maio 31, 2005

O homem ideal

Começo a perceber a popularidade noticiosa do amnésico pianista. Como diria Pacheco Pereira, está tudo lá, basta estar com atenção e ler os sinais: o pianista corresponde a uma espécie de homem ideal para certo imaginário feminino: é jovem, bem parecido, não fala, não se lembra de nada e ainda toca piano.

Publicado por celsomartins em terça-feira 31 maio 14:24 | Comentários (4)

Shame on you

O Ministério da Educação precisa de uma “regeneração do sistema”. Tudo porque os recursos dedicados à Educação “são já hoje suficientes para proporcionarem melhores resultados , não fora um sistema sem eficiência e sem eficácia”. Assim sendo, o que é necessário é um “desafio de gestão ao qual é avessa a tradição cultural da Administração Educativa, que para ele não está preparada ou sequer vocacionada”, mais a mais quando se encontra refém dos “interesses individuais e egoístas, de educadores e professores, de funcionários não docentes, de sindicatos, dos editores, dos conselhos executivos, dos burocratas da Administração Pública”.

- Os formulários estavam errados; havia erros de registos; não houve verificação dos dados; manipulação da base de dados para a inserção de candidaturas fora de prazo e para a eliminação de candidaturas já existentes; saturação dos canais electrónicos; as operações dos sistemas de informática, que deviam ser feitas pelo Ministério, foram entregues à Compta; não houve coordenação entre os vários serviços envolvidos; deficiências de programação.

Conclusões do relatório, apresentado pela ex-ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, sobre o problema com o início do ano lectivo de 2004 .

O que é que ambos os parágrafos têm em comum? O nome de Abílio Morgado. Autor do livro “Educação Mudar é Possível - o que falta? Recursos ou políticas”, de onde foram retiradas as citações, Abílio Morgado foi também o secretário de Estado da Administração Educativa responsável pelo sistema de colocação de professores (e que entregou a sua gestão à Compta), responsável pelo caos no início do ano lectivo de 2004.

Que Abílio Morgado queira escrever um livro, tudo bem. Está no seu direito. Faça-nos é um favor e escreva sobre pecuária, politica de transportes ou mesmo um romance. O que quiser. Não publique é nada que tenha a ver com Educação, muito menos a dizer que tudo aconteceu devido a “falhas inaceitáveis de alguns funcionários públicos de topo [que] penalizaram gravemente o novo modelo do concurso de docentes, desperdiçando todas as condições objectivas para uma concretização sem sobressalto”.

Há limites para a falta de vergonha. E, neste caso, foram ultrapassados em muito. Fica-se apenas sem saber o que é que levou Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa a associarem-se ao lançamento deste livro, caucionando intelectualmente a vergonha sem qualificação que é ver um responsável politico a atacar tudo e todos sem assumir nenhuma responsabilidade pelo sucedido e ainda vir dar lições de moral sobre como é que o Ministério deve ser gerido.

Publicado por pedro sales em terça-feira 31 maio 08:53 | Comentários (21)

O Albarnabista

Suplemento alfarrabístico-jornalístico do BARNABÉ

Ano I – Número 1


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Estreia-se O Albarnabista. É um suplemento do BARNABÉ que pretende trazer ao universo volátil dos blogues o universo volátil da imprensa de antanho. Todas as publicações aqui reproduzidas provêem de arquelogia praticada nos alafarrabistas do país, sótãos familiares e caves húmidas, com natural tendência sobre temáticas políticas e culturais. Falar-se-á apenas de periódicos anteriores ao século XXI. Aceitam-se sugestões através do habitual endereço.

Neste número: A Illustração, revista publicada em Paris entre 1884 e 1892.

Em destaque na imagem: uma “breve” sobre os ataques bombistas dos niilistas russos aos imperadores da Rússia. Na gravura, empregados dos caminhos-de-ferro russos procedem à desobstrução de uma linha onde viajavam os czares. A notícia termina: “Estas repetidas tentativas d’assassinato contra o Imperador teem de tal modo pôsto em sobresalto a Imperatriz de Rusia, que os medicos receiam immenso pela sua vida, e aconselham-na a que passe tres mezes em Veneza. É o que sua Magestade vae agora fazer. Pobre Imperatriz...!”.

De Eça a Zola
“Revista de Portugal e do Brazil”, lê-se logo abaixo do cabeçalho de A Illustração. Mas a verdade é que a publicação dirigida pelo jornalista Mariano Pina foi muito mais europeia do que qualquer outra coisa. Publicada em Paris entre 1884 e 1892, reuniu nas suas páginas a nata das letras portuguesas dos finais do século XIX: Cesário Verde, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e, também, Émile Zola. “A nossa revista só procura um absoluto ecletismo que se ponha ao abrigo das influência de partido”, escrevia Pina numa nota editorial do número 22 (20-11-1888). Esse ecletismo e um sentido progressista estão bem patentes nos cinco números encontrados em Lisboa pel’O Albarnabista.

Inteligentemente ilustrada – a capa é sempre uma “photo gravura” que reproduz um monumento nacional ou estrangeiro (o frontespício do número 22 de Novembro 1888 apresenta “O estado da Torre Eiffel no dia 31 de Outubro de 1888 (178 metros de altura), vendo-se os dois primeiros andares já construídos) –, A Illustração é um luxo em termos de imagem: cenas de actualidades internacionais, reproduções de obras de arte, retratos de intelectuais e artistas. A capa do número 22 de 20 de Novembro de 1889 abre-se a um acontecimento de última hora: a morte do rei D. Luís, mostrando a “Chegada do carro fúnebre à igreja de São Vicente de Fora”. Lá dentro, três aspectos do velório acompanhados da seguinte nota: “Foi Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro o único artista a quem Sua Magestade a Srª D. Maria Pia permitiu que visitasse a câmara ardente de Cascais, e fizesse um croquis do cadáver d’El-Rei o sr. D. Luís I”. Neste mesmo número, um dos vários textos evocativos do monarca salienta a excelência das traduções por ele feitas de algumas peças teatrais de William Shakespeare.

De artigos de opinião a poesia, alguma prosa humorística ou reportagens, A Illustração revela querer estar sempre em cima dos acontecimentos, culturais ou políticos. Uma das prosas mais famosas (infelizmente não encontrada nestes números d’O Albarnabista) é a carta de Eça ao director celebrando o escritor francês Vítor Hugo (a sua mais recente reprodução está em Eça de Queiroz Jornalista, uma antologia de Maria Filomena Mónica publicada em 2003 pela editora Principia).

Mas há algumas preciosidades nos números aqui tratados. No número 8, por exemplo (20-5-1887), um extenso artigo de Luiz de Magalhães sublinha a importância de “Oliveira Martins e ‘A Província’”, periódico português da época. No número 20 de 20 de Outubro de 1887, Pina dedica página e meia de editorial ao cardeal patriarca de Lisboa, contra quem se insurge por este ter proibido os clérigos de participarem nas exéquias do maçon António Augusto de Aguiar. O espírito do progresso e os cuidados higienistas estão por todo lado. Uma “breve” deste mesmo exemplar alerta para o “Envenenamento pelo tabaco”. No número que traz a Torre Eiffel na capa faz-se uma longa reportagem sobre a Exposição Universal de Paris e diz-se que aquela é uma oportunidade única para Portugal mostrar o que vale. Páginas à frente, outra “breve” curiosa: “O Sol como força motriz” – referência à ideia revelada à Nature pelo cientista M. Ericsson, que propõe “um grande motor que recebesse todo o calor dos raios solares” como fonte de energia.

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Mariano Pina
Mariano Pina (1860-1899), a par do seu irmão Augusto (1872-1938), foi personalidade importante no mundo das letras portuguesas. Estreou-se no Diário do Comércio em 1878 e foi correspondente da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro em substituição de Guilherme de Azevedo. Para além de A Illustração, dirigiu ainda os periódicos O Espectro: castigo semanal da política (Paris, 1890) e O Nacional: jornal político, noticioso, absolutamente independente (Lisboa, 1890-91). Já Augusto de Pina, que frequentou a Academia Julien em Paris, foi director artístico do Teatro Nacional e colaborou na Ilustração Portuguesa. Uma colecção completa d’A Illustração, bem como autógrafos de vários colaboradores e referente correspondência, encontra-se guardada na Biblioteca Nacional – uma compra de Dezembro 1987 da Secretaria de Estado da Cultura com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian num leilão da Silva’s Leiloeiros.

FICHA
A Illustração
Director e proprietário: Mariano Pina
Local e data de publicação: Paris, 1884-1892
Na colecção d'O Albarnabista:
Nº 8 – 4º ano – volume IV, 20 de Abril de 1887
Nº 20 – 4º ano – volume IV, 20 de Outubro de 1887
Nº 22 – 5º ano – volume V, 20 de Novembro de 1888
Nº 1 – 6º ano – volume VI , 5 de Janeiro de 1889
Nº 22 – 6º ano – volume VI , 20 de Novembro de 1889

Publicado por joaomacdonald em terça-feira 31 maio 05:08 | Comentários (12)

maio 30, 2005

Manual de um blogueiro desatento

O Terras do Nunca chama a atenção, com um título um pouco excessivo, para um post que aqui escrevi criticando a nomeação de Nuno Cardoso para as Águas de Portugal e a consequente indemnização milionária dos seus ex-administradores. Não fui o único a fazer essa associação, mas devia ter tomado conhecimento do desmentido do governo. O erro é meu e assumo-o, apesar de me parecer que o Terras do Nunca é demasiado rápido a tirar conclusões sobre as motivações do meu erro. De facto, o governo desmentiu a notícia do Expresso e diz que não vai indemnizar os tais gestores. Até prova em contrário, o que publiquei estava incorrecto nesse ponto. Está feita a correcção.

Sobre o Nuno Cardoso mantenho tudo o que disse.

p.s: o título do post do Terras do Nunca levanta uma questão interessante. O que é que é caracteriza um blogueiro políticamente activo? Ou, colocando a questão ao contrário, quem é que, escrevendo num blogue que centra a sua atenção preferencialmente na política e na agenda que a domina, não é um "blogueiro politicamente activo"? As "agendas", já se sabe, são como os chapéus. Há muitas.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 30 maio 22:52 | Comentários (4)

A democracia tem realmente muito que se lhe diga

O Pedro Sales e o Rui Tavares nao gostaram de um texto que eu escrevi. Nada tenho a objectar. Resolveram adoptar uma pose de defensores da democracia, o que jà me parece um bocadinho exagerado... para nao dizer arrogante, com a ironia adicional de me acusarem a moi do dito pecado!

Democracia querer dizer respeitar a maioria e a minoria, respeitar os que votaram OUI e os que votaram NON. Ou serà que o Rui e o Pedro defendem que quando a direita ganha as legislativas, temos todos de passar a ser de direita? Aceitar um resultado é diferente de o aceitar acriticamente. Democracia quer dizer sobretudo respeitar a diversidade de opinioes, antes, durante e depois do voto. Maiorias também o Hitler e o Mussolini tiveram, referendos até Salazar os fez, faltou foi o resto.

Dei o meu merci democraticamente a quem ganhou (pelo contributo que deram para um grande avanço no meu doutoramento). Parece que ao Le Pen e ao Villiers é proibido. Mas o objectivo era muito simples: realçar que este NON é uma farsa na minha anàlise independente e apartidària, que é um direito que tenho aqui ou em qualquer lugar onde haja democracia a sério. Nem vou desenvolver o tema do voto contra Chirac ou este ou aquele dirigente. Ou do populismo fàcil dos referendos: vota-se no que apetecer e outros que lidem com os consequencias. Ou nos argumentos de sarjeta usados por alguns defensores do NON - que o tratado proibia o aborto ou a existencia de sector publico, por exemplo. Vou antes concordar com a grande novidade que o Rui e o Pedro aqui vieram dar: uma parte dos que votaram NON querem ainda mais Europa, sao ultra federalistas!!! Eu pensava que tinha dito isso no meu texto original, mas devo estar enganado. Ou seja, em França existe uma maioria clara a favor da UE, com estas reformas ou outras ainda mais ambiciosas!

Fico muito espantado por o Pedro Sales querer um Parlamento Constituinte, quando o preocupa muito o peso dos grandes paises nas novas regras de votaçao. Eles naturalmente teriam a maioria nesse tal Parlamento Constituinte. Mas realmente um texto aprovado por quatro ou cinco grandes Estados europeus e imposto a todos os outros dificilmente poderia ser descrito como democràtico.

Pode ser que tudo isto tenha sido um grande passo em frente da UE. Que Blair e os ingleses, ou os nossos amigos de Leste, se convertam subitamente ao federalismo e que o combate ao grande capital passe a ser consensual na Europa. Mas parece-me que é capaz de demorar mais do que os tres anos que foram precisos para chegar a este acordo. Desde uma Franco-Germania, a nucleos duros diversos em que Portugal pode conseguir entrar ou talvez nao, até ficar-se na mesma e algumas das reformas do tratado entrarem em vigor discretamente, tudo pode acontecer. Mas grande passo em frente para onde, com quem, para fazer o que?

Nada vejo neste renascer dos egoismos nacionais a que nao reduzo o NON mas que conta, e muito, neste resultado, que me alegre. Pormenor menor, mas com algum peso no evoluir deste maravilhoso projecto de uma Europa alternativa, nas proximas presidenciais francesas ninguém de esquerda aparece neste momento com possibilidades de ganhar depois de um referendo que a fragmentou completamente. Mas suponho que isso seja a democracia...

PS - vou suspender por umas semanas os meus postes por excesso de trabalho.

Publicado por bruno cardoso reis em segunda-feira 30 maio 16:51 | Comentários (35)

Isto da democracia tem muito que se lhe diga

A democracia, como diz a canção de Sérgio Godinho, pode mesmo ser “o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”. Mas, como nenhum outro sistema, tem vantagens inegáveis e uma delas é precisamente o debate de alternativas. Discutem-se, vota-se e “que ganhe o melhor”. É isso mesmo que parece escapar ao Bruno.

A arrogância intelectual deste post é um bom exemplo do tipo de chantagem que os franceses acabaram, precisamente, de rejeitar. Para o Bruno não existe alternativa. Ou o “sim” ou o vazio. Mais a mais quando quem votou “não”, ou é racista, reaccionário ou ultrafederalista. Pelo meio, ainda conseguiu arranjar algum espaço para o Pacheco Pereira e para o Pedro Mexia.

O argumento é fulminante: quem votou “Não” votou ao lado do Le Pen. É pena é ter as pernas curtas, ou então sou forçado a concluir que o Bruno se encontra orgulhoso de estar ao lado de um corrupto como o Berlusconi, de Durão Barroso ou de alguém, como o autor do projecto de Constituição, Giscard D'Estaing, que ainda há três dia dizia que se o “não” ganhar lá terá que se realizar um novo referendo.

E fico ainda ansioso por perceber como é que o Bruno caracterizará o sentido de voto dos Holandeses, Polacos ou Checos que, segundo as sondagens, também se inclinam para dizer “não”. Porque o que é mais estranho no post do Bruno, que só entendo por ter sido escrito a “quente”, é que ele não se detenha, por um segundo que seja, para se questionar porque razão a maioria dos povos a quem a pergunta está a ser feita se inclina para dizer “não”. Se a Constituição é o único caminho, e não há outra solução possível, parece que o melhor mesmo parece ser mudar de cidadãos...

Foi esse o caminho argumentativo seguido pela maioria da imprensa portuguesa. O “não” ganhou porque as pessoas decidiram misturar tudo e, num referendo sobre a Constituição Europeia, discutiram questões internas e quiseram penalizar os políticos nacionais. O tom é pejorativo, mas foi precisamente isso que aconteceu - e é correcto que assim seja. Em primeiro lugar porque, no actual processo de integração europeia, não há nenhuma discussão politica relevante que não tenha que ser discutida à escala europeia. Do défice ao ensino superior, ou da politica fiscal à ambiental, tudo é Europa. Querer discutir a Constituição Europeia sem discutir a Europa, isso sim, é que seria uma farsa.

Penalizar os políticos nacionais, e a sua arrogância e chantagem, parece-me também do mais sensato que se pode fazer em democracia, principalmente quando entre eles podemos encontrar personagens como Giscard D'Estaing. O último argumento é mesmo o mais estúpido. A votação não teve nada a ver com a Europa, dizem os comentadores televisivos: foi um “voto francês”, entendível à luz das dificuldades da economia nacional. Espero que estejam dispostos a dizer, já daqui a 3 dias, que este é um “voto holandês”, e checo, e inglês, e...

Os franceses votaram, esmagadoramente, na rejeição deste projecto para a Constituição Europeia. Fizeram bem. Recusaram um processo que subverte as regras da democracia, tornando uns mais iguais que os outros, ao aceitar que nenhuma decisão se toma contra os interesses dos quatro maiores países (entre eles, curiosamente, a França).

Recusaram um processo que começou mal, com a nomeação de uma “Comissão de Sábios” e não, como devia ser, com a eleição democrática de uma Assembleia Constituinte. A questão parece formal, mas é um sinal preocupante do défice democrático existente num processo de construção europeia que tem sido feito, no seu essencial, longe da discussão pública e de costas voltadas para os cidadãos europeus.

Onde há democracia na União Europeia, como no Parlamento Europeu, não há poder. E onde está o poder, como é o caso da Comissão ou do Banco Central Europeu, não há democracia. Ou seja, não há debate de alternativas, reduzindo o espaço da participação cidadã e democrática.

Face à inexorável delegação de competências dos governos nacionais na União, e a consequente diminuição do espaço de manobra dos governos nacionais, a solução não é gritar que queremos a “nossa” soberania, como o fazem os nacionalistas, é exigir espaços de participação e democracia à escala europeia.

Votar “não”, ao contrário do que o Bruno se recusa a admitir, pode muito bem ter sido o voto mais europeu.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 30 maio 08:37 | Comentários (36)

O melhor dos mundos [possíveis]

Já escrevi aqui que estou mais a favor do que contra esta constituição europeia. Estaria muito mais a favor, evidentemente, de outra constituição europeia, mais simples e sobretudo nascida de um verdadeiro processo constituinte. Tenho contudo, um problema: essa outra constituição não existe, e não se sabe se rejeitar a primeira será uma boa artimanha para se conseguir a segunda ou apenas a forma mais trapalhona de não se ter nenhuma.

Pois é. Parece uma coisa pouco frontal, mas quando não se tem as cartas todas a vida fica táctica.

No meio desta trapalhada, dou por mim a preferir este non a uma situação arrastada que os políticos europeus, com a sua arte, pudessem fazer de conta que não viam. Mesmo discordando dele, há que dizer que o non teve os seus méritos.

Ou seja: se é para partir a loiça, que seja para a partir toda de uma vez, e logo no início. Agora venha o debate – e mais respeitinho pelos cidadãos europeus.

Já agora: a propósito de respeito, parece-me que o Bruno não fica bem na fotografia que mostra o seu post logo aqui abaixo no Barnabé. O Bruno dá aos lepenistas (entre outros) os parabéns por esta vitória – como poderia ter dado, com muito mais propriedade, aos nossos políticos de terceiríssima qualidade, como Giscard d'Estaing e Durão Barroso. Mas a vitória pertence aos 55% que votaram non e que têm todo o direito a fazê-lo sem vir um gajo do outro lado atirar-lhes o Le Pen à cara. Eu até acho que eles estão globalmente errados, mas não deixo de compreender muitas das suas razões.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 30 maio 03:03 | Comentários (6)

maio 29, 2005

Merci!

Obrigado aos reaccionários de Villiers, aos racistas de Le Pen da França acima de tudo. Obrigado aos ultra federalistas de esquerda que querem um super Estado europeu para acabar com o desemprego e o grande capital... Um claro NON contra a UE e a favor de mais UE.

Pacheco Pereira diz querer uma Europa mais democrática e mais modesta. Brilhante! Mais federalismo e mais impotência. Pedro Mexia diz NON a uma Europa a galope num caminho claro. Devagar e sem saber para onde parece-me de facto o sentido deste NON.

Desastre? Desastre foi 1914. Hoje é a noite da farsa.

PS: Obrigado ao André Belo pela assistência técnica.

Publicado por bruno cardoso reis em domingo 29 maio 22:00 | Comentários (21)

Franceses dizem não

Primeiras projecções da TV5 dão 55% ao Não e 45% ao sim no referendo ao Tratado para a Constituição Europeia.

Publicado por celsomartins em domingo 29 maio 21:06 | Comentários (2)

De Seiyun a Mukala


Seiyun

  Um grupo de homens com bengalas prepara-se para começar a actuação na rua principal de Seyiun. Começam. Como sempre, algum convida para participar. Aceito. Daí a cinco minutos estou com uma bengala em riste, um turbante na cabeça e a fazer figuras tristes. Nasceu uma estrela em Seiyun. A noite, quando passeio pela cidade, todos imitam o meu movimento e, demasiado simpáticos, elogiam a minha actuação. Um branco careca de turbante e calcas de ganga não passa despercebido.   No dia seguinte vamos a Shibam. E difícil explicar. São prédios de oito, nove e dez andares, feitos de lama e palha, em ruas estreitas. Não parece real. Imensos miúdos e cabras. Um cheiro pesado. Passamos um tempo razoável a regatear numa loja de antiguidades iemenitas. Uma especialista nesta arte consegue levar por tuta e meia (achamos nos) um cinto e uma janela. Depois, para pagar o que pedem, exige mais uma janela em miniatura. No fim, ficam contentes com uma hora de combate e oferecem-lhe dez pulseiras. Os árabes gostam tanto de negociar como de conversar.  


Shibam

  No dia seguinte, hoje, partimos para Mukala, a maior cidade de Hadhramout, já na costa do mar arábico. Vamos num taxi colectivo. Corremos grande parte daquele que e um dos maiores oásis do Mundo. Depois subimos as imponentes montanhas que o cercam. La em cima, tudo e diferente. Nada. Pedra e terra, pedra e terra, pedra e terra durante horas e horas.  


Mukala

  No meio desta viagem continuo a ler “As Cruzadas vistas pelos Árabes” de Amin Maalouf. É a história das cruzadas vistas do lado de lá. Os massacres, o fanatismo religioso incompreensível então para os muçulmanos, dos cristãos em conquista. Mas o mais impressionante é mesmo o olhar sobre os lideres árabes. Iguais ao que são hoje. Enquanto o povo sente a humilhação a que a nação árabe e exposta, os seus dirigentes entretêm-se em guerras internas, pequenas traições, alianças com o inimigo. Ao ler o livro e ao ver a cara de Saleh, o amigo de George W. Bush, por todo o lado, não posso deixar de pensar que nada mudou. E estes homens fracos e sem espinha dorsal que tomaram, há quase mil anos, conta do povo árabe, são os principais responsáveis pela sua desgraça e pelo crescimento de grupos radicais que dão a um povo maioritariamente pacifico, acolhedor e curioso em relação a diferença uma ponta de orgulho e esperança. Estão enganados no caminho. Mas um povo que foi tantas vezes enganado, precisa de acreditar em alguma coisa. Em alguém. É geralmente nestes momentos que surgem todos os monstros.   Olhar, naquela avenida, para a fotografia de Saleh e saber que ele é um dos exemplos da democratização do Mundo Árabe, faz-me ter a certeza de um triste fim para toda a região. Um fim, que na realidade, é a mesma historia de sempre. Que se repete há mil anos.  


Presidente Saleh

  Agora, em Mukala, limito-me a transpirar. Um calor e uma humidade insuportáveis. Amanhã cedo parto para Socotorá, uma ilha por onde portugueses passaram e pela qual hoje não passa quase ninguém. Ali espero encontrar Um Iemen antigo, junto a costa de África. E, com este calor, também não dizia que não a uma praia com uma água fresca. Quatro dias depois regresso para Sanaa e no mesmo dia para Lisboa. Só então vos poderei contar a minha experiência insular.
Publicado por danieloliveira em domingo 29 maio 20:04 | Comentários (1)

Medidas para combater o défice

O governo socialista afastou 4 membros da Administração das Águas de Portugal, indemnizando-os em 500 mil euros, nomeando Nuno Cardoso para o lugar. Com a confusão que vai na distrital do Porto do PS, espero bem que saia mais barato afastar o Narciso Miranda e o Orlando Gaspar do radar das autárquicas socialistas. O país agradecia.

Publicado por pedro sales em domingo 29 maio 17:21

E a estes, ninguém congela a progressão na carreira?


Fernando Gomes, nomeado pelo Governo de José Sócrates como administrador executivo da GALP.


Nuno Cardoso, nomeado pelo Governo de José Sócrates para a administração das Águas de Portugal.

Publicado por pedro sales em domingo 29 maio 17:18 | Comentários (4)

Tudo em nome da "justiça" fiscal

O João Miranda, do Blasfémias, aproveita o aumento do escalão máximo de IRS proposto por José Sócrates para louvar as virtudes de uma taxa única. É uma questão de “justiça”, argumenta. Sim, que essas modernices dos impostos progressivos só têm servido para “redistribuir dinheiro dos que produzem bens e serviços que a sociedade valoriza para os que não contribuem com absolutamente nada para o bem estar dos outros”.

Que o discurso meritocrático pode ser uma das mais perniciosas formas de consagrar e legitimar a desigualdade social já se sabia, mas mesmo assim não deixa de ser extraordinário ouvir alguém defender que a responsabilidade dessa desigualdade impende necessariamente sobre “aqueles que não se prepararam, que trabalham pouco e mal e que não produzem nada de valor”.

Negando ao Estado qualquer papel no sentido da redistribuição da riqueza por via fiscal, o discurso de João Miranda seria pouco digerível em qualquer local do mundo. Mas em Portugal, o país que se habituou, durante décadas, a ver os partidos do Bloco Central encherem a administração pública com os seus “boys” e “girls”, quase todos a receberem mais do que os tais 60 000 euros do escalão máximo do IRS, não pode deixar de ser quase obsceno ver alguém defender que, no país que conhecemos, esta medida sacrifica “aqueles que se prepararam durante toda a vida, que são rigorosos no que fazem, que desempenham exemplarmente uma profissão e que por isso agradam aos seus clientes ou empregadores ao ponto de estes lhes pagarem voluntariamente mais de 60 mil euros por ano devem ser penalizados por isso.”

Leio isto e fico-me a lembrar dalguns casos notórios de gente rigorosa no que faz e que, por isso, agrada aos seus clientes e empregadores. Uma injustiça, sem dúvida, para


Celeste Cardona, nomeada para a direcção da Caixa Geral Depósitos, depois do “brilharete” no Ministério da Justiça .


Mira Amaral, três anos na CGD garantiram-lhe uma reforma vitalícia de 18 ooo euros mensais .

Publicado por pedro sales em domingo 29 maio 16:53 | Comentários (2)

maio 27, 2005

É por isto que eu ainda gosto de ser jornalista

Para, calhando, ter a oportunidade de dizer que não a semelhantes ignóbeis:

"Abuso à liberdade: BP só anuncia na imprensa após verificar notícias"

in A Capital (sem link)

"Gigantes financeiros adoptam atitudes «vergonhosas», segundo revista de publicidade ADage

BP censura trabalho de media com "ameaças"

A empresa de combustíveis decretou a directiva «2005 BP Corporate RFP», que impõe limites aos media, numa tentativa de abolir notícias que a possam prejudicar. Banco de investimentos Stanley Morgan segue caminho da petrolífera: cortar publicidade na comunicação social se as notícias não forem positivas.

ADRIANA SILVA AFONSO


A petrolífera BP - British Petroleum- - e o gigante financeiro Morgan Stanley encostaram a comunicação social à parede, impondo condições, relativamente à publicação de notícias que digam respeito às empresas. Para a BP, o caso é simples - sempre que haja a publicação de um artigo, sem que a petrolífera seja informada previamente, a publicidade será cancelada de imediato.

Suspensão de publicidade é também o método adoptado pela Morgan Stanley sempre que um órgão de comunicação elabore e divulgue uma notícia que não agrade à empresa. Por outro lado, todas as notícias, tidas como controversas, antes de serem publicadas, deverão passar pela agência de publicidade para serem revistas e, se necessário, alteradas.

A decisão da BP, denominada por «2005 BP Corporate-RFP», segundo consta, ainda não se aplica a Portugal. Contudo, a nível internacional a directiva está já a criar polémica. De resto, a revista de publicidade Advertising Age (AdAge), tida com uma das mais conceituadas, reagiu de imediato usando a palavra «vergonha» para definir a atitude da petrolífera britânica, assim como a do banco norte-americano.

Nos dias que correm, a liberdade de imprensa é um direito estipulado, assim como a liberdade de expressão. Desta forma, as atitudes da BP e da Morgan Stanley roçam a censura e a ameaça, considera a AdAge. Isto porque, no fundo, o que pretendem é exterminar todas e quaisquer notícias que possam, de alguma forma, denegrir a imagem construída na sociedade."

Publicado por joaomacdonald em sexta-feira 27 maio 21:50 | Comentários (9)

Sectarismo for dummies

Se uma das suas filhas chegasse a casa e lhe dissesse: “Pai, aderi ao Bloco de Esquerda”. Como reagiria?

Teria de respeitar, mas seria um desgosto profundo.

E se a opção fosse pelo CDS?

O sentimento seria o mesmo.

Jerónimo de Sousa, à revista Sábado de 26 de Maio

Publicado por pedro sales em sexta-feira 27 maio 20:20 | Comentários (18)

Vai um iPod com leite?

Se não os podes vencer junta-te a eles. Deve ter sido isso que passou pela cabeça dos responsáveis da Câmara Municipal de Glasgow quando decidiram introduzir um polémico esquema para combater os crescentes problemas de obesidade entre os mais jovens.

De há um ano para cá que os 29 escolas secundárias da cidade têm um programa, Fuel Zone Points , que oferece pontos se a alimentação escolhida pelos alunos for saudável. Assim, por cada água em vez da Coca-Cola ou salada no lugar das batatas fritas, os jovens acumulam créditos que podem trocar por bilhetes de cinema, consolas ou mesmo o mais recente iPod.

Uma oferta que torna os Happy Meal da McDonald´s tão eficazes para cativar os jovens como o último filme de Manoel de Oliveira, e que já fez descer o consumo de batatas fritas de 80 para 45%. É o que se pode chamar um verdadeiro programa de substituição. Largam a “junk food” pelo consumismo.

Publicado por pedro sales em sexta-feira 27 maio 20:12 | Comentários (5)

Melhor nem falar disso...

... dizem alguns franceses quando se lhe pede para falar do referendo. Quem disse que abandonaram o seu velho hábito de levar a política ao extremo? Mas para se controlarem e não fazerem sangue como no passado (ALERTA : IRONIA), falam pouco no assunto, pelo menos nestes dias finais. Nada de autocolantes na lapela. Mas parece evidente que esta falta de debate calmo e racional é mau sinal para o OUI. Isso e o pequeno detalhe das sondagens.

As pessoas parecem cansadas e fartas de argumentos (e de políticos). Muitos defendem convictamente o NON em nome da sagrada França, ou da salvação da humanidade e dos seus empregos. Exigem deste tratado constitucional e da Europa um milagre que nenhuma lei pode obter: a resposta a todos os seus problemas. Claro, Bush e Blair esperam ansiosos pelo NON. Nada que perturbe os convictos. A realidade nunca perturbou. Ou talvez isso tenha mudado, mesmo em França...

Quem quiser mais sobre o mesmo, ainda que requentado, pode ler isto.

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 27 maio 17:57 | Comentários (8)

De Sanaa a Hadhramout


Sanaa.

Sentado num banco corrido do suq peço um chá. Um velho à minha frente, que come uma espécie de guisado de galinha usando como talher o hohz (um pão fino e largo que é feito colando a massa à parede do forno) oferece-me um cigarro. Os iemenitas oferecem tudo.

O som de fundo é um “sermão” gravado em cassetes que são vendidas na rua. Logo se cala quando os muezzin começam a sua cantoria. Primeiro um, depois outro, depois outro. O chamamento para a oração toma conta de tudo. Só no perímetro de Sanaa Velha há quase uma centena de mesquitas, com os seus minaretes com altifalantes.

Vou a uma dos milhares de minúsculas lojas do suq para comprar um vestido tradicional que quero oferecer. Regateio e fico contente com o preço final. De certeza que estou a pagar mais do que devo, mas sabe-me a conquista. 1.300 reais, uma fortuna. Cinco euros e meio.

Vou ter com as minhas companhias de viagem para almoçar. Chegamos a uma “tasca” de bancos corridos. Apesar dos nossos pedidos para que não o faça, o patrão pede a um cliente que mude para outra mesa. Este obedece, feliz, olhando deslumbrado para as ocidentais. Quando estou com elas sou invisível.

Vamos a uma parte nova da cidade, que elas, há mais de um mês em Sanaa, não conhecem. Apanhamos um táxi colectivo. Há quarto tipos de transporte em Sanaa: autocarros, umas carripanas velhas deliciosas com direito a paragens fixas; táxis colectivos, umas pequenas carrinhas de nove lugares, que vão apanhando e largando pessoas, seguindo um caminho mais ou menos lógico; táxis, onde se tem de negociar o preço antes, podendo a variação entre o preço proposto e o aceite contar-se em muitas centenas de reais; e as motos, que ainda não ganhei coragem para experimentar.

O transito é caótico. Não quero ser injusto, mas acho que só vi dois semáforos em toda a capital. Os sentidos, as regras de transito, tudo é meramente indicativo. A buzina é a forma de comunicação e de expressão de sentimentos permanente.

No regresso – o que fomos ver não tem nada para contar – as lojas estão todas abertas. E assim ficarão ate à meia noite. Sobretudo os carpinteiros. Ainda chegamos a tempo de ver o pôr-do-sol no terraço da escola internacional de árabe, em Sanaa Velha. Nem consigo descrever as cores dos edifícios – que julgo serem de barro – e os efeitos de luz. À medida que anoitece as janelas das casas ficam coloridas quando as luzes das casas se acendem. Quase todas as casas têm vitrais. Jantamos ali mesmo, no terraço. Trouxe vinho. Uma garrafa. É permitido, a cada estrangeiro, trazer duas garrafas de álcool. Bebemos e sabe a pecado.

No dia seguinte partimos para o deserto de Hadhramout.

***

A camioneta é excelente. Melhor do que as portuguesas. Depois de transpormos as montanhas que cercam Sanaa, estamos na planície. Passamos por um mercado. Paragem. Os viajantes abastecem-se de qat, a droga de que vos falei antes. Um grupo rodeia-nos. Boquiabertos, olham para as minhas companheiras de viagem. São cada vez mais. Uma pequena multidão de mirones. Nem o excesso de roupa que elas usam, para o calor que está, os demove. Alguns fazem perguntas com o inglês que sabem. Tira-se uma fotografia, o que é sempre um momento de enorme excitação. Um deles, armado como tantos, exibe orgulhoso a sua kalashnikov. O motorista tenta-nos convencer a comprar qat.

A viagem continua. Terra primeiro. Depois areia fina e dunas. Depois calhaus pretos. Depois areia de novo. Oito horas assim. Passamos por imensos check points militares. Raramente nos mandam parar. A nossa camioneta é uma carreira normal, sem mais turistas do que nós.


Deserto de Hadhramout

Passamos por pequenas aldeias perdidas no deserto. Numa delas, almoçamos. Um restaurante e alguns camelos, nada mais. Uma placa manda ter cuidado com as minas que sobreviveram à Guerra entre o Iémen do Sul e o Iémen do Norte. O Iémen do Norte era islamista, implacável na aplicação da Sharia e aliado do Ocidente. O Iémen do Sul mais pobre, comunista e mais laico. Ainda se sentem as diferenças; dizem-me as minhas companheiras de viagem (eu ainda não fui ao sul) que por lá é mais frequente ver mulheres de cara destapada, uma raridade aqui pelo norte. Onde estou agora, na realidade, quase nem se vê mulheres.


Shibam

Entramos num oásis, que é o nosso destino. Passamos por Shibam, um aglomerado de edifícios com uma media de oito andares, feitos, mais uma vez, julgo eu, em barro. Chamam-lhe a “Manhattan do deserto”. Arranha-céus de outros tempos. Continuamos a nossa viagem. Shibam ficará para outro dia. A nossa base será Seiyoun, a maior cidade das redondezas, dominada por um palácio onde viveu o sultão Al Kathire. São 16 edifícios brancos e imponentes, que mais tarde foram transformados em forte.


Palácio de Al Kathire, Seiyoun

As ruas de Seiyoun estão cheias. No Iémen todo o dia é dia de feira. Iluminações "de natal" enfeitam as ruas. Foram postas para comemorar os 15 anos da unificação. Não há cidade que não esteja assim. O Presidente Saleh não olhou a despesas num pais miserável e tratou, na leva, de espalhar fotografias suas por todos os cantos do pais. Saleh de fato e gravata, Saleh de turbante, Saleh fardado, Saleh beijando crianças, Saleh indicando ao seu povo o caminho, Saleh para todos os gostos. O bigode de Saleh e omnipresente. Só consegue rivalizar com as fotografias do Xeque Yassin. Mas essas são escolha do povo, bem embaraçosa, por sinal, para um governo que alimenta uma profunda relação amorosa com Washington. O Hamas é bastante popular por estas bandas. E para a causa palestiniana os iemenitas, pobres ou ricos, inventam dinheiro para contribuir.

Depois de Seiyoun, iremos para Shibam. Depois a cidade portuária de Mukala. Por fim, a ilha de Socotra [Socotorá], quase na costa africana, mas ainda território iemenita. Disso falarei mais tarde. Agora passo a minha primeira manhã em Seiyoun, numa agradável esplanada de um jardim da cidade, onde bebo um batido de manga com groselha e um chá quente (tudo dulcíssimo, como sempre) enquanto uma silenciosa plateia nos observa. Não é, claro, em mim que estão interessados.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 27 maio 17:26 | Comentários (3)

maio 26, 2005

ACNUR

...foto tirada do site http://www.jornalinside.com

Publicado por nunosousa em quinta-feira 26 maio 15:12 | Comentários (6)

maio 25, 2005

Uma no cravo

Devo dizer que pagarei com um sorriso nos lábios a minha taxa de 42% de IRS no dia em que tiver um rendimento superior a 60 mil euros. Não que seja assim uma coisa altamente provável, mas enfim.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 25 maio 16:12 | Comentários (40)

É déjà vu outra vez?

O défice que encontrámos é muito superior ao que esperávamos encontrar... o IVA tem de aumentar de 19% para 21%.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 25 maio 15:24 | Comentários (12)

Observador pouco participante...

...ou a minha estadia parisiense.

Deixo esta perplexidade, se ganhar o NON, quem é que ganhou: o Le Pen ou a ATTAC? Com quem é que se fala para renegociar o tratado (pois...)? Para tudo há remédio, mas alguns são bem amargos.

Foto cortesia do Nouvel Obs

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 25 maio 12:37 | Comentários (22)

Olha que não é esse Carmona, Manel!

DN Online: Monteiro com Carmona.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 25 maio 04:19 | Comentários (1)

maio 24, 2005

Parabéns, pá!


António Guterres é o novo alto comissário da ONU para os refugiados.

...agora não te demitas à primeira dificuldade
Publicado por ruitavares em terça-feira 24 maio 17:36 | Comentários (9)

Histórias melancólicas de magos das finanças

Acho piada a esta tendência comentarista para espalhar a culpa do défice pelas aldeias. Se continuamos a dizer que desde o 25 de Abril ninguém o controla não há como responsabilizar nenhum governo e os últimos - que subjugaram três anos de governação a este objectivo - saem impávidos e serenos. Afinal de que serviu a estonteante competência de Manuela Ferreira Leite e de Bagão Felix?

Publicado por celsomartins em terça-feira 24 maio 13:06 | Comentários (8)

E depois abrir um clube de strip?

Licitem no link abaixo para comprar o ex-apartamento de Joseph Ratzinger em Bona: eBay-Artikel 4383370703 (Endet 19.06.05 13:43:58 MESZ ) - Domizil des heutigen Papst Benedikt XVI. von 1959-1963.

Publicado por ruitavares em terça-feira 24 maio 00:50 | Comentários (3)

maio 23, 2005

Não terá sido o Mota Pinto?

O PS culpa o governo PSD-PP pelo défice de 6,8%, o PSD responsabiliza os governos de António Guterres.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 23 maio 22:01 | Comentários (15)

E olha se o défice não tivesse sido uma prioridade?


Bom trabalho: défice público é de 6,83%.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 23 maio 16:41 | Comentários (11)

Dois primeiros dias: Sanaa

Tentarei, na medida do possível, ir contando a minha viagem por terras iemenitas. Na capital Sanaa [ou Saná], onde estou, não é difícil. Depois, não prometo nada.

Às 6 da manhã, a cantilena da chamada para a oração entra pela minha janela. Muitas cantilenas em despique. Não há mais nenhum som na cidade. Só a chamada para a oração. Como a cidade fica cercada por montanhas altas, os muezzin fazem se ouvir em eco. Parecem lobos a uivar. Ainda é de noite. Começou o dia em Sanaa.

Olho para a janela e vejo terraços desordenados e pequenos pátios internos, onde se come, se ouve música e se conversa. Como nas cidades do sul de Portugal. Como em qualquer cidade árabe. É o dia da unificação iemenita. Feriado nacional. Na rua, o barulho é permanente. As buzinas dos carros misturam-se com a música vinda de todo o lado. Na Estrada que circunda Sanaa Velha, que é um ribeiro em dias de chuva, até parece que souberam da vitória do Benfica, tal a festa de buzinas sem razão aparente. Em todo o lado se vende ou compra alguma coisa.

O primeiro suq [ou suco, como já se disse em português antigo e é de onde vem a palavra açougue] em que estive, em Sanaa Velha, é gigantesco. Os cheiros, os gritos, a música, tudo misturado. E gente. Imensa gente. Sai gente de todos os lados. E vultos negros, milhares de vultos negros. Nem uma mulher de cara destapada. A presença de um ocidental num pais com pouco turismo não provoca mais do que olhares curiosos, mas discretos. Os miúdos metem conversa. Tudo se tenta vender, mas não há muita gente a pedir dinheiro, num dos países mais pobres do Mundo.

Sanaa Velha é indescritível. É a medina mais bem preservada do Mundo. Fica-se sem fôlego. Parece que se fez uma viagem no tempo.

Os homens andam todos com os seus jambia, uns pequenos “sabres” retorcidos. As mulheres são um pano negro com dois olhos. Mas o ambiente é descontraído e amistoso. Basta fazer uma pergunta e logo se junta gente para ajudar, para me levar de moto, para me indicar o caminho, para saber o meu nome, de onde venho...

A tarde, toda a gente anda com uma bola de "qat" na bochecha. O "qat" é o vicio nacional. Uma droga leve que todos os homens (e mulheres) consomem a partir das duas da tarde. O habito nacional transformou-se num problema nacional. Sempre foi. Mas hoje consome-se com menos moderação. Resultado: ninguém trabalha à tarde e as plantações de "qat" estão a consumir toda a água de um pais que já foi fértil.

As mulheres tapadas escondem uma outra existência. Basta olhar para as pequenas lojas de roupa feminina, no suq, para descobri-la. Lingerie e roupa que, em Portugal, só se poderiam encontrar numa sex shop. As pessoas com quem estou estiveram num casamento. Mulheres de um lado, homens do outro. Sendo mulheres, foi com as mulheres que ficaram. E as mesmas mulheres, que na rua só deixam ver os olhos (as que deixam) ostentam, longe dos homens, generosos decotes em justos vestidos cheios de cores berrantes e brilhos sortidos. É este o seu pecado, só permitido longe do olhar lascivo dos homens. Não julguem que por ali eram modernas. A noiva nem sequer conhecia o noivo.
 
O Iémen é dos países mais duros para as mulheres, em todo o Mundo. A quase totalidade das mulheres é analfabeta, as execuções por questões de honra, que na maioria dos países árabes são a excepção, são aqui corriqueiras. Neste momento, uma mulher de vinte e pouco anos esta à espera de um julgamento (graças a alguma pressão internacional o já realizado terá de se repetir), por supostamente ter assassinado o marido. Casou com o homem aos 11 anos, aos 13 já era mãe, aos 15 mãe duas vezes. Chama-se, como a [sua companheira de infortúnio] nigeriana , Amina. Toda a gente sabe que foi um outro homem, por uma disputa de terras, que matou o seu marido. Mas ficou mais fácil assim. Uma sessão de tortura na prisão chegou para resolver o problema do assassínio. É para isto que as mulheres servem. Aos 16 anos já esperava a morte. O processo prolongou-se porque as execuções de menores se tornaram num problema internacional para o Iémen. Agora, Amina tem mais de vinte. Se for condenada, terá morte certa. Se não for, na aldeia é a morte que também a espera. Uma ONG ofereceu-se para a tirar do pais.

Estamos, dizem os livros, numa “democracia”. O Parlamento é eleito e até tem uma ministra, a dos direitos humanos. Ou seja, por aqui, isto quer dizer relações públicas para estrangeiros. Não é democracia nenhuma e esta ministra é uma aberração na realidade política e cívica iemenita. O Presidente não passa de um ditador, como qualquer outro. Mas o Iémen é um importante aliado dos EUA. Há que manter as aparências.
 
Meio dia. Recomeça a chamada para a oração. Alguns homens dirigem-se à mesquita, de mão dada. Mas, em geral, a vida continua imperturbável, apenas cortada por aquele despique de vozes. A religião está em todo o lado mas a vida corre sem ela. Os iemenitas não são fanáticos religiosos. O pais é que é brutalmente atrasado, e a Sharia vale mais do que a Lei e do que o Corão.

Já estou em Sanaa, capital do Iémen, no extremo meridional da Península Arábica. Estou noutro tempo onde o ambiente de festa, a simpatia e a generosidade das pessoas se mistura com enorme atraso e pobreza. Tudo é lento, tudo é barulhento. Nunca me senti tão estrangeiro em toda a minha vida. E gosto.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 23 maio 15:31 | Comentários (9)

O timing

O timing de Telmo Correia

O Conselho Nacional do PP marcou as primeiras eleições directas do partido para o próximo dia 18 de Junho, cumprindo assim uma promessa de Ribeiro e Castro no último congresso. Telmo Correia, e alguns dos seus apoiantes, pronunciaram-se contra a decisão alegando que este não era o momento certo para avançar com a proposta. O timing, aliás, tem-se tornado uma obsessão de Telmo Correia, o homem que demora mais de um mês para se assumir como candidato, assina despachos polémicos 4 dias depois das eleições que dão maioria absoluta a outro partido e que assume que, se tivesse visto nas notícias que a assinatura era de duvidosa legalidade e inaceitável politicamente, não teria assinado. É o que se pode chamar de ética com a hora marcada. A dos telejornais.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 23 maio 12:01 | Comentários (2)

Campeões!

Publicado por ruitavares em segunda-feira 23 maio 00:04 | Comentários (14)

maio 22, 2005

ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ

Publicado por andrebelo em domingo 22 maio 23:44 | Comentários (3)

maio 21, 2005

Parem as máquinas


Morreu Paul Ricœur, aos 92 anos.

Uma vez fui com o André Belo a uma residência de estudantes universitários para assistir a uma conferência do historiador alemão Reinhart Koselleck sobre o então projecto de memorial de holocausto em Berlim (o projecto de Peter Eisenman e Richard Serra, foi inaugurado recentemente depois de muita polémica).

Reinhart Koselleck, autor de uma obra essencial numa área afim à história das ideias (têm aqui uma lista do essencial em inglês), a begriffgeschichte ou "história dos conceitos", proferiu um excelente discurso, ponderado e elegante mas combativo sobre culpa, história e memória.

No fim da conferência, um velhinho que estava na primeira fila fez uma intervenção de excelente nível, comentando detalhadamente tudo o que outro dissera. Houve um diálogo entre os dois e as pessoas começaram a murmurar umas para as outras é o Paul Ricœur.

A nossa reacção foi como se nos tivesse saído o prémio acumulado, porque se Koselleck já era um historiador importante, Paul Ricœur era um espécime brilhante de algo ainda mais precioso: o filósofo lido por historiadores. Além, evidentemente, de um cidadão de percurso exemplar: socialista e pacifista antes da IIª Guerra Mundial, e resistente ao nazismo durante a Ocupação, o que lhe valeu a prisão nos campos de trabalho alemães. Depois da guerra, deu aulas e foi construindo a sua filosofia com ramificações sobre praticamente todas as subsdisciplinas (hermenêutica, ética, filosofia política, linguagem, teoria da história - vejam esta recensão a uma biografia de François Dosse). O livro que o levou a ser um "filósofo de historiadores" foi principalmente Temps et Récit, cujas preocupações vão da retórica à semântica e à hermenêutica e que liga a nossa relação com o passado à necessidade humana de narrativas e explora a capacidade destas narrativas poderem ou não ser traduzidas entre culturas. São três volumes, publicados entre 1983 e 85. Como se vê, não perderam importância.

Publicado por ruitavares em sábado 21 maio 16:37 | Comentários (1)

O Vilão

Vou fazer o papel de vilão e roubar amigos. Nada como um bom ditador para animar a conversa, disse-me um. Outro, nada como um bom vilão para fazer um bom filme. Porquê esta fascinação pelo mal? Será, por que ser mauzinho é o melhor caminho para se ter e manter muito poder, e todos gostamos de mandar? Será porque o bem é chato e previsível, e a maldade mais criativa e inesperada? Ou simplesmente, o herói brilha mais quanto maior for a escuridão que o envolve?

Previsível parece-me ser afinalmente esta conversa. Há muita e muito boa arte com maus (ou seja, fracos) vilões. Muita arte não-narrativa dispensa-os de todo. Para contar uma história interessante e conquistar atenção numa conversa de mesa, o papão vem muito a jeito. Mas pode tolher ao facilitar a tarefa. Um bom vilão, demasiado verdadeiro sobretudo, pode bem cumprir o seu papel e matar, senão a história, pelo menos a inventiva. Ser muito criativo com ele bem poderia ser perigoso... E, no entanto, lá que falaram muito deste novo exemplar do Quarto Reich, este sim dos mil anos – o inesgotável império das obras sobre o Terceiro Reich – lá isso falaram. E, no entanto, lá que me está sempre a apetecer completar a minha carteira de filmes do Hitchcock, lá isso está.

Publicado por bruno cardoso reis em sábado 21 maio 08:05 | Comentários (1)

maio 20, 2005

Nunca mais sai um PREC para a mesa da direita!?

Depois do PREC dos pequeninos que foi o governo do Santana Lopes, ainda que os tempos não estejam fáceis, temos governo, para variar. Da seca até aos incêndios, da colocação de professores até às farmácias, vários são os problemas que se arrastavam e que Sócrates resolveu com acerto. Só falta o deficit, um probleminha nacional com alguns séculos, e o crescimento económico, que tem uns anitos.

Em todo o caso a direita anda já tão alarmada com a comparação entre Santana e Sócrates, e com tão poucas munições, que primeiro o Vasco Pulido Valente (Pública sexta-feira passada sem linque) e agora , parece, o João Miranda vêm acusar o PS de não fazer um novo PREC!!! Lamento (nada), mas parece que mesmo as expropriações vão ser com conta, peso e medida.


E por voltar a falar em expropriações...

Em todos os Estados bem ordenados existem mecanismos LEGAIS de expropriação em nome do interesse público. Na Europa do Norte elas são frequentemente usadas como mecanismos de um melhor ordenamento urbano. É verdade que como diz o Luís Lavoura, as expropriações têm custos. Mas não seria escandaloso andar a pagar durante anos a manutenção dos nossos comboios à Bombardier que acabou com a nossa capacidade para os produzir?

Claro que uma empresa pode investir e desinvestir onde entender. Como um Estado pode entender que certos investimentos ou investidores lhe convêm mais ou menos. A Malásia, a China, ou Singapura há muito que o sabem, a Argentina achou que não precisava de se preocupar com isso, e vê-se o estado em que estão uns e outros.

O que o João Miranda insiste em não percebe é que uma empresa pode, mas não deve acabar com a concorrência de forma desleal. A Bombardier não veio cá criar nenhuma empresa que depois decidiu encerrar. Veio cá acabar em poucos anos com uma empresa que existia há décadas, era uma referência no campo da engenharia pesada a nível internacional, e que com melhor gestão poderia ter melhor fim. Claro que houve erros do lado português, e graves, mas isso não quer dizer que se tenha de entregar o resto do ouro ao bandido. Expropriar por sistema é mau sinal, nisso estou de acordo com Miranda e Lavoura. Mas quando se justificar e dentro da lei, porque não?

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 20 maio 16:56 | Comentários (4)

A nódoa

Durão Barroso desceu ontem à província e entendeu por bem, quando chegou ao país, dizer umas palavritas sobre o défice português. “Um número tão elevado em termos de défice público [6 ou 7%] exigirá determinação e um esforço muito significativo”, o que comprova que “o esforço feito por Portugal não foi tão significativo como o necessário”.

Porque isto é verdadeiramente obsceno talvez valha a pena recapitular um pouco os três últimos anos deste senhor.

Em 2002 faz campanha contra o governo socialista dizendo que este está a esconder um défice de 5% e que a solução para a crise é adoptar um “choque fiscal” que diminua os impostos. Ganha as eleições. O défice é de 4%, mas, mesmo assim Durão Barroso diz que o estado das contas públicas é muito pior do que alguma poderia ter imaginado e aumenta os impostos. Com o “discurso da tanga” o pais mergulha na maior crise económica e social dos últimos 20 anos, com mais 150 mil novos desempregados.

Depois de ter passado dois anos a exigir sacrifícios aos portugueses, Durão Barroso foge ao primeiro sinal de promoção pessoal e vai para Bruxelas. Depois de uma humilhante derrota nas eleições europeias, entrega o país a um aventureiro demagogo completamente desqualificado para o cargo.

Como este cartão de visita não parece ser suficiente para o fazer ter vergonha na cara para estar calado sobre tudo o que diga respeito ao país, o homem ainda tem lata para, de quando em quando, vir a Portugal dar lições sobre as suas soluções para a crise.

Como político já sabíamos que era uma miséria, mas como Homem é mesmo uma nódoa.

Publicado por pedro sales em sexta-feira 20 maio 13:03 | Comentários (24)

Plutôt à gauche e pela Europa!

Fiz com grande curiosidade o teste proposto pelo Filipe Moura do BdE para saber melhor que terreno vou pisar dentro de uns dias... É que tenho dificuldades em situar-me na política à francesa. O teste parece-me funcionar bem porque traduz isso mesmo. Diz que sou plutôt à gauche. Mas tem alguns problemas com os partidos. Situa-me entre o pequeno movimento de Corinne Lapage, Cap 21 (mas menos moralista e mais pró-globalização), o Partido da Esquerda Radical (o que deve querer dizer que o meu clericalismo anda algo adormecido) e a ala direita – parece que por lá também existe disto – do PS francês. Depois ainda fala da UMP. Numa coisa, no entanto, o Politest não tem dúvidas. Todos os partidos de que me aproxima são pelo SIM à constituição europeia.

Grande parte das críticas à Constituição Europeia parecem-me vir de quem não a leu ou de quem não percebeu o que é a política à escala europeia ou o actual estado do Mundo.

Obsessão com o deficit e o mercado? A constituição deixa claro que se deve conciliar o controlo da despesa – que é um princípio básico de boa gestão em qualquer área, tudo o que se baseie na despesa descontrolada não é sustentável – e os princípios da economia de mercado que vêm do Tratado de Roma de 1957, com os objectivos sociais de uma Europa do bem-estar para todos. Constituição não democrática? A não ser que se defenda a eleição directa de todas as instituições europeias, ou seja uma Europa completamente federal, o que me parece especialmente problemático para um país pequeno como Portugal, a constituição é claramente um avanço. Há uma declaração dos direitos dos cidadãos da União. Há um direito de petição. Há mais direitos para os Parlamentos nacionais e para o Parlamento Europeu. E a UE passa a funcionar de acordo com regras de votação mais claras.

A ideia de que se pode votar NÃO e ser a favor de uma Europa melhor e mais forte, de um tratado mais aperfeiçoado, ou é má-fé, ou é uma ilusão bem-intencionada. Foram preciso anos para se alcançar um acordo num momento decisivo. Os EUA de Bush e a sua política de potência, e a saudável emergência do do mundo não-Ocidental, da China, da Índia, do Brasil, colocam um desafio fundamental ao europeus. Queremos continuar a ter uma voz no mundo? Se sim, só uma União Europeia mais forte o poderá conseguir.

Pensar que haverá por milagre uma constituição do Bloco ou da ATTAC, ou uma constituição à francesa ou à portuguesa, é um delírio. Aliás todas as boas constituições são pontos de encontro, não devem deixar ninguém completamente satisfeito. A perfeição é coisa inexistente, e o desejo da alcançar é perigoso em política. O triunfo do não à constituição seria um bom exemplo disso mesmo. Deixaria de pé todos os mecanismos de mercado que o não de alguma esquerda francesa diz rejeitar. Deixaria a França e a Europa em crise e ainda menos credíveis no Mundo. E deixaria os cidadãos europeus ainda mais impotentes. Brilhante, não?

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 20 maio 12:33 | Comentários (25)

Um outro Sporting é possível

ricardo.jpg

Há mais de um ano que se esperava por uma notícia destas, e só não se percebe muito bem é porque é que o Sporting arrisca tanto e continua a pedir dinheiro para se ver livre do Ricardo. Paguem mas é os 5 milhões de euros a quem o quiser levar.

Publicado por pedro sales em sexta-feira 20 maio 12:20 | Comentários (8)

Por aí

Nos próximos 15 dias não estarei aqui, andarei por aí.

Sanaa, Iémen

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 20 maio 00:57 | Comentários (10)

maio 19, 2005

Sítio do Não

Não será, provavelmente, pelas mesmas razões de Pacheco Pereira que votarei "Não" à Constituição Europeia. Mas a ausência de debate, a chantagem política, a ideia de que quem é contra esta Constituição é contra a Europa e a tentativa de fazer deste referendo um plebiscito a um facto consumado também me irritam. Pacheco Pereira criou um blogue, O Sítio do Não. Duvido que lá caibam todos os "nãos", muitos deles mais distantes entre si do que do "sim". Mas a ideia foi boa. Era engraçado, quase estranho, que Portugal começasse a discutir a Europa. Por mim, cá estarei para ajudar. A discutir e a chumbar esta Constituição.

Já agora, aconselho a ida ao site do "Não" em França, onde podem encontrar os argumentos das várias forças democráticas que estão contra esta Constituição.

Para que não fiquem sem o lado de lá, também foi criado um sítio do sim e, em França, o "Sim" está neste site.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 19 maio 22:43 | Comentários (34)

A tradição nacional

Texto publicado no "Expresso", a 14 de Maio.

Está tudo doido. Primeiro foi Marques Mendes. Arrogante, corre com os mais queridos homens da nossa terra. Homens que ajudam o pequeno clube local a dar ao povo uma pequena alegria. Homens que dão a mão a incansáveis financiadores da democracia, generosos comendadores do 10 de Junho e laboriosos empresários locais. Homens que se batem de forma viril, por vezes incompreensível para a tibieza urbana, contra os que, oportunistas, lhes querem tomar o lugar.

Mas a decadência dos valores pátrios não acaba aqui. Esta semana, o Ministério Público, alheado das nossas mais profundas tradições, constituiu como arguidos um ex-ministro, um ex-tesoureiro partidário e três quadros do Espírito Santo. É a Santíssima Trindade que é profanada. Mesquinha, a Justiça terá descoberto um despacho do anterior Governo a permitir o abate de uns reles sobreiros para que ali se construísse um empreendimento turístico de “imprescindível utilidade pública”. Um ministro tira uns chaparros do caminho do progresso e faz qualquer coisa pela interioridade. Alguém lhe agradece? Não. É a inveja, o desporto nacional.

E este país tinha avançado como, não fosse aquela atençãozinha, aquele pequeno favor, aquele telefonema ao amigo lá do Ministério, aquela simpatia para a coisa não ficar presa nas malhas da burocracia? Não vêem, senhores magistrados? É um país que se move assim há séculos. Feito de pessoas que conhecem o valor da amizade. Pessoas que se ajudam e que não esquecem quem as ajudou. É um País solidário que começa agora a perder a sua inocência. E ninguém faz nada.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 19 maio 22:25 | Comentários (3)

Os cangalheiros

Texto publicado no "Expresso", a 14 de Maio.

Há anos que os funerais das associações mutualistas eram inspeccionados pelas autoridades competentes. As funerárias, com um volume de negócios que ronda os 400 milhões de euros anuais, achavam indecente que andassem para aí uns caramelos a dar descanso às almas por tuta-e-meia, valendo-se de benefícios fiscais e da ausência de lucro. Esta semana, o Tribunal Constitucional deu razão às associações. Mas os cangalheiros não desarmam e vão apresentar uma queixa à Autoridade para a Concorrência.

As associações mutualistas, que têm 700 mil sócios e vivem das suas contribuições, cresceram no fim do Século XIX como uma espécie de segurança social antes do Estado a ter. Em muitos casos, eram já os primeiros passos para o sindicalismo. Noutros, apenas uma forma dos mais pobres se valerem uns aos outros. Para quem não podia sequer sonhar com uma vida decente, a dignidade na morte era a última esperança. Por isso, o mutualismo, não se resumindo a isto, sempre foi um recurso muito procurado para o pagamento das despesas dos funerais. Esta tradição vinha, aliás, das irmandades do fim da Idade Média.

Hoje, estas associações são muito diferentes. Mas a ausência de lucro e a ideia de solidariedade entre iguais mantém-se. Por isso, os cangalheiros têm razão. São um corpo estranho no meio do seu negócio. Numa sociedade de mercado há regras. Quem não quer fazer dinheiro que não se meta no ramo. Se o lucro é o que faz rodar o mundo, quem não quer lucro trava o progresso e ofende o espírito da concorrência.

Neste mundo em que vivemos, a própria ideia de solidariedade é anti-liberal. E não faltará muito para que nos digam que a segurança social faz concorrência desleal aos fundos de pensões, os hospitais públicos às clínicas, as escolas aos colégios, os confessores aos psicólogos, os amigos à televisão. A verdade deste tempo é esta: a vida, sem lucro, não faz qualquer sentido. Para dizer a verdade, nem a morte, se não nos der dinheiro a ganhar, serve para seja o que for.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 19 maio 22:23 | Comentários (4)

Deve ter dado um resultadão

Público [sem link]: «Durão Barroso apela aos franceses que votem "sim"».

Publicado por ruitavares em quinta-feira 19 maio 16:59 | Comentários (2)

Guerra Infinita

Público [sem link]: «Casa Branca exige à Newsweek que repare a imagem dos Estados Unidos».

Uma exigência singular, vinda da parte de quem teria verdadeiramente o poder para reparar a imagem dos Estados Unidos, nunca pediu desculpas pelas suas mentiras e tem um país inteiro para reparar – não em termos de imagem, mas no sentido próprio – por causa das suas acções: o Iraque. E que tal começar por aí?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 19 maio 16:43 | Comentários (2)

Pessoal e transmissível

Pedro Mexia respondeu aqui, da forma curta e nada grossa que o caracteriza, a este meu poste. Percebo que possa haver certo equívoco por causa do título, mas não se tratava de ver nos postes de PM uma defesa de um blogue ideal, one size fits all, mas sim de uma certa ideia de blogue.E as diferenças entre mim e o Pedro Mexia, especialmente depois deste esclarecimento dele, vão realmente escasseando. Deve ser destes tempos pós-pós-modernos.

Por outro lado, o que é pessoal? A cultura mais do que a política? Talvez. Mas talvez menos hoje do que antes. O que é política? O aborto é política ou é pessoal. E digam à Paula Rego que não é arte. Enfim, para citar o Dupond (ou será o Dupont?), ainda direi mais! De tudo um pouco se faz uma mundividência interessante, especialmente de pontes inesperadas entre coisas diversas. E realmente mais de transpiração do que de inspiração.

PS – O título roubado ao melhor entrevistador português é pretexto para recordar que temos uma edição em livro de uma pequena parte das entrevistas de Carlos Vaz Marques. Queremos mais... apesar de se perderem os sons.

Publicado por bruno cardoso reis em quinta-feira 19 maio 16:32 | Comentários (1)

maio 18, 2005

O meu chapéu tem três bicos

Tem três bicos o meu chapéu

Publicado por nunosousa em quarta-feira 18 maio 22:10 | Comentários (4)

Semana negra

Em que podíamos ter tudo e ficámos sem nada.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 18 maio 21:37 | Comentários (20)

Goooooooooooooooooooooooooooooolo!!!

Assim sim, gosto de vos ver.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 18 maio 20:13 | Comentários (6)

Ai que nervoso!

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 18 maio 16:35 | Comentários (7)

Parceria Público-Privado

Quando Nobre Guedes chegou ao Governo reparou que tinha ministério mas já não tinha gabinete. José Luís Arnout tinha-lhe posto os tarecos na Rua do Século e ocupado o belo palacete. Sem espaço para trabalhar, e confirmando que a competência é mesmo “a marca dos ministros do CDS”, sabemos agora que Nobre Guedes tudo fez para proteger o erário público e evitar a duplicação de despesas com instalações e funcionários. Começou a despachar nas instalações do Banco Espírito Santo.

Publicado por pedro sales em quarta-feira 18 maio 15:16 | Comentários (2)

Armistício na 2ª Circular

Hoje estou com a lagartada. Como diria um antigo presidente do clube: força Sportém!

Publicado por celsomartins em quarta-feira 18 maio 15:09 | Comentários (3)

Blasfémias a propósito da Bombardier

Por que é que investidores estrangeiros sérios se preocupariam com um inexistente risco do governo português os expropriar? O governo português, que eu saiba, ainda não expropriou nenhuma empresa estrangeira que esteja a laborar em Portugal.

Suponho que o João Miranda não defenda que devemos tolerar a fraude, o tráfico de influências, ou o trabalho escravo, porque isso pode criar custos acrescidos e desincentivar empresários, sejam eles portugueses ou estrangeiros?

Esta expropriação faz sentido se as instalações forem úteis para a manutenção das carruagens da CP, que costumava ser feita pela Sorefame, e que o governo compreensivelmente não quer entregar à Bombardier. Faz também sentido como sinal de que o golpe de génio final destes desinvestidores professionais, primeiro fechar a fábrica da concorrência e depois urbanizar os terrenos, não se concretizará.

Quanto ao Estado especulador imobiliário, não contesto que muitas autarquias o sejam, e alguns departamentos do Estado central sejam cúmplices nisso. Mas há exemplos de Estados civilizados e bem liberais – como a Inglaterra – em que não é assim. Não é inevitável, nem tem nada a ver com o Estado, tem tudo a ver com Portugal.

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 18 maio 13:54 | Comentários (4)

O filme político do ano

A Intérprete é o filme mais explicitamente político mais interessante que vi este ano. Pollack consegue fazer um thriller bem conseguido – apesar de algumas fragilidades, nomeadamente a interpretação por vezes meloso-dramática do Sean Penn – sem cair (geralmente) no previsível, ou trair a política difusa e confusa deste início de século. Só não fiquem à espera, como aparentemente sucedeu com alguns críticos, de um boletim de voto no final com uma cruzinha no sítio certo.

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 18 maio 12:24 | Comentários (2)

Bombardier

O governo não é de modas.

Mais uma vitória contra a especulação imobiliária.

O melhor mesmo é mandá-los de volta para o Canadá para irem pedir mais uns subsídios ao sítio do costume.

Um anúncio útil, quem quiser desinvestir em Portugal não é bem vindo!

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 18 maio 12:15

maio 17, 2005

Gene Canhoto strikes again

Como se já não fosse suficiente escrever, a partir de Chicago, uma das melhores colunas semanais dos jornais portugueses, a Joana Amaral Dias aderiu à blogosfera. O Bicho Carpinteiro é, por agora, escrito a meias com Medeiros Ferreira e Maria João Regala, mas os autores prometem adicionar mais comentadores.A julgar pelo primeiro dia, arrisca-se mesmo a ser uma companhia diária. Segue para os favoritos do Barnabé dentro de momentos.

Publicado por pedro sales em terça-feira 17 maio 22:45 | Comentários (3)

Fernando Magalhães

O desaparecimento, anteontem, de Fernando Magalhães, crítico musical do Público, deixou-me muito triste. Magalhães era uma voz dissonante e convicta na crítica musical portuguesa em cujos textos líamos não apenas uma extraordinária paixão pela música como uma férrea resistência ao «fast food» musical. Os seus interesses andaram quase sempre nas franjas da popularidade (do prog-rock ao Krautrock, passando pelo jazz ou a folk). A mim que cresci musicalmente depois do terramoto do Punk - um sismo libertador que também trouxe alguns interditos - deu-me a conhecer alguns dos que são hoje os meus ídolos como Robert Wyatt, Nick Drake, Peter Hammill ou os King Crimson e a ver noutros que a crítica rotulava de «dinossauros progressivos», pioneiros de novos mundos sónicos e criadores de poéticas singulares. É claro que nem sempre (ou muitas vezes) concordava com as suas críticas, mas o modo como as escrevia, com um humor e uma entrega desalinhadas que não são deste tempo tão global e tão igual não retirava um cisco à atenção que despertavam. Com o seu desaparecimento, a crítica cultural portuguesa fica muito mais pobre.

Publicado por celsomartins em terça-feira 17 maio 15:55 | Comentários (2)

Diga lá outra vez: Uzbequistão

Aqui está um país ideal para Bush invadir. Até já lá tem bases e tudo. E se não conhece, devia conhecer bem o regime autoritário e sangrento do seu aliado Islam Karimov, que acaba de reprimir de forma ainda mais sangrenta do que habitual uma manifestação de oposição ao seu poder pessoal. Mas, não sei porquê, duvido. Se for para repetir as asneiras do Iraque mais vale nem tentarem.

E estranho, amigos da direita liberal, sempre tão atentos à liberdade e à democracia, excepto na Madeira, e agora tão preocupados com a violação à liberdade das empresas por causa de uns míseros chaparros, que também o Uzbequistão não vos ocupe ou preocupe nem que seja por uns minutos. Será por causa do islamismo? Diz o nosso amigo Karimov que estes malandros são todos uns islamistas. Diz a BBC que as pessoas estão fartas dele e estes islamistas até são pacifistas. Pormenores. Como pormenor é, suponho, o facto do actual governo (quase completo) do Iraque ser dominado por... islamistas. Mundinho complicado.

Publicado por bruno cardoso reis em terça-feira 17 maio 13:56 | Comentários (23)

O blogue ideal ou uma certa ideia de blogue

Pedro Mexia abordou a questão do blogue ideal em dois textos que já foram mais recentes. Alguns dos comentários a que responde no segundo deles reflectem bem os problemas de qualquer discurso crítico em Portugal. Um país onde geralmente há uma, ou duas ortodoxias de pensamento. Onde se confunde crítica com dizer mal, o que se percebe por que há realmente muita gente que parece não saber a diferença, para quem a maledicência passa por pensamento crítico. Onde muitas vezes se diz que gostos não se discutem, quando nada dá mais gozo discutir. Onde se tende a reduzir tudo a questões pessoais, invejas quando se aponta falhas, vénias quando se realça qualidades.

É verdade que não existe um blogue modelo, pelo menos modelo obrigatório quanto ao conteúdo. São mais-qu’às-mães. Mas isso não impede que cada um possa ter o seu modelo de blogue e um consequente discurso crítico sobre a blogosfera. Apesar disso, os textos de PM parecem-me curtos apesar de longos para o meio, insatisfatórios apesar de interessantes.

O pretexto para esta reflexão de PM é explicar porque é que, embora reconheça que fez muito pela divulgação deste mundo virtual – coisa que ninguém discute – ele não gosta do Abrupto. Eu também não, mas não percebo que PM o justifique em termos de dizer que os blogues de que gosta são mundividentes, dão-lhe uma ideia de como o seu autor vê o que o rodeia. Ora isto é vago. Todos ou quase todos os blogues nos dão uma certa ideia da mundividência do autor, talvez mais os menos interessantes e mais confessionais, coisa que PM diz não gostar particularmente. O Abrupto é um bom exemplo. Há até quem atribua o seu sucesso a um exercício de voyeurismo intelectual consagrado na publicação do fan-mail: os seus leitores querem ver e ler o que JPP vê e lê para pensarem como ele pensa, e alcançarem o génio que ele é. Fica clara no blogue a bibliofilia de JPP, os seus gostos em poesia, pintura ou música, o seu interesse pelo estudo do comunismo, e mais raramente as suas opiniões políticas, mas apenas porque tem outros sítios onde as expor. O que me desinteressa do blogue é que o faz – excepto quanto à política – em doses cavalares e com pouca digestão. Ou seja, vemos o que JPP gosta que a gente veja. Mas o autor não oferece grandes razões para o fazer para além da sua pessoa.

Prefiro blogues que dêem menos em termos de simples visão, e mais em termos de explicação estética, análise política, divagação literária ou comentário humorístico. Mundividência sim, mas um bocadinho trabalhada se faz favor. E se assim for até a confessionalidade pode ser interessante. Interessantemente PM parece excluir a política da sua noção de mundividência. Há aqueles para quem é impensável uma visão não-política do mundo, outros para quem ela parece dispensável ou pior. Ainda recentemente um texto do Público reduzia a Blogosfera ao critério da influência política. Parece-me que por muito que se tente desistir da política, dificilmente a política desiste de nós. Mas tenho gostos ecléticos, que misturam géneros e preocupações. Para mim o que importa acima de tudo é que o autor acrescente um ponto. Na sua origem e estrutura os weblogs podiam tender para o modelo confessional, mas sentido originário e estrutura inicial raramente são definitiva prisão de palavras ou acções. É por isso que o discurso crítico faz tanto sentido, especialmente na blogosfera, onde tanto coisa ainda está em aberto. Nisso penso que PM e eu estamos de acordo.

Publicado por bruno cardoso reis em terça-feira 17 maio 12:33 | Comentários (1)

Acertou

Fiz o teste proposto aqui pelo Rui e estou, como ele, próximo dos "Verdes". Mas, ao contrário dele, da tendência verde que é contra esta Constituição Europeia. Depois dos "Verdes" aparece, mais distante, o Partido Comunista e a ala esquerda do PSF, por esta ordem, também as duas contra esta Constituição Europeia. Ao contrário do Rui, revejo-me não só na proximidade partidária mas na minha posição em relação ao Tratado Constitucional. Porque defendo um processo constituinte democrático, sou contra a constitucionalização da obsessão anti-deficitária que tem impedido a Europa da sair da crise em que se encontra e defendo a europeização dos direitos sociais, ausentes no Tratado, votarei convictamente "não". No caso, em Portugal.

Rui, o teste é bom. As tuas posições políticas é que, provavelmente, não batem certo com esta Constituição Europeia.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 17 maio 01:47 | Comentários (38)

Mõssiê Roui Tavarrèss?

O Filipe Moura desafiou uma série de pessoal, e os barnabés entre eles, a fazer este teste político francês. Eu acabei por descobrir aquilo de que já sabia quando lá vivi: que estou entre os Verdes e o PSF. Mas não sei se concordo com o rigor do diagnóstico, nomeadamente sobre as questões da Constituição Europeia (inclinado para o sim, mas com dúvidas) e da responsabilidade pessoal. Para falar verdade, acho que este teste tem poucas perguntas e é um pouco tosco. Mas para mais detalhes, cliquem no linque abaixo.

Vous vous situez à gauche.

Les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :

1. les Verts
    La tendance des Verts dont vous êtes le plus proche est en général plutôt POUR la Constitution européenne.

Et, dans une moindre mesure :

2. le Parti Socialiste
mais vous êtes plus ouvert sur les questions liées à l'évolution des moeurs.
    Lors d'un référendum interne, les militants du Parti Socialiste se sont prononcés à 59% POUR la Constitution européenne. (L'aile droite du parti était en général POUR, l'aile gauche du parti, ainsi que Laurent Fabius et ses partisans, étaient CONTRE, le reste du parti était divisé).


Le(s) parti(s) qui vien(nen)t ensuite :
3. le Parti Radical de Gauche (PRG)
mais, en règle générale, vous accordez plus d'importance au contexte dans lequel les gens évoluent (ou moins d'importance à leur responsabilité personnelle).
    Le PRG est plutôt POUR la Constitution européenne.

Publicado por ruitavares em terça-feira 17 maio 01:16 | Comentários (4)

maio 16, 2005

Primeira medida: blindar o balneário

Octávio Machado é o candidato do PSD a Palmela. Obviamente, depois de blindar o balneário da câmara, o "palmelão" tratará de proteger os munícipes dos "Big Ladens" da política.

Publicado por nunosousa em segunda-feira 16 maio 19:37 | Comentários (6)

A ordem natural das coisas

Luís Nobre Guedes chegou ao governo e levou logo um puxão de orelhas de Álvaro Barreto. Lembram-se? O Ministro do Ambiente aproveitou então a entrada de leão para passar ao país a ideia de que estava na política por acreditar em valores e não para servir interesses, tal como, aliás, todo o seu partido.

Nobre intenção, dirão uns acentuando enfaticamente "intenção". Permitam que discorde. A crer nos jornais não se confinou a mera intenção, foi antes uma postura coerente e efectiva do início ao fim (que até se estendeu pelos descontos). É só uma questão de perspectiva. Reparem, até podemos manter a frase - "acreditar em valores e não servir interesses" - que ela adequa-se na perfeição, sobretudo se substituirmos "valores" por "interesses" e "interesses" por "valores". E assim sim, está catita. Mas isto, friso, só a crer nos jornais.

Quanto às investigações, há que aguardar. Pacientemente. Da mesma forma como por exemplo a ponte de Entre-os-Rios caíu naturalmente (dada a constante remoção de areias era apenas natural que a ponte caísse), assim poderão naturalmente os sobreiros ter ruído. É que uma moto-serra aplicada horizontalmente na base de um sobreiro faz com que ele caia. Ou não? É tão óbvio que nem se percebe o espanto. Deixemos pois a justiça funcionar. O povo é sereno e isto pode ser só fumaça. Até porque, já estamos habituados, o problema disto tudo são os jornalistas, os ambientalistas, a PJ, os intelectuais e, muitas vezes acima de todos os outros, os sindicalistas. Ah pois.

Publicado por nunosousa em segunda-feira 16 maio 02:55 | Comentários (12)

Soltem os sobreiros


Os últimos prisioneiros políticos do socialismo português.

Não, caro Rodrigo Adão Fonseca, eu não pretendi sugerir que você tolerasse o tráfico de influências [antecedentes desta conversa: um post meu aqui, e uma réplica do RAF ali]. Você é, bem entendido, contra o tráfico de influências, como eu sou evidentemente contra a estatização da sociedade e todos os portugueses são (como poderia ser de outra forma?) contra a construção desregrada. Aquilo que me contraria é a oportunidade da crítica à estatização a propósito de um caso de possível tráfico de influências que se levado a seu termo teria dado origem a mais um exemplo de construção desregrada.

Ainda por cima, no caso do sobreirogate, nada nos leva a crer que a acção do estado fosse excessiva. A crer nas notícias, o empreendimento do Espírito Santo foi recusado por uma funcionária técnica, com base em critérios técnicos, pelo menos quatro vezes numa década. Mais ou menos assim:

– Oh pá, podemos fazer um empreendimento ali?
– Não, que aquilo está cheio de sobreiros.
– E não podemos cortar os sobreiros?
– Não que os sobreiros são protegidos.
– Oh pá, mas o nosso empreendimento é que era bom!
– Não pode ser.
– Mas não pode mesmo? Não pode mesmo, mesmo, mesmo?
– Não.

O problema parece-me antes que está em o Espírito Santo ser um pouco duro de ouvido. Mas resolveu-se através do afastamento da dita funcionária e a declaração ministerial de que o dito empreendimento turístico seria de "imprescindível utilidade pública". Imprescindível, veja-se bem, o que quer simplesmente dizer que não se poderia passar sem ele. E tão imprescindível até que aquilo que tinha esperado durante mais de uma década não podia de todo esperar mais uns dias para ser resolvido por um novo governo.

Em vista deste quadro, dizer que se o estado não metesse o bedelho nestes assuntos não haveria tráfico de influências parece-me correcto, mas curto. Não haveria tráfico de influências – nem sobreiros.

A questão está em que ser proprietário, hoje em dia, já não significa nem apenas, nem exactamente, deter o jus utendi et abutendi, ou seja, o direito de usar e abusar de uma coisa sua. Existem coisas sobre as quais o direito de propriedade é limitado, e mais ainda no caso de um país pequeno e de recursos escassos: se eu for proprietário de um monumento nacional não posso demolir a fachada, se um curso de água nascer no meu terreno não posso despejar nele uma boa dose diária de mercúrio e se eu for proprietário de um extenso montado de sobreiro que comprei ao preço de 38 cêntimos cada metro quadrado para fins exclusivamente agrícolas não posso, naturalmente, construir ali prédios e hóteis. Não posso, sei que não posso e é bom que não possa. Até porque – regressando ao direito romano – a propriedade só é o direito de usar e abusar de coisa sua quateus juris ratio patitur, "conquanto a razão do direito o permita". E neste caso não permitia.

Donde: o estado não agiu excessivamente; limitou-se a repetir ao Espírito Santo aquilo que o Espírito Santo já estava careca de saber mas não queria aceitar.

Que o mesmo Espírito Santo – como talvez se venha a confirmar – tenha tido acesso a governantes dispostos a decretar que afinal o baixo era alto e o cru era cozido, os sobreiros dispensáveis e o empreendimento imprescindível, demonstra cabalmente que o excesso de poder do estado sobre a economia foi aqui um problema ridículo quando comparado com o excesso de poder do Espírito Santo sobre o estado.

Existem inúmeras ocasiões para deplorar o peso do estatismo sobre a sociedade (por exemplo: há casais que não podem contrair matrimónio neste país só pelo facto de serem ambos do mesmo sexo). O sobreirogate não foi um deles, a não ser que suponhamos que os sobreiros sejam dotados de vontade própria e vivam vergados sob o despotismo colectivista. Mas ele há gente para todo o tipo de opiniões escaganifobéticas.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 16 maio 02:27 | Comentários (2)

Estamos quites

Os britânicos deram-nos os Monty Python, Fawlty Towers, Allo Allo e, mais recentemente, The Office. Só por esses altíssimos momentos da comédia devemos eterna gratidão aos nossos velhos e pouco fiáveis aliados.

Mas Portugal sabe responder à altura, e acrescentar ao reconhecimento o retorno. Com três nomes apenas se escreve a palavra génio: João, Carlos, Espada. A sua coluna deste sábado no "Actual" do Expresso teria de ser reproduzida na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos dignos da nossa retribuição cómica aos britânicos:

«Parabéns, Primeiro-ministro... Os meus amigos sabem, e os leitores atentos também, como estou longe de subscrever algumas das modas modernas do New Labour, a começar pela sua hostilidade contra a caça à raposa. Mas julgo ainda ser capaz de reconhecer um homem de carácter – "a gentleman, as one used to say" – e Tony Blair pertence a esse género em vias de extinção. O teste decisivo foi a questão do Iraque, e ele superou-o com clássica compostura, como Churchill gostava de dizer»
... «Almoços no Athenaeum De regresso a coisas sérias, tive dois almoços curiosos no Athenaeum, o imponente clube de Pall Mall, que deixa o meu Oxford & Cambridge um pouco apagado. John O'Sullivan e Kenneth Minogue são dois "true blue tories", amigos pessoais de sra Thatcher...»

(Confesso que aqui fico um pouco desiludido por João Carlos Espada não ter utilizado antes o título de Lady Thatcher, que seria bem mais apropriado, não é verdade?)

«...O cenário não podia ser mais imponente. A câmara de debates da Associação de Estudantes reproduz integralmente a Câmara dos Comuns. Os mesmos rituais de discussão são ali seguidos, apenas com mais pompa e circunstância. Os jovens membros da associação dirigem os trabalhos vestidos a rigor: eles de casaca e rosa na lapela, elas de vestido comprido...»
«Um homem decente. A seguir ao debate, celebramos a vitória no bar do Randolph Hotel. Informo O'Hear de que Lord Plant acabar de aceitar juntar-se à Comissão Organizadora dos Encontros Internacionais de Estudos Políticos de Cascais. O'Hear é um distinto filósofo conservador, director do Royal Institute of Philosophy, e acabo de o convidar a associar-se também à comissão organizadora. Aguardo com alguma apreensão a resposta dele perante a chegada de um trabalhista: "Com todo o gosto. Plant é um homem decente e a garantia de que teremos discussões infindáveis." A seguir, brindamos à ideia de Universidade.»

E eu, daqui do meu cantinho, desejo também propor um brinde. Leitores, acompanhem-me! Ao regresso de João Carlos Espada à sua melhor forma...

Publicado por ruitavares em segunda-feira 16 maio 00:09 | Comentários (3)

maio 15, 2005

Lampião velho

Estou a ver que os outros barnabés lampiões estão – como eu – a adiar por uma semana os seus comentários. Fazem bem, fazem muito bem.

Publicado por ruitavares em domingo 15 maio 17:09 | Comentários (6)

Problemas nos comentários

Há qualquer coisa que não está a funcionar bem com os comentários, como já não funcionava com os "trackback pings". Não sabemos qual é a origem do problema. Enquanto não o conseguirmos resolver, é provável que depare com uma mensagem de erro. Quero que saibam que não é nada com um ou outro comentador em particular (já recebemos queixas por email) mas um problema geral.

Publicado por ruitavares em domingo 15 maio 17:05 | Comentários (2)

Outra vez

Pelo segundo ano consecutivo, o clube que tem a melhor equipa nacional corre o risco de ficar em terceiro lugar. A culpa é do Sporting. Não basta ser o melhor.

Publicado por danieloliveira em domingo 15 maio 13:01 | Comentários (6)

maio 14, 2005

Eh lampiões!

Então parabéns rapaziada! E espero que aqui o velho Trap tenha aprendido com Peseiro esta noite: a falta de ambição pode matar. Se no Bessa jogarem para o 0-0 arriscam-se a vir de lá com um grande melão. Caso contrário talvez tragam o caneco. Para já o melão é todo nosso. Façam-me um favor: ponham na conta do Peseiro.

Publicado por nunosousa em sábado 14 maio 23:15 | Comentários (8)

Silly Saturday

marquespombal.jpg

Prosseguindo a natureza tola deste sábado, nomeio o 14 de Maio em Portugal como Dia Oficial dos Ateus Renascidos.

Publicado por joaomacdonald em sábado 14 maio 20:48

Legalize it, man!

«"Charro" aproxima Portugal e Dubai», título do Expresso.
O enbaixador António Monteiro acha que o episódio do charro acabou por «Proporcionar um inesperado fortalecimento de laços entre Portugal e o Dubai».Já se conheciam as propriedades medicinais da canabis, agora vem provar-se a sua utilidade diplomática, podendo mesmo a sua legalização universal ser a chave para o sonho de um mundo mais pacífico. Afinal, nada de mais natural: quantas guerras não serão evitadas se os líderes desavindos se juntarem a uma mesa para dar umas gargalhadas descontraídas enquanto fazem apostas para ver quem tem os olhos mais esbugalhados? Toda esta concórdia pede, como me dizia hoje o Rui Tavares, um agradecimento: Obrigado Ivo.

Publicado por celsomartins em sábado 14 maio 14:53 | Comentários (5)

maio 13, 2005

Na alma a chama

Quem a sabe toda é o Papoilas Saltitantes:

E os outros, podem ganhar, ser os maiores, ser tudo o que quiserem. Mas nunca vão ser do Benfica. Nós somos. Que se foda o resto.

Nota: obrigado ao João Marçalo pelo toque. Eu por mim entro em estágio de ansioterapia até amanhã. O estado do país e do mundo vai ter de esperar para que coisas mais importantes se resolvam. Quem não estiver interessado tem aí ao lado uma coluna cheia de imprensa estrangeira.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 13 maio 14:45 | Comentários (12)

Hoje, às 18h00

O mês passado falei aqui sobre Carlo Ginzburg, um dos fundadores da micro-história. Para os interessados, saibam que Giovanni Levi, o outro fundador, tem estado em Lisboa a dar conferências. Levi é uma figura tão memorável como Ginzburg, embora menos famoso, e dá sempre excelentes conferências. A de hoje, na Livraria Ler Devagar (ao Bairro Alto, em Lisboa) é sobre os "Usos políticos da história". A gente vê-se por lá.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 13 maio 13:48 | Comentários (3)

A treze de maio, neste mesmo dia, apareceu brilhando...

marquespombal.jpg

...Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal. Se dependesse dele faria hoje exactamente 306 anos.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 13 maio 00:52 | Comentários (19)

maio 12, 2005

Coitadinhas das empresas

A propósito do sobreirogate começa a surgir uma doutrina extravagante segundo a qual a culpa do caso está no excesso de estado. Já a ouvi cantada em diversas escalas por Pacheco Pereira n'A Quadratura do Círculo, por blasfemos no Blasfémias, por comentadores nos seus comentários e agorinha mesmo por Carlos Rosado de Carvalho e Raul Vaz na SIC-notícias.

A cantiga é mais ou menos esta: o estado tem demasiado peso no nosso país. Isso obriga as empresas a ser inventivas na consecução dos seus intentos, nomeadamente exercendo influência sobre os governantes. É desagradável, mas se o estado tivesse menos peso não acontecia.

De facto, se o estado não tivesse que meter o bedelho nestas coisas já o empreendimento imobiliário-"turístico" de Benavente tinha podido avançar livremente sem precisar de autorizações de estado. E, em geral, não havendo autorizações, não haveria necessidade de ser inventivo. Não havendo necessidade de ser inventivo, não haveria necessidade de chatear os pobres dos governantes.

É o ovo de Colombo: tal como na psicanálise a culpa é sempre da mãe e nos policiais do mordomo, aqui a culpa é sempre do excesso de estado.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 23:12 | Comentários (4)

Série Barbosa

Enquanto tudo isto, a igreja católica portuguesa ameaça fazer concorrência desleal à nova época do Gato Fedorento. Um pobre padre de Lordelo do Douro, habituado a dizer os seus disparates longe dos microfones da rádio resolveu proclamar, em plena missa do sétimo dia da morte de Vanessa Pereira – uma criança de cinco anos presumivelmente assassinada –, isto que se leu aqui abaixo, a saber: que o aborto é pior ainda do que tal assassinato porque "uma menina de cinco anos [ao contrário do feto] pode reagir, pode chorar, queixar-se".

Como é evidente, caiu tudo em cima do senhor cura, que ainda enfiou mais os pés pelas mãos. Até o próprio bispo de Leiria-Fátima sentiu necessidade de se demarcar do pároco. Ouvi as suas declarações há pouco na SIC-notícias. O que é insólito é que, querendo preservar a todo o custo a ideia de que o feto é uma criança (o bispo ia falando em "crianças de quatro semanas") o bispo se recusou a admitir que pudesse considerar uma diferença entre um caso e outro, ou seja: se o aborto não é pior do que infanticídio, o que aconteceu à Vanessa Pereira também não é pior do que um aborto?

Então temos de fazer um referendo para aumentar as penas. Dez anos de prisão por aborto, está bem?

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 23:12 | Comentários (6)

Sábado em Évora

No dia 14 de Maio tem lugar em Évora – na Universidade – o encontro Resistências e Alternativas. A iniciativa é das organizações do Forum Social Português. Neste sítio podem encontrar o programa. Além dos debates e mesas temáticas, há cinema [o novo documentário de Sérgio Tréfaut, Lisboetas, e o filme Entreatos, do brasileiro João Salles, que acompanhou Lula filmando os bastidores da campanha que o levou ao Palácio do Planalto – e este é um filme que foi premiado no Festival de Cinema de Brasília, o segundo mais importante do país], música e animação cultural.

E para os servos da bloga, há uma mesa-redonda às 14h30 sobre blogosfera. Contará com as presenças do Paulo Querido, do Luís Rainha, do José Mário Silva, do Rui Tavares (com uma comunicação surpreendente uma vez que o próprio ainda não sabe o que vai dizer), e de outros ainda porque a lista de participantes ainda não está fechada.

Apareçam por Évora, que a gente fica conversando ali um bocadito.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 18:43 | Comentários (2)

Igreja pouco Católica

«Matar uma pessoa no seio materno é mais grave do que matar uma pessoa que não se pode defender. Uma menina de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se»".

As palavras, que a TSF regista, foram proferidas pelo padre Domingos de Oliveira durante a missa de 7º dia em honra de Vanessa Pereira, a menina de cinco anos encontrada morta no rio Douro.

Publicado por pedro sales em quinta-feira 12 maio 17:59 | Comentários (10)

Manobra de diversão

Um escândalo financeiro varre o CDS. Qual é o assunto do editorial do "Diário de Notícias", assinado por um senhor Raul Vaz? O suspeito silêncio do Bloco de Esquerda.

Publicado por danieloliveira em quinta-feira 12 maio 17:48 | Comentários (4)

O diabo está no detalhe

No dossiê do Público de hoje sobre o Benaventegate há uma pequena notícia com o seguinte título:

«Santana solidário com Nobre Guedes, Telmo Correia e Costa Neves»

Quando a gente lê o texto vê o que já foi dito ontem pela generalidade da comunicação social, ou seja, que Santana fez questão de dizer que "a solidariedade com os meus ministros mantém-se", mas também que "agora, se tivesse sido uma decisão na qual eu tivesse participado, estaria lá (no despacho) a assinatura do primeiro-ministro". Ou seja, Santana declara solidariedade. Mas a solidariedade não é uma coisa que simplesmente se declara mas que se pratica. Mesmo quando a solidariedade se limita à linguagem, ela é performativa. E quando se acrescenta à linguagem um acto de sinal contrário, a solidariedade caduca.

O que fazer? Muito simples. Em vez do título que foi utilizado, mudar para o seguinte:

«Santana "solidário" com Nobre Guedes, Telmo Correia e Costa Neves»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 17:38 | Comentários (1)

É por isso que os historiadores se sentem em casa

No Público [sem link]: o director da Torre do Tombo, Pedro Dias, pediu a demissão e dá a conhecer a situação catastrófica do Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo:

«...[a partir do final deste mês] não tem dinheiro para pagar as despesas mais elementares, como a água, a luz ou os telefones.»

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 17:33 | Comentários (2)

Entretanto, na guerra contra o terrorismo

San Francisco Chronicle - By definition, a terrorist: "Quando é que um terrorista não é um terrorista? Quando se trata de um "freedom-fighter" anti-castrista escondido na Florida [apesar de ter posto uma bomba num avião civil, matando 73 pessoas, no ano de 1976]."

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 15:18 | Comentários (4)

Les Vacances de Monsieur Barroso

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Um deputado Inglês, Nigel Farage, entregou hoje no Parlamento Europeu uma moção de censura, subscrita por 74 eurodeputados, à Comissão Europeia presidida por Durão Barroso. Insurgindo-se contra a recusa de Durão em prestar esclarecimentos sobre as suas férias milionárias pagas por um armador grego "amigo", a moção obriga Barroso a prestar os esclarecimentos a que se tem constantemente furtado nos últimos dois meses.

p.s: Numa altura em que muito se fala no nosso país sobre tráfico de influências, talvez valha a pena lembrar que o armador amigo, Spiro Latsis, é o dono da Lamda Shipyard, empresa que recebeu 10 349 269 euros como ajudas regionais concedidas pela União Europeia...depois da viagem de Durão Barroso.

Publicado por pedro sales em quinta-feira 12 maio 12:34 | Comentários (4)

The Portas, Paulo and Querida Mamã Foundation

Três notinhas sobre a fundação para a direita portuguesa que, segundo notícias deste fim-de-semana, Paulo Portas vai fundar com dinheiros americanos.

1. Alguma direita ficou em extâse com a ideia. Com alguma razão, a coisa levou-os a lembrar o estafado exemplo do ressurgimento da direita americana após a hecatombe eleitoral de Barry Goldwater em 1964. Como se sabe, depois de terem percebido que estavam desfasados em relação à maioria da sociedade americana, os arquiconservadores de então não pensaram em render-se e recuperar desse desfasamento sintonizando-se com a sociedade. Decidiram antes injectar fortunas em fundações e think tanks de trabalho ideológico, e que em grande parte se destinaram a tentar convencer a sociedade americana de que ela, afinal, é que precissava de sintonizar-se com eles.

Há no entanto, um diferença fundamental. Paulo Portas não foi derrotado numa candidatura emergente e seminal. Paulo Portas e a restante direita portuguesa foram derrotados depois de estarem três anos no governo a falhar sucessivamente em tudo o que se meteram, nomeadamente os seus objectivos principais (o défice), e chefiando uma maioria que derrocava em incompetências e trapalhadas como um velho prédio lisboeta. Paulo Portas não está num "momento Goldwater" – esse teria sido o seu tempo de O Independente, nem num "momento Reagan" ou "momento Bush". Paulo Portas já está para lá até do próprio "momento Portas". Teve ocasião de provar o que valia, e falhou.

2. Apesar de vir a ser construída sobre terreno resvaladiço, esta fundação não deixará de ser importante. Estamos num país onde existe uma geração inteira trancada do lado de fora das universidades. Onde essa geração acumula biscates a recibos verdes que não lhe deixa tempo para comprar livros, debater, pensar. Se tiver tempo não tem evidentemente dinheiro. E se tiver as duas coisas falta-lhe muito portuguêsmente a vontade.

A mera descoberta dos prazeres da respeitabilidade e do luxo académico já fez o que fez a ex-maoístas encarniçados como João Carlos Espada e José Manuel Fernandes. Hoje em dia já não há maoístas como há trinta anos, mas a minha previsão é que a mera existência de uma fundação que pague aos nossos jovens ideólogos da direita para serem continuarem a ser o que já são dará azo a consideráveis conversões. Ia chamar a estas conversões "oportunistas", mas não chamo. Existe uma personagem em Ana Karenina de quem Tolstoi diz algo nestes termos: "não se tratava tanto de procurar ter apenas amigos com fortunas, mas antes de sentir sempre uma espontânea amizade e ternura por pessoas que tinham fortunas" (cito de memória). Há muito pouco de calculista nestas coisas.

3. A forma como Paulo Portas foi aos EUA recolher os seus dividendos pelo seu pró-americanismo no governo pode ter parecido indecorosa a muitos, e com razão. Até o seu porta-voz não poderia ser mais claro no estabelecimento do nexo causal entre fragatas e medalhas, e com a mesma clareza se chega ao "amiguinhos passem aí uns milhões para eu fazer um think tank para os patêgos do meu país". Ainda por cima quando o caldo de cultura do CDS/PP é feito deste tipo de fluídez.

Mas à esquerda não adiantará grande coisa lamentar-se de que não tem o Grupo Mello ou o Espírito Santo ali à mão para fundar um centro de estudos ou uma editora. Faz parte da natureza da esquerda não ter acesso, bem ou mal, a essas facilidades. Eles falem para a massa, nós falemos para as massas (este foi um momento de demagogia marxista em que me deixei descarrilar porque achei piada ao trocadilho; não é para levar inteiramente a sério). O voluntarismo com pouco retorno está no karma da esquerda, que tem de se habituar a ultrapassar os caprichos e inimizades dos seus partidos e até trabalhar para lá deles. Assim conseguirá fazer, com mais gente e mais trabalho, o que os outros fazem com o apoio financeiro que os seus correligionários ricos naturalmente lhes dão. O problema é outro: vejo que muita gente, agora que tirámos a direita do poder, desejaria antes dedicar-se a ler uns romances, visitar mais os pais ao fim-de-semana e em geral tirar a política do pensamento. É compreensível e até certo ponto desejável, mas infelizmente a volatilidade actual não aconselha estas atitudes.

Também os desenvolvimentos pré-eleitorais e partidários recentes, como o fracasso da coligação em Lisboa e a negligência com que estão a ser preparadas as presidenciais, me deixam apreensivo. Os nossos partidos de esquerda parecem não compreender que as maiorias sociais são diferentes das eleitorais. As maiorias eleitorais duram (artificialmente) quatro anos. As maiorias sociais cantando vêm e cantando vão. A direita está já a trabalhar para a próxima.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 12 maio 12:27 | Comentários (6)

maio 11, 2005

O regresso da múmia

O Washington Post publica uma reconstituição da cara do famoso faraó Tutankhamon a partir de um TAC à sua múmia. Ainda há quem se queixe da demora nos cuidados de saúde em Portugal. Aparentemente o homem morreu de uma fractura que infectou, e apesar de ser rei demoraram mais de três mil anos a fazer-lhe um simples TAC!

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 11 maio 09:53 | Comentários (15)

Em defesa das mais profundas tradições nacionais, descriminalização imediata do tráfico de influências.

Luís Nobre Guedes, Abel Pinheiro (antigo tesoureiro da direcção de Paulo Portas) e três elementos do Grupo Espírito Santo foram hoje constituídos arguidos no âmbito de um processo de tráfico de influências, que envolve um despacho do anterior Governo a permitir o abate de sobreiros e a abrir caminho à construção de um empreendimento turístico em Benavente.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 11 maio 03:16 | Comentários (25)

Hurra pela liberdade!

Uma notícia triste para toda a gente cujos centros de prazer no cérebro são excitados por sermões aos outros sobre como devem comportar-se:

Público - Última Hora: Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros Ivo Ferreira já foi libertado no Dubai.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 11 maio 02:54 | Comentários (31)

maio 10, 2005

Novas Diplomacias

José Sócrates vai a Moscovo para insultar a memória dos militares russos mortos durante a Segunda Guerra Mundial.

José Sócrates vai a Moscovo exigir desculpas de Putin pelos crimes do Estalinismo e pela ocupação das república bálticas.

José Sócrates vai a Moscovo para exigir que a Rússia passe a ser uma democracia plena e exemplar como o Iraque ou, pelo menos, a Madeira.

José Sócrates vai a Moscovo para comunicar que afinal, Portugal já não quer que Guterres seja Alto Comissário dos Refugiados. Preferimos deixar a dança das cadeiras para as grandes potências, conhecemos o nosso lugar.

Publicado por bruno cardoso reis em terça-feira 10 maio 13:33 | Comentários (11)

Europa ano 0


Foto: www.focusgallery.co.uk

A ideia de uma Europa cada vez mais unida, mas no respeito pela diversidade, de uma Europa pacífica, próspera e solidária, nasceu de parto bem doloroso no meio da devastação da Segunda Guerra Mundial.

Numa conferência em Londres o chief economist do Deutsche Bank explicava aos ingleses o seu europeísmo: ele tinha sido o primeiro da sua família em três gerações que tinha podido viver toda a sua vida adulta em paz. O seu avô tinha morrido em Verdun, o seu pai tinha morrido num campo de prisioneiros na Rússia.

Será que o que começou com o fim de uma tragédia nunca vista, vai acabar com uma farsa que seria bom não ver?

Publicado por bruno cardoso reis em terça-feira 10 maio 12:59 | Comentários (1)

Indignação pela memória

Mais de 10.000 pessoas impediram, pacificamente, uma manifestação neo-nazi em Berlim, no dia em que se comemorava a libertação da Europa e da Alemanha. Milhares de cidadãos alemães cercaram o local da manifestação, não aceitando este insulto à sua memória num dia tão especial.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 12:43 | Comentários (4)

'bora todos matar tchetchenos!

«Putin pede nova aliança contra o terror» "Público" [sem link]

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 12:28 | Comentários (2)

Cromos para a troca

Mendes livrou-nos destes.

Pode Sócrates livrar-nos deste?

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 03:32 | Comentários (7)

Incompatibilidades

Ribeiro e Castro criticou Sá Fernandes por se candidatar à Câmara depois de a ter posto tantos processos. Não sei qual é problema. O CDS também tem um autarca que está sempre caído nos tribunais: Avelino Ferreira Torres.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 02:42

Anda um gajo a limpar a casa para lhe porem lixo à porta

Marques Mendes não quer apoiar uma coligação entre o PSD e o CDS para Marco de Canavezes. O candidato seria Norberto Soares, vice de Avelino Ferreira Torres.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 02:40

Moche por uma virgem


Foto: Fernando Bustamante/AP

Procissão em honra da Senhora dos Desamparados, em Valência, Espanha. Acham que tocar em virgens dá sorte. E depois não se admirem por ficarem desamparados.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 02:37 | Comentários (2)

Era uma vez um país muito pequenininho

Sócrates foi à Rússia e falou uns minutos com Putin. Do investimento português na Rússia? De acordos bilaterais? Não. Da candidatura de António Guterres ao ACNUR.

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 02:35

Agarrem-me se não eu ganho


Foto: Lusa-Tiago Petinga

Publicado por danieloliveira em terça-feira 10 maio 02:33 | Comentários (1)

Ecce homo


Larry David

Na blogosfera americana, a jogada do momento foi a fundação de The Huffington Post, um portal+blogue de Arianna Huffington. Como esta comentadora e política semi-amadora helénico-americana está a cumprir a sua "travessia de freitas" da direita para o centro-esquerda, o sítio já é detestado pelos seus ex-companheiros republicanos. A esse ódio não deve ser estranho o facto de no blogue escrever gente como David Mamet, Norman Mailer ou John Cusack – e toda a gente sabe como os artistas, na peculiar visão de tolerância da direita, são apenas semi-cidadãos.

Eu passei a marimbar-me para esse dilema a partir do momento em que vi que um dos autores do blogue é Larry David, o co-autor de Seinfeld e génio torturado por detrás da personagem de George Costanza (se houver por aí algum azarado que não conheça a série ou George Costanza, dá de segunda a sexta na SIC/Comédia às 21h00). Logo no primeiro post, Larry David anuncia o seu apoio ao super-falcão John Bolton para a embaixada dos EUA na ONU.

Enquanto nenhum canal que se veja em Portugal se decide a transmitir a actual série do homem – chamada Curb Your Enthusiasm –, pelo menos sempre se vai matando saudades.

Publicado por ruitavares em terça-feira 10 maio 01:08 | Comentários (4)

maio 09, 2005

O que a Lire pensa da língua portuguesa

Um amigo chamou-me a atenção para que, depois do Nouvel Observateur ter nomeado José Gil como um dos mais importantes filósofos da actualidade, vem agora a Lire fazer a lista de "50 escritores para o futuro", e dá-se que a única representação da língua portuguesa faz-se pela escrita da brasileira Patrícia Melo.

Eu, que penso que o português é língua de quem quiser que dele seja, acho bem.

Publicado por joaomacdonald em segunda-feira 09 maio 20:42 | Comentários (1)

Sucessão democrática

A propósito de sucessões, lembrei-me desta anedota contada por um amigo egípcio há uns tempos atrás. O presidente Mubarak do Egipto encontrou-se com Hafiz al-Asad da Síria pouco tempo antes do falecido falecer e passar o posto de presidente ao filho Bashar. Asad perguntou a Mubarak se ele já tinha tratado das coisas no Egipto. Mubarak indignou-se: «No Egipto nós temos uma democracia! Não sou eu que vou escolher o meu sucessor! É o povo que escolhe! Eu vou deixar o povo escolher democraticamente qual dos meus dois filhos quer para presidente!»

Publicado por bruno cardoso reis em segunda-feira 09 maio 16:28 | Comentários (7)

Eu também estou a pensar em voltar a ser astronauta

Pedro Santana Lopes diz que vai voltar a exercer a advocacia.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 09 maio 02:14 | Comentários (6)

Cala-te homem, que assim dás cabo do negócio

Pedro Santana Lopes diz que vai trabalhar para uma multinacional. «Um ex-primeiro-ministro conhece muitas pessoas». É habitual ministros e Chefes de Estado fazerem lobby depois de saírem dos seus cargos. É, ao contrário do que muitos pensam, quando saem da política, por causa do que fizeram na política, que enriquecem. Na pequenez doméstica temos muitos exemplos e alguns bastante notórios. Por esse mundo fora há casos bem mais preocupantes. Homens como Carlucci são profissionais na caça a estes talentos retirados. Fizeram-lhe favores quando eram políticos. Ele retribui, podendo sempre contar com eles para continuar a falar com os políticos no activo. Que alguém dê nas vistas e vá receber uma medalhinha, vá lá, aguenta-se. O que não é da praxe é andar a espalhar a notícia.

O segredo é alma do negócio. O segredo não é alma de Santana. Santana não nasceu para o negócio.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 09 maio 02:13 | Comentários (3)

Agora é que te dá para te armares em esquisito?

Pedro Santana Lopes vai pôr um processo em tribunal ao jornal “Expresso” porque o seu director disse que ele não tinha credibilidade, pondo-o ao lado de Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Ou seja, Santana acha que não tem credibilidade por razões diferentes da falta de credibilidade dos dois autarcas. Não gosta da companhia. Vai dizer que não é corrupto? Mas os outros são? Se Santana acha que são, o que ahava quando era vice-presidente e presidente do PSD?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 09 maio 02:11

¡Que viva España!

Guardian Unlimited: Espanha concede amnistia a 700 mil imigrantes

«"Estamos muito satisfeitos", disse o ministro do trabalho, Jesús Caldera, "são quase 700 mil trabalhos recuperados à economia paralela"... Segundo os responsáveis, se incluirmos as famílias dos imigrantes, mais de um milhão de pessoas deixará de ser obrigado a esconder-se da polícia ou dos inspectores do trabalho... O ministro Caldera disse que a amnistia daria origem a um aumento das contribuições para a Segurança Social na ordem do bilião e meio de euros por ano.»

Publicado por ruitavares em segunda-feira 09 maio 02:10 | Comentários (20)

Jogo de sorte e azar


A Espanha está radiante porque vai nascer aquele que pode vir a ser o seu próximo Chefe de Estado. Pode-lhes sair um D. Duarte qualquer. Mas a Espanha está radiante.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 09 maio 00:10 | Comentários (5)

Em rigor... definitivamente

O Público de sexta-feira passada traz uma série de textos sobre os blogues e a política a pretexto dos dois anos do Abrupto. Ora nem de propósito um dos textos mostra o ridículo da pretensão maniqueísta: rigor da imprensa séria de um lado, perigos e incertezas dos blogues do outro. Aliás já levou a várias queixas, críticas e reparos.

Achei particularmente interessante que, mesmo havendo no texto principal material para se ficar com uma vaga ideia de que o Barnabé até é obra de uma esquerda vária (alguns diriam variada ou pior), na série de entradas curtas em que se define politicamente um conjunto de blogues com alguma imparcialidade nas asneiras, se diga a respeito do Barnabé que está 'definitivamente associado' ao Bloco de Esquerda por que um dos seus fundadores e mais profícuo postilhadores é militante do dito.

Podemos escrever o que nos apetecer que de acordo com o dito jornalista do Público (e bloguista, dizem-me) isso não interessa nada! É isso que seremos agora e para sempre, amen! Se calhar tem razão, Portugal é um país de leitura escassa, pensamento preguiçoso e preconceitos abundantes e lestos. Mas eu julgava que em rigor uma expressão tão definitiva não se usava num jornal de qualidade. Eu julgava que em rigor um jornal de referência informava, não se conformava com ideias feitas mais ou menos espalhados. Eu até achava que era um liberal de esquerda e um social-fascista nas horas vagas (para quem não percebe a piada, quer dizer simpatizante do PS). Mas talvez agora o Público tenha advinhos ao seu serviço, e possa dar, em rigor, garantias definitivas em relação ao futuro e ao estado das minhas convicções políticas.

PS - No mesmo número Vasco Pulido Valente acusa o governo Sócrates de ser cobardolas nas suas reformas. Ou seja, volta PREC estás perdoado! E ao lado do seu texto um artigo proclama «Calças de Napoleão dizem que ele morreu de cancro». Como é que ninguém se lembrou de as entrevistar antes? Valha-nos o editorial, em que José Manuel Fernandes defende que na Europa só mesmo a esquerda liberal é que pode fazer reformas de fundo. Eu bem dizia...

Publicado por bruno cardoso reis em segunda-feira 09 maio 00:03

maio 08, 2005

Reformas antecipadas e génios adiados

O PSD e o PCP votaram contra a lei da reforma antecipada dos autarcas, presidentes regionais e primeiro-ministros ao fim de 12 anos. Percebia se o argumento fosse que estão preocupados com a viabilidade da Segurança Social se a moda se generalizar. Mas não percebo o argumento de que os direitos do povo não podem ser limitados em democracia. Ou de que estes génios políticos locais devem poder continuar o seu trabalho.

Não chegam 12 anos - na verdade, em muitos casos perto de 30 anos - para estes génios mostrarem o que valem? Estes génios não foram capazes de criar à sua volta sucessores de igual valor?

E se em democracia o povo pode escolher quem quiser pelo tempo que quiser, porquê parar aí? Por que não deixar o povo soberano escolher, quem quiser, pelo tempo que quiser, com os poderes que bem entender? Foi assim com Hitler, Mussolini e outros ditadores democraticamente eleitos, que usaram e abusaram dos referendos para dar voz ao povo antes de lha tirar de vez. Para quem ainda não reparou convém lembrar que só existe uma democracia liberal com limitações de todos os poderes, inclusive os do povo eleitor.

Finalmente, sabem os comentadores políticos que tanto se têm oposto à lei, que esta renovação obrigatória ao fim de 12 anos só se aplica aos políticos propriamente ditos? Mais precisamente àqueles com responsabilidades executivas, que deviam agradecer, com alívio, o aparecimento de uma regra tão sensata. Infelizmente o grande obtáculo à lei é precisamente a falta de senso de alguns caciques de facto geniais... na manipulação eleitoralista.

Publicado por bruno cardoso reis em domingo 08 maio 23:33

Esse demónio da harmonia

Já alguma vez imaginaram existir um mundo onde a culpa das cruzadas é dos muçulmanos e o conde Drácula era um gajo perturbado numa acção defensiva? Tentem a Christian Broadcast Network:

«Os cristãos, do ponto de vista deles, praticam o proselitismo. Mas os muçulmanos, uma vez que não têm a noção do Espírito Santo, não proselitizam, limitam-se a assassinar. Portanto, nunca devemos desistir de tentar redimir aquelas pessoas que precisam de Cristo. [...] Este filme [The Kingdom of Heaven, sobre as cruzadas], no fim de contas, é a favor de que os cristãos, os muçulmanos e os judeus deixem de lutar pelos lugares santos e que se entendam numa coexistência pacífica. Bem, isso é um monte de tretas. [...] Algum lado vai ter de renunciar.»
«Este mito de que nós invadimos e perseguimos os muçulmanos com as cruzadas – foi exactamente o contrário. Se ler as histórias sobre Vlad o Impalador [a personagem histórica que, segundo se crê, deu origem ao mito de Drácula], por exemplo, verá que o irmão dele foi violado e torturado [...] depois disto entende-se porque ficou Vlad um pouco perturbado. A sua acção foi uma acção defensiva para proteger o seu território dos horrores da muçulmanização.»
«[Num mundo pós-11 de Setembro] precisamos de estar unidos. Para estar unidos, o que é sempre difícil no Corpo de Cristo ou politicamente, temos de compreender as questões. Temos de nos livrar da historiografia revisionista e ver a verdade. [...] A islamização sempre precisou de – isto está lá no Corão – fingir que se faz amizade com os inimigos para depois matar esses inimigos. Precisamos de perceber que quando eles quiserem fazer amizade conosco, nós temos uma oportunidade de os evangelizar.»
«Se a igreja se deixar enganar [...] vamos voltar ao velho problema de estarmos cheios de ódio por nós mesmos; de toda a gente ter de viver em harmonia; de toda a gente ter de se esquecer das suas raízes religiosas; e temos de parar de tentar evangelizar e parar de tentar mudar os muçulmanos e temos de lhes pedir desculpas. Chegados a esse ponto vamos pelo cano abaixo e caímos nos braços de uma religião corrompida e demoníaca.» [in "Thoughts on 'The Kingdom of Heaven': A Discussion with Dr. Ted Baehr by Craig von Buseck"]

Impressionante, não? Mais impressionante ainda é que não estamos a falar de um bando de lunáticos isolados. A CBN tem escritórios nos EUA, nas Filipinas, na Ucrânia e em Israel e faz parte de uma rede de media fundamentalistas cristãos que conta com mais de 2000 estações de rádio nos EUA e serviços de TV por cabo que não transmitem senão uma selecção de 36 canais cristãos, com programação integralmente religiosa 24 horas por dia. Perto destes teoconservadores que têm cada vez mais peso no Partido Republicano, os neoconservadores são poetas bucólicos. [Para mais detalhes sobre a extensão da rede veja-se este artigo da Columbia Journalism Review, a que cheguei via a Political Theory Daily Review].

Vou confessar uma coisa: esta gente assusta-me. Um bocadinho.

Publicado por ruitavares em domingo 08 maio 03:57 | Comentários (32)

O Bloco e a pluralidade

Um senhor chamado Alberto Gonçalves, que passa por intelectual e escreve no "Correio da Manhã", disse isto:
«Como o nome indica, aqui há apenas um bloco, sólido e sem fissuras ideológicas. Um calhau, portanto, junto do qual o PCP passa por um modelo de pluralidade (...) Presumir que a Convenção “debata” é como esperar que um encontro de ‘skinheads’ (que por acaso hoje também há) promova a recolha de fundos para os refugiados do Sudão. Mas não custa tentar.»

À Mesa Nacional do BE concorreram duas listas alternativas, eleitas por voto secreto e com direito a representação proporcional naquele órgão, e uma terceira tendência fez várias propostas de emenda à moção maioritária, de forma organizada. As três linhas políticas em confronto apresentaram listas separadas à Convenção, todas elegeram delegados, sempre por voto secreto e representação proporcional, viram todos os seus textos publicados na imprensa interna do BE, e deram entrevistas para jornais nacionais e televisões. Houve debates com um representante de cada uma das duas moções em todos os distritos do país. Existe, no Bloco, o direito estatutário de organização de tendências e não há qualquer tipo de obrigação de silêncio público sobre as discordâncias internas. E os militantes, como se leu no "Expresso", fazem uso, sem qualquer problema, deste direito de falar para fora do Bloco sobre a vida do Bloco. A Convenção é aberta do primeiro ao último minuto. Os delegados falam com os jornalistas, durante a Convenção, sem ser em off, sobre as suas divergências. Não tem nada de especial. Chama-se a isto democracia.

No PCP os estatutos não permitem a ninguém nem apresentar moções alternativas (apenas propostas, que são ou não aceites) de alteração às teses apresentadas pela direcção, nem apresentar listas alternativas para qualquer órgão dirigente nacional. Não há voto secreto em Congresso, não há direito de organização por correntes, não é permitida a discussão pública sobre a vida interna do partido, o debate sobre a eleição do Comité Central é à porta fechada. Não estou a fazer nenhum juízo de valor, apenas a constatar um facto. Nem sequer a dizer que o PCP é menos democrático. Mas a pluralidade e a divergência pública não são, em geral, valores defendidos em estruturas leninistas. É uma opção. Não é a do Bloco.

Basta ler os estatutos do BE e as notícias dos jornais sobre a Convenção que hoje acaba para perceber que Alberto Gonçalves não faz a mais pálida ideia do que está a falar. Como sempre, aliás. Nem quer saber.

Para a semana escreverei um texto com base na minha intervenção à Convenção do BE, sobre a pluralidade política no Bloco e a necessidade de não fazer clarificações ideológicas artificiais. Se escrevo tanto sobre os outros está na altura de dizer alguma coisa sobre a minha casa.

Publicado por danieloliveira em domingo 08 maio 01:37 | Comentários (9)

maio 07, 2005

O que é que é isso, ó meu?

Morreu Jorge Perestrelo. Era o meu relatador de futebol preferido, o único em Portugal suficientemente passado para eu me divertir a ouvi-lo.

Nota: reparei agora que o título deste post é igual ao do José Mário Silva (no BdE) sobre o mesmo tema – e que foi escrito antes do meu. Isto é como acontece nos diários desportivos, o que para o caso até é apropriado. E eu não me zango com o Zé Mário por ter tido a ideia antes de mim.

Publicado por ruitavares em sábado 07 maio 03:36 | Comentários (8)

maio 06, 2005

Eles mentem, eles perdem [o máximo que podem perder, considerando o sistema eleitoral, sem premiar outros ainda piores do que eles (e igualmente pró-guerra)]

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Not quite.
[in The Economist nº 8424]

Gostaria de poder dizer que, se fosse britânico, certamente votaria nos Liberais-Democráticos. Trata-se de uma aliança de liberais clássicos com uma antiga cisão social-democrata dos trabalhistas: liberais na política e social-democratas na economia e nos serviços públicos, opuseram-se à Guerra do Iraque, são contra as arbitrárias leis anti-terrorismo de Blair, contra o aumento das propinas e a favor da imigração. Além disso, foram o único partido de dimensão considerável a preocupar-se seriamente com os direitos civis e individuais.

"Gostaria de poder dizer", mas não digo. A desproporcionalidade do sistema britânico obriga a decisões difíceis e contra-natura: Billy Bragg, cantor, activista político e frontalmente anti-guerra, votou em Blair; Tariq Ali, ensaísta e militante histórico da extrema-esquerda, votou Lib-Dem. Nem todos os círculos tem a hipótese de escolher entre uma boa deputada do centro-esquerda como Oona King – a segunda mulher negra no parlamento britânico – e um vitriólico opositor à guerra como George Galloway – e dar a vitória a este último, candidato pelo novo partido Respect, como aconteceu em Bethnal Green and Bow.

A direita portuguesa, que está feliz com a vitória de Blair porque a vê como uma vindicação pela Guerra do Iraque, não percebe que só há uma coisa maior do que a irritação que a maioria dos britânicos sente pela posição pró-Bush de Blair: a verdadeira repulsa que eles têm pelos conservadores. Não há grandes razões para a direita estar feliz, portanto. O voto nos conservadores estagnou: está onde estava, mesmo depois de oito anos de governo Labour (os deputados conservadores são mais do que eram, mas isso em resultado das transferências labour-libdem e da desproporcionalidade do sistema). Michael Howard já disse que abandonará a liderança do partido. O voto nos trabalhistas desceu drasticamente e tornou-se claro que o seu eleitorado não gosta de Blair e prefere Gordon Brown.

À esquerda, há razões para um contentamento moderado. Os Lib-Dem subiram claramente e ultrapassaram os vinte por cento; os seus sessenta são apenas uma imagem diminuta da sua força real entre o eleitorado britânico. A ala esquerda do Labour no parlamento tem agora poder de veto. Até os Green/Respect, um partido-movimento com apenas um ano – um pouco na linha do BE –, conseguiram um deputado e ficar em segundo em alguns círculos.

Também no Reino Unido o eleitorado virou à esquerda.

Na falta de uma reforma eleitoral proporcional no R.U., que não parece estar em cima da mesa, o que se pode desejar? A prazo, e para uma pessoa que preze a diversidade nas escolhas políticas e queira que as opções governativas de esquerda passem a ter um peso real – é o meu caso –, a melhor solução seria o partido Liberal-Democrático tornar-se o principal partido da oposição e as escolhas políticas passarem a fazer-se entre os trabalhistas e os lib-dem, sem medo de eleger tories que, neste momento, são pouco mais do que um atraso de vida, para eles mesmos e para os britânicos.

Um delírio? De forma nenhuma. Como se vê pelo gráfico no início deste texto, esta é a disposição que melhor reflecte a sociedade do Reino Unido. O eixo da opinião pública britânica não passa entre os trabalhistas e os conservadores, mas entre os trabalhistas e os lib-dem. Globalmente, os britânicos consideram-se muito moderadamente à esquerda, a cerca de dez pontos de Blair (a quem já consideram de centro-quase-direita) e a quinze do lib-dem Charles Kennedy. De ninguém se sentem tão distantes como de Michael Howard, que colocam a mais de cinquenta pontos deles mesmos, já a caminho da extrema-direita.

Resta o mais difícil, a saber: que a opinião do povo tenha expressão real no sistema político.

Publicado por ruitavares em sexta-feira 06 maio 19:32 | Comentários (6)

Blair ganhou?


Nada simboliza melhor o peso do Iraque nas eleições do que George Galloway, ex-deputado Trabalhista, personagem controversa senão duvidosa, acusado de receber dinheiro de Saddam e visita frequente do ditador, uma das vozes que mais se opôs à guerra, foi forçado a concorrer como candidato de um pequeno partido... e ganhou!

As eleições britânicas de ontem deram aos Trabalhistas uma maioria parlamentar bastante razoável: mais de sessenta deputados. Mas mesmo assim perderam muitos deputados. Ou seja, ganharam com o nariz a sangrar (a bloody nose). E por falar em nariz o Guardian promete mostrar no seu site as fotos dos que responderam ao apelo de uma das suas colunistas, Polly Toinbee, para votarem Trabalhista com uma mola no nariz!

Os Trabalhistas bem podem agradecer esta inédita terceira vitória consecutiva ao sistema de círculos uninominais, pois tiveram uma percentagem relativamente baixa dos votos, 37%, a mais baixa dos últimos tempos. A aventura iraquiana custou caro. Alguns dos fiéis do primeiro-ministro vieram já insistir que ele vai continuar em Downing Street até quase ao fim do mandato, o que não é propriamente o discurso de um vencedor! Tentam assim conter as especulações sobre a sucessão. Mas poucos esperam que Blair dure mais de dois anos. Alan Milburn que Blair tentou lançar como uma espécie de delfim alternativo a Gordon Brown, e que dirigiu a campanha, já anunciou que nem sequer vai regressar ao governo. Portanto Gordon Brown, o mago das finanças Trabalhista, seria o grande vencedor. Mas subestimar Blair seria um erro, apesar do seu espaço de manobra estar cada vez mais reduzido até porque não pode contar com a total lealdade de todos os deputados Trabalhistas.

Nas eleições sucedeu aquilo que os Trabalhistas temiam. Muitos eleitores ficaram em casa – esta foi a eleição com a segunda mais alta taxa de abstenção. Muitos votaram nos Liberais independentemente de considerações tácticas. Os Lib-Dems têm agora mais dez deputados apesar de o sistema eleitoral prejudicar muito aquele que é cada vez mais o segundo partido, nalguns círculos atrás dos Trabalhistas noutros atrás dos Conservadores. O voto de protesto dispersou-se também pelos partidos regionais, ou nacionais, ou nacionalistas, como o Partido Nacionalista Escocês e o Sinn Fein. Os Conservadores subiram praticamente só na Inglaterra, reforçando a ideia de que são realmente o partido regional inglês.

Blair já veio anunciar novas prioridades. A nível interno elas são conhecidas. No campo internacional o distanciamento em relação a Bush não podia ser mais claro. Blair afirmou hoje que percebia que o Iraque tinha sido um problema, e que havia outros assuntos a que importava dar prioridade. Falou da pobreza em África. Falou do aquecimento global. E falou da resolução do conflito entre Israel e a Palestina. Ou seja, não há dúvida que se alguém perdeu com estas eleições foi Bush!

PS - Quem quiser ler o melhor e mais divertido texto sobre as eleições, vá aqui ver como o historiador Simon Schama, actualmente a viver nos States, olha para as campanhas do lado de lá e do lado de cá do Atlântico. É mais ou menos como comparar uma grande produção de Hollywood a um filme europeu, Riddley Scott v. Oliveira.

Publicado por bruno cardoso reis em sexta-feira 06 maio 17:38 | Comentários (3)

Pelo menos por agora, a direita decente

«Marques Mendes argumentou que na base da sua decisão está o entendimento de que Valentim Loureiro não tem condições de "credibilidade", "imagem pública" e "prestígio" para poder ser candidato autárquico do PSD.» Público [sem link]

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 06 maio 16:55 | Comentários (11)

Eu sou o homem-fantasma

Hoje fiquei a saber que, desde o meu regresso à blogosfera, não me tenho feito notar grande coisa. Diz o "Público" que aqui este vosso criado «quase deixou de lá escrever.» Lá, no Barnabé, claro. Se o "Público" diz dever ser por que é verd............................................................................................................................................

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 06 maio 12:59 | Comentários (8)

2 em 1


Não chega a Taça UEFA, venha também o Campeonato.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 06 maio 00:11 | Comentários (20)

Para acabar de vez com o Exército Vermelho


Só falta, no dia 18, derrotar o CSKA, que já foi dos militares russos.

Publicado por danieloliveira em sexta-feira 06 maio 00:04 | Comentários (5)

maio 05, 2005

Nature: descoberto dinossauro em conversão para o vegetarianismo...


...e que praticava tai-chi chuan.

Publicado por ruitavares em quinta-feira 05 maio 17:53 | Comentários (4)

Como diria Pacheco Pereira...

...Bom dia!

[Parabéns ao Abrupto, que faz dois anos].

Publicado por ruitavares em quinta-feira 05 maio 12:49 | Comentários (6)

maio 04, 2005

Mudança nos comentários do Barnabé

Tal como foi explicado aqui ontem, o regime de comentários do Barnabé mudou. A partir deste momento deixa de ser um sistema misto para passar apenas de comentários registados no typekey. As vantagens gerais deste sistema estão explicadas aqui.

Em termos particulares, e aqui para o Barnabé, isto significa: um pouco mais de trabalho para vocês, muito menos trabalho para nós. Por outro lado, todos os comentários passam a ser tratados por igual e publicados imediatamente sem leitura prévia. De resto, nada muda: os comentadores podem continuar a assinar com os seus pseudónimos preferidos ou com o nome verdadeiro.

Vamos deixar passar uns tempos assim e depois logo se vê.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 04 maio 22:30 | Comentários (9)

Desaforismos e perguntas pertinentes

As estátuas dos veteranos de guerra são todas para derrubar ou pode ficar a do Salgueiro Maia?

Há falta de pensadores mais jovens segundo a nossa inteligência instalada? Duas causas possíveis do problema: escassa literacia electrónica das gerações mais velhas; não lêem com a devida atenção as revistas académicas portuguesas e estrangeiras.

A censura, o suprimir determinadas ideias ou argumentos por razões ideológicas é uma coisa má. É proibido proibir ideias por lei. Impedir, eliminar ou punir a publicação de calúnias e difamações é uma coisa boa. É uma limitação necessária da liberdade de expressão que está na lei.

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 04 maio 19:13 | Comentários (7)

Qual deles vai ganhar?


Blair ou o seu ministro das finanças Gordon Brown?

Hoje continuamos a nossa volta ao mundo em postes, falando da Velha Albion. As eleições legislativas britânicas são amanhã. Uma vitória esmagadora dos Trabalhistas de Blair seria certa não fossem as dificuldades criadas pela guerra do Iraque – a sua ilegalidade e ter sido defendida com dados falsos. O que para os britânicos, pouco dados a devaneios messiânicos, pesa muito. Até porque Bush é detestado pela maioria - o Spectator na véspera das eleições americanas de Novembro passado tinha na capa o desenho de um alvo com a cara de Bush e perguntava: Porque o detestamos tanto?

Mas a maioria dos analistas pensa que apesar das sondagens darem agora uma margem menos folgada aos Trabalhistas, eles ainda assim irão conseguir uma histórica terceira vitória consecutiva (ver o texto e linque do Pedro Magalhães). A verdade é que os Conservadores não são uma alternativa para os críticos da guerra no Iraque. Os Liberais Democratas são. E têm um programa um pouco mais à esquerda do que os próprios Trabalhistas. Mas não são vão vistos no quadro do sistema eleitoral britânico como uma alternativa real. O busílis da questão estará portanto em saber até que ponto o voto táctico destes últimos nos Trabalhistas (e vice-versa) contra os Conservadores vai continuar a funcionar. Timothy Garton-Ash faz um apelo precisamente a isso, num dos melhores textos sobre as falhas de Blair e as virtudes dos Trabalhistas e dos Lib-Dems.

O maior temor do Labour é que a irritação com Blair leve muitos dos seus eleitores tradicionais a (não) votarem com os pés. Daí estarem a dramatizar neste últimos dias. Mas a verdade é que na política interna, onde geralmente se decidem eleições, os trabalhistas parecem imbatíveis, como refere o Luís. Os descontentes não gostam de Blair? Ainda gostam menos de Howard e dos conservadores. Temem o retorno a uma política de desinvestimento nos serviços públicos para financiar cortes nos impostos. E como qualquer governo de sucesso, e como tradicionalmente faziam os Conservadores britânicos, os Trabalhistas no poder têm roubado temas, como o combate ao crime, quer eram típicos da oposição de direita.

Mas sobretudo os Trabalhistas provaram que conseguem gerir a economia melhor do que os conservadores. Presidem ao período de maior prosperidade na Grã-Bretanha de que as pessoas se lembram. Com o crescimento das receitas têm desenvolvido uma política de reforma do Estado que aposta na eficiência no sector público – com metas e avaliações – mas também em mais investimento em áreas como a saúde e a educação. Ou seja, Blair e Gordon Brown, o seu mago económico – é assim que muitos britânicos o vêm – provaram que é possível reformar e reforçar o Estado Social. Mostraram que uma política reformista liberal de esquerda é imbatível! A Lady Thatcher aparentemente está tão «contente» que até saiu do país por uns dias... Será que ela sabe quem vai ganhar?

Blair, dizem fontes próximas, quer bater o recorde desta sua antecessora em Downing Street, mas prometeu não continuar para além deste mandato. Ironicamente este é um trunfo eleitoral importante. Vote Blair get Brown foi um dos slogans menos felizes dos Conservadores. Que recrutaram um australiano especialista em campanhas negativas no modelo americano. Os efeitos notaram-se numa campanha descrita por alguns como tendo descido a níveis nunca vistos; sobretudo na manipulação da questão da emigração. Mas pelos vistos escapou a este génio das antípodas que Gordon Brown é precisamente quem muitos britânicos querem, apesar de Blair! Isso ficou cada vez mais claro com o aproximar da hora da verdade. Depois de ter tentado afastar da campanha este delfim demasiado poderoso, Blair acabou por fazer o máximo uso possível do seu popular ministro das finanças (como se pode ver neste artigo fresquinho).

Blair preferia escolher um herdeiro que lhe devesse o lugar exclusivamente a ele, e que não deixasse dúvidas sobre quem tinha sido a figura chave nesta era de domínio trabalhista. Veremos se a sua alegada vontade de transferir de Brown para o Foreign Office, privando-o assim da sua base de poder nas Finanças, se concretiza. A sua margem de manobra para marginalizar Brown diminuiu. Mesmo que Blair tenha bons resultados eles serão atribuídas por muitos trabalhistas sobretudo a Brown. Mas é um sinal do actual predomínio Trabalhista que o mais sério rival a Blair surja do interior do seu próprio partido!

Em suma, a não ser que exista uma abstenção acima do normal e que os Liberais Democráticas decidam marcar a sua oposição a Blair mesmo onde não podem ganhar, ficaria surpreendido se os Trabalhistas não conseguissem uma terceira maioria histórica. Mas, convém lembrar que em 1997 Blair contava chegar ao governo graças ao apoio dos Liberais e, no entanto, venceu com uma maioria nunca vista. E que na eleição de 1992, as sondagens apontavam os Trabalhistas como vencedores, e foram os Conservadores de Major a ganhar. Ou seja, resultados só mesmo amanhã; prognósticos só no fim do jogo. Até porque o sistema eleitoral britânico em que mesmo por dois ou três votos um deputado é eleito num determinado círculo, e todos votos dos demais partidos não servem para nada em termos de eleger deputados, torna as previsões muito difíceis. Mas se Blair conseguir perder bem pode ir pedir uma medalha ao seu amigo Bush!

Finalmente, last but not least, dois dados interessantes para quem acha que os círculos uninominais - o modelo britânico - significam necessariamente menos poder para os líderes dos partidos e uma escolha em função das qualidades dos deputados.

Uma sondagem recente mostra que só 8% dos britânicos vê na pessoa do deputado um factor decisivo no seu voto.

Mais, embora em princípio seja a «concelhia» a escolher o seu candidato a deputado, na prática a liderança do partido pesa imenso. Há um par de semanas um deputado conservador foi afastado por Michael Howard depois de fazer uma declarações imprudentes – os cortes nos impostos agora anunciados pelo Conservadores, eram apenas o princípio, esperem para ver, dizia ele! A «concelhia» a contragosto lá teve de engolir a decisão de excluir o seu candidato. E a propósito, querem melhor exemplo do que este de que Blair deslocou o eixo da política britânica para a esquerda? Nem os conservadores se atrevem a falar demasiado em cortes nos impostos!!!

Publicado por bruno cardoso reis em quarta-feira 04 maio 19:05 | Comentários (5)

Ah, enfadista!

Nestes dias há cada vez mais razões para visitar o Enfado. O homem já tem bom gosto gráfico, literário e musical. Mas ainda por cima dá-nos notícias fresquinhas da situação em Timor-Leste por um português in loco. A título de exemplo reproduzo a foto acima e o post abaixo, mas não deixem visitar o blogue de origem.

«Segundo a Agência Lusa: "Novas exigências da igreja católica timorense inviabilizaram o fim da manifestação anti-governamental que há 16 dias mantém o país em suspenso, disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo de diálogo entre a igreja e o poder político. Entre as novas exigências dos bispos timorenses figura uma garantia em como o poder político não legislará sobre a despenalização da interrupção voluntária de gravidez, como chegou a ser equacionado no passado recente pelo governo timorense." Aprendi uma coisa na vida sobre as relações entre pessoas. Quando me estão sempre a levantar problemas diferentes à medida que resolvo os anteriores é porque existe ou uma vontade deliberada de boicotar aquilo que faço ou um problema que não pode ser verbalizado e que é, por isso, transformado num conjunto de questões menores. Aparentemente a igreja católica timorense está a ter muita dificuldade em verbalizar o seu grande problema em relação a este governo.»

Já agora: o Diário de um Tripeiro em Timor Lorosae também traz algumas observações locais relevantes sobre a questão das manifestações clericais em Díli.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 04 maio 16:51 | Comentários (22)

Cinema Europa

O Barnabé recebeu o seguinte apelo que, de seguida, se divulga.

"LUGARES DE PARTILHA DA CULTURA EM LISBOA E O CINEMA EUROPA"

É este o ponto de partida para uma conversa/debate, marcada para amanhã, quarta-feira 4 de Maio, às 21 horas, no salão da centenária Padaria do Povo, Rua Luís Derouet, 20 (em Campo de Ourique). Trata-se de mais uma acção de um grupo de cidadãos que se opõe à demolição do edifício onde funcionou o cinema Europa, e que tem vindo a apelar à Câmara Municipal de Lisboa para ali criar uma Casa da Cultura - Centro Cívico, multifuncional.

Confirmadas as presenças de Eduardo Nery (artista plástico), Henrique Cayatte (designer), Guilherme Valente (editor da Gradiva), Rui Pereira (da Associação Zero em Comportamento), José Mário Silva (jornalista), Alves de Sousa (arquitecto), Sérgio Azevedo (empresário/produtor de teatro), Hélder Costa (encenador), Jorge Silva (fundador do Teatro dos Aloés).

Foram também convidados representantes do poder local (das Juntas e Assembleias de Freguesia de Santo Condestável, Santa Isabel, Prazeres e Lapa e da Câmara e Assembleia Municipal de Lisboa) e o convite estende-se, naturalmente, a todos os moradores, trabalhadores e amigos do bairro de Campo de Ourique.

Publicado por pedro sales em quarta-feira 04 maio 16:40

Os medos da esquerda

Como sempre, à quarta, publico aqui as ´crónicas do "Expresso" do último fim-de-semana.

O PCP, a quinta força em Lisboa, queria ser tratada como se fosse a primeira. Razão apresentada: o PCP é muito mais forte nas autárquicas e nas últimas em que concorreu sozinho em Lisboa, em 1985, teve 27%. Só que nessas mesmas eleições, recorde-se, teve 20% dos votos, a nível nacional. Nas últimas autárquicas, há quatro anos, teve metade. Mais: em 1985 teve, em eleições legislativas, 18% no concelho de Lisboa. Agora tem menos de metade. Não preciso de continuar, pois não? Nem o PCP vale o mesmo que valia há vinte anos, nem as diferenças dos seus resultados entre autárquicas e legislativas são as mesmas de então. Que o PCP se queira conservar em formol, é legítimo. Que possa fazer o mesmo aos seus resultados é que é mais discutível.

É normal que, na negociação com o PS, não se tenha passado ao debate programático. Todos sabiam que era nos lugares que coisa ia empanar. As propostas do PCP eram de tal forma estapafúrdias que só podiam querer dizer que, não querendo a coligação, também não queria ser responsabilizado pela sua inexistência. Só que, para ser justo com o PCP, é preciso dizer que não esteve sozinho nesta estratégia. Na verdade, toda a esquerda fez o mesmo.

Trata-se de uma história antiga. Mesmo quando o seu eleitorado as quer ver juntas, como parecia ser o caso, as esquerdas têm medo. Medo do “frentismo”. Medo de não ditar as regras. Medo de perder a pureza original. E, apesar de tantos medos, todos parecem ter mais olhos que barriga. As esquerdas vivem assim há 31 anos. Porque a nossa democracia nasceu de um combate entre elas e elas ainda não saíram desse tempo. Ainda não ultrapassaram, todas elas, a arrogância ideológica, os ódios acumulados, as guerras do passado. E é pena. Lisboa estava precisada de algum sentido prático. Não houve.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 04 maio 16:39 | Comentários (5)

Os talibãs de Cristo

Segundo texto publicado no Expresso, no último fim de semana.

«A Igreja deve ter direitos e fazer exigências sobre lei civil e não pode meramente retirar-se para a esfera privada», escreveu Ratzinger, em 1988. E não lhe faltam seguidores. Para os novos teocratas, a política e a fé são inseparáveis. As convicções religiosas não devem ser apenas opções individuais mas leis de Estado. E a cruzada contra o “relativismo moral” é só a versão soft da sua guerra santa.

Em Espanha, a hierarquia religiosa incita os funcionários públicos católicos a recusarem-se a casar homossexuais, impondo ao Estado a Lei de Deus. Em Timor, em defesa da obrigatoriedade das aulas de religião e moral, a Igreja exige a demissão de Alkatiri, líder de um partido que obteve, democraticamente, a esmagadora maioria dos votos. Dizem os bispos que «a remoção do primeiro-ministro pelo povo é constitucional». O povo, entenda-se, é representado por eles, bispos, não pelos deputados. O poder só não chegou a cair na rua porque se ficou pelo altar.

No meio de tantos episódios, é interessante ouvir o silêncio dos que fazem da justa defesa da laicização dos Estados islâmicos o alfa e o ómega do confronto civilizacional. A evangelização da política, no Ocidente, não os incomoda. Nos Estados Unidos, teoconservadores, como o líder dos republicanos no Senado, Bill Frist, vão conseguindo impor a sua mundividência, e eles não se apoquentam. É com as mesquitas que perdem o sono. E, contra fundamentalismo islâmico, até aceitam, se for preciso, uma ajudinha do fundamentalismo cristão.

Não nos enganemos. Não são nem laicos, nem liberais. Quando se atiram ao “relativismo moral”, não é em defesa dos valores ocidentais. É com os valores da Revolução Francesa que vivem mal. Quando se indignam com o fanatismo religioso, não é em defesa de um Estado laico que se movem. É contra o infiel. Que Deus nos salve do Ocidente que estão a inventar.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 04 maio 16:35 | Comentários (6)

Quando forem 5 abrem os telejornais

O novo líder do PP, Ribeiro e Castro, realizou ontem uma conferência de imprensa para apresentar três (3!) novos militantes.

Publicado por pedro sales em quarta-feira 04 maio 14:27 | Comentários (3)

2007

Com mais este imbróglio de Jorge Sampaio, torna-se quase impossível a realização de um referendo à descriminalização do aborto antes de 2007. Suponho que, vários julgamentos depois e com um Presidente que pode ser contra tal referendo, Sampaio já achará que estão criadas as condições para devolver o voto aos cidadãos. Perante esta decisão, na minha opinião, a Assembleia deve mudar imediatamente a lei. Vão ver como a direita, que agora faz tudo para evitar o referendo, logo ganha vontade de o fazer.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 04 maio 12:12 | Comentários (17)

A República das Bananas


Os deputados regionais do PSD da Madeira vão retirar a imunidade parlamentar a um deputado socialista para que responda em tribunal por difamação em afirmações sobre o Presidente Regional da Madeira. A imunidade parlamentar foi inventada para garantir a separação entre o poderes mas, antes de mais, para impedir julgamentos e pressões sobre deputados por aquilo que dizem no exercício das suas funções. É uma garantia de democracia e uma barreira à judicialização do debate político. Ou seja, se a imunidade pode e deve ser retirada em muitos casos, este é daquele em que tal nunca poderia acontecer. Aliás, sempre que Alberto João Jardim foi pronunciado pela mesma razão, alegou imunidade.

Mas nenhuma regra democrática se aplica naquele arquipélago. A subversão permanente do Estado de Direito, na Madeira, transformou-se numa coisa aceitável, sempre perante o silêncio cúmplice do PSD nacional e o sorriso do País. Temos uma República das Bananas no território nacional e já nos habituámos à ideia.

Publicado por danieloliveira em quarta-feira 04 maio 11:43 | Comentários (15)

O Porto


Tem o Rui Tavares toda a razão em classificar Rui Rio como um exemplo perfeito do que é a demagogia à frente de uma autarquia.

O túnel Rua de Ceuta-Jardim do Carregal* tem evidentemente um obstáculo legítimo, que se chama Museu Nacional Soares dos Reis. O caos provocado pela saída do túnel a poucos metros do museu (numa rua já de si complicada por ser um dos principais acessos à Baixa e ao Hospital de Santo António) seria - será? - altamente prejudicial à vida daquela instituição, que é um dos pilares culturais do Porto.

Rio é uma mancha na história da cidade. Um edil inepto, que ficará numa nota de rodapé da crónica do PSD como alguém que insultou e desprezou em público um par do partido e que, no que ao Porto diz respeito, lançou a bigorna da ignorância para cima da Casa da Música, inquinando um projecto crucial para o progresso da cidade. Do ponto de vista do visionarismo urbano, Rio tem o alcance de uma toupeira às cabeçadas nas obras do túnel de um metropolitano.

Como é mais do que sabido, a natureza eleitoral dos portugueses, pelo menos em legislativas e autárquicas, segue a lógica do castigo do anterior. Rio não estaria onde está se não tivesse havido saturação de um PS que, visivelmente, não conseguiu aliviar a cidade dos seus problemas maiores - entre muitas outras razões.

Mas há também, naturalmente, uma inteligência de Rio em saber seduzir o povo. Cito quem explica melhor do que eu os portuenses:

"De um modo geral, predomina [no Porto] uma mentalidade pequeno-burguesa, populista, que assume aspectos muitos diversificados e até contraditórios. Vamos encontrar simultaneamente um arreigado sentido de propriedade e forte individualismo, e afirmações de igualitarismo e solidariedade em acções concretas; um certo tipo de fatalismo, que cria propensão para esperar soluções caritativas dos problemas, levando à dependência em relação aos 'poderosos' e à personificação da política, e, a par disso, um sentido de irreverência e indisciplina, manifestações de um anarquismo inconsciente." (in O Conselho Municipal do Porto - balanço de uma experiência, A. Botelho e M. Pinheiro, Cooperativa Social Perspectivas Autónomas, Porto, 1977)

A classificação é actual. De há muito tempo data a exploração do espírito liberal da cidade a favor de uma "alberto-joão-jardinização" da cidade. Rio sabe-o como ninguém e, na impossibilidade de, como o Porto faz sempre, personificar em Lisboa o seu Leviatã (nisto peço desculpa, mas a saída de Guterres foi eficaz em armadilhar Rio), teve de encontrar os inimigos em casa: Pinto da Costa e, claro está, as forças culturais da cidade. Será sempre esse o pecado de quem estiver à frente do Porto: achar que precisa de um inimigo que "ameaça a liberdade do progresso" para manter o poder. O caso Túnel vs. Museu não é mais do que um capítulo menor desta estratégia deprimente e ignorante. Acredito que Francisco Assis estará acima destes propósitos.

Terá alguma vez Rui Rio posto os pés dentro do Museu Nacional Soares dos Reis? Acredito que sim. Já os seus olhos, não me parece.


*Já vem de trás, e da mesma cepa. É uma ideia nunca executada de Fernando Cabral, o social-democrata que presidiu à CMP entre 1985 e 1989. Faz isto recordar que Cabral ganhou a câmara ao já desaparecido Rosado Correia, um arquitecto que poderia ter transformado para melhor a cidade e que terá sido o último dos políticos não-populistas a lutar pela autarquia desta cidade.

Publicado por joaomacdonald em quarta-feira 04 maio 00:35 | Comentários (18)

Os bodes expiatórios

Já começaram as queixinhas depois da decisão, por parte da Ministra da Cultura, de embargar as obras do túnel da Avenida de Ceuta, no Porto, por considerar que esta prejudica directamente o espaço do Museu Nacional Soares dos Reis. Nas TVs os lojistas queixam-se da falta de clientela, na rua os transeuntes queixam-se da lama e da poeira e na Câmara Municipal um demagogo de cara de pau chamado Rui Rio diz que as obras do túnel vão prosseguir.

A situação tem alguns paralelos com a do Túnel do Marquês em Lisboa. Também aqui entre a moirama se chorou baba e ranho pelo trânsito caótico da cidade, pelos pobres condutores enfiados horas a fio nas suas viaturas, pelo progresso que não avança. Na altura o papão era José Sá Fernandes, e dele se disseram coisas semelhantes às que agora se dirão de Isabel Pires de Lima por defender, como é sua competência, um dos nossos museus nacionais mais antigos.

Eu não moro do Porto e conheço pouco o local onde vai sair o túnel. Em contrapartida já aturei muitos engarrafamentos no Marquês de Pombal e devo dizer que esse facto não muda nada. Os presidentes de câmara estão habituados a planear mal as coisas, não pedirem as licenças necessárias e levarem a sua avante à força de representarem os cidadãos ou os organismos oficiais recalcitrantes como forças de bloqueio.

Pois espero que decisões destas lhes sirvam de lição.

Publicado por ruitavares em quarta-feira 04 maio 00:09 | Comentários (16)

maio 03, 2005

Novo regime de comentários no Barnabé

Actualmente vigora no Barnabé um sistema de comentários misto. Os comentadores registados no typekey vêem os seus comentários publicados imediatamente. Os comentadores não registados têm de esperar que os seus comentários sejam aprovados.

Após uma votação interna, decidimos que dentro de 24 horas o sistema passará a ser apenas de comentário registado. Temos algum receio de que isto prejudique os comentários mais espontâneos de quem não é habitué. Mas vistas bem as coisas, o registo implica apenas um pequeno acréscimo de trabalho por parte dos leitores, ao passo que a aprovação dos comentários representa muito tempo perdido por parte dos barnabés, que depois ainda têm de ouvir as queixas de toda a gente que acha que o seu comentário foi censurado (99% das vezes não foi) ou que desesperam por vê-lo publicado. A isto veio acrescentar-se outro problema que aconselha também a esta mudança: o spam, ou seja, a publicidade automática a casinos e afins que entope as caixas com mensagens infindas cheias de links e que, graças ao botão "delete" os nossos leitores não chegam a ter de suportar.

Era simplesmente trabalho a mais, e trabalho monótono e cansativo.

Portanto a solução agora é registarem-se aqui. A princípio é chato mas depois nem se nota. Os comentários são publicados instantaneamente sem qualquer tipo de mediação. E a nós facilita-nos muito a vida.

Gratos pela compreensão.

Publicado por ruitavares em terça-feira 03 maio 23:06 | Comentários (19)

Um pormenor

No Iraque morreram dezenas de milhares de pessoas, quase todas civis; o desemprego é quase absoluto; o país está completamente destruído; e nenhuma arma foi descoberta. Tony Blair foi a chave europeia para esta guerra.

No Mundo, o terrorismo fortaleceu-se; é gente presa por potências ocidentais durante anos, sem culpa formada e havendo suspeitas da prática de tortura, fazendo da Convenção de Genebra uma memória longínqua; leis que atentam contra os direitos humanos são aprovadas em democracias, a começar pelo Reino Unido; o poder de um só Estado tornou impossível qualquer lei internacional; e a autoridade da ONU foi defectivamente enterrada. A guerra que Tony Blair apoiou e apoia, e que é para continuar em outros pontos do Mundo, foi a chave para uma tragédia que ainda não acabou.

Mas o Luís, que reconhece este pequeno erro iraquiano de Blair, está contente. Porque Blair acertou no Reino Unido. Pronto, falhou no Mundo. Mas bolas, não se pode ser perfeito. É pena é nós não sermos ingleses. E termos o azar de viver no Mundo sem estar no Reino Unido. Se não, até gotaríamos de Blair. Temos de sair deste cantinho, o Planeta, para ter o retrato justo de Tony Blair. Duvido é que a história faça o mesmo.

PS: Acho que a ajuda de Blair a África vai começar pela Líbia, onde foi fazer negócios, esquecendo tudo o que dissera sobre ditadores, quando invadiu o Iraque. Mas estou a ser injusto. Há o relatório do princípio do ano. Ufa!

Publicado por danieloliveira em terça-feira 03 maio 21:53 | Comentários (17)

Lições da “Terceira Via”

Daqui a dois dias, o Reino Unido vai a eleições.
Espera-se uma nova vitória de Tony Blair. E assim o espero.
Quem lê o Público, o que a Teresa de Sousa diz hoje não podia estar mais correcto.
Aqui em Portugal, uma certa esquerda gosta muito de dizer mal do governo de Tony Blair mas parece-me que conhece mal, muito mal mesmo, a realidade inglesa.
Em breves palavras este é o diagnóstico: oito anos de crescimento económico, inflação baixa, taxas de juro baixas, redução drástica do desemprego, posição fiscal estável, forte crescimento do investimento público na Saúde e Educação, criação do salário mínimo e redução em um milhão do número de crianças pobres. Querem mais?

Mas eu destacaria duas áreas de que se fala pouco, mas que não deixam de ser também muito importantes. Uma doméstica e outra internacional. Em termos domésticos, e em grande parte graças à intervençaõ de Gordon Brown, o Ministro das Finanças local, o Reino Unido tem vindo a desenvolver uma dinâmica impressionante em termos de economia social, promovendo a criação de instituições financeiras para o desenvolvimento das comunidades mais desfavorecidas e de empresas sociais. Ao mesmo tempo, o governo tem fomentado a responsabilidade social das empresas e a filantropia. Tudo em busca de uma sociedade mais justa e solidária. E em termos internacionais, o governo de Tony Blair assumiu claramente que quer fazer mais pela cooperação, principalmente com a África. Foi de Tony Blair que partiu a ideia de criar a Comissão para a África e que produziu um admirável relatório no princípio deste ano. E não é só retórica. Basta olhar para os dados da ajuda pública para o desenvolvimento dos últimos anos e o papel pró-activo do Dfid, a secretaria de Estado para a Cooperação do país.

E Blair errou com o Iraque....

Publicado por luísmah em terça-feira 03 maio 21:36 | Comentários (5)

E sempre sem preservativo!


O Rato Zíngaro
[ilustração © Wolf Erlbruch de
I, Freddy: Book one in the golden Hamster Saga por Dietlof Reiche]

Segundo um texto da Pública do último domingo, o hamster dourado é o rei do mundo animal do sexo: pode atingir as 170 cópulas, com orgasmo, em apenas 30 minutos de relações não protegidas.

Publicado por ruitavares em terça-feira 03 maio 19:22 | Comentários (4)

Não há medalhas grátis


«O anterior ministro da Defesa Paulo Portas vai ser condecorado quarta-feira no Pentágono, em Washington, pelo secretário da Defesa norte- americano, Donald Rumsfeld, disse hoje à Lusa um colaborador do ex-governante.
De acordo com a mesma fonte, a condecoração premeia "serviços públicos distintos" e esta é "a primeira vez que um ministro da Defesa português" recebe a medalha, raramente atribuída a estrangeiros.
Os fundamentos da distinção serão conhecidos quarta-feira, após a cerimónia reservada de condecoração.
A manutenção do comando da NATO em Oeiras, o empenho de Paulo Portas no alargamento da Aliança Atlântica, a opção por duas fragatas norte-americanas no reequipamento das Forças Armadas e a posição portuguesa na guerra do Iraque são razões apontados pelo colaborador de Paulo Portas para justificar a condecoração.» LUSA

Publicado por danieloliveira em terça-feira 03 maio 02:57 | Comentários (34)

maio 02, 2005

Não deixa saudades

A última vez que Jorge Sampaio achou que não estavam criadas as condições para os portugueses irem a votos mergulhou o país numa crise política profunda. Agora, ao achar que não estão criadas as condições para fazer o referendo, remetendo a decisão para o próximo Presidente da República - os prazos já não permitem que seja ele a decidir -, pode comprometer a própria realização do referendo, já que ninguém sabe qual será a posição do próximo PR. Sampaio, como Presidente, teve tomar muito poucas decisões. Tremeu perante quase todas. Falhou quase sempre.

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 02 maio 23:44 | Comentários (29)

Dom Mário?

Via Political Theory Info, um artigo deFred Halliday sobre Mário Soares no site da Open Democracy.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 02 maio 23:41 | Comentários (6)

"Que cada um assuma as suas responsabilidades"

"Repito: não há tempo a perder nem responsabilidades a transferir. Que cada um assuma as suas."

Depois de recusar o referendo ao aborto, as palavras de Jorge Sampaio no discurso do 25 de Abril ganham um novo significado. Se um referendo que é aprovado pela Assembleia com uma maioria de 10 para 1 dos deputados, para alterar uma lei definida como prioridade pelo programa dos partidos que têm 60% dos votos, não é convocado pelo Presidente, então, desculpem lá, mas não sei que condições são necessárias reunir para realizar um referendo no nosso país. Como disse Sampaio, o Parlamento assumiu as suas responsabilidades, tentando cumprir uma promessa dos partidos com larga maioria nas últimas eleições. Nem se pode dizer que os portugueses não sabiam no que votavam, quando votavam PS, PCP e Bloco. Não, o aborto foi muito precisamente um dos temas centrais da campanha, e convém recordar que só um partido se opôs durante a à mudança da lei. O PP. Teve 7 por cento dos votos.

Ao remeter a convocação do referendo para o senhor que se segue, e que muito provavelmente será contra a despenalização e descriminalização do aborto, a atitude de Sampaio não pode constituir mais do que um sinal para que a Assembleia da República assuma as suas responsabilidades políticas e constitucionais, pondo fim à vergonhosa perseguição judicial de que são alvo as mulheres portuguesas. Assim, quando a direita chegar ao poder, eles que marquem o referendo e perguntem aos portugueses se querem prender as mulheres que abortam. Sempre assumiam as responsabilidade do que têm sido as consequências politicas de todos os seus estratagemas e chicana politica nos últimos anos.

Publicado por pedro sales em segunda-feira 02 maio 22:30 | Comentários (18)

Ah, grande Ralph

Excelente texto de Ralph Darendorf sobre a meritocracia no Público de hoje [sem link]. Enquanto a quase totalidade dos nossos auto-proclamados liberais acham que repetir a palavra mágica "meritocracia" lhes confere credibilidade instantânea e fácil, Ralph Darendorf segue um caminho menos cómodo e escreve coisas destas:

«Hoje, a meritocracia parece ser apenas uma outra versão da desigualdade que caracteriza todas as sociedades. E pode ser uma forma particularmente cruel de desigualdade, na medida em que os que não tiverem sucesso nem sequer podem dizer que foi por falta de sorte ou porque os de cima não os deixaram. Pelo contrário, são obrigados a concluir que falharam e que nenhuma espécie de esforços os pode salvar. [...] A diversidade é melhor garantia de abertura do que o mérito, e a abertura é a verdadeira marca de uma ordem liberal.»

Esta linha de raciocínio pode trazer inúmeros problemas. Mas é um prazer ver um gajo inteligente a pensar de facto em vez de papaguear doutrina.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 02 maio 17:18 | Comentários (19)

Sobre o direito de fornicar meninas

Deu muita polémica na semana passada a decisão do tribunal de Ponta Delgada de não aplicar, por considerá-la inconstitucional, a lei sobre as "relações homossexuais de relevo" (não violações) de maiores com adolescentes entre 14 e 16 anos (e não 10 nem 13 anos). Deu tanta polémica que até permitiu a Miguel Sousa Tavares [no Público, sem link] confundir o assunto com violações de meninos ou meninas de dez anos. Deu tanta confusão que até permitiu ao João Miranda do Blasfémias a imaginação de um "direito de fornicar meninos" de que os homossexuais adultos supostamente gozariam se se fosse a aplicar a lógica do Tribunal de Ponta Delgada.

O poder legislativo, se interpretar bem o que parece ser o sentir generalizado da sociedade, pode mudar a lei e ilegalizar as "relações sexuais de relevo" (atenção, mais uma vez, não são violações, destas trata-se em outros textos da lei) com menores até aos 15 ou 16 anos. Mas para já é evidente que deixar a lei tal como está acaba por fechar os olhos a um suposto "direito de fornicar meninas". Se fosse de direitos que se trata; mas não é: são as vítimas adolescentes de um criminoso adulto do sexo contrário que estão menos protegidas pela lei do que as vítimas adolescentes de criminosos adultos do mesmo sexo. Será isto, do ponto de vista da vítima que é o que nos interessa, justo?

Nota: o Filipe Moura no BdE e o A. Pacheco aqui nos comentários aproximam-se desta visão mas continuam a errar nas idades. Falar de rapazes e raparigas de 10 e 12 anos só atrapalha a avaliação em concreto da decisão de Ponta Delgada.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 02 maio 16:03 | Comentários (7)

Ala quê?

O "Expresso" diz que sou da «ala direita» do Bloco. Moderado, está bem, passa. Social-democrata, ainda vá que não vá. Não comunista, não leninista, o que queiram. Mas «ala direita»? É assim como dizer que Ribeiro e Castro é da «ala esquerda» do CDS. Fica estranho, ou não?

Publicado por danieloliveira em segunda-feira 02 maio 04:28 | Comentários (35)

Aiatolas em Díli

Ainda há quem demonstre alguma tolerância para com as tendências teocráticas reveladas pelo clero de Timor-Leste – e principalmente pelo novo Bispo de Díli –, considerando por via de uma estranha lógica que a obrigatoriedade da disciplina de Religião e Moral nas Escolas Públicas é uma questão de liberdade religiosa, o que permite fazer com que o mau da fita seja o suposto anti-clericalismo de Mari Alkatiri. Mesmo quando o clero exige a demissão desse primeiro-ministro eleito com uma maioria de dois terços, parece que custa a algumas pessoas entender que a hierarquia católica tenha pisado o risco que marca os limites da democracia pluralista.

Os acontecimentos mais recentes têm o condão de deixar bem clara a gravidade do que está em causa. Os participantes de uma manifestação clerical sequestraram dois portugueses e submeteram-nos a um "tribunal popular" durante quatro horas com o objectivo, entre outros, de saber "se eram ou não católicos". O dito "tribunal popular" – que não teríamos dúvidas, noutros contextos, de classificar de terrorismo fundamentalista – teve lugar em plena residência do Bispo de Díli. Segundo o Público, um porta-voz do Bispo, Pe. Domingos Soares, justificou a acção como sendo "o procedimento normal em relação a alguém que levanta suspeitas, com uma atitude um bocado diferente".

Não tenho dúvidas de que ainda verei gente encontrar uma súbita compreensão pelo tribunais populares, desde que colocados ao serviço da luta contra o relativismo, que é certamente o problema mais premente da humanidade. Só espero que não pensem que é o catolicismo que livra Timor Leste ou qualquer outro país de se tornar parecido com o Irão.

Publicado por ruitavares em segunda-feira 02 maio 03:05 | Comentários (56)

A longa marcha para o centro-esquerda

Público [sem link]: «JSD de Leiria quer casamento entre homossexuais na agenda política».

Publicado por ruitavares em segunda-feira 02 maio 01:58 | Comentários (4)

maio 01, 2005

Proletários de todo o Mundo, descansai!


Publicado por danieloliveira em domingo 01 maio 16:33 | Comentários (16)