Direito à vida
Uma questão relevante é: quem paga para manter a Terry Schiavo viva?
É que estas irracionalidades da medicina atual custam caro: cada dia da vida daquela senhora - ou, já agora, cada dia da vida de uma bebé numa incubadora - custa uma fortuna.
Se o preço fosse pago por uma particular - pelo marido, ou pelos pais da Terry Schiavo - não haveria problema: cada um é livre de deitar o seu dinheiro para o lixo da forma que lhe apetecer.
Mas se o preço fôr pago pelos contribuintes, ou por todos os segurados de uma companhia de seguros, então o caso muda de figura.
Publicado por Luis Lavoura em março 24, 2005 03:35 PM
O escriba a soldo que no D.N. defendeu a agressão americana ao povo iraquiano que causou
dezenas de milhares de mortos, torna-se um paladino do direito á vida, NÂO HÀ VERGONHA...
Publicado por a.pacheco em março 24, 2005 03:46 PM
Pragmatismo como o de Luis Lavoura custa a ouvir.
Publicado por Ansioso em março 24, 2005 03:50 PM
Luis Delgado continua igual a si mesmo. Agora, acha que Terri Schiavo "está alerta". Não sei se tenho mais pena da americana se do Luis. Todos temos direito à vida, mas também todos temos direito à morte. Manter a vida vegetativa artificial e indefenidamente, quando não há expectativa de retorno, é também a negação dum direito - o direito à morte. Para os crentes é contrariar a vontade de Deus. estrelinha ajuizada
Publicado por vermelhofaial em março 24, 2005 04:09 PM
são opiniões q devemos todos respeitar. Na primeira sou a favor de uma dita "eutanásia", não faz sentido estar vivo se não se tem noção do mesmo. Na segunda acho que o Santana Lopes não morreu para a política e que ainda terá muito a dar apesar de muitos desejarem a morte política do mesmo. São opiniões. e se divergem que bom, é o sinal de pluralidade que vcs de esquerda bradam aos seus mas que na prática não respeitam.
Publicado por Daniel Oliveira em março 24, 2005 04:11 PM
"Ela está alerta, vígil, e não em coma ou em estado vegetativo, e isso torna a decisão ainda mais arrepiante, até porque teoricamente ela poderá estar a aperceber-se do que lhe estão a fazer."
Querem ver que ele também é médico? Tão sensível que este homem se torna perante uma vida singular, e que indiferença lhe causa as centenas de milhares de mortes por um ideal neo-liberal.
Ninguém parece querer ter a sensatez de pensar, porque é que o próprio marido deseja tal fim para a sua mulher. É fácil perceber que os pais queiram manter a sua filha viva, mais difícil será perceber porque será que o marido pensa o contrário. Ele acha que se esta estivesse consciente tomaria a decisão de por fim à vida, e ele como marido (a quem ninguém apontou problemas conjugais sérios) merece alguma credibilidade, ou não?
Quanto a Santana...ele bem quer "viver", mas quanto mais se esforça para "viver" mais se "enterra".
Publicado por João Dias em março 24, 2005 04:31 PM
não é bem assim, Luís Lavoura.não se pode dizer que o dinheiro para salvar ou conservar viva uma pessoa (desde que não seja um artificialismo total, claro)seja "para deitar à rua". As pessoas não são peças mecânicas, cuja contabilidade possa ser feita em valores monetários.
é uma questão extremamente complexa, esta. Por um lado, ela não se pode manifestar, log não sabemos o que poderia opinar. Por outro, se a sua vida apenas subsiste graças a meios absolutamente artificiais, então os tratamentos para a manter são contrários à própria natureza e à sua dignidade humana. Não, não há quaisquer verdades absolutas neste caso atroz.
Só não sei é que moral tem o sr. Bush, que mandou directamente numerosos indivíduos para a morte (seja na guerra ou em execuções)para vir agora "defender a vida". Olha quem!
Publicado por João Pedro em março 24, 2005 04:43 PM
O Delgado ainda não compreendeu que Terri NÃO está viva... mas é natural que possua dificuldade em distinguir o significa estar vivo, já que ele próprio tem demonstrado qualidades de verdadeiro zoombie; digamos, por outras palavras, que Delgado é o paradigma da morte cerebral.
Publicado por o uno e o multiplo em março 24, 2005 05:27 PM
O que é de estranhar na opinião de Luís Delgado é ele não ser a favor do desligar imediato da máquina porque, "liberal"mente falando, a senhora no estado em que está só contribui para o deficit da segurança social e para o agravamento da dívida pública.
Mas, por outro lado, como a coisa se passa nos EUA - onde a segurança social já teve dias -, provavelmente estará a custar um prémio de seguro maior ao marido. O que, bem vistas as coisas, até torna consequente a posição de Delgado.
Publicado por Espectro em março 24, 2005 05:57 PM
Já que até li muita coisa sobre este caso, também vou aqui dizer de minha justiça. Não vou comparar o caso de Schiavo aos multiplos casos de suícidio assistido. Até porque não são comparáveis: num caso de suicidio assistido o suicida apenas requer a assistência de alguém por não ter os meios para por fim à sua própria vida.
Este é um caso diferente: ninguém interrogou Terri, e esta não pode expressar a sua própria opinião. Tudo o que temos é a palavra do seu marido em como este seria o seu desejo. No entanto, o marido de Terri não é parte desinteressada neste embroglio. Durante 5 anos opôs-se frontalmente à remoção do suporte de vida à sua esposa. Entretanto, reconstruiu a sua vida, vive maritalmente com outra senhora e deseja casar com esta. No entanto, como a sua esposa legitima não está morta, e as leis dos Estados Unidos não toleram a bigamia, esse casamento tem sido adiado nos últimos dez anos.
Isto tão só e apenas para colocar uma perspectiva diferente na problemática em questão. E a questão, é a eutanásia. Não vale a pena levantar poeira, aqui a questão não é o suicidio assistido, que considero perfeitamente legitimo. No entanto, a eutanásia é, sem tirar nem por, assassínio. Ninguém duvida que uma criança com deficiencia mental - em linguagem politicamente incorrecta, um atrasado mental - também possui o direito à vida. Os autistas têm direito à vida. Os mongoloides (ou portadores de trissomia 21, para ser politicamente correcto)têm direito à vida. Ninguém discute estes príncipios simples no ocidente, pelo menos desde o fim do nazismo.
Porquê então defender a morte de um ser humano que está incapacitado de exprimir a sua opinião? Quem tem direito de vida e de morte?
Publicado por Pedro Oliveira em março 24, 2005 06:34 PM
Sabes,a.pacheco,confundes o povo iraquiano(qual? o xiita,o sunita ou o curdo?)com os fundamentalistas que por lá andam.
Publicado por loureiro em março 24, 2005 07:57 PM
Luís Lavoura, gostaria de saber se falarias do mesmo modo caso um familiar ou amigo teu estivesse no caso de Terri Schiavo. Além disso, não és tu que pagas para manter a senhora viva, mas falas com uma arrogância tal que parece que sim.
Publicado por fumbler_me em março 24, 2005 08:20 PM
Pedro, tens toda a razão, se não tivesses comentado iria dizer mais ou menos o mesmo que tu. E mais algumas coisas: que o marido da Terri S. tem dois filhos da tal outra mulher; que nestes anos todos nem uma TAC foi feita à senhora, quanto mais outros exames mais complexos (não me perguntem porquê, só sei que não foram feitos); que o Luís Lavoura, a menos que tenha nascido numa clínica particular, ou em casa sem assistência médica, também veio a este mundo com o dinheiro dos contribuintes...
Publicado por marta em março 24, 2005 08:25 PM
Pedro, tu és pedra e sobre esta pedra.....
Afinal és um homem de fé.
Vacilante, às vezes mas a fé vem sempre ao de cima.
Que bonito
Gostava de ver o teu retrato do Crisma. Certamente levavas asas, meu Deus como eu andava enganado
Publicado por carapaudecorrida em março 24, 2005 11:31 PM
Esse Luis Mingado é um triste coitado... Deve ter ''areia'' na mioleira...
Publicado por casepagam em março 24, 2005 11:57 PM
Sabes loureiro confundes fundamentalistas com dezenas de milhares de mulheres e crianças que os americanos e seus cães de fila assassinaram no Iraque.
Publicado por a.pacheco em março 25, 2005 12:18 AM
Caro Luis Lavoura:
Habituei-me a ler e respeitar os seus comentários aqui no Barnabé. Sobretudo aprecio a inteligência, a lucidez, o espírito critico com que nos habituou.Umas vezes concordo, outras vezes não. Mas respeito e aprecio.
Não é o caso do seu comentário sobre a questão deste post.
Repare: "Quem paga para manter a Terry viva", "estas irracionalidades custam caro", cada dia de vida daquela senhora ...custa uma fortuna", "se o preço fosse pago por...não haveria problema", "deitar dinheiro para o lixo", "mas se o preço for pago por todos os contribuintes ou segurados de uma companhia de seguros então o caso muda de figura" (SIC).
Ai muda? Não sabia..PREÇO? Há uma preço, monetário, num drama humano? Neste drama? Quantos euros ou dólares custa este? Pode-nos esclarecer?
Que figura então, para si, passaria a ter o "caso", como lhe chama, utilizando a sua fria terminologia, se o "preço" já fosse pago por particulares, pelo marido, ou seguradoras? Já não haveria "problema"? É isso?
Mais aceitável? Admissível? Tolerável talvez. Já poderíamos olhar para o lado, ignorar e continuar na nossa vidinha?
Reduz, então, se me permite a conclusão, um drama humano, este drama humano,
a uma questão "do preço a pagar" e da entidade que tem ou não tem de o suportar?
Porventura O Sr. Luis Lavoura não sabe o que é termos um ente profundamente querido entre nós em vida vegetativa. Aquele olhar vazio.Às vezes pensamos que olha para nós,às vezes pensamos que olha para o infinito.Querermos dar-lhe carinho mas sentimos que está ausente. Profundamente ausente. E não sabemos que carinho dar.Sabe o que isso é?
Eu sei, e por isso respeito o caso colocado em discussão e sinceramemte, por muito que pense e torne a pensar, continuo a não ter resposta para ele. Sim ou não desligar a máquina? NÂO SEI.
Agora não reduzo é a questão a preços,deitar dinheiros para lixos, pagarem contribuintes, maridos ou companhias de seguros.Muito menos a irracionalidades da medicina actual que custam caro.
Sobre opinião no DN do Sr Luís Delgado sobre a questão, por razões de higiene mental, não comento, e, sinceramente, nunca percebi muito bem porque é que o Barnabé dá sempre tanta atenção aos disparates dessa criatura.
Publicado por Fernando Isidoro em março 25, 2005 01:21 AM
Nesta história toda da pobre Terri Schiavo o que mais impressão me faz é que NÃO SE TRATA DE DESLIGAR A MÁQUINA E JÁ ESTÁ, vai-se em dois segundos.
Não, meus senhores.
Trata-se de lhe tirar o tubo que a alimenta com soro e vitaminas(?). Ela vai MORRER À FOME durante vários dias.
Publicado por gaspar sousa em março 25, 2005 02:29 AM
Parabéns, Luís Lavoura. Nunca o Hitler conseguiu formular tão bem o argumento que defendia para os campos de extermínio. Economicamente, era óptimo! Quando já não serviam para o trabalho escravo, "acabava-se com o custo!"
É também um dos argumentos que o mesmíssimo BUSH utiliza para defender a pena de morte num dos poucos países que a mantém na legislação e dos raríssimos que a aplicam efectivamente.
Debater, sim. Esta questão é complicada, e há diversos graus de incapacidade, há dificuldades (às vezes impossibilidade) de saber a vontade do doente, há a dificuldade (impossibilidade?) de raciocinar com clareza sobre a morte de alguém que nos é querido... os pontos de vista são inúmeros.
Mas DINHEIRO não! Neste assunto, (como no da pena de morte, das guerras por petróleo, diamantes ou possibilidades de negócio), os argumentos monetários são simplesmente inaceitáveis!!!
Publicado por Helena Romao em março 25, 2005 03:59 AM
Factos são factos. Eu fui contra a invasão do Iraque. Eu acho que os 'aliados' devem sair já do Iraque. Agora: o Iraque está melhor. Uma maioria política religiosa, os xiitas, ao fim de séculos manda no seu país, recuperou a sua dignidade. Consequências imprevisíveis noutros países onde são oprimidos. Na Arábia SAudita, por exemplo. No golfo.No Líbano. Idem, os curdos. Não por acaso a 'tolerante' comunidade islâmica de lisboa, sunita, de Vakil e Munir também recusa direitos iguais aos xiitas. E na ALFURQÁN fazem o elogio da 'resistência'...moderados, claro, que jantam com o embaixador dos usa e ´são parceiros bem vistos da direita portuguesa.Pode ser que os americanos ainda venham a ter uma surpresa final.
Neste momento, e isto não desculpa os americanos, quem mata bárbara e impunemente no Iraque são um punhado de facínoras fundamentalistas sunitas. Consultem os sites iranianos e de Nadjaf.Quem está lá tem de ser ouvido.
Publicado por pinto ribeiro em março 25, 2005 09:41 AM
Pinto Ribeiro , agora o Iraque está melhor para quem.
Como é que um povo que tem o seu país ocupado por tropas estranjeiras poderá estar de acordo com as suas palavras.
O Pinto Ribeiro se tivesses vivido em 1640 teria concerteza sido um defensor do Miguel de Vasconcelos.
Publicado por a,pacheco em março 25, 2005 01:57 PM
Esta questão é muito complexa e mexe com interesses e sentimentos demasiado íntimos e profundos, de todos excepto os da figura central, Mrs. Schiavo. A questão dos custos é para mim absolutamente secundária - a saúde não é um negócio...pois não? De acordo com o The Economist já foram feitas as necessárias avaliações médicas e Terry está de facto em estado vegetativo. Isto significa que ela não sente, nem alegria nem tristeza - este drama de que falamos não é o dela porque ela não está presente. Se isto é vida? É decerto mas não é uma vida que, pelo menos eu desejasse viver. Quando a coerência e a consciência nos abandonam... deixamos de ser nós e por muito que nos tivessem amado é difícil reconhecer-nos naquele corpo e devotar-nos o mesmo carinho e respeito. Sendo assim compreendo que após 15 anos o marido de Terry queira refazer a vida mas não sei se isso lhe dará o direito de acelerar a sua morte. Isto não é eutanásia porque Terry não expressa nem deixou expresso por escrito o seu desejo. Penso que talvez o melhor fosse deixar a natureza seguir o seu curso, com uma pequena ajuda artificial (uma sonda para alimentação) e esperar...
Publicado por Rita em março 25, 2005 02:20 PM
Caro A.PACHECO: não perco tempo com tiradas de nacionalismo serôdio e bacoco. Sou europeu e tenho dupla nacionalidade. Conheço tiradas semelhantes na Alemanha. Leia bem o que eu escrevi. E leia e ouça bem o que dizem os iraquianos. As eleições, com todas as condicionantes, foram exemplares. Eu também quero o grande satã fora do Iraque. Mas a dita
resistência não representa nada nem ninguém. São CRIMINOSOS.Tenho lá amigos. Antiamericanos. Mas que me dizem estar melhor. Apesar dos americanos.Apesar de quererem os americanos fora do seu país.1 abraço.
Publicado por pinto ribeiro em março 25, 2005 03:16 PM
PS: onde andava a sua indignação quando a maioria xiita do Iraque estava OCUPADA pela clique sunita assassina e minoritária do Saddam, o qual era elogiada por Rumsfeld e sustentada pelos americanos?
Publicado por pinto ribeiro em março 25, 2005 03:20 PM
As eleições com todas as condicionantes foram exemplares ,estou esclarecido sr Ribeiro.
Eleições organizadas e controladas pelos invasores NUNCA SERÂO EXEMPLARES.
Certamente os nossos conceitos de democracia e direito dos povos a escolherem o seu destino de FORMA INDEPENDENTE não são os mesmos.
A ditadura de Saddam apoiada pelos Estados Unidos deveria ser derrubada e os democratas iraquianos deveriam ser apoiados, mas eram eles que teriam de derrubar o ditador, e não uma pseudo coligação de abutres que o que querem é o controle do petroleo e ocupação do Iraque como base estratégica.
Os fundamentalistas islâmicos têm na administração Bush controlada por fundamentalistas cristãos o seu principal aliado.
Publicado por a.pacheco em março 25, 2005 03:56 PM
Para estes fundamentalistas o que importa é estar vivo, não importa se a pessoa é obrigada a passar por um sofrimento atroz durante anos a fio, ou se é obrigada a viver como um simples vegetal, o que importa é que os outros vivos possam dormir tranquilos por pensarem que estão a desempenhar o papel tal como acham que Deus os mandou desempenhar.
É irónico que sejam essas mesmas pessoas que acham que estão a desempenhar correctamente o papel de Deus quando apoiam uma guerra, será que Deus é assim tão diabólico?
p.s. O Sr. Luís Delgado é óptimo para medir o estado de saúde de Portugal, enquanto pessoas como ele tiverem o poder que têm, o nosso país nunca será saudável, será um país cheio de vermes e parasitas.
Publicado por Telmo em março 25, 2005 04:07 PM
caro Pacheco. Exemplares atendendo às condições, claro. quanto a bush, ao petróleo e aos fundamentalistas e ditadores, dos saud ao mubarak, passando pelo bin Ladin, estou de acordo consigo. quanto ao iraque tente ler a imprensa iraniana ou ouvir o Al-Sadr, xiitas insuspeitos de simpatias pelo bush. Vou sair. Bom fim de semana.
Publicado por pinto ribeiro em março 25, 2005 06:02 PM
A propósito ,a.pacheco,quantas mulheres e crianças a tua tão admirada "resistência" matou?
só falta vires com o discurso que são vítimas colaterais!
Publicado por loureiro em março 25, 2005 07:01 PM
Fosse Terri Schiavo uma vítima de um dano colateral, e o sr. bush e o sr. delgado viriam imediatamente desvalorizar o "incidente".
Publicado por Telmo em março 25, 2005 07:42 PM
A agressão americana ao Iraque país soberano ao arrepio das normas internacionais, só pode ser condenada.
O Iraque hoje mais não é que uma manta de retalhos, com os curdos no norte a tentarem construir um país e tentarem a divisão da Turquia, no sul os xiitas cujo chefe é iraniano só pensam na união com o Irão, resta nesta salgalhada alguns iraquianos sobretudo sunitas que ainda pensam ser possivel manter unido o que já não é mais do que um pais divido em três partes.
A administração de cristãos fundamentalistas liderada por Bush, na sua cegueira conseguiu transformar o Iraque num grande campo de treino de terroristas , este é o unico resultado para lá do negocio do petroleo, que Bush conseguiu.
Tudo o resto meus senhores é conversa da treta.
Publicado por a.pacheco em março 25, 2005 08:50 PM
Publiquei, no meu blog (assertivo.blogspot.com), a minha opinião sobre o drama de Terri Schiavo, por isso remeto para o post de 24 de Março. Mas deixem-me concordar com quem aponta a contradição de alguém que defende uma guerra injusta e ilegal, com as centenas de mortos que provoca, e o apelo patético à defesa da vida. Em que ficamos?
Publicado por m em março 25, 2005 10:14 PM
Pacheco. finalmente percebo a sua inquietação. Você está preocupada com o facto da minoria sunita pró-saddam perder o poder para a maioria XIITA da população. a qual, naturalmente, democráticamente, pode fazer o que muito bem lhe apeteça... a saber: não aceitar a ditadura e opressão sunitas, ter um líder iraniano, o Ayatullah Ali Al-Sistani, ou até juntar-se ao Irão. a democracia é assim. antes isso que os saddam. os curdos que o digam...
Publicado por pinto ribeiro em março 26, 2005 09:04 AM
Mais sarpraise, ou talvez não: o assunto Terri Schiavo descambou para o Iraque e o mauzão do Bush.
Já agora, alguém mais sabedor destas coisas poderá dizer algo sobre as relações entre o Partido Baas (Baath?) da Síria e do Sadam e a Internacional Socialista?
Publicado por gaspar sousa em março 26, 2005 10:24 AM
Gaspar, eu não conheço. A não ser, naturalmente,o facto dos americanos terem apoiado e financiado o PS em Portugal e o Saddam no Iraque. Coisas da c.i.a.. Mas parece-me que são vários barões psd quem tem excelentes ligações à escumalha dirigente no mundo árabe. Por fim, o partido Baas na Síria e no Iraque são estruturalmente diferentes e a ditadura síria tem de gerir muito bem os interesses shiia's, Irão e Líbano oblige.Não que a ditadura síria seja menos abjecta.
Publicado por pinto ribeiro em março 26, 2005 12:40 PM
consultar lista orgãos directivos do Instituto Luso-Arabe para a Cooperação, administrações de alguns bancos e empresas públicas, visitas à mesquita central sunita de lisboa efectuada por líders em campanha eleitoral, ou até um recente e inédito despacho do M. Educação em tempo de campanha a dar feriado aos alunos muçulmanos por motivos religiosos... mande sempre Gaspar.
Publicado por pinto ribeiro em março 26, 2005 12:47 PM
Pinto Ribeiro leio mal árabe e a imprensa em inglês controlada pelo invasor não me dá garantias de independencia.
Estranho é a facilidade com que nós europeus encaramos o desmembramento de países como o Iraque, nós que somos incapazes de resolver questões de decadas como a Irlanda do Norte , o País Basco, a Corsega, a chamada Padania{norte da Italia) a Belgica ( separação da região flamenga da Valonia) e todo um contencioso de fronteiras em que estão em litigio a Polonia, a Grecia, a Albania, a Turquia, a Hungria, a Romenia etc. etc.
A geo-estratégia da região deveria merecer da parte dos politicos responsáveis, uma atenção redobrada, e não atitudes de cruzados serôdíos como são os Bush e a sua administração de Fundamentalistas cristãos, o que os Europeus não precisavam era dar argumenmtos aos Bin Ladens e outros fanáticos, para justificarem a sua guerra de civilizações e de religiões.
Como é a Europa que vai estar na primeira linha deste combate, isso para os americano é de somenos, espero da parte da maioria dos politicos europeus e dos politicos arabes democratas o bom senso de não ouvirem o canto da sereia dos falções da guerra.
Pinto Ribeiro espero que Iraque seja o principio do fim do imperialismo americano e inicio de uma politica realista de aceitação do OUTRO.
Publicado por a.pacheco em março 26, 2005 06:31 PM
Obrigado, Pinto Ribeiro, é que eu li qualquer coisa sobre o assunto há uns tempos e não me lembro onde.
Vou continuar a investigar. O certo é que as posições de vários protagonistas(a inquietação de Blair com as ameaças de Bush à Síria há uns tempos e o alinhamento Shroeder-Zapatero-Belgas-Chirac faz desconfiar; já agora - o que faz o Chirac na lista?não sei, mas deve ser para chatiar os americanos)
Publicado por gaspar sousa em março 27, 2005 08:44 AM
"Meu deus" é o que eu costumo dizer, eu que até sou ateu, quando me cruzo com uma miúda gira, é bossal, mas faz-me lembrar que se os homens e mulheres passassem mais tewmpo a fazer amor com o sexo do seu agrado não diziam tantas asneiras e, de certeza, que o Bush, o bin Laden, o Salazar, o Estaline, o Castro, a irmã Lúcia, o Franco, o Mussolini, o Hotler, a Inquisição, o PSL, Delgados e Gomes da Silva e outros que tais não existiam ou nãqo tinham existido. O mundo seria bem mais agradável. Todos diferentes, todos iguais.
Publicado por Werewolf em março 27, 2005 10:56 AM
Pinto Ribeiro, numa pesquisa (baath-party.org) encontrei este excerto que tem alguma piada.
a member of the leadership of the Spanish socialist workers party , international relations official, Mrs. Trininda confirmed that Syrian Arab people is lucky with such a president as Bashar Al- assad .she added that his Excellency president is the best representative of his people and their cases and rights in front of the world.
Spanish socialist workers party's will call Baath Arab socialist party to participate in the Mediterranean committee of international socialism, within the framework of this meeting which as we suppose will be held in March of this year .Several issues relevant to Mediterranean region will raise including the Middle East cases. We in Spanish socialist workers party's, hope Syria has a total contribution in all international Quarters whether on the partisan or political levels which will enable her "Syria" to grew her participation in international debates.
We suppose that this will promote the modernization and developing project headed by president Bashar Al- assad.
Publicado por gaspar sousa em março 27, 2005 11:56 AM
Ponham-se no lugar de uma Terri consciente. Será que alguém aceitaria que não a deixassem morrer, quandio a vida já se acabou completamente e o cadáver adiado de uma mulher que era bela aparece transformado em zombie nas TV'S ? Que raio de "vida" é essa ? E não se trata de eutanásia, mas apenas de desligar as máquinas que a mantêm artificialmente "viva", de pôr fim ao encarniçamento terapêutico, o que não é crime em parte alguma do mundo, mesmo para a Igreja...
Quanto ao traidor Delgado, que aprovou o massacre de 100.000 civis iraquianos pelos Pro Life (!!!!!!) bushistas, a sua credibilidade é igual a zero. Não falem mais dessa besta...
Sobre o Iraque: só se pode falar de terrorismo em relação a alguns (não todos) atentados do grupo Zarquawi, aqueles que visam xiitas não colaboracionistas. Mas são uma pequeníssima parte das mortes no Iraque. De resto, a heróica Resistência (que os terroristas bushistas e seus caniches, incluindo barnabitas, chamam pateticamente "terroristas") continua a justiçar legitimamente a escumalha cruzada e os colaboracionistas que lhes fazem o jogo... A honra da Nação Árabe lava-se com o sangue dos terroristas cruzados. E só se perdem as que caem no chão.
Publicado por euroliberal em março 27, 2005 12:31 PM
Que mundo é este, meu Deus? Gritem, enviem apelos, cartas, e-mails, tudo o que for possível para ajudar a descobrir a causa do desvio comportamental do Luis Delgado.
Publicado por morcego em março 28, 2005 01:54 AM
Gaspar, realmente esse excerto é delicioso. Obrigado. Quanto ao Chirac: o bush tem a fama e o proveito mas em islamofobia ninguem fica atras do chirac.Pacheco. Por mim, essas contendas 'nacionalistas' acabavam hoje. Não sou de esquerda, logo vivo bem com uma Europa unida. Mas também eu desprezo visceralmente o Império. Já agora. O Iran Daily tem uma edição em inglês, na net.E atravês da Al-Islam chegas aos xiitas iraquianos.
Publicado por pinto ribeiro em março 28, 2005 08:44 AM
Rita: «De acordo com o The Economist já foram feitas as necessárias avaliações médicas e Terry está de facto em estado vegetativo. Isto significa que ela não sente, nem alegria nem tristeza - este drama de que falamos não é o dela porque ela não está presente. Se isto é vida? É decerto mas não é uma vida que, pelo menos eu desejasse viver.»
Pois é, Rita, eu também não. Mas quem sou eu, ou tu, para decidir por outro ser humano que não pode expressar a sua opinião?
Publicado por Pedro Oliveira em março 28, 2005 07:41 PM
Um direito internacional, cada vez mais cogente e eficazmente aplicado pelos tribunais internacionais de Haia, é a pedra de toque do liberalismo (do verdadeiro, é claro, o euroliberalismo) nas relações internacionais. Depois do holocausto de 1939-1945 (30 milhões de europeus mortos) e da ameaça nuclear, não há espaço possível para unilateralismos baseados na força. Seria o suicídio colectivo. Hobbes deve ceder a Kant. É que o vencido de hoje pode mesmo assim destruir o vencedor. E a humilhação tipo Versailles que causou a II Guerra, aplicada hoje ao mundo islâmico segundo a proposta bushista-likudista, causaria certamente uma terceira e última guerra mundial. Bush e os neo-cons (neo-parvos, na correcta tradução francesa), são criminosos irresponsáveis que brincam com o fogo, aprendizes de feiticeiro que não dominam as consequências dos seus actos. Jamais 1.300 milhões de muçulmanos se deixarão humilhar por essa escória moral. Mesmo 5 milhões de sunitas iraquianos são suficientes para infligirem um revés aos cruzados bushistas ! Mas as consequências poderão ser trágicas para todos. Compete à Grande Europa tomar as rédeas do mundo e evitar o Apocalipse. A solução é a Paz Perpétua kantiana baseada no direito internacional. A mesma receita que que a Europa pós-45 aplicou a si própria, pondo termo a uma guerra civil de 1000 anos. A Europa sabe como ninguém o que é a guerra. Praticou-a duranre séculos até ao paroxismo assassino das duas Guerras mundiais. Teve na última 30 milhões de mortos (não 250.000 como os americanos...). Sem unidade europeia, há muito que já teríamos tido uma nova guerra de desforra dos vencidos, se continuássemos na lógica hobbesiana da lei da força. O periférico Portugal, felizmente, não sabe o que são os horrores da guerra total. Mas o centro da Europa (Alemanha e França, os grandes inimigos de 3 guerras em 70 anos, sobretudo...) sabe. Por isso a construção europeia baseada na cooperação pós-nacional e no direito internacional, não é uma bizarria ou luxo intelectual. É uma condição sine qua non de sobrevivência da Europa. E o milagre europeu, o fim do estado de natureza nas relações inter-europeias, deve ser alargado (porque hoje a segurança, como a insegurança, são globais) a todo o mundo. É essa a nobre missão da Grande Europa. Para isso devemos rearmarmo-nos, garantir a supremacia do euro a nível mundial e impor, se necessário pela força, o império da lei e do novo Contrato Social pós-nacional. A Paz Perpétua kantiana não pode ser exclusivo da Europa, só pode ser global... Apoiar Bush hoje é o mesmo que apoiar Hitler nos anos 40... Freitas a vu juste...
Publicado por euroliberal em março 29, 2005 11:48 AM
euroliberal,
Esqueces-te que a tal 'paz kantiana' só foi possível na Europa do pós-guerra por causa do guarda-chuva da dissuassão nuclear dos Estados Unidos. O mundo de 'suicidio colectivo' que retratas no teu poste, já terminou vai para vinte anos, com o fim da guerra fria.
E qual é o receio de uma terceira guerra mundial contra o mundo àrabe? Essa é uma possibilidade muito remota. Tão remota que quase não vale a pena planear para isso. Porque é que o mundo àrabe se lançaria numa guerra que acabaria numa derrota certa?
O teu poste, infelizmente, esquece o velho aforismo «Se queres a paz, prepara-te para a guerra». Como é que a 'Velha Europa' pode tomar as rédeas do que quer que seja se não tem músculo? A lógica hobbesiana não é uma filosofia, é como as coisas são. Podes gritar o contrário até ficar rouco, que nem os Estados Unidos, nem a China, nem a Russia vão desmantelar as suas forças estratégicas. Nem nenhum país vai colocar 'direito internacional' antes da sua soberania nacional - incluindo aqui a França ou o Reino Unido.
O anti-americanismo de raiz françesa há-de triunfar na 'Velha Europa', infelizmente. Poderá até fazer com que os Estados Unidos retirem a sua protecção estratégica à Europa Ocidental. Imagino que então Freitas, e tu, euroliberal, fiquem muito contentes, pelo menos até à próxima guerra.
Publicado por Pedro Oliveira em março 29, 2005 01:34 PM
Pedro,
Não, a paz europeia resultou e resulta sobretudo da substituição das relações de força pelas do direito no relacionamento entre as potências europeias e da integração destas num ente comum, a Grande Europa, através dos tratados constitutivos da CEE E UE. Foi obra nossa. E a paz com o bloco comunista não se deveu apenas às forças estratégicas americanas. A França e a GB tinham também misseis suficientes para dissuadir. Além de que os mísseis russos também garantiram a paz... Sem eles, um Bush aventureiro podia ter aparecido mais cedo... A guerra possível não era apenas com o bloco comunista, mas também entre França e Alemanha e respectivos aliados. A diferença é que após 1918 houve um humilhante Tratado de Versalhes que fabricou Hitler e a II Guerra Mundial. E após 45, os Pais da Europa não humilharam os vencidos, associaram-se a eles na CEE. E os vencidos transformaram-se na principal locomotiva do progresso europeu... Se tivesse havido outro Versalhes (lógica hobbesiana), teria havido necessariamente outra guerra ainda mais fratricida, para recuperar a Alsácia e Lorena (que hoje são europeias... mais que francesas ou alemãs). Os americanos pensariam da mesma forma se tivessem sentido a guerra total na sua própria terra, se tivessem tido uma Dresden, Hamburgo, Tóquio, Hiroxima e Nagasáqui...
O mundo islâmico tem a bomba atómica (PAK)e mais uma meia dúzia de países da mesma área a terão a breve prazo (é a lição de Bush: se tens a bomba - C.N. - não te atacamos, se estás indefeso e tens petróleo...). Ora, militarmente, desde 45, é impossível resolver problemas através de guerras globais. E quem vence é quem tem moral para suportar mais baixas (os árabes), não quem tem capacidade para infligir mais baixas (os camones)...Logo, Bush, se continuar a ocupar terras árabes, só poderá conseguir que qualquer Bin Laden (un herói para 1.300 milhões de muçulmanos, convém não esquecer) acabe por destruir atomicamente uma ou mais cidades anericanas, todas inclusivé. O facto de poderem morrer centenas de milhões de muçulmanos não os fará deter na sua justa vendetta. Para eles o valor primeiro é a honra (que impõe que se verta o sangue do agressor), não a sobrevivência pessoal, como para os camones. Logo, o eixo buhista-sionista caminhará para o aniquilamento a longo prazo. Israel, como estado sionista, fundamentalista, apartheidesco e anexionista de terras alheias está condenado a prazo. O enxerto sionista será rejeitado inexoravelmente. Judeus na Terra Santa só integrados num estado laico, multiconfessional e democrático (one man, one vote). A Europa tem tudo a ganhar em distanciar-se da politica suicida do eixo EEUU-Israel. Já demos para essa coisa das cruzadas há 800 anos, e o resultado não foi famoso. Mas como em tempo de guerra total não há neutros e todos acabam por "comer", devemos tomar a iniciativa e rearmarmo-nos. Somos 500 milhões, temos (unidos)a economia mais forte do mundo, a melhor moeda, podemos facilmente financiar (através de um euro dominante, como acontece hoje com o dólar) as mais fortes e numerosas FA's do mundo e ganhar biliões com a venda de armamento europeu (que pode facilmente suplantar o americano, tal como o Airbus fez à Boeing). Por que precisamos de ir a reboque de loucos dirigidos por um oligofrénico, ele mesmo comandado por uma clique de sionistas assassinos, quando podemos ser os primeiros (vamos deixar esse papel à China ?) e dirigir o mundo com muito mais juízo, em termos fraternos e com segurança para todos ?
Afinal a nossa Pátria é a Europa, é a bandeira europeia que ondeia nas nossas terras, não a bandeira americana...
Publicado por euroliberal em março 29, 2005 04:34 PM
A Terri tem direito de viver sim.
Você que acha que não se ponha no lugar dela e da família do sofrimento dessas pessoas.
Imaginem se ela tivesse algum parentesco com você ouy mesmo se fosse sua esposa vocês teriam outra pinião. A terri assinou a sua sentença de morte não por ficar neste estado más no momento em que se casou com o michael aquele monstro. Infelizmente é a cruel e ardua ironia do destino.
Publicado por Thiago em março 30, 2005 02:15 AM
Ninguém...sim, Pedro, nem eu, nem tu, nem o marido de Terri Schiavo, somos alguém para decidir por outra pessoa se ela quer ou não continuar a viver...por isso, na inexistência de um registo da sua vontade, qualquer que fosse, continuo a sentir que talvez o melhor seja deixar a natureza seguir o seu curso, com uma pequena ajuda artificial (uma sonda para alimentação, e não uma "máquina") e esperar...
Publicado por Rita em março 31, 2005 12:48 AM
De acordo com a CNN, Terri Schiavo, morreu.
Publicado por Pedro Oliveira em março 31, 2005 06:04 PM
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