Estes jovens...
Ainda há propósito?
Publicado por Monty em janeiro 31, 2005 07:42 PM
Ainda há propósito, sim, Monty, e despropósito também quando se dão calinadas destas...
Tinha acabado de reparar nela e quando a fui alterar pensei – ainda bem ninugém chegou a ver – quando a página carregou estava lá o seu comentário – viu você.
Um abraço. Isto foi da fome e tenho que ir fazer o jantar.
Publicado por rui tavares em janeiro 31, 2005 07:45 PM
Ok.
Deixa lá, apaga o meu despropositado comentário.
Publicado por Monty em janeiro 31, 2005 07:54 PM
"Para cima dos 40 anos" é que ninguém sabe nada ? Só posso acreditar que tenha sido gralha: Para baixo dos 40 (ou, talvez mesmo dos 50) anos é que já ninguém sabe nada !
Se não, vejamos ... uma palavrinha sobre os 60 anos do holocausto ? Pois, no Barnabé perdominam as jóvens sapiências ... Holocausto ? Que é isso ?
Publicado por Isabel Coutinho em janeiro 31, 2005 07:54 PM
E realmente conhecê-lo para quê?
Que exemplo deu ao povo?
Suicidar-se quando pensava que tudo estava perdido?
O que precisamos é de homens de valor e não de homens que abandonam o barco quando pensam que a coisa está mal parada.
Mesmo que estivesse esse abandono tem um nome.
Publicado por pirolito em janeiro 31, 2005 07:54 PM
SOS
Precisa-se de uma daniel qualquer, dos leões ou mesmo campelo para analisar as eleições no Iraque.
O que se tem dito são lugares mais q comuns....
Publicado por maneldomoinho em janeiro 31, 2005 07:57 PM
deixa ficar, se não o meu ainda é mais despropositado. fica uma private joke...
Publicado por rui tavares em janeiro 31, 2005 08:00 PM
Em nome do meu bisavô, um dos revoltosos do 31 de Janeiro, um muito obrigado por se terem lembrado desta data marcante da nossa história.
VIVA A REPÚBLICA!!
Publicado por Ardentía em janeiro 31, 2005 10:49 PM
Concordo que essas duas coisas são muito preciosas. E com este texto também se aprende uma coisa que, se não é preciosa, deixava-me pelo menos curioso: a razão do nome da mais feia avenida de Lisboa.
Publicado por Filipe Moura em janeiro 31, 2005 11:17 PM
O almirante não se deveria ter suicidado (com um tiro de pistola, veja-se só que coisa tão grosseira!) quando recebeu as informações. Um verdadeiro revolucionário traz sempre consigo uma cápsula de cianeto, e só a toma quando é capturado. Não quando recebe informações.
Publicado por Luis Lavoura em fevereiro 1, 2005 09:59 AM
Que estranho País em que se exalta a cobardia.
O Almirante Cândido dos Reis foi profundamente cobarde e no entanto é considerado heroi nacional. Que infelicidade não se reconhecer igual mérito a um verdadeiro heroi nacional que foi marterizado, El-Rey D. Carlos.
Foi um dos melhores governantes que este País já teve conseguindo, apesar da propaganda, recuperar a imagem de Portugal no estrangeiro, foi um cientista reconhecido internacionalmente e um artista. Que estranho País o nosso.
Publicado por Vasco em fevereiro 1, 2005 10:13 AM
Obrigado pela lembrança...VIVA A REPUBLICA!!!
Publicado por racf em fevereiro 1, 2005 11:26 AM
rui, boa boa! gostei dessa! e ainda bem, porque ultimamente os blogs da ala esquerda têm andado a debitar material de um nível tal que eu dou por mim só a dar cacetada para esse lado... malgré moi...
Publicado por pedro em fevereiro 1, 2005 05:06 PM
Cara Isabel Coutinho,
Excelentes questões, que aqui tentarei responder, eu que não sou nem sociólogo nem historiador, nem licenciado em qualquer ciência humana.
Em primeiro lugar, creio que há um erro de interpretação da sua parte quando afirma que os absolutistas, tendo perdido e virado oposicionistas, passaram rapidamente a republicanos – “era a oposição que havia”. As minhas leituras de modo algum apontam nesse sentido. Aliás, não só até à Patuleia resistiram em vários pontos do país guerrilhas absolutistas, como o próprio D. Miguel ganhou uma aura de D. Sebastião que, entre uns poucos, se prolonga até hoje (para confirmar a popularização do mito, é ler A Brasileira de Prazins de Camilo). Mais: pelo menos até ao início do século XX manteve-se vigente um decreto de D. Maria II que proíbia a D. Miguel e seus descendentes a entrada em Portugal, sob pena de morte em processo sumário. Se miguelitas houve que tivessem passado a republicanos, ignoro algum digno de nota (mas admito que seja apenas ignorância minha)
Por outro lado, a Isabel lança uma questão importantíssima: “Onde estão afinal as raízes da esquerda e da direita em Portugal?”. No que diz respeito ao período posterior à Guerra Civil, creio que a resposta é bastante clara.
Correndo o risco de ser simplista, permita-me a síntese. A Carta de 1826 estabelece a divisão. A direita é a que defende esta nova Constituição, que mantém o veto do rei, em última instância, superior às decisões do Parlamento. A esquerda é a que protela pelo contrário. O golpe de Setembro de 1836 – o dos setembristas – separou de vez as águas. O cabralismo – portanto, os cartistas –, mesmo com o interregno de dois anos (1846-48) resultante da Guerra Civil da Patuleia, manteve a Carta de 26. Passando rapidamente por cima de algumas concessões aos setembristas, só após 1851 – isto é, depois do duque de Saldanha ter expulso Costa Cabral do poder –, portanto a partir do primeiro período da Regeneração, é que a esquerda liberal (desde sempre sob a égide de Passos Manuel, entre outros) viu finalmente consagrada as suas reivindicações liminares, entre elas um sistema de eleições directas. Foi, entre outras consagrações, o que aconteceu com o Acto Adicional à Carta de 1852.
Indo então à sua questão central: como se relaciona o Liberalismo e a República? Pois precisamente a partir da esquerda liberal.
Primeiro, o contexto europeu. Há um ano essencial para perceber isto: 1848. É o ano em que os ideais liberais e mesmo republicanos consolidam-se em países como a Itália, Áustria, Hungria ou Prússia. Tão só porque a Revolução Industrial lança novos conflitos sociais e políticos ao criar novas questões sociais, novas classes, problemas novos e, consequentemente, novas expectativas. O Manifesto de Marx e Engels é publicado em 1848. Mau grado a nossa eterna distância em relação a estes cenários principais, não ficámos de todo incólumes às novidades.
Impossibiltada até 1852 de fazer vingar as suas ideias fundamentais, a esquerda liberal portuguesa – os setembristas, isto é, os radicais –, derrotados que foram na Patuleia (1848) começam um processo teórico e político de esvaziamento do trono da sua relevância política. Eis os argumentos e estratégias: o trono não tem legitimidade porque é hereditário; as consciências devem ser laicizadas através da educação; a fé católica deverá ser substituída pela devoção patriótica. O que temos é então a “gradual republicanização da monarquia”. E, parece-me, aqui está a sua resposta à pergunta de como o Liberalismo e Republicanismo se relacionam.
(Irmos mais atrás neste assunto, mesmo antes de chegar ao século XVIII, seria contar a incrível vida de Gomes Freire, mas isso é outra história...)
A Isabel conta-nos a sua história familiar para, se bem entendi, questionar a linearidade das origens e descendências das esquerdas e direitas, do liberalismo e republicanismo. O tema que enuncia é fascinante, muito próprio de um historiador de micro-história (o italiano Carlo Ginzburg, por exemplo), mas não eu posso, não devo e nem consigo entrar por aí. Mas creia-me que entendo perfeitamente como isso pode mexer com as nossas crenças e interpretação do nosso passado familiar. Em 1919, durante a brevíssima Monarquia do Norte e as perseguições que aconteceram na cidade do Porto, havia dias, contava a minha avó, em que o seu pai, assustado, pedia ao seu futuro compadre para esconder a bandeira monárquica na casa daquele (que era anarquista e maçon!) e outros em que este fazia um pedido no sentido contrário, ficando a rubra e verde escondida em casa do outro! E o resultado da amizade do monárquico e do anti-monárquico, tão politicamente opostos que eram, foi o casamento dos seus filhos.
O que eu lhe invejo, Isabel, e ao mesmo tempo alegro-me por existir, é essa relíquia do Mindelo, essa pedra do seu Bravo trisavô. Essa pedra não é de esquerda nem de direita, é de todos nós, que gostamos de viver em democracia.
PS: Sou apenas um leitor da história, de modo que deixo aqui pelo menos três títulos que me ajudaram e que respondem de forma muitíssimo mais competente do que eu às suas questões: Esperem e Verão! – textos republicanos clandestinos de 1848, introdução e selecção de textos de Fernando Pereira Marques, Alfa; História da Guerra Civil da Patuleia 1846-47, Editorial Estampa e O Século XIX Português, Instituto de Ciências Sociais, ambos de Maria de Fátima Bonifácio.
PS 2: Seria possível obsequiar-nos com uma fotografia da pedra? Muito obrigado.
Publicado por João Macdonald em fevereiro 2, 2005 03:23 AM
Como terão percebido, o meu comentário era para outra freguesia...
Publicado por João Macdonald em fevereiro 2, 2005 04:20 AM
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