora é o teu corpo que procura
na orla da floresta, uma fogueira
onde acordar as mãos de forma humana
e resolver enfim, mas para sempre,
se ser o sacro emblema do horror
ou o primeiro verso de um poema

21, in Duende, Assírio & Alvim, 2002.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 17 fevereiro 17:37

Crise? Qual Crise?

O desemprego não pára de subir, o nível de endividamento das famílias também não, mas as finanças do CDS/PP estão esplêndidas. Andam os líderes da oposição a roçar os limites de velocidade nas auto-estradas para chegar a tempo aos comícios e Paulo Portas acaba de fretar uma avioneta civil para “dar a volta a Portugal em três dias”. Tudo em nome da segurança rodoviária, claro.

Publicado por pedrooliveira em quinta-feira 17 fevereiro 17:36 | Comentários (5)

Lúcia vista de fora

Impressionante o impacto cá fora, mesmo em jornais digamos que pouco católicos. Ontem estava a passar os olhos pelo Guardian, quando deparo com uma fotografia familiar. No obituário, que tem uma grande tradição e visibilidade nos jornais de língua ingleses, falam dela como uma das mulheres mais influentes da Igreja católica no século XX.

O New York Times, outro jornal devoto de Lúcia, acrescenta um pormenor curioso. Aparentemente uma das últimas pessoas que ela recebeu foi Mel Gibson, que lhe ofereceu um DVD do seu filme The Passion of the Christ! Emoções fortes para uma senhora daquela idade, mas o Mel terá querido impressionar.

Para rematar... Quanto mais estudo Fátima, mais me parece uma história fabulosa! Em 1917, num mundo em guerra, com Portugal e a Europa mergulhados numa crise nunca vista, umas crianças analfabetas, pastores esquecidos em serranias perdidas, agitam o país inteiro faminto de milagres, e em poucos anos o mundo! Da Gestapo até ao Kremlin poucos lhe ficaram indiferentes no conturbado século que se seguiu. Aproveitamentos houve muitos, a favor e contra. De Salazar a Afonso Costa passando pelos bombistas de 1922, de Cerejeira a D. Manuel Martins passando pelo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, Fátima foi quase tudo para quase todos. Mas nenhum consegui apagar a força duma devoção popular que nem a Igreja oficial nem o anticlericalismo alguma vez conseguiram controlar ou destruir. Lúcia triunfou contra a hostilidade do Estado e a indiferença e as dúvidas iniciais dentro da Igreja. E realizou o seu sonho: aprender a ler e a escrever, ser freira, e cumprir o que a Senhora lhe dizia.

Ao contrário do que se diz, os bispos e o papa tradicionalmente mantêm uma grande reserva em relação a este tipo de encontros imediatos, entre outras coisas para não serem acusados de fomentar a crendice... Há dezenas ou centenas de relatos de visões todos os anos e só uma mão cheia por século passa o crivo. Mesmo quando isso sucede, trata-se simplesmente de um atestado de qualidade: estas devoções são sempre facultativas, pode-se acreditar ou não.

Enfim, independentemente das controvérsias todas, por bem interessantes que elas sejam, duas coisas são certas. Lúcia é uma das poucas protagonistas verdadeiramente populares da nossa história. E parte do clube ainda bem mais restrito das que tiveram impacto mundial. Não prova nada? Talvez não. Mas quem é que disse que eu estava a querer provar alguma coisa? Era só uma luz...

Publicado por bruno cardoso reis em quinta-feira 17 fevereiro 09:48 | Comentários (15)

Um século talvez seja excessivo, mas 48 anos é bastante complicado

Paulo Portas: Acha que o século XX português é compreensível sem Fátima?

Publicado por pedro sales em quinta-feira 17 fevereiro 02:11 | Comentários (10)

Sampaio, o desempregador


"Santana Lopes atribui aumento do desemprego à dissolução do Parlamento", no Público Online de hoje

Publicado por nunosousa em quinta-feira 17 fevereiro 00:00 | Comentários (7)

fevereiro 16, 2005

Bush começou a pensar

Michael Kinsley - alguns são capazes de se lembrar dele do Crossfire da CNN, ou mais recentemente da Slate - é um dos melhores prosadores e analistas políticos norte-americanos. O prexto para recomendar os seus editorais no LA Times é que ele chamou a atenção para um facto pouco ou nada comentado em Portugal: parece que Bush, inesperadamente, deu mostras de querer começar a pensar! Antecipando o cepticismo Kinsley oferece como prova o discurso recente do inquilino da Casa Branca sobre o Estado da União.

Então não querem ver que o homem do Texas agora acha que a tirania e outros males sociais ajudam a explicar o terrorismo!?! Ora todos sabemos, pelo trabalho de esclarecimento da Liga dos Amigos de Bush em Portugal, que o terrorismo não se explica, combate-se cegamente! Quais causas quais carapuça! Mas parece que pelo menos Bush finalmente percebeu que compreender e combater até rimam, como diria o velho Sun Tzu...

Eis uma amostra da prosa sempre bem esgalhada e bem humorada de Kinsley:

Conservative thought has long rated the notion of "root causes" — explaining antisocial behavior as a consequence of social conditions — as a major heresy. Neoconservatives have especially enjoyed burning witches over this doctrinal deviation. This makes it especially remarkable that a president thought to be in the thrall of neocons should sink so eloquently into doctrinal error.

Not only does he blame terrorism on social conditions — he says point-blank that "only … by eliminating [these] conditions" can the terrorist threat be eliminated. He sounds less like a Republican than a dorm-room Marxist.Our president appears to be on some kind of intellectual journey. The idea of an evolution in George W. Bush's thinking is about as hard to accept for Bush's opponents as evolution itself is for some of his supporters. Nevertheless, there is evidence. Bush may come to regret his descent from the heights of certitude to the swamps of doubt.Thinking. It's enough to drive a fellow back to drinking.

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 16 fevereiro 16:14 | Comentários (8)

O debate: as minhas impressões

Louçã foi ao cabeleireiro e quando voltou a pôr os óculos tinha um corte de cabelo igual ao de Sócrates.
Portas enxovalhou Santana com a cor da gravata.
Sócrates suspirou de alívio por ter sido o último debate.
Com cinco anos de atraso em relação a Margarida Marante, Judite de Sousa aderiu à moda dos decotes.

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 16 fevereiro 14:36 | Comentários (13)

Portas até quando?

Portas, sabemo-lo, é o político das mil caras. Imigração, europa, segurança, hino nacional, o que calhar, o que quer que seja que esteja à mão e cheire a voto, Portas tem agarrado e transformado numa bandeira, o mais das vezes para sobreviver. Agora vive de corpo e alma o papel de estadista sério, personagem central na sua farsa da estabilidade. Logo ele que, até há seis meses, era precisamente o principal factor de instabilidade da coligação.

No debate de ontem, sempre que Louçã ou Sócrates atacaram o governo, desenvencilhou-se rapidamente de tudo quanto não era "culpa directamente sua". Mais 200.000 desempregados? Ele não tem nada a ver com isso. Ele era ministro da defesa. Já quando o assunto lhe cheira bem, não hesita em reivindicar uma quota parte de responsabilidade. Exemplo? A comercialização de medicamentos genéricos. Só que Luís Filipe Pereira, ao que consta, ainda não se mudou para o PP. Ou já?

A seriedade de Portas é isto mesmo, um fogo-fátuo pairando por cima do cadáver político de serviço - Santana Lopes. Até quando?

Publicado por nunosousa em quarta-feira 16 fevereiro 02:10 | Comentários (25)

fevereiro 15, 2005

Comentários finais

Eu sei que todos os comentadores anti-Bloco me vão cair em cima, mas a verdade é para ser dita. Louçã foi o melhor neste debate. Esteve em bom nível, concentrou-se em atacar a direita, jogou a cartada da noite e desta vez não deitou tudo a perder no final. E apenas um efeito perverso da famosa simpatia que seria nutrida pelo Bloco de Esquerda na imprensa – e que se tornou entretanto numa vigilância cerrada ao crescimento deste partido, que hoje em dia já não é simpático – vai impedir os comentadores de dizerem isto amanhã. Como é evidente, Louçã tem a tarefa facilitada em relação a Sócrates. Não querer ir para o governo, e não querer apoiar o governo – uma atitude imatura da parte do Bloco – facilita-lhe muito a vida.

Sócrates tem outras responsabilidades, mas nem isso explica que esteja sempre tão paralisado pelo passado do guterrismo. Não basta dizer que o discurso da "pesada herança" não se justifica por Guterres já ter ido embora há três anos. Há que saber defender aquele governo, que em muitos aspectos foi do melhor que já tivemos. Quantas pessoas foram tiradas da pobreza, quantas crianças tiveram acesso ao pré-escolar, quantos novos doutorados. A direita não desperdiça uma ocasião para dizer que percebe de finanças mesmo que seja mentira, mas a esquerda perde muito em não saber fazer a propaganda das suas boas medidas. Sócrates ainda não ultrapassou os traumas nem as contradições e não parece de facto um político a quem se possa confiar uma maioria absoluta. O seu recuo na idade da reforma foi claro, como já havia sido o seu titubear em relação ao choque – não é choque é plano – não é plano é choque – tecnológico. A questão é: será que a insistência na ideia de que o país só resolverá os seus problemas com uma maioria absoluta chegará para que a entreguemos a um político que ainda é muito verde para tal responsabilidade? Vamos a ver. Para já, Sócrates passa uma imagem de seriedade, parece bem preparado e esteve muito bem ao não deixar Pedro Santana Lopes e Paulo Portas escapar-se destes três anos de péssimo governo.

A esquerda ganhou claramente e houve até momentos de lavar a alma. Quando Sócrates e Louçã pediram em conjunto contas a este governo, o português que sofreu com a incompetência e a mediocridade de Durão (sim , Durão), Santana e Portas há de ter-se sentido vingado.

Na falta de poder admitir que Santana foi a mãe de todos os fracassos, a direita vai tentar dizer que Paulo Portas foi o melhor em campo. Foi apenas o melhor em campo de uma equipa que levou uma cabazada: esteve de facto melhor do que Santana, mas numa coisa só que foi em fazer de conta de que não está no governo há três anos. De resto calou-se em momentos cruciais do debate e esteve a jogar para os mínimos que a débâcle do PSD provavelmente lhe garantirá. Num momento usou da sua máscara de severidade para fustigar Guterres, levantado progressivamente a voz e interrompendo Sócrates, mas quando este lhe disse que o ouvia "sempre com respeito embora nem sempre com prazer" viu que a manha falhou e traiu um sorriso matreiro. Era só teatro!, como tantas vezes.

Já Santana tem mau karma e acabou-se: atrai a desgraça como se estivesse no governo há vinte mil cansativos anos. Devia desfazer-se da pulseira pi chinois (é assim que se escreve?). Estão agora a dar as repetições do debate e as fífias de Santana foram tantas que dariam um post inteiro. Foi cada escavadela uma minhoca. Esteve pior até do que o azarado Jerónimo – que foi sabotado por uma irmã Lúcia que sempre detestou comunistas e já começou a trabalhar.

E pronto. Vou ver se trabalho. Podem agora lançar sobre este pobre escriba tomates, peças de fruta podre, etc.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 23:22 | Comentários (36)

Estamos a brincar aos comentadores

Na RTP-N já é o segundo comentador que ouço dizer que Jerónimo ganhou por estar afónico. Não tarda dirão que até ganhou o debate. A condescendência por Jerónimo de Sousa, que já disse uma coisa nesta campanha que acabaria com qualquer outro político – que valoriza o exemplo da Coreia do Norte – é um desporto de comentador preguiçoso.

Eu sei, eu sei. Dei-lhe ali abaixo o prémio simpatia. Oh contradição, contradição! Mas já recuperei depois disso.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 23:02 | Comentários (11)

No naufrágio de Santana...

...Paulo Portas exulta.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 23:02 | Comentários (1)

E neste momento no staff do PSD...

...oh pá, não há aí nada para suspender a campanha?

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:51 | Comentários (2)

Duplo luto

Sócrates diz que o PP rouba votos ao PSD e não ao PS. "A fronteira do PP é com o PSD e não com o PS". A câmara corta para Pedro Santana Lopes: o ar é funebre, a gravata preta adquiriu outro significado. Santana Lopes provou ser o pior político naquela mesa. Mais valia ter suspendido este debate.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:43

Amor não correspondido

Na declaração final, Santana volta a dizer que quer fazer um governo com o PP. Mas não viste que o PP já não quer aparecer lá em casa contigo, pá?

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:41

Ninguém calará a voz da classe operária

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:39 | Comentários (18)

O melhor momento de Sócrates

"O doutor Paulo Portas fica irritado porque não quer admitir que tem tanta responsabilidade na governação como o PSD".

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:37

O namoro acaba em directo

Paulo Portas diz que os acordos são para cumprir. Mas que "não é só o engenheiro Sócrates que tem o direito a falar de cenários que não lhe são favoráveis". Qualquer acordo com um "mas" não é para cumprir se não der jeito.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:32

Faz lá beicinho, vá lá

Santana Lopes termina o debate em regressão acelerada para a sua infância. Interrompe, manda bocas, faz caretas, dá a sensação de que já chutou tudo para o alto. Vai acabar a bater com o pé no chão...

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:28 | Comentários (1)

Oh pá, deslarga-me, pá!

Santana Lopes lembra o acordo com o PP, e diz que PSD e PP estiveram juntos no governo. A câmara apanha Portas a dar um suspiro de enfado.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:26

É o plano birra

José Alberto de Carvalho pergunta a Sócrates o que fazer se não obtiver a maioria absoluta, o seu plano A. "Não equaciona um plano B"?

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:23

Táctica Jerónimo

Na questão da isenção dos bancos, e sabendo que o ministro era o "seu" Bagão Félix, Paulo Portas adopta a táctica Jerónimo: está afónico.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:11 | Comentários (1)

Morro mas levo mais um comigo

Santana Lopes comete a loucura de falar de novo no assunto das isenções aos bancos do grupo Totta. Incredulidade. Depois entende-se: Guterres também o fez o mesmo. Quando resta a Santana comparar-se ao medonho Guterres, percebe-se que já sabe que fim o espera.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:01

Eu morro mas levo mais outro comigo

Vendo que foi idiota ao trazer de novo o assunto das isenções, Santana tenta safar-se na manha: ah, foi em Julho, Não fui eu. Foi Durão Barroso. Amigão, hein...

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 22:01

Frase do debate (até agora)

José Alberto de Carvalho: "Já percebemos que Paulo Portas foi o único ministro que criou empregos neste governo".

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:56 | Comentários (3)

Ao intervalo

A esquerda, que estava com um ritmo imparável no início da primeira parte, com pressão permanente bem em cima dos adversários, diminuiu um pouco a produção com a reentrada de um Jerónimo de Sousa combalido. Assim se prova que jogar onze contra dez é sempre um pouco mais difícil.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:48

Hara-kiri televisivo

Com toda a gente a dizer que a educação está uma lástima, Santana Lopes acabou de fazer questão de dizer que o PSD foi o partido que teve mais ministros da educação. Um tiro no pâncreas.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:46 | Comentários (2)

Momento crise familiar

Paulo Portas diz que quer electricistas e só lhe aparecem historiadores e sociólogos. A minha mulher, socióloga, está aqui a soluçar ao meu lado. Eu já fui procurar o busca-pólos.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:45 | Comentários (1)

Momento conversa de café

Diz Santana: "o meu pai melhorou muito de saúde quando voltou a trabalhar". Digo eu: "ah sim? o meu não."

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:43 | Comentários (3)

Um político para duas personagens

Momento insólito: José Sócrates esforça-se denodadamente para provar que não tem, afinal, uma posição sobre a idade de reforma.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:41

Momento gravatas

À direita, Santana Lopes vem de luto pela morte da irmã Lúcia. Como sempre mais esperto, Paulo Portas evita a acusação de oportunismo e vem de azul escuro.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:31 | Comentários (1)

Santana Lopes vai suspender a campanha por mais um dia

Jerónimo de Sousa continua afónico.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:30

João Salgueiro Maia?

Com os olhos arremelgados no seu rosto nº 127, Paulo Portas tenta lembrar que João Salgueiro era a favor das eleições antecipadas, o que supostamente prova que a banca não gostava deste governo. Era ele e uma maioria de portugueses.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:25

O momento do Juizo

Até agora, os dois representantes do governo estão a levar a tareia que merecem depois destes três anos. Louçã acabou com todo o simulacro de poupança do governo Santana ao denunciar a isenção de 400 mil contos de impostos concedida ao grupo Totta. E Sócrates encostou Portas às cordas ao dizer que ele não pode sair de fininho da fotografia deste governo. Portas ainda brandiu o seu famoso dedo, mas desta vez a rábula não lhe saiu bem. Jerónimo reentra na sala enquanto Santana tenta balbuciar uma resposta e é com alívio que o actual primeiro-ministro lhe cede a palavra.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:16 | Comentários (4)

150 mil vendedores de sandes na praia

Paulo Portas enfia a sua cara nº 47 e diz que não quer criar 150 mil empregos mas, sendo "mais modesto", quereria criar 150 mil empresários.

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 21:01 | Comentários (2)

Por quem ora Pedro agora?

Arranque periclitante teve este debate a cinco. Jerónimo de Sousa, afónico, passou a palavra. Já Santana Lopes, esse, está visivelmente combalido e sentido com o falecimento da irmã Lúcia. Não consegue esconder a tristeza no olhar, o peso que sente em cima pela morte de um ser humano que lhe era tão querido. Sem a irmã Lúcia, por quem orará ele agora?

Publicado por nunosousa em terça-feira 15 fevereiro 20:50 | Comentários (1)

Comentário Diplomático De Uma Diplomata Portuguesa

Jorge Fiel do Expresso (12.02.2005) elogia Margarida Figueiredo a nossa embaixadora na Polónia como o “melhor exemplo, vivo e acabado, da diplomacia económica”. Opinando sobre os polacos, Margarida Figueiredo saiu-se com estas palavras:

“Psicossomaticamente são muito parecidos connosco, gostam de comer e beber bem. Mas a negociar são duros, mais a puxar para os alemães. E são altamente qualificados. Não pensem que vão encontrar uma África fria.”

Será que ela quis dizer que os "africanos" são uns desqualificados?
Pelo sim pelo não, talvez fosse bom ela começar a ler os relatórios da Organização Internacional para as Migrações.....Aqui vai uma pequena notícia do Público...

É preciso ir a jogo

«Não tem sentido fazer um governo que nos condicione a respostas políticas que achamos que prejudicam o país.» «Eu não posso aprovar um orçamento com o qual não concorde». Francisco Louça, Entrevista Público/Rádio Renascença.

Francisco Louçã não poderia ser mais claro: em caso de o PS não obter maioria absoluta, só haverá convergência na medida em que o PS se aproxime do BE. O BE não põe a hipótese de ser condicionado na pureza dos seus princípios programáticos, mas quer claramente condicionar o PS. É um péssimo ponto de partida para qualquer entendimento. Ainda por cima, o Bloco recusa-se a ir para o governo e assim não verá testada a validade desses pressupostos, ao contrário do PS que terá que se submeter ao desgaste da governação, às pressões e aos interesses contraditórios. O Bloco quer o melhor dos mundos, influenciar e não se sujar na rotina do poder. Convenhamos que é uma estratégia demasiado cómoda. Claro que Louçã está no seu pleno direito de não aprovar um orçamento com o qual não concorde, mas se participasse no governo podia influenciá-lo com a legitimidade de quem assume responsabilidades. Em suma, o Bloco quer permanecer um partido de protesto. Ora, eu acho que os partidos de protesto são úteis, impedem que os partidos de esquerda com vocação de governo escorreguem demasiado para o centro e denunciam as manigâncias inerentes ao exercício do poder. São isso mesmo: a voz dos descontentes, o polícia dos prevaricadores. Por outro lado, é verdade que o voto pode ser usado de muitas maneiras: para assegurar privilégios de classe, para exercer um protesto ou para construir uma alternativa. Quer me parecer que o que o país precisa neste momento é de uma alternativa. E se em vez de influenciar as suas orientações, a partir do círculo de responsabilização que a governação define, os pequenos partidos querem é condicionar as suas acções, então o PS deve definitivamente governar sozinho e de preferência com as melhores condições possíveis. Ou seja, com a maioria absoluta.

Ontem na SIC Notícias o fiscalista Saldanha Sanches dizia que «a maioria absoluta é péssima, a maioria relativa é pior». Concordo absolutamente. Por um lado, é preciso que o PS não tenha o álibi da falta de condições para governar. O estado do país exige que se façam reformas difíceis: é preciso que a Administração Pública emagreça e se torne mais racional até para que possa continuar a assegurar serviços essenciais; é necessário rever a estratégia para a educação que se encontra num estado lamentável (qualquer professor sabe isto) e reorientá-la para a formação de profissionais competentes e cidadãos críticos; é preciso mexer na política fiscal e forçar uma maior cobrança (a justiça social começa aí), é preciso estimular a economia e retirar o exclusivo da estratégia do país ao cumprimento do PEC, é preciso mexer no funcionamento da justiça, acelerando os seus procedimentos e pondo fim às suas arbitrariedades. Só um governo forte o pode fazer, mesmo que até um governo forte não o consiga.

Sócrates pode não ser o líder mobilizador que a esquerda desejaria. Mas é o único que parece ter uma estratégia para o país. É obviamente forçado compará-lo com o seu adversário directo e as suas obsessões vazias e umbiguistas [ver a este propósito o post embaixo], com o populismo barato que a actual maioria vende aos portugueses. Até os cidadãos mais conservadores ou de direita que valorizam o progresso e a estabilidade reformista já perceberam isto.

Claro que quando o governo Sócrates estiver esgotado e todos o excomungarem (como aconteceu com Cavaco ou Guterres) vai ser fácil aos que se põem de fora de uma solução chamar a si a razão. Mas esse é um privilégio dos que nunca vão a jogo. Por mim, como cidadão, sinto a obrigação de ser parte de uma alternativa.

Publicado por celsomartins em terça-feira 15 fevereiro 19:27 | Comentários (15)

Eleições também na América latina

No correio vinha hoje esta carta certamente extraviada a um destino sul-americano. Juan Perón está vivo e a gente não sabia.

Caro (a) Amigo(a)

Não pare de ler esta carta

Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.

Portugal precisa do seu voto para fazer justiça.

Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.

Você não costuma votar, e não é por acaso.

Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.

E quem são eles?

Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.

Incluindo a velha maneira de fazer política.

Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema.

Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?

Também o tratam mal a si. Já somos vários.

Ajude-me a fazer-lhes frente.

Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!

Por todos nós,

Pedro Santana Lopes

Publicado por celsomartins em terça-feira 15 fevereiro 19:04 | Comentários (12)

Black Velvet

Quarenta anos sem Nat 'King' Cole

Publicado por celsomartins em terça-feira 15 fevereiro 17:37 | Comentários (1)

Doutrina Self service

«(...)estão hoje na ordem do dia opções políticas que defendem a constituição de pseudodireitos contra a vida humana (como o direito de abortar, as manipulações do embrião e a eutanásia). A estas opções, os católicos não podem dar o seu voto, sob pena de se excluírem da comunhão na fé e na doutrina da Igreja, definidas pela tradição, pelo Concílio e pelo ensino constante da autoridade. Nem se diga que é uma questão religiosa dos católicos, porque se trata de uma questão de direito natural - e ainda que fosse uma objecção religiosa, ela era da mesma maneira válida como objecção moral irrecusável para o seu voto. Corremos o risco de que venha um dia em que a humanidade lamentará a barbárie materialista de uma deriva contra a vida; mas os "homens e mulheres espirituais", na expressão de S. Paulo, não poderão ficar réus dessa barbárie mortal.» Mário Pinto, in Público.

O que seria das terças-feiras sem estas peças de sectarismo do sempre refrescante Mário Pinto. Claro que podiamos lembrar-lhe o apoio da Igreja Católica a várias ditaduras (como a portuguesa ou a espanhola)mas as barbaridades por estas produzidas não devem caber na doutrina nem no direito natural. Já para não falar da enérgica condenação do Papa João Paulo II à guerra preventiva contra o Iraque que ele tão alegremente apoiou. Mas ou a doutrina não inclui também este tipo de barbaridade ou o Mário Pinto estava de férias nessa altura. Acontece muito.

Publicado por celsomartins em terça-feira 15 fevereiro 16:59 | Comentários (7)

O que é que a baiana tem que é diferente das outras?

Para começar, não é bem baiana. Também não é bem carioca. Também não é bem do Marco de Canavezes.

Imperdoável, imperdoável mesmo, é isto. Esquecer-me do aniversário de Carmen Miranda. Não só Carmen Miranda foi a primeira estrela internacional de língua portuguesa, como a sua mistura de samba, marcha, choro, música baiana e produção hollywoodesca faz dela um verdadeiro protótipo da pop global, em sentido lato. Sim, uma música pop que era pop antes do nome e que já conhecia a globalização antes de se esquecer dela – basta ouvir chorinhos tocados como se fossem two-steps. Levemente cómica, com um balanço delicioso. É preciso ouvi-la de novo. E ainda por cima, fez duetos com Groucho Marx. Que mais se pode pedir?

Se não fosse o Almocreve das Petas a lembrar-mo...

[nota: alterei um lapso - centenário por aniversário. Carmen Miranda teria feito 96 anos em nove de fevereiro. Este ano é o cinquentenário da sua morte.]

Publicado por ruitavares em terça-feira 15 fevereiro 01:16 | Comentários (8)

fevereiro 14, 2005

Lúcia de Jesus

«Bispos elogiam discrição da irmã Lúcia [Lusa - 13/2/2004]. A figura e a vida da irmã Lúcia, falecida esta tarde, foram recordadas como um "exemplo de fé" por vários bispos católicos portugueses, que elogiaram a sua discrição apesar do protagonismo da mensagem de Fátima. [...] O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. António Marcelino, considerou que a irmã Lúcia "representa uma certeza de fidelidade muito forte a Deus", que "soube estar sempre presente de maneira discreta e eficaz" [...] Por seu turno, Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Científica da Documentação Crítica de Fátima, recorda o "seu papel de mulher simples que acolheu o mistério de Deus". "Durante uma longa vida testemunhou a humildade de ter sido beneficiada por um grande dom que merece a nossa veneração por esse facto", salientou o bispo, elogiando a "sua disponibilidade para o mistério". Para este responsável, que analisou toda a documentação escrita pela religiosa, ficou patente uma "faceta de normalidade de alguém que vivia a sua vida sem pensar na sua importância histórica" A morte da religiosa, aos 97 anos, já era esperada pelos crentes e não coloca em causa a divulgação da mensagem de Fátima, que "tem um corpo doutrinal plenamente consolidado", sublinhou. [...] Opinião semelhante tem D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, considerando que a sua discrição permitiu que o Santuário e a mensagem de Fátima criassem uma existência plenamente autónoma da sua vida. "A irmã Lúcia viveu sempre escondida numa penumbra" e "nunca foi vista como uma artista de acontecimentos mundanos", sustenta o prelado. "Acho que foi uma pessoa que esteve na origem de uma grande marca da espiritualidade do século XX e do início do século XXI. E, a meu ver, o seu escondimento e desejo de não ter protagonismo foi aquilo que prevaleceu", considerou.»

Não sendo católico e muito menos acreditando "em Fátima", não deixo de me impressionar com a história de Lúcia de Jesus. Senão vejamos. Eis uma criança que acha que viu a Virgem Maria. Tinha dez anos. A família reage mal, chega a castigá-la para que se cale com a história das visões. Mas a história espalha-se e nasce um culto à volta dela. Morrem os seus dois primos e amigos mais próximos que com ela partilharam – de forma bem mais contraditória – a história das visões. Após um momento inicial de desconfiança, a Igreja Católica decide assumir o controlo do culto de Fátima. Lúcia entra em reclusão num asilo interno para-religioso, porque à época a lei do país não permite a existência de conventos religiosos. Tinha então 14 anos.

A "Lúcia das aparições" semi-independente durou quatro anos. Entre os dez e os quatorze de idade. Uma criança.

Porque a partir daí Lúcia acabou. Mal atingiu a maioridade foi levada para um convento em Espanha. Entretanto, é instada pelas autoridades católicas a reescrever as suas memórias de Fátima. Sem entrar nas minudências da "fatimologia", é verdade que esta segunda versão tem contradições importantes em relação à versão de 1917. Torna-se, contudo, na história oficial, e a partir daí nunca mais Lúcia pôde desenvolver a mensagem de que alegava ter sido alvo. Os seus escritos só são publicados, tal como ordena a censura romana, com o imprimatur episcopal. Regressa a Portugal só em 1946, em pleno regime salazarista. As suas poucas declarações públicas são feitas através de bispos e papas, com quem tem encontros de poucos minutos. De resto, apenas o trivial: respostas a cartas, aconselhando à oração, algumas imagens televisivas sempre rodeada de gente, uma ou outra foto aparentando uma vida feliz. Faz votos rigorosíssimos de clausura. Neles fica até ontem. Passou talvez um décimo da sua vida consciente em liberdade.

Segundo o bispo auxiliar de Lisboa, foi uma existência normal.

Podem dizer-me que ela assim o quis. Tudo bem, façamos de conta que não imaginamos o ambiente de condicionamento psicológico em que se vive num asilo ou num convento. Finjamos por um bocadinho que a Lúcia das aparições sempre teve outra opção, que aos quinze, dezasseis ou vinte anos poderia perfeitamente dizer a qualquer momento "agora tenho vontade de ter outra vida", fazer a mala, apanhar o comboio. Façamo-nos de ingénuos e pensemos que sempre estiveram abertas as portas para que, por exemplo, pudesse vir até Fátima, tomar um pouco em mãos o culto que nascera com ela, falar aos fiéis, por exemplo. Sim, iludamo-nos por exemplo de que nas décadas de 30-40-50-60 e por aí adiante, com o culto de Fátima a atingir milhões de fiéis, a Igreja Romana a deixava brincar à Santa da Ladeira.

Não deixa de ser estranho, contudo, que em oitenta anos do século XX – do século XX dos mass media e da opinião pública – uma pessoa que viveu a que poderia ser descrita (neutralmente) como uma das experiências espirituais mais importantes do mundo nunca tenha dado uma entrevista sozinha, deixada em frente a dois ou três jornalistas por uma ou duas horas, circulado até quem sabe num circuito de conferências em escolas religiosas que fosse. Que nunca tenha falado à vontade acerca da sua experiência. Que recordaria então? Aquilo que disse em 1917, o que disse mais tarde, ou uma terceira versão dos acontecimentos? Mas não. Nada. Que votos tão rigorosos e tão convenientes.

Hoje em dia há muita conversa acerca de como os valores do Ocidente são mais correctos, mais respeitadores da liberdade, do que os outros. E de como o cristianismo é todo ele sobre a "dignidade humana". Mas aqui temos uma história do Ocidente, do cristianismo – uma miúda de 14 anos que passa a viver às ordens de autoridades religiosas porque "viu" coisas. É tão escura e tão perturbante como as outras histórias, as que não são do Ocidente, e revela tão pouco respeito pela dignidade humana como elas. Aconteceu em Portugal, com uma pessoa, durante décadas do século XX e do XXI. Parece coisa do século VIII. Mas aparentemente não faz confusão a muita gente, que de repente fica temerosa de chocar as convicções de terceiros. Para mim o respeito pelas convicções dos outros ainda não me levou ao ponto de ser insensível à lavagem cerebral, ao sequestro e ao silenciamento (mesmo legal e com bom aspecto).

Os bispos, felizmente, são bem mais sinceros. Regressemos ali acima para ver aquilo que têm a elogiar à "Irmã Lúcia": que foi discreta; que a sua morte não coloca em causa o corpo doutrinal de Fátima; que não se comportou como uma protagonista nem como líder carismática. Estamos numa igreja de homens: agradecem-lhe o não ter atrapalhado. Estamos numa igreja experiente: agradecem-lhe o ter-se tornado numa relíquia viva. Para o futuro nem se vai dar pela diferença.

fevereiro 13, 2005

Haja esperança

Enquanto frequentava o último ano do Colégio São João de Brito, Paulo Portas submeteu-se a testes psicotécnicos para apurar a sua vocação. Os resultados foram, por esta ordem, jornalista, advogado, político e padre. Ouvida pelo jornalista da Grande Reportagem (onde este facto é relatado), a mãe de Portas desabafou: “Um dia ele vai expurgar-se da política. Isso acontecerá quando perceber que nascemos para ser felizes. E será um sinal de que se encontrou consigo próprio”. Deus te ouça, Helena, Deus te ouça.

Publicado por pedrooliveira em domingo 13 fevereiro 23:38 | Comentários (7)

Programa da esquerda (“de confiança”) para a próxima revisão constitucional

Ao fim de uma semana de campanha, espanta a sanha com que os pequenos partidos de esquerda atacam o PS. Às tantas, até dá vontade de dizer: eh pessoal, já agora não se importam de guardar uns minutinhos para zurzir na direita?
Chegámos a um ponto em que Sócrates é atacado nas “arruadas” e comícios do PCP e do Bloco como se fosse o primeiro-ministro em funções (aliás, o títulos de uma das reportagens sobre a campanha do BE no Público era, precisamente, “Bloco já faz oposição ao futuro governo socialista”!). Tudo bem. A gente aceita que a estratégia de sobrevivência de uns (PCP) e de crescimento de outros (Bloco), os possa levar a alguns excessos de linguagem. Mas, por favor, não nos queiram fazer passar por parvos. Sugerir que a maioria absoluta é sinónimo de governo absoluto, como têm feito os dirigentes do Bloco nos últimos dias, é pura demagogia. Se é isso que pensam, porque não propõem que na próxima revisão constitucional se proíbam os governos de maioria absoluta? E já agora, para se pouparem uns milhões aos contribuintes, acabava-se também com o Presidente da República, o Tribunal Constitucional e o Tribunal de Contas. A oposição da “esquerda de confiança” no parlamento seria suficiente para controlar os desmandos dos socialistas no poder.

Publicado por pedrooliveira em domingo 13 fevereiro 23:35 | Comentários (15)

Egoísmo

PSD e PP cancelaram hoje as suas iniciativas de campanha em sinal de luto pela morte da irmã Lúcia. Um pequeno gesto, é certo, mas bem elucidativo da desconsideração que demonstram pelos milhares de cidadãos que, como eu, já se tinham habituado aos momentos de boa disposição proporcionados pelos seus cada vez mais hilariantes comícios.

Sem Santana, nada mais me resta do que ver a reposição na Sic Radical dos episódios do Seinfeld. O que está longe de ter a mesma piada.

Publicado por pedro sales em domingo 13 fevereiro 21:31 | Comentários (14)

Pérolas de campanha - prémio mau gosto

"A tsunami eleitoral da vitória começou aqui em Guimarães!" - Luís Filipe Menezes.

Publicado por ruitavares em domingo 13 fevereiro 18:25 | Comentários (19)

In hoc signo vinces

Entretanto, no Porto, o carisma de Carlos César prepara os apoiantes para o carisma de José Sócrates. Não vão faltar desmaios e ataques cardíacos.

Está visto porque é que o PS não ganha na Madeira. Falta-lhes um gajo chamado Vespasiano – ou Péricles, porque não – ou pelo menos Augusto, porra, não se arranjará um Augusto?

Publicado por ruitavares em domingo 13 fevereiro 18:13 | Comentários (3)

Os politicos? tudo farinha do mesmo saco!

Uma breve olhada às colunas de citações dos jornais mostra como esta jornada eleitoral ficará na memória como a campanha dos boatos, da calúnia e da insinuação. Até aqui nada de novo, mas a opinião publicada, obcecada com a sua obrigação de isenção dá a este fenómeno um aspecto difuso. Um estrangeiro que leia apenas a imprensa escrita pode ficar com a sensação de que estes métodos foram usados por todos sem excepção. Ora, sabemos que não foi assim. Nenhum quadrante político tem o monopólio da baixa política, mas é evidente que nesta circunstância concreta houve um ponto de partida e uma direcção no jogo sujo. Se a imprensa pensa, cheia de nojo, que é mais imparcial porque se limita a dizer «ao estado a que isto chegou» sem dizer quem chegou a esse estado, está enganada. Não está a ser imparcial, mas apenas neutral e por isso favorece objectivamente um dos campos. Quem fez insinuações sobre a orientação sexual de um candidato, quem apelou a levantamentos populares, quem denegriu ou insinuou que havia investigações policiais sem nada de concreto avançar foi um determinado campo político: a direita no poder e o seu aparato comunicacional. Isto diz do desespero em que esta se encontra - com a previsão de não alcançar mais do que o voto de um terço dos eleitores - e do que são capazes alguns dos seus líderes e fazedores de opinião (alguns deles até já consideraram que a campanha suja é um sinal de modernidade), mas também diz da sopa institucional em que a imprensa de referência corre o risco de se transformar.

Publicado por celsomartins em domingo 13 fevereiro 16:19 | Comentários (9)

fevereiro 12, 2005

E também já comi francesinhas, fui ao Bom Jesus e apanhei uma bebedeira na Queima das Fitas

«Fernandes Thomaz "explicou" qual é a sua ligação ao distrito de Santarém, pelo qual o CDS-PP quer eleger dois deputados: "Vou a Fátima, vou a umas toiradas, vim ver uns amigos, mas nada mais".»

Nota: na primeira versão desta posta, escrevi que Fátima era no distrito de Leiria, enganado pelo facto de pertencer à diocese de Leiria (e também enganado pela minha simpatia por Santarém). O Real, ali em baixo nos comentários, corrigiu-me o erro: para efeitos (entre muito outros) da eleições de deputados, Fátima fica no distrito de Santarém, embora o seu concelho, Ourém, pertença a uma associação de municípios de Leiria. Fica aqui a adequada penitência.

Publicado por ruitavares em sábado 12 fevereiro 22:59 | Comentários (10)

Jesus Cristo de manhã, Pato Donald à tarde

"Temos que construir o Museu da Bíblia no norte e no sul um parque temático como a Eurodisney", propõe Nuno Fernandes Thomaz, membro do governo CDS/PP, para o distrito de Santarém. Com o desemprego que há na região, é uma iniciativa de aplaudir, e deve até dar uns part-time interessantes para um desempregado que viva, por exemplo, em Rio Maior.

Publicado por ruitavares em sábado 12 fevereiro 16:32 | Comentários (9)

Inspectores sanitários insuficientes em Portugal

Como se pode comprovar aqui e, sobretudo, aqui.

Publicado por nunosousa em sábado 12 fevereiro 05:15 | Comentários (4)

Ora agora é que acertaste!

"Está na hora de dizer BASTA! Basta! Chega!" – Pedro Santana Lopes, no comício em Aveiro.

Publicado por ruitavares em sábado 12 fevereiro 00:00 | Comentários (11)

É uma democracia em que tu és primeiro-ministro

"Mas que democracia é esta? Que democracia é esta?" – Santana Lopes, no comício em Aveiro.

Publicado por ruitavares em sábado 12 fevereiro 00:00 | Comentários (8)

fevereiro 11, 2005

O beliscão tecnológico?

Primeiro íamos ter um "choque tecnológico". Depois este foi despromovido a "plano tecnológico". E agora Sócrates diz que, afinal, o estado "só vai dar uma ajuda". É um bocadinho eliotiano, este plano – não acaba com um estrondo, mas com um gemido.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 11 fevereiro 23:49 | Comentários (2)

Bravo bravissimo

O Luís Lavoura, comentador habitual aqui no Barnabé e em outros blogues, escreveu esta mensagem que foi publicada no Causa Nossa.

«É louvável a preocupação que já por duas vezes mostrou no blogue com os estudantes portugueses no estrangeiro que não conseguem votar para as eleições portuguesas. Os problemas deles poderiam, evidentemente, ser facilimamente resolvidos se Portugal admitisse, como a Alemanha admite, que qualquer cidadão pode votar por corres- pondência sempre que o deseje.
Entretanto, seria muitíssimo louvável que demonstrasse preocupação semelhante em relação aos estrangeiros que residem em Portugal, muitos deles há longos anos, muitos deles pagando impostos, e que não usufruem dos mais elementares direitos, constantemente presos na mais odiosa e vergonhosa burocracia, e muito menos usufruem do básico direito de votar (já não digo de ser eleito).
Um dos princípios da Revolução Americana foi "NO TAXATION WITHOUT REPRESENTATION". Seria bom que o lembrássemos.(...)»


Está muito bem lembrado, e bem respondido também por Vital Moreira.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 11 fevereiro 15:05 | Comentários (15)

Variações em laranja

Têm sido produzidas algumas considerações sérias, mesmo aqui no Barnabé, sobre o futuro do PSD. O Pedro Oliveira, por exemplo, reflectiu sobre o perigo que representa Pedro Santana Lopes para o seu próprio partido, ao passo que o Celso Martins comentou o afastamento de Cavaco Silva (independentemente da notícia desmentida no Público) como sendo a última estocada na campanha do ainda primeiro-ministro. Dou como exemplo estes dois barnabés porque estão mais à mão, mas estes temas têm sido glosadíssimos por toda a imprensa e pelos comentadores, nomeadamente pelos sociais-democratas mais sisudos.

Não consigo estar completamente de acordo com eles, e gostaria de expor aqui as minhas notas sobre o assunto.

Em primeiro lugar, um tema acessório. Dando de barato que Pedro Santana Lopes perde as eleições, parecem-me um pouco frágeis as análises que ligam o seu futuro a uma determinada fasquia de votação no PSD, normalmente os 30%. Claro que o próprio Santana disse qualquer coisa neste sentido, mas todos sabemos bem como o que Santana diz não se escreve, não é? A insistência na fasquia dos 30% (ou até, para ir pelo seguro, nos 40% de que falava José Pacheco Pereira n'A Quadratura do Círculo), é essencialmente a tentativa de consumar um facto misturada com a expressão de anseios próprios, ou seja: falar muito da inevitabilidade da demissão de PSL cruzando os dedos para que ele fique abaixo de uma qualquer barreira psicológica que permita forçar a sua demissão. Mas a história (mesmo a recente) mostra-nos que tanto é possível um líder ter as melhores votações de sempre e continuar a ser pressionado para se demitir – veja-se Ferro Rodrigues – como ter votações fracas e continuar à frente do partido – por exemplo, se os seus rivais não quiserem avançar logo. Daí que, independentemente da votação, o futuro de Santana Lopes seja imprevisível. Esta é, aliás, a única coisa previsível em Santana Lopes.

No entanto, os seus adversários não devem desesperar, porque nenhum líder da oposição, muito menos de um PSD em ressaca de poder, dura os quatro anos da legislatura. Se Santana não cair já nas legislativas, cairá nas autárquicas, e se não cair aí cairá algures num dos congressos do partido.

Agora uma questão mais substancial, para a qual terei de ser franco. Não quero imitar uma espécie de inquietação com o futuro do PSD que, de facto, não tenho. Em primeiro lugar, porque toda esta preocupação à volta da desnaturalização do PSD parte do princípio de que Santana Lopes não é o verdadeiro PSD, e que o verdadeiro PSD seria um partido reformista cheio de gente bem formada. Ora eu não duvido que haja gente bem intencionada e politicamente consistente no PSD, em qualquer das suas tendências. Mas esse PSD não é mais verdadeiro do que o outro. Bem pelo contrário: para cada Pacheco Pereira, Pinto Leite, António Capucho ou Ângelo Correia do PSD há um Santana Lopes e um Alberto João Jardim, dois Valentins Loureiros e três Luís Filipes Menezes – para não falar nos menos coloridos Coutos dos Santos, Dias Loureiros e Isaltinos de Morais. Santana Lopes é o PSD, puro PPD/PSD, tão PSD como os seus críticos e com tanto direito ao seu partido como eles. Não é a mim que me cabe lamentar o que está agora a acontecer ao PSD; é ao próprio partido. Eu sei que para imitar a famosa "postura de estadista" o blogger deve dizer que o PSD é central na nossa democracia e que será essencial preservá-lo com todos os cuidados que mereceria um híbrido de mamute com guaxinim. Mas a "postura de estadista" é exactamente isso, uma posição postiça, um rosto histrionicamente preocupado, e não uma verdadeira atitude. O sistema de partidos é o mais interessante que temos, mas cada partido em particular não tem, na verdade, a importância que lhe damos. Se o PRD tivesse substituído o PS, hoje em dia não estaríamos mais ou menos na mesma, apenas com personagens trocadas (mas nem todas)? E, a dizer verdade, não acabou já por duas ou três vezes o CDS? Ora se o PSD tiver que acabar, ou dividir-se em dois, ou se os seus membros mais respeitáveis saírem para formar o tal Partido das Reformas de que tanto falam, óptimo, tanto melhor. Supondo que ultrapassassem as suas divergências, talvez até fosse muito bom para o país.

Em suma. Santana Lopes não é um perigo para o "verdadeiro" PSD. E não são os militantes descontentes, nem que se chamem Sr. Silva, que lhe darão a última estocada.

Nos dois casos, esse é o papel de Paulo Portas.

Paulo Portas foi quem deu o mais próximo de uma estocada final a Santana Lopes quando, um dia depois do líder do PSD ter dito que a campanha na rua tinha passado de moda, Portas respondeu algo como que "um líder que não gosta de andar no meio povo está a meio-caminho para o desemprego". Essa doeu. Dita por Sócrates, Jerónimo ou Louçã, ainda vá que não vá. Mas dita pelo presidente do PP, aquela frase deu ao povo a exacta medida da profunda indiferença do próprio parceiro de coligação por Santana Lopes, a medida do desrespeito que até um membro do governo pode ter pelo seu primeiro-ministro. Como se dissesse "esqueçam este pateta, eu é que sou o presidente da junta".

E é a Paulo Portas que interessa substituir ou acabar com o PSD. A ambição de Paulo Portas tem um destino sonhado: ser líder de toda a direita. Isso pode acontecer de diversas formas, algumas das quais foram até aventadas, sob diversas máscaras, nas páginas d'O Independente de há muito anos. Pode ser por implosão do PSD, pode ser através de uma fusão entre os dois partidos, pode ser através de uma ultrapassagem pela direita ou pela alavanca que é o papel de pivot governativo tanto do PSD como do PS. Em tempos Paulo Portas poderia até ter estado tentado a sair do PP e regressar ao PSD onde tinha estado na juventude. Mas, seja como for, a ambição do Paulo Portas não se contentará nunca com ser para sempre o parceiro "júnior" de uma coligação.

Podem dizer-me que algumas destas tácticas são contraditórias entre si. Qual é o problema? Não foi Paulo Portas que inventou Manuel Monteiro e o PP para depois os depenar e hoje em dia encher a boca com o velho CDS? Não foi Paulo Portas que quis ser euro-céptico e depois euro-calmo? Contra e a favor da entrada no euro? Não foi Paulo Portas que liderou um partido de protesto que dizia que era um partido de quadros, ou seja, um partido de distribuição de tachos, perdão, parte do "arco governativo"? Não foi Paulo Portas que subiu à custa da xenofobia e que hoje em dia fala de uma desumana política anti-imigração como se fosse um tratamento de favor, e que fechou as portas aos imigrantes legais sabendo que a economia precisa deles? Não foi Paulo Portas que exigiu um orçamento acrescido para a Defesa em tempos de austeridade e que gastou em submarinos aquilo que o seu companheiro Bagão Félix, temível adversário do socialismo, foi depois buscar nacionalizando as pensões da CGD?

E já agora: não foi Paulo Portas o elemento instável do governo durante o consulado de Durão Barroso e praticamente até ao último congresso do PSD? Não deve ter sido, porque já ninguém se lembra disso. E não foi Paulo Portas o número dois destes péssimos governos durante três anos? Uma vez que Durão se esfumou, seria natural que fosse Paulo Portas o rosto daquilo por que passámos durante estes últimos anos. Ou, no mínimo, que partilhasse as responsabilidades pelo descontentamento em relação aos dois governos. Mas a verdade é que ele consegue deixar recair todo o odioso sobre Santana, que foi número um durante apenas quatro meses.

Os militantes do PSD deixam pacificamente que lhes sejam comidas as papas na cabeça. Alguns porque estão debaixo de fogo, outros porque não têm talento para fazer o mesmo que Paulo Portas faz, outros porque se vêem atados a uma corda que o sócio já roeu há muito tempo, e outros ainda porque acham que quanto pior melhor. Mas talvez façam mal. Os indecisos de quem esperam o milagre só muito dificilmente serão indecisos entre o PS e o PSD – são-no entre Sócrates e os votos nos pequenos ou em branco. Na verdade, não há onde ir buscar votos, a não ser na velha base votante do PSD. O problema é que quem se ocupa dessa é Paulo Portas, um temível sócio que ao pequeno-almoço come flocos de pê-esse-dês tostados.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 11 fevereiro 01:14 | Comentários (17)

fevereiro 10, 2005

Verdade revolucionária

Além desse extraordinário delírio segundo o qual os democratas-cristãos seriam os "revolucionários do século XXI", Pires de Lima acusou a "esquerda do PREC" de ter a culpa dos salários baixos no nosso país. Nós já ouvimos Paulo Portas dizer que Portugal deve a liberdade ao CDS/PP e também já estamos habituados ao facto cientificamente provado de que o PREC tem culpa de tudo e das unhas encravadas. Nunca imaginei que o estrago do PREC fosse tão grande que tivesse conseguido acabar com os nossos competitivos salários de antes de 1974. Mas deve ter sido mesmo grave: é que passados trinta anos e vários governos de direita depois, ainda não se conseguiu ultrapassar o trauma daqueles meses.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 22:41 | Comentários (18)

Isso é que é optimismo!

O Partido da Nova Democracia, que nas últimas eleições teve menos votos do que o MRPP – o que não dá para um deputado – propôs uma nova constituição para a República Portuguesa, que teria de ser aprovada, naturalmente, por dois terços dos deputados da AR. Boa! Sem ambição não se faz nada.

PS: Gostaria muito que o CAA do Blasfémias me explicasse por que carga d'água sendo o PND um partido liberal propõe que a Igreja Católica esteja isenta de impostos. É porque vamos ser todos isentos, ou trata-se de uma excepção?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 21:17 | Comentários (11)

Não havia necessidade...

Nas legendas do Telejornal da RTP1 escreve-se que Carlos de Gales vai casar com Camilla Parker-Bowels [sic]. Bowels quer dizer tripas, intestinos, entranhas, vísceras. Ora eu sou anti-monárquico, mas acho esta esculhambação exagerada.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 20:29 | Comentários (9)

Ó sô Padre! E nestes? Pode-se votar nestes? Essa peçonha não se pega nem nada?

Pires de Lima: democratas-cristãos são os "revolucionários do século XXI"

Publicado por nunosousa em quinta-feira 10 fevereiro 19:50 | Comentários (1)

O tabumaníaco

DN: «O novo tabu de Cavaco. Ex-líder do PSD desmente apoio a José Sócrates mas não diz em quem vota nas legislativas.»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 17:56 | Comentários (10)

Podiam era deixar-me fazer um levantamento desses à experiência

DN: «Multibanco vai permitir levantar 400 euros por dia».

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 16:11 | Comentários (2)

Olha estes armados em sérios

Público: «Operadores turísticos criticam "fait-divers" de campanha».

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 16:07 | Comentários (3)

Santana Lopes Vs. Machado de Assis

Lembram-se de quando Santana Lopes enviou um cartão a Machado de Assis, genial escritor brasileiro do século XIX, falecido em 1908?

Pois bem, o Barnabé tem um exclusivo universal, ou melhor, dois. Por um lado, conseguimos entrevistar Machado de Assis. E como bónus, descobrimos o apoio de maior peso que Santana Lopes terá nestas eleições.

Cliquem nos linques abaixo para ver o filme em streaming [é preciso ter o Quicktime, gratuito] ou para o descarregar directamente para os vossos computadores. A versão maior é claramente aconselhada, mas para os mais pressionados de tempo ou utilizadores de banda estreita, existe uma versão mais leve.

Para ver em streaming
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[O Barnabé deve agradecimentos ao actor Benetti Mendes, do grupo de teatro G7, de Brasília (vencedores do Prémio Volkswagen, o maior troféu do teatro amador brasileiro) e ao André Carvalheira, realizador e produtor da Carcará Filmes, também de Brasília, pela disponibilidade – e boa disposição – na feitura deste filme. Agradecemos também o apoio do atelier aberto Tuatara, em Lisboa, um novo espaço de cultura, trabalho e lazer de que voltaremos a falar brevemente.]
Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 03:28 | Comentários (7)

Premio São Bordalo

Bem, agora que São Bordalo saiu do nosso cabeçalho para dar lugar a Machado de Assis – que terá cruzado na Rua do Ouvidor, centro da boémia intelectual do Rio de Janeiro, quando viveu na então capital do Império do Brasil – é altura de anunciar o vencedor do Prémio São Bordalo. E tal como o coração de João Manuel Pinto só tinha uma única cor – azul e branco – também o nosso vencedor é dois: o Jorge Candeias d'A Lâmpada Mágica e o Pedro Vieira do excelente Agridoce. Parabéns a ambos, que se deram luta renhida e portaram de forma brilhante no nosso passatempo. Brevemente entraremos em contacto para vos fazer chegar o livrinho do Barnabé com os autógrafos dos autores.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 10 fevereiro 03:24 | Comentários (2)

fevereiro 09, 2005

Cuidado com as correntes de ar

O André, como se diz nas relações amorosas, deu um tempo. Mas eu sei que ele deu um tempo só para poder voltar, mais cedo que tarde, cheio de força. E, só aqui entre nós, mesmo que ande por fora, o André não há-de deixar de ter umas recaídas, aqui e acolá, sem o menor sentimento de culpa nem obrigação. Um blogue dá um trabalho maravilhoso, a liberdade de um blogue em doses puras faz bem à escrita e à alma, mas tem que se ter disponibilidade para a gozar. Fico sentido por o André ter dito que se afastaria um pouco, mais ainda por ter sido assim de surpresa, mas compreendo e oh zeus como há dias em que compreendo. Piegas, e inteiramente piegas, faço de conta que não li aquilo que o André escreveu. Ele continua aqui no Barnabé porque este blogue não faz, para nós, sentido sem ele. Não te demores muito aí fora olha o frio anda pra dentro.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 09 fevereiro 23:49

Lodge aos bocadinhos: fim

Bem. Estou-me a perder e quero acabar. Na verdade, o romance começa com Henry no seu leito de morte, no fim de 1915, rodeado da família, da secretária (Theodora Bosanquet, a quem Henry ditava os seus textos) e os criados. Somos inicialmente apresentados ao autor através de um olhar exterior — e outra vez humanizador, porque vemos que ele está a morrer e porque é gente comum que nos fala de Henry. E é por isto que eu gosto de David Lodge. Nesta situação, não é o grande escritor do cânone literário que ali está, o Autor com letra grande que os estudos literários consagraram, mas a pessoa no fim da vida, e avaliada como pessoa pelo olhar dos outros. E só depois desta apresentação é que vêm, como um grande flash-back, as peripécias da vida literária (e também da vida amorosa, latentemente homossexual, na interpretação de Lodge, e casta). Os aspectos da vida teatral na Inglaterra vitoriana, a moral sexual, os hábitos diferentes dos homens e das mulheres, as estadias em Itália com a escritora americana — relação quase platónica de Henry —, Constance Fenimore Woolson, tudo isto nos é deliciosamente reconstruído em profusão de detalhes e de modo, ao meu parecer leigo, não anacrónico. Queria sublinhar isto, que os comentadores também referiram: tal rigor na reconstituição só parece possível graças à formação académica do autor, ao facto de o seu trabalho universitário lhe ter permitido estudar a fundo literatura inglesa. Se, a partir de 1986, Lodge pediu reforma antecipada da universidade e se pôde entregar exclusivamente a uma carreira de escritor, o seu êxito como romancista vem da aliança, nele particularmente feliz, entre o estudioso e o praticante sensível da arte da ficção. Só isso nos permite ter retratos tão humanos (auto-irónicos) da vida académica, nos romances anteriores, e, agora, da vida de um escritor.

Mas o que eu queria dizer para terminar era mesmo isto: qualquer livro escolhe o seu público, desenha-o em negativo. Quando digo que este livro é menos fácil ou de sabor mais lento, estou no fundo a dizer que o livro é sobre literatura, voltado para gente que gosta de literatura. Para gostar do livro, não é preciso conhecer a obra de Henry James (embora quem conheça identifique certamente uma série de citações que a mim escaparam). Mas é preciso interessar-se pela literatura como ofício, conseguir identificar-se com as ambições e as angústias de quem escreve. Ou então, como numa iniciação, deixar-se conduzir, pela bem aparada pena de Lodge, nos meandros desse mundo tão terreno. Ele é o melhor dos guias.

P. S. Depois de ano e quase meio de escrita regular no Barnabé, faço aqui uma pausa. Preciso de virar totalmente a cabeça para o mundo exterior, onde também há vida e sobretudo há prazos. Aproveito ainda para ganhar um bocadinho de recuo e fazer uma justiça aos meus pensamentos publicáveis: voltar a dilui-los nos não publicáveis para ver se ainda se dão bem. Um abraço amigo aos leitores e bloggers que não perderam a paciência para me ler ao longo deste tempo; outro abraço, muito especial, para os meus amigos barnabés, dos antigos a cair da tripeça aos novos cheios de talento. (Só para o Celso, o Daniel, o Pedro e o Rui: foi muito, muito bom escrever na vossa companhia.) Depois volto. Saudações barnabitas.

Publicado por andrebelo em quarta-feira 09 fevereiro 23:14 | Comentários (6)

Um irmão de Bordalo

George Du Maurier, True Blue

Ando para aqui a descobrir os desenhos de Du Maurier. É um irmão de Bordalo, caricaturando a sociedade inglesa do seu tempo. O que acham deste acima, bem adequado ao período eleitoral que Portugal vive neste momento? E vejam mais uma série de desenhos óptimos aqui (os linques que estão em "Works - illustration"). Também encontrei uma cidadezinha na Florida chamada Trilby em homenagem à protagonista do romance dele.
Publicado por andrebelo em quarta-feira 09 fevereiro 22:09 | Comentários (1)

Homem Rico, Homem Pobre

No último sábado, Nicolau Santos anunciou que o país está a caminho do socialismo. Munindo-se dos últimos dados da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, Nicolau Santos veio dizer-nos que o número de “ricaços”, i.e., aqueles que tinham declarado mais de 250 mil euros de rendimento bruto anual, tinham passado de 26.802 em 2001 para 2144 em 2003. Estes dados confundiram-me e nos últimos dias mergulhei nos meus recortes de jornais e lá encontrei algo muito interessante. Em Julho do ano passado, segundo um relatório da consultora Cap Gemini e do banco de investimento Merrill Lynch o número de portugueses com mais de um milhão de dólares em activos financeiros tinha crescido cerca de 4 por cento em 2003, para um total de 10.400 pessoas. Será que estamos mesmo a caminho do socialismo?

Algo que nesta campanha parece estar praticamente ausente, e é algo desconcertante pelo menos para mim, é a incapacidade de se discutir o facto de sermos o país na “antiga” Europa dos 15 com a maior desigualdade na distribuição de riqueza (dizem as estatísticas europeias) e qual o impacto que isso está a ter e pode vir a ter na nossa sociedade.

Mas porque haveria isto de espantar-me? Em Março de 2003, o Público, num trabalho excelente de 8 páginas falava da pobreza em Portugal e da possibilidade de haver pelo menos 200 mil pessoas com fome no país. O choque durou uma semana. Uma reputada economista portuguesa, Manuela Silva, propôs um fundo contra a pobreza..Alguém tentou levar adiante a proposta? O Padre Jardim Moreira da REAPN (que hoje dá uma entrevista ao Público) bem tenta chamar a atenção para a questão...mas será que realmente alguém o está a ouvir? A esquerda mostra-se interessada em lidar com o assunto (tal como o indica o Público de hoje), mas a solução parece passar sempre pela intervenção do Estado. Eu acho que é a opção mais óbvia de quem continua a acreditar que o Estado tem ainda um papel importante a desempenhar nesta área (eu sou um deles). Mas não é a única via.

Passa também por ter muitos dos nossos “ricaços” a aprenderem com o exemplo dos filantropos norte-americanos e ingleses que dão milhões para a luta contra pobreza e exclusão social. Se acumularmos todas as fortunas incluidas na edição especial de 2004 da revista Exame dedicada aos 100 mais ricos de Portugal, descobrimos que possuem mais de 22 mil milhões de euros. É muito dinheiro! E se costumam doar para estas causas, pouco sabemos e os jornalistas pouco investigam. Nós temos uma lei do mecenato que, supostamente, teria como objectivo motivar os tais “ricaços” portugueses a dar, mas, e posso estar enganado, parece-me que são poucos aqueles que se preocupam realmente com questões como a pobreza e a exclusão social. Deve ser mais importante apoiar grandes eventos mediáticos.

Onde estão os nossos “Bill Gates”?

Home Cinema

The Magnificent Ambersons


[Agnes Moorehead; Joseph Cotten]

… de Orson Welles. Em dvd, amanhã, com o Público.

Publicado por olimpioferreira em quarta-feira 09 fevereiro 15:00 | Comentários (3)

fevereiro 08, 2005

Barómetro

Quando o PCP fala todos os dias mal do Bloco. Quando os socialistas falam todos os dias mal do Bloco. Quando a direira fala todos os dias do perigo do Bloco. Quando comentadores e editorialistas já não falam com condescendência, mas alertando para o perigo de um governo dependente do Bloco...eu percebo que as coisas devem estar a correr melhor para o Bloco do que o Bloco esperava.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 08 fevereiro 02:24 | Comentários (50)

Pra tudo se acabar na quarta-feira...

Hoje ouvimos Pedro Santana Lopes dizer seríssimo que se "há candidatos que gostam de misturar a campanha com o Carnaval", ele "não o faz". "São maneiras de ser", acrescentou, com um tom ríspido que não lhe conhecíamos, para vincar bem como levava a peito aquela insistência em ser sério durante o entrudo.

Mas é assim mesmo! O que é o Carnaval senão sermos durante uns poucos dias aquilo que não conseguimos ser durante o resto do ano?

Publicado por ruitavares em terça-feira 08 fevereiro 02:04 | Comentários (13)

E o que interessa?

Santana diz que tem mais gente em Castelo Branco. Coelho diz que é gente de fora e que Santana não sabe para onde vai na campanha. Sócrates segue a mesma linha. Jerónimo anuncia Carvalhas para as presidenciais.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 08 fevereiro 02:02 | Comentários (4)

Poligamia?

De acordo com os jornais, o padre Loreno, da paróquia de São João de Brito, aproveitou a missa de Domingo para advertir o seu rebanho (e todos os ouvintes da Antena 1, que transmitiu a homilia em directo)para votar apenas nos partidos que dessem garantias de respeitar a "ética cristã" ("Um cristão deve aprovar por voto uma ética que não seja indigna de si próprio".). Até aqui, nada de novo. Sucede porém que para além de ter condenado o aborto, a eutanásia e o divórcio (“divórcio, nunca”), o padre Loreno fez também questão de reprovar a “poligamia”. Poligamia? Mas temos algum partido de inspiração islâmica a concorrer às eleições?
E foi então que percebi a indignação do pároco Loreno. Várias paredes do Bairro de Alvalade estão forradas com o cartaz da Axe (ver versão ampliada aqui). Como dizem os ingleses, é preciso ler “the fine print”, senhor pároco.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 08 fevereiro 00:16 | Comentários (16)

fevereiro 07, 2005

E entretanto, no país de D. Quixote

Governo espanhol amnistia 800 mil imigrantes ilegais

Publicado por joaomacdonald em segunda-feira 07 fevereiro 18:14 | Comentários (6)

Uma edição política do Blitz

A edição de hoje do Blitz é uma alegria eleitoral.

A começar na capa: Manuel João Vieira - o Prof. Marmelo - ao lado de um Alberto João "Rei Momo" Jardim enunciam-nos um número político deste semanário musical.

Lá dentro, numa entrevista de Ana Markl e de Luís Guerra, o Prof. Marmelo analisa a situação política do país.

Depois, como oferta aos leitores, o Blitz oferece um par de máscaras de Carnaval com as caretas dos líderes políticos.

Por fim, um golpe de asa (em textos de Ana Ventura, António Pires, Gonçalo Frota, Gonçalo Palma, Pedro Gonçalves e de novo Guerra): os políticos portugueses e os seus respectivos clones na indústria da música. Tudo devidamente justificado.

Para abrir o apetite, aqui fica a lista de quem corresponde a quem:

Pedro Santana Lopes = Tom Jones
José Sócrates = Bryan Ferry
Paulo Portas = Marc Almond
Jerónimo de Sousa = Shane MacGowan
Francisco Louçã = Eminem
Manuel Monteiro = Scott Weiland
Alberto João Jardim = Carmen Miranda
Nuno Morais Sarmento = Henry Rollins
Odete Santos = Cesária Évora
Miguel Portas = Manu Chao
António Vitorino = Prince
Zita Seabra = David Bowie
Jorge Coelho = Devendra Banhart
Cavaco Silva = Axl Rose
Mário Soares = Ozzy Osbourne
Durão Barroso = Roger Waters
Marcelo Rebelo de Sousa = Bono
Luís Delgado = Kenny G.
Pôncio Monteiro = Cat Stevens

Como diz o Blitz, "alguém tinha de compensar a tragédia".

Publicado por joaomacdonald em segunda-feira 07 fevereiro 13:19 | Comentários (18)

Recensão de Lodge aos bocadinhos - 1

Baseado na vida do escritor anglo-americano Henry James (n. Nova Iorque 1843- m. Londres 1916), podemos dizer que o último romance de Lodge é sobre a relação conflitual entre o desejo de construir uma obra literária original e autónoma e o desejo de obter sucesso literário. Esse conflito é ilustrado pela relação, central no romance, entre James e um dos seus grandes amigos, George Du Maurier. Du Maurier, que na sua juventude falhara uma carreira de pintor por ter cegado de um olho, era um talentoso ilustrador em revistas literárias. Em 1894 publicou um romance, chamado Trilby, que se tornou num best-seller absoluto, talvez o livro mais vendido da história até então (um resumo da intriga aqui). Nos Estados Unidos, a empatia com a personagem principal, Trilby, uma rapariga de passado "duvidoso" mas inocente (posara nua para pintores em Paris e cantava maravilhosamente sob a hipnose de um estranho músico judeu de nome Svengali), atingiu foros de loucura para a época: venderam-se 200000 exemplares no primeiro ano de edição e, ideia extravagante, começaram a ser vendidos vários objectos, como sapatos, com o nome da protagonista.

Exactamente ao mesmo tempo que Du Maurier, estreante na literatura, se tornava famoso e rico, Henry James, um ficcionista de nome firmado quer nos Estados Unidos quer em Inglaterra pelos seus romances e contos de notável densidade psicológica, tentava ele próprio assegurar a tranquilidade financeira através duma carreira teatral (uma peça bem sucedida em Londres era, na altura, uma boa maneira de fazer uma pequena fortuna). Essa tentativa resultou num rotundo fracasso. E o momento central do romance de Lodge é a estreia da peça, Guy Domville, em que James tudo apostou. Nessa noite, com toda a Londres literária a assistir (excepto o próprio James, que em má hora decidira ir ver uma peça de Oscar Wilde a outro teatro por causa dos nervos em que estava), o público que estava nos lugares mais baratos pateou violentamente os actores e o próprio autor, que entretanto chegara para assistir ao cair do pano. E aquilo que James longamente antecipara como uma consagração tornou-se numa humilhação pública, a maior da sua carreira.

Publicado por andrebelo em segunda-feira 07 fevereiro 09:12 | Comentários (4)

Vai onde te leva o coração

"Segue o teu caminho, faz-nos sorrir, faz-nos sonhar" – Nuno Morais Sarmento para Santana Lopes.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 07 fevereiro 02:37 | Comentários (8)

fevereiro 06, 2005

Imperial

Bob Marley (1945-1981). Se fosse vivo faria hoje 60 anos.

Publicado por pedrooliveira em domingo 06 fevereiro 16:25 | Comentários (12)

Domingo de Entrudo

Assinalando o acaso objectivo que é a coincidência da abertura oficial da campanha com o fim-de-semana de Entrudo, venho apelar ao voto em…

Ah, se cada lar português dispusesse de uma torradeira mini-forno Ideal…

Publicado por olimpioferreira em domingo 06 fevereiro 14:45 | Comentários (8)

O mais treslido

A pretensão de se ser o mais lido na blogosfera é injustificável — a não ser que seja para bater em Pacheco Pereira, aí já acho bem. Mas não há por enquanto instrumentos de medida das audiências que sejam consensuais, o que permite que haja sempre polémica em torno da questão. Por outro lado, sociólogos da leitura com muita audiência à escala internacional já o disseram há algumas décadas: saber quem lê e quantos lêem serve de pouco se não se souber como é que se lê. O mais lido é também sempre o mais treslido.

Por outro lado ainda: no meu mundo ideal, cada blogue teria a obrigação de contrariar os seus leitores. De zangar-se com eles, de dizer-lhes: o que é que estão aqui a fazer? Vão-se embora, vão fazer outra coisa, deixem o meu ego da mão que eu sozinho não sou capaz. Ajudem-me. O itinerário do blogue perfeito seria este: partia-se do zero, chegava-se ao pico e depois era sempre a descer até ficar só um leitor (que seria o meu canário) ou mesmo nenhum. Mas como vivemos na realidade vou começar uma prometida recensão ao último livro de David Lodge, Author, Author. Vai ser uma recensão adaptada ao formato blogue: partida aos bocadinhos.

P.S. O blogue zangado com os leitores deste post é um bocado egoísta e ingrato. A relação imaginária com o leitor é mais amorosa. Zanga, sedução, reconciliação, incompreensão, zanga, sedução, etc.

Publicado por andrebelo em domingo 06 fevereiro 12:31 | Comentários (4)

Uma nota

Escrever num blogue é bem mais duro do que opinar numa televisão ou num jornal. Disso deve saber melhor do que ninguém Pacheco Pereira, que tem experiência em todos estes meios. As suas declarações inexactas sobre o Barnabé, produzidas ontem numa breve entrevista à SIC, não durariam cinco minutos na blogosfera sem serem corrigidas ou desmentidas. Infelizmente, ditas numa televisão, deixam-nos perfeitamente impotentes perante a impressão que deixaram passar, a saber: que o Barnabé seria simplesmente um blogue "feito por um assessor de imprensa do BE" (o Daniel Oliveira, naturalmente). Valerá a pena dizer que o Barnabé é feito por dez pessoas e não por uma? Não, não é preciso – Pacheco Pereira lê o Barnabé e ainda no outro dia citou no Abrupto um apelo ao voto no PS aqui escrito pelo Pedro Oliveira – duma cajadada provando que não pode deixar de saber que as informações que passou à SIC e daí a umas dezenas de milhar de pessoas são erróneas. Quem denuncia frequentemente a falta de preparação dos jornalistas, a sua negligência, facilitismo e incapacidade de corrigir erros pode agora aproveitar para demonstrar a sua boa-fé – corrigindo no blogue aquilo que disse na televisão.

Publicado por ruitavares em domingo 06 fevereiro 01:35 | Comentários (21)

A estratégia santaniana

"Não tenho nenhuma mensagem positiva para lhe dar. Não quer antes levar duas negativas?" – Woody Allen, Night Club Years 1964-68.

Publicado por ruitavares em domingo 06 fevereiro 01:30

Dão-se alvíssaras

«Fátima perdeu meio milhão de peregrinos.» in Expresso.

Publicado por celsomartins em domingo 06 fevereiro 01:02 | Comentários (6)

A falta que faz uma filofax

«Um ataque ao Irão está "Fora da agenda" dos EUA, disse Condoleezza Rice ontem em Londres», Expresso.

Publicado por celsomartins em domingo 06 fevereiro 00:03 | Comentários (3)

fevereiro 05, 2005

...mas que depois arrefece, esmorece e falece

"O CDS é o voto que apetece" - obrigado, Paulo Portas, por este belo presente.

Publicado por ruitavares em sábado 05 fevereiro 23:50 | Comentários (1)

A muralha de aço

No comício de Paulo Portas aos democratas cristãos renascidos, a multidão interrompia o discurso com gritos de "Assim / se vê / a força do PP" e "Paulo vai em frente / Tens aqui a tua gente". Foi uma pena a SIC não ter transmitido a coisa até ao fim. Gostaria de ver o encerramento ao som da Grândola Vila Morena.

Publicado por ruitavares em sábado 05 fevereiro 22:45 | Comentários (2)

Mas isso é tão assim coisa da semana passada...

"O programa do CDS não tem promessas.Tem metas sociais, metas económicas..." – Paulo Portas.

Publicado por ruitavares em sábado 05 fevereiro 22:35

A factura

Pacheco Pereira disse na SIC que o Bloco me paga para fazer o Barnabé. Pedro Oliveira, já sabes. Passa pela sede para ir receber o cheque.

Publicado por danieloliveira em sábado 05 fevereiro 22:05 | Comentários (8)

O acordo secreto

Santana Lopes diz que não tem dúvidas que há um acordo secreto entre o PS e o Bloco de Esquerda. Uma coisa garanto: se há acordo, é, de facto, secreto. É que a mim ninguém me disse nada. Posso viver com isso. Mas que tenham dado cacha ao Semanário e a Santana Lopes é que nunca perdoarei.

Publicado por danieloliveira em sábado 05 fevereiro 22:03 | Comentários (5)

CDS/PP a uma só voz

A propósito das dívidas dos clubes de futebol, no âmbito do chamado "totonegócio":

Lobo Xavier - Os clubes nada devem
Pires de Lima - Não comenta
Bagão Félix - Clubes devem 19,9 milhões de euros

Publicado por nunosousa em sábado 05 fevereiro 20:38 | Comentários (5)

Agora é que se lembram disso

O PSD vai interromper a campanha no dia 8 para que não se confunda com o Carnaval.

Publicado por danieloliveira em sábado 05 fevereiro 20:05 | Comentários (8)

Bagão Félix? Não conheço

Ontem, António Pires de Lima foi ao beija mão a Pinto da Costa. Segundo reza o relato do DN, o presidente do FC Porto, e arguido do processo “Apito Dourado”, fez questão de recordar ao cabeça de lista do CDS pelo Porto que as diligências efectuadas por Bagão Félix para cobrar a dívida dos clubes ao fisco são apenas “uma leitura” de um governante “que por acaso nem é militante do CDS”.
Pires de Lima ouviu e calou. O autor da notícia não menciona se ficou com as orelhas vermelhas.
Todo este episódio é bem ilustrativo da “estabilidade” que prevaleceria se, por hipótese absurda, o CDS voltasse ao poder. Pires de Lima é bom recordá-lo, foi apresentado como putativo “ministro da Economia” no governo de fantasia de Paulo Portas; Bagão Félix seria reconduzido no cargo de ministro das Finanças; e António Lobo-Xavier, vice-presidente do FCP e promotor do almoço de Pires de Lima com Pinto da Costa, seria o ministro dos Negócios Estrangeiros. Iam todos entender-se às mil maravilhas.

Publicado por pedrooliveira em sábado 05 fevereiro 19:30 | Comentários (2)

Um choque de gestão

Já está em marcha. Conferir aqui.

Publicado por nunosousa em sábado 05 fevereiro 19:16 | Comentários (2)

"Há Poder em Suas Palavras"

«Eu vou ganhar as eleições. Eu vou ganhar as eleições. Eu vou ganhar as eleições.» – últimas palavras de Santana Lopes na entrevista a Judite de Sousa, RTP1.
Publicado por ruitavares em sábado 05 fevereiro 01:28 | Comentários (16)

Pérolas de campanha (com sabor argentino)


"Costumo dizer que a minha comissão de honra é o povo".

Pedro Santana Lopes, na entrevista de ontem a Judite de Sousa, RTP-1

Publicado por pedrooliveira em sábado 05 fevereiro 00:34 | Comentários (4)

É buéda louco, pá, então não é

Numa conferência em San Diego (Califórnia), o general de três estrelas dos Marines, James Mattis, um veterano das recentes campanhas do Afeganistão e Iraque, ofereceu-nos mais uma pérola do pensamento militar americano: “É muito divertido combatê-los [os terroristas]. É um gozo dos diabos” (risos). É divertido atirar contra certas pessoas. (…) Vamos ao Afeganistão e encontramos lá uns tipos que esbofeteavam as mulheres porque elas não usavam o véu. Vocês sabem, gajos destes já não têm qualquer espécie de virilidade. Portanto, é um gozo dos diabos matá-los”.
O general Michael Hagee, também dos Marines, imediatamente defendeu Mattis, referindo-se a ele como “um dos nossos comandantes mais corajosos e experientes”. Donald Rumsfeld disse desconhecer o contexto em que Mattis proferiu as suas declarações, e declinou tecer quaisquer comentários.
Neste momento, está em preparação um filme em Hollywood sobre o papel de Mattis no assalto a Fallujah, com Harrison Ford no papel do general.


O Barnabé orgulha-se de ter sido o primeiro blogue português a descobrir o general James Mattis. Ver post de 20 de Abril de 2004.

Publicado por pedrooliveira em sábado 05 fevereiro 00:24 | Comentários (3)

fevereiro 04, 2005

Pechisbeque da campanha (directamente da Lapa)

"Coimbra devia levantar à rua e esse senhor [José Sócrates] não devia cá entrar. Uma pessoa que, teimosamente, para sua afirmação política, quer sacrificar os interesses e a saúde da população deve ter uma manifestação de repúdio"

Luís Nobre-Guedes, CDS-PP; em declarações à rádio Boa-Nova (Oliveira do Hospital), 3 de Fevereiro

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 04 fevereiro 23:54 | Comentários (4)

Homens

Fazemos o jogo amigável, no bom ritmo, sem brutalidades mas com ganas. Há até alguns jogadores mais faltosos. Mandamos piadas sobre isso no duche e vamos beber umas cervejas na brasserie mais próxima. Desta vez, como não era a sério, quase não comentamos o jogo. Perguntamos pelo trabalho, pelos filhos e rimos de mais umas piadas. Um pouco mais entrosados, falamos dos jogos épicos do passado. Bebemos as cervejas, vamos acompanhando com batatas fritas e mostarda, alguns pedem uns cálices de "calvados". E no fim, à saída, deitamos olhares cúmplices, comovemo-nos com — sim — com Gilbert Bécaud, que alguém, aliás o melhor do nosso meio-campo, pôs a tocar na Juke Box.

Et maintenant que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie

Toutes ces nuits, pourquoi pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce coeur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort

Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit

Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent

Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai

Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu

Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien ...

Publicado por andrebelo em sexta-feira 04 fevereiro 23:31 | Comentários (1)

Pior é impossível

Santana Lopes e seus apoiantes queixam-se de que apenas tiveram 5 meses de poder efectivo. Ora esse facto não deveria ser evocado. Devemos lembrar-nos que, em Julho passado, um dos argumentos mais pesados para empossar Santana sem eleições foi o de que numas legislativas não se vota em candidatos a primeiro-ministro mas sim em programas partidários. É isso que Santana representa agora.

Mas há que percebê-los. Neste momento, sabendo que o programa de governo não entusiasma os portugueses (cansados de 3 anos de PSD e não de 5 meses), e com um candidato a primeiro-ministro que provou cabalmente a incompetência para o cargo (nos tais 5 meses), vêem-se no pior dos cenários: nem programa, nem candidato. Pior é impossível.

Publicado por nunosousa em sexta-feira 04 fevereiro 19:18 | Comentários (17)

Menos ais menos mas menos pois

É praticamente consensual que aquilo que Luís Delgado diz, ou deixa de dizer, nas suas aparições diárias na televisão, tem muito de risível.

No entanto, ouvir Carlos Magno, ontem na 2:, basear o seu comentário político no número de algumas palavras proferidas pelos intervenientes no debate, também teve a sua graça.

Publicado por nunosousa em sexta-feira 04 fevereiro 15:55 | Comentários (19)

Só para avisar

A Região Autónoma do Bloff esta em grande forma. Já tem joguinhos de computador, um brilhante digesto retórico para a campanha e esta sugestão: o artigo da wikipedia sobre Santana Lopes.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 04 fevereiro 14:21 | Comentários (1)

Depois do debate

Apesar de tudo, há coisas em que inesperadamente sou católico. Consideremos, por exemplo, o modelo do debate de ontem. Aquele modelo é protestante: rígido, com regras implacáveis, em que cada um é julgado pelo que diz nos seus dois minutos como se estivesse só face a face com deus (que é, naturalmente, a audiência televisiva). E é um péssimo modelo para as tradições de conversação de um país como Portugal. A conversa é relacional e nós retiramos muito disso: não queremos só saber o que cada candidato acha dos temas, queremos vê-los reagir um ao outro, ter de pensar rápido, intercalar uma palavra, colocar uma objecção, contorná-la. Aprende-se muito sobre a inteligência de uma pessoa assim, através de um debate católico, isto é, flexível, volúvel, com um desenvolvimento narrativo mais discreto. A nossa atenção está habituada a seguir a coisa assim, com a sua musicalidade própria e a sua sequência natural. Aquela compartimentação era sôfrega e submetia o espectador a uma espécie de efeito estroboscópico.

Os abusos no nosso tipo de debate – onde por vezes ninguém consegue ouvir o que se está a dizer – e o sucesso dos debates americanos fizeram-nos pensar que esta talvez fosse uma boa solução. Mas não foi. Os candidatos não perceberam, por exemplo, que aqueles dois minutos, por serem curtos, exigem um discurso mais pausado e não mais rápido, o que implica ter de sintetizar, generalizar e só dar os dados que são essenciais de uma forma interessante e não debitar informação como o Vasco Santana no exame de medicina d'A Canção de Lisboa. Pensámos talvez que assim desse para falar de mais coisas, mas não deu: houve temas como educação ou justiça que simplesmente não foram comentados. Ainda temos de achar um bom meio-termo para os debates. Talvez como o Serra-Lula de 2002, uma espécie de debate à americana flexibilizado?

Santana Lopes. Num contexto de desespero, Santana Lopes continuou a querer capitalizar com insinuações a uma inventada homossexualidade de Sócrates, principalmente quando dizia que nunca tinha pensado em tal coisa. Por vezes chegou ao desplante de falar como se tolerasse e aceitasse as "inclinações" de Sócrates. Não há como suavizar a coisa: Santana é reles, baixo, canalha, vil. Completamente indigno de ser governante da Aldeia dos Macacos do Jardim Zoológico. Já toda a gente percebeu o que ele quer e agora chegámos ao ponto em que as suas baixezas não o beneficiarão. Sócrates merece uma taça só por não se ter passado da cabeça ali mesmo.

Infelizmente, a carreira política de Santana não acabou ontem. Como decorou meia-dúzia de números e de factos, foi capaz de disfarçar a sua imagem de "primeiro-ministro das trapalhadas". Os seus fiéis até poderão dizer que ele se aguentou. Ainda temos de esperar duas semanas e pouco para saber se pendura as chuteiras.

Em contraste, José Sócrates não precisava de um KO. Como está à larga nas sondagens, apenas precisava de não perder para manter a distância. Conseguiu. Agora só lhe falta o debate a cinco e ufff! acabaram-se as conversas sem ser para convertidos. De facto, muito triste para um candidato a primeiro-ministro.

Evidentemente que Sócrates está a milhas de Santana em termos de seriedade e preparação. E é evidente que preserva ainda uma parte das políticas sociais de Guterres. Num país como Portugal, é essencial ter como primeiro-ministro alguém que não ache que a pobreza é uma coisa natural. No entanto, ainda não consegui deixar de achar Sócrates um tanto verde como político. Neste debate, Sócrates pareceu alguém que pode vir a ser um Primeiro-ministro aceitável, o que já não é nada mau – que as pessoas o vejam como Primeiro-ministro é meio caminho andado. É um bom estudante e um razoável executante da política falada. Mas não demonstrou golpe de asa, verdadeira cultura política ou fôlego intelectual como tinha Mário Soares ou António Guterres. E isso é essencial para quem quer uma maioria absoluta que nenhum destes líderes do PS teve.

Mesmo as suas metas mais ambiciosas e interessantes, como o plano tecnológico, parecem afinal pouco quando explicadas por ele. Um plano tecnológico a sério, que diabo, não precisa só de mil jovens gestores nas empresas – precisa de uma renovação a sério nos quadros das universidades, precisa da criação de redes de investigação fora das universidades, precisa de mexer no acesso ao crédito para projectos em certas áreas. Se Sócrates tiver mais nesse plano, é bom que o comece a fazer passar cá para fora. E já que estou de foice numa seara vizinha, o inglês no ensino básico é bom; mas um programa de visão e futuro alargaria o acesso ao Espanhol e Alemão no nível preparatório e também permitiria a criação em algumas poucas (poucas, sublinho) escolas secundárias de disciplinas de Russo, Chinês, Francês, Árabe, Japonês... Sobreviver na globalização é muito mais do que saber o inglês – isso é só para desenrascar.

Em suma, esqueçamos Santana, excepto para descarregarmos o stress. O interlocutor do eleitorado é agora José Sócrates. É altura de ele dar o melhor que tem, porque as maiorias absolutas não se conquistam – merecem-se, se for o caso.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 04 fevereiro 02:06 | Comentários (28)

Bill Lopes

No debate sobre o debate, na SIC Notícias, Luís Delgado esteve impagável (atenção que isto não é uma piada à forma como fala Nuno Mogais Sagmento, é mesmo impagável que quero dizer). Quando a páginas tantas alguém na mesa mencionou as "trapalhadas" que Santana Lopes conseguiu produzir e alimentar em tão pouco tempo de governo, Delgado retorquiu dizendo que "isso de trapalhadas também o Clinton as arranjou e cumpriu o mandato até ao fim".

Confundir o caso Monica Lewinsky, absolutamente do foro íntimo da vida do ex-presidente dos EUA, com as trapalhadas diárias e públicas com que o governo PSD/PP nos brindou durante seis meses é algo que revela bem até que ponto Delgado está disposto a expor-se, diria caninamente, na defesa, diria canina, do seu amigo e ídolo Santana Lopes. O que isto mostra é a facilidade com que se arremessam para a praça pública argumentos desta índole, um sintoma da mentalidade que tomou conta de um partido que, outrora, sabia ser sério. Agora nem fingir conseguem.

Publicado por nunosousa em sexta-feira 04 fevereiro 00:54 | Comentários (16)

O “guerreiro-menino” saiu de lá com um olho negro.

Santana Lopes precisava desesperadamente de ganhar este debate. Com a campanha a perder gás e os generais do PSD a afastarem-se dele como se de um leproso se tratasse, Lopes não tinha outra oportunidade para marcar pontos contra Sócrates. Falhou.
Os primeiros 15 minutos deram-nos um Sócrates em ataque continuado capitalizando com muita eficácia a campanha de boatos e insinuações fomentada pelo campo adversário. O uso insistente de expressões como “campanha negra” e a censura a Lopes por se desviar de uma tradição de fair play do PSD surtiram pleno efeito. Só é pena não ter recordado que num dos raros cartazes em que o PSD tentava passar uma mensagem positiva (o dos primeiros-ministros do partido), Cavaco Silva fez questão de se colocar ao largo.
No rescaldo em curso, e nas próximas horas, estou certo de que não faltarão comentadores a dizer que o debate não foi esclarecedor, que não se debateram os programas dos partidos, etc. Em parte, isto é uma falsa questão. É claro que 1h 30m é muito pouco para esclarecer a opinião pública. Não se discutiram temas tão relevantes quanto a educação, a saúde, as medidas de combate à fraude e evasão fiscal, a integração europeia, a política externa. Teria sido bom haver mais dois debates entre os candidatos a primeiro-ministro, tal como houve três na América com Bush e Kerry (todos eles de muito bom nível). O problema é que nós em Portugal vivemos num sistema parlamentar multipartidário. Não escolhemos apenas o primeiro-ministro, mas também os partidos e os seus programas. Seria complicado (embora não impossível) organizar três debates entre o PS e o PSD e depois mais não sei quantos com os pequenos partidos. Tudo somado, penso que foi pena Sócrates não se ter disponibilizado para esse efeito. É claro que não ganhava nada, mas o esclarecimento do público é um valor supremo em democracia.
No entanto, dentro do figurino definido, o debate permitiu perceber algumas coisas. Os contrastes entre os programas dos dois partidos não são assim tão pronunciados. O problema do PSD, aliás, nem sequer está aí. Das sínteses que já pude ler do programa elaborado por António Mexia, até haveria medidas que poderia subscrever. O problema está em Santana Lopes. Na sua completa incapacidade em se concentrar, na sua propensão para a demagogia e o facilitismo, na sua confrangedora falta de cultura, em suma, na sua completa impreparação para o exercício das funções de primeiro-ministro. Os seus 4 meses de governação já nos deram um vislumbre mais do que suficiente, mas o homem ainda se consegue esmerar nesta campanha com as suas promessas de redução do imposto automóvel e de realização de referendos sobre a fertilização in vitro, a clonagem humana ou a eutanásia. É obra!
Como apoiante de Sócrates, sou naturalmente suspeito para avaliar o seu desempenho. Julgo que esteve bem ao insistir na necessidade de se julgarem estes três anos de governação de direita, bem como nos erros que apontou em matéria de opções económicas e política financeira. Foi hábil a lidar com o tema da co-inceneração e razoavelmente sóbrio em matéria de perspectivas de recuperação económica. Na segunda parte poderia talvez ter mudado o ar rígido e severo que adoptou na primeira – mas eu diria que para “político de plástico”, Sócrates não esteve nada mal, não senhor.

Publicado por pedrooliveira em sexta-feira 04 fevereiro 00:18 | Comentários (12)

fevereiro 03, 2005

Vôzinho, vais p'ró jardim ou p'ró estágio na siderurgia nacional?

Quando Sócrates fala das prestações extra para extinguir a pobreza na terceira idade, Santana replica com estágios profissionais.

Publicado por nunosousa em quinta-feira 03 fevereiro 21:30 | Comentários (12)

Lesão

Bem, o servidor interno da weblog começou a dar erro por excesso de tentativas de acesso. Rui Tavares lesionou-se na primeira parte do jogo e entra agora em convalescença com uma fractura no perónio, um ruptura no ligamento anterior cruzado e a doença da língua azul. É pena, tão jovem...

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 21:21 | Comentários (2)

Terceira pergunta - Sócrates

Sócrates parece ter aprendido alguma coisa com Durão Barroso e contorna a pergunta sobre impostos falando sobre o aumento de impostos do governo anterior.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:58

E entram os pesos pesados

Sócrates ataca Satana com Durão. Santana ataca Sócrates com Guterres.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:48

Terceira pergunta - impostos

... para grande pesar das televisões e dos seus shares, o debate vai agora focar o tema dos impostos.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:48

Segunda pergunta - Sócrates

Pela primeira vez, quebram-se as regras do debate e volta-se à velha e boa forma portuguesa. Estabelece-se o diálogo e Santana interrompe Sócrates, dizendo que acha que os seus cartazes poltergeist são bons cartazes. Sócrates reage com uma série de ganchos fortíssimos.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:45

Segunda pergunta

Atenção! A palavra h-o-m-o-s-s-e-x-u-a-l foi pronunciada. Ponto para Sócrates, por não ter sido ele.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:36

Réplicas

Santana insiste em chamar os homossexuais para ganhar este debate a Sócrates. Sócrates é muito liberal! Escândalo!

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:36

Réplicas

... os jogadores juntam-se à volta dos árbitros afirmando-se caluniados. Santana queixa-se de ter sofrido insinuações de incompetência. É mentira! Não foram insinuações...

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:32

Primeira pergunta - Sócrates

... e chuta para canto! "A pergunta não me deve ser dirigida a mim". A manobra "só sei que nada sei", seu habilidoso...

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:32

Primeira pergunta - Santana

... e chuta também para canto! A culpa do nível de debate não é sua, mas das televisões e do facto de Sócrates não ter feito mais debates.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:32

0 minutos

... e o debate começa. Infelizmente, o modelo português de debate foi abandonado por um formato civilizado. A tradição já não é o que era. Mas Sócrates e Santana já jogaram um campeonato inteiro na RTP chutando permanentemente para canto. O hábito não está esquecido.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:32 | Comentários (2)

Coelhos e cartolas

Luís Osório diz que Santana Lopes vai ter de tirar "um coelho da cartola". Sócrates já tem um cartola chamado Coelho. Ponto para Sócrates e o debate ainda não começou.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:26

Um confúcio, este homem!

...entretanto, Carlos Magno debita as suas previsões sobre o debate. Diz que ele vai ter "algo que eu não consigo definir" e que "não sabe se eles vão ter confiança naquilo que interessa ter confiança". Finalmente, acrescenta que "o ataque e a defesa não são aquilo que as pessoas esperam que seja".

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:25 | Comentários (2)

Aquecimento

...e apertam a mão! Ao contrário dos debates presidenciais nos EUA estas situações não foram previstas por acordo entre os partidos. Algum dos debatentes poderia, por exemplo, ter levado um daqueles dispositivos que dão choques eléctricos na palma da mão. Era uma boa ideia, mas agora é tarde...

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:19

Os deuses do estúdio

Está tudo a postos para o grande encontro de hoje à noite. À esquerda, José Sócrates. Como sabe qualquer estudante do secundário, a estratégia de Sócrates é a maiêutica. O seu drible mais conhecido é fazer-se de parvo ("só sei que nada sei"). À direita, Pedro Santana Lopes, 70 quilos mais um de gel e uma pulseira efeminada (oh-oh) no pulso. A sua estratégia é "o que é estratégia"?

As condições técnicas desta transimissão não são as melhores, pois o servidor interno da weblog tem dado problemas. Veremos. Vamos aonde o coração nos leva.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 03 fevereiro 20:19

CDS/Pela Positiva

Nobre Guedes apela a levantamento popular para impedir entrada de Sócrates em Coimbra

Ontem à noite, em entrevista a Judite de Sousa, Paulo Portas defendeu uma campanha pela positiva. Disse que o país não o veria a lavar roupa suja com o líder do PSD. Interrogado sobre as querelas e picardias que vão acontecendo entre membros dos dois partidos, e que são impossíveis de disfarçar (Narana Coissoró e Luís Filipe Menezes, Pires de Lima e Morais Sarmento, por exemplo), respondeu que se tratavam de questões locais e que o que interessava era o país. Disse ainda que não comentava a campanha dos outros. Será portanto difícil ouvir-lhe da boca uma só palavra sobre estas declarações de Nobre Guedes, dado que não é assunto da sua campanha. Ainda por cima, e embora se trate de um ministro CDS/PP, é coisa lá das bandas de Coimbra.

E que coisa! Apelar a um levantamento popular é facto extraordinário. Ouvir um ministro apelar a um levantamento popular é ainda mais extraordinário. Fazê-lo um dia depois do líder do seu partido defender a contenção verbal na campanha é mesmo notável. Que o peça para o concelho de Coimbra, onde o PS, há três anos, no rescaldo da questão da co-incineração, teve 43,92% dos votos contra 35,08% do PSD e 6,33% do CDS, chega a ser incrível.

Se o que vem do lado do partido do "choque de valores" é isto, eu não quero imaginar o que sairá da boca de Santana Lopes daqui a pouco. A desorientação é um espectáculo triste de se ver.

Publicado por nunosousa em quinta-feira 03 fevereiro 20:15 | Comentários (2)

Péssimo ambiente


Luís Nobre Guedes apelou hoje a um levantamento popular em Coimbra que impeça a entrada na cidade de José Sócrates. Depois do encosto à boatagem de Santana Lopes este é mais um tiro no pé da direita que empurra o PS para a solução mais fácil: a vitimização. Quem, quando a situação, é de saber se há ou não há maioria absoluta, poderá criticá-los? Para além do ridículo de um apelo à maioria ruidosa que lembra os tempos do Mestre de Avis em negativo, este é um furo no porta-aviões de Portas que tão bem tem sido conduzido do ponto de vista da demarcação da trapalhada sistemática.

Publicado por celsomartins em quinta-feira 03 fevereiro 19:52 | Comentários (1)

Madiba´s Words

Nelson Mandela, hoje, em Trafalgar Square (Londres), e um dia antes do encontro G-7 no Reino Unido:

“…While poverty persists, there is no true freedom.
The steps that are needed from the developed nations are clear. The first is ensuring trade justice.
I have said before that trade justice is a truly meaningful way for the developed countries to show commitment to bringing about an end to global poverty.
The second is an end to the debt crisis for the poorest countries. The third is to deliver much more aid and make sure it is of the highest quality….”

Global Action Against Poverty

Pérolas da campanha

"Na minha vida, nunca fui um bota-abaixo".

Paulo Portas, ex-director do Independente, em entrevista a Judite de Sousa, na RTP-1, ontem.

Publicado por pedrooliveira em quinta-feira 03 fevereiro 15:51 | Comentários (4)

Indigno

A possibilidade de Pedro Santana Lopes regressar à Câmara de Lisboa para cumprir o que lhe resta do mandato é um insulto aos lisboetas e a Carmona Rodrigues. Quem não se respeita a si próprio, dificilmente poderá respeitar quem quer que seja. Uma indignidade.

Publicado por pedrooliveira em quinta-feira 03 fevereiro 15:47 | Comentários (11)

O dilema resolvido

O desconforto instalou-se nas fileiras do PSD. O espectáculo indigno oferecido por Santana Lopes nesta pré-campanha envergonha qualquer militante bem-formado do partido de Sá Carneiro e Cavaco Silva.
O embaraço destas pessoas é compreensível. Por um lado, desejam ardentemente que a carreira política de Santana Lopes termine na noite de 20 de Fevereiro - e todos nós sabemos que isso só acontecerá se a derrota for estrondosa, (digamos, abaixo dos 30 por cento). Por outro lado, uma derrota demasiado expressiva pode significar a maioria absoluta do PS e, se as coisas correrem bem ao engenheiro Sócrates, um longo jejum em termos de exercício do poder.
Se isto é duro para todos os partidos, para o PSD é-o ainda mais, por razões que têm muito a ver com a composição social dos seus militantes e quadros e a sua aversão ao debate e confronto ideológico.
Se este dilema é complicado para os militantes anónimos, imagino o que seja para os “notáveis”. O mais destacado destes é, sem dúvida, José Pacheco Pereira. Colunista num diário e num semanário, colaborador num programa da SIC-Notícias, e autor do segundo blogue político mais lido em Portugal, Pacheco Pereira não se pode remeter ao silêncio como outras figuras do PSD hostis ao santanismo. Aqui há umas semanas, JPP anunciou que iria votar em Santana Lopes para primeiro-ministro, por acreditar acima de tudo no “projecto político do PSD” (cito de cor). Apesar das coisas extraordinariamente violentas que escreveu acerca de Santana, a posição de Pacheco tem de ser respeitada. A militância partidária implica um certo grau de disciplina e obediência.
No entanto, os eventos dos últimos dias parecem ter provocado um sobressalto em JPP e muitos outros militantes laranja. O desvario de Santana Lopes é de tal forma inquietante que a simples perspectiva do homem se agarrar ao poder depois do dia 20 com base num resultado “honroso” deve tirar o sono a muito boa gente.
Ora, eu tenho uma sugestão para os militantes do PSD. Boicotem Pedro Santana Lopes em Lisboa. Se estão recenseados no distrito de Lisboa, não participem em acções de campanha e no dia 20 votem em branco. Se puderem, apoiem os vossos candidatos noutros distritos, pelo menos aqueles que vos ofereçam garantias de seriedade e dignidade política. Aliás, algumas figuras não-alinhadas com Santana já o começaram a fazer, como António Borges no Porto.
Eu não tenho os números bem presentes comigo, mas suponho que o PSD deverá ter elegido uns 20 ou 30 deputados por Lisboa em 2002. Se conhecer uma hecatombe na capital, o caso será grave mas não desesperado. Bons resultados noutros distritos ajudariam a limitar os danos. A derrota do PSD seria interpretada como uma derrota pessoal de Santana Lopes, facilitando assim a emergência de uma alternativa à sua liderança.
Em suma, mais grave do que perder umas eleições é perder a alma. Não deixem que isso aconteça ao vosso partido.

Publicado por pedrooliveira em quinta-feira 03 fevereiro 02:29 | Comentários (29)

A fome de votar

Fui contra a guerra do Iraque. Estive na manifestação que juntou 15.000 pessoas contra essa chacina. “Foi pouca gente”, dirão os cínicos de serviço. Bem, sempre são 15.000 a mais do que aqueles que estiveram na manifestação contra a decisão de Sampaio de dissolver o Parlamento, por exemplo. Posto isto, quando a guerra acabar desejarei ver os destinos do país entregues finalmente ao seu povo. Congratular-me-ei com isso. Por ora apenas considero que as recentes eleições podem não ter sido a limpeza que alguns desejam fazer crer.

Primeiro anunciou-se uma taxa de participação a rondar os 72%. Pouco depois desceu-se para 60%. O Daniel já mostrou aqui que podem ser bem menos que isso.
Havia mais de 7.000 candidatos, sendo que a esmagadora maioria preferiu manter o anonimato por razões de segurança. Como votar em consciência se nem se sabe em quem votar?
Algo tão simples como a localização das mesas de voto era, a poucos dias da eleição, matéria desconhecida das populações. Num cenário de violência, como o que se vive presentemente, esta questão não é desprezível.
Nas zonas sunitas a participação terá sido irrelevante, pelo que a subrepresentação da facção sunita no futuro governo do Iraque é um dado adquirido. Que consequências acarretará esse facto para a vida de um Iraque democrático?
Finalmente, mas não menos importante, há muitíssimos relatos de iraquianos que garantem ter sido coagidos a votar mediante uma chantagem que, no mínimo, apelido de desumana. Para levantar as suas rações de comida foram obrigados a assinar uma declaração onde assumiam que já tinham tratado do seu recenseamento eleitoral. A mensagem era simples e directa: se depois virmos que não votaste cortamos-te a ração. Depois do Oil-for-Food, um novo programa de cooperação internacional abraçou por alguns dias o povo iraquiano, o Vote-for-Food. É uma bonita maneira de vender uma eleição a um povo e ao mundo.

Por fim, da ordem do assombro, quase do milagre, haver tanto democrata a quem isto não suscite a mais pequena reserva.

Publicado por nunosousa em quinta-feira 03 fevereiro 00:47 | Comentários (14)

fevereiro 02, 2005

Nunca é tarde para começar

Luís Delgado há pouco na SIC Notícias, não literalmente mas quase: "Só se puxar muito pela cabeça é que consigo ver insinuações nas declarações de Santana"

Publicado por nunosousa em quarta-feira 02 fevereiro 22:29 | Comentários (11)

Mini-divagação

A esta hora deve estar a começar o lançamento do último livro do Pedro Mexia, na FNAC do Colombo. Como não posso ir – e para acicatar daqui os ânimos sempre vigilantes da direita contra os seus "desleais orgânicos" – aproveito para lhe mandar um abraço de parabéns.

Eu praticamente não conheço a poesia do Pedro Mexia, mas há uma expressão dele nos blogues que eu prezo como se fosse a mais alta lírica. É até um pouco tonto, mas cá vai: "o deus dos recibos verdes". Diz-me respeito, é potente e levemente enigmática. Dia sim, dia não, lembro-me dela. Daqui a um século os historiadores não vão fazer a menor ideia do que está ele a falar. Perceberão a ironia? Quando o português for uma língua morta, haverá discussões para saber como traduzir esta frase encontrada em discos rígidos aqui e acolá. O que é recibo? Que diriam eles se soubessem que, na verdade, o verde dos recibos não é literal – mas também não é metafórico? Imaginarão que falamos de um deus carrancudo e vingativo, um Javé disposto a fulminarmo-nos se não o saciarmos? Se o imaginarem, acertaram.

Bem, o que eu quero dizer, emaranhando, é que o Deus dos Recibos Verdes exige que eu não cuide do Barnabé como devia. E que isso tem prejudicado a minha função mais nobre aqui – a de passador de droga. Por isso já tenho clientes que reclamam a sua dose diária de São Bordalo – e eu não os posso atender já. Agora e nos próximos dias tenho a minha vida temporizada e só em nichos de vinte minutos venho ao Barnabé. Esperem mais duas horitas.

E nos dois minutos que me restam aproveito para saudar os companheiros viciados no São Bordalo e reenviá-los (a eles e a todos os leitores do Barnabé) para este magnífico passa-tempo do Tchernignobyl no BdE. Está também muito bem apanhado e, o que há de ser pior para todos, provavelmente com muita verdade.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 18:35 | Comentários (1)

Fala o homem a dias

"Tirando um posto de contínuo na ONU, a biografia do prof. Freitas é uma sucessão de contorções vulgares". Alberto Gonçalves, no Correio da Manhã [citação DN]

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 17:38 | Comentários (3)

Ainda o chachachá MEC-Louçã

Bem, eu também gostava de dizer qualquer coisa acerca do “consensual chachachá dos anos 50” dançado por MEC e Francisco Louça.
A primeira é louvar a Sábado pela carta branca ao MEC para a realização destas entrevistas (não obstante o editorial desta semana, que é um insulto à inteligência dos leitores) A entrevista revela bem a diferença (para melhor) que há entre um entrevistador diletante mas culto como o MEC e a generalidade dos jornalistas de política nacional dos nossos jornais e revistas. Esteves Cardoso nunca conseguiu verdadeiramente “entalar” Louçã (essa, de resto, não era a sua intenção), mas colocou-lhe questões que mais ninguém lhe coloca e a seguir ainda se vinga num notável artigo sobre o entrevistado (“O Senhor Senso Comum”, acompanhado de caricatura de André Carrilho). Ou seja, estamos diante de um dos raros textos que vale a pena recortar para daqui a uns anos recordarmos esta campanha eleitoral (o outro documento imprescindível é o livro O Fenómeno, dos cartoonistas António e Cid).
Louçã responde quase sempre bem – e, como nota o MEC, qualquer pessoa humanista poderia subscrever muito do que ele propõe em termos de reformas concretas para a saúde, a fiscalidade, etc. -, mas a certa altura profere esta espantosa declaração: “(…) nós normalmente não participamos em viagens e nas delegações [parlamentares] enviadas ao estrangeiro. Não por preconceito institucional, mas por ser uma pura perda de tempo. Essas viagens devem fazer-se, o Presidente da República deve viajar e deve ter contactos. Agora, os grandes séquitos do Estado são pessoas que vão de cocktail em jantar e não têm nenhum contacto político razoável. Nós não fazemos parte disso”.
Acho isto espantoso. O Bloco de Esquerda entende que as deslocações dos seus deputados ao estrangeiro são inúteis. Então, pergunto eu, como é que podem tomar contacto com as realidades políticas e sociais de outros países, com experiências económicas diferentes, com as dinâmicas culturais alheias? É pela Internet? Pela TV por cabo? Fazem-no apenas durante as férias? Poderíamos pensar que esta atitude é um reflexo de um certo paroquialismo, ou de uma mentalidade chauvinista. Mas não creio que seja assim. Louça e a maior parte dos dirigentes do Bloco que tenho o prazer de conhecer são pessoas cosmopolitas e viajadas. Aliás, eles dizem-se sempre “internacionalistas”. Não, o que esta atitude revela é, uma vez mais, o puritanismo moral do Bloco. É o não quererem misturar-se, no avião, nos hotéis e em jantares, com os deputados “do sistema”. Como se isso de alguma forma pudesse amolecer a sua postura moral…

Publicado por pedrooliveira em quarta-feira 02 fevereiro 17:33 | Comentários (18)

Começa a mudança

Público: "CDS monta tenda para debates".

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 17:20 | Comentários (5)

A minha vida, chamemos-lhe assim, "privada"

"Eu nunca entrei por aí porque sempre odiei que me excluíssem por causa da minha vida privada" – Pedro Santana Lopes.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 17:15 | Comentários (2)

Antes o "homem de Neanderthal", de Neanderthal mesmo

Público: «PCP defende ensino capaz de formar o "homem total" de Marx».

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 17:10 | Comentários (5)

Manuel, Joaquim, José. Ganhei?

Público: CDU de Viseu oferece "um chocolate em troca do nome de três deputados".

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 17:08 | Comentários (2)

Olhe, era para ficar o mais longe possível de Manuel Monteiro, sff

Para além do vizinho luxemburguês intelectual, tenho uma vizinha turca com duas filhas e uma vizinha alemã, o que torna o meu andar todo estrangeiro. Tenho vizinhos corsos barulhentos e no rés-do-chão mora uma família portuguesa (é a família da porteira e do seu marido pedreiro, porque a sociologia portuguesa em Paris é uma ciência quase exacta) com os seus filhos franceses-portugueses, um deles um pouco mais ruidoso do que a outra. Desde ontem, conheci a vizinha espanhola do andar de baixo que está a sofrer as consequências da inundação provocada pelos canos dos vizinhos de cima, isto é, do meu apartamento. Já sabia que ela ouvia muito Caetano Veloso, fiquei agora a saber que fala português e viveu um ano em Lisboa. Enfim, nem vos falei do canalizador romeno que cá veio hoje, um cool do caraças, mas isto é para dizer que vivo rodeado de estrangeiros, que os estrangeiros me dão boa vizinhança, que eu próprio sou estrangeiro ou semi, tal como a minha mulher e a minha filha, e que um dos meus objectivos na vida é estar o mais longe possível de Manuel Monteiro (e de Paulo Portas, já agora).

Ontem, na RTP, Manuel Monteiro teve um bonito lapso: "Portugal devia criar a Comunidade Económica dos Países Portugueses... a.. aaa... dos Países de Expressão Portuguesa".

Publicado por andrebelo em quarta-feira 02 fevereiro 16:29 | Comentários (1)

Questões esotéricas

Santana diz-se ofendido com as acusações que lhe fazem de ter proferido insinuações sobre Sócrates. Ora tem-se dito tudo de Santana, têm-lhe chamado quanto há de mau: incompetente, egocêntrico, incompetente, mitómano, incompetente, megalómano e, imagine-se, até incompetente. Ofende-se ele com isso? Não. Ofende-se antes com algo do foro da vidinha, do tacanho diz que disse da boataria, da miseriazinha de corte e costura em que, definitivamente, é onde se sente bem e se enreda com à vontade. Ainda por cima, neste triste exemplo, há só alguns milhões de testemunhas que o ouviram emitir perfeitamente as palavras em causa.

Mas terá Santana definido esta estratégia sozinho? Obviamente que não. Não quero aqui acusar de cumplicidade neste processo o partido de coligação, o tal do choque de valores. Esses, claramente, estão tão concentrados em explicar aos eleitores (do PS, claro) a utilidade de um voto CDS que nem deram por nada. Se o partido de coligação desce ao mais baixo nível que alguma vez se viu numa luta eleitoral em Portugal não é nada com eles. Pois se eles são pelos valores.

Mas atente-se na entrevista que José Luís Arnaut deu ao Expresso de dia 18 de Dezembro de 2004, conduzida por Ângela Silva e Sofia Raínho, e algumas dúvidas se dissipam. Na página 5 do caderno principal:

P: Não vê qualidades em José Sócrates?

R: ...Eu até gostava de o ver a discutir questões mais esotéricas como o casamento dos homossexuais: eu sou contra; o engenheiro Sócrates é contra ou a favor?

Assim mesmo, vindo do nada, a total despropósito. Torna-se pois nítido que havia desde o início, bem firme dentro do PSD, a intenção de trazer à liça "questões esotéricas". Era uma estratégia. E é bom de ver que Arnaut não é um dos homens de mão de Santana, já lá estava antes, com Durão. Que as questões que ele gostaria de ver discutidas sejam esotéricas até é discutível, mas que um partido com responsabilidades de governo (ou outro) queira centrar o debate eleitoral nelas é que já não é nada despiciendo. É antes sintomático de uma total ausência de seriedade e, curiosamente, de valores.

O mal deste governo não é (só) o karma santanista, e não deve ser julgado nas urnas apenas pelos últimos seis meses. São três anos inteiros de falhanços acumulados que os portugueses não podem esquecer. Mas isso são outros quinhentos a que voltaremos mais tarde.

Publicado por nunosousa em quarta-feira 02 fevereiro 03:26 | Comentários (17)

Meta aspiracional

Em mais outra “pérola da campanha”, António Mexia disse que as propostas económicas do PSD não são promessas - são "metas aspiracionais". Santana Lopes gostou tanto da novidade que resolveu destacar a sua "meta aspiracional" em todos os comícios.

[Pedro Sales]

Publicado por ruitavares em quarta-feira 02 fevereiro 01:56 | Comentários (5)

fevereiro 01, 2005

A política que não ousa dizer o seu nome

Não pude ver toda a entrevista de Sócrates à RTP1. Do que vi, gostei. Apanhei um pouco da parte mais difícil – a relativa aos agora famosos inuendos – e com a qual Sócrates lidou de forma muito capaz, tendo em conta que ao visado por boatos é sempre difícil reagir sem os amplificar. Fez o que tinha a fazer.

Infelizmente, é capaz de não chegar para conter esta situação puramente absurda. Pouco depois, na SIC notícias, um político do PS (Silva Pereira) debatia com outro do PSD (Guilherme Silva), moderados por Mário Crespo. Um querendo muito falar de uma coisa de que na verdade não podia falar, outro dizendo que não percebia do que é que o primeiro queria falar e Mário Crespo tentando esclarecer sem ter coragem de esclarecer. A seguir, passa um directo de um comício de Santana, com uma jornalista que tenta dizer que Santana disse uma coisa que é capaz de ter a ver com outra coisa que tinha dito no fim-de-semana. Finalmente, em estúdio, dois comentadores da imprensa escrita – Eduardo Dâmaso e António José Teixeira – tentaram falar do tema com um pouco (apenas um pouco) mais de clareza, sendo que o segundo foi o que mais conseguiu evitar tratar-nos como adolescentes. Para finalizar, agora já temos sociólogos e filósofos da comunicação a falar sobre boatos, genericamente como sempre, bem entendido. Culpados, só os blogues, imagine-se.

Em todo este absurdo, não sei o que testemunha melhor das deficiências culturais do nosso ambiente – se o caso em si, se a dificuldade em lidar com ele, se o facto de haver gente que pretende tratar a homossexualidade como se se tratasse de um vício ou um crime. Em primeiro lugar, porque não se trata propriamente de um inocente "boato", daqueles que são filhos de pai incógnito. Aquilo de que estamos a falar aqui é de difamação, e bem coordenada. Quando alguém consegue que um jornal estadual brasileiro publique uma notícia sobre um pretenso estilo de vida "homossexual" de Sócrates e de um actor, é porque está interessado em tirar dividendos disso em Portugal – porque nenhum jornal brasileiro (catarinense, ainda por cima) publicaria tal texto pelo seu interesse local. Essa notícia serviu exclusivamente para poder ser republicada em Portugal (n'O Crime) sem medo de um processo.

Não sabemos quem lançou a difamação? Pois não. Mas sabemos quem se beneficiou dela, e de forma articulada e consistente. Pouca gente reparou que na própria noite da apresentação do programa do PSD Santana Lopes mostrou uma vontade, bastante extemporânea, de propôr um referendo sobre o casamento homossexual. Depois a JSD lançou o seu cartaz em que Sócrates aparece com cara de serial killer, com a legenda "Sabe mesmo quem é?". Finalmente, o PSD rematou com o cartaz, "Este, sabe quem é!".

Se a coisa tivesse ficado por aqui, talvez o PSD tivesse escapado. Mas Santana Lopes é como aqueles criminosos burros que se esquecem da pá no lugar do crime: teve medo de que ninguém tivesse ainda apanhado as insinuações e resolveu repeti-las de forma um pouco mais grosseira. Entalou-se.


Os blogues, meus amigos? Os blogues têm as costas largas, mas apontá-los como fontes dos boatos é a mesma coisa que dizer que "as pessoas" divulgaram os boatos. Os cartazes não são blogues, o jornal "O Crime" não é um blogue e um blogue não foi certamente aquele comício das "mulheres de Braga". "Blogues" são apenas desculpas, estas coisas que se passam lá nas internetes. Em tudo isto, durante quanto mais tempo os comentadores se comportarem como garotos numa aula de educação sexual e não conseguirem dizer algo tão simples como – "existe uma estratégia eleitoral que pretende ganhar votos caracterizando José Sócrates como homossexual, o que é triplamente nocivo para a nossa política, para Sócrates e para os homossexuais, que continuam a ser estigmatizados através deste oportunismo", – por mais um pouquinho adiaremos nós a modernização deste país. E estaremos, de caminho, a beneficiar o infractor.

Publicado por ruitavares em terça-feira 01 fevereiro 23:02 | Comentários (19)

IRAQUE: ALGUMAS NOTAS

Eleições Iraquianas por Michael Ignatieff


Embora já se tenham passado alguns dias, ainda vale a pena ler:

Iraqis fight a lonely battle for democracy


Não te Metas Mais Onde Não És Chamado!

O American Enterprise Institute, um dos mais conhecidos think tanks neoconservadores de Washington e um dos pilares “ideológicos” da era Bush realizou um pequeno debate sobre as eleições iraquianas antes de elas tomarem lugar. Danielle Pletka, uma investigadora sobre o Médio Oriente, Sul da Ásia, terrorismo e proliferação bélica, deixou o seguinte recado:

“On the issue of interference--I should have talked a little bit more about this before, and my colleagues touched on this. One of the places where it's going to be very tempting for us to play in the Iraqi political game is on the question of the constitution--do we have a desired outcome. The United States has been fairly aggressive over the last year and a half in talking about the shape that we see for an Iraqi constitution. I think we've been instrumental in having some of our younger Americans drafting that constitution. That is not a perfect idea. In fact, this is an Iraqi process, and if we are seen as trying to tip the balance one way or another for a distribution of, for example, oil assets or on the question of autonomy or on the question of how the country is divided into states or districts, or indeed, even on the role of Islam--something that we were quite forceful about in Afghanistan--we will be making a very big mistake. We should be staying out of this process as much as possible and observing, merely emphasizing the integrity.”

Afinal Quem É Que Anda A Brincar Com O Dinheiro Dos Iraquianos?

Depois de uma comissão independente liderada por Paul Volcker ter concluído que houve por parte das Nações Unidas um controlo deficiente que levou a perdas de milhões de dólares na gestão do programa “Petróleo por Alimentos” destinado ao Iraque, chega a vez da Autoridade Provisória da Coligação (conhecida na sua sigla em inglês por CPA- Coalition Provisional Authority) então liderada por Paul Bremer ser também posta em xeque. Num relatório divulgado esta semana pelo Inspector-Geral Especial dos Estados Unidos para a Reconstrução do Iraque, a CPA é acusada de não ter assegurado que cerca de 8.8 mil milhões de dólares provenientes da venda de petróleo fossem adequadamente utilizados após a sua distribuiçaõ por vários ministérios iraquianos. Diz o relatório (30.01.2005, embora no site apareça 2004) nas suas conclusões:

“The CPA provided less than adequate controls for approximately $8.8bn in DFI (Development Fund for Iraq) funds provided to Iraqi ministries through the national budget process. Specifically, the CPA did not establish or implement sufficient managerial, financial, and contractual controls to ensure DFI funds were used in a transparent manner. Consequently, there were no assurances the funds were used for the purposes mandated by Resolution 1483.”

A Resolução 1483 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (Maio de 2003) autorizou as forças de ocupação a gastar o DFI sob a condição de o fazer de forma transparente e de acordo com os interesses da população iraquiana.

P.S: Independentemente das nossas posições sobre o Iraque, é preciso dizer que nisto da fiscalização das contas os americanos merecem ser elogiados. Stuart Bowen, o Inspector, já foi advogado do Presidente Bush.

A alavanca do voto

Sempre que ouço gente a minimizar a importância do voto penso nos meus pais. Eles chegaram aos 43 e 45 anos sem poder votar em liberdade e, desde então, faça chuva ou faça sol, vindos de longe ou de perto, nunca falharam uma eleição. O voto custou muito a conquistar, e quando às vezes vejo pseudo-libertários ou pseudo-individualistas a desdenharem do voto pergunto-lhes se não desdenham também de quem lutou para o conquistar.

Desde há uns dias que vejo gente pedir comentários da esquerda às eleições no Iraque como se o facto de lá ter havido eleições fosse uma derrota dos adversários da invasão do Iraque – que foram muito mais do que apenas a esquerda, felizmente. Esquece-se essa gente de que se não fosse toda a pressão dos "pacifistas" desde que se tornou claro que Bush queria uma guerra no Iraque provavelmente não teria havido eleições nenhumas. É um sinal de maioridade da opinião pública à escala mundial o facto de a escalada para a guerra do Iraque ter sido questionada e vigiada como nenhuma outra guerra o foi, sem nunca abrandar a pressão. Desde os pretextos esfarrapados à condução da guerra e ao tratamento dos prisioneiros após os combates e agora às eleições. Se não existissem os "pacifistas" os invasores teriam as mãos completamente livres, porque até Bush, apesar de louco varrido, precisa da opinião pública.

Por outro lado, o que estes defensores da invasão não entendem é que, através destas eleições, as forças ocupantes podem ter de se confrontar com uma oposição institucional legitimada e que não vai ser fácil de reduzir ao fantasma do terrorista. Idealmente, até a oposição armada veria que o voto é uma forma mais efectiva de alavancar a saída dos exércitos americanos do que o conflito. Como defende este artigo da Prospect, uma maioria dos iraquianos já percebeu isto, o que será, a confirmar-se, uma boa notícia para todo o mundo – menos para os neo-conservadores que sonhavam fazer do Iraque um Israel 2.0, uma plataforma para a defesa dos interesses americanos no médio-oriente.

Daí que estas eleições sejam, para mim, uma boa notícia.

Mas falta o resto, que é muito. Mesmo os meus pais já tinham votado antes de 1974; só que nem eles nem ninguém dava a honra de contar por eleições as fraudes do salazarismo, tal como ninguém conta por eleições os setenta anos de "democracia" do Partido Revolucionário Institucional no México (mesmo as eleições em que o PRI é capaz de ter ganho), ou as próprias eleições fictícias que Saddam – ou Hosni Mubarak, esse aliado do "Ocidente" – organizavam.

É por isso que ninguém entre os "pacifistas" pensa diminuir por um segundo sequer a pressão sobre esta ocupação. Também por isso ninguém compra estas eleições como justificação retroactiva para a guerra. Caso contrário, seria a partir de agora muito simples: qualquer potência global ou regional poderia invadir um país sob falsos pretextos, provocando a morte de dezenas de milhar de pessoas, para depois organizar ali "uma democracia". As democracias e os movimentos emancipatórios apoiam-se como sempre foi a melhor forma: dando dinheiro, apoio material, asilo, bolsas de estudo e informação à população; retirando apoio aos ditadores. Se os EUA e o Ocidente (em vez de apoiar as ditaduras em alguns casos, e nos outros a oposição fundamentalista a regimes ditatoriais laicos) se tivessem lembrado disso nestas últimas décadas a transição democrática no Médio Oriente teria podido crescer e consolidar-se, e teria sido mais parecida com as da Europa do Sul, do Leste e da América Latina.

Espero, assustado, que se lembrem disso para o Irão.

Publicado por ruitavares em terça-feira 01 fevereiro 19:26 | Comentários (7)

Por um pouco de grandeza

O diagnóstico feito aqui pelo Professor Medina Carreira é assustador. Não apenas pelo que revela do que tem sido a vida portuguesa nas últimas décadas, mas pelo que anuncia se não formos capazes de inventar os líderes à altura dos acontecimentos. Nos últimos anos a vida política portuguesa tem sido tomada por uma ansiedade do tempo e da punição. Todos querem a todo custo estar nas graças da opinião pública nem que seja por uns dias. Mas a receita é má, como desde os governos de António Guterres se tem verificado e vira-se sempre contra o cozinheiro. Os mesmos que nos facilitam a vida hoje serão os que apedrejaremos amanhã. Só não se percebe – dada a repetição deste mecanismo - que não sejam os próprios a querer inverter esta tendência. Quando teremos uma elite política capaz de enfrentar a impopularidade no curto prazo nem que seja pelo objectivo egoísta de, dez ou vinte anos depois, garantir um lugar na história? Não se trata de clamar por um líder messiânico, mas de exigir, vá lá, um mínimo de estatura, um olhar um pouco acima do dia-a-dia.

Publicado por celsomartins em terça-feira 01 fevereiro 18:53 | Comentários (5)

Uma coisa já ninguém lhes tira: até hoje, nunca ninguém tinha feito tanto pela promoção do vício

Governo aprova criação de zona de jogo na Serra da Estrela

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 01 fevereiro 18:39 | Comentários (3)

A Selva

Em última análise, creio que a “propaganda negra” e as insinuações de Santana Lopes e do PSD acabarão por se voltar contra eles próprios. Alguns militantes do PSD já nem conseguem disfarçar o nojo e calar a revolta (é ver o correio de leitores do Abrupto). Eu, por mim, só espero uma coisa – que o PS não ceda à tentação de retaliar. “Para sobreviver na selva, é preciso lutar de acordo com as leis da selva”, gosta de dizer um educado diplomata inglês. O pior é se acabamos por nos tornar iguais às bestas.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 01 fevereiro 18:19 | Comentários (7)

Um parlamento mais pobre

Nos últimos dias, o Público tem vindo a publicar uma série de reportagens sobre alguns dos deputados que em Março abandonarão a Assembleia da República. Numa coluna ao lado é apresentado um candidato a deputado com fortes probabilidades de ser eleito, ou com a eleição garantida.
É difícil escapar ao sentimento de que o próximo parlamento será qualitativamente mais pobre. Isto aplica-se sobretudo às bancadas do PSD e PS. Vejam-se, por exemplo, os casos hoje referidos no Público: Pedro Roseta (PSD), Helena Roseta e Medeiros Ferreira (PS). Três membros da Constituinte, três backbenchers de luxo sempre que os respectivos partidos optavam por não aproveitar todas as suas capacidades (o que sucedia frequentemente).
Acho muito bem que os grandes partidos se renovem em termos geracionais, mas isso deve ser feito com algum critério. Por ser seu amigo, o caso de Medeiros Ferreira toca-me mais. Toda a gente sabe que há vários anos ele é uma destacada figura do sector mais à esquerda da bancada socialista. Foi-o nos consulados de Guterres, Ferro e agora no de Sócrates. Mas está longe de ser um deputado estereotipado, como se depreende da sua intervenção pública nas questões de defesa, política externa e assuntos europeus (leia-se, por exemplo, o artigo que hoje assina no DN).
Nenhuma destas três pessoas é do género de andar a fazer pela vida nas estruturas partidárias para garantir um lugar condigno nas listas à Assembleia da República. Como no caso do PS a feitura das listas cabe a 70 por cento aos barões locais, restava a quota do secretário-geral. E aqui Sócrates não quis gastar algum do seu capital político para manter estes dois nomes (e outros, como a deputada Sónia Fertuzinhos). O que é uma pena. A diversidade de pontos de vista e sensibilidades sempre foi uma das fontes de riqueza do PS. Até do ponto de vista táctico seria importante manter em São Bento este sector “republicano” (chamemos-lhe assim, à falta de melhor nome). Ao longo destes anos, têm sido eles a impedir que o PCP e o Bloco monopolizem alguns temas caros à agenda da esquerda mais ideológica. Por outro lado, é difícil não experimentar uma certa perplexidade face à continuação de alguns deputados “sociais-cristãos” nas listas socialistas, em relação aos quais ninguém consegue reter uma única intervenção relevante nas últimas legislaturas. Mas, enfim, os desígnios da Providência são de facto misteriosos.

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 01 fevereiro 18:17 | Comentários (2)

A começar pelo do salário mínimo

Paulo Portas quer «choque de valores» para Portugal

Publicado por nunosousa em terça-feira 01 fevereiro 04:20 | Comentários (5)

Davos Woman

Normalmente, nunca presto muita atenção ao Fórum Económico de Davos. Algumas das revistas que costumo folhear, como a TIME ou a Newsweek, trazem sempre números especiais sobre o evento, mas raramente a leitura dessas reportagens me convence de que aquilo é algo mais do que uma talking-shop inconsequente. Ontem, Sharon Stone concentrou todas as atenções. Depois de mais um debate sobre a miséria em África, Sharon pediu a palavra e dirigiu-se ao presidente da Tanzânia, Benjamin Mkapa: “Se não se importa, gostava de lhe oferecer a minha ajuda. Gostava de lhe dar 10 mil dólares para uns mosquiteiros. Haverá mais alguém que se queira juntar a mim?” (ao fim de 5 minutos, tinha reunido 1 milhão de dólares para mosquiteiros). Enquanto via esta cena, pensava: estas estrelas de Hollywood armadas em samaritanas às vezes são um bocado insuportáveis - além de que contribuem para escamotear a discussão dos verdadeiros problemas africanos. Mas depois olhei melhor para a Sharon e reparei que enquanto ela apelava à generosidade da plateia com um ar compungido os seus mamilos estavam rijos. E isso notava-se à brava graças à camisa justa que ela usava. Foi um grande momento de televisão.
Publicado por pedrooliveira em terça-feira 01 fevereiro 00:32 | Comentários (17)

Pérolas da campanha

“Em 5 anos Portugal terá os mais belos parques naturais da Europa”.

Luís Nobre Guedes, na apresentação do programa de governo do CDS, Público, 31 de Janeiro

Publicado por pedrooliveira em terça-feira 01 fevereiro 00:31 | Comentários (8)