[Publicidade da responsabilidade e de apoio à weblog.com.pt. Mais informações aqui.]

Histórias de gigantes


Um direito internacional, cada vez mais cogente e eficazmente aplicado pelos tribunais internacionais de Haia, é a pedra de toque do liberalismo (do verdadeiro, é claro, o euroliberalismo) nas relações internacionais. Depois do holocausto de 1939-1945 (30 milhões de europeus mortos) e da ameaça nuclear, não há espaço possível para unilateralismos baseados na força. Seria o suicídio colectivo. Hobbes deve ceder a Kant. É que o vencido de hoje pode mesmo assim destruir o vencedor. E a humilhação tipo Versailles que causou a II Guerra, aplicada hoje ao mundo islâmico segundo a proposta bushista-likudista, causaria certamente uma terceira e última guerra mundial. Bush e os neo-cons (neo-parvos, na correcta tradução francesa), são criminosos irresponsáveis que brincam com o fogo, aprendizes de feiticeiro que não dominam as consequências dos seus actos. Jamais 1.300 milhões de muçulmanos se deixarão humilhar por essa escória moral. Mesmo 5 milhões de sunitas iraquianos são suficientes para infligirem um revés aos cruzados bushistas ! Mas as consequências poderão ser trágicas para todos. Compete à Grande Europa tomar as rédeas do mundo e evitar o Apocalipse. A solução é a Paz Perpétua kantiana baseada no direito internacional. A mesma receita que que a Europa pós-45 aplicou a si própria, pondo termo a uma guerra civil de 1000 anos. A Europa sabe como ninguém o que é a guerra. Praticou-a duranre séculos até ao paroxismo assassino das duas Guerras mundiais. Teve na última 30 milhões de mortos (não 250.000 como os americanos...). Sem unidade europeia, há muito que já teríamos tido uma nova guerra de desforra dos vencidos, se continuássemos na lógica hobbesiana da lei da força. O periférico Portugal, felizmente, não sabe o que são os horrores da guerra total. Mas o centro da Europa (Alemanha e França, os grandes inimigos de 3 guerras em 70 anos, sobretudo...) sabe. Por isso a construção europeia baseada na cooperação pós-nacional e no direito internacional, não é uma bizarria ou luxo intelectual. É uma condição sine qua non de sobrevivência da Europa. E o milagre europeu, o fim do estado de natureza nas relações inter-europeias, deve ser alargado (porque hoje a segurança, como a insegurança, são globais) a todo o mundo. É essa a nobre missão da Grande Europa. Para isso devemos rearmarmo-nos, garantir a supremacia do euro a nível mundial e impor, se necessário pela força, o império da lei e do novo Contrato Social pós-nacional. A Paz Perpétua kantiana não pode ser exclusivo da Europa, só pode ser global... Apoiar Bush hoje é o mesmo que apoiar Hitler nos anos 40... Freitas a vu juste...

Publicado por euroliberal em março 29, 2005 11:49 AM

Para comentar no Barnabé, registe-se aqui acima no sistema typekey. O registo é rápido, simples, confidencial e permite comentar, com o seu nome ou um pseudónimo à escolha, nos milhares de blogues que usam o mesmo sistema.
O Barnabé não é responsável pelas opiniões emitidas nestes comentários.