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Não há heróis perfeitos


Este texto está de uma sobriedade, que arrepia, essa é a verdade depois de velho não há novos rumos.
Mas há tempo para saber sobreviver e reconhecer erros passados.

Publicado por carlos barros em junho 22, 2005 01:05 PM


Ou seja, um oportunista político, que não hesitava em mudar a direcção para onde nadava, desde que isso significasse manter-se á tona. É isso que o seu texto diz, com, dêvo de facto reconhecê-lo, uma sobriedade arrepiante.

Publicado por goameal em junho 22, 2005 02:24 PM


Mais uma vez, o Daniel Oliveira não consegue apresentar um raciocínio com um mínimo de pés e cabeça. Depois do Século XX qualquer trabalhador assalariado NO MUNDO OCIDENTAL vive infinitamente melhor que nos finais do SEC XIX, é verdade. Acontece que isso não se deveu em nada ao Comunismo. Deveu-se sim ao desenvolvimento científicoa e tecnológico, e à economia de mercado. Nos países que optaram por modelos comunistas, o resultado foram milhões de mortos em consequência da pobreza e da fome. Os comunistas foram ainda os campeões das perseguições políticas e das violações dos Direitos Humanos, algo de que o Daniel Oliveira se poderá orgulhar. Vejam o balanço dos sucessos do comunismo no Sec. XX neste artigo:

http://politicaxix.blogs.sapo.pt/arquivo/662805.html

Publicado por The Studio em junho 22, 2005 03:48 PM


Este texto está espantoso e digno de Daniel Oliveira. Inventivo, com boa correlação argumentativa. Coerente à moda da direita, incoerente nas palavras do autor. Só é pena que este comentário não seja um elogio.

Publicado por Cirilo Marinho em junho 22, 2005 04:42 PM


Excelente texto.
As duas últimas frases são categóricas, a prova da evidência.

Publicado por Bart Simpson em junho 22, 2005 04:54 PM


Até gostei do texto. Simplesmente, não existe 'lado correcto da história'. Ainda ontem, o meu filho mais velho (que tem 16 anos) surpreendeu-me com uma prova de perspicácia: comentando sobre o motor da História ser o 'nós contra eles', disse: 'É por isso que a História é sempre os 'bons' contra os 'maus' e que os 'bons' ganham sempre: a História é escrita pelos vencedores'.

Pessoalmente, não sendo humanista, nego que a história tenha um sentido. Na história existem inúmeras repetições, partidas em falso, recuos, avanços. Não acredito num 'fim da história' seja ele o preconizado por Fukoyama ou o tradicional de Karl Marx. O fim da história será quando a espécie humana se extinguir num futuro não muito distante (numa escala geológica, claro).

Publicado por Pedro Oliveira em junho 22, 2005 05:06 PM


Muito bom texto. De facto, Álvaro Cunhal deixa-nos um legado importante, a começar pelo papel fundamental que teve no 25 de Abril.
E para quem diz que as conquistas sociais não se deveram minimamente aos comunistas, mas sim ao desenvolvimento tecnológico, talvez seja de reparar que algumas dessas conquistas estão a ser agora postas em causa, e não me parece que estejamos em retrocesso tecnológico ou cientifico.
O que se pode constatar é que se não houver contestação social, os poderes politicos e económicos vão "roubando" os nossos direitos, com a desculpa dos defices ou da produtividade.

Publicado por patologista em junho 22, 2005 05:16 PM


O homem é um animal de hábitos.

"No fim da vida somos fiéis à nossa vida"

Também tu não deixas grande futuro aos esquerdistas, talvez, unicamente, um fardo pesado ao transcreveres os artigos do jornal padrinho Mal-se-Mão mas que tem os salários em dia.

Publicado por zedopipo em junho 22, 2005 05:34 PM



O artigo tem do melhor e do pior. Mas tem o mérito de fazer reflectir bem, que é para isso que servem os jornais. Para aprender, vai-se à Escola, ou mais tarde à Biblioteca.

The Studio: a sua argumentação é tão confrangedoramente pobre, que nem me apetece rebatê-la, e também não deve valer a pena...

Aprenda com o "patologista", que é certeiro no que diz.

Cunhal era um bom estratego e um razoável táctico. Quantos se podem orgulhar de ter uma estratégia política que vá além dos seus interesses?

Mas na História, como nos "tops" de vendas, as aparentes vitórias e derrotas de cada dia são sempre efémeras e mutáveis ao longo dos tempos...

Publicado por A. Castanho em junho 22, 2005 06:51 PM


se cunhal não esteve do lado errado da história então de que lado esteve soares

Publicado por Real em junho 22, 2005 07:25 PM


REal, repara que eu não disse que ele esteve do lado certo. Dsse apenas que ele não esteve do lado errado. Como se escreveu aqui, não há lado certo e errado da história. O que eu acho extraordinário é que se fale do comunismo (como sabes não sou comunista) como um derrotado da história: dominou metade do século XX, obrigou o Capitalismo a ceder, organizou, em todo o Mundo, trabalhadores e (infelizmente) esteve no poder em metade do planeta durante décadas. Se isto é ser derrotado, apresentem-me um vencedor. Só que tudo o que nasce morre. Do comunismo nascerá uma outra coisa. Esperemos que, movida pela mesma generosidade que muitos comunistas empresataram aos seus combates, seja menos brutal, mais humana e mais capaz de aprender com os seus próprios erros. "O comunismo morreu! Viva o comunsimo!" Sempre quis izer isto.

Publicado por danieloliveira em junho 23, 2005 12:35 AM


Realmente, distinguir o lado certo e errado da História não só é tarefa difícil, com extremamente subjectiva e influenciável pelo contexto em que cada um analisa décadas e séculos passados.
Quer se goste quer não, é inquestionável que Cunhal marcou a sociedade política portuguesa como poucos. Tinha essencialmente aquilo que hoje é coisa rara: convicções e ideais fortes.

Publicado por Hélder Beja em junho 23, 2005 02:23 AM


que ladainha...em escala tuga isto já parece a versão vermelha da morte do wojtola. e eu até gostava, admirava o homem. deixem os mortos morrer.

Publicado por pinto ribeiro em junho 23, 2005 08:41 AM


Endeusa-se ou crucifica-se um homem por se manter fiel aos seus ideais. Fazemo-lo por medo? Por pura admiração? Álvaro Cunhal foi o secretário-geral de um partido político, não qualquer partido, convenhamos, de um partido que, por se fundamentar num ideal que ameaça o capitalismo foi pintado das cores mais negras pelos seus opositores, contrastando com a cor vermelha dos seus apoiantes. Por ter estado na linha da frente foi dado a Álvaro Cunhal um protagonismo que sempre rejeitou, levantando em seu lugar a bandeira do colectivismo. Mas como condenar ou elogiar um homem que faz o que está certo? A forma de luta que escolheu poderá ser questionada, admito-o, mas não o seu fundamento. Ou há mal em defender, em acreditar, em querer a justiça social? O ideal é puro, os homens não. Aos homens não se pede infalibilidade ou perfeição. Mas pode-se-lhes aceitar o caminho se a chegada for limpa.
O comunismo não é o papão dos homens, é o seu defensor.
Álvaro Cunhal fez o que tinha a fazer. Se não o fez melhor, foi certamente porque não soube. Mas fê-lo, ainda assim, melhor do que muitos. E a ele, como a muitos outros, podemos e devemos agradecer a liberdade de estarmos aqui hoje a deixar as nossas modestíssimas opiniões.

Publicado por caterina em junho 24, 2005 09:22 AM


«O ideal é puro, os homens não.»
Catarina, o ideal é tão impuro como os homens. Carrega sempre os seus defeitos, as suas fraquezas. Oureza, em política, é coisa que não existe. Felizmente a pureza fica reservada para o sagado.

Publicado por danieloliveira em junho 24, 2005 01:32 PM


A Catarina é uma verdadeira crente, Daniel. Para os verdadeiros crentes não existe relativismo. Só verdades absolutas. E a Catarina até escreveu no seu comentário, talvez inadvertidamente, o motivo que leva ao totalitarismo: "Aos homens não se pede infalibilidade ou perfeição. Mas pode-se-lhes aceitar o caminho se a chegada for limpa.". Isto traduz-se por: 'não contam os actos, o que contam são as intenções'. Se não fosse óbvio pelo resto do comentário que a Catarina é comunista e militante ou pelo menos apoiante do PCP, até se poderia tomar esta frase por um extracto de uma homilia.

O marxismo definiu-se como 'socialismo cientifico' em oposição ao socialismo utópico: na verdade, quer um, quer outro, não passam de doutrinas religiosas travestidas de programas políticos. O comunismo, como o mítico Graal mediaval, não é para alcançar: não passa do horizonte(*) radioso da humanidade.

(*) - Horizonte: linha imaginária que se afasta à medida que nos aproximamos.

Publicado por Pedro Oliveira em junho 24, 2005 01:46 PM


Daniel Oliveira é como uma mãe para Álvaro Cunhal. No fundo o que diz é que ele era muito bom - as companhias é que o perderam.

Publicado por vermeer em junho 24, 2005 04:06 PM


Cada vez que dizem que o comunismo está morto e enterrado e que não passa de uma religião ou de um horizonte inatingível, passe a redondância, não consigo conter o riso!

Suponho, então, que os senhores acham sustentável, ou mesmo natural, um sistema económico em que mais de um milhão e oitocentas mil crianças morram de fome todos os anos, apesar dos países desenvolvidos terem capacidade para produzir alimento suficiente para suprimir as necessidades alimentares de todos os habitantes da Terra.

Acham portanto justo, um sistema no qual 20% ou 30% da população mundial detém 70% da riqueza mundial e só as 300 famílias mais ricas possuam 3% da riqueza de um mundo com mais de 6 biliões de habitantes!?

Ora, se entendem que o comunismo é impraticável, posso concluir que consideram o capitalismo o modelo de organização económica e social mais perfeito que Homem pode arranjar e, portanto, terão sempre de existir países e seres humanos explorados por outros e a riqueza nunca será distribuída de forma justa, existindo sempre crises cíclicas, milhares de pessoas a morrerem de fome, graves disparidades sociais, etc.

Eu, pelo contrário, acredito que tem de haver uma alternativa a este sistema que gera tantas e tão grandes desigualdades, caso contrário, teria de perder a fé no ser humano.

No entanto, não acredito utopicamente que seja possível alcançar essa alternativa pacificamente, isto é, sem uma revolução. Só é possível fazer grandes alterações sociais e económicas através de uma revolução, como aliás, a própria história da humanidade o tem vindo a demonstrar.

Só alguém completamente ingénuo pode pôr a hipótese de que os grandes capitalistas, ou seja, aqueles que detêm realmente o poder na nossa sociedade, abdiquem do "direito" de maximizarem os seus lucros em prol dos direitos dos trabalhadores, a não ser que a isso sejam obrigados.

Mesmos países como a Suécia, a Dinamarca, ou a Finlândia, apresentados muitas vezes como campeões da justiça social, são, na verdade, alguns dos principais responsáveis pela exploração dos países subdesenvolvidos. Por exemplo, a principal multinacional responsável pela exploração e abate de árvores na Amazónia é, salvo erro, maioritariamente sueca.

Por último, gostava de deixar bem claro que não acredito que se possa aplicar o modelo soviético ao mundo actual, mas mesmo Marx e Engels admitiam que o modelo de organização social por eles idealizado poderia sofrer alterações em função das necessiades do Homem, ou não fosse a dialéctica uma das bases do comunismo. Estou, portanto, convicto de que o capitalismo terá de ser substituído por um modelo de organização económica e social mais justo - o comunismo - a fim de acabar com as disparidades sociais por ele geradas.

Publicado por André Militão em junho 24, 2005 08:44 PM


"Mais uma vez, o Daniel Oliveira não consegue apresentar um raciocínio com um mínimo de pés e cabeça. Depois do Século XX qualquer trabalhador assalariado NO MUNDO OCIDENTAL vive infinitamente melhor que nos finais do SEC XIX, é verdade. Acontece que isso não se deveu em nada ao Comunismo. Deveu-se sim ao desenvolvimento científicoa e tecnológico, e à economia de mercado. Nos países que optaram por modelos comunistas, o resultado foram milhões de mortos em consequência da pobreza e da fome. Os comunistas foram ainda os campeões das perseguições políticas e das violações dos Direitos Humanos, algo de que o Daniel Oliveira se poderá orgulhar."


Caro "The Studio", posso então inferir que os países sul americanos e da américa central e, mormente, os países africanos também optaram pelo modelo comunista? É que se há coisa que não falta lá é pobreza e fome - e mortos!

Mas ainda bem que nos elucidou, porque eu tinha a ideia que os países que optaram pelo modelo comunista, apesar da forte repressão política, tinham registado progressos económicos, tecnológicos e sociais incríveis. Tanto que, a União Soviética, antes da queda do sistema socialista, rivalizava com os EUA. E pensava também que em Cuba, as pessoas não morriam de fome, mas parece que estava enganado. Parece que é na República Dominicana, nas Honduras e na Guatemala - todos grandes adeptos da economia de mercado - que elas não morrem à fome...

Finalmente, também fiquei surpreendido em saber que os trabalhadores ganharam direitos graças ao progresso tecnológico e à economia de mercado e não, graças às suas revindicações. Isso é uma coisa que dá jeito saber porque, sendo assim, os trabalhadores podem parar de fazer greves - que convenhamos, é uma coisa chata - e podem deixar tudo nas mãos da economia de mercado, que é uma senhora muito simpática. Aliás, nem sei para que foi o 25 de Abril, era esperar mais um bocado e a bela da economia de mercado lá daria os direitos aos trabalhadores.

Contudo, tenho algum receio que a economia de mercado tenha entrado numa de PNR e Frente Nacional, porque parece que lá para África não faz mais nada a não ser lixar a vida aos trabalhadores, vá-se lá saber porquê...

Publicado por André Militão em junho 24, 2005 09:09 PM

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