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Merci!


Este texto, como outros do seu autor sobre este tema, é tão "confusionista" que nem sei se merece comentários. Pratica-se aqui a técnica da amálgama que os "barnabitas" criticam justamente naqueles que chamam «anti-semitas» a todos os que condenam a política de Israel em relação aos palestinianos. Porque, entre os defensores do «não», se encontra também um Le Pen, isso torna o «não» condenável à partida? Colocar a questão nesses termos é a melhor forma (uma forma «terrorista») de cancelar qualquer debate sério.

Publicado por Mário Artur em maio 29, 2005 11:54 PM


Aqui o caro (mas bastante confuso) amigo Bruno é um bom exemplo do que acabei de deixar como comentário num post ao lado e que já que é meu copio aqui:

"Parece que os defensores do sim, para quem isto era um "debate entre o sim eo sim", do alto das suas arrogantes certezas, nem com 95% de nãos se convenceriam a ouvir as razões dos outros. Democracia avançada..."

Publicado por cantigueiro em maio 30, 2005 12:00 AM


E olhe, amigo Bruno.
Sem deixar caír, e antes que venha com a porra do argumento (com que já aqui levei uma vez) de que: ai! que você está na companhia dos racistas do LePen e dos mais radicais extremistas de esquerda, e tal, e por isso é que fica nervoso "derivado" à má consciência e assim... ... , sempre lhe digo que já me começa a irritar que os defensores do sim, muito da Europa, muito do futuro e muito inteligentes, façam de conta que não notaram ainda que estão na companhia do Chirac, daquela merda ambulante e fascistóide do Berlusconi, um neo-nazi dacolá, um corrupto dacoli... e por aí adiante.
Isso não vos enerva também, são "tapados" ou querem fazer dos outros patetas?
Agradecido antecipadamente pela resposta.

Publicado por cantigueiro em maio 30, 2005 12:13 AM


O Bruno faz bem em dizer Merci (penso eu de que...)
Se não vejamosOs anexos inquietantes da Constituição europeia
• Pena de morte em caso de sublevação, insurreição ou "ameaça de guerra"
• Requisição de cidadãos para trabalhos forçados
• Prisão arbitrária
• Vigilância electrónica da vida privada
• Liberdade de expressão e de informação
• Clonagem humana
A Constituição Europeia oferece liberdades enganadoras e prepara o terreno para uma deriva totalitária e policial da Europa, por meio "de anexos” ignorados do público e dos quais os meios de comunicação nunca falam. Estes anexos esvaziam do seu conteúdo a Carta dos Direitos Fundamentais incluída na Constituição e apresentada pelos partidários do "sim” como um grande progresso...

A Constituição contém numerosos anexos cuja função é a de indicar de que modo os diferentes artigos devem ser interpretados e aplicados.
Estes anexos fazem parte, juridicamente, da Constituição:
artigo IV-442:
"Os protocolos e anexos do presente tratado são sua parte integrante.”
Além disso , os anexos são designados como referência para a interpretação a ser feita, eventualmente, por um tribunal:
artigo II-112,7:
"As explicações elaboradas com vista a orientar a interpretação da Carta dos Direitos Fundamentais são devidamente tomadas em consideração pelas jurisdições da União e dos Estados membros.”
Ora, dissimuladas entre estes anexos, encontram-se "explicações” que permitem muito simplesmente a não aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais (parte II da Constituição), nos casos em que a definição é deliberadamente vaga e extensível. Pena de morte em caso de sublevação, insurreição ou "ameaça de guerra" Aparentemente, a Constituição reconhece o direito à vida e proibe a pena de morte:
artigo II-61
1. Toda a pessoa tem o direito à vida.
2. Ninguém pode ser condenado à pena de morte nem executado.
Mas, no parágrafo 3-a do artigo 2 do anexo 12 (intitulado "Declaração referente às explicações relativas à Carta dos Direitos Fundamentais”, secção "Acta Final”, parte IV), pode ler-se uma "explicação” que limita seriamente o alcance do artigo II-61:
"As definições "negativas” que figuram na CEDH devem ser consideradas como figurando igualmente na Carta":
A – artigo 2, parágrafo 2 da CEDH:
" A morte não é considerada como infligida, em violação deste artigo, nos casos em que resulte de um recurso à força absolutamente necessário:
a) para assegurar a defesa de qualquer pessoa contra a violência ilegal;
b) para efectuar uma detenção regulamentar ou para impedir a evasão de uma pessoa regulamentarmente detida;
c) para reprimir, de acordo com a lei, uma sublevação ou uma insurreição "
B – artigo 2 do protocolo nº 6, anexo à CEDH:
"Um Estado pode prever na sua legislação a pena de morte para actos cometidos em tempo de guerra ou de perigo iminente de guerra; uma tal pena só será aplicada nos casos previstos por essa legislação e conforme à suas disposições."
Estas limitações contestáveis, instituídas pela CEDH (Convenção Europeia dos Direitos do Homem), encontram-se, assim, constitucionalizadas.
Em termos claros, os direitos fundamentais estabelecidos pela Carta não se aplicam em caso de insurreição ou de sublevação. Maio de 68, uma greve geral, uma ocupação de fábrica ou uma manifestação podem ser assimilados a uma insurreição ou uma sublevação e, portanto, servir de pretexto à anulação dos direitos cívicos.
A Carta também não se aplica em tempo de guerra ou em caso de "perigo iminente de guerra", o que é uma definição muito subjectiva, abrindo portas a todos os abusos. Amanhã, um Bush europeu (Sarkozy?) poderia utilizar como pretexto uma "guerra contra o terrorismo" ou um "perigo de guerra" para não aplicar a Carta.
Requisição de cidadãos para trabalhos forçados Não se pode deixar de aprovar a Constituição quando lemos:
Artigo II-65
1. Ninguém pode ser mantido em escravidão nem em servidão.
2. Ninguém pode ser constrangido a realizar um trabalho forçado ou obrigatório.
Demasiado bonito para ser verdade... E, efectivamente, as "explicações" em anexo explicitam que o trabalho forçado não é proibido se aplicado a prisioneiros. Os trabalhos forçados, tal como se praticavam há um século e como se praticam de novo nos Estados Unidos, são, pois, possíveis na Europa com esta Constituição. Qualquer cidadão está sujeito a isso, desde que as recentes leis repressivas permitem prender uma pessoa sem julgamento e por prazo indeterminado, se for suspeita de "terrorismo". Tornou-se, portanto, muito fácil passar do estatuto de "cidadão livre" ao de prisioneiro.
Os anexos da Constituição vão ao ponto de autorizar a requisição de cidadãos para um trabalho forçado em caso "de crises ou calamidades que ameacem a vida ou o bem-estar da comunidade". Uma vez mais, estas condições são suficientemente vagas para serem interpretadas de maneira muito extensiva por dirigentes do tipo Sarkozy ou Bush.
Artigo 5 do anexo 12:
"No parágrafo 2, as noções de "trabalho forçado ou obrigatório" devem ser compreendidas tendo em conta as definições "negativas" contidas no artigo 4, parágrafo 3, da CEDH:
Não é considerado como "trabalho forçado ou obrigatório", segundo o presente artigo:
a) todo o trabalho requerido normalmente a uma pessoa submetida a detenção nas condições previstas no artigo 5 da presente convenção ou durante a sua liberdade condicional;
b) todo o serviço de carácter militar ou, no caso dos objectores de consciência nos países onde a objecção de consciência é reconhecida como legítima, um outro serviço substituto do serviço militar obrigatório;
c) todo o serviço requerido em caso de crises ou calamidades que ameacem a vida ou o bem-estar da comunidade;
d) todo o trabalho ou serviço fazendo parte das obrigações cívicas normais ." Prisão arbitrária As "explicações" relativas ao artigo II-66 (que afirma que "toda a pessoa tem o direito à liberdade e à segurança") justificam, aliás, implicitamente, a detenção com base em simples suspeita ou ainda de pessoas "contagiosas", "alienados", "toxicómanos" ou "vagabundos".
Parágrafo 1 do artigo 6 do anexo 12:
"Toda a pessoa tem o direito à liberdade e à segurança. Ninguém pode ser privado da sua liberdade, excepto nos casos seguintes e segundo as vias legais:
(...)
c) se for detido e preso para ser conduzido perante a autoridade judicial competente, quando há razões plausíveis para suspeitar que cometeu uma infracção ou que há motivos razoáveis para crer na necessidade de o impedir de cometer uma infracção.
(...)
e) se se tratar da prisão de uma pessoa susceptível de propagar uma doença contagiosa, de um alienado, de um alcoólico, de um toxicómano ou de um vagabundo."

O paráfrago 3 das mesmas "explicações" parece, no entanto, fixar limites à detenção arbitrária, mas, uma vez mais, esses limites são formulados em termos suficientemente imprecisos para permitir toda a liberdade de interpretação a um futuro regime autoritário ou policial:
Parágrafo 3 do artigo 5 do anexo 12:
"Toda a pessoa detida ou presa, nas condições previstas no parágrafo 1.c do presente artigo, deve ser o mais brevemente possível levada perante um juiz ou um outro magistrado habilitado por lei a exercer funções judiciais [isto é, por um polícia ou um "juiz de proximidade" sem nenhuma formação judicial] e tem o direito a ser julgado num prazo razoável" [que prazo, precisamente?...]
parágrafo 4 do artigo 5 do anexo 12:
"Toda a pessoa privada da sua liberdade por detenção ou prisão tem o direito de apresentar um recurso em tribunal para que se estabeleça, a breve prazo [que prazo, precisamente?], a legalidade da sua detenção e se ordene a sua libertação se a detenção for ilegal." [mas tendo em conta as disposições precedentes, poucas detenções poderão ser declaradas ilegais, já que são justificadas pela Constituição]. Vigilância electrónica da vida privada O mesmo espírito preside ao que se refere à protecção da vida privada.
Assim, a Constituição parece proteger os cidadãos da espionagem da sua linha telefónica e do correio electrónico ou da instalação de microfones e câmaras em casa (como está previsto na lei Perben, em França). O que é para admirar, diga-se de passagem, pois, desde o 11 de Setembro de 2001, a maior parte dos Estados europeus adoptou leis que oficializam a "big-brotherização" geral. A acreditar na Constituição, a vigilância electrónica dos cidadãos está proibida, embora não haja nenhum recurso previsto para as pessoas que sejam vítimas destas práticas:
artigo II-67, 1:
"Toda a pessoa tem direito ao respeito pela sua vida privada e familiar, domicílio e comunicações."
Mas as explicações em anexo anulam totalmente este direito na prática. Basta que para isso a intrusão na vida privada esteja enquadrada pela lei e que seja necessária "à segurança nacional" (Bush mostrou que este conceito pode ser utilizado para justificar qualquer coisa), "à segurança pública", "à defesa da ordem" (duas noções muito subjectivas), "à prevenção de infracções penais" (cada vez melhor! Esta disposição torna possível as prisões preventivas, como em "Minority Report", segundo o mesmo princípio das "guerras preventivas" de Bush), ou muito simplesmente, quando a espionagem da vida privada é necessária "ao bem-estar económico do país", ou ainda "à protecção da moral".
parágrafo 2 do artigo 7 do anexo 12:
"Não pode haver ingerência de uma autoridade pública no exercício deste direito senão quando essa ingerência está prevista na lei e constitui uma medida que, numa sociedade democrática, é necessária à segurança nacional, à segurança pública, ao bem-estar económico do país, à defesa da ordem e à prevenção de infracções penais, à protecção da saúde ou da moral, ou à protecção dos direitos e liberdades de outrem."
O artigo seguinte está recheado de explicações absolutamente incompreensíveis, dada a quantidade de remissões e referências a outros documentos ou tratados.
artigo II-68:
1. Toda a pessoa tem o direito à protecção de dados de carácter pessoal a si respeitantes.
2. Estes dados devem ser tratados legalmente para fins específicos e na base do consentimento da pessoa envolvida ou em virtude de um outro fundamento legítimo previsto na lei.
Toda a pessoa tem o direito a aceder aos dados recolhidos que lhe dizem respeito e a obter a sua rectificação.
Explicação a propósito do artigo II-68, artigo 7 do anexo 12:
"Este artigo baseou-se no artigo 286 do tratado que instituiu a Comunidade Europeia e na directiva 95/46/CE do Parlamento Europeu e no Conselho de 24 de Outubro de 1995, relativa à protecção das pessoas físicas no que se refere ao tratamento de dados de carácter pessoal e à livre circulação desses dados (JOL 281 de 23.11.1995) assim como no artigo 8 da CEDH e na Convenção do Conselho da Europa para a protecção das pessoas no que se refere ao tratamento de dados de carácter pessoal de 28 de Janeiro de 1981, ratificada por todos os Estados membros. O artigo 286 do tratado CE é, a partir de agora, substituído pelo artigo I-51 da Constituição. Convém notar, igualmente, a regulamentação (CE) nº 45/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho de 18 de Dezembro de 2000 relativo à protecção das pessoas físicas, no que se refere ao tratamento de dados de carácter pessoal pelas instituições e órgãos comunitários e à livre circulação desses dados (JOL 8 de 12.1.2001). A directiva e a regulamentação pré-citadas contêm condições e limitações aplicáveis ao exercício do direito à protecção de dados de carácter pessoal." [compreenda quem for capaz...!] Liberdade de expressão e de informação O artigo II-71 garante a liberdade de expressão e de informação, mas este direito está igualmente limitado como os artigos precedentes pelas "explicações" em anexo. As restrições à liberdade de expressão são autorizadas quando "previstas pela lei" e quando constituem medidas necessárias "à segurança nacional, segurança pública, defesa da ordem e prevenção do crime", à protecção da saúde ou da moral."
artigo II-71:
1. Toda a pessoa tem o direito à liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de opinião e a liberdade de receber ou de comunicar informações ou ideias, sem que possa haver ingerência das autoridades públicas e sem consideração de fronteiras.
Explicação a propósito do artigo II-71, artigo 11 do anexo 12:
"O exercício destas liberdades, que comportam deveres e responsabilidades, pode ser submetido a certas formalidades, condições, restrições ou sanções previstas na lei, que constituam medidas necessárias, numa sociedade democrática, à segurança nacional, à integridade territorial ou à segurança pública, à defesa da ordem e à prevenção do crime, à protecção da saúde ou da moral, à protecção da reputação ou dos direitos de outrem, para impedir a divulgação de informações confidenciais ou para garantir a autoridade e O original encontra-se em http://perso.wanadoo.fr/metasystems/ConstitutionAnnexes.html .
Tradução de MJS.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
MT

Publicado por mário tomé em maio 30, 2005 12:31 AM


No seguimento da contribuição do Mário para o debate, é que eu digo que é por estas e por outras que os defensores do sim podem, por mim, pegar nesta constituição e limpar com ela, com todo o respeito, o cu!
Não compromete a dita cuja, pois há imensos exemplares e podem sempre continuar a votar SIM pois não fica a ser uma merda maior do que já era.

Publicado por cantigueiro em maio 30, 2005 12:57 AM


Obrigada ao Mário por fazer aqui exactamente o contrário do que o Bruno C. Reis faz nos seus posts: defender os seus pontos de vista COM ARGUMENTOS, ao contrário deste barnabita, que se limita a disparar boutades só para levantar poeira.

Publicado por lucrecia em maio 30, 2005 02:43 AM


Concordo absolutamente contigo Bruno.
Em França a maior parte da população votou com as franjas extremistas neste referendo. As lideranças dos maiores partidos centristas se viram em minoria.
Tendo em conta o movimento do voto françês para a extrema direita nos últimos anos, e tendo em conta também a maior parte das motivações do voto no não, a situação é no minímo preocupante. A divisão do partido socialista françês neste referendo se poderá verificar como uma descarada irresponsabilidade em eleições futuras.
Não creio que sejam oportunas alegrias libertárias se gosta de afirmar acerca deste resultado. Outras situações em que maiorias eleitorais optaram por soluções não defendidas pelo dito status-quo em sociedades democráticas terminaram muito mal, e é com estas situações que vejo mais parecenças, guardadas as devidas distâncias mas tidas em conta as claras analogias.
Provavelmente o mesmo pelos mesmos motivos, mais ou menos, se passará em Holanda. Noutros países como Inglaterra e Polônia o mesmo poderá passar mas por diferentes motivos.
Quando a calma de espírito sabe que este Tratado significa em geral simplificação dos tratados acumulados anteriores, colocar os cidadãos no centro do significado da palavra Europa, e a simplificação da relação destes com as suas instituições; se retira fundamento á crítica anti-burocrata e anti-institucional com que baseiam os seus argumentos a favor do não pessoas como Pacheco Pareira e outros.
Os sentimentos chauvinistas locais europeus incham seus peitos com a ajuda eventual da esquerda tonta disponível. Isto não pode ser bom.
A única ajuda que podemos fazer desde a parte de Europa convencida de si mesma enquanto pudermos (o limite oficial aceitável parece estar em quatro para os países que digam não...) é seguir em frente com Alemanha (onde os partidos de esquerda e de centro-direita devido a sua experiência histórica têem menos tendência para aventuras tontas) e forçar França e restantes a entrar mais tarde. Com novo referendo está claro. Outra emenda qualquer poderá ser pior que este soneto.
(post publicado em leileteia.blogspot.com)

Publicado por Rui Fernandes em maio 30, 2005 05:17 AM


Foi o voto da ralé, dominada por um onda avassaladora de xenofobia, de medo ao progresso, de perda de "privilégios" num mundo mais global, que uniu fascistas, comunistas, soberanistas, socialistas anti-mercado e toda a classe de despeitados, incompetentes, falhados e ignorantes. Um regabofe de populismo de islolacionismo de egoísmo de colaboracionismo (com Bush e Blair, os grandes ganhadores de ontem).

O resultado será o isolamento da França e de todos os estados do Não (Holanda, GB ?)através de um cordão sanitário. Os outros votarão "sim" (10 já o fizeram) e a Europa seguirá em frente. Os que mantiverem o não terão apenas um caminho a seguir: a porta de saída. E é claro que não haverá renegociações de um compromisso a 25 tão difícil de obter. E se houvesse, seria inevitavelmente mais liberal, dado que a maioria dos europeus o é. Os franceses voltarão decerto à lealdade à Europa, quando virem que a chantagem populista não resulta e que a persistência na traição implica a sua expulsão definitiva da UE...

Publicado por euroliberal em maio 30, 2005 09:15 AM


Realmente acho que exageraste Bruno, tera certamente sido uma reaccao a quente. Temo que os tiros no pe da grande coligacao pelo sim em Franca tenham comecado quando esse grande politico que da pelo nome de JP Raffarin trauteou aquele magnifico palavreado sobre "o rio do islao que entraria pelo pais adentro" com a possivel adesao da Turquia a UE. Com amigos destes, ninguem precisa de um Le Pen ou de qualquer Besancenot...
A Europa nao vai parar nem morrer. Com um bocadinho de sorte, tornar-se-a apenas mais adulta e pronta a deixar de se servir de cacofonias estereis. Let the real debate begin...
PS-Dito isto, fosse eu frances e teria votado pelo sim..

Publicado por tiago no baltico em maio 30, 2005 09:34 AM


Já cá faltava o comentário esclarecido do euro'liberal'... Entre ameaças vãs - expulsar a França da UE? Deixa-me rir!!! - e acusações de traição. Anedótico.

Quanto à minha posição, é muito simples: também eu votarei contra este tratado constitucional, quando chegar a hora. Não me preocupa nem um bocadinho estar a votar ao lado da extrema-esquerda (Louçãs, Rosas, Jerónimos e afins) ou da extrema-direita. Quando do referendo sobre a despenalização do aborto também votei a favor independentemente do facto de o meu voto SIM ter sido contado conjuntamente com o de luminárias da extrema-esquerda. Não votarei uma lei fundamental que não acautela minimamente os princípios democráticos. A Europa necessita de um executivo ELEITO (e não nomeado ao sabor dos nacionalismos, como agora), conjuntamente com um parlamento de DUAS CÂMARAS, uma com deputados eleitos proporcionalmente à população de cada estado e outra com representação paritária dos estados, ou seja uma CÂMARA BAIXA e um SENADO, sendo ambos democraticamente eleitos.

Não votarei nunca na caldeirada nacionalista proposta por Giscard. O meu SIM apenas estará disponível para um sistema federalista verdadeiramente democrático.

Publicado por Pedro Oliveira em maio 30, 2005 09:34 AM


O bushista Pedro Oliveira tinha de "botar faladura"... Para dizer disparates, é claro ' A malta já sabe que para quem defende uma Europa atomizada e impotente telecomandada da Casa Branca, uma Europa forte e unida é um perigo...
Agora dizer que uma Constituição europeia que reforça a democraticidade da UE e lhe atribui mais poderes seria antidemocrática... Quanto ao Parlamento (câmara baixa) com deputados eleitos proporcionalmente à população de cada estado, isso já existe. E um embrião de Senado, também: é o Comité das Regiões, onde estas estão representadas paritariamente. Basta apenas mudar-lhe o nome e reforçar as suas competências...
Um executivo eleito ? Não é isso que a Constituição pretende ao prever a eleição de um Presidente da União (e não os actuais presidentes semestrais em regime de acumulação), e de um ministro dos Negócios estrangeiros ?

A ralé que pretende uma europa "socialista" e sem mercado livre pode tirar o cavalinho da chuva. A Europa vai mesmo unir-se e terá uma economia social de mercado...

A maior asneira foi de Chirac ao convocar um referendo para a ralé escoucear por razões estranhas à questão objecto do referendo. A democracia é representativa, não directa. E o povão só tem que escolher representantes. São estes, e não a ralé, quem deve tomar decisões...

Publicado por euroliberal em maio 30, 2005 11:54 AM


O EUROLIBERAL está no seu melhor! A França tem 55% de ralé.
A escumalha ou povão ou ralé, como lhe chama, só tem direito a escolher representantes e depois calar o bico, por que a democracia é representativa "e acabou a conversa!!!".
Por verdadeiro milagre, esses representantes, escolhidos por essa ecumalha desclassificada, depois são bons e "representativos...
Portanto, e resumindo, o Euroliberal é mesmo débil mental, só que é tão delirante que tem uma graça do caraças. Escreva muito, diga coisas, divirta o pessoal! Você é o máximo...

Publicado por cantigueiro em maio 30, 2005 12:41 PM


O camarada cantigueiro é obtuso e não percebe nada. Aliás, o mal, é geral lá no PC... ou será no Berloque ?

A essência da democracia é a escolha de representantes do povo, para que exerçam o poder em nome deste. O povoléu escolhe os políticos que devem ocupar o poder, com base em programas gerais de acção, e depois avalia a actuação destes nas eleições seguintes. Entretanto, quem manda são os representantes eleitos (porque nem todos têm os mesmo conhecimentos e capacidades para tal...).

Não se pergunta directamente ao "povo unido" por referendo se quer taxas de juro altas ou baixas (já se sabe que as quer baixas, mesmo que a economia rebente...), se quer a pena de morte (já se sabe que 80% a quer, mesmo para roubos de carteiras...), se devem ou não congelar-se oa salários em caso de crise orçamental(já se sabe qual a resposta...), quem deve ganhar o campeonato (já se sabe que há 6 milhões que...adiante), etc.

Se assim não fosse, para que é que serviria ter políticos altamente preparados, se estes se demitissem de decidir e delegassem nas populaças ululantes ao sabor das paixões e dos medos de cada momento ?

Este referendo é o melhor exemplo disso. Na Holanda o "não" até subiu 6 pontos nas sondagens quando a Holanda foi eliminada do festival da Eurovisão e este foi dominado pelos "novos Membros da UE"... o que obviamente nada tem a ver com a Constituição... Todo o populista gosta de ver a populaça "decidir"... Só que isso é uma caricatura da democracia, são contos (cantigas) do vigário... des pièges à cons...

Publicado por euroliberal em maio 30, 2005 01:08 PM


O autor deste post comete um erro básico quando não gostamos de um resultado em lugar de tentar-mos compreender porquê denegrimo-lo.

Primeiro numa analise fria de numeros é em zonas de França que votam maioritariamente á esquerda que o NÃO tem os melhores resultados, para quem diz que venceu a extrema-direita é obra....

Há efectivamente um resultado a ponderar que é o Resultado de Paris em que o Sim tem o dobro dos votos, mas mesmo aí é nos bairros populares do norte de Paris que o Não tem os melhores resultados.

O desemprego que se avolumou, as deslocalisações, a perca de garantias sociais, uma certa arrogância dos burocratas de Bruxelas que ausentes do sentir dos repectivos povos idealizam soluções que pouco ou nada têm a ver com a realidade.

A incapacidade de em lugar de passos seguros na consolidação da Europa ter-se feito um alargamento ás três pancadas, e depois querer-se a todo o custo legitimar-se esse alargamento com uma serie de leis, este dito tratado, de todo desfasadas da realidade.

Espero mas tenho grandes dúvidas que o debate em Portugal fosse tão ou mais vivo do que foi em França, e que o povo português votasse maçivamente nesse referendo como o fizeram agora os Franceses.

Publicado por condor em maio 30, 2005 02:45 PM


"Se assim não fosse, para que é que serviria ter políticos altamente preparados, se estes se demitissem de decidir e delegassem nas populaças ululantes ao sabor das paixões e dos medos de cada momento ?"

Aaah... peço desculpa por interromper, mas de que "políticos altamente preparados" estaria vocelência a falar?

Publicado por Portuga em maio 30, 2005 02:49 PM


Saiba Vocelência, Sr. Portuga, que em França há mesmo "políticos altamente preparados". Normalmente (mas não só) saídos do ENA (onde só se entra por concurso nacional, havendo cada ano dezenas de milhares de candidatos para poucas vagas...)com boas classificações. Isto é, todos podem candidatar-se, independentemente de raça ou extracto social, e só os melhores entram, e destes só os melhores é que chegam ao fim, dos quais apenas uma minoria com óptima classificação, e, já agora, só um como primeiro (major) do curso. É a chamada meritocracia, baseada na igualdade de oportunidades e no esforço individual... Estou-lhe a dar uma novidade ? E que acha, será melhor confiar a tais pessoas a decisão de saber se será ou não melhor para a França ratificar a Constituição, ou prefere que seja o M. Ducon (que foi encornado por um picheleiro polaco) ou a Mme. Grossin (a quem o marido fugiu com uma turca) que devam decidir tal questão ? Hum ?

Publicado por euroliberal em maio 30, 2005 03:46 PM


Os neocons bushistas dos EEUU exultam de alegria com a traição de Fabius, Le Pen & C.ª:

"Vive la France !" : les néoconservateurs américains expriment leur joie
LE MONDE | 30.05.05 |

Les Français font, pour une fois, les délices des néoconservateurs américains. "Vive la France !" , s'écrie l'un des chefs de file du mouvement, Bill Kristol, dans un éditorial du magazine Weekly Standard, écrit avant même l'annonce des résultats du dimanche 29 mai.

Merci Fabius, Le Pen e De Villiers !
Votre pote
G. W. Bush

Publicado por euroliberal em maio 30, 2005 04:10 PM


Parece-me útil:
mudar o povo que só sabe ulular e não pode decidir porque não é esclarecido

insistir numa UE sem países nem cidadãos dado que, segundo parece, os cidadãos quando votam no referendo (e para o PE, já agora) fazem-no por razões nacionais, e o Tratado é só para a Europa!!!

Entretanto perguntar:
se o PEC, por exemplo, não tem nada a ver com o aumento do IVA, com o desemprego, etc. Ou seja se a recusa da Europa do Tratado não é a recusa das suas consequências e das políticas europeias e nacionais, determinadas pelos Schröders e Chiracs e Barrosos e Sócrates seus defensores

Se uma Europa enfiada na NATO desagrada ao Bush

Se o sim ao tratado para ter uma Europa forte para fazer frente à potência económica EUA não é um disparate de argumento, já que a Europa é economicamnete mais forte que os EUA e que estes têm é o poder militar esmagador. O que esses "grandeuropeus" pretendem é uma potência à antiga, (como os EUA são e não deixam qe a globalização assuma aspectos novos de relação e solidariedade entre os povos) com grande indústria de armamento e tudo, viva!!! (como quer o papá Soares); mas não têm sorte porque os grandes dirigentes europeus estão debaixo das asas da águia americana e não querem sair de lá, da NATO, pois claro, que é o comando político da Europa a partir de Washington.
É assim tão difícil de perceber?
Abaixo a tentativa de impor o Tratado quendo a regra do jogo exige que seja ratificado por todos. Abaixo a insistência até dar, usando todos as ameaças e chantagens (até ameaça de despedimentos como fizeram as grandes empresas na Dinamarca para inverter o Não em Sim, aquando de Maastricht)
Viva a França! Viva a Europa. Vamos dar a voz à turba ululante e eleger uma Constituinte que elabore democraticamente a carta política da Europa ... democrática. Já agora é dessa que os EUA e os governantes europeus actuais têm medo.
MT

Publicado por mário tomé em maio 30, 2005 10:07 PM


Desde já quero agradecer ao Mário por ter optado corroborar os seus argumentos com artigos e explorando as possíveis e perigosas (des)contextualizações do mesmo.

Temos de perceber que o impacto deste tratado se fará sentir em Portugal, no entanto ao votarmos no mesmo não estaremos a chumbar ou aprovar o governo mas a ratificar ou pelo contrário chumbar um tratado que fundamentalmente deverá ser discutido no sentido de perceber que tipo de modelo de Europa preconiza.
Eu acho que o sucesso do modelo europeu será marcando uma clara diferença de orientação estratégica, política e económica Norte Americana (dos E.U.A.).
Perceber como se conjuga a Europa na estrutura nacional, perceber o analogia que se poderá exercer entre os estados dos E.U.A. e os estados da Europa. Sendo que fazendo parte da Europa não implica perda de identidade nem de direitos, pois com este referendo estamos a exercer o direito de ser europeus e de determinar o destino da Europa da qual somos cidadãos.

Publicado por João Dias em maio 31, 2005 03:49 AM


Muito obrigado pelos esclarecimentos, caro euroliber. De facto trouxe-me uma novidade, não tenho o sistema político francês como um dos meus interesses.

No entanto, ao ler e reler a sua entrada, pareceu-me que estaria a expôr a sua visão sobre a democracia como sistema e não sobre a democracia no caso particular da França. Terá sido erro meu?

Publicado por Portuga em maio 31, 2005 09:56 AM


Eu, Lucrécia, assumo ser parte integrante da "ralé" de "despeitados, incompetentes, falhados e ignorantes" , das "populaças ululantes" e ainda, quiçá, dos "encornados por um picheleiro polaco" e cujo "marido fugiu com uma turca", extractos sociais estes aos quais sem dúvida pertence também a maioria da população votante francesa e holandesa. (Com a devida vénia ao euroliberal). Sentindo-me bem acompanhada, rezo no entanto para nunca ser governada por alguém que saiba referenciar tão bem o extracto social ao qual pertenço.

Publicado por lucrecia em junho 3, 2005 01:20 AM

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