Fumo negro
Queria apenas dizer, que acho uma pena que pessoas que se dizem tão liberais e a favor da igualdade de oportunidades, não dêm ao senhor nem sequer o benefício da dúvida.
Para além disto não percebo outra coisa que gostava que me explicassem. Se foi escolhido o chefe de uma instituição, ao qual nenhum dos senhores quer participar ou fazer parte, porquê tanto alarido?? Secalhar gostavam de fazer parte... é a única explicação que encontro para tanto interesse.
Eu como cristã, que aqui estou constantemente a ser alvo de chacota, gostava que um dia tivessem a tolerância de parar de atacar quem apenas escolheu um caminho diferente do vosso.
Publicado por Mafalda em abril 27, 2005 11:35 PM
Mais uma vez... Desculpem-me a insistência, mas à insistência no erro, tenho que insistir na correcção, em nome da verdade e do dever de honestidade intelectual da parte de quem escreve...
Alguém me mostra documentalmente, citando, que Ratzinger escreveu o que aqui aparece entre aspas, que «não há salvação fora da Igreja Católica»?
Isto é uma enorme falsidade. Nunca Ratzinger diria uma tal monstruosidade teológica.
Por favor, para criticar não é preciso recorrer a este tipo de "argumentação"...
Publicado por Alef em abril 28, 2005 12:07 AM
caro alef onde tem andado estes ultimos meses? não tem lido os jornais?
já agora não é só ratzinger que afirma isto,
não sei se é catolico, mas como catolico acho que se devia informar.
leia isto, é de catolicos:
http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=2303
mas tenha cuidado, que sou ateu, não sou de fiar...
Publicado por oscar pinto em abril 28, 2005 01:43 AM
Alef, ler jornais é saber mais. Veio em quase todos.
Publicado por danieloliveira em abril 28, 2005 01:48 AM
Eu li hoje um comentário do "santo" RatoZinger no The Times em que o Harry Potter é chamado um produto de uma cultura do mal!
O Tom e Jerry que se ponham a pau!
Publicado por NeuroGlider em abril 28, 2005 02:08 AM
Caro Daniel:
É verdade que ler jornais é saber mais e também eu leio muitos, mas nem sempre ler jornais significa estar mais próximo da verdade. Sobretudo se a leitura se reduzir aos jornais da mesma tonalidade... Ao lermos jornais ficamos também a saber que muitos pensam que sabem e fazem figuras tristes, ganhando "espaço" à custa do desconhecimento dos leitores. Afinal, todos pensam que estão preparados para tratar jornalisticamente ou «comentaristicamente» temas de religião... Sobretudo se for para criticar... É produto fácil, politicamente correcto, intelectualmente «estimulante»... E lá vem a argolada.
Neste caso concreto, quase todos «supostamente» se baseiam num documento que criticam sem nunca terem lido, ou terem visto algo por alto, sem nada perceberem. E, pior, põem «lá» o que lá não está. Referem-se à «Dominus Jesus», mas inventam, propagam uma grosseira falsidade. Houve gente que soube ser rigorosa, como António Marujo, mas no mesmo jornal Bárbara Wong (para minha surpresa) foi das primeiras a cometer a argolada que depois outros multiplicaram.
Se eu fosse da mesma linha de alguns desses «opinion makers», diria, sem papas na língua, que temos, pois, um caso curioso caso de «carneirada» nos «media» portugueses, que deveria ser estudado. Mas eu não digo dessas coisas. ;-)
Mas a ignorância da maior parte destes senhores da pluma é tal que nem se dão conta que, sendo falsa a acusação, é também muito grosseira. Um absurdo teológico, como lhe chamei. É caso para dizer, sem querer magoar ninguém: «Quem te mandou, sapateiro...»
E fica-me sempre a pergunta: será que estes senhores que espalham estas barbaridades, quando desmentidos, terão eles a verticalidade de dar ao desmentido o mesmo destaque que foi dado à falsa acusação? Ah, como é fácil atirar pedras e esconder a mão!
Publicado por Alef em abril 28, 2005 02:35 AM
Concordo com o comentário da Mafalda, acima. Tal como Ratzinger mudou de defensor do concílio Vaticano II para chefe da "Inuisição", também pode mudar de chefe da "Inquisição" para papa. Nada nos garante que a política que ele aplicará enquanto papa não será muito melhor do que a figura que fez enquanto chefe da "Inquisição".
Sou sempre a favor de dar o benefício da dúvida, seja a quem fôr.
Publicado por Luis Lavoura em abril 28, 2005 09:42 AM
O facto de a cúpula da igreja católica ajudar a definir as políticas de muitos países faz com que qualquer pessoa, independentemente das suas crenças e de querer ou não participar da instituição católica, tenha de se interessar por quem é o novo papa, de onde vem e o que pretende fazer à frente de um dos estados mais ricos do mundo. Isto a propósito do primeiro comentário, que ficou esquecido lá para trás.
Quando o papa manda os funcionários dos cartórios espanhóis infringirem a lei do seu pais em nome das suas crenças religiosas (como aconteceu recentemente, a propósito dos casamentos civis - sublinhe-se o 'civis'- entre pessoas do mesmo sexo) percebemos duas coisas: que a eleição do papa, que só devia preocupar os católicos, é preocupação do mundo; que o precedente de infringir a lei de um país por convicções religiosas a mando do papa pode ser assustador em relação ao futuro (e, já agora, que é o mesmo que fazem os fundamentalistas religiosos de qualquer religião, só que às vezes levam esse precedente ao extremo e matam umas pessoas pelo caminho...).
Publicado por Sara FC em abril 28, 2005 10:09 AM
Excelente artigo.
Pena que seja publicado em semelhante pasquim.
Desta vez assino por baixo.
Publicado por Eric Blair em abril 28, 2005 11:59 AM
caro alef, já leu a "dominus iesus"?
e já agora o artigo que eu lhe mandei ler?
Publicado por oscar pinto em abril 28, 2005 12:25 PM
Ó Mafalda, mesmo sem sermos católicos, basta vivermos num país maioritariamente católico para que isto nos afecte. As nossas leis, costumes e predisposições morais são fortemente baseadas na moral católica. O "chip" que temos dentro de nós que nos indica que é errado matar, roubar, etc. é de inspiração religiosa. Quer um exemplo simples? Porque carga de água descansamos ao Domingo?
Mesmo para ateus, agnósticos, judeus ou muçulmanos, as leis são iguais.
Mas este paleio todo é superfluo: era o que faltava eu por não ser católico não poder falar da IC. Ou por não ser americano não poder criticar o Bush. Ou por ser de esquerda não poder malhar na direita.
Publicado por João Abreu em abril 28, 2005 02:42 PM
Benza-te Deus, Azeiteiro.
O único que pode ser contra tudo e contra todos és tu.
Benza-te Deus, azeiteiro
PS - Segue o conselho do Eric e abandona a colaboração do Pasquim.
Sempre terias alguma coerência e alguma autoridade para criticares a direita. Agora estenderes uma mão e bateres com a outra não é lá mt dignificante.
Mas cada um um é como cada qual.
Publicado por fazdeconta em abril 28, 2005 04:42 PM
Para ateus preocupam-se demais com as opiniões da Igreja, catolica ou outra, e para liberais e tolerantes não toleram quem tem opiniões diferentes das vossas.
Publicado por Ana Vasconcelos em abril 28, 2005 08:35 PM
O gajo é católico, não me surpreende que seja contra a homossexualidade, contra o aborto, contra essas coisas que são do foro privado de cada um, afinal. A mim, que não lhe pedi opinião, o que ele pensa não me incomoda nada, desde que ele não ma tente impor.
Agora irrita-me e insulta-me a prepotência e a arrogância, que pressupõe uma superioridade moral, do gajo ao vir dizer que não há verdade fora da IC. Os católicos pró-Ratzinger utilizam o argumento de «não és crente, não tens de comentar a escolha do novo Papa» quando um ateu/agnóstico se mostra contra a eleição do pastor alemão para Papa. Pelo mesmo raciocínio, quem é Ratzinger para julgar o modo de vida dos que não pertencem ao seu rebanho?
Publicado por Andreia C. Faria em abril 29, 2005 12:04 AM
(Peço desculpa por replicar este comentário, mas leio os posts por ordem cronológica e não reparei de imediato que este é o mais recente post que aborda o assunto em questão.)
Na sequência do post "Ratzinger: o papa revolucionário e o tradicionalismo", bastou-me consultar um documento oficial da Igreja (apontado por um dos autores dos respectivos comentários) para perceber que a interpretação que a própria Igreja faz da frase "não há salvação fora da Igreja" é afinal perfeitamente razoável e (pasme-se) respeitadora das outras religiões e convicções. Se não acreditam, leiam pelo menos o pequeno excerto que reproduzi nos tais comentários. Distorcer uma coisa destas é tão desnecessário como inútil. Se uma determinada fonte nos desinforma a respeito dum assunto, torna-se legítimo perguntar se a mesma fonte está a ser exacta em relação a todos os outros assuntos. Pela pequena vantagem de se colocar mais uma acha na fogueira, prejudica-se a confiança que se calhar se justifica em relação a todas as outras achas. Incrivelmente, acabo com vontade de perguntar: alguém pode apontar quais são os documentos oficiais da Igreja onde se estabelecem as suas posições em relação ao aborto, às mulheres no seio da Igreja e ao uso de preservativo?
Publicado por Míope em abril 29, 2005 01:57 AM
1. Ninguém pediu a opinião a um ateu sobre a melhor escolha que se poderia fazer de um Papa.
2. É livre de o fazer, mas desperdício de tempo para quem a dá.
3. Ninguém pede a um ateu que cumpra os propósitos cristãos. Apenas se propõe.
4. Ninguém exige que se aceite a arrogância da Igreja em deter a verdade.
5. EU exijo que todo este fervor pelo relativismo de dizer "bem e tal e coisa, talvez sim talvez não quem sabe realmente?!?" não TENTE sequer pôr na fogueira a liberdade religiosa e de expressão de cada um.
6. Dito tudo, muito obrigado.
Publicado por Luis Dias em abril 29, 2005 09:29 AM
Caro Óscar Pinto:
É claro que li, mais do que uma vez, e estudei a «Dominus Iesus».
O artigo que me recomenda é de um site particularmente conservador e tem vários erros, contradizendo-se em vários pontos. Por exemplo, está correcto quando diz que:
- «Ela [A Santa Igreja] é o instrumento da Redenção de todos os homens (LG 9)»;
- «A Igreja Católica existe e atua além dos limites da sua organização visível»...
...mas está profundamente ERRADO quando diz:
«A Igreja de Cristo só existe na Igreja Católica Apostólica romana». Isto contradiz o Concílio Vaticano II, na «Lumen Gentium» e força até a «Dominus Iesus»! A frase continua dizendo que os outros cristão são apenas «comunidades eclesiásticas» (erro, «querem» dizer «eclesiais»), mas a «Dominus Iesus», apesar de ser discutível na classificação que faz, não chega a este extremo.
De qualquer forma, este site, por conservador que seja, NÃO afirma que os não-católicos não se salvam. Isso, seria uma heresia e é essa torpe acusação que se tem visto nos jornais e blogues contra Ratzinger. Esse site (apesar de muito conservador) permite, sim, ver que todos os que se salvam, salvam-se por referência a Jesus Cristo, «Cabeça da Igreja» e, portanto, de alguma forma «associam-se» à Igreja. Note-se que muitas vezes nos documentos oficiais se diz apenas «Igreja de Cristo» e não «Igreja Católica». E isso não é por acaso. O site abusa ao dizer que a Igreja de Cristo só existe na Igreja Católica Romana (isto é uma heresia!), até porque essa tese foi liminarmente rejeitada no Concílio Vaticano II na discussão do documento «Lumen Gentium», que diz que a Igreja de Cristo «subsiste» (está presente) na Igreja Católica, mas não identificando tautologicamente. Veja-se também o que escrevi nos comentários a outro post sobre Ratzinger, a que o Míope também já aludiu.
Publicado por Alef em abril 29, 2005 11:50 AM
meu amigo,
quando dizem que as outras igrejas não tem um "poder salvifico" paralelo ou que se assemelhe a igreja catolica estão a dizer o quê?
"...seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus"
"Não há dúvida que as diversas tradições religiosas contêm e oferecem elementos de religiosidade, que procedem de Deus,85 e que fazem parte de « quanto o Espírito opera no coração dos homens e na história dos povos, nas culturas e religiões ».86 Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os corações dos homens a se abrirem à acção de Deus.87 Não se lhes pode porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos.88 Por outro lado, não se pode ignorar que certos ritos, enquanto dependentes da superstição ou de outros erros (cf. 1 Cor 10,20-21), são mais propriamente um obstáculo à salvação.89"
"eficacia salvifica"
a maneira como este artigo supostamente entende a salvação é um pouco... polemica?
Com a vinda de Jesus Cristo Salvador, Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento de salvação para toda a humanidade (cf. Act 17,30-31).90 Esta verdade de fé nada tira ao facto de a Igreja nutrir pelas religiões do mundo um sincero respeito, mas, ao mesmo tempo, exclui de forma radical a mentalidade indiferentista « imbuída de um relativismo religioso que leva a pensar que “tanto vale uma religião como outra” ».91 Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objectivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação.92 Há que lembrar, todavia, « a todos os filhos da Igreja que a grandeza da sua condição não é para atribuir aos próprios méritos, mas a uma graça especial de Cristo; se não corresponderem a essa graça, por pensamentos, palavras e obras, em vez de se salvarem, incorrerão num juízo mais severo ».93 Compreende-se, portanto, que, em obediência ao mandato do Senhor (cf. Mt 28,19-20) e como exigência do amor para com todos os homens, a Igreja « anuncia e tem o dever de anunciar constantemente a Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), no qual os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou todas as coisas consigo ».94
o que é que eles entende por "plenitude dos meios de salvação" e anteriormente diz "deficitaria"?
meu amigo não estou a dizer que os não catolicos não se salvam, alias isso seria recuar no tempo,já para não dizer injusto, no entanto ela se afirma como o unico caminho verdadeiramente completo para a salvação.
podem me explicar o que isso é?
quer dizer, não era suposto a religião ter uma atitude ZEN e promover o pluralismo religioso, isto é, o pluralismo como algo que deus nos deu como forma de atingir a tolerancia e a liberdade, e desta forma a salvação?
a valorização de outras religiões não pelos rituais nem pelas diferentes ideias do mundo, mas antes pelo TAO?
TAO = caminho, conduta
Publicado por oscar pinto em abril 29, 2005 06:02 PM
Afinal o papa até é porreiro …
" Se o pão é símbolo do que o homem precisa, por seu lado o vinho é símbolo da superabundância da qual também temos necessidade. Ele é sinal da alegria, da transfiguração da criação. Tira-nos da tristeza e do cansaço do dia a dia e faz do estar juntos uma festa. Alarga os sentidos e a alma, solta a língua e abre o coração; e transpõe as barreiras que limitam a nossa existência. (...) Deste modo, o vinho tornou-se o símbolo dos dons do Espírito Santo. [A abundância é um] sinal de Deus na sua criação: Ele esbanja, cria todo o universo para dar espaço ao homem. Ele dá à vida uma incompreensível abundância. E, na Redenção, prodigaliza-se Ele mesmo, faz-se homem, penetrando toda a pobreza do ser humano."
Joseph Ratzinger
Publicado por Gabriel Gonçalves em abril 29, 2005 07:58 PM
e esta hein...
Publicado por oscar pinto em maio 1, 2005 01:46 PM
já agora leiam "dimensões da espiritualidade" de dalai lama.
Publicado por oscar pinto em maio 1, 2005 03:26 PM
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