Quatro hipóteses para a salvar
O que diz Don Policarpo
É que o Jesus do presépio
Reduz o Cristo da Páscoa
À humana condição
E não pode ser na dele
Mas Cristo disse na cruz
Afasta de mim o cálice
Provando que lhe doía
E ressuscitou depois
Na fé de Don Patriarca
E dos que tal acreditam
Porém na minha eu estou certo
Que mais milagre é o divino
De Cristo Jesus Menino
Que transcendências católicas
De Don José Policarpo
Publicado por digeu em março 29, 2005 02:09 AM
vamos proibir as pessoas de tentarem desvendar o outro lado da historia biblica, vamos aceitar os dogmas da igreja... pelo bem dos crentes... não convem dar lhes muitas ideias... amen
Publicado por oscar pinto em março 29, 2005 03:52 AM
E são precisos todos os meios para evitar sequer que se ponha essa hipótese... Desde considerar "fundamentalista" qualquer ateu que explique publicamente a sua posição (o Bispo de Aveiro considerou que as acções da "Associação Ateista Portuguesa" eram de um enorme fundamentalismo anti-católico. Aquilo que ele não sabia é que a associação não existe. Foi um pequeno lapso que mostra muita coisa...), até incluir no INDEX o "Código da Vinci", na mais bela tradição obscurantista da Igreja.
Estes avisos de Policarpo vêm na sequência dessa inclusão (o "Código da Vinci" na lista dos livros que os Católicos não devem ler).
Publicado por João Vasco em março 29, 2005 04:03 AM
Ainda pensei em ler "O Código de Da Vinci" com luvas de latex mas depois lembrei-me que assim estaria a cometer um pecado ao quadrado. Desisti.
Publicado por povd em março 29, 2005 11:05 AM
MAs como será possível que um gajo como o Rui Tavares consiga conviver com semelhantes toscos, incapazes de qualquer subtileza e ignorantes do que possa significar o respeito pelas crenças alheias?
Publicado por Pensativo em março 29, 2005 02:17 PM
Ah, já percebi como é que funciona a piada anticatólica aqui no Barnabé! Vocês têm que mandar uma destas para a seguir poderem gozar com a Maçonaria... Não seria mais barato aproveitar para bater também nos escuteiros, no Ku Klux Klan e no Exército da Salvação?
Publicado por pedro picoito em março 29, 2005 02:59 PM
muito bom... o excelentissimo patriarca diz uma bestalhada do tamanho deste e do outro mundo, e o pessoal que critica é tosco... e por aí fora... há gente que ainda não passou pela época do iluminismo...
Publicado por oscar pinto em março 29, 2005 05:03 PM
O título é da inteira responsabilidade do Público.
O Cardeal Patriarca não disse nada que se pareça com o título.
Num blog que me habituei a ler e a consider é triste ver que quer o bloguista quer os comentadores, ou não sabem ler ou distorcem o que lêm, porventura ainda mais grave!
Quanto ao casamento de Jesus, que raio! Depois de tantos anos a gritar contra o casamento e apregoar o amor livre, a esquerda quer agora casar à força o Homem?! Não era o apóstolo João que reclinava a sua cabeça sobre o peito de Jesus?... Uma melhor lavou-lhe os pés e secou-os com os cabelos? E então? Fica obrigado a casar? Que pensamento mais pequeno- burguês...
Publicado por Teixeira Alves em março 29, 2005 10:19 PM
Eu não quero ser desmancha prazeres, mas nos tempos que correm, esse jacobinismo requentado tem um ar um pouco apatetado, não acha?
Publicado por portugal_liberal em março 29, 2005 11:18 PM
esta "moda" de reduzir a figura de Jesus a um homem resulta de um contexto cultural "que dificilmente aceita a dimensão transcendente da vida".
há algum problema em fazê-lo?
caso as pessoas não saibam ler, a palavra romance está escrita na capa do livro, por isso tirem as conclusoes...
para alem de que este senhor não se restringe ao livro...
"Jesus Cristo voltou a estar na moda na literatura, na arte, nos media, que procuram apresentá-lo apenas como um homem, extraordinário porventura, mas sujeito aos limites da raça humana"
se algumas pessoas que comentam aqui, não sabem ler a culpa não é minha...
Publicado por oscar pinto em março 30, 2005 12:12 AM
Um post muito divertido e directo no alvo!!
acho que voto no peixe...
Publicado por Rosa alice santos em março 30, 2005 09:59 AM
O patriarca não poderia ter dito o que vem expresso no título pois incorria no pecado de heresia. Quem conhece a história da Igreja, sabe que para os católicos é condição essencial crer na condição humana de Cristo a par da sua condição divina. Para os católicos é necessário acreditarem na ressurreição de Cristo, não basta acreditarem que foi um homem extraordinário. Isso foi o que disse o cardeal.
Quanto aos romances tudo pode ser, a meu ver, ficcionado e inventado ou reinventado. O que não pode e a Igreja tem o direito de se defender, é insultos a ela acusando-a de falsificar e esconder "verdades" que se querem apregoar. O romance em causa possui inúmeros erros históricos, a nível da história da igreja e a nível de história de arte! Para a maioria dos leitores isso não é directamente perceptível, pelo que estamos perante um caso de engano deliberado. Já li romances ficcionados sobre a vida de Cristo, contrários à ressurreição, mas qualquer percebe que se trata de ficção ou uma perpectiva pessoal do seu autor. Isso nada tem de mal. O que há de mal nisto tudo, é permitirem-se críticas às chamadas de atenção que o cardeal faz aos católicos, e só a estes, para o conteúdo ficcional e as falsas acusações que certos livros possuem.
O resto... o resto é anticlericalismo serôdio típico do séc. XIX.
Publicado por Teixeira Alves em março 30, 2005 12:56 PM
caramba eu ainda sei ler e nada (nem o titulo) diz que ele rejeita a condição humana do cristo.
não sabia que romance agora tinha um significado diferente...romance :composição literária de ficção
a questão não está em ele achar se cristo tem uma condição humana a par da condição divina ou não.
o problema é que ele vê os trabalhos feitos realçando a sua condição humana (e rejeitando a sua condição divina) como nefastos a crença catolica, não me diga que sempre que se fizer um trabalho sobre o cristo historico, este será criticado pela igreja.
acho que isso já está fora das responsabilidades da igreja.
Publicado por oscar pinto em março 30, 2005 03:23 PM
A Oscar Pinto
Pelos visto parece que temos mais coisas em acordo do que em desacordo. Espero bem que a Igreja, da qual me sinto parte, não critique trabalhos sobre o Cristo histórico. Cristo é de todos e não pertence à Igreja católica. Certamente fará justiça à inteligência e cultura do cardeal patriarca e não pensará que ele pretenda fazer crítica literária ou censura seja sobre o que for.
O que eu quis dizer é que faz parte da responsabilidade do cardeal patriarca, dentro da sua sé, advertir os católicos, de que não devem, à luz da sua fé, deixar-se deslumbrar pelo Cristo meramente humano e esquecer a fé na sua ressurreição. Certamente que isso será nefasto à fé dos católicos, e cabe ao seu pastor alertar para o facto. Maior razão terá, quando o fascínio sobre a vida de Cristo humano leva os católicos a ler considerações improváveis e distorcidas, sem poderem eles próprios, por ignorância do facto histórico ou artístico, destrinçar aquilo que é ficção do que é acusação sem provas.
Acredito sinceramente que sabe ler muito melhor do que eu, pelo que agradeço humildemente o ter-me lido.
Com estima,
Teixeira Alves
Publicado por Teixeira Alves em março 30, 2005 07:27 PM
Começo por declarar que o que mais me preocupa neste mesmo, é o facto de Jesus ser visto como homem ou/e como filho de deus. Até hoje a sua existência só está provada nos escritos da igreja, os quais não conferem com a história dos homens. Não há um só dos conhecidos historiadores do tempo,que a ele se refira.Quanto à ressurreição o Cooperfield consegue efeitos muito mais espectaculares que nós todos podemos ver até pela TV. Quanto a isto ser anti-clericalismo tipo séc. XIX estou mais descansado, porque o mal que pode trazer ao meu semelhante é só o ter ideias diferentes. Se fosse tipo século XVIII eu estava feito. Os que dizem "ama o teu próximo como a ti mesmo" (na Irlanda por exemplo vemos bem quanto isso é verdade) já me tinham levado para a fogueira. Sempre faz menos mal pensar diferente, não acham?
Quanto ao Cardeal, como dizia o Torga do papa, é "sua missão ter visões".
Publicado por Luis Martins em março 30, 2005 10:50 PM
Lavoisier, grande cientista e o pai da química moderna, era um homem liberal e seguidor dos filósofos iluministas. No entanto... No entanto foi julgado após a revolução, num julgamento que não durou um dia e foi condenado à morte. O juiz presidente afirmou: " A república não precisa de cientistas..."!!!
Melhor sorte teve Galileu!!!... Veja lá onde se pode ser diferente...
Publicado por Teixeira Alves em março 31, 2005 10:18 AM
Acho interessante a discussão e desnecessário o sentimento de ofensa dos seguidores da Igreja...
Se o sentem... imagino que a seguinte notícia (que me enviaram sem fonte, desculpem...) os deixará a berrar "mais conspiração!!" __________________________________________:
"Evangelho segundo Judas descoberto e publicado daqui a um ano
Texto só era conhecido por referências indirectas
Quase dois mil anos depois de ter semeado a discórdia entre os primeiros cristãos, o Evangelho segundo Judas, atribuído ao apóstolo que entregou Jesus, foi descoberto no Egipto e está em curso a sua tradução na Suíça, informou uma fundação suíça.
O texto, escrito num dialecto copta, a língua dos cristãos do Egipto, foi encontrado na zona central do país e a sua tradução em alemão, inglês e francês deverá ser publicada dentro de um ano, informou segunda-feira a Fundação Maecenas para a Arte Antiga.
"Acabamos de receber os resultados de testes de datação com carbono 14: o texto é ainda mais antigo do que pensávamos e remonta a um intervalo compreendido entre o início do século III e o início do século IV depois de Cristo", disse à AFP o director da fundação de Basileia, Mario Jean Roberty.
O documento não era conhecido senão pela sua existência, atestada pelo primeiro bispo de Lyon, Santo Irineu, que em meados do século II publicou um texto denunciando as heresias, nomeadamente aquelas que estariam contidas no Evangelho segundo Judas.
Jean Roberty não quis pronunciar-se sobre o conteúdo do texto antes da sua publicação. "Não queremos ainda revelar o lado excepcional do que nós temos entre mãos", disse.
O texto deste Evangelho segundo Judas faz parte do lote de umas três dezenas de evangelhos apócrifos --aqueles que não foram considerados como autênticos pelos primeiros cristãos. Muitos desses textos contêm, por exemplo, relatos mirabolantes daquilo que seriam milagres de Jesus e foram sendo excluídos das comunidades cristãs, ao longo de um processo por vezes com muitas polémicas.
Em 325, o Concílio de Niceia aceitou que só os quatro evangelhos entretanto reconhecidos como válidos deveriam ser considerados autênticos: Mateus, Marcos, Lucas e João, correspondendo todos eles a narrativas escritas por aqueles discípulos de Jesus ou por seus seguidores directos. A mais recente exegese bíblica diz que os textos podem corresponder às narrativas que aqueles apóstolos faziam dos factos ligados à vida de Jesus. O cânone definitivo só seria mesmo estabelecido no século XVI, no Concílio de Trento.
De acordo com a tradição, Judas entregou Jesus aos romanos, que o crucificaram. Tomado de remorsos, o apóstolo ter-se-ia enforcado."
Cmps.
Publicado por TLB em março 31, 2005 01:53 PM
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